Postagens com a palavra-chave ‘Itamaraty’

Análise geral: A tensão entre Colômbia e Venezuela e a política externa brasileira

31/07/2010

Hugo Chávez anunciou o movimento de tropas para a fronteira com a Colômbia, acusando o governo colombiano de ter invadido o espaço aéreo venezuelano.

Chávez admitiu ter revisado ‘planos de guerra’ para um eventual conflito.

Em suma, sobe a tensão na região. Mas nós pouco fazemos.

Onde está o Brasil que não se dispõe a mediar este conflito?

Meter a colher na tensão constante entre Israel e Palestina o Itamaraty quer.

Ou seja: Onde não é chamado, o Brasil hoje se mete, buscando mídia para provar uma suposta nova e maior influência na ordem mundial.

Mas onde o País precisa interferir, utilizando sua real – e não fantasiosa – influência geopolítica, que é na América do Sul, o Brasil se exime.

E por quê?

Porque hoje o Itamaraty é de governo e não de Estado. As posições tomadas levam em conta a ideologia do grupo que hoje domina a nação e não necessariamente os interesses legítimos da pátria, desmoralizando uma diplomacia que sempre foi motivo de orgulho, respeitada internacionalmente.

O mais curioso é que esse posicionamento ideológico é aplicado somente para fora, sob o comando do “inigualável” Marco Aurélio Garcia.

Para o “mercado interno” defende-se o progresso e o desenvolvimento, além do consequente desempenho eleitoral, com posturas pragmáticas.

Ora, mas então qual a razão da defesa do atraso em nível externo?

Exatamente a necessidade de um contraponto ao pragmatismo interno.

As pataquadas da política externa são uma satisfação para a ala mais radical do governismo.

Enquanto o esquerdismo pré-queda do Muro de Berlim destruir o Itamaraty, as políticas internas pragmáticas podem seguir com menos represálias.

Como política externa não dá e não tira votos, está tudo certo.

O Brasil passa a ser pseudo-respeitado no exterior, Lula se torna “o cara” e nós somos os patetas da história.

Venezuela e Colômbia? Não nos metemos, até porque temos lado.

O bom é tentar resolver a guerra milenar entre judeus e muçulmanos com umas camisas da seleção brasileira.

Coluna do dia: Brasil e o flerte constante com as piores ditaduras mundiais

05/07/2010

Por Arthurius Maximus*

Mais uma vez a diplomacia “de ponta” do governo Lula leva o Brasil a receber condenações de todas as entidades de direitos humanos do planeta. A visita e a abertura de negociações com o ditador da Guiné Equatorial – Obiang Nguema – no poder desde 1979 com mão de ferro e muito derramamento de sangue, mostram bem como a nossa visão de mundo tem valores “especiais”.

Além do sangue e do desprezo pelos direitos humanos, em escala genocida, Nguema é famoso por sua corrupção desenfreada. Apesar das grandes reservas petrolíferas encontradas no país, a população amarga grande pobreza e total desesperança. Mas, para Lula e Amorim, o país reúne os requisitos de uma democracia, pois, em palavras do próprio Amorim, é essa a base para a escolha dos países com os quais o Brasil quer se relacionar.

O estranho mesmo é entender como um país que possui um presidente no poder desde 1979 e tem uma das mais sangrentas ditaduras do continente africano preenche os tais quesitos de democracia. Só se for em relação à corrupção desenfreada. Aí, nesse caso, o nosso governo está “pau a pau” com eles.

Sem dúvida essa será mais uma daquelas parcerias duras de engolir e tristes de olhar. O mais terrível é a vergonha que qualquer cidadão de bem, que ame a democracia e o respeito ao ser humano – independente da ideologia – deve sentir ao ver seu país ligado à fina flor do autoritarismo e do genocídio internacional.

É claro que negócios trazem divisas e investimentos para nossa nação. Empregos são necessários e sempre bem-vindos. Mas e o preço desses investimentos? Será mesmo tão benéfico para nós faturar alguns dólares a mais e ter nossa imagem atrelada às ditaduras do mundo todo? Será que ganhamos algo negociando com a Guiné Equatorial que nenhum outro país pudesse nos proporcionar? Será mesmo preciso reconhecer ditadores sanguinários como democratas e ainda apregoar isso aos quatro cantos?

Para Lula, Amorim e a turma do PT é.

Pelo andar da carruagem ainda teremos que conviver com um Itamaraty infiltrado por uma visão ideológica inadequada e inconveniente durante um bom tempo.

Azar o nosso.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica.

Coluna do dia: O Brasil e os preços de um erro diplomático

05/04/2010

Por Arthurius Maximus*

O presidente Lula se prepara para sua vista ao Irã com o objetivo de firmar parcerias comerciais e na área nuclear com o país dos Aiatolás. Navegando a pleno vapor contra a maré mundial, o Brasil está para entrar no seleto grupo de nações atingidas pelas sanções do Conselho de Segurança da ONU.

No exato momento em que nosso governo estreita seus laços com o Irã e oferece cooperação para um programa nuclear carregado de nebulosidade e suspeitas, até aliados históricos dos iranianos ficam com “um pé atrás” em relação ao país e rumam na direção da formalização de sanções contra a nação islâmica.

Se isso realmente ocorrer, o Brasil terá o mesmo êxito que obteve ao apoiar Zelaya e participar de um dos maiores vexames que a diplomacia brasileira já protagonizou. Será deixado “falando sozinho” e terá de recuar de suas posições, humilhado e acuado, para não sofrer o mesmo destino de seu novo e polêmico amigo.

Se insistir em seu apoio ou fornecer “por debaixo dos panos” tecnologia ou qualquer tipo de assistência ao Irã, nosso “País do futuro” será apresentado à cruel realidade de tornar-se um pária frente à comunidade internacional.

É claro que ninguém espera que o Itamaraty vá “pagar o preço” por manter uma aliança com o Irã, no caso da aprovação das sanções. No entanto, isso mostra como é equivocada a ideia de “aceitar de peito aberto” a palavra de determinados governos que primam pela nebulosidade e pela repressão férrea a seu próprio povo e a qualquer informação.

Quando os aliados de primeira hora do Irã e “inimigos” de sempre das posições americanas se unem aos EUA (Rússia e China) para tentar dar um fim nas pretensões iranianas no campo nuclear, é porque algo muito “estranho” está mesmo acontecendo por lá.

Basta uma pequena olhada nas atitudes do governo iraniano para que um alarme soe na cabeça de qualquer simpatizante: a descoberta de instalações secretas (não relacionadas para os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica), a criação de usinas no interior de montanhas, o desenvolvimento (cada vez mais intenso) de mísseis de longo alcance e a presença (cada vez mais incisiva) de elementos da Guarda Revolucionária na tomada de decisões e controle das ações internas e externas do governo iraniano.

Além de correr o risco de se ver apanhado no meio do tiroteio das sanções, o recuo diplomático (promovido à força) sempre causa um certo “gosto de cabo de guarda-chuva” na “boca” de qualquer nação.

É muito mais importante analisar o que o Brasil teria a ganhar com a venda de urânio e de tecnologia ao Irã, nesse momento, além de pesar as péssimas experiências que já tivemos ao negociar com países da região (Iraque e Arábia Saudita).

Na época, o Brasil era o terceiro maior produtor mundial de tecnologia militar e tinha produtos invejados  e temidos (até pelos EUA) como o lançador de mísseis Astros II (visto como arma perigosíssima pelos americanos durante a Primeira Guerra do Golfo e na Guerra Irã – Iraque).

Ao “negociarmos” esses produtos por lá, o resultado foi um enorme calote e a negativa de aval para financiamentos prometidos que levaram a nossa indústria bélica à falência e à extinção em matéria de poderio e de negócios internacionais.

Cuidar para que a história não se repita, agora com reflexos ainda mais graves, é o que se espera do Itamaraty e do governo brasileiro. Muito mais do que simpatias ideológicas, o Brasil deve sempre primar por seus interesses como nação e pesar se o relacionamento com esse ou outro País nos trará reais benefícios ou meramente dores de cabeça.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

2ª Coluna do dia: Lula e a incrível arte de cometer gafes

15/03/2010

Por Arthurius Maximus*

Que Lula se acha o “protagonista universal” ninguém duvida disso. Dotado de uma soberba que não se justifica, nosso Presidente tem a incrível habilidade de meter os pés pelas mãos e de mostrar todo o seu desconhecimento no quesito ética e sobre o que realmente significa ser o mandatário de uma nação importante a todo o momento.

Embevecido pelos prêmios oferecidos por banqueiros que tiveram seus bolsos recheados “como nunca antes na história desse País” e por jornais que se deixaram enganar pela sua aparente boa imagem, Lula tem o ego constantemente acariciado por uma legião de aduladores e “baba-ovos” que o acompanha para onde quer que vá.

Não satisfeito em apoiar genocidas, intolerantes e ditadores condenados pelas cortes internacionais e pelas entidades de direitos humanos, Lula ainda pretende ser uma figura importante na esperança de diálogo entre palestinos e israelenses.

Contudo, do alto de sua pequenez e de seu pensamento ideológico estático, que ainda vê na “Guerra Fria” e no anti-americanismo uma condição válida para reafirmar sua “biografia revolucionária”, Lula protagoniza uma das maiores gafes diplomáticas já cometidas por um Presidente brasileiro no exterior.

Ao recusar-se a comparecer à realização de uma cerimônia em homenagem a Theodor Herzl, o jornalista austro-húngaro fundador do movimento sionista, que levou à criação do Estado de Israel, Lula já “de cara” elimina suas parcas possibilidades de ocupar um protagonismo na região.

Afinal de contas, ao recusar-se a comparecer a uma importante cerimônia do lado israelense e abraçar de bom grado o equivalente do lado palestino, Lula dá um recado claro de que nutre simpatias por um dos lados da questão e de que não tem condições de atuar com imparcialidade na questão. Isso, por si só, já o desqualifica como negociador (principalmente para Israel).

Isso, para o Brasil, é muito ruim, pois, como no caso de Honduras, perdemos relevância na mediação de um conflito que poderia nos render muitos dividendos internacionais e mostramos toda a nossa face “terceiro-mundista”, que é incapaz de separar visões ideológicas de posições internacionais que nos podem ser vantajosas, ou seja, Lula demonstra que não tem o cacoete necessário para ser um estadista e afirma sua condição de político “chinfrim”.

Infelizmente, para uma primeira visita de um Presidente brasileiro a Israel, o estrago feito por Lula (no que diz respeito a Cuba, às ditaduras e a Israel) dificilmente será esquecido pela comunidade internacional, pelo povo israelense (que considerou a recusa um insulto) e poderá manchar para sempre a reputação de nosso País no cenário local e internacional.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Arthur Virgílio poderia enxergar a diplomacia como “plano B” – Tucano nega essa intenção

03/03/2010

O Senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) é diplomata afastado da carreira. Está longe do Itamaraty por ser político e Senador.

Ocorre que ele se matriculou no Curso de Altos Estudos do Instituto Rio Branco.

O Curso habilita à promoção para Ministro de Segunda Classe, no Ministério das Relações Exteriores. Virgílio é, hoje, conselheiro.

Obviamente, a boataria começou. Até porque é notório que o Presidente Lula trabalhará para dificultar a reeleição de Virgílio no Senado.

Enfim, surgiram comentários a respeito de o Itamaraty ser um possível “plano B” do tucano.

Arthur Virgílio, no entanto, nega que se trate de um “plano B”. Ele afirma que visa o aprendizado puro e simples, e não uma saída tangente para alguém que não confia totalmente em seu sucesso eleitoral.

De qualquer forma, o jornalista Claudio Humberto informa que a tese de Arthur Virgílio já está pronta para defesa oral:

“A influência do Congresso na formulação da política externa, de Rio Branco a Lula”.

Análise: Política externa brasileira – É possível questionar as prioridades

16/12/2009

Durante os últimos meses, mais do que antes, a política externa do Brasil, comandada pelo governo Lula e, especificamente, por Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia, foi extremamente criticada.

Por mais que episódios como a tomada de refinarias da Petrobras pelo governo boliviano, que se deu sem que o Brasil recebesse as devidas indenizações, fossem sempre lembrados há muito tempo, de uns tempos para cá a condução da diplomacia nacional tem sido cada vez mais questionada.

O que acontece é que os episódios onde o Brasil, teoricamente, não se comportou da melhor forma, se sucedem muito rapidamente neste momento. Temos a intromissão em Honduras, temos o caso de Cesare Battisti, temos a aproximação com o bolivarianismo e temos ainda a recente visita ao País de Mahmoud Ahmadinejad, Presidente iraniano.

Em todas as situações listadas, diversos especialistas em política internacional afirmam que o Itamaraty não coordenou o comportamento brasileiro da maneira mais apropriada. São atitudes da política externa nacional questionadas fortemente, sucessivamente, em um curto espaço de tempo. Daí o foco recente no tema que, se antes já era destaque, hoje mais ainda.

Dito tudo isso, gostaria este que vos fala de explicitar sua modesta opinião: Acredito que todos os supostos erros brasileiros na condução de sua política externa dizem respeito a uma espinha dorsal, a escolha das prioridades.

Fica nítido que Celso Amorim, e principalmente o famigerado Marco Aurélio Garcia, que nunca poderia ser condutor de política externa alguma em um País ideal, carregam uma ideologia de fatias do governo para a diplomacia brasileira. Isso faz com que tenhamos uma política externa de governo, e não de Estado.

Uns acreditam que a política externa deve mesmo ser de governo. Outros defendem a política externa de Estado. De qualquer forma, ambas as vertentes primam pela política externa apropriada para o caso concreto. Pois bem. A diplomacia de governo que Amorim e Garcia têm trazido erra, se equivoca, e isso é suficiente para questionarmos não só seus nomes e o fato de a política externa ser de governo, como também, justamente, as prioridades elencadas.

Pois então quais são as prioridades eivadas de ideologia que podem ser observadas? Ora, temos a aproximação com o chavismo, temos a visita de Ahmadinejad, temos a defesa de Zelaya e temos a proteção de Cesare Battisti. Alguém duvida que todas essas atitudes partem da mesma espinha dorsal? Alguém duvida que os posicionamentos do Brasil poderiam ser diversos se não fossem Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia os nossos condutores? E digo mais: Alguém em sã consciência não percebe o alinhamento com os entendimentos de Hugo Chávez?

Afinal, Chávez também auxilia economicamente a Bolívia e o Equador, assumindo prejuízos que serão suportados pela população venezuelana, em benefício dos seus interesses políticos; também é próximo de Ahmadinejad, alimentando o estúpido anti-americanismo; também defendeu Zelaya, pretendendo espalhar o modelo chavista de perversão da democracia pelas mãos da democracia; e também acolheria Cesare Battisti, por conta, puramente, de ser, este, um assassino de esquerda.

Perceberam? Basta não ser torcedor do PT Futebol Clube para assimilar estas conexões. Aliás, não é necessário, afirmo, ser torcedor do PSDB Futebol Clube para dizer o que estou dizendo. Até porque, eu mesmo, não sou partidário, embora não seja, claro, alguém sem posicionamentos políticos pessoais.

As notícias recentes comprovam que as prioridades eleitas pela diplomacia nacional, principalmente nos últimos tempos, dão o tom que explica o porquê das recentes críticas.

Enquanto o Brasil fecha acordo para pagar US$ 1,2 bi a mais por gás boliviano, colocando o prejuízo na conta dos brasileiros, pelo simples motivo de querer ajudar politicamente Evo Morales, além de ter o seu Senado aprovando a entrada da Venezuela no Mercosul, o que não é de todo errôneo mas, no mínimo, questionável, é o Chile que é aceito na OCDE.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) confirmou, nesta terça-feira, em Paris, a aprovação do Chile como membro permanente da instituição.

Com a adesão, o Chile será o primeiro país da América do Sul a integrar a OCDE, definida como “clube dos países ricos e desenvolvidos” e que reúne as nações mais industrializadas do mundo.

Ora, por que não é o Chile o país atraído para o Mercosul? Por que esse país, onde as eleições presidenciais trazem a noção madura para a população de que qualquer candidato que vencer manterá o que tem caminhado de forma correta, não é aquele que miramos para estreitar relações?

Resposta: Prioridade.

É por isso que digo que é possível questionar as prioridades do governo brasileiro no que tange a política externa.

Digo isso porque temos Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia no comando da área.

Digo isso pois parece que mais vale a política pró-ideologia do que a economia e a importação de experiências bem-sucedidas.

Digo isso por conta de o Brasil querer ser, hoje, mais Chávez do que Bachelet.

Coluna do dia: Eleições em Honduras – O Brasil parece querer o juízo final

30/11/2009

Por Arthurius Maximus*

A política externa brasileira vem sendo criticada por mim, e por inúmeros outros articulistas, faz tempo. Subserviência a Chávez, apoio a toda sorte de ditadores e genocidas africanos, esmolas em profusão para nossos vizinhos que, ao invés de trabalharem pela melhora de seus países, ficam chafurdados no velho discurso de que a culpa de sua pobreza é do “Imperialismo Tupiniquim” e não de seus governos preguiçosos e de uma população acostumada ao populismo e ao assistencialismo.

A posição do Brasil frente às eleições hondurenhas deste domingo é mais um ponto de vergonha na política externa do governo Lula. A canhestra operação de acobertamento envolvendo a tomada da embaixada brasileira em Tegucigalpa pelas “legiões” de Zelaya e a sua transformação em palanque político (contra todas as leis internacionais) pelo velho caudilho hondurenho, não foram suficientemente capazes de fazer ver a Lula e ao Itamaraty a burrada em que o Brasil se meteu.

Além de abdicar do importante papel de mediador e de agente da normalidade política, aumentando o seu poder de influência na região e levando uma imagem de país preparado para lidar com crises além da sua própria fronteira, o Brasil, embalado pela subserviência a Chávez, tomou o pior partido possível e acabou se prestando ao papel de marionete de Zelaya e do venezuelano.

Honduras vivia a quase normalidade política e todas as partes compactuaram com um acordo firmado pelo Presidente da Costa Rica, que reconduziria o país para a normalidade democrática. Mas o retorno de Zelaya ao país e o seu abrigo em nossa embaixada serviram para lançar a nação hondurenha à beira de uma guerra civil e da instabilidade institucional. Tudo porque o Brasil deixou que Zelaya acessasse rádios, canais de televisão e a imprensa internacional através da nossa embaixada e conclamasse os seus seguidores a se revoltarem.

Como sempre vimos nas transmissões ao vivo, as passeatas sempre eram de poucas centenas de pessoas. Contudo, a balbúrdia e a insegurança criadas por elas levaram o país para a beira de um colapso social e de uma luta fratricida.

Como ficou claro depois, Zelaya nunca quis negociar. Seu intuito era mesmo criar confusão e ser reconduzido “nos braços do povo” para o palácio presidencial (do qual foi retirado legalmente ao violar a Constituição de Honduras). Ao perceber que isso não aconteceria, pelo simples fato de que a maioria da população de seu país estava contra ele, a única alternativa era impedir as eleições. Com a ajuda do Brasil, Zelaya e Chávez tentaram de tudo. Mas, com o apoio dos EUA e de quase toda a comunidade das Américas para a realização das eleições e o reconhecimento de que isso encerrava a crise de uma vez por todas, Zelaya viu a sua posição esvaziar-se e até os membros de seu próprio partido participaram das eleições.

O resultado não pode ser mais expressivo do pensamento do povo hondurenho: Tanto o partido de Zelaya quanto o de Micheletti foram derrotados nas eleições. Isso demonstra claramente que o povo hondurenho está farto do populista de chapéu de vaqueiro e do incompetente que não soube explicar à comunidade internacional o acontecido.

As eleições colocaram um fim nessa longa pantomima mal interpretada e cheia de atores de terceira categoria. Mas, insatisfeito com seu papel ridículo, o Brasil se uniu às “forças do avanço” (Venezuela e Equador) e se recusará a reconhecer o vencedor das eleições hondurenhas como Presidente eleito legítimo.

O que querem o Itamaraty e o governo Lula? Um banho de sangue? A convulsão social em Honduras? Uma guerra civil?

Tudo isso para satisfazer Hugo Chávez e um obscuro caudilho centro-americano que só nos deu dores de cabeça. Além disso, ao invés de reduzir os danos, ao ser derrotado miseravelmente em seu apoio a Zelaya, o Brasil assumirá a posição equivocada de esperar que Papai Noel restitua o poder a ele.

O mais estranho é que Zelaya, ao ter sua proposta de negociação submetida à Suprema Corte Hondurenha, ainda foi condenado por traição. Portanto, se deixar a embaixada brasileira, ao invés do palácio presidencial, vai para a cadeia.

E o Brasil corre o risco de ficar com o “mico internacional” do ano ao apoiar a realização do Juízo Final e de uma guerra civil como única forma viável para reempossar um Presidente que desejava “apenas” eternizar-se no poder e violar a sua própria Constituição.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Coluna do Dia: O Bom, O Mau, O Feio e “o Cara”

16/11/2009

Por Arthurius Maximus*.

No próximo dia 23, o Brasil assumirá de vez o papel ridículo de lambedor de botas de ditadores.

Como se não bastasse levar Hugo Chávez goela abaixo, fazendo investimentos a fundo perdido na Venezuela, com o único objetivo de manter o governo bolivariano de pé (pois, sem os nossos investimentos a Venezuela já estaria à beira de um colapso alimentar sem precedentes); chamar de democratas os mais carniceiros ditadores genocidas africanos (alguns dos quais condenados e procurados pelo Tribunal Internacional de Haia e pela Corte Internacional dos Direitos Humanos); apoiar um intolerante egípcio para comandar a UNESCO (depois dele assumidamente pregar a queima de livros “não islâmicos” em praça pública) em detrimento de um brasileiro que seria eleito com facilidade; e ser condenado pela Human Right Watch, a mais importante entidade internacional de direitos humanos, por sua defesa apaixonada de países ligados ao terrorismo, a tortura e ao genocídio, o Brasil se alinha com o Irã e reconhece o seu direito de ser um Estado intolerante, genocida e guiado por patrocinadores do terrorismo internacional (um dos ministros iranianos não pode deixar o país pelo singelo fato de ser condenado por terrorismo internacional e procurado no mundo todo).

De todas as posturas erradas do governo Lula, a política internacional “do cara” é a que mais espanta. O amadorismo e a venda dos mais antigos preceitos e tradições da diplomacia brasileira em troca do apoio ao ingresso no Conselho de Segurança da ONU (um sonho nutrido pelo “estadista” Lula), já permitiram inúmeras saias justas ao nosso País. Como o reconhecimento da China como economia de mercado (em troca do apoio chinês ao nosso ingresso no Conselho – para, logo depois, a China, misteriosamente, passar a pregar a redução dos assentos permanentes) o que fez do Itamaraty motivo de chacota internacional ao ser enganado tão facilmente.

Agora, a mais nova afronta é receber em nosso território o “grande líder democrata e humanitário” do Irã: Mahmoud Ahmadinejad.

O País, em nome de um acordo comercial que sempre foi de ridículos caraminguás, jogará pela janela a sua tradição de defesa da democracia e de uma diplomacia alinhada com a visão da liberdade, do respeito aos valores éticos e da tolerância ao diferente para render homenagens a um governante que, entre outras coisas, persegue seus opositores, condena à morte quem fala contra seu governo, declara abertamente que deseja a aniquilação e o genocídio de outro povo e faz a absurda afirmação de que em seu país não há homossexuais.

É claro que o único país da terra a não possuir homossexuais tem uma fórmula mágica para a “cura” desse “terrível mal”: a pena de morte. Qualquer pessoa que se declare, seja flagrada ou que seja denunciada como homossexual no Irã é sumariamente “julgada” e condenada à morte por enforcamento. Como podemos perceber, a “cura” aplicada pelo “grande líder” que o Brasil abraça é extremamente ‘eficiente” e “democrática”.

Assim, enquanto o Brasil se une com o que há “de melhor” em matéria de intolerância, pensamento antidemocrático e “espírito não-humanitário”; o mundo e os brasileiros que ainda são capazes de pensar assistem a todo esse festival de arrogância estúpida torcendo para que esse governo acabe logo e que não se repita.

Um País que almeja ser uma das maiores potências mundiais não pode depender unicamente da economia para ser grande. Ele deve estar ciente de suas responsabilidades como nação e como fonte de influência geopolítica em sua região.

A aceitação da péssima influência de Hugo Chávez e a rendição das mais antigas e caras tradições brasileiras, em nome do apoio às ideias plantadas por esse senhor, estão fazendo de nosso País uma terra de arrogância, intolerância e um alvo da chacota internacional, do asco das mais nobres entidades internacionais e, além de tudo, causando uma inacreditável mancha na consciência de qualquer cidadão que saiba que a intolerância e a aceitação de sua existência, como orientação institucional de uma nação, são a coisa mais terrível que um governo (seja ele qual for) pode fazer.

A tolerância a governos desse tipo já produziu um dos maiores genocídios que a humanidade presenciou na história moderna e, cometer o mesmo erro, é compactuar com as idéias esdrúxulas de que aqueles horrores jamais aconteceram e rir dos gritos dos milhões mortos apenas porque alguém resolveu que não iria mais tolerar a sua presença.

Temos o bom, o mau, o feio e “o cara”.

Pensemos nisso.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Coluna do dia: O Brasil, a ONU e o mundo que não se quer

16/10/2009

Por Yashá Gallazzi*

Creio que os leitores já sabem, mas nunca é demais lembrar que hoje o Brasil foi indicado para ocupar um assento no Conselho de Segurança da ONU. Ainda não é a tão sonhada vaga permanente, que alimenta os devaneios de Celso Amorim, mas um posto como membro transitório. Ainda assim, como é de se supor, o feito mereceu notável destaque na mídia nacional, que se apressou em comemorar mais um grandioso feito do Itamaraty petista, saudado por sua – como é mesmo? – “política externa ousada e soberana”.

O que eu acho? Bem, acho que Lula, Celso Amorim e os demais petistas estarão muito confortáveis em qualquer fórum promovido pelas tais Nações Unidas. Parafraseando Lula, digo que nunca antes na história do mundo um governo supostamente democrático emprestou tanto apoio a terroristas e ditadores dos mais abjetos. Lembram? Foi só Celso Amorim se aboletar no Itamaraty e pronto: imediatamente começou o discurso pedestre e terceiro-mundista da “autonomia dos países pobres”.

E com base nesse discurso o Brasil tratou de se render a convescotes com humanistas do calibre de Kadafi e Mugabe, só para citar dois. Em breve, o País vai receber, de braços abertos, o fascista Mahmoud Ahmadinejad, possivelmente um dos maiores perigos para o mundo livre e democrático. E tudo por quê? Ora, para esfregar a tal soberania na cara dos chamados “países ricos” – em especial os Estados Unidos.

Por isso, não dou a menor pelota para a posição que o Brasil ocupa na ONU. Só os inimigos da liberdade dão alguma bola para aquela super-ONG inútil e cara.

Em nome da confraternização e do entendimento entre os povos, a ONU aceita receber sob seu teto a escória do mundo. Como justificar, por exemplo, que o líder maior do fascismo islâmico possa discursar diante de um fórum supostamente democrático? “Ah, mas ele pode discursar justamente porque o lugar é democrático!”, dirão alguns. Besteira!

A democracia, em nome de sua pluralidade e de sua tolerância, não é obrigada a condescender com a canalha que pretende vê-la destruída. Lembro de um célebre julgado da Suprema Corte britânica: “Não podemos conceder aos inimigos da liberdade, em nome de nossas convicções, as prerrogativas que eles, em nome das suas, nos negariam.” É isso que falta ser assimilado pelo Ocidente, que insiste em aceitar a presença dos seus inimigos, em vez de derrotá-los. Por isso me é impossível levar a ONU a sério.

Como respeitar, por exemplo, um fórum onde o Congo é convidado a sentar na mesma mesa de democracias históricas como a americana e a britânica? Por que pincei o Congo como exemplo? Bem, pode ser que os leitores não conheçam a história congolesa, mas eu faço uma breve síntese: Aquele pobre país africano, como os leitores hão de supor, foi um dos tantos dominados pela tão demonizada colonização europeia. Ah, a malvada Europa… Como sabemos, os europeus oprimiram a África durante décadas, sempre impondo aos nativos a sua arte, sua cultura, suas escolas e sua medicina. Simplificando, pode-se dizer que o chamado “velho mundo” exerceu sua dominação sobre a pobre África por meio de Descartes, Voltaire, Hegel, Santo Tomás de Aquino, Shakespeare e tantos outros. Trágico, não? Cruel, não? Antes não houvesse existido essa dominação, essa opressão desmedida. Mas o fato é que houve. E o mundo, tomado pelo discurso pacifista “woodstockiano”, começou a gritar pelo “fim da opressão”. A ONU, à época, era aquela que gritava mais alto e forte.

E eis que os povos nativos começaram suas lutas de libertação, embalados nos cantos humanistas da classe média ocidental, que desde sempre adorou uma passeata pela paz. E, então, o Congo se libertou do jugo europeu. Do dia para a noite não havia mais Descartes, Voltaire, nem Shakespeare. Não era mais preciso vestir as roupas deles, ir às escolas deles e aprender os costumes deles. Os nativos puderam, finalmente, viver segundo suas tradições, suas convicções e suas crenças. E então a tragédia começou.

Entre os anos de 1998 e 2002, mais de cinco milhões de congoleses morreram no mais sangrento conflito armado desde o fim da Segunda Grande Guerra Mundial. Mas se acabou a opressão do “primeiro mundo”, de onde veio a guerra?

Bem, das disputas étnicas que passaram a eclodir a partir do momento em que os nativos se viram sem as brisas da civilização… Convenhamos: quando se perde, de uma só vez, os referenciais de Voltaire, Hegel, Santo Tomás e outros, o norte moral também desaparece em um segundo. Quem poderia, pois, imaginar que de todos os supostos males que a Europa teria causado ao Congo, a saída do país pudesse ser o maior deles?

Exagero? Estou sendo muito imperialista no meu discurso? Me digam vocês, ao final. Mas saibam, antes, que os nativos – os libertadores do Congo – adotaram o estupro coletivo como arma de guerra. Naquele país esquecido, qualquer milícia “libertadora” tem o direito de estuprar. Os rebeldes estupram, os Hutus estupram, os Mai-Mai, alinhados ao governo, estupram e, não bastasse isso, as tropas do Exército oficial também estupram. São casos isolados? Não! Trata-se de uma prática tradicional. Uma arma de guerra. Ou, se preferirem, um aspecto da tal cultura local dos povos, tão defendida por um exército de ONGs cujas mulheres, suponho, jamais foram estupradas.

No Congo, Elise Mukumbila, uma anciã, foi estuprada pelos Mai-Mai em uma floresta durante meses, tudo porque, segundo as crenças locais, sodomizar uma mulher mais velha traria riqueza ao agressor. Já Valentine, de apenas doze anos, foi estuprada pelos “libertadores do Congo” porque, segundo outra crença, violar uma virgem traz a imortalidade. A menina, em decorrência dos ferimentos que experimentou, sofre perenemente as agruras de uma fístula nunca curada, que a impede até mesmo de controlar a urina.

É assim que os tais “povos tradicionais” promovem a liberdade das nações africanas. É assim que restauram sua “cultura” depois de encerrado o jugo europeu. Aliás, não promovem liberdade nenhuma. Afinal, já são mais de cinco milhões de mortos em vários anos de conflito pela autonomia. De forma objetiva, pode-se dizer que a Europa, oprimindo Congo, matava bem menos que os próprios congoleses ao buscarem sua libertação.

É essa canalha que a ONU abriga. É a essa gente simiesca, animalesca e primitiva que aquele fórum empresta voz e atenção. Por isso me é impossível levar a sério a ONU e qualquer um de seus braços institucionais. Por isso não dou a mínima para o Brasil ocupar, ou não, o Conselho de Segurança. Que diferença faria? Os congoleses continuariam lá. Ahmadinejad continuaria lá. O Sudão continuaria lá. E o mundo livre e democrático continuaria ameaçado por um fórum antiocidental, que só consegue existir graças aos recursos do… Ocidente!

Dizem que Lula está cotado para ser, em um futuro próximo, Secretário-Geral da ONU. Nada mais apropriado. O mundo politicamente correto e “pogreçista” adora o apedeuta e aquela inutilidade que as Nações Unidas representam. E Lula, está posto, nutre irremediável simpatia por qualquer tirania que se diga antiamericana. Ninguém melhor do que Lula, que usa os livros como sonífero, para chefiar uma organização capaz de defender que uma nação africana troque Descartes, Voltaire, Hegel, Santo Tomás de Aquino e Shakespeare por morte, terror, miséria e estupros.

Os Republicanos disseram, há coisa de poucos dias, que seria preciso jogar algumas bombas sobre as instalações nucleares do Irã e da Coreia do Norte. Concordo. Mas faço um adendo metafórico: seria melhor, antes, lançá-las sobre o órgão que permite a tais países filoterroristas o direito de manter um arsenal atômico. Assim, a ONU sairia um pouco de cena. O Ocidente ficaria muito mais seguro. E alguma pequena nação que ainda esteja sendo oprimida pela cultura, pela escola e pela medicina da Europa, não será obrigada a trocar tudo isso por estupros e morte.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Papelão: Brasil sai mais do que derrotado em eleição da Unesco

24/09/2009

Já há algum tempo o Perspectiva comentou a desastrosa decisão do Itamaraty, comandado por Celso Amorim, de apoiar a candidatura de um egípcio ao comando da Unesco em detrimento do nome favorito de um, pasmem, brasileiro.

Disse o blog na ocasião:

Mesmo com dois brasileiros no páreo, o Brasil apoiará oficialmente o egípcio Farouk Hosni para o cargo de diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Foram preteridos o diretor-adjunto da Unesco, Marcio Barbosa – com grandes chances de ganhar a eleição, prevista para setembro -, e o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

A coisa fica pior: A opção por Hosni foi confirmada pelo Itamaraty,  embora ele esteja desagradando não apenas à comunidade científica, mas a parceiros importantes, como EUA, Rússia, México, Argentina, França, Índia e China, que já teriam declarado apoio ao brasileiro Barbosa. Os EUA, recentemente, vetaram o nome do Hosni, devido a seu discurso antissemita. Os franceses, que antes haviam escolhido o egípcio, retiraram seu apoio.

Resumindo: Um brasileiro é o favorito e o próprio Brasil apóia outro candidato, sendo que este candidato é criticado por todos e visto, até mesmo, como antissemita! Absurdo! Impensável!

Na época, foi dada pelo Itamaraty a justificativa de que o apoio ao egípcio proporcionaria a maior participação do Brasil no processo de paz no Oriente Médio e o aval da região à candidatura do país a uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Comentando esta justificativa, disse este blogueiro que vos fala:

Para defender a ambição de participar do Conselho de Segurança da ONU, coisa que o Itamaraty quer para proteger os interesses do Brasil, passa-se a perna em um brasileiro que pode vir a comandar a UNESCO? Onde será que está expresso realmente o interesse do Brasil nesse caso?

Eu até entendo a pretensão de ser membro permanente do Conselho de Segurança como válida e importante. Acho que seria muito bom que o País conseguisse essa posição. Porém, é impossível concordar com o fato de que articulações para atingir esse feito precisem prejudicar brasileiros que são, justamente, aqueles que o Itamaraty busca defender em primeiro lugar.

Mais tarde, visto que o próprio Brasil apoiaria o egípcio Farouk Hosni, o brasileiro Marcio Barbosa resolveu retirar sua candidatura. Comentando este fato, disse o blog:

Parabéns, Celso Amorim.

O Ministro já acertou em muitas ocasiões, mas nessa foi construída um erro de proporções bestiais.

Ele privilegiou uma suposta aproximação do Brasil com os países árabes e esqueceu da aproximação primordial: A do Brasil com os brasileiros.

Pois bem. Vocês devem estar se perguntando o porquê de toda esta retrospectiva.

Ocorre que saiu o resultado da eleição para a Direção-Geral da Unesco e o candidato egípcio, Farouk Hosni, apoiado pelo Brasil em detrimento de um brasileiro e cujo sucesso seria supostamente garantidor do apoio árabe com relação às pretensões brasileiras no que tange o Conselho de Segurança da ONU,  perdeu.

Isso mesmo, perdeu. O Brasil saiu duplamente derrotado. Se retirou da corrida um brasileiro por ver-se sem suporte de seu próprio País e perdeu a disputa aquele que causou este erro.

Venceu a embaixadora da Bulgária na França, Irina Bokova, que correu por fora e se aproveitou das polêmicas em torno de Hosni que, com certeza, eram conhecidas pelo governo brasileiro desde o início.

E o Brasil, que se aliou a países nada democráticos nesta disputa, além de, como dito anteriormente, ter cotado na própria carne com uma imbecilidade tamanha, sai mal da eleição, sendo o País que respaldou aquele que, sendo eleito, causaria a retirada de apoios com relação à Unesco por parte de EUA e Japão.

Mais uma vez, que bobagem Ministro Celso Amorim.

Em tempo: Na época em que o debate sobre o apoio do Brasil a Hosni estava em pauta na imprensa, Amorim justificou sua decisão dizendo que os esforços de um País devem sempre (desde quando?) ser concentrados em uma candidatura de um representante seu apenas. Resolveu unilateralmente pela candidatura da Ministra do STF, Ellen Gracie, à OMC (Organização Mundial do Comércio). Não adiantaria nem Celso ter uma teoria certa, Ellen perdeu também.