Postagens com a palavra-chave ‘Imigração’

Coluna do dia: Enquanto o Haiti passa fome, os EUA temem “invasão” em seu território

24/01/2010

Por Jessica Riegg*

No dia 12 de janeiro, o Haiti sofreu com um terremoto de magnitude 7. O país recebeu várias doações e tenta se reeguer após o pesadelo. O Brasil mantém 1300 militares no país. Já os EUA aportaram em Porto Príncipe com 16 mil soldados que controlam o porto e o aeroporto da capital.

Os EUA temem a invasão de seu território pelos haitianos por causa da situação em que o país se encontra. Escolas, hospitais, casas, supermercados e todo o resto essencial para a vida em sociedade foi praticamente destruído.

Milhares de crianças estão abandonadas sem ter com quem ficar e estão sendo encaminhadas para a adoção em outros países, onde terão condições de sobreviver dignamente. A situação é triste: Cerca de 111.499 mortos e, para cada mil mortos, 1 sobrevivente resgatado. Agora o governo do país encerrou a busca por sobreviventes, diminuindo a esperança daqueles que ainda sonhavam em encontrar parentes perdidos.

Enquanto várias autoridades  se preocupam em enviar dinhero e alimentos para os habitantes do Haiti, o governo americano teme a invasão de seu território. Não são enviados mais soldados apenas para ajudar na reestruturação do país. Eles se preocupam também  em impedir que os haitianos imigrem para o território americano.

A invasão de território é, de certa forma, comum nos EUA por proporcionar melhores condições a quem chega lá, mas esses haitianos, que passaram dias sem comer, jamais chegariam com vida ao norte. No fundo, eles querem apenas viver em paz. E para isso precisam de uma estrutura no seu país, quase totalmente destruída pelo terremoto.

Se os Estados Unidos enviassem mais tropas para garantir a organização da distribuição de alimentos (completamente bagunçada e permitindo que apenas pessoas fortes consigam adquirir as doações), os haitianos provavelmente pensariam duas vezes mais em ficar no seu país.

É necessária a ajuda internacional urgentemente. É extremamente preciso que a ONU envie tropas de paz para ajudar nas construções e no cuidado com os feridos. É preciso ajudar o país a se reerguer.

Fico muito triste ao ver notícias como esta que cita que os EUA pensam mais na sua qualidade de vida, sem se lembrar que outros estão em uma situação caótica, e que eles podem resolver, ou pelo menos ajudar muito a solucionar, o caos. Aguardemos os novos fatos enquanto os haitianos unidos, com a ajuda de tropas brasileiras que estão sendo enviadas, reconstroem seu país e sua dignidade.

Em meio ao luto, há sinais de que o país caribenho, o mais pobre das Américas, começa a voltar à vida. Os bancos devem reabrir no sábado e as agências de transferência de dinheiro voltam a operar.

*Jessica Riegg é colunista do Perspectiva aos domingos e escreve diariamente no Twitter em @jessicariegg

Pesquisa mostra que 43% dos brasileiros querem proibir imigração

10/10/2009

Informa o Globo:

“A grande maioria dos brasileiros esbraveja, critica, define como absurdas e condena as restrições cada dia mais severas à imigração impostas por países europeus (em especial a Espanha) e pelos Estados Unidos. No entanto, essa mesma maioria é amplamente favorável à implantação de condições igualmente restritivas à entrada de estrangeiros que pretendem viver no Brasil. É o que mostra reportagem de José Meirelles Passos na edição deste domingo do jornal O GLOBO.

Segundo a reportagem, essa atitude aparece de forma muito clara no mais recente Relatório do Desenvolvimento Humano, do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), divulgado dias atrás. Ele registra que apenas 9% dos brasileiros são favoráveis à liberação da entrada de estrangeiros no país.

De acordo com o relatório, quase a metade da população – 43% – é a favor de limitar ou proibir a imigração. Outros 45% querem que o governo só permita que estrangeiros ingressem ‘desde que haja empregos disponíveis’. Trata-se de um argumento que não passa de uma simples cristalização de um equívoco. “

Está posto aí um caso interessante de moral dupla. O brasileiro critica o preconceito estrangeiro mas, em grande parte, é preconceituoso quando se trata da entrada de entrangeiros, que configuram mão-de-obra mais barata, em seu País.

Ao invés de ter um peso e uma medida, o brasileiro, em sua maioria, se posiciona dependendo de ser afetado ou não pelo fato discutido.

Com certeza o brasileiro é mais coerente em outras questões. Porém, ficou comprovado com esta pesquisa que nosso País é mesmo um de contradições.

Coluna do dia: Eleições europeias – A escolha pela verdade

02/10/2009

Por Yashá Gallazzi*

No último final de semana os alemães foram às urnas. Aliás, corrijo-me: Uma parcela bem pequena dos alemães foi às urnas e decidiu que a atual chanceler, Angela Merkel, deve continuar no cargo, guiando os desígnios da nação.

O recado dos eleitores, aliás, foi bem mais eloquente e profundo: deram a Merkel um mandato mais autônomo, ao lado dos Liberais democratas e distante da Social-democracia, com quem Merkel vinha dividindo o Executivo ao longo dos últimos quatro anos.

A análise que pode ser feita é bem simples e direta: os alemães aprovaram a condução do país feita por Merkel, mas não gostaram da mistura insossa decorrente da Grosse Koalition, formada pela Democracia Cristã, da chanceler, e pelos Sociais-democratas. Entenderam a legislatura que termina exatamente como aquilo que foi: um governo de exceção, nascido de um país muito dividido entre as duas principais forças e suplicante por reformas essenciais a fim de encontrar, de novo, o caminho da modernidade. Esse período, tudo indica, já passou. E a liderança firme de Merkel foi premiada, com a vitória incontestável do seu partido – apesar da perda de quase 2% dos votos, em relação a 2005.

Além da liderança positivamente surpreendente de Merkel, os alemães parecem ter notado o óbvio: é particularmente difícil implementar reformas modernizadoras quando se está amarrado a partidos de tradição radical. A Social-democracia alemã, sabemos, é um dos partidos de esquerda mais tradicionais da Europa – foi fundado por Karl Marx! – e traz em seu bojo uma verdadeira federação de interesses os mais divergentes. Estão, por exemplo, amarrados aos sindicatos tradicionais da Alemanha, bem como a algumas vertentes “moderneiras” daquilo que chamo de consenso politicamente correto. Era só apresentar um projeto um pouco mais liberalizante e pronto: lá ia a Social-democracia falar em “consultar as bases”, o que, convenhamos, é uma metáfora para não fazer absolutamente nada.

O eleitorado cansou das amarras que a ideologia ainda arcaica dos social-democratas alemães teceu sobre a coalizão de governo e atendeu ao pedido de Merkel: deu-lhe nova vitória eleitoral, além de fortalecer os Liberal-democratas, com quem a chanceler deve conseguir formar o novo governo, mais claramente posicionado na chamada centro-direita.

Direita? Hum… Conservadores? Hum… Sim, no Brasil isso causa arrepios, não é? Aqui somos todos “pogreçistas”, mesmo tendo que conviver com Sarney, Collor e Renan Calheiros na base de sustentação daquele que é considerado o governo “dozoperário” e “dozoprimido”. Aqui, transformamos em herói da resistência democrática e das esquerdas a um golpista como Manuel Zelaya, latifundiário tradicional de Honduras e acusado, inclusive, de homicídio. Malvados mesmo só os tais conservadores.

Pois sabiam que o líder dos Liberal-democratas é um homossexual assumido? Sabiam que o partido dele milita a favor do aborto e das uniões entre pessoas do mesmo sexo? Quanto conservadorismo, não? Aliás, sabiam que a agenda de Angela Merkel, no que concerne à imigração, é uma das mais permissivas do mundo ocidental? Mais até – atenção agora! – do que aquela do “socialista” Zapatero, da Espanha? E aí? Deu para os conservadores ficarem mais – como direi? – “legais” depois disso?

O principal, o mais importante recado que as urnas deram após as eleições legislativas da Alemanha foi o seguinte: entre uma esquerda falsa e uma direita séria, o eleitor fica com a segunda. É isso que está causando na Europa essa tal “onda conservadora” que tanta gente insiste em demonizar.

Na verdade, não há onda nenhuma. O que há é a percepção do eleitor de que os problemas práticos devem ser geridos de forma objetiva e competente, sem que o Executivo esteja preso a amarras ideológicas de séculos passados.

Na Itália, por exemplo, Berlusconi venceu porque os cidadãos entenderam que a centro-esquerda tradicional não conseguia formatar um plano de governo conjunto. Havia no mesmo balaio social-democratas moderados e grupos sectários contrários à globalização. Imaginem uma reunião com essa gente toda… Não pode levar mesmo a lugar algum…

É por isso que os governo ditos mais conservadores – que eu prefiro chamar de mais pragmáticos – estão vencendo. Porque o eleitor quer respostas, resultados. Não quer debates infinitos sobre o que a classe trabalhadora, à luz dos ensinamentos de Marx, poderá dizer sobre isso ou aquilo.

Em breve, o Reino Unido também irá às urnas, para eleger David Cameron, líder dos “Tories”. Como eu sei? Bem, está na cara, não é? As esquerdas tradicionais passaram o último ano enchendo a nossa paciência com essa história de “fim do capitalismo”, “crise gerada pela ganância”, “quebra do modelo capitalista” e “destruição do liberalismo e da direita”. Anunciaram até que os – se me permitem – “ensinamentos” de Marx estavam “mais vivos do que nunca”, pois o armagedom capitalista teria chegado.

E o que aconteceu? Bem, o capitalismo venceu, como sempre. Ele traz em si mesmo o germe da destruição, como disse o barbudo teúdo e manteúdo de Engels? Sim, até traz. Só que ele esqueceu-se que é trazida, também, a semente do seu próprio renascimento. Assim, o cidadão está punindo os néscios que pregaram o fim do mundo e cantaram “A internacional” a plenos pulmões, preparando-se para uma revolução que nunca veio. Resolveram premiar aqueles que se sentaram à mesa para trabalhar e encontrar soluções para os problemas.

Como é mesmo que se disse nos Estados Unidos: “É a economia, estúpido!”. Não! Não, é! É a ideologia!

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: Duplicidade e demagogia na política atual

08/09/2009

Por Raphael Machado Silva*

Em uma democracia supõe-se que os políticos eleitos pelos cidadãos tenham a função de representar os interesses de seu eleitorado, lutando entre a miríade de interesses diversos para garantir que os de seu eleitorado recebam a merecida atenção. Porém, pode-se dizer que são poucos os políticos que têm esse entendimento. E isso se aplica tanto aos países de 1º Mundo como aos de 3º Mundo.

Geralmente, um político entende que seu mandato lhe dá uma carta-branca para fazer o que achar melhor (salvo o proibido por lei) e que não resta qualquer vínculo entre ele e os eleitores que lhe auxiliaram a chegar ao poder. Assim, os interesses de seu eleitorado servem apenas como mercadoria. Antes da chegada ao poder prometem-se certas coisas em troca de votos. Após alcançado o cargo almejado procrastina-se até chegar o momento em que realizar uma das promessas dará os maiores frutos publicitários possíveis. Mas não se pode realizar tudo. Devem sobrar promessas para as eleições seguintes. Todas essas promessas não cumpridas são ditas como não atingidas por culpa da oposição e alega-se que para que sejam conquistadas futuramente o eleitorado deve reeleger seu político.

Os Parlamentos ocidentais modernos em pouco se diferenciam de praças de mercado. Não há interesse, bem ou direito que não seja negociável. Tudo tem o seu preço.

Poucos países demonstram isso tão bem hoje quanto a Grã-Bretanha. Apesar de a grande maioria da população ser contra a imigração e não crer nos mitos dos benefícios econômicos da mesma, poucos países possuem uma política tão aberta e favorável à vinda de imigrantes. Poucos países têm feito tanto para aumentar as regalias de imigrantes às custas dos nativos quanto a Grã-Bretanha. Quem diria que hoje a Sharia, legislação religiosa islâmica, estaria em operação na Bretanha da Rainha Vitória, com reconhecimento oficial das autoridades do governo, já existindo até mesmo reportagens a respeito dos temores a respeito disso?

Como é possível combater o terrorismo no exterior e, ao mesmo tempo, possuir uma política migratória tão aberta que é incapaz de saber exatamente quem entra e sai de seu país e que permite que populações tradicionalmente hostis aos valores ocidentais apliquem leis incompatíveis com os mesmos em seu próprio território?

A Líbia é governada há décadas por um ditador extremamente presunçoso e hostil, que financia abertamente terroristas de todas as ideologias e causas ao redor do mundo. Tem sido colocada em discussão, inclusive, a exigência, por parte das vítimas dos ataques do IRA, de indenizações a serem pagas pela Líbia, que, sabe-se, forneceu toneladas de armamentos e explosivos ao grupo terrorista durante os anos 80.

Toda a razão nos levaria a crer que o governo britânico exerceria pressão incomensurável no sentido de extrair dos líbios não só uma grande compensação, mas também um pedido formal de desculpas, assim como, se possível, a prisão dos responsáveis pelo fornecimento de armamento pesado a terroristas. Mas não é o que se passa. Apesar de frouxas afirmativas por parte do governo de que apoiaria as exigências das vítimas do IRA, muito pouco têm sido feito para garantir reparações.

O que se coloca no caminho?

Interesses comerciais. Especificamente, interesses relacionados à indústria do petróleo. É assim que países de 3º Mundo se tornam capazes de usar e abusar da paciência dos países mais desenvolvidos. Através do controle de recursos naturais importantes. Ter ou não o apoio das grandes potências depende muito pouco de afiliação ideológica, mas  sim da predisposição para negociar, para traduzir todos as suas pretensões em interesses comerciais em favor das potências.

É uma pena que, cada vez mais, as populações ao redor do mundo pareçam mais e mais tolerantes com relação aos seus políticos. Um tipo de comportamento muito favorável para o surgimento de “ditadores democráticos”, como foi Júlio César.

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.

Coluna do dia: A mente colonizadora e as populações indígenas e caboclas do Sul do Brasil

05/07/2009

Por Tiago Franz*

A legenda de uma fotografia do livro “Contestado” (1986), publicação sob responsabilidade do estado de Santa Catarina, informa, corretamente, que os índios Kaingang são os “mais antigos e originais habitantes da região” oeste do estado. Em geral, no que se refere aos processos de colonização de terras, é preciso que o modelo social dominante esteja implantado por completo e totalmente enraizado na cultura do local para que se possa refletir sobre os fatos que compõem a sua história. O estado que hoje reconhece os seus habitantes originais é o mesmo que permitiu a colonização das terras pelos imigrantes europeus, colocando à margem da sociedade os povos indígenas.

As pessoas mudam. Os governos mudam. Se hoje o reconhecimento dos direitos dos povos indígenas é indiscutível, por que então continuam em situação deplorável de vida? O discurso muda, mas o modelo permanece. Quase ao mesmo tempo em que o então governador de Santa Catarina, Esperidião Amin, assinava a primeira edição do livro citado acima, uma velha índia Kaingang conhecida como Fendó reivindicava em Brasília o direito de posse das terras do Toldo Chimbangue, no município de Chapecó, para seu povo.

E quem eram os contestadores do tal Contestado? A história oficial – que não dá o devido valor a esta revolta popular da mesma forma que dá a Canudos – fala muito na disputa de terras entre Paraná e Santa Catarina, que sucedeu as disputas entre Portugal e Espanha e depois entre Brasil e Argentina, e pouco fala da disputa entre posseiros e a Estrada de Ferro São Paulo / Rio Grande. “Posseiros” é o termo usado por historiadores da região para se referir às populações caboclas que habitavam a região. Estas chegaram ao local devido ao transporte de gado entre São Paulo e Rio Grande do Sul e iniciaram uma povoação marcada pela cultura de subsistência. Não tinham registro das terras. Para eles, o Contestado foi uma revolta armada contra o Exército Brasileiro, que executava as ordens do Governo Federal de entregar as terras que margeavam a estrada de ferro à empresa construtora da ferrovia.

O destino das populações caboclas não foi muito diferente do destino das populações puramente indígenas. Quase um século depois do fim da Guerra do Contestado (1915) e da instalação das empresas colonizadoras na região (a partir de 1917), é possível ver explicitamente que opção de vida restou aos caboclos. O vídeo documentário “Manifesto Caboclo”, de João Lucas e Odoni Perin, mostra uma organização de caboclos em pleno século XXI, que busca reativar a auto-estima do grupo e melhorar sua condição de vida.

Enquanto isso, a Rede Brasil Sul de Comunicação (RBS), de Santa Catarina, filiada à Rede Globo, produziu um outro vídeo documentário chamado “Desbravadores do Oeste”. Trata-se de uma homenagem aos “heróicos” colonizadores: os euro-descendentes, na grande maioria italianos e alemães vindos do Rio Grande do Sul, que tanto trabalharam para desenvolver a região (nestes incluem-se meus avôs, alemães por parte de pai e italianos por parte de mãe). Em todos os processos de colonização, assim como os recursos naturais, os povos originários também foram submetidos aos colonizadores. Nesse sentido os estudiosos definem a mentalidade colonizadora, que foi claramente predominante no documentário da RBS.

Em resumo, a história é a seguinte: a partir de 1917 as empresas colonizadoras se instalam na região, comercializam terras e madeira, e contam com o apoio do Estado para ocupar a região, pondo fim às disputas pela terra. Como foi dito antes, é politicamente correto, nos dias de hoje, o reconhecimento da causa dos povos marginalizados nos processos de colonização. Porém, isso fica só no discurso. Assim, prevalece a mentalidade colonizadora.

*Tiago Franz é colunista do Perspectiva Política aos domingos e editor do blog NeoIluminismo

Coluna do dia: O homem Obama só acerta quando contraria o mito Obama

17/04/2009

Por Yashá Gallazzi*

A partir de hoje, começo a ocupar o nobre espaço deste site com minha coluna das sextas-feiras. Agradeço imensamente a lembrança e a deferência do amigo Bruno Kazuhiro, que me convidou a partilhar com todos os leitores do Perspectiva Política um pouco das minhas ideias sobre a política em geral. E se vamos falar de política, por que não começar analisando mais uma medida transformadora tomada pelo novo Messias da humanidade, Barack Obama? Obama, aliás, está se saindo um verdadeiro falcão ao melhor (ou pior, depende de quem lê) estilo Republicano. Do que estou falando? Do plano de colocar uma espécie de cão-de-guarda para policiar a fronteira dos Estados Unidos com o México.

Comecemos pelo óbvio: a medida de Obama tem todo o meu apoio! Logo depois de terminada a eleição americana, eu disse que os “obamófilos” do mundo iriam se decepcionar muito mais com o governo do Presidente-de-ébano do que eu, que “votei” em McCain. E por quê? Ora, porque McCain já chegaria à Presidência como um falcão, sem precisar provar a ninguém que seria firme e implacável contra o crime e o terrorismo. Já Obama…

Como todos sabemos, Obama chegou ao poder nas asas do “pogreçismo” politicamente correto e, portanto, seria fundamental mostrar que teria pulso filme quando necessário. Numa paráfrase da frase tão amada pelos “revoluçonaros”, poder-se-ia dizer que Obama seria um “pogreçista” bonzinho, mas sem perder a dureza jamais. Por isso entregou a área de Defesa e de contra-terrorismo aos falcões Republicanos, Robert Gates em primeiro lugar. Por isso vai reforçar as tropas no Afeganistão, a fim de capturar Osama Bin Laden. Por isso já fala abertamente em “vencer a guerra contra o terror”, aquela mesma guerra que, na campanha, foi chamada de errada e desnecessária. Afinal, é sempre melhor brincar de ser bonzinho em um mundo livre do terrorismo, não?

Mas já me desviei um pouco. Retomo. Dizia que os seguidores do Messias negro acabariam mais desapontados do que os eleitores do velhote Republicano, e isso porque estes já esperavam algumas medidas duras que, agora, Obama acabou tendo que adotar. Quem pensava que o Cristo de Illinois iria brincar de roda com os bandidos e o terrorismo mundial, em busca de uma paz perpétua kantiana, era o “obamismo” politicamente correto. E só ele!

Por isso aprovo as medidas de Obama. É, sim, imprescindível reprimir as quadrilhas especializadas no tráfico de drogas e de armas, pois a ação delas atenta contra a democracia e seu sistema de liberdades individuais. Devem, portanto, ser contidas de forma firme e impiedosa, coisa que Alan Bersin tem plenas condições de fazer. Tenho cá algumas restrições quanto a usar um cão-de-guarda do Estado para reprimir a imigração ilegal. Vejam que coisa: eu, que sempre fui acusado de ser um reacionário, me descubro mais humano e progressista do que Barack Obama, o homem escolhido pelas massas para mudar o mundo. Não é mesmo fascinante?

Mas se eu não me oponho à medida de Obama, qual o objetivo deste texto? É mostrar a estupidez e a subserviência que a opinião pública mundial tem com relação ao Presidente americano. Imaginemos, por exemplo, que a medida acima referida fosse implementada pelo governo do Satã aposentado, “jórji dábliu búxi”. O que aconteceria? Ora, o mundo desabaria sobre a cabeça do sujeito. Seria acusado de racismo, conservadorismo, fascismo e isso seria só o começo. Seriam realizadas passeatas, mobilizações, coletas de assinaturas e alguns artistas – não artistas comuns, mas “dessezengajádu” – promoveriam “shows” para manifestar apoio ao pobre e discriminado povo do terceiro mundo.

Só que isso se daria apenas na época das trevas, sob o mando de “búxi”, não é? O milagre de Obama não está em mudar o mundo, mas em LEVAR O MUNDO A ACREDITAR QUE O ESTÁ MUDANDO. E isso sem fazer nada de fundamentalmente diferente em comparação com a administração anterior. Ao contrário até: em alguns casos o governo Obama consegue ser ainda mais duro que o de Bush. Apesar disso, a criação de um cão-de-guarda para conter os pobretões mexicanos é vista como uma medida pacificadora, de integração e de vanguarda. Que lindo! Presumo que se a atual crise financeira explodisse no colo de Obama, o mundo se apressaria em dizer que era tudo parte de um plano destinado a aplicar uma lição aos especuladores e gananciosos capitalistas.

Exagero? Que nada! Lembram como o mundo reagiu quando Obama falou em aumentar a presença americana no Afeganistão? A decisão foi chamada de “sábia e patriótica” pelo The New York Times. Até aí, poderão dizer, não há problema, afinal o mencionado jornal sempre foi próximo aos Democratas. Só que o plano de Obama para o Afeganistão é rigorosamente o mesmo apresentado por Bush, no final de seu mandato. Não muda uma única vírgula! E sabem o que é mais interessante? Tanto o Times, quanto o restante da imprensa americana e mundial se apressaram em chamar o plano de Bush de “belicista e autoritário”. E isso só porque foi, no passado, apresentado por… Bush! Não é mesmo incrível?

Aos mais apressados antiamericanos que lerem estas linhas, esclareço que não sou um admirador – ou um defensor – do ex-Presidente americano. Só não acho que ele seja o Hasmodeu da política mundial, da mesma forma como me recuso a ver Obama como o redentor de todos nós. O Democrata não é uma divindade, ou um mito. É um homem. Só isso. Um homem que se tornou líder da maior e mais sólida democracia que o mundo já conheceu e, por conseguinte, fiador de todas as demais democracias ocidentais. E, como tal, precisa agir de acordo com uma agenda que contempla, sim, a defesa de nossos valores, princípios e liberdades. Ainda que isso signifique ir de encontro ao pensamento politicamente correto que pretende ver o ocidente como algoz da humanidade.

Por isso, apesar de algumas restrições pessoais, não deixo – e não deixarei jamais – de aplaudir as medidas acertadas do governo Obama, afinal só um tolo desejaria o colapso do seu governo e, como consequência, de toda a América. O mundo, creio, ainda precisa do imperialismo americano, em que pese as urticárias que uma frase assim podem causar nos “pogreçistas”.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento.

Fim dos Estados Unidos?

03/01/2009

Blog do Marcos Guterman: “Analista russo prevê o fim dos EUA em 2010″

A postagem referendada acima, do Blog de Marcos Guterman (hospedado no site do Estadão), traz referência a uma reportagem do Wall Street Journal que, por sua vez, repercute o grande destaque que a mídia russa está dando para Igor Panarin, 50, ex-analista da KGB e consultor do Ministério das Relações Exteriores do país, que prevê que os EUA tenham entre 45% e 55% de possibilidade de se desintegrar em 2010.

Igor acredita que os EUA, por força do declínio econômico, da imigração em massa e da degradação moral, poderiam, no fim de 2009 ou início de 2010, sofrer com o colapso do dólar e com, pasmem, uma guerra civil.

Panarin crê ainda em algo mais inacreditável. Ele afirma que, por consequência de todos os problemas que adviriam do colapso econômico, da imigração, da guerra civil, etc, ocorreria uma divisão dos Estados Unidos, levando o país ao seu fim.

A teoria improvável diz que o país mais poderoso do mundo se dividiria em 6 partes, sendo que o Havaí ficaria sob domínio japonês ou chinês, o Alasca seria controlado pela Rússia, a Califórnia e os estados próximos seriam anexados ou influenciados pela China, os estados do norte e centrais encontrariam o abrigo do Canadá, o sul seria anexado ou influenciado pelo México e a costa leste formaria um novo país, lembrando a época das treze colônias, talvez membro da União Européia.

Toda a tese parece ser inacreditável e o ex-analista e consultor é alvo de chacota. Ele se defende dizendo que Emmanuel Todd, quando previu o fim da União Soviética em 1976, teve pessoas rindo dele. Igor diz ainda, que o Presidente eleito Barack Obama parece ser capaz de operar milagres, mas que, nesse caso explicitado por sua previsão, nenhum milagre poderá ser feito.

O jornal americano afirma que Panarin é tratado com desconfiança também na Rússia, mas que, porém, suas teses são divulgadas, mesmo que um tanto irracionais, por força de um, também irracional, antiamericanismo crescente no país.

Por mais que tudo pareça surreal, não deixa de ser curioso e, até mesmo, interessante. Mesmo soando como devaneio, vale a pena dar uma olhada no mapa, confeccionado pelo Wall Street Journal, de como ficariam os Estados Unidos:

Mapa