Informa a Folha:
“A promessa política da internet não se realizou, afirma Vladimir Safatle, professor de filosofia da USP. Safatle é autor de estudos sobre uso da internet nas eleições de 2006 e 2008, feitos em parceria com Marcelo Coutinho, professor da FGV e especialista em internet e política.
Desde que surgiu, a rede mundial de computadores trouxe a esperança de que revitalizaria o debate político público e serviria como espaço de discussão de ideias.
Segundo Safatle, a internet não se configurou como espaço de diálogo, como muitos esperavam, mas de radicalismos exacerbados.
‘A internet está mais para grande espaço fragmentado de posições, onde cada território está ocupado por opiniões muito bem definidas e que não entram em contato com ideias diferentes. Manifestações dissonantes são reprimidas ou ignoradas.’”
A reportagem pinta um quadro que retrata a mais pura verdade a respeito da blogosfera política: Os blogs seguem, em sua maioria, a linha ideológica de seus autores, recebendo aplausos daqueles que concordam com as ideias expressas e sendo rejeitados por uma patrulha formada pelos que discordam.
Não há debate democrático de ideais. Discussão franca de valores então, nem pensar. No que diz respeito às questões polêmicas, não há uma conversa entre blogueiros e leitores, há imposição por parte do blogueiro e aprovação ou rejeição por parte dos leitores.
Resultado prático: Os blogs políticos acabaram por seguir o modelo dos jornais, modificada apenas a escala. O blogueiro se comporta como emissor e os leitores como receptores. Não há a interação sadia que deveria ser estimulada na internet e que existe na rede em outras áreas do conhecimento.
E por que faço aqui este manifesto? Por que desde o início do Perspectiva tive como proposta representar exatamente este espaço democrático, preencher justamente esta lacuna. De tempos em tempos me dirijo ao leitor defendendo estes valores e expressando que a essência do blog é o debate democrático, sensato, justo e independente.
Uns duvidam, dizendo que não há imparcialidade ou isenção. Para esses respondo que concordo, contudo, lembro que o Perspectiva abre espaço para as ideias de seu próprio autor e para as ideias dissonantes. Dificilmente se é totalmente democrático dentro de um corpo só, mas é possível atingir um nível de democracia razoável no sistema inteiro.
E é isso que é feito aqui. Colunistas dos mais diversos matizes ideológicos se dirigem aos leitores e não são censurados. Leitores com as mais diferentes ideias e posições postam seus comentários e só têm suas palavras de baixo calão removidas.
Quando a patrulha de um lado ou de outro começa a agir é completamente desmoralizada por conta da exibição, nos dias seguintes, de pontos de vista diferentes, além da recepção educada e polida, e não raivosa.
Fiquei muito feliz quando, no aniversário de um ano do Perspectiva, o elogio unânime de colunistas e leitores era o que se referia ao espaço democrático e de debate franco que o Perspectiva representava, sem repressão, sem imposição, sem censura.
Espero que o elogio continue valendo e farei de tudo para que o Perspectiva seja, cada vez mais, reconhecido na blogosfera político como plural. O reconhecimento atual, com certeza, já é fruto deste posicionamento.
Portanto, podemos dizer que, se por um lado uma andorinha só não faz verão, por outro, o Perspectiva está aqui para ser local virtual de debate aberto sem radicalismos.
O Perspectiva é um só, mas as perspectivas são muitas.











