Por Yashá Gallazzi*

Parabéns pra você! Nesta data querida! Muitas felicidades! Muitos anos de vida!
Quem é o aniversariante? Ora, o Presidente-de-ébano, Hussein Obama! Na última quarta-feira, dia 4 de novembro, ele completou um ano de sua – como é mesmo? – “histórica” eleição. Ôpa, errei na letra da musiquinha. No caso de Obama o certo é terminar cantando: “Um só mandato de vida!”.
Sei que já disse isso no passado, mas não custa relembrar: Obama acabou! Está politicamente morto e enterrado. Eu e muitos outros agourentos, todos reacionários, conservadores, maus e bobos, estamos dizendo isso há meses. Na quarta-feira, os fatos vieram em nosso socorro, ajudando a confirmar nossas previsões.
No “Election day” desta semana, os Democratas foram arrasados pelos Republicanos, perdendo todas as disputas principais. Dois resultados são politicamente emblemáticos e simbolizam o fracasso pessoal de Obama, o Messias negro que pretendia ombrear com Kennedy, mas que passará à história como um novo Carter:
Na Virgínia, o candidato Republicano, Robert McDonnell, venceu o atual Governador Democrata, Creigh Deeds. Isso, há pouco mais de um ano atrás, sequer seria notícia, afinal a Virgínia sempre foi considerada um “red state”, ou seja, um estado com tendências Republicanas. Por que ganhou as manchetes? Bem, porque Obama venceu na Virgínia em 2008 e, em um de seus proféticos-ridículos discursos históricos – aqueles que fazem história antes mesmo de fazer… história! -, afirmou que “a mudança havia expugnado as barreiras conservadoras mais tradicionais, inclusive na Virgínia.”
Foi na esperança de manter a tal “mudança” na Virgínia que Obama participou da campanha local, chamando os eleitores a votar no Democrata, personalizando a disputa bem ao melhor estilo do caudilhismo terceiro-mundista. Obama quebrou a cara e os Republicanos venceram. E isso é bom! Bom, não: ótimo! Sempre que Obama perder, a democracia vence. Parabéns pra você!
Na eleição realizada em Nova Jersey, a derrota obamista foi ainda mais humilhante. Lá, o Cristo de Illinois foi às ruas, participou de comícios e gravou até programas de televisão. Tudo para defender a supremacia Democrata naquele estado, tradicionalmente eleitor dos “donkeys”.
Naquele terreno, a pequenez de Obama se superou, e ele agiu como Lula agira na eleição municipal de São Paulo, em 2008. Uma vez mais, tentou personalizar a disputa, transformando-a em uma espécie de referendo do seu primeiro ano de mandato. Em uma inserção publicitária, chegou a pedir que os eleitores dessem a ele, Obama, um voto de confiança. O que aconteceu? Bem, os Republicanos, com Christopher Christie, venceram os Democratas, representados por Jon Corzine – e por Obama. Obama quebrou novamente a cara. Parabéns pra você!
Onde os Democratas venceram? Bem, no pequeno distrito conhecido como NY 23, lá em Nova Yorque. Bem, não os Democratas propriamente, mas Bill Owens. A máquina Democrata e Obama, uma vez mais, perderam. A surpresa daquela eleição, porém, foi a sova sonora que a burocracia dos Republicanos tomou, a partir do surgimento de Doug Hoffman. Quem? Doug Hoffman! Não conhecem? Ora, nem brinquem com isso! O sujeito é simplesmente a maior estrela da política americana no momento.
A história do NY 23 daria uma novela. Começou com um racha dentro dos Republicanos, que escolheram uma candidata liberal – mais liberal que muito democrata – para concorrer pelo partido, preterindo o conservador Hoffman. Tudo para dar vida à ideia abespinhada que prega a ruptura do partido com os seus valores tradicionais e a aproximação do centro moderado. Em suma, escolheram alguém que, dentre outras coisas, era favorável ao casamento gay e ao aborto.
Só que Hoffman não se rendeu e decidiu entrar na disputa pelo pequeno Partido Conservador. E começou a crescer… E cresceu cada vez mais, a ponto de engolir a candidatura oficial dos Republicanos. A candidata oficial, emburrada, continuou fazendo campanha ao estilo Democrata até a véspera da eleição, quando se retirou da disputa e – atenção agora! – declarou apoio ao Democrata. Resumo da ópera: o Democrata venceu, o conservador Hoffman ficou em segundo – muito perto da vitória – e a Republicana, coitada, foi esmagada.
Qual a mensagem que a eleição em NY 23 – e nos Estados Unidos como um todo – nos deixa? Bem, que os Republicanos só estão recuperando terreno onde se comportam como… Republicanos! É até bastante lógico, não? Para defender o aborto e o casamento gay, o eleitor já tem os Democratas. Ele quer os Republicanos quando escolhe bandeiras diferentes daquelas. Por isso, em todos os lugares onde o GOP (Grand Old Party – Republicanos) assumiu sua posição conservadora e enfrentou a patacoada obamista, os Democratas se deram mal. Também por isso é que os Republicanos perderam no único lugar em que quiseram se disfarçar de progressistas.
Apesar da vitória do Democrata Owens em NY 23 – para um mandato-tampão, de cerca de um ano -, a derrota da máquina Democrata ancorada no discurso mudancista de Obama foi inegável. Até a CNN e o Times a reconheceram! Foi a péssima leitura do jogo feita pela burocracia do GOP que perdeu ao não escolher Hoffman, não os Democratas que venceram ao repetir a pífia tese do “Yes, we can!”. Aliás, nunca é demais lembrar que Obama não tomou parte na campanha de Owens, o que, analisados os demais resultados, parece ter contribuído demais para a vitória dele. Parabéns pra você!
Por que digo no título que a contagem regressiva começou? Bem, Obama perdeu seu primeiro grande teste eleitoral. E sua popularidade já se assemelha àquela do demônio aposentado, George W. Bush. Tudo isso há apenas um ano da eleição mística… E ano que vem, em novembro, teremos as eleições de “mid-term”, quando o Congresso será quase que todo renovado. Querem uma profecia? Lá vai: os Republicanos vão vencer e Obama perderá o controle do Legislativo. E, a partir de então, se arrastará vergonhosamente até o final do mantado, em 2012, quando será definitivamente defenestrado, tal qual um novo Carter mesmo.
Nessas horas me lembro dos inúmeros “intelectuais”, “especialistas” e “estudiosos” brasileiros que, tomados pela magia do sorriso brilhante de Obama, saudaram, há um ano, aquilo que seria o “fim dos valores tradicionais americanos”, o “soterramento da América profunda”, “a capitulação dos Republicanos e do seu conservadorismo”.
Essa gente me lembra os universitários dos anos 30, estudados por Claude Lévi-Strauss, falecido esta semana. São uma gente apequenada, que despreza os livros de referência e prefere os resumos. A curiosidade intelectual deles mais parece inquietação gastronômica. Ah, que falta o franco-belga me fará!
Ainda na esteira do que Lévi-Strauss ensinou, lembro o que ele respondeu quando perguntaram se ele se identificara com os índios brasileiros: “De jeito nenhum!” Por que isso? Bem, porque o primitivismo, o tal saber natural do “bom selvagem” simplesmente não tinha nada a ensinar ao saber tradicional, aquele dos livros e dos bancos de escola. Eu, quando me perguntaram se me seduzia a retórica obamista, sempre respondi: “De jeito nenhum!” Ponto pra mim! Os selvagem da intelectualidade, assim como os obamófilos do mundo, quebraram a cara. E quando essa gente se arrebenta, é sempre melhor para a democracia.
Parabéns pra você! Nesta data querida! Muitas felicidades! Um só mandato de vida!
*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento