Postagens com a palavra-chave ‘Imposto de Renda’

Lula recebeu restituição no primeiro lote, Dilma e Mantega caíram na malha fina

14/10/2009

O governo, como já foi informado por este blog, decidiu reter o novo lote de restituições do Imposto de Renda das pessoas físicas. Foi informado por ele que o atraso se daria para compensar perdas de arrecadação estatal advindas dos efeitos da crise econômica internacional.

Pois bem. Ficou comprovado que houve, realmente, uma significativa queda na arrecadação, fortalecendo o discurso daqueles que pedem mais critério nos gastos públicos, para que as despesas mais supérfluas sejam extintas e a torneira de verbas públicas tenha um jorrar mais lento.

Mais tarde, a informação de que Lula, ao contrário dos brasileiros que teriam de aguardar mais pelas suas restituições – muitos deles tendo contraído empréstimos bancários contando com estes créditos possuídos junto ao governo -, recebeu sua restituição no primeiro lote, causou polêmica.

O governo, atento em proteger sua imagem, divulgou a informação de que Dilma Rousseff e Guido Mantega foram pegos pela malha fina. Tentava demonstrar que também corta na própria carne.

Essa atitude não é muito inteligente. Por mais que seja bom, do ponto de vista da transparência, que saibamos que os ministros tiveram suas declarações retidas, a divulgação ampla dessas informações para contrabalançar a preferência que foi dada ao Presidente Lula constitui erro político.

Ora, se os ministros caíram na malha fina, das duas uma: Ou agiram de má fé em suas declarações, ou não tiveram competência para preenchê-las corretamente. Embora a segunda opção seja bem menos grave, nenhuma delas é de fazer aumentar a admiração pelos ministros.

Quanto a contrabalançar o fato de Lula ter recebido sua restituição rapidamente, pode ter funcionado, mas não muito. A notícia sobre o Presidente teve o seu destaque.

Portanto, não foi uma grande ideia.

Por fim, vale ressaltar que, por conta do desgaste que a retenção das restituições causou, o governo prometeu corrigir os valores pela taxa selic antes de devolvê-los.

Acontece que, se é assim, não há lógica alguma em reter os valores. Se é para o governo pagar juros, que devolvesse o dinheiro dos contribuintes e contraísse um empréstimo, já que pagaria as mesmas taxas.

No fim das contas, a única coisa concreta que a retenção traz é o endividamento dos brasileiros que, contando com a restituição que não virá, pagarão juros astronômicos com relação aos débitos que pretendiam saldar com o dinheiro que viria da Receita Federal.

O governo, pagando a taxa selic aos contribuintes, não economizará nada se compararmos este cenário com um em que o Estado brasileiro pegasse dinheiro emprestado.

A retenção das restituições tornou-se um ato sem benefícios para o governo e que prejudica o cidadão.

Aquele que decidiu segurar o dinheiro dos brasileiros e colocar o governo para pagar a taxa selic sobre estes valores pode colocar seu nome no dicionário como sinônimo de boçal.

Lula desiste de projeto de taxar poupança

10/10/2009

Lula desistiu de tributar a caderneta de poupança. Foi engavetado o projeto que previa que estes investimentos poderiam ser taxados pelo imposto de renda.

O Presidente temeu o desgaste político que a medida poderia trazer, além de entender que os esforços do governo no Congresso devem focar a regulação do pré-sal, ao invés de uma batalha pela tributação das poupanças.

É interessante observar que, atualmente, há uma tendência que pode fazer com que os juros sejam elevados, o que reduz a atratividade da caderneta de poupança, aumentando assim a dos fundos de investimento e minimizando assim o problema da falta de procura destes, que prejudicava o governo.

Além de ser importante ressaltar que o Perspectiva sempre se colocou de forma totalmente contrária à tributação da poupança, sendo portanto esta desistênia governamental um motivo de comemoração, é relevante citar que o próprio fato de a atratividade das poupanças ter se reduzido comprova que a taxação seria uma medida errônea.

Afinal, se o problema é contornado naturalmente de quando em vez, sem necessidade de arrochar ainda mais o cidadão brasileiro, fica comprovado que a tributação da poupança configuraria casuísmo estúpido e desnecessário.

Em tempo: Este blog já sugeriu e o governo já cogita diminuir a taxação dos fundos de investimento, ao invés de taxar as poupanças. Seria medida bem mais sábia.

Sem caixa, governo segura restituições do IR

08/10/2009

Informa a Folha:

“O governo federal começou a atrasar o pagamento das restituições do Imposto de Renda das pessoas físicas, em sua grande maioria trabalhadores da classe média, para compensar parte da queda de arrecadação de tributos neste ano. A ordem foi dada à Receita Federal pelo Ministério da Fazenda.

De aproximadamente R$ 15 bilhões que seriam inicialmente devolvidos até dezembro, cerca de R$ 3 bilhões só deverão ser liberados no primeiro trimestre do ano que vem.

Segundo a Folha apurou, a decisão foi informada à cúpula do fisco, no final de maio, pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, depois de um pedido do secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.”

Esta postagem e o texto reproduzido acima ficam dedicados a aqueles poucos que, visitando o Perspectiva Política, tomam como correto o entendimento completamente errôneo de que o blog defende a redução dos gastos governamentais por ser contrário ao governo em todos os casos.

Não é uma questão de ser petista, tucano ou marciano, meus caros. É pura matemática e simples lógica.

A arrecadação caiu, os gastos têm que ser controlados.

É claro que investimentos públicos em certos setores estratégicos podem fomentar um desenvolvimento que, a médio prazo, gerará riquezas, tornando o custo-benefício positivo.

Acontece que é preciso haver critério na escolha dos setores. E este está um tanto quanto em falta.

E por aquele defensor dos gastos públicos que não são apenas grandes, e sim exagerados, afirmar que o governo deve investir sem controle, eu, você e até ele mesmo, não receberemos a restituição do Imposto de Renda.

Perspectiva sugeriu: Regras de fundos de investimento devem mudar

07/10/2009

Questionou, recentemente, por ocasião da possibilidade de o governo vir a trabalhar para aprovar uma errônea tributação da poupança, este blog:

Se a caderneta de poupança passará a ser taxada porque os juros baixaram e tornaram outros investimentos menos atrativos, o que acontecerá se os juros subirem? Cancelará o governo a taxação? Quero só ver.

Se o problema diz respeito à atratividade dos fundos, porque não abaixar o imposto de renda destes, ao invés de criar o da poupança?

Se a taxa Selic recuar mais e a poupança mais uma vez se tornar mais atrativa que os fundos o que será feito? A poupança será mais taxada ainda?

Essas perguntas mostram que o tema tem que ser muito discutido e que talvez taxar a poupança não seja nem a melhor solução econômica e nem o melhor para a população.

Em outro momento, comentou também este blogueiro que vos fala:

Se os fundos de investimento parecem, por conta dos juros baixos, menos atrativos aos poupadores, sendo necessário para o governo incentivar a compra deles de alguma forma, sob pena de ver-se, ele próprio, perdendo recursos, que se diminua a taxação dos fundos, e não, que se passe a taxar a poupança.

Pois bem. Confiram o que noticia o Estadão, confirmando a possibilidade de ser vista como melhor opção justamente a sugerida por este blogueiro:

“O governo estuda mudanças nas regras de tributação dos fundos de investimento para tornar a aplicação mais atraente. A ideia é que o Imposto de Renda (IR) sobre o rendimento da aplicação seja recolhido apenas uma vez por ano. Hoje, o IR é pago a cada semestre, no sistema popularmente conhecido como come-cotas.

Pela sistemática atual, os fundos de investimentos são tributados em dois momentos: quando há o resgate da aplicação e a cada seis meses sobre os valores que permanecem aplicados. O tributo incide no último dia útil dos meses de maio e de novembro.

Com a mudança, a incidência do come-cotas se daria apenas uma vez por ano. O secretário adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira, disse à Agência Estado que a alteração está em estudo pelo Grupo de Trabalho de Mercado de Capitais, que prepara uma agenda de medidas de ajuste operacional para aperfeiçoar o sistema.”

O Perspectiva Política não só critica. Também propõe.

Poupança pode pagar imposto de renda a partir de 2010

16/09/2009

Informa o Globo:

“O poupador vai pagar alíquota de 22,5% de Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos da caderneta que ultrapassarem R$ 50 mil a partir do ano que vem.

Com a medida, o governo deverá arrecadar entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão, segundo uma fonte da equipe econômica.

As medidas, que fazem parte do pacote preparado pelo Ministério da Fazenda e que ainda têm de passar pelo crivo do Congresso, valem para todas as cadernetas já existentes e as que serão abertas no futuro.

Os detalhes do projeto foram divulgados ontem e mostram que houve mudanças importantes em relação às medidas anunciadas em maio.

Entre elas, a de que o IR será descontado na fonte, ou seja, diretamente de cada poupança. Antes, o governo havia proposto que o imposto seria pago com a declaração anual de IR e as alíquotas iriam variar de 15% a 27,5%.

Também saiu de cena o redutor de zero a 100% da base de cálculo que iria variar de acordo com a taxa básica de juros, a Selic, hoje de 8,75% ao ano.

O fim do redutor e o desconto único de 22,5% aumentaram significativamente a vantagem dos fundos de renda fixa e DI sobre a poupança. Isso porque a alíquota de 22,5% é o teto do IR destes fundos, percentual que só incide sobre aplicações que durem até seis meses.”

Olhem, meus caros, posso estar enganado, porém, este caso da taxação da poupança me parece um que envolve uma medida um tanto injusta do governo.

É correta a observação de que os fundos de renda fixa estavam perdendo sua atratividade por conta da queda dos juros. Porém, será que é correto taxar o cidadão de classe média para que os fundos voltem a ser investimentos procurados?

A poupança, coitada, sempre rendeu pouco. Ela é, desde que me entendo por gente, o destino das economias suadas da população, que nunca viu seu dinheiro render como os mais abastados veem.

Alguns dirão: Mas as cadernetas com menos de 50 mil reais não serão taxadas.

Sim, meus caros, é verdade. Mas como fica a classe média? O que faz aquela gente também guerreira que se vê sempre às voltas com as prestações do financiamento do carro, as faturas dos cartões de crédito, o plano de saúde e o colégio particular dos filhos?

Eu aposto que muitas pessoas têm mais de 50 mil reais na poupança. Economizam anos para comprar a casa própria em um bairro calmo e razoavelmente seguro. As estatísticas dizem que apenas 1% das cadernetas tem mais de 50 mil reais depositados. Mas esse 1% não representa pouca gente.

Não me entendam mal. Talvez seja uma medida correta do ponto de vista econômico, mas não me parece justo que a classe média, sempre sufocada, tenha que perder rentabilidade em seus investimentos para que os fundos de renda fixa sejam mais atrativos.

Alguns dizem que o governo precisa tornar os seus títulos mais atrativos para os investidores e que, por isso, diminui na canetada o charme da poupança que, em época de juros mais baixos, surge.

No fim das contas, deixo três perguntas:

Se a caderneta de poupança passará a ser taxada porque os juros baixaram e tornaram outros investimentos menos atrativos, o que acontecerá se os juros subirem? Cancelará o governo a taxação? Quero só ver.

Se o problema diz respeito à atratividade dos fundos, porque não abaixar o imposto de renda destes, ao invés de criar o da poupança?

Se a taxa Selic recuar mais e a poupança mais uma vez se tornar mais atrativa que os fundos o que será feito? A poupança será mais taxada ainda?

Essas perguntas mostram que o tema tem que ser muito discutido e que talvez taxar a poupança não seja nem a melhor solução econômica e nem o melhor para a população.

Me parece que o governo está defendendo a si mesmo e tornando o cidadão obrigado a pagar impostos se quiser poupar. Quem quiser a segurança da poupança e tiver mais de 50 mil reais para investir não poderá usufruir da isenção de impostos em nenhuma hipótese.

O tema é polêmico e eu admito que ainda não tenho opinião totalmente formada, mas não sou simpático à ideia de se taxar a poupança. Provavelmente há uma solução mais apropriada e menos casuística.

A medida ainda tem que passar no Congresso. Quem sabe lá haja a discussão necessária.

Coluna do dia: XII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios – Fortalecendo o movimento municipalista brasileiro

15/07/2009

Por Renato Alves*

Teve início ontem (14/07), a XII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios. A Marcha, como é conhecida, tem o objetivo de fortalecer o movimento municipalista brasileiro. Os organizadores esperam reunir nos três dias de evento milhares de prefeitos, vereadores, secretários municipais, senadores, governadores, deputados estaduais e federais e ministros e contam com a presença do presidente Lula.

De acordo com a Confederação Nacional de Municípios (CNM), que é a organizadora do evento, a Marcha é o maior espaço de debates do Brasil para tratar das reivindicações das administrações municipais. Ou seja, é um espaço aberto para a discussão de questões que influenciam diretamente o dia-a-dia dos Municípios e dos cidadãos dos quatro cantos do País.

Na I Marcha, realizada em 1998, organizados para reivindicar e apresentar sua pauta ao governo federal e ao Congresso Nacional, mais de mil prefeitos compareceram ao evento. Foi um marco na história do municipalismo, porque foi a primeira vez em que os Municípios foram oficialmente à capital federal dizer que não estavam satisfeitos e reivindicar melhorias para sua população.

No entanto, os prefeitos presentes não conseguiram entregar à Presidência da República a pauta de reivindicações da época. Os participantes foram recebidos pela tropa de choque da Polícia Militar no Palácio do Planalto. Entre os principais pedidos estavam a renegociação de dívidas municipais junto à União, a elevação do percentual do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), a municipalização dos recursos do IPVA e a regulamentação e o aumento do prazo para pagamento dos precatórios.

Atualmente, o cenário é outro, a Marcha alcançou reconhecimento e conquistas. Uma das principais conquistas dos últimos anos foi a consolidação do aumento de 1% na transferência do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Para este ano, mais reivindicações estão em pauta, todas em prol do desenvolvimento dos municípios. Entre elas, destaque para temas como Saúde, Educação e Finanças. A Marcha também terá como foco a análise do Pacto Federativo a partir dos efeitos provocados pela crise econômica.

Na Saúde, os prefeitos reivindicam a regulamentação da Emenda Constitucional Nº 29 – que determina percentuais mínimos de investimentos na saúde por parte da União, Estados e Municípios. Na Educação, os chefes do executivo destacam a necessidade de revisão dos cálculos aplicados no custo/aluno do transporte escolar público, dos repasses do Fundeb e demonstram preocupação com o piso salarial dos professores. Na Fazenda, continua a luta pela negociação das dívidas municipais com o INSS.

Uma coisa é certa: Sempre que os prefeitos se reúnem em Brasília eles conseguem avançar em alguma questão. Portanto, podemos dizer que o movimento municipalista avança a partir da união dos prefeitos.

Neste ano, os prefeitos já fizeram pelo menos três mobilizações em Brasília, protestando contra as quedas do FPM. Conseguiram que o presidente Lula assinasse medida provisória transferindo recursos para as prefeituras, para compensar as perdas do Fundo.

Enfim, o encontro é considerado um espaço privilegiado para compartilhar informações e conhecimentos sobre a realidade brasileira e os aspectos mais importantes da gestão municipal. Com mobilização, pressão e união, os prefeitos, aos poucos, conseguem ser atendidos em suas reivindicações.

Até a próxima!

* Renato Alves é colunista do Perspectiva Política às quartas e editor do blog Política Mineira

Movimento pela Transparência quer bens dos políticos na internet

12/03/2009

O Movimento pela Transparência, denominação adotada pela frente suprapartidária anticorrupção fundada pelos deputados Fernando Gabeira (PV) e Gustavo Fruet (PSDB), além do Senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), entre outros, vem fazendo barulho.

A mais nova proposta do grupo é a de disponibilizar, na internet, para acesso de qualquer cidadão, a parte do imposto de renda dos políticos que corresponde à listagem de bens. Parece que ocorrerá a tentativa de incluir a proposta dentro de uma medida provisória que já tramita, a MP 449, relatada pelo deputado Tadeu Filippelli.

Por conta de fazer com que suas reivindicações sejam atentidas ou, pelo menos, levadas à votação, a frente conversou com o Presidente da Câmara, Deputado Michel Temer.

Tanto cobraram que conseguiram um compromisso de Temer. O Deputado paulista de comprometeu a desengavetar projetos como a emenda constitucional do voto aberto no plenário, já aprovada em primeiro turno, e o projeto que acaba com o foro privilegiado dos deputados e senadores, que faria com que eles fossem julgados por seus erros na justiça comum e, não mais, no STF, coibindo a impunidade.

Tomara que esse grupo, o MPT, não esmoreça. Por enquanto, estão lutando por importantes avanços em direção a uma democracia mais moral, mais ética e mais transparente. Torço para que não seja apenas discurso moralizante barato, típico de alguns hipócritas que, infelizmente, temos na política nacional.

O que Ciro Gomes quer de 2010

09/03/2009

Pouco a pouco, Ciro Gomes vai mudando o tom e as atitudes e mostrando que está de acordo com os conselhos que aqueles que desejam vê-lo como protagonista na corrida presidencial de 2010 lhe dão.

O ex-candidato a Presidente e ex-Governador do Ceará, atual Deputado Federal, começa a colocar as manguinhas de fora e aparecer mais, trabalhando, de certa forma, contra o plano de Lula de unir toda a base aliada em torno de Dilma.

De passagem por Natal, capital do Rio Grande do Norte, Ciro Gomes concedeu entrevista ao jornal Diário de Natal, o chamado “Poti”. Na entrevista, Ciro dá o tom do que parece ser seu plano de ação para os próximos meses, além de explicitar algumas de suas opiniões sobre o cenário para 2010.

O pré-candidato do PSB chega a comentar, inclusive, sobre a, para ele, inexistência de um “sistema governista” cuja existência poderia se supor observando a vontade de Lula de unir a base aliada em 2010. Fala ainda, nas entrelinhas, sobre José Serra, demonstrando que tem uma gana de concorrer para poder evitar que esse seu inimigo de longa data chegue ao Planalto.

A entrevista constitui importante fonte de informação sobre o que Ciro quer de 2010. Sendo assim, seguem abaixo os trechos mais relevantes da longa entrevista:

Qual o projeto do PSB e do senhor, pessoalmente, para 2010?

Eu disse aos companheiros – eles estão preocupados com essa precipitação do debate da sucessão do Lula, eu tenho uma vivência de 30 anos na política, e isso me dá um olhar mais sereno – time que não joga não ganha torcida. Eu acho que o partido devia disputar a presidência da República e todos os governos estaduais possíveis. Eu fiquei muito chateado com o que aconteceu aqui em Natal. Eu queria que o partido disputasse a prefeitura com candidatura própria.

Foi o senhor, inclusive, que lançou o deputado Rogério Marinho num encontro do PSB em Natal.

Claro. O Rogério Marinho é um cara qualificado, respeitado no partido, a gente com prefeitura de Natal, com governo do estado bem avaliado.

Essa semana, ele conseguiu autorização do TSE para deixar o PSB sem perder o mandato.

É lamentável. Mas, como eu ia dizendo, eu defendo que o partido tenha candidato em qualquer circunstância. Eu estou muito preocupado com o futuro do Brasil. Não é porque eu estou vendo uma tragédia no futuro. Basta que eu perceba a tragédia crônica que é o viver da média do povo brasileiro para ficar preocupado com o futuro do Brasil. Qual é a minha preocupação política mais grave hoje? Nós perdermos os inimigos caricatos. A ditadura, hoje não há um só político que não seja eleito pelo voto e há uma gravíssima, especialmente entre jovens, perda de confiança na política e na sua representação. Isso é muito grave. A inflação, antigamente nós tínhamos uma inflação de 84% ao mês. Então, tinha aquele debate todo que tinha que ser a emergência a ser combatida. Isso acabou. E não temos mais o inimigo, a ameaça da esquerda no poder. O Lula mata esse mito. E, às vezes, até mais realista que o rei. Ninguém pode mais duvidar de que a esquerda pode governar com muita responsabilidade e melhorar a vida do povo. Mas também não trouxe o paraíso para a terra. Existe uma frustração perigosa aí: acabou a inflação, mas e a vida do povo? A classe média, especialmente, onde a consciência crítica é maior, paga dobrado para viver no Brasil. Morre com o Imposto de Renda retido na fonte – não tem nem como escapulir – e paga plano de saúde porque a rede pública de saúde é uma vergonha, paga mensalidade escolar porque a rede pública de educação é uma vergonha, a despeito do esforço dos médicos e professores, a segurança pública não funciona e frequentemente as famílias têm custo com segurança privada. E você tem a questão do futuro. Seis de cada 100 garotos e garotas, apenas, têm acesso ao ensino superior público. Que é o único que ainda tem alguma qualidadezinha. O resto fica condenado a pagar uma faculdade privada que, via de regra, é uma arapuca. Vai virar um desempregado de nível superior. As pessoas estão se comportando meio como se não tivesse saída para isso. E eu sei que há.

O senhor está falando como candidato a presidente.

Eu já fui candidato a presidente duas vezes. Não fui a terceira para ajudar o Lula. Então, eu não posso estar mentindo para o povo e dizer que eu não quero ser. Evidente que quem já foi já revelou que quer ser. Agora, não é candidato de si mesmo. Eu quero ver o seguinte: qual a discussão que vai dar no bloco de esquerda que está incomodado com essa onda conservadorismo que, aliás, o PMDB e o PT estão impondo ao país. Se você vir o que eu estou vendo na Câmara Federal, você vai se arrepiar, você não vai acreditar o que o PMDB está patrocinando.

O senhor acha que o Congresso está regredindo?

Não, não está regredindo. Mas nenhum político brasileiro, do mais modesto vereador ao mais graduado presidente da República, hoje está aí sem ter sido eleito pelo povo. Tem alguma coisa errada nas instituições políticas, mas tem alguma coisa errada na desvalorização da política como linguagem. E, infelizmente, para o bem ou para o mal, é a política, e só ela, quem dita o destino da nação. Se você é displicente, descrente, se você aceita essa generalização reacionária que a grande imprensa do sul faz de dizer que política é uma coisa imunda, é sujeira, e o jovem especialmente se desencanta, chega o dia da eleição com toda a displicência, com todo o descuido, não reflete, e se livra da obrigação.

O senhor acha que o presidente Lula fez certo de se comprometer antecipadamente com a candidatura da ministra Dilma Roussef?

O presidente Lula é um político intuitivo brilhante. Eu conheço bem o presidente Lula, tenho por ele grande estima, e eu já vi como com muita audácia e brilho ele antecipa certas situações. Ele conhece melhor do que todo mundo o PT. Se ele não põe a mão num quadro petista que ele possa, sobre esse quadro, fazer um plano tático, inclusive para mudar de candidato ou manter o candidato, se ele não antecipa essa indicação informal, uma hora dessas vocês iriam ver a maior troca de dossiês e de canelada entre petistas. Porque aquilo lá às vezes é um ninho de rato. Uma hora dessas, Tarso Genro, Patrus Ananias, Jacques Wagner, Marta Suplicy, que seriam os pretensos candidatos, uma hora dessas estariam se tratando muito bem, aqui por cima da mesa e em baixo, canelada. E o governo ia pagar o pato disso. Não duvide que uma parte daquela esculhambação do mensalão foi guerra de petista.

Em relação a essa decisão antecipada do presidente somada à aliança mais estreita com o PMDB, o senhor enxerga que a tendência é que o sistema governista tenha múltiplas candidaturas à presidência da República?

Veja bem. Não existe sistema governista. Eu compreendo o que você está querendo dizer. Mas as forças que apóiam o governo Lula são tão heterogêneas, que eu vejo como absolutamente improvável que esta heterogeneidade que tem uma coesão nacional na sustentação do governo pelas razões mais variadas, desde afinidades históricas e ideológicas à fisiologia mais desbragada e a expectativa de meter a mão no cofre público. Então, não precisa estar junto, não deve estar junto, o povo aguardar atenciosamente que isso não esteja junto. Porque se não, não é o povo que escolhe, é meia dúzia de gente importante em Brasília.

Como fica o Brasil com a crise econômica?

Graças ao que nós fizemos no primeiro governo do Lula, pela primeira vez num século e meio, em função de uma crise internacional, o Brasil não vai sofrer graves consequências. O governo do Lula fez superávit nas transações do Brasil com o estrangeiro no primeiro mandato, usou esse superávit para fazer reservas cambiais. O déficit chegou e o Brasil quebraria. Mas nós estamos fechando esse buraco tirando um pouco da nossa caderneta de poupança. Então, vai depender um pouco da extensão dessa crise que, na minha opinião, sob o ponto de vista internacional, demora mais uns dois anos o epicentro dela. E nunca mais o sistema será o mesmo. O efeito prático no Brasil é que nós vamos cair de um pico de crescimento econômico ao redor de 6% ao ano, de setembro de 2007 a setembro de 2008, para, na melhor hipótese, algo em torno de 1,5% esse ano. Tudo começa a andar um pouco para trás. O que é lamentável. E não precisava ser assim. Se não fosse o ato de conservadorismo do Banco Central que errou feio, criminosamente no olhar dessa crise, quando o mundo inteiro praticou as mais drásticas reduções das taxas de juros, inacreditavelmente o Banco Central brasileiro subiu cavalarmente essa taxa, acrescentando sem razão uma causa interna a uma crise que de fora já traria consequências ao país.

O presidente Lula tem o melhor índice de aprovação de todos os tempos, jamais visto. O senhor acha que essa crise econômica vai afetar?

Vai. Mas existem duas questões centrais. A primeira é que o Brasil só melhorou. Não sou solidário só porque sou amigo. Eu acompanho e brindo dizendo que só tem um número que piorou que foi o da dengue. O juro é alto? É. Mas na média é o mais baixo juro real da história recente do país, sendo o mais alto do mundo. A outra razão intrínseca ao presidente Lula. Ele carrega a carga simbólica e no imaginário popular é a demonstração de que o filho do pobre mais humilhado pode vencer os seus desafios. Porque ele é filho de pobre que sofreu todas as humilhações que essa sociedade injusta, besta e doente que o Brasil ainda tem, elitista, e virou o presidente da República de sucesso internacional.

O presidente Lula tem uma candidata a presidente. Como é que se é candidato contra o governo que o senhor admira?

Eu não sou candidato contra. O Lula é o presidente do Brasil, não é o imperador que escolhe o sucessor e pronto. E eu não sou candidato. Posso ser, não posso negar que desejo ser, mas não serei a qualquer custo, não serei em nenhum a circunstância para atrapalhar o passo adiante que o país precisa ter. Eu acho que o que está em jogo não é conservar o governo Lula, o que está em jogo é não deixar andar pra trás, porque o nosso principal adversário é do PSDB, era da equipe econômica do governo Fernando Henrique, era ministro do Planejamento, todo o descalabro da privataria que aconteceu foi essa turma que fez e a concentração de poder, riqueza e informação na oligarquia em São Paulo. Segundo, não é conservar o governo do Lula. O governo do Lula é um avanço? Sim. Mas acho que o Brasil precisa avançar mais. O Lula fez a parte dele brilhantemente e, agora, vamos parar? É isso que nós queremos para o nosso povo? O que está aí? Não. Nós queremos melhorar muito mais e podemos fazer.

Anedotas Políticas

04/03/2009

Como se sabe, o mundo da política não vive só de seriedade e tensão, muitos dos personagens do cenário político, inclusive alguns dos principais, têm bom humor e fazem piada com os episódios do cotidiano político.

O blog Perspectiva Política, por comentar o mundo político e, também, para fugir um pouco do tom sério, não poderia deixar de informar a vocês duas piadas recentes.

A primeira diz respeito a uma vaca que teria nascido com 5 tetas. Diz-se que teriam a batizado, carinhosamente, de PMDB.

A segunda fala sobre essa época de declarações de imposto de renda que estamos adentrando e o Presidente Lula. Conta a anedota que na parte da declaração do Presidente destinada a listarem-se os dependentes consta o nome de Dilma Rousseff.