Postagens com a palavra-chave ‘Honestidade Intelectual’

Análise Geral: Lula, o messianismo, o suposto golpismo da oposição e a militância na internet

24/07/2010

Informa a Folha:

“Ao discursar em ato de campanha de Dilma Rousseff em Garanhuns, nesta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a elite política do país tentou dar o golpe em seu governo depois do escândalo do mensalão, em 2005.

Segundo Lula, como a tentativa foi frustrada, os golpistas derrubaram Severino Cavalcanti da presidência da Câmara dos Deputados.

‘Tem gente que tem vergonha de se aproximar de você. Mas nessa campanha a gente não quer só ganhar eleição, mas amadurecer politicamente’, disse Lula, olhando para Cavalcanti na platéia.

‘Meu querido companheiro Severino, a elite da câmara elegeu você presidente para você fazer o jogo sujo que ela queria, mas não tinha coragem de fazer que era pedir meu impeachment em 2005′, disse.

Lula chamou a elite política de ‘perversa’ e disse que é com ela que é preciso acabar nas eleições. O presidente não citou o nome dos adversários, mas se referiu aos ’senadores de oposição de Pernambuco’.

‘Meu corpo estaria mais arrebentado que o corpo de Jesus Cristo depois de tantas chibatadas’, afirmou, pelas críticas que sofreu da oposição durante seu governo.

Referindo-se a 2005, Lula disse: ‘O que tentaram fazer comigo, fizeram com Getúlio e ele deu um tiro no peito. O que tentaram fazer comigo fizeram com Jango que teve que sair do Brasil. O que não sabiam, é que Lula era milhões de Lulas espalhados por esse país’, afirmou.”

Qualquer pessoa racional, sensata e honesta intelectualmente se sentirá incomodado com as declarações do Presidente. E não precisa ser tucano para achar isso. Basta ser alguém de bom senso.

Vejamos:

Lula diz que a oposição foi golpista na época do escândalo do mensalão em 2005. Os fatos dizem que o mensalão realmente ocorreu e que o PSDB hesitou em levar à frente o pedido de impeachment.

Lula diz que Severino é seu companheiro. Os fatos dizem que Severino é representante de uma política arcaica, atrasada, corrupta e em extinção e que Lula apenas o afaga por conveniência eleitoral.

Lula diz que é preciso acabar com a elite política. Os fatos dizem que representantes da elite política como Michel Temer, José Sarney e Renan Calheiros estão ao lado de Lula nessas eleições, sendo um deles o Vice de sua candidata que, com a ajuda imprescindível de Lula, assumirá a Presidência de vez em quando se ela vencer.

Lula diz que seu corpo estaria mais arrebentado que o de Jesus. Os fatos dizem que esta metáfora é de um messianismo prejudicial.

Lula diz que tentaram fazer com ele o que fizeram com Getúlio e Jango. Os fatos dizem que este paralelo aponta para a arrogância de Lula, que o faz comparar-se com figuras históricas da nação o tempo todo.

Por essas e por outras se torna impossível não criticar Lula em alguns momentos. E isso não faz da pessoa um oposicionista. Faz dela apenas um ser que não coloca uma venda nos olhos por conta dos avanços que o governo conquistou durante os últimos 8 anos.

Os mais radicais que defendem que se coloque a venda passam por insensatos por isso.

Uns defendem o indefensável na ânsia de proteger o que anda bem.

Outros defendem o indefensável por suas ideologias e sonhos.

Estes eu respeito.

O problema são aqueles que defendem o indefensável por conta de terem participado da confecção do indefensável e terem levado vantagem com isso.

Estes eu repudio.

No fim das contas, estes últimos defendem Lula porque ganham – e muito – com seu governo. Pecuniariamente.

Os primeiros o defendem sem saber o que se passa nos bastidores e sendo mais raivosos contra os que pensam diferente do que o próprio Lula quando fora do palanque.

Enquanto os mais moderados têm de aturar os petistas radicais da blogosfera, Lula quer levar uma egressa do PDT e um perfeito representante do conservadorismo para a Presidência.

Os exércitos se enfrentam e se matam enquanto os generais fazem acordos na mesa do café.

Coluna do dia: Olhares sobre a mudança

11/04/2010

Por Tiago Franz*

Nesta segunda-feira, 12 de abril, minha coluna no Perspectiva chega ao primeiro aniversário. É uma enorme satisfação ser colaborador – e ter sido o primeiro colunista – deste conceituado blog. Agradeço a todos os leitores, comentaristas e colegas colunistas pela constante troca de experiências. E dedico um agradecimento especial ao editor e pai do Perspectiva, nosso estimado Bruno Kazuhiro, pela acolhida e prestatividade.

Ninguém que tenha vivido um intenso período de aprendizado, como o que eu vivi aqui no Perspectiva nos últimos doze meses, deixa de mudar ou amadurecer algumas opiniões. Mas, apesar de eu ter muito o que falar sobre mim, não é o que interessa aqui.

Tenho observado, em alguns políticos brasileiros, mudanças de postura assumidas com o tempo, muitas vezes vistas como incoerência ideológica ou sob outro aspecto negativo. No Brasil, as mudanças de pensamento e atitude por parte de pessoas públicas, no geral, têm sido muito mais objeto de críticas do que de elogios. É claro que também há recepções positivas. O que determina isso são as rivalidades históricas construídas a partir de divergências ideológicas, somadas a uma boa dose de conveniências eleitorais e de interesses diversos.

Alguns exemplos:

Na semana passada, o Senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), durante audiência pública sobre a política externa do Brasil, no Senado, questionou o Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, sobre as medidas e posições adotadas pelo atual governo. Quem acompanha a questão sabe muito bem que a oposição (PSDB/DEM), mesmo reconhecendo, até certo ponto, o prestígio internacional alcançado pelo Brasil neste governo, critica a forma com que a equipe de Lula conduz as relações com países como o Irã, Cuba e Venezuela.

O curioso foi o momento em que Virgílio falou sobre Cuba. O tucano lembrou o tempo em que foi militante do Partido Comunista do Brasil (PCB) e admirador da revolução cubana, quando, segundo ele próprio, Lula era apenas um torneiro mecânico sindicalista sem muita relação com o comunismo. Pois é. Inversamente, hoje Lula abraça os Castro e Virgílio os critica. Onde o tucano quis chegar com essa lembrança? Para Arthur Virgílio, Lula também deveria reconhecer os erros de Cuba e, ao manter relações com os Castro, aconselhá-los a mudar.

A mudança de posição do Senador amazonense é, para ele, um amadurecimento. E Virgílio faz questão de reconhecer seu passado, de certa forma para, espertamente, antecipar-se a possíveis questionamentos. E é claro que muita gente vê tal transformação pelo lado negativo. Afinal, é do jogo.

Com Marina Silva a coisa é mais interessante ainda. A Senadora e pré-candidata à Presidência pelo Partido Verde (PV) desfiliou-se do Partido dos Trabalhadores (PT) no ano passado, após militar por 30 anos na sigla. As críticas a ela vêm de todos os lados. Muitos “esquerdistas” a condenam por uma dita aproximação com empresários e com a direita. Muitos “direitistas” a condenam pelo passado comunista, que consideram ainda determinante em sua postura.

Mas, deixando de lado as parcialidades, até que ponto e quando as mudanças de pensamento e de postura devem ser consideradas ruins? Em que casos há um processo de transformação consciente e quando há apenas interesses escusos? Quando há honestidade intelectual e quando há mera infidelidade partidária ou incoerência ideológica?

Marina e Virgílio amadureceram ou apenas seguiram a tendência de despolarização pós-Muro de Berlim? Amadurecer significa encontrar um meio-termo?

Encerro por aqui, mais uma vez com muitas perguntas não respondidas.

Este sou eu, Tiago Franz, colunista do Perspectiva há um ano, indagador, sempre em movimento.

*Tiago Franz é jornalista, colunista do Perspectiva Política aos domingos e escreve no Twitter em @tiagofranz

2ª Coluna do dia: Crônica – A verdade sobre a verdade

29/11/2009

Deus, os homens e a honestidade intelectual

Por Tiago Franz*

- Ateu?

- Sim. Se considerado for que ateu é quem nega a existência de divindades tais quais os teísmos pregam. Por quê? O que é um ateu pra você?

- Se diz de quem não acredita em Deus. Mas significa ser contra Ele. Anti-Deus.

- Definitivamente não significa ser contra Deus. É possível ser contra algo que se nega? Já ouvi falar em antiteísmo, que dizem ser uma oposição direta a divindades. Mas pra ser anti-Deus é preciso acreditar que Ele existe, penso.

- Mas…

- Não podemos confundir! Acho que há um erro conceitual aí. Teísta é aquele que crê que Deus existe. Ateísta, ou seja, ‘a’ mais ‘teísta’, é quem não crê. É simples.

- Humm!

O ‘a’ indica a negação. Mas essa negação não significa necessariamente ser contrário, como um antagonista ou adversário. Assexuado, por exemplo, não é ser contra o sexo. E analfabeto não é quem faz oposição à alfabetização.

- Tá certo.

- Uma vez assisti a uma palestra de um filósofo, que definiu e diferenciou ateus, céticos, fideístas, gnósticos…

- Hum!? Fideístas!? Gnósticos!?

- Calma! Vamos por partes. Ele disse que a palavra ‘ateu’, do grego ‘a’ mais ‘théos’, significa a negação do conceito de Deus. É contra a mentalidade de que há um ou mais deuses que nos avaliam pelos ditames do “certo e errado”, como muitas religiões teístas doutrinam. É contra a imposição da “verdade divina”.

- Então pro ateu não existe uma só verdade?

- Não existe a afirmação de uma só verdade. Mas acho melhor não ampliarmos e complicarmos muito a definição de ateísmo. Vamos limitá-la à negação do conceito de Deus e ver as outras definições. O ceticismo, por exemplo, é ligado à noção de “septo”, de olhar à distância, examinar, observar, desconfiar até mesmo da capacidade que a razão tem de conhecer alguma coisa, disse o filósofo. Já o fideísmo busca ignorar ou minimizar o papel da razão para se chegar à verdade suprema. E o gnosticismo, ao contrário do fideísmo, busca alcançar a plena realização humana a partir do desenvolvimento pleno do conhecimento, a razão…

- Nossa! Vá devagar aí senão eu não acompanho. Isso tudo tem a ver com acreditar ou não em Deus?

- São algumas das formas de pensar que orientam as pessoas a crer ou não na existência de Deus ou de qualquer outra entidade divina. Mas eu ainda não falei da definição que eu acho mais interessante: o agnosticismo.

- Olha o ‘a’ aí de novo! Gnosticismo e agnosticismo!?

- Sim. O agnóstico é aquele que professa a ignorância sobre a existência de Deus. E esta é uma das definições em que eu me encaixo. Sou o que chamam de ateu agnóstico. Nego a existência de Deus por achar que nunca saberemos se Deus existe ou não.

- Mas como assim? Se o agnosticismo considera a existência de Deus improvável e o ateísmo simplesmente a nega, não se pode ser agnóstico e ateu ao mesmo tempo.

- Mas posso estar próximo de ambos e sentir-me um pouco em cada lado. Afinal, essa coisa do improvável tem a ver com movimento, reflexão e mudança de pensamento. Não nego de todo a possibilidade de existir uma força relacionada ao equilíbrio universal. O que eu nego é a existência de um Deus à imagem de um cabeludo e barbudo grisalho, sentado num trono nas nuvens e rodeado de querubins e serafins e tudo mais. Isso, a meu ver, é mitologia. Invenção humana.

- Mas você não era assim. Você já foi um cristão como eu. O que te fez mudar?

- É aquilo que eu disse sobre estar em movimento. Eu não nasci cristão. Nasci numa família e numa comunidade cristã. Minha cultura é cristã. Porém, há uma questão de honestidade intelectual nisso. Você acredita que Deus existe e que Jesus Cristo é seu filho, certo?

- Certo. Mas estou meio abalado com toda essa conversa. E como é isso de honestidade intelectual? Por acaso você acha que eu sou desonesto?

- Não é isso, não! Se você confessa que está com suas convicções um tanto abaladas, é sinal de honestidade intelectual. Mas acho melhor falar por mim. Ser honesto intelectualmente é aceitar a dúvida e conviver com ela. É assumir que somos incapazes de solucionar tais questões. É dessa forma que eu me oriento.

- Me parece que a solução que você encontrou é negar tudo e pronto. Você é ateu e agnóstico, isto é, um “não teísta” e “não gnóstico”. E outra coisa que não entendo: essa tendência de negação não tem uma pitada de ceticismo? E se você chegou a esse ponto através da reflexão e da tal honestidade intelectual, não tem muito de gnosticismo no teu pensamento?

- Tem sim. Como eu já disse, o ‘a’ não significa ser contrário. Os agnósticos não são necessariamente contra os gnósticos, ou seja, não são contra a razão e o conhecimento. O que sei é que os agnósticos acham que o conhecimento e a razão são incapazes de responder à questão da existência de Deus. Até pode ser que haja um pouco de ceticismo aí também. Enfim, as formas de pensamento se aproximam e se afastam em diferentes pontos. E para ser bem honesto, comigo, com você e com todo mundo, repito o que disse Sócrates antes ainda de Jesus ter nascido, se é que eles existiram mesmo:

“Só sei que nada sei.”

*Tiago Franz é colunista do Perspectiva Política aos domingos e escreve no Twitter em @tiagofranz

Eduardo Paes: Exemplo de desonestidade intelectual

14/07/2009

Existe uma qualidade importantíssima para o ser humano, prezada em demasia por este blogueiro, que está em falta tanto na vida cotidiana de todos como, consequentemente, na vida política. Esta é a honestidade intelectual.

A honestidade intelectual se confunde com a sinceridade e a franqueza, mas não é exatamente nenhuma das duas. Para explicar o que é honestidade intelectual, recorramos à explanação do que é o seu oposto: A desonestidade intelectual.

O desonesto intelectualmente diz que é falso o que sabe verdadeiro, é cínico e nega o que todos os que os cercam sabem ser verdade. O desonesto intelectualmente privilegia seus interesses em detrimento de verdades que não têm nada de controverso. Ele nega o óbvio, sem vergonha de fazê-lo. Ele se recusa a confirmar o que é correto, pois isso atenta contra seus objetivos.

Resumindo, o desonesto intelectualmente mente ou, no mínimo, omite o que lhe convém quando há uma oportunidade, por mais que se espere dele que não o faça. É muito mais nocivo do que alguém que simplesmente omite um fato, pois, diversas vezes, trata-se de alguém de quem se aguarda a verdade

Pois bem. O Prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), teve sua desonestidade intelectual comprovada pelo jornalista Sidney Rezende, que divulga em postagem de seu site, o seguinte episódio:

“Eu disse ao prefeito do Rio, Eduardo Paes, que havia ficado impressionado com a limpeza e seriedade da gestão de duas escolas municipais que visitei: Lasar Segall, em Realengo, e Roquete Pinto, em Bangu. O prefeito recostou-se na cadeira e elogiou o antecessor:

- Você sabe que o Cesar Maia foi muito criticado pela aprovação automática, mas as escolas públicas são um brinco !

Depois, com humor, Eduardo Paes, arrematou: ‘Só não posso elogiar em público’”.

Lamentável. Vergonhoso. A população do Rio de Janeiro será, pelo equívoco de alguns nas urnas, obrigada a ser comandada por este senhor durante mais 3 anos e meio.

O que teria de mal em reconhecer em público os acertos do antecessor? Não seria muito mais honesto admitir os avanços empreendidos por Cesar Maia?

É esse tipo de prática que macula a política brasileira. Esse conceito de muitos políticos de que ninguém fez nada direito a não ser eles mesmos. Reconheçam-se os feitos do antecessor e prometam-se avanços, melhorias e correções do que está equivocado. Isso sim é honestidade intelectual.

Eduardo Paes só traz um benefício com a declaração que deu. Permite que seja compreendido por nós, perfeitamente, o que é desonestidade intelectual. Configura ótimo exemplo:

Só não posso elogiar em público”

Pronto. Vocês acabam de entender perfeitamente o que é desonestidade intelectual.

FHC: Lula nunca reconheceu o Real mas fez a parte dele

08/07/2009

Informa o jornal O Globo:

“O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acusou nesta terça-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de nunca ter reconhecido a importância do Plano Real para os avanços do país. Houve presença maciça de líderes tucanos na comemoração pelos 15 anos do Real em solenidade no Congresso Nacional, e poucos petistas compareceram.

- Eu seria injusto com ele ( Lula), se dissesse que ele está apenas surfando. Não, ele usou e não reconheceu. Até agora não disse uma palavra de reconhecimento dos benefícios que o Real – e tudo que fizemos no meu governo – trouxeram para o país. Mas ele fez também a parte dele – afirmou Fernando Henrique em entrevista após a solenidade.”

Dois pontos terão que ser reconhecidos sempre na história do Brasil:

1- O Plano Real foi um sucesso e devemos, nesse âmbito, fortes agradecimentos a pessoas como Itamar Franco, Ciro Gomes e Fernando Henrique Cardoso. Todos participaram do projeto de alguma forma, todos merecem o apreço nesse caso específico.

2- Lula foi muito responsável no que diz respeito à economia. Acertou bastante e fez sua parte para manter a estabilidade e o controle da inflação. Não fez loucuras, foi maduro.

Isso quer dizer que todos os brasileiros honestos intelectualmente deveriam reconhecer estes dois pontos.

Os petistas que quiserem se dizer sinceros, francos e honestos têm, necessariamente, que reconhecer o Plano Real.

Os tucanos, que quiserem se dizer sinceros, francos e honestos têm, necessariamente, que reconhecer a boa contribuição de Lula.

Toda a política brasileira seria mais saudável, mais produtiva e, até mesmo, mais justa, se houvesse essa honestidade intelectual.

Dito isso, temos que reconhecer o gesto de Fernando Henrique Cardoso e esperar que, pelo menos um dia, Lula tenha um gesto semelhante.

Fernando Henrique criticou Lula, é verdade, porém, não se furtou em reconhecer os méritos do atual Presidente. Lula, até hoje, nunca fez isso com relação a Fernando Henrique.

Seria louvável se também fizesse. É uma questão de maturidade.

Reconhecer o acerto dos outros para poder ter o direito de também criticar e canja de galinha não fazem mal a ninguém. Este blogueiro pensa assim pelo menos.

PIB do Brasil recua 0,8% no primeiro trimestre de 2009, e Brasil tem recessão

09/06/2009

“PIB do Brasil recua 0,8% no primeiro trimestre de 2009, e Brasil tem recessão”

Eu sei que vão dizer que este blogueiro gosta de criticar o governo. Mas não é questão de gosto para mim criticar petistas, tucanos, democratas, peemedebistas, etc. É uma questão de merecimento das críticas.

Nessa linha, quem pode me dizer que o governo não merece ser criticado quando fazem parte dele um Presidente que disse que a crise seria uma marolinha e um Ministro da Fazenda que disse que o PIB subiria 4%.

Não é uma questão política minha. É uma questão factual. Qual cidadão aprova uma atitude de um membro da administração pública quando ela é uma previsão totalmente equivocada dos efeitos que uma crise econômica causará no País?

E mais, que cidadão gosta de perceber que todo o efeito negativo era provável e previsível e que as previsões otimistas demais foram feitas, não para manter o País entusiasmado e sem crises de confiança, o que é louvável, mas sim, para proteger a imagem do governo?

É apenas uma questão de racionalidade. O governo fez besteira e merece ser criticado por isso. A crise não foi tsunami, mas não é marolinha. O PIB não está despencando, mas está longe de crescer 4%.

Entre previsão otimista e positiva e previsão majorada para cima com propósitos políticos existe uma linha mais do que tênue.

O que me impressiona é que muitos dirão que o Presidente acertou em dizer que a crise seria uma marola. Esses mesmos falarão que o blogueiro quer motivos para falar mal do governo.

Erros dos governantes que são indubitáveis devem ser criticados. Ponto final. Contra fatos não há argumentos e eu não compreendo onde fica a razão daqueles que, de forma passional, aprovam tudo que vem de quem gostam e desaprovam tudo que vem de quem gostam.

Senso crítico meus caros, por favor. Será que não é possível ver erros e acertos do PT e erros e acertos do PSDB ao mesmo tempo?

Está faltando honestidade intelectual. Estão sobrando sofismas.