Postagens com a palavra-chave ‘Ideli Salvatti’

Ideli tenta aproveitar evento pró-Dilma e fica sem microfone

11/08/2010

Conta o blog do jornalista Lauro Jardim:

“A petista Ideli Salvatti surpreendeu ao aparecer ontem na inauguração do comitê suprapartidário de apoio a Dilma Rousseff em Balneário Camboriú. Os idealizadores do comitê eram dirigentes do PMDB, entre eles o prefeito Edson Piriquito, que querem trabalhar por Dilma, mas sem ter problemas com a ala do partido ligada a Eduardo Pinho Moreira, que é vice na chapa do democrata Raimundo Colombo.”

Por causa da quantidade de petistas presentes, Ideli escapou de ser vaiada. Mas na hora do palanque os peemedebistas locais passaram a palavra direto para Michel Temer, impedindo que ela falasse.”

Ser papagaio de pirata não compensa, Ideli.

Saem resultados de pesquisas sobre os governos estaduais

31/07/2010

Saíram resultados de pesquisas para a disputa dos governos em alguns estados.

Seguem abaixo os índices alcançados pelos candidatos em pesquisas realizadas pelo Ibope e pelo Datafolha respectivamente (apenas um instituto em alguns casos):

São Paulo

Geraldo Alckmin (PSDB) – 50% / 49%

Aloizio Mercadante (PT) – 14% / 16%

Celso Russomanno (PP) – 9% / 11%

Rio de Janeiro

Sérgio Cabral (PMDB) – 58% / 53%

Fernando Gabeira (PV) – 14% / 18%

Minas Gerais

Hélio Costa (PMDB) – 39% / 44%

Antonio Anastasia (PSDB) – 21% / 18%

Pernambuco

Eduardo Campos (PSB) – 60% / 59%

Jarbas Vasconcellos (PMDB) – 24 % / 28%

Rio Grande do Sul

Tarso Genro (PT) – 39% / 35%

José Fogaça (PMDB) – 29% / 27%

Yeda Crusius (PSDB) – 15% / 15%

Paraná

Beto Richa (PSDB) – 43% (Datafolha)

Osmar Dias (PDT) – 38% (Datafolha)

Bahia

Jaques Wagner (PT) – 44% (Datafolha)

Paulo Souto (DEM) – 23% (Datafolha)

Geddel Vieira Lima (PMDB) – 13% (Datafolha)

Ceará

Cid Gomes (PSB) – 47% (Datafolha)

Lúcio Alcantâra (PR) – 26% (Datafolha)

Santa Catarina

Ângela Amin(PP) – 37% (Ibope)

Raimundo Colombo (DEM) – 20% (Ibope)

Ideli Salvatti (PT)  – 13% (Ibope)

Angela Amin lidera em Santa Catarina – Raimundo Colombo em segundo

12/07/2010

Informa o blog do jornalista Josias de Souza:

”Pesquisa realizada por encomenda do Grupo RBS acomoda a deputada federal Angela Amin (PP) na liderança da disputa pelo governo de Santa Catarina.   Angela obteve 33,5% das intenções de voto. O senador Raimundo Colombo (DEM), em segundo, amealhou 20,6%. Atrás dele, Ideli Salvatti (PT), com 15,9%.   A sondagem foi feita pelo instituto Mapa.”

Angela lidera mas não tem candidato a Presidente. É uma das ”neutras” do PP.

Na realidade, não faz isso por ideologia: Se for para o segundo turno contra Raimundo Colombo, será Dilma. Se for contra Ideli Salvatti, será Serra.

Muito mais cômodo do que escolher um lado agora.

Mas corre o risco de ver a eleição presidencial se encerrar na primeira rodada.

Artigo: Merval Pereira – Fatores regionais

22/06/2010

O colunista Merval Pereira, do jornal O Globo, comenta as articulações políticas em torno dos governos estaduais, a relação estreita destas com a corrida presidencial e o modo como estas se afetam mutuamente.

Vale a leitura, principalmente por tratar de uma boa quantidade de estados, apresentando um panorama geral.

Fatores Regionais

Merval Pereira*

Os dez últimos dias para a montagem das coligações regionais serão de muita tensão nos bastidores, onde se desenrolam as últimas negociações. O governo está saindo delas menor do que entrou, mas ainda assim maior do que a oposição, com uma campanha presidencial bastante organizada e fortes palanques estaduais.

O maior perigo nesse período para o PSDB, com o crescimento da candidatura de Dilma Rousseff, era ser abandonado por parceiros políticos que abandonaram a base governista por questões regionais.

No entanto, André Puccinelli do PMDB do Mato Grosso do Sul aderiu; Osmar Dias do PDT do Paraná aderiu. E o PP nacional pode ficar neutro, o que ajuda.

O governo usa seus últimos cartuchos para pressionar os parlamentares do PP dilmistas a convocarem uma convenção até o fim do mês, mas a parte que prefere apoiar a candidatura tucana tem força para impedir a convocação, criando uma situação de fato que levará à neutralidade.

O fato é que o país dividiu-se geograficamente, e grupos políticos que normalmente estariam com Lula ficaram na oposição, especialmente os que representam o agronegócio.

Estados produtores com o câmbio baixo, dificuldades de exportação, estradas intransitáveis, portos sem capacidade de escoamento e ainda por cima a ameaça de o MST ganhar mais força em um eventual governo Dilma levaram o Sul a fechar com o candidato do PSDB.

No Rio Grande do Sul, o PSDB tem a governadora Yeda Crusius, apesar de todos os problemas que enfrentou, um grande pedaço do PMDB, e uma aliança DEM-PTB, além do PP e do PPS. Contra o PT e o PDT com o ex-ministro Tarso Genro.

Beto Richa é o candidato favorito ao governo, ainda mais depois que o senador Osmar Dias decidiu se candidatar à reeleição.

Em Santa Catarina, há três forças políticas que apoiam Serra indiscutivelmente: o ex-governador Luiz Henrique do PMDB, que é o favorito para o Senado; Raimundo Colombo, ligado aos Bornhausen, que deve ser o candidato a governador, e o Leonel Pavan que está no governo com o PSDB. A senadora Ideli Salvatti é a candidata ao governo pelo PT.

A definição do Sudeste, onde Serra vence nas pesquisas, terá o peso fundamental de São Paulo e Minas, onde os tucanos esperam tirar uma vantagem expressiva.

No Rio de Janeiro, o palanque é com o PV do candidato Fernando Gabeira. A soma de Marina Silva com José Serra supera Dilma Rousseff, que ganha individualmente no Estado, com o apoio do governador Sérgio Cabral, favorito na disputa para governador.

Em São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin é o favorito para ganhar no primeiro turno, e o PSDB espera que Serra vença com uma diferença entre 4 e 6 milhões de votos.

Há quem tema, porém, que Alckmin não se esforce tanto quanto seria necessário, ainda uma sequela da disputa pela prefeitura em que Serra apoiou Kassab.

Em Minas Gerais, o PSDB também depende do empenho do ex-governador Aécio Neves.

A disputa pela Presidência está empatada, mas o crescimento da candidatura de Antonio Anastasia pode ajudar Serra num estado em que Lula ganhou as duas últimas eleições com diferença entre 1 e 1,5 milhão de votos.

No Espírito Santo, o candidato do PSB Renato Casagrande é o grande favorito, e o PSDB tem Luiz Paulo Vellozo Lucas, ex-prefeito de Vitória, como candidato, com o apoio do PTB e DEM, e Rita Camata como candidata ao Senado. Serra está na frente no estado.

No Nordeste, o PSDB só pode tentar “reduzir os danos”. Na Bahia, Paulo Souto é candidato ao governo com PSDB e DEM, com Geddel Vieira Lima pelo PMDB e Jacques Wagner pelo PT.

Em Sergipe, João Alves é muito competitivo contra o Marcelo Déda do PT, e José Serra é mais forte do que Dilma.

Em Alagoas, o governador tucano Teotônio Vilela concorre à reeleição e foi lá o único estado em que Serra ganhou em 2002. Mas os favoritos são o senador Fernando Collor, da base do governo, e o ex-governador Ronaldo Lessa do PDT.

Em Pernambuco, Jarbas Vasconcellos reuniu forças consistentes no estado: Marco Maciel e Sérgio Guerra. Mas o governador Eduardo Campos é o franco favorito.

Na Paraíba, José Maranhão do PMDB é o favorito, e a maior força do PSDB era o Cássio Cunha Lima, que está às voltas com a Lei da Ficha Limpa.

No Maranhão, o ex-governador Jackson Lago também está teoricamente atingido pela nova lei, mas em situação mais favorável, porque já cumpriu a pena, mas a única perspectiva da oposição é tentar perder de menos.

No Piauí, há a candidatura tucana de Silvio Mendes, que é muito competitivo, contra dois candidatos governistas: Wilson Martins e João Vicente Claudino.

No Rio Grande do Norte, a candidata do DEM Rosalba Ciarlini é favoritíssima. No Ceará, o senador Tasso Jereissatti está fazendo uma pesquisa para tomar a decisão se deve ser candidato a senador ou a governador.

Foi uma absoluta surpresa o comportamento dos Gomes, pressionados pelo enviado especial José Dirceu, que lhes avisou que teriam sérios problemas se não apoiassem o ex-ministro José Pimentel para o Senado.

No Norte, onde o governo também tem vantagem, há Tocantins, onde o Siqueira Campos do PSDB é favorito, principalmente agora que o Marcelo Miranda se tornou inelegível.

No Pará deve ter segundo turno com Simão Jatene do PSDB disputando com José Prianti do PMDB e a governadora petista Ana Júlia.

O deputado Jader Barbalho tem um problema igual ao do Joaquim Roriz do PSC de Brasília: ambos renunciaram para não perder o mandato e estão inelegíveis pela Lei da Ficha Limpa.

Em Goiás, o franco favorito é o senador Marconi Perillo, apesar da intenção do presidente Lula de derrotá-lo.

O pior problema dos tucanos é o Amazonas, onde o senador Arthur Virgílio não conseguiu montar um palanque local, a não ser o dele, sem chapa de governador. O maior problema do governo é o Paraná.

*Merval Pereira é jornalista, colunista de O Globo e comentarista da Rádio CBN e da Rede GloboNews

PMDB catarinense fecha apoio ao democrata Colombo e irrita Temer

16/06/2010

O cenário catarinense se apresentava, até pouco tempo atrás, como um onde o grande derrotado seria o ex-Governador Luiz Henrique.

Eleito por uma tríplice aliança que reunia o seu PMDB e mais o Democratas e o PSDB, Luiz Henrique renunciou para poder concorrer ao Senado e deixou o cargo para o seu Vice, o tucano Leonel Pavan.

A ideia era a de que Pavan apenas completaria o mandato, levando o seu PSDB para uma nova aliança com o PMDB e com o Democratas, dessa vez em torno do democrata e Senador Raimundo Colombo.

Acontece que Pavan resolver lançar sua candidatura à reeleição e, para completar, Luiz Henrique perdeu o controle do PMDB, o que fez com que o partido realizasse prévias e lançasse o vencedor, Eduardo Pinho Moreira, que prevaleceu sobre o Prefeito de Florianópolis, Dário Berger, como pré-candidato peemedebista ao governo.

Embora Colombo fosse o único nome dos três partidos a ser apresentado pelas pesquisas como capaz de enfrentar Angela Amim (PP), a coligação ao redor de seu nome era dada como improvável. Cada legenda tinha o seu candidato.

Pinho Moreira conversou com Michel Temer e consolidou a rebelião contra Luiz Henrique. Depois disso, referendado pelo Presidente do PMDB, foi falar com Dilma Rousseff. Ofereceu seu palanque à candidata e iniciou negociações para apoiar Ideli Salvatti, candidata do PT ao governo catarinense e atualmente Senadora, em um eventual segundo turno.

Eis que ocorre uma reviravolta!

Pinho Moreira abriu mão da candidatura em favor de Colombo sem mais nem menos.

Fim do rompimento entre Democratas e PMDB. Fim do segundo palanque de Dilma. Fim da negociação de apoio a Ideli no segundo turno.

Quem ganha um palanque robusto é José Serra, que já cortejava Angela Amin por conta do vislumbre de desmembramento da aliança que elegeu Luiz Henrique.

Temer está furioso. Ficou desmoralizado. Enviou para falar com Dilma um pré-candidato que passou a perna na queridinha de Lula.

O PMDB nacional, capitaneado por Temer, pensa em intervenção em Santa Catarina. O PT faz um olhar pidão e ao mesmo tempo cobrador, que visa lembrar ao PMDB que a direção nacional petista enquadrou as regionais do Rio, de Minas e do Maranhão para beneficiá-lo.

Enquanto isso, Pavan, atual Governador, está sendo pressionado para desistir assim como fez Pinho Moreira e permitir a reedição da tríplice aliança e o retorno ao plano inicial de apoio dos três partidos a Raimundo Colombo.

Luiz Henrique, antes “o perdedor”, agora é “o astuto”.

Até quando?

Essa é a política.

Fascinante, imprevisível, surpreendente.

Ingrata.

Coluna do dia: Com quantas siglas se faz uma democracia?

04/04/2010

Por Tiago Franz*

Ouvi de um membro do Partido Progressista (PP) de minha cidade que a solução para o sistema partidário brasileiro é limitar o número de siglas a no máximo cinco ou seis. Instantes depois, o cara lembrou que seu partido está entre os três maiores do País. Na sequência, falou sobre a importância da fidelidade partidária e regozijou-se por nunca ter mudado de partido, mesmo reconhecendo que o PP passou por mudanças de nome e de postura desde o tempo em que era Arena, na época do bipartidarismo.

Para o tal progressista – e para muitos outros – o número de partidos políticos hoje legalizados no Brasil – são 27  – é a causa de grande parte dos problemas da nossa política. Promiscuidade na formação de alianças, ‘assassínio’ da ideologia, ‘troca-troca’ de partidos e negociação de cargos são alguns dos males mais citados.

O bipartidarismo era melhor?

Dois é pouco, 27 é demais, muitos acreditam.

E cinco ou seis seria bom?

Talvez. A quantidade de grêmios políticos não é o único fator na conjuntura toda.

Analisemos o seguinte cenário:

Cá em Santa Catarina, o PP conta com a pré-candidata líder em todas as pesquisas de intenção de voto para o governo do estado. Ela é a Deputada Estadual Angela Amin, esposa do ‘jurássico’ Esperidião Amin.

Entretanto, os progressistas catarinenses estão de mãos amarradas. Esta colocação nas pesquisas não é o suficiente para eleger a progressista. O próprio partido reconhece que sem um apoio significativo a candidatura não vinga.

Tudo dependerá do movimento das outras forças locais, que neste momento estão a mil em busca de definições.

Uma tríplice aliança entre DEM, PSDB e PMDB, formada no pleito ao governo catarinense de 2006, levou o PP a se coligar com o PT para disputar o segundo turno naquele ano. PP e PT juntos?! Sim.

Mas para quem tem memória curta ou já se acostumou com os vícios da nossa política, isso não significa nada demais. Enfim, as circunstâncias locais isolaram o PP e os Amin do restante da direita (se me permitem esta etiquetagem relativizada). Até mesmo o irmão gêmeo, filho da mesma Arena, o PFL, hoje rebatizado de Democratas, ficou do outro lado.

Para 2010, como em praticamente todo novo pleito, a coisa se redesenha, desta vez com traços mais tortuosos e indecisos. Santa Catarina é um dos estados de maior indefinição para as eleições vindouras.

O agora Governador Leonel Pavan (PSDB), que era Vice de Luiz Henrique da Silveira (PMDB) até poucos dias atrás, deixou de ser o potencial sucessor do governo para o próximo mandato ao protagonizar o último grande escândalo político da região.

Restou a ele assumir, nestes nove meses restantes, o governo que Luiz Henrique deixou para concorrer ao Senado. De uma forma ou de outra, a caneta passou ao fanfarrão. Porém, o cenário eleitoral virou um imbróglio.

Para embaralhar de vez a cena, o DEM resolveu sair do governo há poucos dias, sob a justificativa de obter maior liberdade para negociar novas alianças e preparar o terreno para a candidatura do Senador Raimundo Colombo a Governador.

Logo após a decisão, intensificou-se um namorico entre democratas e progressistas, que podem, quem sabe, reatar o ‘laço de parentesco’. E se a eles juntar-se o PSDB de Pavan, o que é provável que aconteça, estará formada uma outra tríplice aliança, que já existiu tempos atrás em Santa Catarina.

Assim, o PMDB de Luiz Henrique, que já escolheu Eduardo Pinho Moreira como seu pré-candidato, pode sobrar. A rivalidade local com o PP, que pelas origens do bipartidarismo até se explica, não permite que as siglas se unam. Para o PMDB local, aliar-se com o PT da senadora Ideli Salvatti, pré-candidata da sigla ao governo, também é difícil, mas não impossível. Afinal, em nível nacional, Lula já se uniu a Sarney, não é mesmo?

O que esta análise de Santa Catarina tem a ver com o assunto apresentado no início da coluna? A meu ver, o cenário descrito acima ilustra bem a realidade do nosso modelo partidário, em que a ideologia política e a história cedem espaço às conveniências eleitorais e circunstâncias de poder locais, num jogo com regras espaçosas e tantos jogadores quanto cartas no baralho.

E retomando agora a linha central, menciono um dito de um membro do DEM da minha cidade, que ao anunciar a decisão do seu partido de insistir na candidatura de Colombo ao governo catarinense, defendeu que todas as siglas deveriam, sempre, lançar candidatura própria. Está correto? Teórica e utopicamente sim.

Mas aí eu pergunto:

Se a grande maioria dos brasileiros, conforme aponta pesquisa recente do Datafolha, não sabe nem atribuir virtudes ou defeitos a Serra e a Dilma, que são os dois principais presidenciáveis, saberiam diferenciar 27 candidatos? E, com o perdão da obviedade – é claro que um democrata do interior de Santa Catarina não fala por todo o partido – porque então o DEM não tem candidato próprio à Presidência?

E o motivo de citar o DEM aqui é circunstancial. Incoerências semelhantes fazem parte dos demais partidos.

Reduzir o número de partidos representa uma ameaça à democracia? O que mudaria quanto à representatividade? Os tais males do nosso sistema partidário seriam mesmo reduzidos com menos partidos? Não ficariam as novas agremiações repletas dos mesmos parasitas que hoje infestam a nossa política?

Não discordo totalmente da ideia de diminuir o número de siglas, mas também não estou convencido de que tal reforma, por si só, pode efetivamente melhorar o País. O problema é bem mais embaixo.

Enquanto isso, vejamos como se comportam as siglas no salão.

Quem vai tiram quem pra dançar neste baile?

*Tiago Franz é jornalista, colunista do Perspectiva Política aos domingos e escreve no Twitter em @tiagofranz

Política Brasileira: Incoerências, Desvirtuamentos e Trocas de Favores

17/03/2009

Reproduzo na íntegra comentário muito lúcido, do jornalista Ricardo Noblat, sobre o cenário atual da política nacional, tratando da troca de favores, da falta de qualquer ideologia ou convicção, do desvirtuamento dos valores e das incoerências com posições históricas, principalmente no que diz respeito ao Presidente Lula e ao PT:

“O comportamento do ministro José Múcio Monteiro, das Relações Institucionais, em dois recentes episódios políticos, deixou o PT furioso com ele.

Múcio ajudou discretamente a eleição de José Sarney (PMDB-AP) para presidente do Senado. E também a eleição de Fernando Collor (PTB-AL) para presidente da Comissão de Infra Estrutura do Senado.

O ministro responsável pela articulação política do governo agiria assim à revelia de Lula ou até mesmo contra a vontade dele? É óbvio que não.

Muito menos Múcio, ministro habilidoso e disciplinado, que por ter sido no passado adversário do PT e do próprio Lula está obrigado a provar todo dia que é lulista desde o berço. Petista, não, que ninguém acreditaria. Lulista dá para acreditar com uma certa dose de boa vontade.

Por três vezes, Sarney disse a Lula que não seria candidato a presidente do Senado e que apoiaria a candidatura de Tião Viana (PT-AC). Disse-o ao próprio Viana três vezes. Lula acreditou ou fingiu que acreditou – Viana, não.

Mas quando Sarney traiu a palavra a pretexto de servir aos superiores interesses do PMDB, Lula lembrou sua incoerência, fez cara feia e pronto. Largou Viana às feras. E mais tarde elogiou a eleição de Sarney.

Para efeito externo,  o que vale é que Sarney é da base do governo. Assim, Lula poderá dizer que venceu com ele como venceria com Viana.

Ora, Collor se elegeu presidente da Comissão de Infra Estrutura do Senado concorrendo contra a senadora Ideli Salvatti (SC), ex-líder do PT. Collor não é lulista desde o berço, mas é, sim, da base do governo.

Ser da base de um governo popular, e que descobriu a tempo as vantagens da política franciscana do “é dando que se recebe”, é um ótimo negócio para qualquer político sem apego a idéias próprias e sem preocupação com essas coisas menores, triviais, do tipo ética, valores, princípios, compostura, moralidade, pundonor.

Ou seja: é um ótimo negócio para uma classe política cada vez mais degradada como é a nossa.

Naturalmente, Lula quer tudo no mundo – menos ver sua base de apoio se estilhaçar. Precisa dela para eleger Dilma. Por isso que não mexeu um dedinho para dar força à Ideli. Pelo contrário: aconselhou-a a não disputar contra Collor.

Múcio é do PTB de Collor e do ex-deputado Roberto Jefferson, ainda bastante influente dentro do partido. E de alguma forma é também o fiador do apoio do PTB ao governo. Múcio faz o que Lula manda.

Somente o PT finge não ter sacado ainda que Lula deixou de ser petista há muito tempo. Desde que o apóie, Lula não discrimina partidos nem políticos – pelo contrário.

Esqueçam que no passado ele chamou Sarney de o maior ladrão da República, acusou o Congresso de ser um antro de picaretas e foi vítima de baixeza inominável por parte de Collor na eleição presidencial de 1989.

Lula não tem desafetos – tem ex-desafetos. Nenhum adversário dele está impedido de se tornar seu aliado na hora que quiser.

Bom caráter? Para com isso, meu irmão. Andou bebendo? Não se faz política apenas com os dotados de bom caráter. De resto, está difícil encontrar político com bom caráter.

O voto de opinião escasseia no país. Campanha custa uma nota preta. A política abandonou os ambientes outrora austeros para ser feita na televisão.

O início do segundo XXI, como escreveu Javier Del Rey Morató, professor de teoria geral da informação da Universidade Camputlense de Madri, marca o início do trânsito da teledemocracia para a ciberdemocr@cia.

Quer exemplo mais eloqüente disso do que a campanha de Barack Obama para presidente dos Estados Unidos?

O que antecipa Morató pode ser bom ou mau – a depender dos atores. Devido à qualidade dos nossos, desconfio que será mau por um longo tempo.”