Postagens com a palavra-chave ‘Impeachment’

Análise Geral: Collor, uma fênix às avessas

15/08/2010

Muitos brasileiros ainda têm frescas na memória as manifestações dos caras-pintadas. Jovens de todo o País foram às ruas, com tinta nos rostos, para pedir o impeachment de Fernando Collor, então Presidente da República envolvido em escândalos de corrupção.

Embora essas lembranças estejam bem vivas, já se passaram quase 20 anos. Collor já ultrapassou o martírio da suspensão dos direitos políticos e, voltando à ativa, se elegeu Senador por Alagoas, o estado que o catapultou para a Presidência em 1989.

Se antes da eleição Collor já escrevia livros contando como foi injustiçado, como Senador ganhou ainda mais voz. Seu discurso de posse foi marcado pelo tom da “volta por cima”, com o recém-eleito parlamentar comemorando o retorno aos holofotes “nos braços do povo”.

Pois bem. Eleito em 2006, Collor tem mais 4 anos de mandato. Não lhe custa nada, além dos gastos da campanha, concorrer ao governo de Alagoas. Caso perca, continuará sendo Senador. O plano era justamente aproveitar a situação cômoda para se fortalecer em Alagoas, visando a vitória, aí sim, em 2014.

Eis que Collor lidera as pesquisas pelo PTB de Roberto Jefferson. Alagoanos de cidades pobres rezam pelo retorno de Collor ao governo do estado. Uma senhora declarou, recentemente, que votará em Collor mesmo sabendo que ele rouba, pois ele dá aos pobres.

Teotônio Vilela é o atual Governador e tenta a reeleição com a máquina administrativa nas mãos. Ronaldo Lessa é o favorito há meses. Mas não tem para ninguém. As pesquisas apontam Collor na cabeça.

Fim das contas, Collor está perto de retornar ao governo de Alagoas, com o apoio do mesmo Lula que desancou em 1989. Renan Calheiros no meio de campo. E um mensalão inteiro para provar que o que Collor roubou é irrisório perto das cifras de hoje.

Collor é a fênix da política nacional. Ninguém nunca sofreu uma desconstrução em praça pública do tamanho da que ele sofreu e depois voltou a cargos de alto relevo.

É bem verdade que a ave mitológica merecia um representante de mais garbo, mas não se surpreendam os brasileiros se, em 2014 ou 2018, Collor apareça na telinha – e agora também no YouTube – pedindo seu voto a Presidente e querendo levar sua verve e sua retórica explosiva de volta ao Planalto.

Para enfrentar os caras-pintadas existem os caras de pau.

Análise Geral: Lula, o messianismo, o suposto golpismo da oposição e a militância na internet

24/07/2010

Informa a Folha:

“Ao discursar em ato de campanha de Dilma Rousseff em Garanhuns, nesta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a elite política do país tentou dar o golpe em seu governo depois do escândalo do mensalão, em 2005.

Segundo Lula, como a tentativa foi frustrada, os golpistas derrubaram Severino Cavalcanti da presidência da Câmara dos Deputados.

‘Tem gente que tem vergonha de se aproximar de você. Mas nessa campanha a gente não quer só ganhar eleição, mas amadurecer politicamente’, disse Lula, olhando para Cavalcanti na platéia.

‘Meu querido companheiro Severino, a elite da câmara elegeu você presidente para você fazer o jogo sujo que ela queria, mas não tinha coragem de fazer que era pedir meu impeachment em 2005′, disse.

Lula chamou a elite política de ‘perversa’ e disse que é com ela que é preciso acabar nas eleições. O presidente não citou o nome dos adversários, mas se referiu aos ’senadores de oposição de Pernambuco’.

‘Meu corpo estaria mais arrebentado que o corpo de Jesus Cristo depois de tantas chibatadas’, afirmou, pelas críticas que sofreu da oposição durante seu governo.

Referindo-se a 2005, Lula disse: ‘O que tentaram fazer comigo, fizeram com Getúlio e ele deu um tiro no peito. O que tentaram fazer comigo fizeram com Jango que teve que sair do Brasil. O que não sabiam, é que Lula era milhões de Lulas espalhados por esse país’, afirmou.”

Qualquer pessoa racional, sensata e honesta intelectualmente se sentirá incomodado com as declarações do Presidente. E não precisa ser tucano para achar isso. Basta ser alguém de bom senso.

Vejamos:

Lula diz que a oposição foi golpista na época do escândalo do mensalão em 2005. Os fatos dizem que o mensalão realmente ocorreu e que o PSDB hesitou em levar à frente o pedido de impeachment.

Lula diz que Severino é seu companheiro. Os fatos dizem que Severino é representante de uma política arcaica, atrasada, corrupta e em extinção e que Lula apenas o afaga por conveniência eleitoral.

Lula diz que é preciso acabar com a elite política. Os fatos dizem que representantes da elite política como Michel Temer, José Sarney e Renan Calheiros estão ao lado de Lula nessas eleições, sendo um deles o Vice de sua candidata que, com a ajuda imprescindível de Lula, assumirá a Presidência de vez em quando se ela vencer.

Lula diz que seu corpo estaria mais arrebentado que o de Jesus. Os fatos dizem que esta metáfora é de um messianismo prejudicial.

Lula diz que tentaram fazer com ele o que fizeram com Getúlio e Jango. Os fatos dizem que este paralelo aponta para a arrogância de Lula, que o faz comparar-se com figuras históricas da nação o tempo todo.

Por essas e por outras se torna impossível não criticar Lula em alguns momentos. E isso não faz da pessoa um oposicionista. Faz dela apenas um ser que não coloca uma venda nos olhos por conta dos avanços que o governo conquistou durante os últimos 8 anos.

Os mais radicais que defendem que se coloque a venda passam por insensatos por isso.

Uns defendem o indefensável na ânsia de proteger o que anda bem.

Outros defendem o indefensável por suas ideologias e sonhos.

Estes eu respeito.

O problema são aqueles que defendem o indefensável por conta de terem participado da confecção do indefensável e terem levado vantagem com isso.

Estes eu repudio.

No fim das contas, estes últimos defendem Lula porque ganham – e muito – com seu governo. Pecuniariamente.

Os primeiros o defendem sem saber o que se passa nos bastidores e sendo mais raivosos contra os que pensam diferente do que o próprio Lula quando fora do palanque.

Enquanto os mais moderados têm de aturar os petistas radicais da blogosfera, Lula quer levar uma egressa do PDT e um perfeito representante do conservadorismo para a Presidência.

Os exércitos se enfrentam e se matam enquanto os generais fazem acordos na mesa do café.

Arruda aceita cumprir o mandato licenciado, mas não quer renunciar

02/03/2010

As informações que chegam dão conta de que o Governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda, aceita se comprometer a se manter licenciado do cargo até o fim de seu mandato, em dezembro, mas não quer renunciar de jeito nenhum.

Os advogados de Arruda tentam negociar para que o Governador seja libertado da prisão em troca do compromisso de se manter afastado do governo, alegando que, distante do poder, Arruda não poderia influir maliciosamente no processo ou obstruir a ação da Justiça.

Acontece que, nos bastidores, dá-se como certo que os magistrados só se sensibilizariam e cogitariam permitir a libertação de Arruda caso este renunciasse. Só assim veriam com melhores olhos os pedidos de habeas corpus.

A questão é que renunciar Arruda não quer. Não aceita.

O porquê disso é facilmente compreensível: Afastado, Arruda mantém imunidade, foro privilegiado e prisão especial. Se renunciar, perde tudo isso.

No pior cenário para o Governador, ele poderia renunciar, ser libertado da carceragem da Polícia Federal e, caso preso novamente, ir parar na Penitenciária da Papuda. Muito pior.

É por isso que Arruda não renuncia. E torce para que o seu impeachment não seja aprovado na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Torce provavelmente em vão.

Paulo Octávio não renunciou: Você entendeu? Não? Nem eu!

19/02/2010

Tudo indicava que Paulo Octávio renunciaria ao Governo do Distrito Federal. O Vice de Brasília, Governador em exercício, não tem apoio político e nem muitas condições de virar esse jogo.

P. O. tentou convidar nomes fortes para compor um novo secretariado. Não conseguiu. Tentou fazer uma gestão suprapartidária. Não conseguiu. Tentou ser recebido pelo Presidente Lula. Só conseguiu com atraso.

Octávio luta também contra pedidos de impeachment, manifestações populares e denúncias.

Governando com esse cenário, Paulo Octávio marcou uma coletiva de imprensa. Todos esperavam a renúncia.

Eis que o substituto de Arruda diz que ficará mais alguns dias, que tentará mais um pouco e que decidiu tomar essa atitude após conversar com Lula.

Disse também que, ficando no poder, diminui o risco de intervenção federal no DF e que muitos partidos o pediram para ficar.

Acontece que o Ministro Alexandre Padilha, das Relações Institucionais, disse que Lula não aconselhou nada. Roberto Gurgel, Procurador Geral da República, disse que Octávio estar ou não no governo não altera a questão da intervenção federal. Por fim, os representantes dos partidos na Câmara Legislativa não parecem nem um pouco solidários.

Mesmo assim, o Vice ainda não deixará o governo, embora vá deixar o DEM, já que o partido provavelmente o expulsará se não o fizer. Não há saída dentro da legenda.

Não há também vislumbre de melhora para a situação política do DF. Nem para a de Paulo Octávio. Nenhum analista político conseguiu uma explicação plausível para o fato de o Vice não ter renunciado. Não entendem que esperança ele tem. A estratégia de inaugurar obras e fingir que a crise não existe não vai funcionar.

Fato é que Paulo Octávio não renunciou.

Você entendeu? Não?

Nem eu.

Novas denúncias: Arruda se preocupa e pensa em renúncia para fugir de cassação

16/02/2010

Informa o Globo, a respeito da preocupação de José Roberto Arruda com relação às novas denúncias que envolvem seu nome e o seu governo:

“O advogado Thiago Bouza, que visitou nesta segunda-feira na prisão o governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), disse que tem informado o governador afastado sobre as novas denúncias, como a de loteamento de cargos do governo e a suspeita de que a Polícia Civil do DF teria sido usada para espionar investigações conduzidas pelo Ministério Público a respeito do suposto esquema de corrupção que ficou conhecido como escândalo do mensalão do DEM de Brasília.

- O Arruda começa a demonstrar a preocupação a respeito disso ( novas denúncias) – disse Thiago Bouza, que trabalha no escritório de Nélio Machado. “

Informa o Estadão, também sobre Arruda, dessa vez citando a possibilidade de renúncia do Governador afastado para fugir da cassação e, ao mesmo tempo, aumentar as chances de conseguir um habeas corpus:

“Aliados do governador licenciado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM, sem partido), apostam na sua renúncia como saída para escapar da já acertada cassação do mandato, na Câmara Distrital, e da prisão. Na tentativa de impedir a intervenção federal no governo de Brasília e pressionar Arruda a renunciar, os deputados distritais fizeram um acordo para aprovar, na quinta-feira, 18, o pedido de abertura de impeachment do governador licenciado. Ao mesmo tempo, com o abandono do cargo, aumentam as chances de Arruda ganhar o habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF), para ser libertado.”

Os dois trechos reproduzidos acima comprovam, determinantemente, um fato:

O cerco sobre Arruda está, sem dúvida, e acertadamente, se fechando.

Aguardemos o desenrolar dos fatos.

Atenção: Lula não gosta, mas José Roberto Arruda ficará preso – Impeachment de Paulo Octávio será pedido por PSB e OAB

12/02/2010

O habeas corpus pedido pela defesa do Governador José Roberto Arruda não será concedido. Ainda não é oficial, mas o Ministro Marco Aurélio de Mello do Supremo Tribunal Federal já decidiu que negará a liminar que possibilitaria a Arruda sair da cadeia especial e responder em liberdade às acusações.

Portanto, o Governador deve continuar preso e, provavelmente, passará o Carnaval dessa forma, já que o Supremo só se reunirá novamente na quarta-feira de cinzas, após a folia.

De certa forma, é triste assistir a todo este espetáculo, afinal, trata-se de um Governador, alguém que tinha a confiança de seu povo, um representante popular, chegando a um ponto onde só a prisão é solução. Por outro lado, não se pode lamentar que Arruda esteja na cadeia. Ao contrário, é motivo de comemoração, pelo menos, o fato de a impunidade não ter reinado mais uma vez.

Em resumo, é triste que Arruda tenha se comportado da forma com que se comportou, traindo a confiança popular e mitigando a credibilidade das instituições, porém, uma vez tendo Arruda procedido dessa forma, é corretíssimo que seja preso e enfrente todos os rigores da lei. Nesse momento, como em todos os outros, ele é, ao contrário do que diz o Presidente Lula, “uma pessoa comum”. E assim deve enxergá-lo a Justiça.

Aliás, falando em Lula, a declaração do Presidente de que é ruim para a política nacional que Arruda seja preso foi vista com um misto de incompreensão e indignação. Se Lula quis dizer que trata-se de uma mancha na história política nacional que era desnecessária, acerta. Porém, se visou afirmar que Arruda não deveria ter sido preso, passando a mão na cabeça dos corruptos mais uma vez, incentivando a impunidade e sendo conivente e leniente, erra. Erra feio. Pois empreende mais um esforço péssimo para a banalização da corrupção, fato constante em seu governo.

Além disso tudo, como era de se esperar, o Vice-Governador Paulo Octávio, que assumiu o cargo, enfrentará também pedidos de impeachment feitos por instituições muito relevantes. Já é certo que a OAB-DF e o PSB-DF se dirigirão neste sentido.

Enquanto isso, o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, recomenda a intervenção da União no Distrito Federal, prevista em lei para casos extremos como esse.

Sendo assim, ao mesmo tempo em que é cogitado o impeachment de Paulo Octávio e Arruda continua na cadeia como Lula disse não desejar, é o próprio Presidente que pode acabar nomeando o novo Governador do Distrito Federal, um interventor da União.

Por fim, vale ressaltar que Lula pode não estar gostando da prisão de Arruda por ela dar muita margem a um comentário que está circulando fortemente:

Arruda foi preso, ótimo, mas por que não foram igualmente presos José Dirceu, Paulo Okamotto e Luiz Gushiken, por exemplo, por conta do mensalão?

É verdade que Arruda fez a única coisa que não poderia fazer – obstruiu claramente as investigações – dando um tiro no pé. Não fosse isso, não teria sido preso, assim como os mensaleiros não foram. Mas não justifica.

Se a Justiça vale para alguns influentes, deveria valer para outros mais influentes ainda.

Talvez para não ouvir isso, Lula queira Arruda solto. Não sei. Pode ser.

De qualquer forma, o Governador do Distrito Federal deve passar mais alguns dias encarcerado. Uma mancha para a política nacional e um exemplo para a Justiça ao mesmo tempo.

Acompanhemos o desenrolar dos fatos.

José Roberto Arruda: Impeachment fica para 2010

16/12/2009

Foi decidido ontem que a Câmara Legislativa do Distrito Federal paralisará suas atividades de hoje até 11 de janeiro. É o chamado recesso. Os deputados distritais saíram de férias.

É verdade que a oposição a José Roberto Arruda na Câmara desejava acelerar e empreender, o quanto antes, os devidos trâmites para que o impeachment do Governador fosse votado no Plenário. Contudo, esse desejo não foi suficiente. A tropa de Arruda empurrou a votação para 2010.

Pelo menos um acordo foi conseguido. Os defensores de Arruda pleiteavam o retorno apenas em fevereiro. Ele se dará em janeiro, por pressão da oposição ao Governador.

De qualquer forma, o impeachment, aprovado ou não, fica para 2010. Com isso, Arruda tentará fazer a poeira baixar e ganhar fôlego. Não sei se é possível, mas o recesso já lhe dá a possibilidade de trabalhar por isso e a esperança de conseguir.

Nem isso deveria ter-lhe sido concedido.

Como este que vos fala já asseverou, Arruda não tem mais credibilidade para comandar o Distrito Federal. Apenas alguém que chegou ao planeta Terra hoje pode imaginar que ele reúne condições de prosseguir com o governo. A gestão já terminou há algumas semans.

Resta ao povo do Distrito Federal, se quiser que Arruda deixe o governo antes da segunda quinzena de janeiro, protestar e requerer a renúncia, além de pressionar os parlamentares distritais para que estes retirem do Governador o apoio político.

Os brasileiros costumam dizer, com conformismo, que é sempre tudo igual, que nunca há nada a fazer e que não é possível mudar o cenário político nacional.

Ora, pois está aí a chance. Onde estão os brasilienses? Saiam às ruas! Peçam a renúncia de Arruda!

O Brasil tem a impunidade que observamos, muito, por falta de protesto dos próprios brasileiros.

Se Arruda continuar no poder depois de caminhar em corda bamba que balança com tamanha violência, será pura e simplesmente por falta de atitude do povo do Distrito Federal. Depois, se acontecido isso, reclamarão.

Atitude, meus caros! Indignação!

Renúncia, já!

Não basta que José Roberto Arruda tenha sido empurrado para fora do Democratas. É preciso, também, que ele seja posto para fora do governo.

José Roberto Arruda: Câmara do DF adia escolha de comissão que analisará impeachment

15/12/2009

Informa a Folha:

“Sem consenso, os deputados distritais adiaram para esta terça-feira a eleição da comissão especial que vai analisar os três pedidos de impeachment contra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), por crime de responsabilidade. A base aliada de Arruda questiona a tramitação dos pedidos de afastamento adotada pelo atual comando da Câmara Legislativa, que decidiu seguir a lei 1.079, criada em 1950.

Os aliados do governador trabalham para sepultar a comissão especial e levar os pedidos de impeachment para a análise da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Por lá, seria mais fácil organizar uma tropa de choque a favor de Arruda.

Na avaliação dos distritais alinhados com o governador, seria possível contar com três dos cinco votos da CCJ, enquanto a comissão especial seria composta por nove parlamentares e precisaria de cinco votos favoráveis para impedir que os processos avancem e cheguem ao plenário.”

Confiando que o fato de não estar mais nos quadros do Democratas irá diminuir a carga sobre ele, o Governador José Roberto Arruda e os seus aliados começam as articulações para tentar segurar Arruda, pelo menos, no governo do Distrito Federal.

Acontece que, como já dito aqui, o Governador não detém mais credibilidade para tal função. Não há mais confiança em seu trabalho e em sua pessoa. Não existe mais envergadura para isso. A intenção de alguns de tentar manter Arruda no cargo só pode advir de um mundo onde a razão está em falta.

O povo do Distrito Federal, assim como todo o Brasil, não pode permitir que Arruda permaneça no governo. Seria um acinte, uma vergonha, um absurdo completo.

Os deputados distritais que defendem o Governador precisam ser pressionados pelas suas bases. Os que se calam precisam gritar.

Renúncia, já!

José Roberto Arruda: Fora do Democratas

10/12/2009

Depois de aproximadamente dez dias de impasse, a situação de instabilidade da filiação de José Roberto Arruda ao Democratas finalmente se resolveu. Arruda está fora do DEM e, consequentemente, das eleições de 2010.

Como o Perspectiva Política e outros meios adiantaram, a expulsão de Arruda dos quadros do Democratas era iminente. Devido a esse fato, o Governador do Distrito Federal preferiu reduzir o desgaste e tomar a iniciativa de se desfiliar, contrariando, felizmente, o seu intuito anterior de lutar para ficar no partido e barrar sua expulsão da legenda na Justiça.

Digo felizmente pois não seria interessante para ninguém que Arruda empreendesse uma batalha jurídica contra o Democratas para continuar dentro dos quadros do partido. É verdade que a desfiliação deve ser fruto, provavelmente, da informação de que o recurso de Arruda junto ao TSE seria negado, porém, de qualquer forma, é preciso que se crie no País a cultura de que os corruptos devem envergonhar-se, assumir seus erros e retirar-se da vida pública, sem tentativas maliciosas de postergar as consequências de seus atos através de medidas jurídicas. Se Arruda se colocasse em litígio com o Democratas, o incentivo seria o contrário do ideal.

Políticos notoriamente culpados no que diz respeito às denúncias e acusações de corrupção não devem insultar a inteligência do grande público e se utilizarem de caríssimos advogados para deter o andamento dos processos que visam os punir, jurando uma inocência que não tem nenhuma credibilidade.

É por essas e por outras que a atitude de Arruda deve ser comemorada. Não por ele. Mas pela noção de que a pressão de seus companheiros de partido e da sociedade como um todo foi suficientemente grande para obrigá-lo a tomar a atitude que tomou.

Deveria ser sempre assim.

Agora, fora do Democratas, Arruda provavelmente tentará, pelo menos, manter o foro privilegiado no que diz respeito à defesa que apresentará na Justiça. Ele conseguirá isso se continuar no cargo de Governador. Portanto, esta é a luta de Arruda a partir de hoje: Fazer com que o distinto público deixe um pouco de lado o seu nome, diminuindo com isso a pressão da sociedade. Assim, poderá tentar abafar os pedidos de impeachment que existem contra ele e conservar as vantagens jurídicas que o cargo de Governador concede.

Arruda deixou claro que este é realmente o seu intuito, com a seguinte declaração dada após a desfiliação:

“Na última semana fomos submetidos a um espetáculo de cenas montadas com fatos ocorridos no governo anterior para que pareça que tudo aconteceu no presente. Os cortes que fiz em despesas do governo hoje se voltam contra nós.

A farsa montada foi um recurso dos adversários para me tirar da disputa de 2010. Essas farsas marcam negativamente a vida brasileira. Não consegui extirpar completamente essas pessoas responsáveis pela farsa. Tenho agora essa oportunidade. Vou poder administrar Brasília desinteressado na eleição que vem.

No meu governo não tem grilagem de terra, transporte pirata. Não posso permitir que essas conquistas se percam. Temos mais de 2 mil obras em andamento. Vamos concluir todas. Tenho a responsabilidade de preparar a cidade para a Copa do Mundo e seu cinquentenário.

Para isso tomo a difícil decisão de sair da vida partidária. Não disputarei as eleições do próximo ano. Quero cumprir todas as metas do meu governo. Como cidadão, vou lutar para mudar certos usos e hábitos da vida brasileira.

Com esse gesto, evito o constrangimento de companheiros do partido, divididos entre saciar a sede da mídia ou me conferir o amplo e legítimo direito de defesa. Vou concluir o mandato que me foi dado pela vontade popular.”

Percebe-se que agora cabe ao povo do Distrito Federal, e à sociedade brasileira como um todo, mostrar ao Governador Arruda que as coisas não são tão simples assim, que não basta se desfiliar de seu partido, evitando uma expulsão iminente, para que as críticas cessem, as pressões acabem e o foro privilegiado se mantenha.

As imagens e as denúncias contra Arruda formam um todo contundente e inquestionável. Não há mais credibilidade com relação a Arruda para que ele continue a gerir o Distrito Federal. Quem poderá garantir que ele não fará, nos próximos meses, o mesmo que vinha fazendo?

Portanto, o fato de a pressão popular e partidária ter feito Arruda se desfiliar é apenas a vitória em uma batalha. Ainda perdura a guerra, que só será vencida quando Arruda estiver fora do governo do Distrito Federal e enfrentando o devido processo legal pelos atos que cometeu.

Esses precisam ser os próximos capítulos da novela brasiliense.

Por enquanto, fica a noção de que o Democratas, pelo menos, empurrou Arruda para uma desfiliação, por conta da expulsão inapelável. Fez melhor, bem melhor, do que PT e PSDB fizeram com seus mensaleiros.

Coluna do dia: A corrupção de Arruda e a arte de se ter apenas uma moral

04/12/2009

Por Yashá Gallazzi*

FORA ARRUDA! FORA MENSALEIROS!

Não quero parecer ambíguo, por isso comecei o texto com as frases acima. Quero que os leitores saibam, desde já, que qualquer mensaleiro, se dependesse de mim, iria para a cadeia. Simples, não? Bem, mais ou menos… Aqui, “nestepaiz” esquisito, algumas coisas óbvias não parecem assim tão simples.

Os leitores sabem que sou considerado por alguns como um conservador. Outros – estes mais diretos – preferem dizer que sou reacionário. A maioria, porém, não tem dúvidas: “Esse sujeito é um direitista!” O problema é que essa turma tem o péssimo hábito de medir os outros pela sua própria régua. Assim, se eles decidiram, por exemplo, que ser “pogreçista” é aprovar o aborto, qualquer um que seja contrário ao assassinato dos bebês será um… direitista!

No caso do mensalão do Arruda – ou do DEM, como queiram -, se comportam da mesma forma. Como eles – os “pogreçistas” – defenderam com unhas e dentes as trapaças de Lula, Dirceu e companhia, cobram que “a direita” faça o mesmo agora e abrace Arruda. Sai pra lá! No meu colo vocês não jogam esse cadáver, não!

Quando, há alguns anos, fui acusado de ser “de direita” pela primeira vez, respondi ao interlocutor: “Depende. Se você está falando de Lincoln, Churchill e Thatcher, tudo bem.” Ao que o outro retrucou: “E Hitler?! E Mussolini?!” Entenderam o truque desses valentes? Sabem o que é mais curioso? Essa gente é a mesma que, até hoje, renega sua “herança maldita”. Qual? Bem, os mais de 100 milhões de mortos legados ao mundo por “humanistas” como Lênin, Stálin, Mao, Pol-Pot, Castro e afins.

Por que não defendo Arruda? Bem, porque só tenho uma única moral, sempre constante e certa. Sim, eu sei que isso pode soar um tanto aborrecido, ainda mais em um Brasil onde o Presidente se gaba de ser uma “metarmofose ambulante”… Mas é assim. E, abraçado à minha única moral – e à lógica, como sempre -, só posso condenar Arruda e toda aquela canalha que estuprou a democracia.

Quem tem duas morais – deve ser fruto da tal dialética, lembram? – é a gente “pogreçista”, a turma do “outro mundo possível”. Foram eles que, entre 2004 e 2005, praticaram contorcionismos retóricos os mais absurdos a fim de justificar o mensalão lulo-petista. Aliás, não! Eles fazem isso até hoje! Experimentem tratar do assunto com aquele amigo petista e verão: “Mensalão? Isso nunca existiu! Tudo invenção da imprensa golpista e da elite conservadora e preconceituosa!” E assim eles seguem exercitando a arte de ter uma moral própria, diferente da nossa – que eles chamam de “burguesa”.

Eu? Ora, eu quero que todo mensaleiro vá pro diabo! E que se note: eu disse todo! Quero que os democratas envolvidos sejam punido, da mesma forma como defendo, até hoje, punição para os petistas. Quero que Arruda sofra impeachment, da mesma forma como defendo o mesmo fim para Lula. Perceberam? É essa simplicidade de propósitos, essa lógica moral evidente que deixa os “pogreçistas” ouriçados. Eles não se conformam com isso, e insistem em medir seus adversários – que chamam indistintamente de conservadores – pela própria régua. Por isso vêm até mim, perguntando: “E aí? Não vai defender o Arruda?” Eu?! Eu, não! E você, petralha? Vai continuar defendendo o Dirceu?

Sim, podem apostar que eles continuarão exercitando a ética maleável: defenderão o lulismo e seus desmandos e, com o mesmo vigor, pedirão punição para os demais. Um dos tantos pedidos de impedimento de Arruda – pasmem! – foi apresentado pelo PT! Isso para não mencionar os tais “movimentos sociais”, esbirros do petismo, que já se apressaram em cobrar “ética”. Cobraram de quem? Bem, dos outros… Afinal, eles são a “vanguarda transformadora”, não é? Eles não precisam perder tempo com coisas pequeno-burguesas como a lei e o direito. Só o que importa para eles são “ozoprimido”.

Eu sei que estou dizendo algo até bastante evidente, mas é que vivemos tempos um tanto sombrios. Hoje, defender a liberdade de expressão de um ex-petista é ser “de direita”. Fácil compreender por que essa gente estranha não consegue chamar bandido de… bandido! Para eles, só “os outros” são bandidos. Quais? Bem, os que não roubam pela “causa”. Pode parecer novidade, mas é só a repetição de um triste padrão. Os que justificam o mensalão lulista, mas condenam o de Arruda, são os mesmos que criticam Hitler, mas conseguem justificar Lênin e Trotsky. É sempre a velha história das duas morais…

Eu não defendo os envolvidos no mensalão do distrito federal porque não tenho bandidos de estimação. Quero é que todo o bandido seja processado, condenado e encarcerado. Simples assim. Logo, quero que Arruda e sua corja sejam atirados num calabouço, de preferência junto com Lula, Dirceu e companhia. Quem tem bandidos – terroristas e ditadores também – de estimação são os “pogreçistas”, que conseguem condenar o regime militar brasileiro, ao mesmo tempo em que tecem honras a Fidel Castro, o maior assassino da história das Américas. Eu? Bem, “conservador” que sou, quero mais é que todos sejam atirados na lata de lixo da história!

Acreditem: Não há nada mais libertador do que se deixar nortear por princípios que não precisam justificar o assassinato, nem condescender com a corrupção. Sabem, porém, o que é mais curioso? Isso, no Brasil de hoje, tem sido sinônimo de ser “conservador e de direita”. Bom, se é assim… Que assim seja!

No mais, eu não poderia defender o DEM em nenhuma hipótese. Nem mesmo em razão de uma suposta afinidade ideológica. O ex-PFL, afinal, está muito à esquerda para o meu gosto pessoal.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento