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Novo líder israelense ainda não fala em Estado palestino

31/03/2009

Informa o Estadão:

“Em seu primeiro discurso no Parlamento, pouco antes de tomar posse, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nesta terça-feira, 31, disse que vai buscar uma ‘paz plena’ com o mundo árabe e islâmico e elogiou a religião muçulmana. Netanyahu, que evita falar numa solução para o conflito com os palestinos com a criação de dois Estados, não endossou explicitamente a independência da Palestina, mas afirmou que não quer ‘governar outro povo. Não queremos governar os palestinos. Sob um acordo permanente, os palestinos terão a autoridade necessária para se governarem’”.

É importante que Netanyahu tenha a noção de que não pode ser radical em suas posições. Como líder de Israel, o novo primeiro-ministro deve, impreterivelmente, estar aberto ao diálogo e agir de forma moderada. Qualquer coisa que seja diferente disso apenas ateará fogo na disputa. É interessante a declaração do líder israelense de que os palestinos devem poder se governar.

Ao mesmo tempo, infelizmente, ainda não é bandeira de Netanyahu a defesa da criação de dois Estados. O Estado de Israel e o Estado da Palestina. É verdade que algo assim se configura, hoje, como extremamente difícil, ainda mais se levarmos em conta que algumas doutrinas islâmicas pregam a destruição de Israel, o que faz com que o país entenda que ceder pode ser abrir portas para sua própria destruição. Porém, por mais que a luta se apresente como árdua, é a que deve ser travada, pois parece ser a única que dará resultado duradouro.

Israel e o perigo do radicalismo

12/02/2009

Em todo tempo de guerra, as ideologias que defendem as mesmas ganham mais adeptos, embora muitos deles sejam temporários. A verdade é que me parece que o momento de confronto desperta a rivalidade, a raiva e o sentimento de vingança. Sendo assim, o político que defende o ataque aos inimigos ganha fôlego.

Nos EUA, Bush se elegeu em tempos de luta contra o terrorismo. Agora, em Israel, parece que a direita chegará ao poder. Não tenho grande embasamento em termos de Oriente Médio, porém, posso afirmar com algum nível de certeza que se os tempos em Israel fossem mais calmos, Tzipi Livni, do Kadima e de centro, seria eleita. Como os tempos são de embates, o argumento da direita israelense ganha força e, por isso, essa vertente recebe mais votos.

O Kadima, em tese, venceu as eleições, afinal, obteve mais cadeiras. Se os israelenses vivessem em um presidencialismo, a Presidente seria Tzipi Livni. Porém, como o regime é o parlamentarismo, estando longe de mim querer comparar nesse momento um regime com o outro, precisa-se de coalizão.

A coalizão deve ser de direita pois, se quem venceu foi o Kadima, quem veio logo após foi o Likud, de direita. Sendo o terceiro colocado o Yisrael Beitenu, de ultra-direita, o provável primeiro-ministro é Binyamin Netanyahu, do Likud, e não, Livni, do vencedor Kadima. No fim das contas, os trabalhistas de Ehud Barak não conseguiram dar para a esquerda os mesmos votos que o Yisrael Beitenu de Avigdor Lieberman deu para a direita.

Dito isso, pode ficar parecendo para os leitores que defendo que Israel não ataque, não se defenda, enfim, que eu acredite em uma solução de não-agressão. Sobre esse tema, digo que é verdade que eu sou a favor de um acordo de paz e de uma solução com dois estados. Porém, sendo atacado Israel, tenho convicção de que o país tem todo o direito de se defender. E sobre os argumentos de que Israel se defende de forma desigual, acho que é verdade, mas não que seja tão errado assim. Verdade seja dita, quem ataca um paísmais forte, sabe que receberá represália desigual. Duvido que diriam que um hipotético Brasil atacado pelo Paraguai deveria equiparar suas forças ao que o país opositor poderia conseguir.

Resumindo, não acredito que Israel deva, por ser mais forte, se colocar numa posição de aceitar sem responder com força, qualquer ataque ao seu povo. Quem defende que os israelenses “deixem pra lá” as mortes de judeus só pode estar falando isso sem pensar o que faria se fosse o seu povo. Porém, acho que Israel, ao mesmo tempo, tem o dever de trabalhar para encontrar uma solução pacífica, além de ter sim, a obrigação de ceder territórios, afinal, em muitos deles, ele é o invasor.

Não se pode dizer que Israel não pode se defender de ataques, principalmente aqueles que não são amadores, advindos do povo palestino, e sim, de atos terroristas do Hamas. Mas não se pode aceitar um governo israelense que não quer discutir os termos da paz. Por isso, preferiria um governo do Kadima, que também tem lá seus erros, a um governo do Likud, partido que foi claramente beneficiado pelo momento bélico que o país vive.

Até mesmo Barack Obama se ressentiu da vitória de uma direita um tanto extremista em Israel. O Presidente americano já está repensando se vai mesmo usar seu cacife político para lutar por acordos na região. Isso se dá pelo fato da análise da conjuntura dar conta de que, com a direita israelense no poder, os esforços poderiam ser cansativos, desgastantes e, ainda assim, em vão.