Postagens com a palavra-chave ‘Licença’

Acredite se puder: Sarney governará o Brasil

13/02/2010

Como todos devem saber, a linha sucessória do governo brasileiro se dá da seguinte maneira: Na ausência do Presidente, assume o Vice. Na ausência desse, assume o Presidente da Câmara, representando o povo brasileiro. Na ausência deste, assume o Presidente do Senado, representado os estados brasileiros. Por fim, na ausência deste, assume o Presidente do Supremo Tribunal Federal, representando a Justiça e a lei.

No caso, hoje, temos a seguinte sequência: Luiz Inácio Lula da Silva, José Alencar, Michel Temer, José Sarney e Gilmar Mendes.

Pois bem. Nos proponhamos a analisar esta linha sucessória na prática, sob a luz da necessidade de muitos políticos de se manterem desincompatibilizados para poderem concorrer a cargos eletivos em outubro deste ano:

Lula terminará o mandato. Não deixará a Presidência para concorrer a um cargo no Legislativo, como uma vaga no Senado, por exemplo. Contudo, pode se licenciar da posição por algumas semanas se for concluído que ele é muito necessário no cotidiano da campanha de Dilma Rousseff na reta final dela.

José Alencar deixará a Vice-Presidência ou, no mínimo, não assumirá interinamente o cargo de Presidente da República, afinal, se o fizer, não poderá concorrer ao Senado por Minas Gerais ou ao governo do estado como desejam alguns governistas.

Michel Temer não poderá, tampouco, assumir a Presidência, se quiser ser Vice de Dilma Rousseff.

José Sarney ainda tem mais da metade de seu mandato no Senado. Está em situação cômoda e não se preocupa com desincompatibilizações.

Portanto, chegamos à seguinte conclusão:

A partir de abril, Temer e Alencar não assumirão a Presidência quando Lula viajar.

O Presidente em exercício será…

…José Sarney!

E a coisa piora:

A partir de setembro, reta final da campanha presidencial, Lula poderá se licenciar e Temer e Alencar continuarão a não poder assumir a Presidência.

O Presidente da República interino será…

…José Sarney!

É Sarney com a faixa presidencial outra vez…

Acredite se puder.

Talvez tenha sido para isso que Lula e Dilma lutaram tanto pela salvação de Sarney na crise do Senado.

Dá-lhe Brasil!

Aécio mantém viagens, mas desiste de licença

23/10/2009

O Governador mineiro Aécio Neves cogitava se licenciar do cargo e utilizar o tempo livre para viajar o País e ganhar cacife político, além de permitir ao seu Vice, Antonio Anastasia, governar por um tempo, buscando se viabilizar como sucessor.

Pois bem. Aparentemente, o Governador mudou de ideia. Confiram o que informa o Globo:

“O governador de Minas Gerais e pré-candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, não vai mais se licenciar do cargo para viajar em busca de apoios pelos estados. Em entrevista nesta quinta-feira no Palácio da Liberdade – durante lançamento de campanha para valorização da pessoa idosa, que teve a participação do cantor Zezé di Camargo e do jogador do Corinthians Ronaldo -, disse que não cogita mais a ideia, mas deve cumprir agenda conjunta de viagens ao lado do governador de São Paulo, José Serra, que disputa com ele a vaga de candidato em 2010. “

De qualquer forma, Aécio deixa o cargo e o transmite para Anastasia em março. Precisa fazê-lo para concorrer em outubro do ano que vem, seja a Presidente, a Vice-Presidente ou a Senador.

PMDB quer que Lula se licencie e aja na campanha de Dilma

16/10/2009

Informa o Correio Braziliense que a cúpula do PMDB vai propor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que tire um mês de licença, em 2010, para viajar pelo País ao lado da Ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

São pelo menos dois os objetivos da iniciativa. Um deles é tornar a “mãe do PAC”, pré-candidata do PT à Presidência da República, mais conhecida entre os eleitores. O outro é vincular a imagem dela à de Lula. Divulgá-la não só como gestora eficiente, mas uma seguidora fiel da cartilha petista em defesa da redução da desigualdade de renda e do combate à pobreza.

A realidade é que Dilma Rousseff, como todos os que acompanham a política nacional sabem, é totalmente dependente de Lula. A Ministra não agrega votos próprios. É Lula mais zero.

Como o PMDB quer estar sempre ao lado do poder, custe o que custar, abandone-se a ideologia que precisar ser abandonada – que no caso do PMDB já inexiste justamente para facilitar esse jogo -, a legenda quer que Lula se empenhe o máximo possível na campanha de Dilma.

Os peemedebistas sabem que Dilma só existe com Lula e, se estarão com Dilma, querem a vitória, pois querem os cargos. Sendo assim, vale até pedir para Lula se licenciar e fazer campanha, afinal, isso, obviamente, fortalecerá a candidatura da Ministra.

A gestão do Brasil que se lasque. O Presidente que se licencie porque o PMDB quer vencer as eleições a quaquer custo. No caso, o PMDB governista, que sabe que, garantindo o tempo de televisão do PMDB ao lado do governo, será o mais agraciado em um possível mandato de Dilma Rousseff.

No governo eles sabem que estarão. Vença quem vencer. Porque se não estiverem não se governa neste País, infelizmente. Mas os dilmistas querem mais, querem ser os peemedebistas prioritários, deixando os outros membros da federação peemedebista com as migalhas.

Como os peemedebistas dilmistas sabem que já não há mais espaço para serem os prioritários com Serra, se agarram a Dilma. Mas como Dilma não garante ninguém, se agarram a Lula.

Licencie-se, Presidente! Clama o PMDB com fome de poder.

Em tempo: Se Lula se licenciar, José Alencar será o Presidente. Como nosso Vice-Presidente tem, infelizmente, problemas de saúde, deverá ser substituído muitas vezes. Michel Temer, Presidente da Câmara, deverá estar em campanha como Vice de Dilma. Portanto, o Presidente será quem? Quem?

José Sarney!

Esse é o PMDB!

Lula cogita licença para auxiliar diretamente Dilma em campanha

27/09/2009

Informa Lauro Jardim, da Veja:

“Pode ser, é claro, balão de ensaio, mas efetivamente Lula tem dito privadamente a alguns de seus ministros que vai licenciar-se do cargo por três meses para fazer a campanha de Dilma Rousseff como se fosse a sua própria.”

Como já ressalta até mesmo o colunista da Veja que publica esta nota, Lauro Jardim, esta hipótese de Lula licenciar-se para auxiliar diretamente a campanha de Dilma Rousseff pode não sair do papel.

Porém, o fato de estar sendo cogitada demonstra que Lula pode estar avaliando que sua participação na campanha presidencial de Dilma Rousseff pode ser ainda mais necessária do que o esperado.

Sendo Lula o único ativo político de Dilma, é correto afirmar que quanto mais a Ministra precisar da intervenção do Presidente em sua campanha, mais fraca ela é sozinha.

Se por um lado a presença maciça de Lula na campanha de Dilma pode realmente dar musculatura a esta, acendendo o sinal de alerta da população, por outro, esta participação comprovaria que a confiança na pessoa de Dilma Rousseff, bem como na candidatura em si, é limitada.

Se antes esta limitação já existia, pode ter aumentado com os ligeiros reveses nas pesquisas de intenção de voto.

Vale ainda ressaltar que Lula pode ter interesse na distribuição desta informação. Quem sabe ele pense que uma sinalização de que sua participação na campanha será enorme possa aumentar a esperança de sucesso da Ministra, facilitando o fechamento de acordos com aliados.

Petistas comparam possível licença de Aécio a suposta campanha antecipada de Dilma

06/09/2009

Informa o Globo:

“Desde março, o governador de Minas e pré-candidato a presidente pelo PSDB, Aécio Neves, fez pelo menos 14 viagens a sete estados. O Palácio da Liberdade não dá detalhes das futuras viagens, mas Aécio – que disputa com o governador de São Paulo, José Serra, a indicação do PSDB – deverá se licenciar por um período de até 20 dias, em novembro, para contatos políticos no Norte e no Nordeste, como informou Merval Pereira nesta sexta-feira em sua coluna no GLOBO.

Já é certo que Aécio deve visitar o Rio Grande do Norte e o Amazonas. A Constituição mineira diz que o governador só precisa de autorização da Assembleia para se ausentar por um período maior que 15 dias. Segundo o governo, o pedido de licença será encaminhado e o cargo transmitido ao vice, Antonio Anastasia, o candidato de Aécio a seu sucessor em 2010.

Para especialistas em legislação eleitoral, a licença poderá ou não se configurar em antecipação de campanha eleitoral, mas tudo dependerá de como ele vai agir no período.

[...]

Líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP) diz que a decisão de Aécio mostra que é ‘demagógica’ a atitude do PSDB de ir à Justiça acusando de antecipação eleitoral qualquer movimento da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

Os especialistas citados no trecho da reportagem do jornal O Globo reproduzido acima estão corretíssimos. Uma possível licença de Aécio Neves poderá ou não configurar campanha antecipada. Tudo dependerá de como ele utilizar esta licença.

É justamente por ser partidário deste entendimento que refuto a comparação feita pelo Senador Aloizio Mercadante que, por sinal, não tem acertado muito ultimamente.

Se Aécio utilizar uma possível licença para visitar cidades e fazer reuniões políticas, ele estará, claro, agindo de forma a aumentar seu cacife político. Porém, isto em nada o igualará a Dilma Rousseff pois esta tem, normalmente, pedido votos de forma escancarada. É totalmente diferente.

Pode-se até alegar que a campanha antecipada deveria ser permitida. Mas essa é outra questão. A partir do momento que ela é proibida, não deve ser feita e se fazê-la é estar agindo ao arrepio da lei, é isto que faz Dilma Rousseff.

Em suma, Dilma já fez campanha antecipada em alguns eventos. Aécio pode vir a fazê-la se utilizar de forma ilegal do ponto de vista do direito eleitoral o tempo livre que terá por conta da possível licença.

Uma licença de Aécio está longe de ser o pedido explícito de votos para Dilma que Lula já fez. E não digo isso para defender o Governador mineiro, digo isso pois é a mais pura verdade.

Contra fatos não há argumentos e aqueles que negarem que Dilma foi muito mais longe até agora é que são, sem dúvida, partidários de alguém. No caso, da Ministra Dilma, naturalmente.

Se a possível licença de Aécio é uma arma que pode vir a ser utilizada por ele em uma campanha antecipada, Dilma também dispõe de uma arma e já disparou alguns tiros.

Por isso a comparação é errônea. Simples assim.

Lula já pensaria em aceitar saída de Sarney

10/08/2009

Como este blogueiro vem dizendo, é impossível que a defesa por Lula, Dilma e demais governistas de José Sarney, hoje personificação do que há de condenável na política brasileira junto à população, não renda desgastes para a imagem dos mesmos.

Após observar supostas pesquisas que mostrariam redução da popularidade de Lula e da intenção de voto de Dilma Rousseff, provavelmente causadas pela proximidade com Sarney, o Planalto estaria cada vez mais se convencendo – processo que começou ainda no recesso parlamentar – de que a saída de Sarney pode ter de ser aceita e contornada da melhor forma possível.

O Presidente Lula já teria sido novamente aconselhado a não proferir argumentos a favor da permanência de Sarney, coisa que vinha fazendo, há algumas semanas, a torto e a direito.

Diante deste cenário, Lula estaria disposto a conversar a respeito de uma saída negociada de Sarney. Uma que mantivesse o mandato de Sarney e protegesse o Senador de humilhações, embora lhe retirasse a presidência do Senado.

Com isso, Lula acredita que poderia, por mais que Sarney saísse, demonstrar a gratidão que tem pelo fato de Sarney tê-lo defendido nos tempos do mensalão e garantir o apoio do PMDB a Dilma.

Em suma, Lula quer que, caso a saída de Sarney seja inevitável, os atos do governo mostrem que ele fez tudo o que pôde.

Contudo, ao mesmo tempo, Lula deverá se afastar do Senador José Sarney em público, afinal, não pode arcar com um desgaste muito grande tão perto de 2010 e se a defesa de Sarney continuar, esse desgaste virá, ao contrário do que alguns lulistas pensavam no início da crise do Senado, quando diziam que a popularidade de Lula era intocável.

Além disso, os desgastes de Lula refletem imediatamente em Dilma, muito mais do que ocorreria com outros sucessores, já que a Ministra é totalmente dependente do Presidente, não tem luz própria. Por isso, parar o desgaste é mais urgente ainda.

A aceitação do governo no que tange a intenção da bancada senatorial petista de, para diminuir o desgaste de seus senadores junto à sociedade, apoiar o recurso da oposição contra os arquivamentos empreendidos por Paulo Duque em pelo menos um caso, seria sintoma de que esse espírito de necessidade da saída de Sarney prolifera no Planalto.

Essa possibilidade de o PT auxiliar o sucesso de um dos recursos, aliás, pode representar a tal saída honrosa que Lula deseja. Se a investigação, que deve tratar da nomeação do namorado da neta de Sarney, for iniciada, o Presidente da Casa deverá, por regra, apresentar defesa e se afastar do cargo.

O afastamento pode acabar sendo permanente, permitindo ao Senado uma descompressão no ambiente e a Sarney a manutenção do mandato.

Percebam que Sarney, vergonhosamente no que tange a ética, tem tudo para, se vier a cair, não chegar nem perto de ser cassado.

Duque arquiva, como esperado, as denúncias restantes contra Sarney

09/08/2009

Informa a Folha que,  o Presidente do Conselho de Ética do Senado, Paulo Duque (PMDB-RJ), arquivou mais sete acusações contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), acusado por tráfico de influência, ocultação de informações à Justiça Eleitoral e responsabilidade pelos atos secretos.

Estes arquivamentos já eram, infelizmente, esperados, afinal, Paulo Duque foi colocado por Renan Calheiros no comando do Conselho para, justamente, engavetar tudo.

E Paulo Duque não está nem aí para a repercussão disso tudo pois, sendo suplente de suplente, acredita, erroneamente, que não deve satisfações a ninguém além do grupo que lhe garantirá um resto de velhice tranquilo.

Resta agora aos que querem a retirada de Sarney do cargo esperar pelo recurso da oposição contra os arquivamentos. Ele será empreendido, primeiro, no Plenário do próprio Conselho de Ética. Se vencido neste ponto,  o que é provável pois a tropa de Sarney domina o Conselho, deve ser levado ao Plenário do Senado.

A batalha final se dará lá e é por isso que é tão importante que a sociedade pressione os senadores. Se eles se sentirem coagidos por suas bases a não votar a favor dos interesses de Sarney, aumentam as chances da retirada do mesmo.

O empecilho que fica é a questão das provas. O que possibilitou a Duque arquivar as denúncias sem maiores problemas foi o fato de que elas são baseadas em informações fornecidas por jornais, ou seja, por notícias. Os indícios são fortíssimos e todos sabemos que no mínimo algumas denúncias são totalmente verdadeiras, porém, graças à falta de provas consolidadas, não há firmeza na argumentação dos que denunciam.

O que pode mesmo complicar Sarney são dois fatos: A gravação em que ele promete à neta um emprego para seu namorado no Senado e o fato de Sarney ter mentido à Casa ao dizer que não tomava nenhuma parte no gerenciamento da Fundação Sarney.

Esses casos é que podem fazer com que, pressionados pela opinião pública, os senadores votem contra Sarney no Senado.

Pressionemos. É por essas e por outras que o Perspectiva Política lançou a Campanha Não Voto Em Quem Defende Sarney!

Continua o enquadramento do PT

06/08/2009

Com o agravamento da crise do Senado, que parece que não arrefecerá tão cedo, ficam mais latentes a curiosidade e a expectativa a respeito do posicionamento da bancada do PT. Se comportorão os senadores petistas de acordo com a moralidade e com suas consciências ou seguindo o ditame do governo que é comandado pelo maior nome do partido, o Presidente Lula?

É fato que o PT sofreu um enquadramento semanas atrás, quando teve que voltar atrás em suas posições por ordem explícita de Lula. O Presidente alegou que a queda de Sarney era ruim para os planos do PT com relação a 2010 e ponto final. Resta saber se na realidade seriam prejudicados os planos de Lula e não necessariamente os do PT.

A situação atual gera expectativa pois o cenário é suis generis. Lula, que não deseja perder popularidade por conta de defender Sarney, prejudicando sua imagem e também a candidatura de Dilma, só defenderá o Presidente do Senado, daqui para frente, nos bastidores. Além disso, as denúncias aumentaram em quantidade e em intensidade.

Sendo assim, como fica a bancada? Ganha liberdade para defender o afastamento de Sarney? Joga o jogo de Lula e finge ser contrária ao maranhense? Ou apóia a manutenção do Presidente do Senado, auxiliando os interesses do Presidente que agora serão reservados para as entrelinhas?

O que é sabido é que Lula já pediu ao PT para não dar o último tiro. Acontece que a política é dinâmica, e por ser assim, permite reviravoltas, ou seja, se for interpretado pelo Planalto que o último tiro, além de não ser dado pelo PT, pode não ser dado por ninguém, pela situação ser surpreendentemente contornada, a estratégia muda.

Por isso, fica o “chove e não molha”, o “abandona mas não abandona”. O Planalto quer o PT longe o bastante para não afundar junto e perto o bastante para cobrar as fatura de uma possível resistência.

Daí a curiosidade. Como se comportará a bancada nos próximos dias com um pé em cada barco?

Mercadante afirmou recentemente que o PT não pretende dar fôlego à ideia da oposição de assinar uma nota conjunta cobrando o afastamento de Sarney. José Múcio, a mando de Lula, tenta conter os senadores petistas quer querem o afastamento, ou até a renúncia, provando que Lula só abandonou Sarney nas coletivas de imprensa.

Mais tarde, novamente pelas mãos de Mercadante, pressionado pelo PT e pelo Palácio do Planalto, foi desmarcada reunião da bancada que deveria reafirmar o pedido de licença temporária do presidente do Senado.

Segundo os jornais, a avaliação do governo e do comando do PT é que uma nova reunião para confirmar posição já tomada fragilizaria ainda mais a situação de Sarney num momento em que ele insiste em demonstrar disposição para o enfrentamento político.

Por enquanto, continua o enquadramento do PT, que não se une aos opositores de Sarney, indo contra a opinião pública, sob risco de desgaste grande, pois assim deseja Lula. O Presidente quer um pé de cada petista em cada lado do front.

Pelo menos até amanhã…

Pasmem: Lula manda Múcio desmentir Mercadante

28/07/2009

Todos os que acompanham o cenário político atual sabem que a bancada petista no Senado está sendo obrigada pelo Presidente Lula a facilitar a vida de José Sarney. É o tal “enquadramento”, parte do vale tudo de Lula por 2010.

O PT, que havia defendido o afastamento de Sarney da Presidência do Senado há algumas semanas, voltou atrás por uns tempos por pressão de Lula e só recentemente, por conta das novas denúncias contra Sarney, retornou à carga.

Por mais que as novas denúncias sejam justificativa mais do que suficiente para que Sarney deixe de ser respaldado, o Presidente Lula não gostou nada da nova nota distribuída por Aloizio Mercadante, líder do PT no Senado Federal.

Mercadante disse, nesta nota, que a bancada petista entendia que, por força das novas denúncias, a licença de Sarney se fazia realmente necessária.

Lula, por sua vez, mandou, pasmem, que o Ministro José Múcio Monteiro, das Relações Institucionais, dissesse que a nota de Mercadante não representava a opinião da maioria dos senadores do PT, e sim, apenas de um ou dois deles.

Resumindo, Lula mandou que Múcio desmentisse Mercadante.

Por enquanto, não existe reação do Senador. Não há renúncia ao cargo de líder, não há reclamação. Nada. Apenas a informação de que Mercadante está ocupado com o casamento de um filho.

Irá Mercadante reagir? Não se sabe. A se julgar pelos últimos “enquadramentos” do PT por Lula, talvez não.

Enquanto isso, o Presidente diz, expressando suas profundas contradições advindas de manobras retóricas, que o Senado é maduro o suficiente para resolver suas pendengas.

É isso mesmo. Reportagem da Folha informa que “o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira, ao comentar o agravamento da crise no Senado, que a Casa tem ‘maioridade’ para resolver seu problema”.

Se é assim Presidente, porque o senhor se intromete?

Sarney já cogita deixar o cargo de Presidente do Senado

01/07/2009

Informa a Folha:

“O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que viveu nesta terça-feira (30) o pior dia dos cinco meses de sua presidência, chamou à sua residência, no Lago Sul, os três filhos: Roseana, Zequinha e Fernando e, pela primeira vez, cogitou deixar o comando da Casa, informa o blog do Josias.

Segundo o blog, abandonado pelo DEM, parceiro de primeira hora, sentiu-se ‘traído’. No início da tarde, recebeu uma trinca de senadores tucanos. Foram à casa Sarney Sérgio Guerra, Marisa Serrano e Álvaro Dias.

O blog informa que os tucanos propuseram a Sarney que assumisse como se fosse sua uma ideia urdida em reunião do PSDB. O peemedebista constituiria um grupo suprapartidário de senadores, que colocaria de pé, em 60 dias, uma proposta de reformulação profunda do Senado.

Nesse período, Sarney se absteria de presidir –seria uma licença informal, não formalizada. Depois, retornaria ao cargo. O senador não pareceu refratário à ideia, reclamou da vida e disse que o Senado tornara-se uma Casa ‘inadministrável’”.

A realidade é que Sarney não será, nunca, derrubado no sentido literal da palavra. O máximo que pode acontecer é a situação ficar tão complicada, ou inadministrável nas palavras de Sarney, que obrigue o Presidente do Senado a se licenciar.

Perguntarão: Então você está dizendo que a renúncia é algo distante?

Sim e não. Sarney poderia, sim, se licenciar, apostando que, com o tempo, a poeira baixaria, permitindo a ele retornar ao cargo daqui a algumas semanas. Se por um lado até mesmo 7 dos 12 deputados do PT, que estão apoiando Sarney de olho em 2010, defendem a licença, o que mostra que a permanência está complicada, por outro, quase ninguém defende a renúncia.

Levando isso em conta, a resposta seria: Sim, a renúncia é algo distante.

Porém, o Senador deve estar pretendendo se poupar do vexame de ter que renunciar por ter sido levado ao Conselho de Ética. Mais está valendo agora, para Sarney, a biografia. O cargo já não vale tanto, até porque quem realmente manda no Senado não é mais Sarney. Mandam na Casa Renan Calheiros e Heráclito Fortes.

Sendo assim, para proteger o que ainda resta para salvar de sua biografia e diminuir os ataques que têm como alvo sua família, além de buscar a diminuição do desgaste da saúde, Sarney pode renunciar. Não renunciará por entender que não haveria como fugir disso, mas sim, por não querer enfrentar o longo desgaste a conta-gotas que sofrefia durante a possível licença.

Levando isso em conta, a resposta seria: Não, a renúncia não é algo distante.

No fim das contas, a situação é a seguinte: Sarney não tem mais muitos meios para se manter na presidência do Senado, até porque já não a exerce mais de fato, porém, ainda reúne força política para ter apenas que se licenciar, evitando a renúncia.

Acontece que, para a pessoa Sarney e para o político Sarney, talvez seja melhor renunciar ao invés de se licenciar. A renúncia silenciaria os ataques, a licença talvez não tenha este efeito.

Alguns dizem que Sarney espera Lula retornar de viagem para conversar com ele e, após essa conversa, renunciar.

Aguardemos.

E dá-lhe #forasarney no Twitter. Mais uma vez.