Postagens com a palavra-chave ‘Imperialismo’

Coluna do dia: Hora do ocidente civilizado atirar pedras no Irã. Antes que seja tarde…

13/08/2010

Por Yashá Gallazzi*

Quem me lê há mais tempo sabe que não sou nem um pouco imperialista. Assim, nadica de nada mesmo. Já até escrevi aqui, no passado, que no meu mundo ideal nem as Grandes Navegações teriam existido: a europa seria apenas europa; a rica cultura oriental ficaria preservada para os… orientais; e os nativos do Brasil estariam até hoje batendo os pés no chão para trazer os mortos de volta à vida.

Mas não foi assim que as coisas aconteceram… A expansão marítima aconteceu, e os gananciosos europeus vieram até este país tropical abençoado por Deus, trazendo em sua bagagem um pouco de civilização, um tantinho de cristianismo e coisas indispensáveis para o progresso humano, como o vaso sanitário e os antibióticos. E eis que nos vemos obrigados, assim, a discutir o imperialismo daquilo que se convencionou chamar de “primeiro mundo”.

Certa vez, questionado sobre o imperialismo britânico, Churchill disse: “não há mal que nos acusam de fazer aos nativos, que não possa ser amplamente superado pelos próprios nativos, depois da nossa saída.” E o velho Winston estava certo, como sempre. Basta ver o fiasco que se tornara Congo e Argélia, só para citar dois casos.

Em oposição àqueles dois países africanos acima mencionados, podemos citar o caso da África do Sul, conduzida brilhantemente por Nelson Mandela à democracia depois de décadas de opressão estrangeira. Qual foi a genialidade de Mandela? Compreender que era preciso pegar a “democracia branca” criada pelos colonizadores, e ampliá-la, tornando-a uma democracia plena. Por que escolher voltar a guerras tribais, se é possível viver num regime de liberdades individuais? Por que, em outras palavras, desistir do chá britânico, se ele é um hábito tão agradável? Só porque foi criado pelo colonizador? Besteira! Aquilo que engrandece deve sempre ser aproveitado, principalmente quando nos ajuda a evoluir do ponto de vista da civilização humana.

Da mesma forma, tudo o que ameaça dos valores básicos da sociedade civilizada deve, sim, ser combatido. Sempre! Uma ameaça a um indivíduo é uma ameaça a todos os indivíduos, não importa em qual lugar do planeta ela ocorra.

É por isso que o mundo ocidental não pode aceitar a execução de Sakineh, a iraniana acusada de trair o marido com dois homens – depois da morte daquele! Uma republiqueta fascistóide do outro lado do mundo quer apedrejá-la em praça pública até a morte? Ora, isso não pode ser permitido! Não? Não! Pouco importa que seja uma lei local, ou ainda um dogma da fé deles. É algo que atenta contra os valores mais que permitem à humanidade agir como… humanidade! É por isso que não pode ser tolerado sob nenhuma hipótese.

Aceitar que o Irã pode lapidar suas mulheres em nome de “valores próprios”, em respeito ao que se convencionou chamar de “autodeterminação dos povos”, é condescender com o horror em seu estado puro. É concordar com a submissão do indivíduo ao regime, atirando as liberdades e garantias básicas daquele na lata de lixo da história. Note-se bem: não estamos questionando um país que nega a um condenado a possibilidade de recorrer de sua condenação – o que já seria absurdo. Estamos falando de uma sentença inapelável que condena uma mulher a morrer apedrejada. Qualquer contorcionismo verbal que relativize isso está advogando em favor do primitivismo mais selvagem e animalesco, contra o qual a civilização vem lutando desde seu nascimento.

Desta feita, já que as Grandes Navegações existiram, que o colonialismo aconteceu que que o imperialismo é uma realidade, torço para que o ocidente saiba se valer dele da melhor forma possível: obrigando o Irã a parar com essa atrocidade! E se for preciso, que  atirem umas belas bombas civilizatórias na cabeça de Ahmadinejad e companhia, afinal duvido muito que seja possível dialogar de forma polida com gente que considera normal matar mulheres a pedradas.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Coluna do dia: Sanções internacionais – Por quê?

17/06/2010

Por Felipe Liberal*

Eu odeio sanções. Podem ser econômicas ou políticas, eu as odeio. Tudo parece óbvio neste maldito planeta. É sempre a mesma coisa: sanções contra o Irã, Cuba e Coreia do Norte. Vindas de quem? Principalmente dos EUA. Eles, de fato, conseguem evitar que a evolução da História continue.

Quando vamos conseguir separar o sistema político adotado pelos iranianos, cubanos e coreanos do seu povo? Quando vamos entender que sanções só servem para prejudicar seres humanos que não tem nada a ver com interesses estúpidos e infinitos de alguns países? Até quando vamos suportar que cinco países decidam quem merece sofrer ou não?

Eu discordo de muita coisa que acontece nesses três “malditos” países, como também discordo de muita coisa que acontece nos EUA, Inglaterra e China, por exemplo. Nem por isso esses últimos mereceram ou merecem sanções por parte da ONU. Parece óbvio.

O Irã é totalitário? Sim. Mas a China também é. Cuba faz prisioneiros injustamente? Sim. Os EUA também fazem (vide Guantánamo e a “desativada” Abu Ghraib). A Coreia do Norte restringe a liberdade de informação? Sim. Mas todos os países europeus também fazem, inclusive comprando jornalistas e blogs (vide Yoani Sanchéz).

Então você deve estar se perguntando: portanto todos merecem sanções, né? Não. Discordaria totalmente de você. As sanções são a pior maneira de se tentar um acordo. O sistema socialista cubano sobrevive desde 1959 com fortes sanções estadunidenses, nem por isso a ilha cedeu ou aceitou as exigências internacionais. A Coreia do Norte passa pela mesma coisa, sofre sérios embargos dos países europeus e até asiáticos, na própria vizinhança, e nem por isso desistiu do seu isolamento exagerado.

Não é com o “big Stick” que as coisas se resolvem. Agressão gera agressividade. Até quando vamos conseguir ficar sem entender isso? Não podemos gerar paz com guerra. Não podemos construir um mundo melhor trazendo o que há de pior no ser humano, que é a raiva, a discórdia e a guerra.

A ONU é a maior farsa que o mundo já pôde ver. O organismo da paz é o maior gerador dos conflitos e problemas que temos hoje. Principalmente por ser comandada por países que precisam da guerra para sua própria sobrevivência, países sedentos por sangue e dinheiro. Meus caros, EUA, Inglaterra, China, Rússia e França querem tudo, menos a paz. Novamente parece óbvio.

E tudo isso só vai ser mudado, quando nós mudarmos também.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: Ataque americano no Iraque – Bem-vindo ao mundo real

08/04/2010

Por Felipe Liberal*

Bastards, rebels and terrorists são as palavras que me fizeram chorar ontem à noite. Essas imagens acima são o reflexo de tudo que escrevi até hoje e que tento expressar, ostentando dias melhores.

É contra tudo isso que luto, que lutamos, nós, de esquerda, ultrapassados, retrógrados e “comedores de criancinhas”. É por conta disso que ainda insisto, que ainda sinto vontade de estar aqui, gritando nesse vazio interminável e denso onde estamos metidos 24 horas, todos os dias.

Essas imagens são de um helicóptero Apache estadunidense, em Bagdá, de onde se comunicam os bravos soldados democráticos e libertadores com a torre em terra. Através do rádio, os soldados avisam: “Have five or six individuals with AK 47s” e daí pedem permissão para atirar, pois eles disseram que os “tais” carregavam fuzis e lançadores de granada.

A permissão foi dada e junto com ela surgiram tiros e uma nuvem de fumaça e sangue. A fumaça suja de sangue vinha de dois civis, jornalistas da Reuters, Namir Noor-Eldeen e Saeed Chmagh, mortos pelo exército norte-americano. Um deles ainda tenta, se arrastando, chegar a uma van preta que tenta também ajudá-lo, mas uma nova rajada de tiros detona o veículo, que possuía duas crianças no seu interior, que, por sorte, saíram apenas feridas.

Essa é só uma amostra do que acontece no Iraque. Milhares de vídeos como esse não são divulgados, por se tratarem as vítimas de civis anônimos e invisíveis.

O imperialismo é isso, para quem o defende. Os Estados Unidos da América são isso, para quem os defende. A democracia e a liberdade americanas são isso, para quem as cultua. Tudo que escrevo não é apenas raiva ou ódio do capitalismo ou imperialismo, mas indignação e tristeza com o que eles geram como consequência inevitável.

O maldito sistema pede sangue, morte e desprezo pela vida humana. Ninguém em sã consciência pode negar que isso é uma prática do capitalismo, e não apenas dos EUA. A guerra é um fator econômico, que compra vidas através da morte.

Declaração Universal dos Direitos Humanos? ONU? A maior democracia do mundo? Respeito pela dignidade humana? Paz? Tudo isso parece piada diante das imagens da verdade.

A mentira nos condena à moderação, aos caminhos da aceitação, à burra imparcialidade e à venenosa omissão. Essa é a verdade, meus amigos e amigas, essa é a mais pura verdade do que acontece todos os dias no planeta Terra.

Hugo Chávez, Mahmoud Ahmadinejad e Fidel Castro são criancinhas, comparados a pessoas como Reagan, Bush ou Obama.

O mundo precisa entender quem são os verdadeiros culpados pela nossa terrível situação como seres humanos. Saiamos desse conto de fadas falado em inglês e comprado em dólar. Precisamos entender e combater os verdadeiros Bastards, rebels and terrorists do mundo real.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: A globalização da fragmentação

19/11/2009

Por Felipe Liberal*

O neoliberalismo, que seria o rosto mais perverso do todo poderoso capitalismo, não se fixou. O sistema que globaliza mercados e culturas não se organizou e está começando a dar sinais de amadorismo, mostrando sua verdadeira face em vários momentos, coisa que a história já mostrou que não é aconselhável.

A Europa, com sua união mais desunida de todos os tempos, começa a mostrar que toda a fantasia harmoniosa que forma a comunidade europeia é apenas fachada. A Inglaterra e seu american way of life continuam com desejos de combater o que se tenta chamar de “Grande Império Europeu”, ratificando-se como eterna ponte entre os EUA e a Europa.

Do outro lado do canal, o chefe francês, Nicolas Sarkozy, já toma decisões protecionistas, visando defender o emprego dos franceses contra a globalização liberal, desestabilizando o euro e entrando em choque com o carro-chefe da UE, a Alemanha.

Angela Merkel, primeira-ministra alemã, quer o euro cada vez mais forte e começa uma integração econômica cada vez maior com a Rússia (esta que será a grande ameaça ao eixo “Washington-Londres” nos próximos anos, pois a perda de territórios em 1991 foi enorme e está longe de ser esquecida), de certa forma se distanciando do poderio britânico e criando tensões com a França.

Sarkozy, por sua vez, já fala em um novo bloco aliado a países norte-africanos e à Turquia, sob sua liderança. A Europa não está globalizada, como o mundo também não está. A fragmentação é o que há de mais real nesse momento da história mundial, portanto não é apenas na Europa.

Como não falar de um dos continentes mais complexos e extremos do mundo, a América Latina? Talvez o continente mais despolitizado do planeta e ao mesmo tempo um dos mais revolucionários também. Essa complexidade que nos cerca aqui embaixo está evidente nesse novo processo que está em andamento desde a virada do século. O neoliberalismo está sendo tão desgastante, através do seu genocídio silencioso, que o novo socialismo, ou o pós-neoliberalismo (não se sabe ainda), está rapidamente tomando as cabeças latino-americanas nos principais países.

A permissão que os povos como os da Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua deram aos seus novos governantes foi de grande coragem e uma determinante resposta ao imperialismo estadunidense. Essas pessoas simplesmente decidiram que o país pertence ao povo e não a empresas de nomes estranhos e sem rosto. As reformas sociais e as mudanças no cotidiano das pessoas são fatos inegáveis dentro do aspecto social. Porém, no lado político, as discussões são polêmicas e pertinentes sobre o desenrolar aqui no eterno caldeirão fervente que é a América do Sul.

É de extrema importância ratificar e ressaltar o nosso continente dentro do quadro mundial, principalmente por esse novo pensamento estar sendo contagiado para novos países e nações. A unificação da América Latina a torna fragmentada do resto do mundo e da América do Norte.

Não podemos também falar sobre complexidade sem falar do continente asiático. A efervescência econômica que vigora do outro lado do mundo é extremamente prejudicial a qualquer tentativa de progresso social em grande escala. Tudo o que foi conquistado na China para o povo está sendo devolvido de forma despótica para o desenvolvimento econômico, que não pode parar.

A China cresce em parceria com os EUA. Sem eles nada funciona no país de Mao. A dependência econômica mútua entre esses dois países elimina qualquer ameaça de conflito militar em um futuro próximo, transformando a Ásia em um continente indiscutivelmente capitalista. O Japão, representante estadunidense na localidade, funciona de forma muito semelhante à da Inglaterra, carregando as outras potências emergentes nas costas e defendendo com unhas e dentes a soberania imperialista americana.

Portanto, não estamos falando de um bloco mundial globalizado, e sim, de vários blocos heterogêneos ao redor do planeta. Isto não é novo, pelo contrário, sempre existiu em todos os períodos da história, porém sempre serviu como uma projeção de novos conflitos entre grandes países. O mundo está se desenhando novamente para esse novo velho quadro.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: Amapá – Até o imperialismo seria melhor

23/10/2009

Por Yashá Gallazzi*

Outro dia, navegando pela internet, li que um bando de estúpidos apontou o aeroporto de Heathrow, em Londres, como sendo o pior do mundo. Estúpidos, eu disse? Sim, disse! Quem quer que tenha decidido isso, nunca colocou os pés no aeroporto de Macapá, um lixo de qualidade inferior a de muitas rodoviárias do interior nordestino. Há algum tempo, o novo aeroporto deveria ter sido inaugurado, mas as obras estão paradas em razão de reiteradas fraudes.

Sim, é claro que o parágrafo acima encontra-se permeado de ironia. Sei perfeitamente que Heathrow foi considerado o “pior dentre os melhores”, e que o aeroporto-chiqueiro de Macapá nem entra na disputa. Mas, então, por que falei aquilo? Bem, a principal razão é que meu esporte preferido, nos últimos tempos, tem sido analisar o ridículo que assola o Amapá e suas mazelas sócio-políticas. Aqui o estado das coisas é tão deprimente, que não há a menor esperança de melhora. Resta, portanto, a sátira.

Os leitores conhecem Bolívar, eu suponho. É aquele sujeito idolatrado por Chávez e por seus “macaquitos” revolucionários. É o – como é mesmo? – “libertador da América Latina”! O que poucos sabem é que Bolívar, em seu leito de morte, disse uma de suas frases mais célebres: “A melhor coisa a fazer na América Latina é emigrar.”

Por que o herói bolivariano estava tão pessimista – ou realista – ? Bem, porque ele já havia, então, conhecido a gentalha que se aboletou no poder depois que os países foram libertados. Em síntese, ele percebeu que ajudou a trocar a exploração imposta pelo primeiro mundo, por aquela bananeira, rastaquera e simiesca.

E daí? Bem, daí que Bolívar não conheceu o Amapá… Tivesse conhecido, sua famosa frase seria um pouco diferente: “A única coisa a fazer no Amapá é emigrar.” Aqui, de onde escrevo estas linhas, o homo sapiens simplesmente não encontra um ambiente propício para sua sobrevivência. Os primatas, aliás, o perseguem de forma cruel e virulenta, a fim de preservar o golpe de Estado que deflagraram desde o primeiro dia.

Costumo dizer que Maluf seria um grande prefeito para Macapá. E seria mesmo! Sim, todos sabemos que o sujeito é condenável, mas ele “faz”. Haveria trambiques? Sem dúvida! Mas haveria ruas, acostamento e, com alguma sorte, hospitais. Hoje, temos um buraco pútrido onde não há esgoto, água tratada e asfalto. Aliás, nem seria preciso apelar a Maluf. Um “pogreçista” como Chávez já poderia fazer um grande trabalho por aqui. De cara, não seria preciso cooptar a imprensa à força: no Amapá, os poucos – e péssimos – jornais que existem oferecem seus serviços espontaneamente.

Mas, afinal, por que aborrecê-los falando de um rincão esquecido por Deus, cuja importância política é menor que a do – sei lá… – Curdistão? Bem, é que o Amapá, esta semana, bateu mais um recorde interessantíssimo. O atual Prefeito, eleito em 2008, foi cassado incríveis cinco vezes pela justiça eleitoral de primeiro grau.

Estão surpresos? Pois saibam que o mesmo Prefeito – o “pentacassado” – foi absolvido, no Tribunal Regional Eleitoral, por incríveis cinco vezes! O tal Prefeito, caso não saibam, é primo do Governador e mereceu o apoio incondicional de José Sarney, aquele cuja literatura tem qualidade questionável.

O mais curioso, contudo, não são as reiteradas absolvições. Nem o evidente conflito de entendimento jurídico que há entre a primeira e a segunda instâncias da Justiça Eleitoral amapaense. O que me deixa fascinado são as nuances de cada caso em si. Em um dos julgamentos, por exemplo, o TRE disse, sem meias palavras, que era preciso dar continuiade à boa administração que o Prefeito vinha desenvolvendo, como se isso fosse argumento válido para afastar a prática de um delito. É como se eu dissesse: “Sim, realmente o acusado matou o réu, mas o réu era um bandido mesmo…”

Na mais recente absolvição do “pentacassado”, uma das testemunhas arroladas pela acusação era – pasmem! – um juiz eleitoral. E, ainda assim, a corte de justiça deste estado apequenado, pedestre e simiesco entendeu que não havia provas suficientes para a condenação. Não estou certo, mas posso apostar que a tal boa administração do Prefeito deve ter sido invocada também.

Dia desses, um grupo de pedófilos foi colocado em liberdade por decisão de um magistrado da justiça estadual. Segundo ele, não haveria provas suficientes dos crimes… Ah, quase esqueci! Um dos pedófilos, no ato da prisão em flagrante, estava em sua cama, acompanhado de vários menores. Essa é, a meu aviso, a pá de cal que faltava sobre o cadáver deste estado, em adiantada decomposição. Quando um poder republicano decide não punir delitos que atentam contra a sociedade civilizada, tem-se a barbárie. Ao Amapá, portanto, não resta mais nenhuma esperança.

Aliás, até resta… Costumo dizer que apenas uma invasão americana poderia resgatar este lugar. Se os Estados Unidos conseguiram livrar o mundo de Saddam, por que não poderiam livrar o Amapá de Sarney? Claro que poderiam!

Assim, já que o pacifista Hussein Obama não vai se reeleger em 2012, posso contar com o Republicano que o sucederá para atirar algumas “bombas” sobre as nossas cabeças. Eles vêm, atacam, ocupam, controlam e, em troca, nós podemos ganhar ruas asfaltadas, canteiros floridos e internet sem fio nos parques públicos, exatamente como em Bagdá.

Sim, eu sei que existiriam transtornos, mas os ganhos seriam tremendamente maiores. No mais, esse tem sido o destino dos rincões pútridos e bolorentos ao longo da história: os conquistadores trazem a civilização, e levam embora as “filhas virgens”.

Ôpa! Lembrei que vai ser difícil encontrar “filhas virgens” no Amapá… É provável que a tal rede de pedofilia – agora à solta, por obra do judiciário – tenha acabado com todas.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: O Brasil, a ONU e o mundo que não se quer

16/10/2009

Por Yashá Gallazzi*

Creio que os leitores já sabem, mas nunca é demais lembrar que hoje o Brasil foi indicado para ocupar um assento no Conselho de Segurança da ONU. Ainda não é a tão sonhada vaga permanente, que alimenta os devaneios de Celso Amorim, mas um posto como membro transitório. Ainda assim, como é de se supor, o feito mereceu notável destaque na mídia nacional, que se apressou em comemorar mais um grandioso feito do Itamaraty petista, saudado por sua – como é mesmo? – “política externa ousada e soberana”.

O que eu acho? Bem, acho que Lula, Celso Amorim e os demais petistas estarão muito confortáveis em qualquer fórum promovido pelas tais Nações Unidas. Parafraseando Lula, digo que nunca antes na história do mundo um governo supostamente democrático emprestou tanto apoio a terroristas e ditadores dos mais abjetos. Lembram? Foi só Celso Amorim se aboletar no Itamaraty e pronto: imediatamente começou o discurso pedestre e terceiro-mundista da “autonomia dos países pobres”.

E com base nesse discurso o Brasil tratou de se render a convescotes com humanistas do calibre de Kadafi e Mugabe, só para citar dois. Em breve, o País vai receber, de braços abertos, o fascista Mahmoud Ahmadinejad, possivelmente um dos maiores perigos para o mundo livre e democrático. E tudo por quê? Ora, para esfregar a tal soberania na cara dos chamados “países ricos” – em especial os Estados Unidos.

Por isso, não dou a menor pelota para a posição que o Brasil ocupa na ONU. Só os inimigos da liberdade dão alguma bola para aquela super-ONG inútil e cara.

Em nome da confraternização e do entendimento entre os povos, a ONU aceita receber sob seu teto a escória do mundo. Como justificar, por exemplo, que o líder maior do fascismo islâmico possa discursar diante de um fórum supostamente democrático? “Ah, mas ele pode discursar justamente porque o lugar é democrático!”, dirão alguns. Besteira!

A democracia, em nome de sua pluralidade e de sua tolerância, não é obrigada a condescender com a canalha que pretende vê-la destruída. Lembro de um célebre julgado da Suprema Corte britânica: “Não podemos conceder aos inimigos da liberdade, em nome de nossas convicções, as prerrogativas que eles, em nome das suas, nos negariam.” É isso que falta ser assimilado pelo Ocidente, que insiste em aceitar a presença dos seus inimigos, em vez de derrotá-los. Por isso me é impossível levar a ONU a sério.

Como respeitar, por exemplo, um fórum onde o Congo é convidado a sentar na mesma mesa de democracias históricas como a americana e a britânica? Por que pincei o Congo como exemplo? Bem, pode ser que os leitores não conheçam a história congolesa, mas eu faço uma breve síntese: Aquele pobre país africano, como os leitores hão de supor, foi um dos tantos dominados pela tão demonizada colonização europeia. Ah, a malvada Europa… Como sabemos, os europeus oprimiram a África durante décadas, sempre impondo aos nativos a sua arte, sua cultura, suas escolas e sua medicina. Simplificando, pode-se dizer que o chamado “velho mundo” exerceu sua dominação sobre a pobre África por meio de Descartes, Voltaire, Hegel, Santo Tomás de Aquino, Shakespeare e tantos outros. Trágico, não? Cruel, não? Antes não houvesse existido essa dominação, essa opressão desmedida. Mas o fato é que houve. E o mundo, tomado pelo discurso pacifista “woodstockiano”, começou a gritar pelo “fim da opressão”. A ONU, à época, era aquela que gritava mais alto e forte.

E eis que os povos nativos começaram suas lutas de libertação, embalados nos cantos humanistas da classe média ocidental, que desde sempre adorou uma passeata pela paz. E, então, o Congo se libertou do jugo europeu. Do dia para a noite não havia mais Descartes, Voltaire, nem Shakespeare. Não era mais preciso vestir as roupas deles, ir às escolas deles e aprender os costumes deles. Os nativos puderam, finalmente, viver segundo suas tradições, suas convicções e suas crenças. E então a tragédia começou.

Entre os anos de 1998 e 2002, mais de cinco milhões de congoleses morreram no mais sangrento conflito armado desde o fim da Segunda Grande Guerra Mundial. Mas se acabou a opressão do “primeiro mundo”, de onde veio a guerra?

Bem, das disputas étnicas que passaram a eclodir a partir do momento em que os nativos se viram sem as brisas da civilização… Convenhamos: quando se perde, de uma só vez, os referenciais de Voltaire, Hegel, Santo Tomás e outros, o norte moral também desaparece em um segundo. Quem poderia, pois, imaginar que de todos os supostos males que a Europa teria causado ao Congo, a saída do país pudesse ser o maior deles?

Exagero? Estou sendo muito imperialista no meu discurso? Me digam vocês, ao final. Mas saibam, antes, que os nativos – os libertadores do Congo – adotaram o estupro coletivo como arma de guerra. Naquele país esquecido, qualquer milícia “libertadora” tem o direito de estuprar. Os rebeldes estupram, os Hutus estupram, os Mai-Mai, alinhados ao governo, estupram e, não bastasse isso, as tropas do Exército oficial também estupram. São casos isolados? Não! Trata-se de uma prática tradicional. Uma arma de guerra. Ou, se preferirem, um aspecto da tal cultura local dos povos, tão defendida por um exército de ONGs cujas mulheres, suponho, jamais foram estupradas.

No Congo, Elise Mukumbila, uma anciã, foi estuprada pelos Mai-Mai em uma floresta durante meses, tudo porque, segundo as crenças locais, sodomizar uma mulher mais velha traria riqueza ao agressor. Já Valentine, de apenas doze anos, foi estuprada pelos “libertadores do Congo” porque, segundo outra crença, violar uma virgem traz a imortalidade. A menina, em decorrência dos ferimentos que experimentou, sofre perenemente as agruras de uma fístula nunca curada, que a impede até mesmo de controlar a urina.

É assim que os tais “povos tradicionais” promovem a liberdade das nações africanas. É assim que restauram sua “cultura” depois de encerrado o jugo europeu. Aliás, não promovem liberdade nenhuma. Afinal, já são mais de cinco milhões de mortos em vários anos de conflito pela autonomia. De forma objetiva, pode-se dizer que a Europa, oprimindo Congo, matava bem menos que os próprios congoleses ao buscarem sua libertação.

É essa canalha que a ONU abriga. É a essa gente simiesca, animalesca e primitiva que aquele fórum empresta voz e atenção. Por isso me é impossível levar a sério a ONU e qualquer um de seus braços institucionais. Por isso não dou a mínima para o Brasil ocupar, ou não, o Conselho de Segurança. Que diferença faria? Os congoleses continuariam lá. Ahmadinejad continuaria lá. O Sudão continuaria lá. E o mundo livre e democrático continuaria ameaçado por um fórum antiocidental, que só consegue existir graças aos recursos do… Ocidente!

Dizem que Lula está cotado para ser, em um futuro próximo, Secretário-Geral da ONU. Nada mais apropriado. O mundo politicamente correto e “pogreçista” adora o apedeuta e aquela inutilidade que as Nações Unidas representam. E Lula, está posto, nutre irremediável simpatia por qualquer tirania que se diga antiamericana. Ninguém melhor do que Lula, que usa os livros como sonífero, para chefiar uma organização capaz de defender que uma nação africana troque Descartes, Voltaire, Hegel, Santo Tomás de Aquino e Shakespeare por morte, terror, miséria e estupros.

Os Republicanos disseram, há coisa de poucos dias, que seria preciso jogar algumas bombas sobre as instalações nucleares do Irã e da Coreia do Norte. Concordo. Mas faço um adendo metafórico: seria melhor, antes, lançá-las sobre o órgão que permite a tais países filoterroristas o direito de manter um arsenal atômico. Assim, a ONU sairia um pouco de cena. O Ocidente ficaria muito mais seguro. E alguma pequena nação que ainda esteja sendo oprimida pela cultura, pela escola e pela medicina da Europa, não será obrigada a trocar tudo isso por estupros e morte.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: Incompetência na política externa

29/08/2009

Por Matheus Passos*

Nesta semana, meu colega colunista Raphael Machado Silva escreveu a respeito da falta de experiência dos EUA em lidar com sua atual política externa. O autor cita como exemplos o apoio americano às Forças Armadas da Geórgia, há apenas um ano da guerra entre esta e a Rússia; a falta de tato americano em perceber que não há mais como pressionar o Irã a respeito de armas nucleares; e ainda a atual incapacidade americana em “manter a ordem” no Iraque e no Afeganistão. Sua coluna termina com a seguinte frase: “Talvez seja hora dos EUA começarem a aprender que o mundo mudou e que não lhe é mais possível, hoje, se envolver e interferir em eventos múltiplos ao redor do globo de modo a garantir sua hegemonia [...]“. Podendo cometer o erro da super-simplificação, eu diria que meu colega quis transmitir, com outras palavras, a seguinte ideia: Os EUA estão metendo demais o bedelho onde não são chamados e intervêm de menos onde efetivamente deveriam.

O Brasil é o maior país da América do Sul, disso todos sabemos. Mas talvez o que não tenhamos muito clara é a dimensão de nosso país nesta América do Sul – e não me refiro aqui à dimensão territorial, mas sim, em termos de função política, econômica e até mesmo social. Temos a mania de nos acharmos “subdesenvolvidos” e “atrasados”, pensando que somos os “coitadinhos” que são explorados pelos “malvados” europeus e americanos, mas a realidade é bem diferente: Exercemos, na América do Sul, o mesmo papel de “exploradores” e de “imperialistas” que acreditamos ser da Europa e dos EUA. Para nossos vizinhos, somos os “EUA do Sul”, como me disseram alguns argentinos e uruguaios com quem tive a oportunidade de conversar quando estive nestes países há um ano.

A pequena introdução anterior, com dois temas aparentemente desconexos, tem por objetivo fundamentar a ideia principal da coluna de hoje, qual seja, a de que é uma pena que aquilo que os EUA exercem demais, nas palavras de meu colega Raphael, o Brasil exerça de menos – ou até mesmo não exerça. E claramente não me refiro aqui ao papel imperialista “negativo”, de “explorador”, mas sim ao papel que foi desempenhado por muito tempo pelos EUA (e que acredito que continue sendo desempenhado), ou seja, o papel de liderança e de “guia” a respeito de qual rumo seguir.

Não quero aqui debater a respeito do acordo entre EUA e Colômbia em si – se ele é bom ou ruim para o Brasil e para os demais países da América do Sul. Também não pretendo falar acerca do equilíbrio de poder existente na América do Sul e da distorção que a presença americana em qualquer país da região traz a tal equilíbrio. Tampouco pretendo questionar se a Colômbia tem ou não o direito de permitir a presença dos militares americanos em seu território – tal debate só é feito por aqueles que não tiverem o mínimo de conhecimento a respeito do conceito de soberania. Mas me importa mostrar alguns pontos daquilo que considero como fraqueza da diplomacia brasileira sobre o assunto.

Todos devem ter acompanhado a viagem que Álvaro Uribe, Presidente da Colômbia, fez há duas semanas, por todos os países da América do Sul, para explicar o tal acordo. Os leitores devem ter acompanhado também as últimas tagareladas dos presidentes de três de nossos vizinhos ao norte – Bolívia, Equador e Venezuela – sobre o tão falado acordo entre Colômbia e EUA a respeito da presença de militares americanos em território colombiano para se lutar contra o narcotráfico.

Hugo Chávez e seus filhotes Evo Morales e Rafael Correa soltaram diversos impropérios a respeito da situação. Como exemplo, no dia 26 de agosto Evo Morales sugeriu a realização de um referendo sul-americano sobre as bases na Colômbia, argumentando que tal processo garantiria a “soberania da América do Sul” (parece que o Presidente boliviano não sabe o que significa “soberania”). Rafael Correa também não ficou atrás, afirmando em plena Unasul que a implantação das bases na Colômbia corresponde à transformação da América do Sul no “quintal dos EUA”. Contudo, Hugo Chávez continua sendo o campeão de patacoadas: Ele afirmou que caso o acordo fosse assinado (o que já aconteceu), a Venezuela poderia até mesmo entrar em guerra com a Colômbia, e esta última seria “a única responsável” (parece que Chávez se esqueceu de que comprou diversos armamentos russos nos últimos tempos, militarizando a região). Ele disse ainda que o acordo seria “a semente da guerra” – esta última frase em plena Unasul.

E o Brasil, o que faz nessa situação? Absolutamente nada. Defende a soberania colombiana, mas diz que é necessário debater a eficácia da cooperação entre EUA e Colômbia. E isso é o máximo da política externa brasileira sobre o assunto. O Brasil não tem tomado nenhuma ação contundente na situação e age sempre de maneira reativa, esperando que os outros tomem a iniciativa primeiro para depois se posicionar. Nossos “líderes” se esquecem de que o Brasil é, sim, o País mais importante da região e que a palavra do Brasil tem força. Neste sentido, nosso País poderia efetivamente ser o líder na América do Sul, mostrando o rumo a ser seguido.

Mas não é isso que acontece: Nossa diplomacia deixa a faca e o queijo nas mãos de Hugo Chávez e companhia – não é à toa que o Presidente venezuelano foi visto como o líder mais importante da América do Sul em pesquisa recente, à frente de Lula.

E eu termino a coluna deixando uma pergunta no ar: Até quando continuaremos com uma diplomacia reativa, que espera os acontecimentos internacionais para depois tomar decisões – que, geralmente, se fundamentam em elementos ideológicos, e não, pragmáticos? Enquanto continuarmos assim, continuarei envergonhado da diplomacia do meu País.

*Matheus Passos é colunista do Perspectiva Política aos sábados, é cientista político e editor do Blog do Prof. Matheus

Coluna do dia: Hussein não morreu – Ele vive e prejudica a democracia

24/07/2009

Por Yashá Gallazzi*

Esta semana resolvi propor aos leitores um pequeno exercício de imaginação. Suponhamos que em um pequeno país, pouco importante no cenário internacional, o chefe do Poder Executivo, democraticamente eleito pelos cidadãos, decida, de inopinado, subverter a ordem constitucional estabelecida, a fim de subjugar as demais instituições públicas e se perpetuar no poder. Suponhamos ainda que tudo isso seja planejado com o auxílio – material e ideológico – de outros países, formando uma organização plurinacional norteada pelos mesmos objetivos: a derrota do sistema capitalista e daquilo que eles chamam de “imperialismo”, e a construção de uma nova sociedade nos mesmos moldes daquelas erigidas, no passado, a partir do socialismo.

Diante de um quadro de tal natureza eu pergunto: não seria correto se as demais instituições públicas daquele país – as que seriam estupradas pelo Executivo revolucionário -, juntamente com o apoio logístico das Forças Armadas, reagissem a fim de garantir a democracia, retirando do poder o galhofeiro? Sim, claro que seria!

Ora, não é preciso nenhuma explicação adicional para que os leitores percebam que a minha situação hipotética é, na verdade, muito real. Sim, estou falando de Honduras e do seu governo interino constitucionalista, que derrubou o mequetrefe instalado pelo bolivarianismo chavista naquele país.

A lógica pura e o direito não deixam margem para qualquer dúvida: a ação das Forças Armadas hondurenhas foi absolutamente legal, pois o delinquente chamado Manuel Zelaya perdeu automaticamente seu cargo quando tentou promover a tal consulta popular, julgada ilegal por todas as instâncias democráticas do país. Está lá, estampado na Constituição de Honduras de forma indelével: todo agente público que atuar no sentido de aumentar o mandato do presidente estará, de plano, destituído de suas funções. Logo, meus caros, não se pode falar em golpe praticado pelos militares, pois eles não retiraram do poder um Presidente, mas um bandidinho de quinta categoria. Zelaya, quando foi escorraçado de Honduras usando apenas o pijama, não eram mais o chefe do Executivo, mas apenas um lugar-tenente do “mico mandante” venezuelano.

Quer dizer então que os militares hondurenhos não erraram? Não! Pelo menos não da forma que a tal “opinião pública mundial” pretende fazer crer. Se houve falha das Forças Armadas daquele país, esta consistiu em deixar o meliante escapar sem qualquer punição penal. Em verdade, Zelaya deveria ter sido processado e condenado pelos ilícitos que praticou valendo-se do cargo que ocupava. Mas não quero mais comentar a ação do governo interino e constitucionalista de Honduras. Essa já é uma página virada, afinal não se pode falar em golpe, muito menos em ditadura, não é? Quero me concentrar na ação deste homem chamado Hussein, que muitos de nós já acreditávamos morto. A verdade, porém, é que ele vive e se ocupa de envergonhar a tradição democrática dos Estados Unidos, colocando, de quebra, em perigo todo o ocidente.

Quem lê há mais tempo as colunas que escrevo aqui sabe: o mito construído em torno de Barack Hussein Obama, aquele que teria vindo ao mundo para nos salvar, nunca me contagiou. O messianismo e a retórica terceiro-mundista que o Presidente-de-ébano sempre empregou ao longo de sua trajetória cuidaram de acender a minha desconfiança. Ora, se nem estadistas da estofa de Lincoln, Washington, Roosevelt e Reagan prometeram salvar o mundo e expiar os pecados, por que eu deveria acreditar que esse pavão politicamente correto conseguiria fazê-lo? Francamente, Obama nunca foi mais do que uma piada aos meus olhos. Digam aí: qual foi o grande feito do governo dele até agora? Em que ele se destacou, além de discursos vazios e inúteis? Em nada! Por isso já foi atirado violentamente das nuvens ao chão. Por isso conta com a mesma popularidade que o demônio mundial que o precedeu, George W. Bush. Por isso também eu desisti de tentar vê-lo como “o novo”, como “a mudança”. Ele não é mais o pobre menino Barack, que venceu as dificuldades e o preconceito e se tornou presidente. Ele é Hussein e apenas Hussein.

E como seu xará lá do Oriente Médio, também parece nutrir uma simpatia especial por regimes fascistas, basta ver que não se cansa de fazer mesuras lisonjeiras à canalha mais vagabunda do globo. O Irã ameaça o mundo com seu totalitarismo? Ora, Hussein acha que dá pra resolver com uma conversinha… A Coreia do Norte ameaça varrer do mapa vários países? O bom Hussein acha que tudo é uma questão de paciência e diálogo… Aqui, na América Latina, o chavismo se transforma numa espécie de novo comunismo, criando uma grande União Soviética onde os satélites são subjugados por Caracas? Pois Hussein acredita que essa é a nova face do continente. Sabem quando o governo dele acabou oficialmente para mim? Quando acusou de golpismo o governo interino de Honduras, emprestando apoio à retórica vagabunda de Chávez. Nunca, jamais a rica e gloriosa tradição democrática americana deveria estender a mão a uma tirania tão mequetrefe como aquela. Isso simplesmente não tem desculpa!

Hussein, com isso, capitulou. Chegou ao fim. De agora em diante, só me ocupo em contar o tempo que falta até o final de seu paupérrimo mandato, rogando aos céus que ele não consiga se reeleger, sob pena de o Ocidente ser definitivamente atirado no colo das tiranias mais sujas do mundo. O sujeito não é “o novo”. Não é “a mudança”. Ele é só um intelectualzinho despreparado e assustado diante dos verdadeiros problemas do mundo – os mesmo problemas que ele, na campanha, prometeu resolver com um sorriso sedutor.

O Cristo de Illinois não tem um plano de governo, uma agenda de reformas. Nada! E desafio qualquer um a me demonstrar, com fatos, o contrário. Basta ver que a equipe dele se divide assim: um terço formado pelo “staff” dos Clintons (na área de política econômica e internacional), um terço de Republicanos (na área de defesa e segurança pública) e, por fim, um terço de “amigos do homem”. Coincidência ou não, sempre que alguém do gabinete dele esteve envolvido em irregularidades, verificou-se que pertencia ao último dos três terços… Tirem de Hussein os Clintons e os Republicanos e não lhe restará mais nada!

Plano de ação dele? Simples: fazer tudo diferente do que foi feito pelos antecessores, em especial George W. Bush, o hasmodeu aposentado. Assim, Hussein se torna refém do mito mudancista que ele mesmo criou, atando-se os braços e vendo-se sufocado pelas promessas utópicas que vendeu na campanha eleitoral mais cara da história do mundo. Por conseguinte, se Bush combatia o Irã, a Coreia e a Venezuela, Hussein se ocupa em defender tais regimes, pouco importando se são facinorosos e violentos. E, não. Eu sei que ele não empresa apoio direto àquelas ditaduras – só faltava essa mesmo! Mas o arrimo de sustentação moral delas, hoje, é a leniência com que o Messias negro resolveu conduzir as crises internacionais. Para ele, pouco importa se Chávez e seus “macaquitos” estão interessados em promover um banho de sangue em Honduras. Ele não quer saber se a trupe dos bolivarianos assassinos vai mesmo dinamitar as bases de todas as democracias da América Latina. O raciocínio de Hussein é mais linear: “Eles querem fazer isso e eu permito, em nome da autodeterminação dos povos. Assim, mostro-me diametralmente o oposto do meu antecessor, que era tão odiado.”

É assim que Hussein pretende mudar o mundo: retirando apoio de governos constitucionais e emprestando solidariedade a golpistas, terroristas, narcotraficantes e fascistas. É essa a esperança renovadora pela qual o mundo “pogreçista” e politicamente correto se apaixonou. Espero que ela mingue o mais rapidamente possível, como a popularidade do bandoleiro de Harvard.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: O Taliban

10/07/2009

Por Yashá Gallazzi*

taliban

Em mais de uma ocasião acabei provocando alguma polêmica ao defender de forma veemente a civilização ocidental e seus valores, notadamente a democracia e o sistema de liberdades individuais. No mais das vezes, as discordâncias giram em torno da suposta intolerância que me caracterizaria ao falar dos que considero inimigos da nossa civilização e, se querem saber, acho que meus críticos estão mesmo cobertos de razão. Eu realmente não tolero os valores que se mostram antagônicos aos nossos, porque – e aqui levanto mais uma polêmica – o Ocidente é moralmente superior aos seus algozes. Simplificando, posso dizer sem medo de errar: ou lutamos pela hegemonia dos nossos valores, ou teremos a barbárie. E ao longo deste texto explicarei o porquê disso.

Li na Folha de São Paulo que o grupo terrorista Taliban, não satisfeito em promover aquilo que – se me permitem – passo a chamar de “terrorismo convencional”, explodindo inocentes em nome do propósito supostamente divino de destruir os infiéis ocidentais, decidiu descer ainda mais baixo, a ponto de chegar às portas do inferno, adentrar o reino de Lúcifer e, uma vez ali, assumir o lugar de Hasmodeu. O que houve, afinal? Segundo o que foi noticiado no jornal paulista, os fascinorosos terroristas estão comprando crianças – algumas de onze anos apenas! – para usá-las como instrumento de sua guerra teratológica. Explico melhor: pagando em média seis mil dólares por cada infante, a canalha adquire carne fresca para sacrificar em nome de sua “causa” sociopata. As crianças que, envoltas em bombas, explodem a fim de matar os cães do ocidente, não passam de mercadoria, pertences aos Taliban.

Eu, que sempre cultivei os mesmos valores éticos e morais aborrecidamente imutáveis, não preciso de mais argumentos para ter certeza do óbvio: somos moralmente superiores a essa gente torpe! E por uma razão bem simples: aqui, no ocidente, a regra geral é proteger e amar as crianças, garantindo-lhes a vida, o mais basilar de todos os direitos individuais. Por mais mazelas sociais que ainda enfrentemos, por mais injustiças que sejam cometidas diariamente contra nossas crianças, violadas e escravizadas, ninguém pode nos acusar de não alimentar os princípios e os valores certos e humanamente melhores. Pode parecer pouco, mas é o fundamental, afinal, os homens – que subvertem a ordem e a legalidade – passam, ao passo que os valores permanecem, simbolizando um inteiro povo.

Não há maneira de tergiversar. Aqui, o nosso norte moral nos impõe o dever de proteger nosso futuro, representado por aqueles que darão sequência à obra por nós iniciada. Não há nenhuma causa ou objetivo capaz de nos levar a sacrificar nossas próprias crianças. Já no Oriente, refém do fascismo islâmico, a causa principal que os move é a destruição da besta ocidental e, para tanto, se pode lançar mão de qualquer recurso, por mais espúrio que seja. Já não era segredo que o terrorismo encontra muita desenvoltura para assassinar inocentes – inclusive crianças – do “lado de cá”, afinal, eles não fazem distinção: somos todos infiéis. A novidade agora é perceber que eles também não hesitam em sacrificar seus próprios inocentes. Suas crianças. Seus filhos. Essa gente representa o mal absoluto e precisa, sim, ser detida. É imperativo que o Ocidente imponha, de fato, a supremacia dos seus valores, para escorraçar os bárbaros que tentam buscar a hegemonia no mundo.

Está evidente que me refiro à necessidade de se combater e vencer a chamada guerra contra o terror. Impedir que a escória do mundo continue sacrificando crianças inocentes em nome de uma “guerra santa” é um verdadeiro imperativo moral para nossa civilização. E para quem ainda não acredita em superioridade de uma cultura sobre outra, proponho um exercício revelador: Lembram de George Bush, o ex-Satã de todo o mundo progressista, humanista e pacifista? Pois bem, o Republicano, tão reacionário, tão conservador e tão belicista, não arregimentou uma única criança para mandar ao Afeganistão e ao Iraque, lutar pelos Estados Unidos e pelo Ocidente. Isso porque aqui nós escolhemos proteger nossas crianças, não assassiná-las. Se algo assim não for suficiente para demonstrar o quanto a nossa escala de valores é superior às demais, espero que alguém me diga o que seria.

Custa-me, por exemplo, entender a abjeta condescendência que alguns ocidentais insistem em nutrir para com os seus algozes, os islamofascistas. Basta lembrar que, quando da ação americana no Afeganistão, os pacifistas de um lado só se apressaram em condenar Bush, denunciando sua – como era mesmo? – “política imperialista” e advogando em favor da tal “autodeterminação” dos povos, que garantiria a qualquer grupo o direito de ter seus próprios imperativos éticos e morais. O ponto é que, nestes tempos sombrios de inversão dos valores mais basilares da civilização, essa tal “autodeterminação” deve ser entendida como o direito que cada povo tem de amarrar bombas às suas crianças, usando-as como armas de guerra. Isso, caros, não pode – e não deve – ser aceito por nós, ocidentais.

Cruzar os braços diante de horrores como os perpetrados pelos Taliban é permitir que os portais do inferno sejam escancarados e que os demônios ditem as regras destinadas a reger nossas vidas. Assistir de forma passiva às atrocidades que o fascismo islâmico pratica, em nome de sua cultura e de sua moral, é concordar com o fato de que a nossa moral já capitulou e nada mais pode. Isso é falso! Urge resistir e prosseguir no único caminho possível quando o assunto é o combate ao terrorismo: caçar o inimigo, encontrar o inimigo e matar o inimigo. Devemos destruí-los não apenas para garantir o futuro de nossas crianças, mas para permitir que as deles também possam viver para, ao menos, sonhar com um. Hoje, sabemos, elas têm a vida ceifada pelos fascínoras que lhes impõem a obrigação de carregar bombas presas ao corpo.

Lembro-me de Sir Winston Churchill, um dos grandes baluartes da defesa do mundo ocidental. Criticado pelo imperialismo das potências europeias, o britânico dizia: “não há mal que o Império Britânico supostamente tenha feito aos colonos, que não possa ser, em muito, superado pelo mal que os próprios colonos praticam uns contra os outros.” E isso vem resumir com especial grandiloquência o argumento central articulado ao longo deste texto. Ou temos a hegemonia dos nossos valores éticos e morais, ou só restará a barbárie.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: Um viva aos Estados Unidos da América!

04/07/2009

Por Matheus Passos*

Meu caro leitor, não se assuste. O título da coluna é este mesmo: “Um viva aos Estados Unidos da América!”. E o título não é pejorativo e muito menos irônico: Quero efetivamente dar um viva àquele país que é comumente associado ao imperialismo, às transgressões aos direitos humanos, à postura de “xerife do mundo”, à exploração econômica causada pelos “ricos de olhos azuis”, ao capitalismo desenfreado e à ganância econômica.

Meu viva, entretanto, não vai para os EUA atuais, e sim, para os EUA da origem. O leitor menos atento talvez não tenha percebido que hoje é dia 4 de julho. “E daí?”, poderia me perguntar alguém – e com razão. O dia 4 de julho para nós é apenas mais um dia do ano, sem nada de especial. Mas é o dia em que os EUA comemoram sua independência, ocorrida nos idos de 1776, e é para os Estados Unidos daquela época que meu viva vai.

O motivo de tal viva é muito simples. Os “founding fathers” do Estado americano não criaram apenas mais um novo Estado: Eles criaram, basicamente, toda a estrutura político-jurídica sobre a qual se assenta a chamada civilização ocidental. Para além de pessoas específicas daquele processo, quero me focalizar aqui fundamentalmente em quatro elementos criados pelos americanos e presentes nos dias de hoje: 1) O conceito de presidencialismo; 2) O conceito de república moderna; 3) O conceito de democracia moderna; 4) O conceito de federalismo.

O ápice do processo que deu origem aos quatro itens acima citados foi a promulgação da Constituição Americana em 1787, após aprovação na Convenção da Filadélfia. A Constituição americana colocou em prática os preceitos de Montesquieu, criando efetivamente a separação de poderes entre Executivo, Legislativo e Judiciário, e dando origem ao cargo político mais importante nos EUA: o presidente da República. Criava-se, assim, o presidencialismo, forma de governo em que as funções de chefe de Estado e de chefe de governo se centralizam em uma única pessoa e cuja atuação é independente do poder Legislativo no que diz respeito à sua origem. Rompia-se, desta forma, com a longa tradição parlamentarista em voga na Europa, originária da Inglaterra ainda nos idos de 1215 com a “Carta Magna” e concretizada em território inglês com a monarquia parlamentar a partir da Revolução Gloriosa de 1688.

A Constituição americana criou também o conceito de república em seu sentido moderno. Para além da inovação do termo, colocando-o em oposição a uma monarquia – na qual o chefe de Estado é hereditário –, a república americana trouxe a novidade de que o povo – considerando-se como “povo”, à época, todos os homens livres – passou a ter impacto no próprio governo, situação inexistente na Europa – o centro político do mundo de então. Estabeleceu-se a igualdade entre todos os homens e, mais importante, vinculou-se a importância da participação do cidadão na esfera pública (política) ao sucesso do país.

Tal proposta estava diretamente ligada ao conceito de democracia, ideia levada ao seu máximo – pelo menos para a época – pelos americanos. Antes mesmo da Revolução Francesa – e de toda a amplitude que tal Revolução trouxe em relação à ideia de igualdade jurídica entre todos os homens –, os americanos foram efetivamente revolucionários ao criarem mecanismos que garantiram a possibilidade de participação a todos os homens livres da época. Talvez hoje possa parecer pouco, mas o mecanismo jurídico-institucional criado pelos americanos fez com que o princípio da democracia se enraizasse de tal forma naquele país que o francês Tocqueville, já citado aqui em outra coluna, se maravilhasse com a estrutura política americana quando de sua visita aos EUA, 50 anos após sua independência.

A democracia americana, entretanto, só funcionou porque os americanos criaram outro princípio político fundamental nos dias atuais: o conceito de federação. Estabelecidos em uma confederação logo após sua independência, a promulgação da Constituição Americana transformou o país em uma federação, dando origem à distinção entre níveis de poder (o que chamamos no Brasil de União, estados e municípios) e vinculando a participação política do cidadão não apenas a questões de sua localidade, mas também à própria escolha do presidente do país – daí advém o sistema eleitoral americano que se perpetua até os dias de hoje, com os delegados, e que tanta estranheza causa ao cidadão brasileiro.

Infelizmente, o espaço é curto para que possamos desenvolver mais a fundo cada uma das ideias acima. De todo jeito, é fundamental compreender estes quatro elementos para que percebamos que a contribuição americana, para a política mundial, foi fundamental em seus primórdios e, afirmo sem titubear que, se não fosse pelos americanos – muito mais do que pelos franceses, com sua Revolução em 1789 –, o mundo como o conhecemos seria totalmente diferente. Assim, pelo menos em termos políticos, devemos dar sim um viva aos Estados Unidos, e agradecer a eles pela sua genialidade e criatividade na solução dos problemas políticos enfrentados à época – além, é claro, de tê-los como exemplo no sentido de perceber que, quando há vontade política, é possível mudar para melhor a situação de um país.

*Matheus Passos é colunista do Perspectiva Política aos sábados, é cientista político e editor do Blog do Prof. Matheus