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Coluna do dia: Dia do consumidor – Data para comemorar conquistas, cobrar direitos e rever atitudes

15/03/2010

Por Tiago Franz*

Hoje, 15 de março, se comemora o Dia Internacional do Consumidor. Dia de toda pessoa física ou jurídica que adquire produtos e serviços. Em outras palavras, dia de todos os que comem, vestem, se divertem, trabalham e por aí vai.

E quem não faz isso, o que é? É preciso ser um potencial consumidor para existir na sociedade atual? Bom, essa é uma questão à parte do que venho comentar aqui, mas serve como provocação para refletirmos.

O que pretendo hoje é lembrar os direitos conquistados – nem sempre respeitados – e, principalmente, os “deveres” dos consumidores.

E por que a data em que se comemora o Dia Internacional do Consumidor é 15 de março? Em 1962, nesta data, o Presidente estadunidense John Kennedy, em um discurso histórico, anunciou, pela primeira vez, os direitos básicos do consumidor: informação, segurança, escolha e participação. Vinte e três anos mais tarde, em 1985, a ONU deu legitimidade internacional a estes direitos.

No Brasil:

No embalo da Constituição de 1988, foi criado, em 1990, o Código Brasileiro de Defesa do Consumidor, que passou a vigorar em março de 1991. Passadas duas décadas, ainda há muito o que melhorar no País. Os direitos existem e são constantemente difundidos e relembrados, mas o desrespeito continua.

Mesmo com o trabalho realizado por associações civis e pelo Procon, que defendem os prejudicados e atuam na prevenção e divulgação de informações aos consumidores, ainda há muito a melhorar.

Segundo o Procon de Chapecó-SC (cidade onde resido), o maior número de reclamações atendidas pelo órgão é contra empresas de telefonia, principalmente sobre cobranças indevidas e descumprimento de contrato. As instituições financeiras vêm em seguida, com problemas em financiamentos e empréstimos, que na maioria das vezes ocorrem porque os consumidores são mal informados e deixam de ler os contratos que assinam.

Defender-se é importante, mas o consumidor não tem só direitos. A expressão “consumo consciente” é cada vez mais difundida. Organizações e iniciativas de diversas esferas têm alertado as pessoas sobre as responsabilidades que todos devem assumir enquanto consumidores. Essa responsabilidade envolve as escolhas que fazemos ao adquirir produtos e serviços, o aproveitamento e destino que damos aos bens adquiridos, entre outros cuidados.

O Instituto Akatu, entidade brasileira ativista que defende o consumo consciente, atua para transformar o comportamento das pessoas em relação ao consumo. Além de combater o consumismo, que é considerado uma das doenças sociais modernas, o Akatu dá dicas de como contribuir com a reciclagem do lixo e como economizar e aproveitar bem os alimentos, a água e a energia elétrica.

Como já fazem muitas outras organizações e iniciativas, é preciso cobrar, das empresas e das autoridades, políticas sustentáveis de produção de bens. É importante também pensarmos nas possíveis consequências sociais dos serviços que consumimos.

O Dia do Consumidor é uma ótima oportunidade para repensarmos nossas atitudes.

Reflitamos!

*Tiago Franz, escrevendo excepcionalmente em uma segunda, é jornalista, colunista do Perspectiva Política aos domingos e escreve no Twitter em @tiagofranz

Coluna do dia: Desumanidade no Caribe – Lula e os Castro ignoram o sangue

26/02/2010

Por Yashá Gallazzi*

Os leitores sabem o que é a Comunidade de países Latino-Americanos e do Caribe? Não? Bom, não tem muito problema. Mesmo os criadores dela não saberiam explicar com precisão o que ela representa, ou quais os seus objetivos práticos.

Assim, de bate pronto, eu poderia dizer que se trata de mais um fórum “pobrista” e terceiro-mundista, destinado a emprestar apoio político a facínoras como Hugo Chávez, Cristina Kirchner, Evo Morales e Rafael Correa. Uma espécie de lupanar do atraso latino, onde um bando de gente empoeirada pelos escombros do Muro de Berlim se rende a convescotes com os irmãos Castro, os dois maiores assassinos da história das Américas, ao mesmo tempo em que cobram mais democracia da democrática Honduras.

Mas essas seriam apenas elucubrações minhas. Na realidade, a tal comunidade serviu apenas para referendar o regime sanguinário de terror que matou Orlando Zapata Tamayo. Por enquanto, entenda-se… Em pouco tempo, é bem provável que a escória das Américas – com raríssimas exceções – precise se juntar para justificar as mortes provocadas por Chávez e por Morales. Afinal, sabemos que a utopia preferida dessa gente sempre foi construir o “novo homem” por meio do homicídio desenfreado.

Orlando Zapata era aquilo que se convencionou chamar de “preso de consciência”, ou seja, foi encarcerado pelos Castro porque se declarava contrário ao regime comunista que oprime aquela pobre ilha há décadas. Os irmãos assassinos, seguindo o exemplo de todos os regimes comunistas que os antecederam, trataram de pegar Zapata e de atirá-lo na prisão, ao lado de outros tantos “contra-revolucionários burgueses”. Julgamento? Devido processo legal? Ah, isso é invenção da “classe dominante”, não é? Os humanistas da “causa libertadora”, sabemos, preferem coisas mais rápidas, como os expurgos.

Zapata deu início a uma greve de fome, em protesto contra sua prisão e contra os maus tratos que os prisioneiros estavam recebendo. Privado até mesmo da água, Zapata viu seus rins entrarem em colapso e condenarem seu corpo ao apodrecimento ainda em vida. Ele morreu na última terça-feira, exatamente quando Lula partia para a Ilha dos Castro, a fim de bajular um pouquinho a múmia de Fidel Castro.

Por que Zapata protestou contra os “libertadores de Cuba”? Por que se recusou a ver as maravilhas que aquele paraíso da igualdade fornecia a toda a população? Bem, provavelmente porque é um desses “sujeitos burgueses” que gosta de zelar pela própria higiene pessoal…

Em Cuba, costumo dizer, há duas prisões: uma, administrada pelos Estados Unidos, onde os presos recebem papel higiênico regularmente; a outra, que corresponde exatamente ao restante da ilha, onde o único papel fartamente à disposição do povo é aquele usado para imprimir os discursos de Fidel Castro.

O socialismo, assim como o comunismo, é assim: começa prometendo salvar o homem, e termina negando ao homem o direito de cuidar do próprio asseio…

Ao ser questionado sobre o assassinato de Zapata, Raúl Castro saiu-se com o seguinte – se me permitem – “raciocínio” (do Estadão Online):

“‘Lamentamos muitíssimo (a morte). Isso é resultado dessa relação com os Estados Unidos’, disse Castro, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visita Cuba. Castro disse ainda que muitos outros cubanos também haviam morrido vítimas do que chamou de ‘terrorismo de Estado’, que seria, segundo ele, praticado pelo governo americano”.

Pois é… Um sujeito é preso – e acaba morto! – só por discordar do regime castrista, e a culpa é de quem? Dos americanos, é claro! Sim, vocês entenderam direito. Os americanos, esses demônios do mundo. Segundo o assassino cubano, o país onde os adversários de Bush podiam protestar sem serem presos, onde os “Tea Party” podem protestar sem serem presos, é culpado pela prisão dos oposicionistas de… Cuba!

Não fica difícil entender por que essa canalha é aliada de Hugo Chávez, afinal, o venezuelano acusa os americanos de terem uma “máquina de provocar terremotos”… Sim, é isso! Varram os EUA do mapa, e pronto: o mundo ficará livre de problemas, e seres pacíficos e humanos como Chávez e os Castro poderão ditar as regras. Que tal?

É esse sujeito que Lula foi paparicar quando da criação daquela comunidade vagabunda e filoterrorista! É com essa escória que o governo petista obriga o Brasil a se relacionar, estuprando os princípios da liberdade e vilipendiando os valores democráticos. São o lixo da Humanidade! O que há de pior e de mais rasteiro dentro da cadeia alimentar.

Como é possível que, ainda hoje, grande parte dos políticos brasileiros – e considerável parte da imprensa nacional – ainda consiga tratar com condescendência o regime cubano? Estamos falando de uma ditadura que matou diretamente cerca de 17 mil pessoas!

Isso, meus caros, faz os militares brasileiros parecerem moleques travessos… E nem estou mencionando os 83 mil que morreram tentando fugir daquele “paraíso terrestre”, afinal, deixar a ilha sem autorização d’O Partido é algo punido com a pena de morte! Lembro de Kennedy: “Podemos ser culpados de construir muros para manter nossos inimigos de fora. Mas não precisamos construir muros para manter nossos cidadãos presos aqui dentro.” Brilhante!

Em qualquer democracia séria, a amizade entre Lula, o PT, Dilma Rousseff e Franklin Martins com os irmãos Castro seria motivo suficiente para o desaparecimento político deles. Aqui, ao contrário, o PT tem boas chances de fazer o próximo Presidente, na esteira da popularidade estupenda que o Presidente atual, um esteio moral do castrismo, ostenta.

Somos uma vergonha para as democracias do mundo. Não apenas o governo Lula. Não apenas a esquerda rasteira e terrorista que até hoje vegeta no Brasil. Mas o País todo! Os cidadãos que votaram em Lula duas vezes e que, não satisfeitos, concedem a ele uma aprovação indecente, suja pelo sangue de Zapata – e de outras 100 mil vítimas inocentes. Deus tenha piedade de nossas almas…

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: A vitória republicana em Massachusetts – O fim de uma era

22/01/2010

Por Yashá Gallazzi*

Há coisa de poucos dias vimos o crepúsculo de uma era. A hegemonia de décadas exercida pelo mesmo grupo político chegou ao fim com a eleição de um candidato tido como conservador, em um resultado que surpreendeu o consenso politicamente correto.

Não! Eu não estou falando da recente eleição havida no Chile, onde o candidato conservador conseguiu derrotar a coalizão de centro-esquerda, no poder desde o fim da ditadura liderada por Augusto Pinochet. O Chile, em que pese a grandiosidade de seus indicadores econômicos e sociais, não passa de um pequeno país incrustado na América Latina, oprimido pela Cordilheira dos Andes. O Chile, apesar de seu sucesso institucional e de sua democracia consolidada, é apenas… “um Chile”. E isso, meus caros, dá uma ideia da “importância” do Brasil dentro do mundo.

Esqueçam, pois, o Chile! Falemos de lugares um pouco mais importantes aos olhos do mundo, como Massachusetts, nos Estados Unidos. Na última terça-feira, os eleitores do estado, há cerca de quarenta anos devotos dos Democratas – e dos Kennedy – surpreenderam o país ao escolher Scott Brown, um Republicano, para o Senado.

A vitória de Brown não foi apenas um normal triunfo eleitoral, desses que acontecem sempre na política. Há também o lado simbólico da coisa: Massachusetts votou em um Republicano conservador para uma vaga até então ocupada por um Kennedy. Mais que isso: para a vaga ocupada por Ted Kennedy, um ícone do progressismo americano cuja principal bandeira sempre foi a reforma da saúde.

E eis que, para a surpresa de muitos, o porta-bandeira do “Health Care”, o gorduchinho simpático e bonachão que era amado pela grande maioria dos americanos, verá – onde quer que esteja agora – seu assento ocupado por um Republicano que promete aborrecer a vida daquele que é visto praticamente como um Cristo negro, Barack Hussein Obama. E aqui reside a explicação para o sucesso de Brown: a disposição declarada de atormentar o Presidente-de-ébano e os obamófilos de todo o mundo.

Brown fez da discussão mais importante do país, o assunto principal em Massachusetts. Mostrou aos eleitores, por exemplo, que o plano de Obama e dos Democratas – que era aquele de Ted Kennedy – acabaria por drenar uma infinidade de dinheiro para o Estado, sem que houvesse nenhuma garantia de sucesso para o plano de reforma da saúde. O Republicano jogou no colo de sua rival, Martha Coackley, a contradição essencial do projeto Democrata: como tornar prática a universalização do seguro-saúde, se a questão da imigração ainda não foi abordada? Ora, eu simplesmente não posso prometer que toda pessoa residente na América terá acesso à saúde, enquanto não reconhecer a enormidade de imigrantes que residem na América!

Ao deixa isso evidente, Brown mostrou aos eleitores de Massachusetts que o plano de Obama, tal qual apresentado hoje, não passa de uma maneira segura de meter a mão nos bolsos dos cidadãos, sem ser importunado. E, querem saber? É exatamente isso!

Volta e meia eu afirmo que os Estados Unidos são melhores que nós. E melhores em tudo! Por quê? Ora, lá o povo – vejam que coisa fascinante! – se sente ameaçado com as tentações de agigantamento do Executivo. Bastou Obama vir com essa conversa de “preciso tirar o dinheiro de vocês para salvar o mundo” e pronto: o sentimento de “opa, fizemos besteira” aflorou rapidamente.

Desde a eleição do Messias, há um ano, a “era Obama” tem sido um sucessão interminável de fracassos. Toda eleição regional que disputou, Obama perdeu. E, sim! Foi ele mesmo quem perdeu. Não apenas os Democratas, nem só os candidatos de ocasião. Todas as derrotas foram derrotas pessoais de Obama, principalmente porque ele está demorando a se dar conta de que os americanos o enxergam como aquilo que é: um homem.

O “mito Obama” durou exatamente até o dia da eleição. A partir de então, o ser humano tratou de dar cabo de toda retórica ufanista, de toda a cantilena mudancista que pretendia nos conduzir a um novo Éden.

Quando Obama ficou nervosinho ao ver que Brown fez os eleitores de Massachusetts esquecerem Coackley, a adversária real, e se concentrarem no Presidente, mordeu a isca dos Republicanos e se abalou, com comitiva e tudo, decidindo assumir as rédeas da campanha. A partir de tal momento, a disputa, que estava acirrada, ficou mais fácil para o GOP, como é conhecido o Partido Republicano nos EUA.

Sempre que Obama tentou personalizar alguma questão nos Estados Unidos, se deu mal. Está a cada dia mais evidente que os eleitores de lá parecem sinceramente aborrecidos com a escolha feita há um ano, quando deixaram a esperança vencer os fatos… É por isso que cuidam de surrar Obama e os Democratas sempre que têm chance. É por isso também que vão tirar do partido do governo o controle do Legislativo, em novembro próximo, a fim de impedir que Obama faça besteiras até o final do mandato.

Então, vão sentar e esperar que chegue 2012, quando poderão consertar a grande besteira que fizeram. A única chance que Obama tem de permanecer na Casa Branca – vejam que coisa! – é capturar Osama Bin Laden. Ou seja, a última esperança do homem da mudança vai ser se agarrar aos planos do demônio aposentado, George W. Bush. Este, por sinal, era mais popular do que Obama ao final do primeiro ano de mandato…

Eu, que desde sempre fui cético quando à capacidade administrativa de Obama, um ongueiro de esquina disfarçado de estadista, duvido muito que ele consiga balançar a cabeça de Bin Laden em praça pública, ganhando de volta o apreço dos americanos. Sendo assim, acho mesmo que o mandato dele é apenas um estorvo entre as eleições de 2008 e 2012, nada mais.

O problema é que as reiteradas trapalhadas políticas do sujeito, aliadas a sua sanha “liberal”, estão vitaminando a ala mais radical do conservadorismo americano. Em resumo, Obama pode ser responsável, de uma só tacada, pela reabilitação histórica de Bush, bem como pela eleição de Sarah Palin. E olhem só: eu até acho, contra o consenso mundial, que Bush não foi lá o demônio que tantos pintaram. Também acho a “hockey mom” algo mais que um rostinho bonito. Mas acredito que os Republicanos têm coisa bem melhor a oferecer aos Estados Unidos. Melhor que Obama, pelo menos, com certeza têm.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: Obama, a contagem regressiva começou

06/11/2009

Por Yashá Gallazzi*

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Parabéns pra você! Nesta data querida! Muitas felicidades! Muitos anos de vida!

Quem é o aniversariante? Ora, o Presidente-de-ébano, Hussein Obama! Na última quarta-feira, dia 4 de novembro, ele completou um ano de sua – como é mesmo? – “histórica” eleição. Ôpa, errei na letra da musiquinha. No caso de Obama o certo é terminar cantando: “Um só mandato de vida!”.

Sei que já disse isso no passado, mas não custa relembrar: Obama acabou! Está politicamente morto e enterrado. Eu e muitos outros agourentos, todos reacionários, conservadores, maus e bobos, estamos dizendo isso há meses. Na quarta-feira, os fatos vieram em nosso socorro, ajudando a confirmar nossas previsões.

No “Election day” desta semana, os Democratas foram arrasados pelos Republicanos, perdendo todas as disputas principais. Dois resultados são politicamente emblemáticos e simbolizam o fracasso pessoal de Obama, o Messias negro que pretendia ombrear com Kennedy, mas que passará à história como um novo Carter:

Na Virgínia, o candidato Republicano, Robert McDonnell, venceu o atual Governador Democrata, Creigh Deeds. Isso, há pouco mais de um ano atrás, sequer seria notícia, afinal a Virgínia sempre foi considerada um “red state”, ou seja, um estado com tendências Republicanas. Por que ganhou as manchetes? Bem, porque Obama venceu na Virgínia em 2008 e, em um de seus proféticos-ridículos discursos históricos – aqueles que fazem história antes mesmo de fazer… história! -, afirmou que “a mudança havia expugnado as barreiras conservadoras mais tradicionais, inclusive na Virgínia.”

Foi na esperança de manter a tal “mudança” na Virgínia que Obama participou da campanha local, chamando os eleitores a votar no Democrata, personalizando a disputa bem ao melhor estilo do caudilhismo terceiro-mundista. Obama quebrou a cara e os Republicanos venceram. E isso é bom! Bom, não: ótimo! Sempre que Obama perder, a democracia vence. Parabéns pra você!

Na eleição realizada em Nova Jersey, a derrota obamista foi ainda mais humilhante. Lá, o Cristo de Illinois foi às ruas, participou de comícios e gravou até programas de televisão. Tudo para defender a supremacia Democrata naquele estado, tradicionalmente eleitor dos “donkeys”.

Naquele terreno, a pequenez de Obama se superou, e ele agiu como Lula agira na eleição municipal de São Paulo, em 2008. Uma vez mais, tentou personalizar a disputa, transformando-a em uma espécie de referendo do seu primeiro ano de mandato. Em uma inserção publicitária, chegou a pedir que os eleitores dessem a ele, Obama, um voto de confiança. O que aconteceu? Bem, os Republicanos, com Christopher Christie, venceram os Democratas, representados por Jon Corzine – e por Obama. Obama quebrou novamente a cara. Parabéns pra você!

Onde os Democratas venceram? Bem, no pequeno distrito conhecido como NY 23, lá em Nova Yorque. Bem, não os Democratas propriamente, mas Bill Owens. A máquina Democrata e Obama, uma vez mais, perderam. A surpresa daquela eleição, porém, foi a sova sonora que a burocracia dos Republicanos tomou, a partir do surgimento de Doug Hoffman. Quem? Doug Hoffman! Não conhecem? Ora, nem brinquem com isso! O sujeito é simplesmente a maior estrela da política americana no momento.

A história do NY 23 daria uma novela. Começou com um racha dentro dos Republicanos, que escolheram uma candidata liberal – mais liberal que muito democrata – para concorrer pelo partido, preterindo o conservador Hoffman. Tudo para dar vida à ideia abespinhada que prega a ruptura do partido com os seus valores tradicionais e a aproximação do centro moderado. Em suma, escolheram alguém que, dentre outras coisas, era favorável ao casamento gay e ao aborto.

Só que Hoffman não se rendeu e decidiu entrar na disputa pelo pequeno Partido Conservador. E começou a crescer… E cresceu cada vez mais, a ponto de engolir a candidatura oficial dos Republicanos. A candidata oficial, emburrada, continuou fazendo campanha ao estilo Democrata até a véspera da eleição, quando se retirou da disputa e – atenção agora! – declarou apoio ao Democrata. Resumo da ópera: o Democrata venceu, o conservador Hoffman ficou em segundo – muito perto da vitória – e a Republicana, coitada, foi esmagada.

Qual a mensagem que a eleição em NY 23 – e nos Estados Unidos como um todo – nos deixa? Bem, que os Republicanos só estão recuperando terreno onde se comportam como… Republicanos! É até bastante lógico, não? Para defender o aborto e o casamento gay, o eleitor já tem os Democratas. Ele quer os Republicanos quando escolhe bandeiras diferentes daquelas. Por isso, em todos os lugares onde o GOP (Grand Old Party – Republicanos) assumiu sua posição conservadora e enfrentou a patacoada obamista, os Democratas se deram mal. Também por isso é que os Republicanos perderam no único lugar em que quiseram se disfarçar de progressistas.

Apesar da vitória do Democrata Owens em NY 23 – para um mandato-tampão, de cerca de um ano -, a derrota da máquina Democrata ancorada no discurso mudancista de Obama foi inegável. Até a CNN e o Times a reconheceram! Foi a péssima leitura do jogo feita pela burocracia do GOP que perdeu ao não escolher Hoffman, não os Democratas que venceram ao repetir a pífia tese do “Yes, we can!”. Aliás, nunca é demais lembrar que Obama não tomou parte na campanha de Owens, o que, analisados os demais resultados, parece ter contribuído demais para a vitória dele. Parabéns pra você!

Por que digo no título que a contagem regressiva começou? Bem, Obama perdeu seu primeiro grande teste eleitoral. E sua popularidade já se assemelha àquela do demônio aposentado, George W. Bush. Tudo isso há apenas um ano da eleição mística… E ano que vem, em novembro, teremos as eleições de “mid-term”, quando o Congresso será quase que todo renovado. Querem uma profecia? Lá vai: os Republicanos vão vencer e Obama perderá o controle do Legislativo. E, a partir de então, se arrastará vergonhosamente até o final do mantado, em 2012, quando será definitivamente defenestrado, tal qual um novo Carter mesmo.

Nessas horas me lembro dos inúmeros “intelectuais”, “especialistas” e “estudiosos” brasileiros que, tomados pela magia do sorriso brilhante de Obama, saudaram, há um ano, aquilo que seria o “fim dos valores tradicionais americanos”, o “soterramento da América profunda”, “a capitulação dos Republicanos e do seu conservadorismo”.

Essa gente me lembra os universitários dos anos 30, estudados por Claude Lévi-Strauss, falecido esta semana. São uma gente apequenada, que despreza os livros de referência e prefere os resumos. A curiosidade intelectual deles mais parece inquietação gastronômica. Ah, que falta o franco-belga me fará!

Ainda na esteira do que Lévi-Strauss ensinou, lembro o que ele respondeu quando perguntaram se ele se identificara com os índios brasileiros: “De jeito nenhum!” Por que isso? Bem, porque o primitivismo, o tal saber natural do “bom selvagem” simplesmente não tinha nada a ensinar ao saber tradicional, aquele dos livros e dos bancos de escola. Eu, quando me perguntaram se me seduzia a retórica obamista, sempre respondi: “De jeito nenhum!” Ponto pra mim! Os selvagem da intelectualidade, assim como os obamófilos do mundo, quebraram a cara. E quando essa gente se arrebenta, é sempre melhor para a democracia.

Parabéns pra você! Nesta data querida! Muitas felicidades! Um só mandato de vida!

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Morre o marcante e controverso Robert McNamara

07/07/2009

Por mais que muitas de suas atitudes tenham sido extremamente duvidosas se levarmos em conta um critério moral e que outras possam ter sido equivocadas no quesito estratégia, é inegável que Robert McNamara marcou época.

Ele, que foi arquiteto da Guerra do Vietnã, passou anos tentando contornar as consequências morais do conflito que foi perdido pelos americanos. Um verdadeiro vexame, que ainda representou a perda de bilhões de dólares.

Como informa a Folha, McNamara foi secretário de Defesa por sete anos, entre 1961 e 1968, nas administrações dos presidentes John F. Kennedy (1961-1963) e Lyndon Johnson (1963-69).

Durante este período, ele supervisionou centenas de missões militares, milhares de armas nucleares e bilhões de dólares em gastos militares de um dos países mais belicosas do mundo.

McNamara admitiu, muitos anos após a Guerra do Vietnã, que conduziu de forma equivocada o conflito. Ele foi ainda Presidente do Banco Mundial.

Alguns de seus movimentos geopolíticos são estudados como modelos de boa estratégia. Outros são observados com cuidado pelos estrategistas para saberem o que não deve ser feito.

Percebe-se que, seja no acerto ou no erro, McNamara é marcante, eterno, no que tange o seu setor de atuação: A geopolítica, a estratégia militar e a articulação.

É por isso que o Perspectiva Política faz o registro.