Recentemente, este blogueiro comentou o fato de a cúpula petista ter desautorizado o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante, e enviado carta aos senadores do partido que faziam parte do Conselho de Ética recomendando o auxílio a Sarney. Mercadante defendia que o PT tomasse posição contrária em pelos menos uma das denúncias, buscando demonstrar à opinião pública algum tipo de boa vontade com as investigações.
Eu afirmei: Mercadante, que por mais que não seja flor que se cheire teve um posicionamento até certo ponto correto neste caso, não gostou, claro, de ser desautorizado. Quem gostaria que chegasse ao público a certeza de que, se contrariar o entendimento do governo, sua liderança não vale um tostão furado?
Sendo assim, o Senador paulista ameaçou: Deixaria a liderança do PT no Senado se um posicionamento pró-Sarney fosse tomado.
Foi pior que isso. Não só o posicionamento foi tomado como isso aconteceu por força de nota distribuída pelo Presidente do PT, Ricardo Berzoini, ordenando a ajuda a Sarney. Resumindo, a nota disse, nas entrelinhas, que as diretrizes de Mercadante não significam nada.
Pois bem. Era de se esperar que o Senador, consumando a ameaça, entregasse o posto de líder do PT. Certo? Errado!
Por mais que muitos jornalistas tenham noticiado que Mercadante convocou reunião para entregar o cargo e que ele dificilmente recuaria da decisão, o recuo ocorreu.
O jornalista Josias de Souza disse que, se recuasse, Mercadante era candidato à desmoralização.
Pois então está Mercadante desmoralizado.
Pois bem, vejam o que diz o Estadão, noticiando fatos que indicam a mesma coisa, ou seja, que Mercadante está desmoralizado:
“O desfecho da sessão de enquadramento no PT começou ontem cedo, quando o chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, se reuniu com seis petistas para definir a estratégia que seria adotada pouco depois pelo partido no Conselho de Ética. Foi uma reunião tensa.
Mercadante disse que não mudaria sua posição e continuaria defendendo a abertura de pelo menos um processo contra Sarney. A seu lado, o deputado Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT, avisou que enviaria carta aos senadores petistas, orientando os três integrantes do partido no conselho (Ideli, Delcídio e João Pedro) a manter o arquivamento das representações contra Sarney e o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).
Berzoini e Mercadante discutiram. Ao perceber que sua recomendação pela abertura de processo contra Sarney viraria letra morta, o líder do PT planejou ‘liberar o voto’ dos colegas, mas também se deu conta de que seria desautorizado pelo Planalto e pela direção do PT. Mercadante foi chamado de ‘ingênuo’ pelo governo.”










