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Acre não tem nenhum heliporto, mas governo estadual compra helicóptero

10/09/2009

Esse caso chegou ao meu conhecimento há algumas semanas, porém, só agora encontrei detalhes mais concretos para balizar meu comentário. Eu não poderia escrever a vocês sobre um assunto sem ter algum embasamento. Enfim, vamos a ele:

O Governo do Estado do Acre, comandado pelo Governador Binho Marques, petista e aliado de Tião Viana (PT), Senador pelo Acre, e de seu irmão Jorge Viana (PT), Governador acreano anterior, adquiriu um helicóptero Esquilo AS 350, comprado junto à Helibras.

Acontece que o estado do Acre não dispõe de heliportos.

Já estão estranhando a compra? Então continuem lendo.

A Helibras tem o seu Conselho de Administração presidido por Jorge Viana.

Suspeito, não? Continuemos.

O Ministério Público Federal  no Acre já pediu informações sobre a logomarca pintada no helicóptero. O que ocorre é que a estrela vermelha, presente na bandeira do estado, foi supervalorizada, se assemelhando muito a uma certa estrela vermelha, símbolo de um certo partido.

Então, recapitulemos:

Um Governador petista é aliado do ex-Governador e compra, para um estado sem heliporto, um helicóptero vendido pela empresa cujo Conselho é presidido pelo ex-Governador, além de aprovar uma pintura que remete ao seu partido, que também é o do ex-Governador.

Pode ser que o helicóptero seja necessário? Pode.

Um heliporto pode ser construído em dois tempos? Pode.

O fato de Jorge Viana fazer parte da Helibras pode não ter influído na compra? Pode.

A pintura da aeronave pode não ter nada a ver com o PT? Pode.

Mas que coincidência múltipla porreta!

E os envolvidos ainda reclamaram das críticas que receberam. Ora meus caros, os senhores quase que pediram pelas críticas.

Seria cômico, se não fosse trágico.

Marina, o fator que mudou o cenário presidencial

17/08/2009

O Presidente Lula desejava, claramente, uma eleição plebiscitária. Todos os seus interlocutores mais próximos diziam que era para conseguir esse tipo de consulta popular que o Presidente trabalhava e articulava. Mas parece que o fator Marina Silva tornará essa pretensão impossível de ser alcançada.

Muitos petistas, inclusive a pré-candidata à Presidência Dilma Rousseff, se movimentaram de alguma forma para tentar demover Marina da ideia de aceitar o convite do PV e tentar a Presidência. Ninguém foi incisivo, até porque o próprio Lula disse que não tem direito de pedir a Marina que abra mão do projeto, e Marina segue sem tanta turbulência rumo à consolidação daquilo que a balançou no convite dos verdes: A chance de colocar os temas que lhe são caros no debate presidencial, proporcionando uma discussão nacional em torno do desenvolvimento sustentável e de assuntos afins.

Ciro Gomes, que está sendo fortemente beneficiado pela movimentação de Marina, já que suas chances de concorrer à Presidência aumentam a partir do momento que a eleição plebiscitária é desmontada, disse que a candidatura de Marina pode implodir a de Dilma. Não chega a tanto, foi uma hipérbole, mas com certeza a candidata pode atrapalhar os planos de Lula, afinal, ela surge como opção para aqueles que não abrem mão de votar na esquerda mas que não se sentem atraídos pelo nome de Dilma que, reconheçamos, é sem sal.

Todos aqueles que sabem o que se passa nos bastidores da política afirmam que a decisão de Marina já está tomada e que ela é positiva com relação ao convite do PV. A Senadora já estaria decidida a ser, mesmo, o fator novo na corrida presidencial que desmonta a estratégia inicial de Lula, que terá de desenhar outra.

O PV, por sua vez, vai preparando o terreno para a chegada daquela que pode elevar o partido a uma posição nunca antes ocupada por ele. Os verdes devem dar a liderança da Câmara para Fernando Gabeira nos próximos dias, demonstrando o tipo viés que querem seguir daqui para frente, e, até mesmo, convidar alguns membros não tão orgânicos e comprometidos com as causas do partido a se retirar da legenda. Tudo para que o partido possa chegar pelo menos perto de emparelhar sua imagem com a história da ex-Ministra do Meio Ambiente.

Sem dúvida Marina será uma interessante novidade na corrida presidencial. Trará temas antes marginalizados nas campanhas e representará contraponto com relação a Dilma. Afinal, a Senadora representa melhor os movimentos sociais do que a candidata que está com o PT, partido que normalmente traz consigo estes grupos, neutraliza o argumento de Dilma de que se deve votar em uma mulher e tem a ficha corrida ilibada. Por essas e por outras, alguns dizem que o convite do PV tem o dedo de Serra. Mas isso não é comprovado.

No fim das contas, o fato é que a proposta de mudança e reconstrução de um partido que deveria, desde o início, estar alinhado com seus ideais, fez Marina Silva ser atraída pelo convite do PV. Mais tarde, com a repercussão do convite, viu que suas ideias, em uma futura disputa presidencial, poderiam ter igual repercussão, o que só reforçou sua simpatia ao convite. Agora, estamos apenas carecendo de algo oficial, embora já tenhamos o oficioso.

Marina já está decidida a vir e, mesmo sabendo que não vencerá, quer fazer seu barulho. É o que dizem os mais próximos da ex-Ministra, inclusive petistas como Jorge e Tião Viana e Binho Marques, atual Governador do Acre, estado natal da Senadora.

Pois então que venha Marina e seja o fator de mudança do cenário presidencial, que já estava monótono com a bipolarização exacerbada.

E a dúvida que fica, e que trazendo uma resposta poderá nos dizer a intensidade da influência que Marina terá nos resultados da eleição de 2010, é a seguinte:

O quanto o Brasil perceberá que, entre Dilma e Marina, a segunda representa muito mais o PT de verdade, enquanto a primeira é muito mais símbolo do PT novo, pós-mensalão, que se alia a Renan, Sarney, Collor e agregados.