Postagens com a palavra-chave ‘Islã’

Coluna do dia: Egito, terra de contrastes (Diário de Viagem do Perspectiva Política – Parte II)

28/02/2010

Por Matheus Passos*

Após uma pequena “parada técnica” durante o carnaval, período em que aproveitei para visitar minha família em Minas Gerais (já que esta é praticamente a única época do ano em que posso visitá-los com tempo), retorno ao Perspectiva Política com minha segunda postagem sobre minha viagem ao Egito. Para aqueles que ainda não leram, a primeira postagem pode ser vista aqui.

O primeiro ponto que gostaria de destacar se refere aos aspectos econômicos do dia a dia do Egito.

Nós, brasileiros, quando comparados com os egípcios, somos ricos. É claro que existe pobreza aqui no Brasil, da mesma forma que existe riqueza no Egito. Contudo, a impressão que tive no dia a dia da viagem é a de que eles vivem com muito menos do que a classe média brasileira.

Por exemplo: comer em uma filial do McDonald’s por lá é coisa “de rico”, foi o que me falaram várias pessoas. Imagino ser necessário “dar um desconto” a respeito de tal informação, mas na prática o que vi foram egípcios com sapatos fechados (tênis, sapatos ou algo do tipo) no McDonald’s, enquanto a maioria dos transeuntes usava uma sandália de couro nas ruas. O que vi foram pessoas vestidas com tecidos e cortes melhores em comparação com aqueles que estavam do lado de fora.

Outro exemplo: quando conversei com o capitão de uma felucca em Aswan e disse ao mesmo que estava gastando por volta de dez dólares por dia com alimentação (incluído nesse valor almoço e jantar/lanche, pois o café da manhã estava incluído na diária do albergue), o mesmo disse que eu era rico e que devia estar comendo nos lugares errados, pois estava muito caro. Alguns dirão que Aswan é uma cidade “pequena”, “do interior”, e que por isso os preços são baratos mesmo. O que dizer então do Cairo, capital do Egito e uma das maiores cidades do mundo, na qual eu gastava por volta de quinze dólares por dia indo a restaurantes egípcios?

Mais um exemplo: os táxis no Egito são extremamente baratos quando comparados com o preço dos do Brasil (ou, pelo menos, com os daqui de Brasília). Quando visitei Dahshur e Saqqara, contratei um táxi pelo dia inteiro para fazer uma viagem de mais ou menos 120 km naquele dia, com o táxi ficando à minha disposição o dia inteiro, e paguei o equivalente a cinquenta reais. Aqui em Brasília, dependendo do trânsito, uma ida da rodoviária ao aeroporto custa trinta reais, em um trajeto de 15 km.

O segundo ponto diz respeito à política egípcia e à idolatria que eles têm em relação ao atual Presidente, Hosni Mubarak. Não tive muito contato com a mídia egípcia, até porque a maioria está em árabe, mas pelo pouco que percebi nos jornais impressos e televisivos em inglês, não há absolutamente nenhuma crítica ao Presidente. Da mesma forma, as poucas pessoas que aceitaram conversar sobre Mubarak comigo foram “só elogios” ao mesmo, afirmando sempre que ele está fazendo o melhor para o país e que se não fosse por ele a situação egípcia seria muito pior. Neste sentido, é difícil para eu chegar a uma conclusão pois sabe-se que o Egito, apesar de ter formalmente um sistema democrático – com a possibilidade de existência de vários partidos e com a possibilidade de vários candidatos à Presidência – é, na prática, uma ditadura, o que, somado com o curto período de estadia, dificulta a observação efetiva da realidade política do país.

O terceiro ponto de destaque diz respeito ao aspecto religioso – que, na verdade, me pareceu dominar os dois anteriores. Como se sabe, o Egito é um país islâmico, com mais de 90% de sua população se identificando como muçulmanos, e os princípios desta religião ditam o dia a dia do egípcio. Cinco vezes ao dia ouve-se o chamado às orações islâmicas – com a primeira delas acontecendo geralmente ainda de madrugada. O resultado disso é que tais chamados acabam por estruturar e regular tudo, desde os negócios – não foram poucas as vezes em que uma lanchonete estava fechada no meio da tarde para que os trabalhadores rezassem – até o divertimento – não pude visitar certas áreas do templo de Kom Ombo, por exemplo, porque os guardas responsáveis por tais áreas estavam rezando.

A religião tem papel fundamental também na arquitetura egípcia: para todo lugar que se olha, há um minarete. Especificamente no Cairo, há a área chamada de “Cairo Islâmico” – a parte antiga da cidade – na qual estão presentes mais de 800 monumentos históricos, grande parte deles mesquitas com seus inúmeros minaretes. Estar nessa região no momento das orações é algo completamente diferente daquilo que eu estava acostumado no que se refere a “orações”, porque todas as mesquitas soam ao mesmo tempo, tornando a área realmente ensurdecedora.

A religião desempenha, ainda, importante papel na definição das relações sociais entre homens e mulheres. No metrô do Cairo, dois vagões de cada composição são exclusivos para mulheres, e nos demais vagões as mulheres deveriam entrar apenas acompanhadas (digo “deveriam” porque, na prática, isso não aconteceu o tempo todo). Como se sabe, o Islamismo define que as mulheres andem pelas ruas com os cabelos envoltos em um véu, com a justificativa de que isto impede os homens de terem pensamentos libidinosos e cometerem alguma besteira. Assim, era extremamente interessante (e diferente) ver mulheres andando completamente cobertas nas ruas – cheguei a ver algumas que estavam de óculos escuros, impedindo-me de ver até mesmo os olhos – em pleno sol de meio-dia –. Apesar de em janeiro ser inverno no Egito, as temperaturas de dia chegavam aos 25, 28 graus.

É necessário falar também sobre a importância da religião no que diz respeito aos crimes de rua. Tenho uma câmera digital semi-profissional e andei com a mesma pendurada no pescoço durante todo o período em que estive no país. Logicamente, isto não significa  andar com a câmera em uma rua sem iluminação às 2 h da manhã, mas quero dizer que podia ir a qualquer lugar sem correr nenhum perigo de ser assaltado. Senti-me muito mais seguro ao caminhar em Aswan ou mesmo nas partes mais pobres do Cairo com a câmera no pescoço do que me sentiria aqui em Brasília de dia. Sem dúvida a presença policial – constante em todos os lugares turísticos – ajudava a coibir qualquer tentativa de roubo, mas a religião também tem esse papel, como pude perceber em diversas conversas a naturalidade com que eles diziam que não se deve furtar porque Alá não permite e/ou porque no Corão está escrito que isto não deve ser feito.

Por fim, gostaria de destacar uma última impressão que tive no que diz respeito à união destes três itens – economia, política e religião: parece-me que o Egito está em uma encruzilhada. Por um lado há a forte presença dos princípios islâmicos em todas as esferas sociais, mas por outro o país precisa ser receptivo aos turistas – uma das suas maiores fontes de renda – e, para isso, às vezes é necessário passar por cima de alguns princípios. Notei uma tensão extrema entre os princípios religiosos, por um lado, e os interesses mundanos, por outro, e talvez seja isso que torne o Egito um país extremamente interessante de ser visitado.

*Matheus Passos, escrevendo excepcionalmente em um domingo, é colunista do Perspectiva Política aos sábados, cientista político, editor do blog Pensar Politicamente e escreve no Twitter em @mpassosbr.

Artigo do leitor: Outra visão sobre Ahmadinejad

02/12/2009

Caríssimos leitores,

Se inicia hoje mais uma possibilidade de interação entre os leitores deste blog, que já recebem considerável atenção deste blogueiro. Digo considerável pois, embora ela seja muito grande, sempre há o que melhorar.

Abro espaço nesta postagem para um artigo do leitor Carlos Robson, que, nele, trata sobre a questão das críticas ao Presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad e ao fato dele ter sido recebido com pompa e circunstância em nosso País. No artigo, Robson questiona a validade deste posicionamento crítico que, para ele, pode ser um tanto hipócrita.

É um prisma a ser observado.

Dito isso, confiram o texto de nosso leitor que, como todos os outros, pode agora, além de comentar sem moderação e ter a certeza de ter seu comentário respondido, submeter artigos ao blog.

Outra visão sobre Ahmadinejad

Carlos Robson*

Com a controvertida visita de Armadinejad ao Brasil foram gerados muitos protestos e críticas, porém, as motivações em jogo na verdade não se enquadram na política nacional.

Para os israelitas, tudo é claramente motivado por sua política, e não pela nossa. No que tange os homossexuais, a crítica é puramente religiosa. E, para os que foram no vácuo, a reclamação é preconceituosa mesmo.

Aos que criticam, não importam os acordos comerciais e nem tecnológicos, aliás, para os EUA e Israel isso tudo é muito incômodo, pois um inimigo que estava quase isolado agora encontra “um palanque no Brasil”.

O professor Peter Demant, holandês, doutor em seu país sobre a colonização israelense, morou e pesquisou em Jerusalém, chegando ao Brasil em 1999, e desde então, leciona Relações Internacionais e História da Ásia na USP. Ele defende que o mundo muçulmano historicamente apresentou um comportamento muito mais tolerante para com suas minorias do que o mundo cristão com as minorias na cristandade.

Podemos lembrar que ambas as religiões são monopolistas da verdade, expansionistas que, em princípio, querem converter todo o resto do mundo. Contudo, o Islã aceita o Judaísmo e o Cristianismo como antecedentes legítimos de sua própria religião, como formas um tanto modificadas da mesma mensagem de Deus. Assim, essas religiões têm um papel reconhecido e protegido dentro de uma sociedade religiosa, resultando em uma tolerância – mediante certas desqualificações sociais, econômicas e outras.

É claro que sempre temos a tendência de desqualificar a política, a cultura e a religião alheias e esquecemos que a verdadeira democracia, baseada na res publica (coisa pública), com certeza é o sistema político mais seguro contra ditadores e injustiças sociais. Pelo menos, era assim que deveria ser.

Porém, na nossa atual política ainda é muito comum o abuso do poder econômico para comprar cargos públicos e é praxe nas campanhas se falar em quanto  custa se eleger para um determinado cargo político. Digo isso para que possamos aperfeiçoar nosso sistema antes de criticar o sistema dos outros.

Mas, voltando a Ahmadinejad, aposto que se fosse o Rei Abdullah bin Abdelaziz, da Arábia Saudita, a vir aqui, ninguém faria esse absurdo que alguns fizeram com o  iraniano. E Abdullah sim é um ditador monárquico (mas como ele é aliado dos EUA não passa nada).

Será que ninguém nesse mundo vê as injustiças que acontecem com o povo árabe? Os EUA invadem os países deles, saqueiam e querem controlar a política e, daí, quando algum país sai de seu controle, eles usam toda a mídia mundial para encapetar uma nação (por que essa é a realidade – criaram uma imagem super negativa dos árabes).

Há maior terrorista no mundo do que George Bush filho? Eu não duvido nada que ele possa ter manipulado facções extremistas e fomentado aquele ataque de 11 de setembro para se reeleger e, depois, de quebra, ter apoio do povo americano para sua guerra pessoal e corporativa, já que as empresas de sua família são concorrentes dos xeques do petróleo.

Depois disso, fica a maioria dos ocidentais de cultura de  “robôs papagaios” só repetindo o que a mídia norte-americana diz.

Daí, no subconsciente das nações ocidentais fica o arquétipo de Rambo, ou de Schwarzenegger e de outros patetas fuzilando os demônios árabes, enquanto o mundo ocidental, embriagado pela fascinação cinematográfica norte-americana, aplaude e aplaude, até hoje, embevecido.

Os retratam como a polícia do mundo, mas, na verdade, os EUA não são a polícia do mundo, senão os sabotadores. A Africa está lascada muito por culpa do governo americano que apoiou ditadores nesses países (tal como fez na America Latina no passado).

Duvidas? Assista ao controvertido e premiado documentário, ao estilo de Michael Moore, que fala sobre a influência americana na Líbia e resto da Africa. Verás de maneira clara quem são os “policiais do mundo”…

Não morra sem ver isto!

*Carlos Robson é leitor do Perspectiva e submeteu artigo ao blog

Coluna do dia: O Taliban

10/07/2009

Por Yashá Gallazzi*

taliban

Em mais de uma ocasião acabei provocando alguma polêmica ao defender de forma veemente a civilização ocidental e seus valores, notadamente a democracia e o sistema de liberdades individuais. No mais das vezes, as discordâncias giram em torno da suposta intolerância que me caracterizaria ao falar dos que considero inimigos da nossa civilização e, se querem saber, acho que meus críticos estão mesmo cobertos de razão. Eu realmente não tolero os valores que se mostram antagônicos aos nossos, porque – e aqui levanto mais uma polêmica – o Ocidente é moralmente superior aos seus algozes. Simplificando, posso dizer sem medo de errar: ou lutamos pela hegemonia dos nossos valores, ou teremos a barbárie. E ao longo deste texto explicarei o porquê disso.

Li na Folha de São Paulo que o grupo terrorista Taliban, não satisfeito em promover aquilo que – se me permitem – passo a chamar de “terrorismo convencional”, explodindo inocentes em nome do propósito supostamente divino de destruir os infiéis ocidentais, decidiu descer ainda mais baixo, a ponto de chegar às portas do inferno, adentrar o reino de Lúcifer e, uma vez ali, assumir o lugar de Hasmodeu. O que houve, afinal? Segundo o que foi noticiado no jornal paulista, os fascinorosos terroristas estão comprando crianças – algumas de onze anos apenas! – para usá-las como instrumento de sua guerra teratológica. Explico melhor: pagando em média seis mil dólares por cada infante, a canalha adquire carne fresca para sacrificar em nome de sua “causa” sociopata. As crianças que, envoltas em bombas, explodem a fim de matar os cães do ocidente, não passam de mercadoria, pertences aos Taliban.

Eu, que sempre cultivei os mesmos valores éticos e morais aborrecidamente imutáveis, não preciso de mais argumentos para ter certeza do óbvio: somos moralmente superiores a essa gente torpe! E por uma razão bem simples: aqui, no ocidente, a regra geral é proteger e amar as crianças, garantindo-lhes a vida, o mais basilar de todos os direitos individuais. Por mais mazelas sociais que ainda enfrentemos, por mais injustiças que sejam cometidas diariamente contra nossas crianças, violadas e escravizadas, ninguém pode nos acusar de não alimentar os princípios e os valores certos e humanamente melhores. Pode parecer pouco, mas é o fundamental, afinal, os homens – que subvertem a ordem e a legalidade – passam, ao passo que os valores permanecem, simbolizando um inteiro povo.

Não há maneira de tergiversar. Aqui, o nosso norte moral nos impõe o dever de proteger nosso futuro, representado por aqueles que darão sequência à obra por nós iniciada. Não há nenhuma causa ou objetivo capaz de nos levar a sacrificar nossas próprias crianças. Já no Oriente, refém do fascismo islâmico, a causa principal que os move é a destruição da besta ocidental e, para tanto, se pode lançar mão de qualquer recurso, por mais espúrio que seja. Já não era segredo que o terrorismo encontra muita desenvoltura para assassinar inocentes – inclusive crianças – do “lado de cá”, afinal, eles não fazem distinção: somos todos infiéis. A novidade agora é perceber que eles também não hesitam em sacrificar seus próprios inocentes. Suas crianças. Seus filhos. Essa gente representa o mal absoluto e precisa, sim, ser detida. É imperativo que o Ocidente imponha, de fato, a supremacia dos seus valores, para escorraçar os bárbaros que tentam buscar a hegemonia no mundo.

Está evidente que me refiro à necessidade de se combater e vencer a chamada guerra contra o terror. Impedir que a escória do mundo continue sacrificando crianças inocentes em nome de uma “guerra santa” é um verdadeiro imperativo moral para nossa civilização. E para quem ainda não acredita em superioridade de uma cultura sobre outra, proponho um exercício revelador: Lembram de George Bush, o ex-Satã de todo o mundo progressista, humanista e pacifista? Pois bem, o Republicano, tão reacionário, tão conservador e tão belicista, não arregimentou uma única criança para mandar ao Afeganistão e ao Iraque, lutar pelos Estados Unidos e pelo Ocidente. Isso porque aqui nós escolhemos proteger nossas crianças, não assassiná-las. Se algo assim não for suficiente para demonstrar o quanto a nossa escala de valores é superior às demais, espero que alguém me diga o que seria.

Custa-me, por exemplo, entender a abjeta condescendência que alguns ocidentais insistem em nutrir para com os seus algozes, os islamofascistas. Basta lembrar que, quando da ação americana no Afeganistão, os pacifistas de um lado só se apressaram em condenar Bush, denunciando sua – como era mesmo? – “política imperialista” e advogando em favor da tal “autodeterminação” dos povos, que garantiria a qualquer grupo o direito de ter seus próprios imperativos éticos e morais. O ponto é que, nestes tempos sombrios de inversão dos valores mais basilares da civilização, essa tal “autodeterminação” deve ser entendida como o direito que cada povo tem de amarrar bombas às suas crianças, usando-as como armas de guerra. Isso, caros, não pode – e não deve – ser aceito por nós, ocidentais.

Cruzar os braços diante de horrores como os perpetrados pelos Taliban é permitir que os portais do inferno sejam escancarados e que os demônios ditem as regras destinadas a reger nossas vidas. Assistir de forma passiva às atrocidades que o fascismo islâmico pratica, em nome de sua cultura e de sua moral, é concordar com o fato de que a nossa moral já capitulou e nada mais pode. Isso é falso! Urge resistir e prosseguir no único caminho possível quando o assunto é o combate ao terrorismo: caçar o inimigo, encontrar o inimigo e matar o inimigo. Devemos destruí-los não apenas para garantir o futuro de nossas crianças, mas para permitir que as deles também possam viver para, ao menos, sonhar com um. Hoje, sabemos, elas têm a vida ceifada pelos fascínoras que lhes impõem a obrigação de carregar bombas presas ao corpo.

Lembro-me de Sir Winston Churchill, um dos grandes baluartes da defesa do mundo ocidental. Criticado pelo imperialismo das potências europeias, o britânico dizia: “não há mal que o Império Britânico supostamente tenha feito aos colonos, que não possa ser, em muito, superado pelo mal que os próprios colonos praticam uns contra os outros.” E isso vem resumir com especial grandiloquência o argumento central articulado ao longo deste texto. Ou temos a hegemonia dos nossos valores éticos e morais, ou só restará a barbárie.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: Mais um passo estratégico em relação ao Irã

07/07/2009

Por Raphael Machado Silva*

Este colunista falou duas semanas atrás, sobre a posição que ocupam essas agitações no Irã dentro da estratégia geopolítica dos EUA em relação ao mesmo. Apenas recapitulando, considerando que há atualmente um “overstretching” das Forças Armadas americanas, as quais estão envolvidas em várias operações militares, de ocupação, de apoio e de logística ao redor do mundo, não é viável que as mesmas se envolvam diretamente em qualquer outro conflito nesse momento.

Mas isso não significa que o objetivo americano de subjugar o Irã não possua outras possibilidades de realização. Por isso, segundo o já usado modelo de financiar “revoluções coloridas” como executado na Ucrânia e na Geórgia, no cerco estabelecido contra a Rússia, a CIA está financiando uma tentativa de golpe contra o governo legítimo do Irã. Para justificar “moralmente” esse golpe, a mídia “ocidental” (que é anti-ocidental) usa a desculpa esfarrapada de que houve “fraudes” nas eleições, o que até agora não foi provado.

Pois bem. Mas e se essa estratégia falhar? Pois isso, senhores, pode muito bem acontecer. O atual governo pode suprimir os golpistas, o dinheiro da CIA pode parar de fluir, o interesse dos jovens mudar conforme mudam as estações do ano, e o “ardor revolucionário”, artificialmente insuflado, pode arrefecer. Então acontece o quê? Certamente que isso não põe fim às estratégias americanas. Apenas significa a necessidade do uso de uma estratégia menos sutil e mais dura.

No início dessa semana, o vice-presidente da Terra da Liberdade, do Bem, da Justiça e da Felicidade, vulgo EUA, Joe Biden, anunciou que Israel possuía “Carta Branca” para atacar Irã caso isso fosse necessário. Ora pois, Biden é um comediante, parece. Não é Israel quem precisa de permissão para atacar seus vizinhos de modo selvagem e neurótico. Israel nunca precisou de permissão para fazer o que bem entendesse, nem nunca precisou pedir desculpas e muito menos obedecer às normas do Direito Internacional. Todos já estamos cansados de saber que Israel está isento dessas “amarras”. Elas são apenas para os “pobres mortais” dos outros países.

Biden provavelmente falou coisas que não eram para ser ditas em público, e elas não fazem muito sentido sob um ponto de vista realista, levando em consideração o relacionamento entre EUA e Israel. Se levarmos em consideração os fatos, Biden sem querer indicou que os EUA já consideram os próximos passos contra o Irã, porque já consideram as operações recentes no Irã como havendo falhado. Mas…e as negociações de Obama? Obama disse que continuaria negociando com o Irã até o fim deste ano. Obama, o Grande Pai dos Povos, Senhor da Paz e da Sabedoria, Sumo-Sacerdote do Politicamente Correto e das “Vítimas”; ele está apenas a ganhar tempo, porque sabe que os EUA não podem se envolver em uma guerra. Se não, os EUA jamais se dariam ao trabalho de se envolverem nesses “joguinhos diplomáticos”.

Os EUA ainda precisam de um “Casus Belli”, ou seja, de uma justificativa de ataque. Historicamente, os EUA sempre forjaram ou provocaram esses “Casus Belli”, então é de se esperar que ocorra a mesma coisa nessa situação. Talvez, a grande frota de navios americanos ancorados no Golfo Persa possua qualquer relação com isso? E não é fato que Israel necessita de acesso livre ao espaço aéreo iraquiano, controlado pelos EUA, para atacar o Irã? Obama ganha tempo até que se esgotem as possibilidades de subjugação não-militar do Irã, ao mesmo tempo se aguarda o surgimento de um “Casus Belli”, assim que se estiver garantido que não há estratégia possível além de uma intervenção militar.

Enquanto isso o país mais beligerante e perigoso do Oriente Médio, Israel, permanece livre para aterrorizar seus vizinhos, usando até mesmo armamento proibido em conflitos, sem que haja qualquer palavra de desaprovação por qualquer governo ou mídia Ocidental. Como sempre, os mesmos tolos de sempre, cairão nas mesmas mentiras de sempre, sobre a “retidão moral” e a “luta pela liberdade e democracia”. Mas invadir o Irã é muito diferente de invadir Iraque e Afeganistão. Será que Israel e EUA conseguem enxergar isso?

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.

Coluna do dia: A burca e a luta pela liberdade

26/06/2009

Por Yashá Gallazzi*

Para aqueles que acusam este escriba de ser um conservador, reacionário e direitista, este texto poderá soar um tanto surpreendente, afinal, vou criticar o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e sua decisão estúpida e autoritária de proibir o uso da burca islâmica em solo francês.

Sarkozy está errado. E a razão é bastante simples: o uso – ou não – da burca diz respeito apenas às mulheres islâmicas. Trata-se, assim, de uma questão de foro íntimo, que gera efeitos apenas para a pessoa, o indivíduo, deixando a salvo a coletividade, que não pode se dizer ofendida se uma mulher seguidora do Islã decide cobrir o corpo com aquele traje. Ao optar pelo dirigismo estatal mais arrivista e rasteiro, o Presidente francês escolhe uma seara perigosa, que não traz nada de auspicioso para a rica tradição democrática do ocidente, que se construiu com base no respeito às liberdades individuais.

Eu, como um ocidental católico, concordo com a análise de Sarkozy, segundo quem a burca mais parece um símbolo de opressão e de submissão, tendo muito pouco de religioso. Mas ainda assim pergunto: e o Estado com isso? Ora, se uma mulher quer se mostrar submissa, é uma questão dela. Se quer se deixar oprimir, não temos nada com isso. E se usa a burca por razões religiosas que nós, ocidentais, não compreendemos, também não nos cumpre julgar. Cumpre-nos, isso sim, aceitar e conviver com essas diferenças, que em nada atacam nossa tradição de liberdade e tolerância.

Dito isso, há que se deixar claro algo muito importante: entender – e aceitar – o uso da burca pelas mulheres islâmicas não é fazer tabula rasa de nossas convicções e de nossa cultura. É, em verdade, exaltá-la e enaltecê-la, mostrando ao mundo que, de fato, nossa civilização e nossa cultura são, sim, moralmente superiores às demais. E isso é muito diferente de aceitar alguns outros aspectos da cultura islâmica, que não devem e não podem ser abraçados por nós. Assim, aceitar que coisas abjetas como os estupros coletivos e a mutilação genital possam ser classificadas como “traços típicos de um povo” é ultrajante! Práticas como as mencionadas são a manifestação da barbárie e do terror, da tentativa desesperada de subjugar o ser humano.

Aceitar certas imposições e certas barbaridades promovidas por aquilo que não mais é o legado de Maomé, mas o verdadeiro fascismo islâmico, seria igualar a grandiosa civilização ocidental aos bárbaros que a pretendem destruir. Por isso banir o direito de usar a burca é algo estúpido, pois caracteriza uma intromissão violenta e injustificável no direito de escolha dos indivíduos. A burca deve ser permitida não em respeito à cultura islâmica, mas em homenagem à nossa, que sempre foi tolerante e sensata. Aquilo que diz respeito apenas ao indivíduo deve ser protegido pelo Estado, como forma de garantir a liberdade basilar que caracteriza nossa cultura e nossa democracia.

Guerrear contra uma veste de pano neste momento, em que o Irã se arma com a bomba e financia cada vez mais a canalha do Hamas e do Hezbollah, parece a escolha mais ligeira e mais inútil. O Estado – e aqui não me refiro apenas ao francês – deve enfrentar aquilo que realmente nos ameaça e ameaça a todas as pessoas livres do mundo. É aquilo que nos oprime – e oprime aos demais – que deve ser combatido e enfrentado, não aquilo que fazemos em nome de nossas escolhas individuais. Isso nos exalta e edifica.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: Obama, o marido traído

05/06/2009

Por Yashá Gallazzi*

A notícia que “contaminou” as manchetes do mundo hoje diz respeito à visita do Presidente-de-ébano, Barack Obama, a alguns países do Oriente Médio. O grande destaque, como sempre, não diz respeito às ações concretas do Messias negro – mesmo porque praticamente inexistentes –, mas, em vez disso, cuida de destacar a retórica sempre sedutora e salvacionista do homem, que pediu um “recomeço entre os EUA e o mundo islâmico”.

Obama, tal como o marido traído, ensaia uma postura de durão publicamente, ameaçando não tolerar qualquer deslize da fogueteira amada, já culpada de ter causado muita dor e mal no passado. Contudo, ao que parece, o amor que ele sente ainda persiste. E é muito forte! Tanto que o empurra a pedir um tal de “recomeço”, mesmo não tendo sido ele a dar causa ao suposto rompimento passado – afinal todo recomeço pressupõe um fim anterior…

Seguindo o protocolo que o fez famoso mundialmente, Obama tratou de dizer – queixo erguido em triunfo e olhar perdido no horizonte glorioso – que “América e Islã não são excludentes”, e “que dividem princípios comuns”. O que há de novo em tais frases? Rigorosamente nada! Mas admitamos: soam muito bonitas quando quem as diz é o Cristo havaiano, aquele ungido pela opinião pública mundial para nos conduzir até a paz perpétua kantiana. O curioso é que as tiradas de Obama sobre o Islã me soam muito familiares… Quem já disse isso antes? Ah, claro! Foi George W. Bush, o demônio aposentado. Sim, apertem a memória e será possível lembrar que, ao deflagrar a tal guerra contra o terror, o ex-Presidente afirmou exatamente as mesmas coisas, inclusive conclamando os povos do Islã a cooperar com as forças americanas, pois destruir os terroristas deveria ser um objetivo comum de todos os povos. Só que Bush, convenhamos, era antipático… E Republicano… E conservador, de direita e reacionário… Assim, é muito mais simples odiar o hasmodeu de pijamas e morrer de amores por Obama, não é?

As notícias de hoje também dão conta de que o Messias vivo falou que a América não quer manter suas tropas no Afeganistão e que a guerra no Iraque não precisa ser vencida. Eu não gosto de Obama. Eu acho que Obama, no mais das vezes, está sempre errado. Por isso, se ele quer tirar as tropas do Afeganistão, eu acho que o certo é mantê-las ali. E, quem sabe, reforçá-las ainda mais. Se ele quer perder no Iraque, eu acho que a guerra deve ser vencida, pois uma ilha de democracia incrustada no meio do Oriente Médio só pode fazer bem ao mundo. Se ele quer “recomeçar” com o Islã, eu só posso querer que a ruptura seja definitiva e irrevogável! Espero que o ocidente democrático e o Islã nunca mais voltem! Espero que nunca mais troquem uma mísera palavra! Espero que nunca mais nem se olhem na cara!

Mas, alto lá! De que Islã se está falando? Eu gostaria de saber de Obama, quando foi que os EUA – e o ocidente – romperam relações com o Islã. Ora, isso nunca aconteceu! E desafio qualquer um a demonstrar, com fatos, o contrário. Na verdade, a ruptura se deu entre duas visões morais e ideológicas de mundo incompatíveis entre si. A América – e o ocidente democrático – romperam com o fascismo islâmico, que alimenta o terrorismo de organizações pútridas como a Al Qaeda, o Hezbollah e o Hamas; rompeu com tiranias sanguinárias como as comandadas por Saddam, Ahmadinejad e o Taleban. Com o Islã – a religião – do profeta Maomé? Ora, não temos absolutamente nada contra isso! Nem nunca tivemos. O Islã é, de fato, uma religião de paz, que pode perfeitamente existir ao lado da tradição judaico-cristã sobre a qual se erigiu a civilização ocidental. E ninguém nunca disse o contrário. Nem Nixon, nem Reagan, nem muito menos Bush. Acreditar que as ações antiterroristas do ocidente são dirigidas contra o Islã – a religião – é acreditar na guerrilha midiática de propaganda fomentada pelo próprio terrorismo de molde fascista, praticado por uma gentalha que não merece carregar o Corão nas mãos!

E aqui reside o grande ridículo da fala de Obama no Egito: quem declarou que o ocidente está em guerra contra o Islã foram os terroristas financiados pelo fascismo islâmico. Foi gente como Osama Bin Laden que rompeu com o mundo democrático, razão por que não vejo justificativa para que o mundo democrático rasteje implorando por um “recomeço”. Que “recomeço” uma ova! Deve-se, isso sim, insistir na única via possível que existe quando o assunto é o terrorismo: caçar o inimigo, encontrar o inimigo e matar o inimigo. É apenas isso que pode garantir a sobrevivência da América, do ocidente e, também, de todo os mundo islâmico que quer a paz. Ou queremos crer que todo muçulmano se sente ultrajado quando um terroristas é abatido? Santo Deus! Uma coisa é o Islã, outra, bem diferente, é o fascismo de alguns, que se vale de uma interpretação rasteira do livro sagrado para matar inocentes.

Ao se confundir as duas coisas, falando em pacificar algo que nunca esteve em guerra, Obama apenas compra a tese estúpida criada por aqueles que pretendem transformar terroristas em mártires de uma causa sagrada. Presta, assim, um desserviço à causa democrática, a única que deveria nortear sua ação de governo à frente da nação que é a maior fiadora de todas as democracias do ocidente. A nossa civilização nunca rompeu com o Islã. Nem este rompeu conosco. Não há porque se falar em reconciliação e recomeço, portanto. Rompeu-se, isso sim, com o terrorismo de modelo fascista que foi inventado a partir de uma leitura deturpada do Corão. E com este não queremos nenhuma reaproximação. Queremos combatê-lo. E vencê-lo.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: Brasil envergonhado diante do mundo – Itamaraty toma partido do terror do fascismo islâmico

15/05/2009

Por Yashá Gallazzi*

Farouk Hosni. Esse é o homem que o governo brasileiro, capitaneado pelo sempre valente Celso Amorim, decidiu apoiar para a direção da UNESCO. E por que isso é importante? Porque o Itamaraty, na atual gestão que o petismo imprimiu, estará, via de regra, sempre errado. Eles querem Hosni na UNESCO, o que significa que toda pessoa democrática deve rejeitar tal indicação.

O candidato do Brasil é egípcio e foi, no passado, Ministro da cultura no seu país. Hosni tornou-se mundialmente conhecido por defender abertamente a queima de livros escritos por judeus. Segundo ele, não haveria um só livro judeu no Egito. E acreditem: Ele fala isso com uma entonação que pretende afetar o orgulho. Ainda assim, fez questão de deixar claro que, se encontrasse um só livro judeu nas bibliotecas egípcias, ele o queimaria em praça pública. Hosni não gosta dos judeus e defende, é claro, aquilo que certa gentalha chama de “resistência palestina”. Sim, a mesma coisa que o mundo civilizado chama de terrorismo. Está tudo explicado, não? O Itamaraty, este filoterrorista incorrigível, encontrou em Hosni seu candidato ideal. Aposto que ele desperta em Celso Amorim os instintos mais primitivos…

A coisa toda, creiam, é bem mais grave do que pode parecer à primeira vista. Para que tenham uma ideia, há um brasileiro disputando a direção da UNESCO. Chama-se Márcio Barbosa, que pretende unir em torno do seu nome todas as nações que forem contrárias ao pensamento antissemita e terrorista de Farouk Hosni. Só que o Brasil – vejam que maravilha! – não viu razão para apoiar Barbosa. Claro! Afinal o que o governo petista poderia ver de bom em alguém que defende o cumprimento das leis democráticas? Como imaginar que Celso Amorim, esse gigante da inversão dos valores morais, poderia ficar ao lado de alguém que defende o direito de Israel existir? Judeus? Que se danem! O humanismo de um lado só, característico dos novos “pogreçistas” quer mais é que eles sejam varridos do mapa, para ficar com os termos empregados por Mahmoud Ahmadinejad, o guru intelectual da trupe.

Vejam, portanto, a que ponto o petismo nos levou: temos um governo que apóia abertamente um partidário do fascismo islâmico, em detrimento de um nome brasileiro. Interesse nacional? Isso é para os fracos, não é? O Brasil, sabemos, está acima de coisas assim tão pequenas. O importante mesmo é fazer a escolha tática correta e difundir o apoio formal ao terrorismo mais abjeto que o mundo conhece, aquele que se esconde atrás de mulheres e crianças.

Mas não é só o Brasil que envergonha os civilizados. Me pergunto: Que tipo de entidade permite que alguém como Farouk Hosni concorra a o que quer que seja? Sim, sou um tanto reacionário e defendo que os inimigos da liberdade não tenham a chance de aplicar seus ideais sujos e arrivistas, pois culminariam com o fim da… liberdade! E, não. Isso não vai de encontro à democracia. Pelo contrário: Vai ao encontro dela. A democracia, porque extremamente preciosa, deve ser protegida daqueles que pretendem solapá-la. As prerrogativas próprias do nosso sistema de liberdades individuais, não podem servir de esteio para que os nossos inimigos consigam nos atingir. Afinal, isso é a própria essência da democracia: Aceitar a divergência, as diferenças e as contraposições, exceto as que atentem contra seus fundamentos basilares e intrínsecos.

Hosni não é a pluralidade de nenhum pensamento que mereça ser escutado. É, isso sim, o caminho por meio do qual o fascismo islâmico pretende ganhar ainda mais voz no mundo, atacando as democracias ocidentais e sua democracia – que as torna, sim, moralmente superior às demais culturas. O egípcio é, antes, a escória do mundo. A síntese do que há de pior no campo do pensamento político atual. É o tipo de gente capaz de defender a morte de crianças, desde que seja pela “causa”. E o Itamaraty, que nunca desceu tão baixo como neste governo petista, não lhe fica devendo nada. Ao apoiar abertamente o fascismo e o terror, o Brasil ingressa, oficialmente, no eixo do mal. E é necessário combatê-lo, pois quem promove o mal se torna inimigo da democracia e das liberdades individuais, colocando em risco não apenas o próprio país, mas o mundo como um todo.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento