Postagens com a palavra-chave ‘Humanismo’

Coluna do dia: Receita para salvar o povo do dilúvio

09/04/2010

Por Yashá Gallazzi*

Esqueçam os muitos especialistas que têm desfilado na televisão nos últimos dias. Deixem de lado os discursos de Cesar Maia, Sérgio Cabral e Eduardo Paes. Fechem os ouvidos quando perceberem que Lula vai começar a discursar. Eles não sabem de nada! Se é para resolver os problemas decorrentes das chuvas descomunais que estão assolando o Rio de Janeiro, o negócio é dar ouvidos a este colunista aqui.

Tenho a receita mais eficaz – a única receita possível, aliás – para que nenhum deslizamento de terra volte a causar tragédias como as que temos visto todos os dias nos telejornais. E é muito simples: o Estado precisa retirar das áreas de risco todos os que lá estiverem. Retirar, eu disse. Não basta declarar que a área é “de risco”. Nem colocar abrigos “à disposição” do povo. Nada disso! Tem que retirar mesmo. Na marra, se for o caso. Chegar lá no morro com a Defesa Civil, os Bombeiros, um punhado de assistentes sociais e, se for preciso, a Polícia Militar. Tudo pra garantir que ninguém resista à ação do Estado. E quem resistir? Que seja preso, oras.

“Ah, mas onde o governo vai colocar tanta gente?” Num primeiro momento, em abrigos públicos. Depois, seria preciso encontrar uma solução definitiva, possivelmente construindo moradias populares em locais que não desmoronem toda vez que São Pedro acordar de mau humor.

Viram? É tudo muito simples. Então, por que diabos nenhum político fez – ou pretende fazer – isso? Bem, porque a ação toda seria considerada muito impopular. Vou além: no Brasil atual, onde impera uma violenta inversão de valores morais, um plano de ação como o descrito acima seria considerado “fascista”, “reacionário”, “de direita”.

Imaginem como a tal “opinião pública” reagiria ao ver o Estado subindo o morro para retirar, à força, centenas de pessoas de suas casas precárias e pobres. Imaginem ainda o estardalhaço que não fariam quando os tratores do Estado colocassem abaixo as bandolas que povoam os morros cariocas. A cena de “dona Mariazinha” chorando em rede nacional ao ver seu “pequeno barraquinho” sendo desmontado iria correr o País, sensibilizando esses valorosos humanistas que defendem o direito que os pobres têm de morar em áreas de risco… E o governo? Bem, seria “autoritário” e “eugenista”…

Foi o que se viu quando o governo de São Paulo, primeiro com Alckmin, depois com Serra, tentou retirar os mendigos das ruas. Lembram do tal padre Júlio Lancelotti? O sujeito, que cordena um troço chamado “Pastoral do Povo da Rua”, disse que lutava pelo direito que os mendigos tinham de ficar na… rua! Não é fascinante?

Da mesma forma, bastou Kassab construir bancos feitos para sentar, que os “humanistas” logo trataram de acusá-lo de fazer “bancos anti-mentigo”. Nota-se, pois, que esses valentes querem “bancos pró-mendigo”, não é mesmo?

Se o Estado, valendo-se do poder de polícia, tratasse de retirar as pessoas dos morros cariocas, a gritaria “humanista” rapidamente se repetiria. E, considerando que essa turma “solidária” consegue mobilizar muito bem a imprensa e as milícias do “pogreçismo”, o estardalhaço seria tão grande que fica fácil entender por que os políticos daqui, tão preocupados com projetos pessoais de poder, não têm peito para encarar de frente o problema.

A única maneira de resolver de vez a questão é essa. Qualquer outra coisa é mero paliativo, que será literalmente soterrado no próximo deslizamento de terra.

Querem resolver o problema? Esqueçam a gritaria dos “humanistas” da miséria, que defendem o direito que os pobres têm de continuarem… pobres! Essa gente pensa apenas no próprio umbigo: eles precisam de um oprimido para chamar de seu, caso contrário perdem a razão de ser. Se ninguém mais morar nos morros, como ficariam as ONGs que tentam melhorar a vida dos que moram nos morros? Se ninguém mais mendigar nas ruas, como ficam os “valorosos” do padre Júlio? Não! Essa gente não quer saber de resolver os problemas de ninguém! Eles querem mais é que os pobres continuem morando precariamente e sendo soterrados de vez em quando. Assim, a cantilena aborrecida que opõe uma elite-rica-que-mora-bem aos pobres-oprimidos-que-moram-mal pode continuar sendo repetida infinitamente.

Para resolver de vez o problema é preciso fazer o exato oposto daquilo que os “especialistas” e os “humanistas da miséria” pregam. Querem que os morros sejam urbanizados? Bobagem! O negócio é tirar as pessoas de lá. Querem que a população seja conscientizada sobre os riscos de morar nas encostas? Besteira! Um aviso amigável e, depois, polícia!

Mas para isso é preciso alguém que não tenha receio de ser chamado de “fascista, eugenista, reacionário e direitista”, o que não é nada fácil, principalmente num País como este, onde o consenso que impera é progressista e politicamente correto. Aqui, se você quer tirar os mendigos das ruas, é um “fascista”. Humano e progressista é deixá-los ao relento, pedindo esmolas.

Pelo visto, muitos outros deslizamentos ainda vão acontecer nas grandes metrópoles brasileiras.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Coluna do dia: Uma crítica da “civilização” americana

10/02/2010

Por Raphael Machado Silva*

Ao se falar em Civilização Ocidental, é demasiado comum fazer-se referência aos Estados Unidos da América como o ente paradigmático e simbólico desta Civilização. Não são apenas os americanófilos que exaltam os EUA como os guardiões dos “valores” do Ocidente, mas mesmo seus opositores utilizam os termos “EUA” e “Civilização Ocidental”, como se fossem termos intercambiáveis; como se fossem sinônimos. Essa semântica caduca origina-se na Guerra Fria, a qual é representada por muitos historiadores e analistas como uma oposição entre um “Oeste” e um “Leste”, ou seja, entre um “Ocidente” e um “Oriente”.

Porém, seria tão ignóbil chamarmos o mundo soviético de “Civilização Oriental”, como o é chamarmos o mundo americano, o mundo americanizado e globalizado, pós-Guerra Fria, de algo como uma “Civilização Ocidental”. A noção dos EUA, ou do Oeste geográfico, como representante ou parte daquilo que autenticamente pode se chamar de Civilização Ocidental não passa de uma grave falácia, derivada da total ausência de consciência histórica que aflige os intelectuais modernos.

Inicialmente, pode-se dizer que esse grave equívoco possui como uma de suas raízes a falsa questão da concepção linear-progressiva da história. Os adeptos das religiões ideológicas da modernidade possuem a utópica e patológica tendência de assumir que há um sentido moral positivo na mera sucessão de momentos fáticos, ou seja, a passagem do tempo histórico representa um “progresso” ou “evolução”, uma continuidade absoluta a qual tende à perfeição da inércia absoluta, ou seja, ao “Fim da História”. Uma genealogia dessa concepção ridícula facilmente demonstra que ela se origina da concepção religiosa judaico-cristã da história, a qual é fundamentalmente messiânica. Liberais e marxistas são idênticos nessa crença. Em verdade, segundo muitos liberais nós já estamos muito próximos desse momento.

À parte o fato de que qualquer análise rigorosa da História demonstra sem sombra de dúvidas que os fatos e entes históricos se manifestam em movimentos cíclicos, os quais sempre possuem uma tendência decadencial, e que a noção de “progresso”, portanto, não passa de uma medíocre mitologia, o que se pode afirmar é que entende-se que a “Civilização” Americana é a Civilização Ocidental, simplesmente pelo fato de que a primeira sucedeu temporalmente a segunda no mesmo espaço geográfico anteriormente ocupado por esta.

Um estudo das origens e fundações dos EUA revela com clareza, porém, que ao invés de representar uma continuidade e, posteriormente sucessão, o surgimento dos EUA representa em verdade um rompimento absoluto com o Ocidente de até então. Se, portanto, as raízes filosóficas e ideológicas dos EUA são anti-ocidentais, só se pode concluir que o Mundo Americano, ou seja, o Mundo Contemporâneo, talvez seja um Anti-Ocidente.

Os EUA e o Mundo Contemporâneo, com seus valores iluministas e humanistas, não são um “desenvolvimento” das fundações civilizacionais ocidentais, as quais residem no Mundo Greco-Romano e na Idade Média. Ao contrário, não passam do fruto de uma caducidade patológica espiritual, essencialmente movidas por uma lógica de degeneração, cuja finalidade só pode ser a auto-destruição.

Não é ao menos possível dizer que o Mundo Americano constitua realmente uma Civilização, (por isso as aspas no título), pela total ausência de uma autêntica Ordem em seus desdobramentos históricos. A “Civilização” Americana não representa Ordem alguma, ao contrário, ela é exatamente a ausência de qualquer Ordem. Mais do que isso, a “Civilização” Americana é a ausência de todo e qualquer sentido não-material da existência. A “Civilização” Americana é, essencialmente, a “Civilização” da Ausência. A Modernidade (ou Americanidade; são sinônimos) constitui exatamente aquilo contra o quê Nietzsche alertou e que ele batizou de “Niilismo Passivo”.

A Modernidade é a rejeição de todos os valores autênticos, ou seja, Tradicionais e Orgânicos. Porém,  ela não é sua substituição por Ideais superiores, mas sim a ausência de qualquer proposta de superação, e até mesmo da própria possibilidade de se conceber a proposição de Ideais civilizatórios normativos. Sem sentido para a própria existência, a não ser a da própria perpetuação, a “Civilização” Americana é uma “Civilização” fadada ao fracasso, à ruína e ao esquecimento. Em troca dos Velhos Ideais, pelos quais acreditava-se valer a pena matar e morrer, ganhamos apenas uma “Tábua Moral” de valores negativos.

Não é à toa, portanto, que o homem moderno seja um completo covarde. Mesmo quando ele faz a guerra, ele não a faz como guerreiro, mas como mercenário. O homem moderno só crê na guerra e só a abraça, quando ele já se visualiza como absolutamente superior ao inimigo. Apenas quando ele sabe que o inimigo não tem chances, é que ele luta, a exemplo dos israelenses, que se regozijam massacrando palestinos armados com pedras, mas que choram quando são imigrantes na Europa e se veem sob a ameaça de nacionalistas.

É esse sentido pervasivo de Ausência, de Perda, que gera aquela constante sensação de angústia, da qual padece a maioria dos indivíduos nesse contexto. Essa é a razão pela qual o homem moderno está em uma constante busca do prazer. Por meio do bombardeio de estímulos sensoriais, o homem moderno busca anestesiar o sofrimento existencial generalizado da Modernidade. Não fosse isso, ele se atiraria de uma ponte, tornar-se-ia um louco (para ser internado por psicanalistas freudianos), ou viraria um revolucionário com sede de Sangue. Será coincidência o fato de que nunca tanta gente viveu à base de remédios?

Mas não é exatamente a maior parte da Humanidade ocidental que se encontra doente. É sua “Civilização” que é doentia. Ela não passa de um inverno, de um longo processo de agonia que antecede um ocaso, a qual, se houver homens de Valor, será sucedida por uma nova primavera, e uma nova civilização, a qual realmente representará um resgate de Velhos Ideais, que criem um novo Sentido para a Existência.

Já sei então como devo chamar a partir de agora aquilo que até então eu chamava “Civilização” Americana. A chamarei de “Patologia Americana”.

Pena faltarem, aparentemente, os Médicos adequados…

*Raphael Machado Silva, escrevendo excepcionalmente em uma quarta, é colunista do Perspectiva às terças

Coluna do dia: Ideologia versus Humanidade (Parte I)

04/02/2010

Por Felipe Liberal*

Eu proponho o fim das ideologias.

Não estou nem aí se já propuseram o mesmo, em outros dias ou épocas. Eu proponho por mim mesmo, independentemente do que já foi dito ou pensado. Para mim, as ideologias deveriam acabar hoje.

Semana passada, quando caminhava de volta para o carro, que estava no estacionamento de um supermercado da rede Wal-Mart, me deparei com um mendigo tendo uma convulsão. A convulsão não me chocou, mas a impotência, a falta de cuidado e o descaso relacionados com aquele “ser” me deixaram apavorado. Ele não tem ninguém, nem ao menos um filho ou neto para levá-lo para casa (que casa?) ou abraçá-lo depois das descargas elétricas em seu corpo e cérebro. Isso é só um exemplo, de vários que acontecem todos os dias pelo nosso País e pelos países de outros “mendigos borbulhantes”. Nada acontece.

Toda essa inércia me dá nojo. Esse conflito eterno entre ideologias e correntes de pensamentos só estraga nossa convivência no planeta. Um combate de ideologias é sempre eterno e retrógrado. Não posso apoiar isso. Sendo humano e humanista, não posso aceitar esse freio social que persiste nos últimos milênios. Mas o humanismo seria propriamente uma ideologia? Na prática, não. Pensemos no outro, nós temos que entrar num consenso de como levantar o outro, de como reestruturar o outro. Isso não é ideologia, mas sim, uma necessidade urgente, tanto quanto a preservação ambiental e o alerta climático.

Todos que querem e pensam na melhora da condição de vida da população mundial e mais especificamente da brasileira, têm que pensar da mesma forma, de maneira única e coletiva. Isso não fere sua individualidade ou privacidade. Ninguém vai perder sua casa ou sua escova de dentes.

Pensar coletivo é sinônimo de coragem. Ser individualista e não possuir alteridade só mostra uma covardia desumana. Aos que pensam no outro e coletivamente peço o fim das ideologias, seja você comunista, socialista, anarquista, liberal ou neoliberal. E insisto no início de um pensamento único para o social, que não anula teses, teorias políticas e tudo o que você absorveu e acredita na sua vida.

Continue com elas, mas para os outros que morrem todos os dias, pensemos unicamente, discutindo uma só finalidade. Tem que ser logo, temos que pensar em tudo isso o mais rápido possível. Estamos ficando imunizados ao caos. Estamos vacinados contra a lucidez? Parece que sim. Temos que recuperar o senso de solidariedade que é tão instintivo quanto o senso de sobrevivência e o de individualidade.

A ideologia fere o princípio da humanidade. Precisamos voltar a ser seres humanos novamente, antes que tudo se acabe diante de nossas vidas enlatadas, egoístas e cegas.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: Climagate – A fraude do aquecimento global

27/11/2009

Por Yashá Gallazzi*

“ – Aleluia, irmãos!”, brada o pastor Al Gore, incitando a massa.
“ – Aleluia! Aleluia!”, respondem os fiéis, arrebatados pelo entusiasmo da pregação.

Assim funciona a Igreja do aquecimento global dos últimos dias. Ou funcionava… Sim, afinal está ficando claro que o evangelho da tal seita não era assim tão sólido… As profecias anunciadas com alarde e pompa, dando conta de que o “çerumano” estaria levando o planeta a uma catástrofe hedionda, parece, estão sendo desmistificadas pelos fatos.

O que aconteceu para que os alicerces da mais nova utopia coletivista interplanetária começassem a ruir? Bem, digamos que descobriram o Santo Graal da Igreja de Al Gore. Sabem, né? A tal “prova”, que jogaria por terra os dogmas e as certezas próprias da fé. O Santo Graal que abalaria as estruturas do cristianismo, por exemplo, só foi encontrado por Dan Brown, no Código Da Vinci. Já aquele capaz de jogar por terra as previsões catastrofistas do prêmio Nobel, está aí, acessível a todos os céticos.

Não! Eu realmente não entendo nada de ciência e de aquecimento global. Quem entende disso, sabemos, são os humanistas do “pogreçismo” politicamente correto. Aquela gente fascinante que faz passeata pelo fim da poluição e vai até a concentração do evento dirigindo seus carros. Sim! Qualquer um que esteja engajado na luta pela preservação da Terra se torna uma autoridade sobre o assunto. Eu? Ah, que nada! Eu sou só uma voz dissonante, não é mesmo? Em matéria de aquecimento global, certo mesmo é ficar com as opiniões de Victor Fasano, Cristiane Torloni e Sharon Stone – esta última dotada da autoridade intelectual típica de quem cruzou as pernas sem calcinha…

Mas o que aconteceu, afinal? Bem, alguns hackers – todos seguramente conservadores, reacionários, de direita, golpistas, preconceituosos e a serviço “duzamericânu” – invadiram uma meia-dúzia de servidores da Universidade de East Anglia, na Inglaterra. Caso os leitores não saibam, a tal universidade está para a Igreja de Al Gore assim como Aparecida está para o catolicismo brasileiro. Pois bem, nos computadores dos obreiros-cientistas, os piratas encontraram uma série de e-mails um tantinho curiosos. Lá, havia o registro de um especialista contando para outro especialista que truque usara para esconder a queda média da temperatura global, que acabaria por implodir um dos dogmas primários da fé deles.

Phil Jones, o obreiro de Al Gore, admitiu que os e-mails são todos verdadeiros, mas tentou torturar as palavras, a fim de que confessassem ter um sentido diferente daquele que realmente possuem. Segundo o sujeito, “truque” não queria dizer… “truque”! Claro! Assim como o tal pedido para agilizar, que a terrorista mãe do PAC fez à servidora da receita, queria dizer outra coisa, não é? É sempre assim: a turma humanista e “pogreçista” que se arvora em mudar o mundo e salvar a Humanidade, não exita em contar um punhado de mentiras sempre que entende conveniente. Eles nos enganam? Sim, sempre enganaram! Mas o fazem para o nosso próprio bem! É para construir o tal “outro mundo possível”.

O fato é que o apocalipse de São João, pintado diante de nossos olhos pelos ecoterroristas arregimentados pela Igreja do aquecimento global dos últimos dias, parece, não irá se materializar. O mundo andou se aquecendo, como eles tanto dizem? Tudo indica que não. A verdade, aliás, poderia ser bem outra: parece que o mundo andou foi se esfriando… Porém, ainda que realmente tivesse sido registrada uma alta nas temperaturas, está parecendo que isso não significaria a primeira trombeta do juízo final, já que, ao longo da história humana, sempre foram registrados movimentos cíclicos de variação da temperatura do planeta. Quem diz isso? Eu? Os serviçais “duzamericânu”? Que nada! Quem disse isso foram os obreiros-cientistas de Al Gore, em suas encíclicas secretas.

“Tá, suponhamos que a coisa não seja assim tão grave. Que mal há em ouvir o que eles dizem e preservar o planeta?” Ah, mal nenhum! Percebam: eu não me oponho a medidas ecologicamente corretas, nem acho que devemos tocar fogo em cada árvore da Amazônia. O que me deixa furioso é essa mania que certo “pogreçismo” tem de tentar coletivizar a Humanidade, unindo-a em torno de um “ideal”, de um suposto “bem comum”. Quando vejo isso, um alarme dispara dentro de mim, denunciando o perigo iminente. Sempre que essa gente trilhou semelhante caminho, o resultado foi o mesmo: morte, miséria e terror.

Reparem que o roteiro é sempre o mesmo: há um mal iminente, que vai conduzir à destruição da Humanidade; há uma única salvação possível, que vai destruir o mal e salvar os “homens bons”; e há uma “entidade”, portadora das verdades da “causa redentora”, que vai guiar aqueles que abraçarem suas verdades, encarregando-se, também, de eliminar os que forem contrários.

No passado, Marx e mais alguns desocupados cismaram que o capitalismo ia conduzir o mundo à ruína, e tentaram convencer o povo de que “O Partido” deveria conduzir uma grande revolução. A burguesia – aqui compreendida como qualquer pessoa ou coisa contrária ao “Partido” -, claro, deveria ser aniquilada sem piedade.

Só que o marxismo fracassou, basicamente porque Marx, como analista econômico, era um ótimo pai… O sujeito, que não conseguia organizar as próprias finanças, de modo a não depender de Engels, esqueceu do óbvio: é muito mais prático receber o salário como operário, do que tentar matar o dono fábrica.

Os teóricos do fim da história, porém, não conseguem se render aos fatos. De tempos em tempos, surge uma nova distopia coletivista, sempre com os mesmos traços já vistos no passado. A Igreja do aquecimento global dos últimos dias, assim como o marxismo, também jura de pés juntos que o mundo, tal qual está hoje, vai acabar… acabando! E apenas eles – os “pogreçistas” ecologicamente corretos – conhecem a fundo “a causa” redentora. Apenas eles podem nos salvar, desde que sigamos cegamente as ideias deles.

Qual é a armadilha por trás da retórica salvacionista? Bom, num discurso extremista – que irrompe invariavelmente no fim da história e na extinção da Humanidade tal qual a conhecemos – qualquer barbaridade pode ser tolerada aos olhos da “moral deles”. Mesmo que tais barbaridades sejam, hoje, condenadas pela “nossa moral”. Ora, se o obreiro de Al Gore está agindo para impedir o fim do planeta Terra, como recriminá-lo se conta uma ou duas mentirinhas sobre a elevação das temperaturas médias? A trapaça de hoje é justificada pelo fim máximo, que é a busca pela salvação do “çerumano”. E, convenhamos, diante de “tão nobre” objetivo, nenhum imperativo moral de hoje consegue sobreviver, não é?

A Igreja do aquecimento global dos últimos dias não vai morrer. Longe disso. Na verdade, essa moderna distopia coletivista e redentora vai apenas seguir o curso de todas aquelas que surgiram no passado: as trapaças do presente serão justificadas em nome da salvação, que virá no futuro; os que denunciarem tais trapaças serão tratados como as bestas-fera pelos “homens bons” – tudo será rapidamente imputado aos conservadores, direitistas, reacionários e aos grandes conglomerados econômicos mundiais.

E Al Gore, que ainda não apareceu depois de escancaradas as fraudes da seita por ele capitaneada? Bem, ele continuará sendo uma espécie de Edir Macedo do aquecimento global: ninguém acredita que ele seja santo e miraculoso, mas seus cultos continuarão cheios, com os fiéis levantando os braços e berrando: “Aleluia! Aleluia!”

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: Ahmadinejad e a hipocrisia tupiniquim

24/11/2009

Por Raphael Machado Silva*

Essa semana, veio a estas nossas terras, sofridas e quase inóspitas, o Presidente de um dos poucos países (talvez o único) autenticamente soberanos deste Mundo aloprado e tresloucado no qual nós, Espíritos Livres (tanto quanto os Cativos) passamos nosso tempo entre o Não-Ser que há antes e o Não-Ser que há depois. Refiro-me, obviamente, a Mahmoud Ahmadinejad, Presidente do Irã sob a douta Auctoritas Espiritual do grandioso Aiatolá Khamenei.

Como verdadeiro amante do diálogo internacional (não é o Irã quem ameaça outros países de bombardeio, e nem é o Irã quem se recusa a receber inspetores da ONU), veio Ahmadinejad buscar uma tão benfazeja aproximação de cunho diplomático e econômico entre seu nobilíssimo e antiquíssimo país, herdeiro da Pérsia, e nossa triste terra tupinambá, ainda repleta de “selvagens”, mas que por ser obeso em tamanho e em PIB, e possuir mulheres e CEOs de fama internacional, vê a si mesmo como estando ‘a um passo do primeiro mundo’.

Um dos principais interesses que ambos os países têm em comum é o enriquecimento de urânio e a utilização de usinas nucleares para fins energéticos. Os dois têm feito avanços interessantes nesse sentido, e o Brasil até mesmo já pode se dizer ‘com alguma experiência’ na área, tendo até mesmo desenvolvido um método alternativo de enriquecimento de urânio.

Apesar de muitos medos, pois o Fantasma de Chernobyl ainda vive na mente de muitos, a Energia Nuclear se apresenta como uma das fontes mais eficientes e seguras, dentre as fontes de energia que poderiam servir como alternativa aos combustíveis fósseis. É belo que a partição da própria matéria-prima da existência seja capaz de liberar tamanha energia como o faz. Ainda que signifique algo temível e abominável, como tudo que é “divino”, o ‘Cogumelo Atômico’ possui tal magnitude e poder que inevitavelmente transmite uma sensação que só posso ver como análoga a estar diante de um aspecto de Deus. A total indiferença frente ao Humano, que não passa de uma formiga frente ao Macrocosmo… A sensação de expansão inelutável em direção ao infinito…

Essa impressão estética é compreensível, quando se apreende que estamos diante de algo tão primordial quanto a força que deu existência material ao Universo bilhões de anos atrás. O átomo é tanto força de Criação como força de Destruição. É oportuno lembrar de uma passagem do ‘Bhaghavad Gita’, mais importante obra espiritual do Hinduísmo, citada pelo cientista genocida Oppenheimer, responsável pelo Projeto Manhattan: “Agora tornei-me Morte, o Destruidor de Mundos.”

Deixando esse tema um tanto de lado, voltemos para o tema primário deste artigo.

Veio Ahmadinejad, líder democraticamente eleito do Irã, apesar da tentativa de golpe orquestrada pela CIA, e quão patética toda a reação dessa massa jornalística e “intelectualóide” brasileira, chorando e rastejando no pó, gemendo de ódio irracional e meramente repetindo mitos e ‘lugares-comuns’.

O que é mais cômico é que, alguns dias antes, quando recebemos alguém que realmente poderia ser dito como genocida, Shimon Peres, Presidente de Israel, absolutamente NENHUM desses indivíduos, de jornais grandes ou pequenos, disse uma única palavra sequer de desaprovação a respeito.

Ora, respeitáveis leitores, isso ocorre porque toda essa massa jornalística tem um lado que possui um quê de sionista. Quem diria que essa ideologia fincaria raízes tão fortes aqui no Brasil. Ou talvez minha surpresa seja indevida… Quem tiver disposição e coragem, que procure e leia “História Secreta do Brasil”, de Gustavo Barroso, membro da Academia Brasileira de Letras.

Só posso admitir que a maior parte desses sionistas brasileiros o seja por mera osmose. “Todos acham isso, então deve ser verdade…” Desafio qualquer um de vós, jornalistas anti-iranianos, a vir aqui me trazer a mítica “ameaça de genocídio contra Israel feita por Ahmadinejad.” Eu estou falando com seriedade. Desafio qualquer um a provar que tal citação apócrifa seja autêntica. Mas já afirmo de antemão que não admitirei como provas links do ‘The New York Times’, do ‘Haaretz’, ou de qualquer jornal de linha editorial similar. Quero o texto ou vídeo em que Ahmadinejad faz tal afirmação, com uma tradução feita para o português por alguém que fale sua língua.

Como é fácil distorcer palavras alheias ou mesmo as inventar… Principalmente quando se possui o monopólio da informação.

Só posso compreender o sentimento anti-iraniano como fruto de ignorância ou arrogância humanista. “Toda Nação deve possuir auto-determinação…”. Mas ai das nações que ousem contrariar os preceitos do Humanismo Liberal! Elas são más! Elas devem ser destruídas! Assim é que o Multiculturalismo mostra sua verdadeira face. Se todo país deve abarcar a todas as formas de auto-expressão e liberdade, então todo país deve ser idêntico e, portanto, não há diversidade.

Touché. Adoro brincar de assassinar ídolos. Principalmente “ídolos ideológicos”. Deve ser culpa das minhas leituras excessivas de Nietzsche.

“Devemos ter Tolerância”! Mas parece que isso não vale com relação a aqueles que discordam de nós verdadeiramente. Podemos tolerar que um indivíduo seja Social-Liberal, Social-Democrata ou Liberal-Democrata. Devemos tolerar essas diferenças. Mas coloque um tolerante humanista diante de, por exemplo, um fascista ou um muçulmano tradicionalista e veja como ele se transforma em alguém ululando de ódio, clamando por execução sumária e gritando slogans humanistas entrecortados por insultos vulgares.

Toda a tolerância humanista é muitas vezes uma máscara da mais profunda intolerância. Quanta hipocrisia.

Talvez seja pior viver sob o Totalitarismo Liberal. Em um país autoritário, todos sabem o que se pode fazer e o que não se pode fazer; o que se pode dizer e o que não se pode dizer; o que se pode ler e o que não se pode ler. Nas democracias liberais modernas, você pode fazer, dizer e ler tudo. A não ser aquilo que esteja em discordância com a ideologia oficial. Qual a diferença então?

Se há liberdade para questionar tudo, menos o Humanismo, menos a Moral Cristã, menos a Democracia, menos o Iluminismo, menos o Multiculturalismo, então não há liberdade nenhuma. Há um embuste. Há uma farsa.

Pior que a escravidão evidente e declarada é aquela que se disfarça trajando sem pudores as roupagens da Liberdade.

Quereis provar que estou errado?

Então começai atacando Israel, o ÚNICO país do Oriente Médio possuidor de armas nucleares e o ÚNICO que se recusa a receber inspetores da ONU. Começai pelos que hoje, enquanto você está sob lençóis de veludo, chacinam diariamente palestinos, usando para isso inclusive armamento proibido.

Qual poderia ser minha reação, senão rir até não poder mais, quando vi na televisão os tipos que protestavam contra Ahmadinejad, os quais certa rede de televisão abertamente sionista chamou de “representantes da sociedade civil”.

Festejemos a tolerância e o humanismo! Mas o façamos sob o som do fuzilamento dos que discordam de nossos “valores”. O humanista enche a boca para falar sobre a “desumanização” de minorias e outros “grupos santificados e vitimizados da modernidade”. Mas se o humanista se vê como representante do Bem, e todos que discordam essencialmente dele como representantes do Mal, quem é então o verdadeiro culpado pela desumanização? Olhai nos olhos de um humanista, quando ele fala de um inconformista. Ele olha com um olhar que é um misto de arrogância pequeno-burguesa e total desumanização do Outro.

“O Irã deve ter liberdade”! Menos para escolher ser Tradicionalista e Muçulmano. Caso isso ocorra devemos bombardear o Irã, até que ele seja salvo e aprenda o valor da tolerância.

Que os adormecidos despertem, que os cegos vejam e que os hipócritas passem a ter um mínimo de vergonha na cara, porque já está ficando difícil de aturar tudo isso.

Por fim, recomendo vídeo pouco divulgado que demonstra que Ahmadinejad dialoga com judeus e que prova que judaísmo e sionismo não são a mesma coisa.

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.

Coluna do dia: O Nobel da Paz de um charlatão marionete

13/10/2009

Por Raphael Machado Silva*

Haveria alguma premiação internacional importante mais bitolada do que o “Prêmio Nobel da Paz”? Eu duvido muito. Ela é um fruto inconfundível dos fins do século XIX, daquela típica (e patética) mentalidade liberal, humanista, positivista e darwinista social, profundamente crente no infinito progresso material do homem e na ideia de que tal progresso “redimiria” a humanidade, inaugurando uma era eterna de paz, em que os ideais da revolução francesa “finalmente” se veriam cumpridos. Só em ouvir falar em tudo isso, me enojo.

Tendo essas origens, esse prêmio não poderia ser nada mais do que uma total nulidade. Esse é, basicamente, o prêmio dado às celebridadas mais “pop” do cenário político internacional. Para ganhar os outros prêmios, é necessário ser um grande inventor, um grande descobridor ou um grande criador. Em cada um dos outros prêmios, premia-se o homem cujos FEITOS mais se destacaram naquele ano. Ainda que se possa duvidar da neutralidade, probidade ou bom gosto dos responsáveis pela escolha, ainda assim é necessário algum mérito para receber qualquer dos outros prêmios Nobel.

O prêmio Nobel da Paz é o prêmio dos sofistas. Para ganhá-lo você tem que ser um grande falastrão. Você tem, aliás, que ter “costas quentes” e ser queridinho da mídia, pelo menos naquele ano. É um prêmio que se resume a nada.

Você quer ganhar um Nobel da Paz ano que vem? Crie um jornaleco e escreva periodicamente pequenos artigos onde você deplora “a guerra”, pede o fim das “armas nucleares”, prega a religião dos direitos humanos, defende homossexuais, feministas, minorias étnicas, anões e outros “perseguidos” e protesta pelo desarmamento civil. Depois arranje umas pessoas e faça com elas um círculo de mãos dadas, pedindo para que todos cantem “Imagine” de John Lennon. Basta gravar tudo isso e postar no YouTube. Suas chances de vitória serão grandes, já que após ler a lista de indivíduos ganhadores desse Nobel da Paz, vi pessoas que fizeram bem menos do que isso e ganharam.

Se nem “bonzinho” você tem que ser?! Você pode até ser um genocida e ganhar um Nobel da Paz, desde que você seja um genocida “do lado certo”. A vitória de Obama foi uma piada? Já houve piadas piores. O que dizer sobre Henry Kissinger, ganhador em 1973, responsável pelo extermínio deliberado de civis no Vietnã e Camboja, através de bombardeio aéreo, além de ter tido papel central na famosa “Operação Condor”? Até o general comunista, Le Duc Tho, que receberia o prêmio em conjunto, teve a hombridade de recusar o prêmio. Em verdade, na década de 30, mesmo Stalin e Hitler receberam indicações.

As desculpas para as atribuições desse prêmio são as mais risíveis: “Pelos esforços na luta pela paz…”. Exatamente que esforços têm sido esses, que valeram a Barack Hussein Obama seu prêmio? Ele… Ele… Ele… Ora, ele conversou com muitas pessoas! Nisso, o Sr. Hussein Obama sem dúvida é muito bom. Ele adora discursar e conversar, tudo isso com uma solenidade messiânica absolutamente enojante.

É ainda mais revelador quando as pessoas começam a justificar esse prêmio com coisas que Obama PROMETEU fazer, mas não está nem perto de realizar: “Ah, Raphael, ele fechou Guantánamo”. “Ah, Raphael, ele acabou com ‘as guerras’”. Será que vivemos no mesmo mundo? Até onde eu sei, Guantánamo continua eficiente e operante. E as guerras no Oriente Médio continuam sem previsão realista de término, enquanto Obama considera com seriedade a possibilidade de enviar ainda mais tropas para o Afeganistão e intervir no Paquistão, além de fazer ameaças veladas de guerra ao Irã.

Ah! Já descobri uma grande contribuição de Obama para a paz mundial! Ele, no dia 2, na mesma semana da premiação, assinou um acordo em que prometeu que ajudaria a manter secreto o enorme arsenal de armas nucleares de Israel. Sem dúvida, acobertar o único país que pode se permitir o luxo de não admitir a inspeção internacional de suas instalações nucleares sem represálias, e que já admitiu abertamente ter mísseis apontados para várias capitais européias “apenas por precaução”, é um grande avanço para a paz no Oriente Médio.

Vê-se o desespero da população americana pela maneira fácil com que ela é hipnotizada pela mera repetição de “palavras mágicas”. “The American people need… health… education… security… freedom… peace… love… equality… yes we can.”

Vê? Não é nem necessário usar artigos, preposições, conjunções e outros instrumentos linguísticos. Simplesmente reúna todas as coisas boas do mundo, misture com chocolate e algodão-doce e repita enfaticamente até o cérebro do eleitorado derreter. Você ganha um “bônus” se pertencer a alguma suposta minoria perseguida.

Eu suponho que seja ainda mais fácil hipnotizar a população do Brasil. Tudo isso me parece muito coisa dos “Teletubbies”, “Barney e seus Amigos” ou “Vila Sésamo”, mas para minha surpresa e desgosto, não é que isso funciona?

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.

Ruy Fabiano: A ideologização dos Direitos Humanos

10/10/2009

O Perspectiva Política já reproduziu, algumas vezes, textos do jornalista Ruy Fabiano. Não poderia ser diferente. Este blogueiro que vos fala quase sempre se identifica com os posicionamentos do jornalista, principalmente pela sensatez.

Mais uma vez, me sinto na obrigação de exibir, no Perspectiva, um artigo de Ruy Fabiano. Ele trata com precisão da ideologização dos direitos humanos, que, nada mais é, do que parte de uma ideologização de diversos âmbitos que nunca deveriam ser ideologizados, sob pena de serem cometidas injustiças e de ser abandonado o princípio da equidade.

Acontece que, na prática, como observa Fabiano, a ideologização vem ocorrendo, para prejuízo da Justiça.

Por fim, antes de chegarmos ao texto em si, vale ressaltar que este blogueiro que vos fala enxergou a essência que quer imprimir no Perspectiva desde o início ao ler a seguinte passagem do jornalista: “Cabe à imprensa um papel nesse processo: o de postar-se acima do jogo ideológico e denunciar.”

É exatamente isso. O Perspectiva tenta, através de meus escritos e da pluralidade de colunistas das mais diversas posições políticas, se colocar acima do jogo ideológico e denunciar o que é devido, sabendo também elogiar quando necessário.

Dito isso, segue o texto. Boa leitura:

Direitos Humanos da Esquerda

Por Ruy Fabiano*

O ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, em palestra em Belém, quarta-feira passada, em conferência promovida pela OAB, esclareceu que o governo Lula concedeu status de refugiado político ao ex-guerrilheiro italiano Cesare Battisti, com base numa premissa humanitária: a tradição brasileira de acolher quem lhe peça socorro, independentemente do conflito de que seja parte.

Simples assim. O ministro foi aplaudido como um humanista, sem que a alguém na platéia ocorresse uma pergunta igualmente simples: por que a mesma tradição não funcionou em prol dos boxeadores cubanos Guillermo Rigoundeaux e Erislandy Lara?

Eles, como se recorda, desligaram-se da delegação de seu país, na conclusão dos jogos pan-americanos de 2007, e pediram asilo ao governo brasileiro, alegando incompatibilidade com o ambiente político de Cuba.

O pedido foi recusado e ambos foram deportados de volta a seu país, num jato fretado pelo governo cubano.

Lá, como temiam, foram presos. As autoridades brasileiras alegaram que estavam sem documentos, o que, segundo a Polícia Federal, já seria motivo suficiente para a deportação.

Não se sabe se Battisti possui os seus documentos em ordem. Em geral, pessoas nessas condições não possuem.

A diferença entre os boxeadores e Battisti é que este foi condenado em instância final por crimes de homicídio em sua terra e por um tribunal de direitos humanos da União Européia.

Contra os boxeadores, nenhuma acusação pesava, a não ser o desejo de viver em uma democracia, regime desconhecido em Cuba há meio século.

Tem-se aí claramente um fenômeno de ideologização dos direitos humanos. Tratava-se, no caso dos cubanos, de atender a um governante ideologicamente afim ao governo brasileiro.

No caso de Battisti, que integrou organização paramilitar de esquerda na Itália dos anos 70, dava-se o contrário: estava em pauta o pleito de um governo democrático, reclamando, com base em tratado de extradição firmado com o Brasil, alguém condenado por três crimes de morte, aos quais não se deu o rótulo de “políticos”.

Em defesa de Battisti, o governo foi às últimas conseqüências. Enfrentou a reação do governo italiano, pondo em dúvida a justeza das sentenças condenatórias.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, não hesitou em considerar que o Judiciário italiano não foi justo, gerando reações fortes naquele país. Somos humanitários e ponto final.

No caso dos cubanos, alegou-se apenas que eles não tinham documentos. O passaporte estava retido junto à delegação. O humanismo perdeu para o rigor burocrático da polícia e o governo, claro, não podia fazer nada.

O governou agiu ideologicamente, com pesos e medidas diferentes para cada caso, o que é característica dos governos. Pelo menos de alguns.

Também os governos militares brasileiros agiam ideologicamente, ao conceder asilo a ex-ditadores e a prender fugitivos de ditaduras do Cone Sul, nos anos 70 e 80.

Mas direitos humanos não têm ideologia. Não são de esquerda ou de direita. Não há direitos humanos socialistas ou neoliberais.

Onde quer que a integridade física, moral, psicológica ou cultural de uma pessoa ou de uma comunidade seja violada, ali se configura uma transgressão aos direitos humanos e deve ser combatida.

Cabe à imprensa um papel nesse processo: o de postar-se acima do jogo ideológico e denunciar. Nem sempre o faz, mas é ainda quem faz.

Por exemplo: sabe-se com freqüência – e repudia-se – as agressões aos integrantes do MST, mas sabe-se pouco (e minimiza-se) o que ocorre com os que habitam as propriedades por eles invadidas.

E há aí também inúmeros casos de violência, que ferem direitos humanos, quando não o bom senso (caso dos laranjais da Fazenda Cutrale, destruídos bestialmente há dias no interior de São Paulo).

Por essa razão, convém insistir na máxima de que direitos humanos não têm – não podem ter – ideologia, a não ser a expressa em sua própria essência: a defesa da integridade e dignidade do ser humano.

Fugir dessa premissa, relativizando-a, é fugir da própria missão. Como o fez agora o ministro dos (vá lá) Direitos Humanos.

*Ruy Fabiano é jornalista

Coluna do dia: A questão do aborto e a ética progressista

09/10/2009

Por Yashá Gallazzi*

Discutir a questão do aborto tem se tornado cada vez mais polêmico e complicado. O porquê, todavia, eu não sei. Afinal, convenhamos, a lógica elementar – antes de qualquer critério ligado à fé ou à ideologia – nos diz que o direito à vida, por óbvio, deve sempre prevalecer sobre algum outro. Mas pretendo iniciar este texto a partir da minha concepção pessoal sobre o aborto. Não tomará muito tempo, garanto.

Atá havia pouco tempo atrás, eu não me opunha à descriminação do aborto. Nunca fui favorável à prática, mas entendia, a partir de uma ótica bastante liberal, que isso era uma questão individual de cada um, razão por que o Estado não precisaria se imiscuir na contenda. Alguém quer fazer? Que faça, mas que arque com as consequências morais da escolha – que, admita-se, não devem ser pequenas.

Contudo, isso mudou radicalmente há pouco mais de um ano, quando eu e minha esposa soubemos da gravidez dela. Nosso primeiro filho estava chegando! Não vou entediá-los narrando o poder de transformação que uma descoberta assim tem sobre a vida de qualquer um. Aquela história do “milagre da vida”, lembram? Pois é, realmente existe. A fantástica sensação que experimentei quando escutamos, pela primeira vez, o coraçãozinho dele batendo é impossível de descrever. Isso muda uma pessoa. A faz amadurecer. Crescer mesmo.

E aqui chegamos a um ponto interessante: crescer é ter direito a alguns preconceitos. A frase, estou ciente disso, pode causar alguns arrepios nos politicamente corretos e progressistas, mas é absolutamente verdadeira. Com o passar do tempo e o acúmulo de experiências, o ser humano passa a saber – algumas vezes de antemão – aquilo que é, ou não, bom para ele e para os seus.

Eu, por exemplo, detesto voar de avião e odeio tofu. E nada vai mudar isso. Da mesma forma, aprendi a partir de um despertar inesperado de sentimentos novos, que o aborto é intolerável. Mas, alto lá! Isso eu já sabia… Qual foi a principal mudança, então? Bem, passei a ver o aborto como aquilo que efetivamente é: algo criminoso e abjeto que deve, sim, ser combatido pelo Estado. Como se operou tal transformação? O que a embasou?

Explico: A discussão histórica em torno do aborto se dá entre o chamado grupo “pró-escolha” e aquele “pró-vida”. O primeiro defende que a mulher é senhora de seu corpo e, portanto, pode decidir o que fazer com ele. O segundo, por outro lado, apega-se à defesa intransigente do direito à vida, razão pela qual rejeita uma intervenção como o aborto. Sob o aspecto estrito do choque de direitos, entendo que o aborto simplesmente não se pode justificar. O direito à vida é a essência da civilização, situando-se acima de qualquer outro de forma definitiva. Permitir que haja uma escolha que termine causando a morte de outrem é condescender com a barbárie. Simples assim. Percebam: nenhuma tergiversação retórica pode negar o óbvio.

Mais recentemente, porém, os grupos “pró-aborto””passaram a adotar outro enfoque. A discussão central foi espertamente modificada: em vez de debater o choque de direitos – que condenava o aborto à derrota –, passou-se a discutir o início da vida humana. E aí apareceram uma enxurrada de teorias.

Há a posição conhecida da Igreja Católica, que fala no início da vida com a fecundação. Há uma corrente científica que fala na vida a partir da segunda semana de gestação. Há aqueles que ligam o início da vida ao desenvolvimento completo do sistema nervoso do feto. Além de tantos outros, cada um mais especialista que o outro no assunto.

O que eu acho? Bem, eu me recolho a minha insignificância humana e digo que não tenho autoridade para dizer quando começa a vida do ser humano. Nem eu, nem ninguém! Por isso me oponho, inclusive, ao aborto dos chamados “fetos anencéfalos”, já que a civilização, para que seja entendida como tal, não pode agir como senhora da vida e da morte. Em outras palavras, o ser humano não pode decidir quando uma vida é viável e quando pode ser descartada. Quem faz isso são os bárbaros, não nós.

Há ainda outro aspecto que me preocupa bastante: quem guardará os guardiões? Isto é, uma vez decidido que um determinado feto, portador de uma determinada moléstia, é – como é mesmo que eles dizem? – “inviável”, quem vai impedir que essa fresta aberta não se transforme na porta que nos levará, todos, ao inferno eugênico?

Pensem bem: hoje são os anencéfalos, amanhã podem ser os portadores de Síndrome de Down. Talvez um dia, diante dos infindáveis “progressos da ciência”, seja possível até mesmo “descartar” alguém que nasce com os pés chatos… Estou exagerando? Não creio…

De fato, hoje, a ciência parece provar empiricamente que os tais fetos anencéfalos são mesmo condenados à morte. Mas e depois? Por que essa ligeireza, essa pressa mesmo, em optar pela solução mais rápida? Por que não pensar que o futuro virá para salvar vidas, em vez de apostar que ele ratificará teorias de morte? Há coisa de poucos séculos atrás, crianças siamesas seriam atiradas em precipícios com base nas teorias de então… Vamos continuar atirando as nossas, hoje? A discussão parece ampla, eu sei. Difícil que seja diferente quando se trata deste tema. Mas me encaminho para um direcionamento conclusivo, garanto.

Há coisa de alguns dias, o diretório nacional do PT, o partido que nasceu sob a bandeira da ética, da transformação social e do progresso, decidiu punir os deputados federais Luiz Bassuma e Henrique Afonso. Os dois tiveram seus direitos políticos suspensos pelo partido e, agora, não podem votar nem receber votos, muito menos discursar em nome do PT.

Mais que isso: caso a direção nacional não reveja tal punição, os dois parlamentares não receberão a legenda petista para disputar a reeleição no próximo ano. Ao me deparar com a notícia acima, perguntei: o que terão feito de tão grave? Vai ver foram apanhados com dólares na cueca… Talvez tenham criado um mensalão para comprar apoio no Congresso… Quem sabe fabricaram dossiês contra adversários políticos… Ou então quebraram o sigilo bancário de um caseiro…

Que nada! Todas essas práticas, sabemos, são abertamente aceitas pela tal “ética” petista. Qual foi, então, o pecado dos deputados? Bem, tiveram a audácia de falar contra o aborto.

Percebam a que ponto chegou a inversão de valores ditada pela agenda politicamente correta e progressista: a ética petista, que não vê problema em perdoar os mensaleiros, pune com rigor aqueles que defendem os fetos; a moral do partido que preside o Brasil, capaz de receber de braços abertos gente como Sarney, Collor, Calheiros e Maluf, não tolera que se garanta aos bebês o direito de vir ao mundo; os valores da legenda que não viu problemas em “dar outra chance” para Delúbio, são os mesmos que negam aos bebês a única chance que estes têm. A construção que vou fazer pode soar um tanto forte, mas é inevitável: quando a ética petista é aplicada, inocentes morrem! Aliás, não morrem. São assassinados!

Notem que não se trata mais nem de se dizer contra ou a favor do aborto. Estamos falando do que é ética e moral, algo que o mundo ocidental civilizado já descobriu há muito tempo, mas que o Brasil do PT insiste em subverter.

Bem, verdade seja dita: a crise moral que se vê em episódios como o aqui relatado não é apenas do PT. É de todo o consenso progressista e politicamente correto que tomou o mundo de assalto. A gente moderna e humanista que pretende criar o tal “outro mundo possível”, não tolera a fome na África, o lucro do capitalismo e o desmatamento da Amazônia, mas consegue descartar seus próprios filhos com uma desenvoltura embasbacante. Vivemos, pois, sob a autocracia do pensamento que se mobiliza pelos filhotes de golfinhos, que critica a Coca-Cola e o tabaco, ao mesmo tempo em que não vê problema em estimular o assassinato de bebês.

Assassinato, eu disse? Sim, disse. Porque é disso que estamos falando quando o assunto é aborto. Ou alguém consegue, sem se deixar sugar pelo vórtice do contorcionismo retórico, diferenciar isto de um homicídio puro e simples?

Caso não conheçam o assunto, trata-se daquilo que o progressismo americano chama de “partial-birth abortion”, ou aborto com nascimento parcial. É o procedimento mediante o qual o bebê, já no último trimestre da gestação – isto é, praticamente pronto para vir ao mundo –, é morto covardemente a fim de interromper a gravidez. Repito: desafio qualquer um a me demonstrar como isso não seria um assassinato. Desnecessário dizer que, em fase tão adiantada da vida, o bebê já sente, ouve e, inclusive, se comunica com o mundo exterior. Ah, ia esquecendo! Barack Obama, o novo Messias reencarnado, o príncipe negro que veio salvar o mundo, apóia abertamente aquela prática hedionda.

E aqui, chegando ao final do texto, deixo diante de todos minha perplexidade. Que progressismo é esse, onde o “novo mundo”, a “justiça social” e a tal “igualdade dos homens” deve ser alcançada por meio de uma moral e de uma ética que tolera semelhante barbaridade?

Serei eu realmente tão conservador? Ou é a inversão de valores promovida pelo politicamente correto que subverteu o norte do mundo? Como acreditar em propósitos de paz perpétua quando o interlocutor não vê problema em admitir o homicídio de crianças?

E não é uma mera coincidência que Obama, o Cristo do progressismo mundial, e o PT estejam no mesmo barco moral. Ambos representam, cada um a sua maneira, essa nova ditadura “moderneira” que carrega a bandeira de uma ética nova, onde a vida humana foi relativizada.

Eles, preocupados com o “outro mundo possível”, seriam os mocinhos progressistas. Eu seria o conservador reacionário e obscurantista. E tudo por quê? Porque defendo o direito que as crianças têm de virem ao mundo, ao passo que eles, sem hesitar, as assassinam. Sim, posso até ser conservador e reacionário… Mas quem é mesmo o obscurantista?

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: O Taliban

10/07/2009

Por Yashá Gallazzi*

taliban

Em mais de uma ocasião acabei provocando alguma polêmica ao defender de forma veemente a civilização ocidental e seus valores, notadamente a democracia e o sistema de liberdades individuais. No mais das vezes, as discordâncias giram em torno da suposta intolerância que me caracterizaria ao falar dos que considero inimigos da nossa civilização e, se querem saber, acho que meus críticos estão mesmo cobertos de razão. Eu realmente não tolero os valores que se mostram antagônicos aos nossos, porque – e aqui levanto mais uma polêmica – o Ocidente é moralmente superior aos seus algozes. Simplificando, posso dizer sem medo de errar: ou lutamos pela hegemonia dos nossos valores, ou teremos a barbárie. E ao longo deste texto explicarei o porquê disso.

Li na Folha de São Paulo que o grupo terrorista Taliban, não satisfeito em promover aquilo que – se me permitem – passo a chamar de “terrorismo convencional”, explodindo inocentes em nome do propósito supostamente divino de destruir os infiéis ocidentais, decidiu descer ainda mais baixo, a ponto de chegar às portas do inferno, adentrar o reino de Lúcifer e, uma vez ali, assumir o lugar de Hasmodeu. O que houve, afinal? Segundo o que foi noticiado no jornal paulista, os fascinorosos terroristas estão comprando crianças – algumas de onze anos apenas! – para usá-las como instrumento de sua guerra teratológica. Explico melhor: pagando em média seis mil dólares por cada infante, a canalha adquire carne fresca para sacrificar em nome de sua “causa” sociopata. As crianças que, envoltas em bombas, explodem a fim de matar os cães do ocidente, não passam de mercadoria, pertences aos Taliban.

Eu, que sempre cultivei os mesmos valores éticos e morais aborrecidamente imutáveis, não preciso de mais argumentos para ter certeza do óbvio: somos moralmente superiores a essa gente torpe! E por uma razão bem simples: aqui, no ocidente, a regra geral é proteger e amar as crianças, garantindo-lhes a vida, o mais basilar de todos os direitos individuais. Por mais mazelas sociais que ainda enfrentemos, por mais injustiças que sejam cometidas diariamente contra nossas crianças, violadas e escravizadas, ninguém pode nos acusar de não alimentar os princípios e os valores certos e humanamente melhores. Pode parecer pouco, mas é o fundamental, afinal, os homens – que subvertem a ordem e a legalidade – passam, ao passo que os valores permanecem, simbolizando um inteiro povo.

Não há maneira de tergiversar. Aqui, o nosso norte moral nos impõe o dever de proteger nosso futuro, representado por aqueles que darão sequência à obra por nós iniciada. Não há nenhuma causa ou objetivo capaz de nos levar a sacrificar nossas próprias crianças. Já no Oriente, refém do fascismo islâmico, a causa principal que os move é a destruição da besta ocidental e, para tanto, se pode lançar mão de qualquer recurso, por mais espúrio que seja. Já não era segredo que o terrorismo encontra muita desenvoltura para assassinar inocentes – inclusive crianças – do “lado de cá”, afinal, eles não fazem distinção: somos todos infiéis. A novidade agora é perceber que eles também não hesitam em sacrificar seus próprios inocentes. Suas crianças. Seus filhos. Essa gente representa o mal absoluto e precisa, sim, ser detida. É imperativo que o Ocidente imponha, de fato, a supremacia dos seus valores, para escorraçar os bárbaros que tentam buscar a hegemonia no mundo.

Está evidente que me refiro à necessidade de se combater e vencer a chamada guerra contra o terror. Impedir que a escória do mundo continue sacrificando crianças inocentes em nome de uma “guerra santa” é um verdadeiro imperativo moral para nossa civilização. E para quem ainda não acredita em superioridade de uma cultura sobre outra, proponho um exercício revelador: Lembram de George Bush, o ex-Satã de todo o mundo progressista, humanista e pacifista? Pois bem, o Republicano, tão reacionário, tão conservador e tão belicista, não arregimentou uma única criança para mandar ao Afeganistão e ao Iraque, lutar pelos Estados Unidos e pelo Ocidente. Isso porque aqui nós escolhemos proteger nossas crianças, não assassiná-las. Se algo assim não for suficiente para demonstrar o quanto a nossa escala de valores é superior às demais, espero que alguém me diga o que seria.

Custa-me, por exemplo, entender a abjeta condescendência que alguns ocidentais insistem em nutrir para com os seus algozes, os islamofascistas. Basta lembrar que, quando da ação americana no Afeganistão, os pacifistas de um lado só se apressaram em condenar Bush, denunciando sua – como era mesmo? – “política imperialista” e advogando em favor da tal “autodeterminação” dos povos, que garantiria a qualquer grupo o direito de ter seus próprios imperativos éticos e morais. O ponto é que, nestes tempos sombrios de inversão dos valores mais basilares da civilização, essa tal “autodeterminação” deve ser entendida como o direito que cada povo tem de amarrar bombas às suas crianças, usando-as como armas de guerra. Isso, caros, não pode – e não deve – ser aceito por nós, ocidentais.

Cruzar os braços diante de horrores como os perpetrados pelos Taliban é permitir que os portais do inferno sejam escancarados e que os demônios ditem as regras destinadas a reger nossas vidas. Assistir de forma passiva às atrocidades que o fascismo islâmico pratica, em nome de sua cultura e de sua moral, é concordar com o fato de que a nossa moral já capitulou e nada mais pode. Isso é falso! Urge resistir e prosseguir no único caminho possível quando o assunto é o combate ao terrorismo: caçar o inimigo, encontrar o inimigo e matar o inimigo. Devemos destruí-los não apenas para garantir o futuro de nossas crianças, mas para permitir que as deles também possam viver para, ao menos, sonhar com um. Hoje, sabemos, elas têm a vida ceifada pelos fascínoras que lhes impõem a obrigação de carregar bombas presas ao corpo.

Lembro-me de Sir Winston Churchill, um dos grandes baluartes da defesa do mundo ocidental. Criticado pelo imperialismo das potências europeias, o britânico dizia: “não há mal que o Império Britânico supostamente tenha feito aos colonos, que não possa ser, em muito, superado pelo mal que os próprios colonos praticam uns contra os outros.” E isso vem resumir com especial grandiloquência o argumento central articulado ao longo deste texto. Ou temos a hegemonia dos nossos valores éticos e morais, ou só restará a barbárie.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: Brasil envergonhado diante do mundo – Itamaraty toma partido do terror do fascismo islâmico

15/05/2009

Por Yashá Gallazzi*

Farouk Hosni. Esse é o homem que o governo brasileiro, capitaneado pelo sempre valente Celso Amorim, decidiu apoiar para a direção da UNESCO. E por que isso é importante? Porque o Itamaraty, na atual gestão que o petismo imprimiu, estará, via de regra, sempre errado. Eles querem Hosni na UNESCO, o que significa que toda pessoa democrática deve rejeitar tal indicação.

O candidato do Brasil é egípcio e foi, no passado, Ministro da cultura no seu país. Hosni tornou-se mundialmente conhecido por defender abertamente a queima de livros escritos por judeus. Segundo ele, não haveria um só livro judeu no Egito. E acreditem: Ele fala isso com uma entonação que pretende afetar o orgulho. Ainda assim, fez questão de deixar claro que, se encontrasse um só livro judeu nas bibliotecas egípcias, ele o queimaria em praça pública. Hosni não gosta dos judeus e defende, é claro, aquilo que certa gentalha chama de “resistência palestina”. Sim, a mesma coisa que o mundo civilizado chama de terrorismo. Está tudo explicado, não? O Itamaraty, este filoterrorista incorrigível, encontrou em Hosni seu candidato ideal. Aposto que ele desperta em Celso Amorim os instintos mais primitivos…

A coisa toda, creiam, é bem mais grave do que pode parecer à primeira vista. Para que tenham uma ideia, há um brasileiro disputando a direção da UNESCO. Chama-se Márcio Barbosa, que pretende unir em torno do seu nome todas as nações que forem contrárias ao pensamento antissemita e terrorista de Farouk Hosni. Só que o Brasil – vejam que maravilha! – não viu razão para apoiar Barbosa. Claro! Afinal o que o governo petista poderia ver de bom em alguém que defende o cumprimento das leis democráticas? Como imaginar que Celso Amorim, esse gigante da inversão dos valores morais, poderia ficar ao lado de alguém que defende o direito de Israel existir? Judeus? Que se danem! O humanismo de um lado só, característico dos novos “pogreçistas” quer mais é que eles sejam varridos do mapa, para ficar com os termos empregados por Mahmoud Ahmadinejad, o guru intelectual da trupe.

Vejam, portanto, a que ponto o petismo nos levou: temos um governo que apóia abertamente um partidário do fascismo islâmico, em detrimento de um nome brasileiro. Interesse nacional? Isso é para os fracos, não é? O Brasil, sabemos, está acima de coisas assim tão pequenas. O importante mesmo é fazer a escolha tática correta e difundir o apoio formal ao terrorismo mais abjeto que o mundo conhece, aquele que se esconde atrás de mulheres e crianças.

Mas não é só o Brasil que envergonha os civilizados. Me pergunto: Que tipo de entidade permite que alguém como Farouk Hosni concorra a o que quer que seja? Sim, sou um tanto reacionário e defendo que os inimigos da liberdade não tenham a chance de aplicar seus ideais sujos e arrivistas, pois culminariam com o fim da… liberdade! E, não. Isso não vai de encontro à democracia. Pelo contrário: Vai ao encontro dela. A democracia, porque extremamente preciosa, deve ser protegida daqueles que pretendem solapá-la. As prerrogativas próprias do nosso sistema de liberdades individuais, não podem servir de esteio para que os nossos inimigos consigam nos atingir. Afinal, isso é a própria essência da democracia: Aceitar a divergência, as diferenças e as contraposições, exceto as que atentem contra seus fundamentos basilares e intrínsecos.

Hosni não é a pluralidade de nenhum pensamento que mereça ser escutado. É, isso sim, o caminho por meio do qual o fascismo islâmico pretende ganhar ainda mais voz no mundo, atacando as democracias ocidentais e sua democracia – que as torna, sim, moralmente superior às demais culturas. O egípcio é, antes, a escória do mundo. A síntese do que há de pior no campo do pensamento político atual. É o tipo de gente capaz de defender a morte de crianças, desde que seja pela “causa”. E o Itamaraty, que nunca desceu tão baixo como neste governo petista, não lhe fica devendo nada. Ao apoiar abertamente o fascismo e o terror, o Brasil ingressa, oficialmente, no eixo do mal. E é necessário combatê-lo, pois quem promove o mal se torna inimigo da democracia e das liberdades individuais, colocando em risco não apenas o próprio país, mas o mundo como um todo.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento