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Jorge Semprún, que lutou contra Franco, diz não ser vítima do franquismo

10/07/2009

Jorge Semprún, para quem não sabe, é espanhol e foi membro da resistência francesa durante a ocupação nazista, tendo sido detido e sobrevivendo ao Holocausto.

Mais tarde,  continuou na luta e passou a ser ativista contra o regime de Franco na Espanha, participando, na clandestinidade, do Partido Comunista espanhol.

Pois bem. Em uma entrevista recente, Semprún foi perguntado a respeito de se sentir, ou não, uma vítima do franquismo.

A resposta foi a seguinte: “Não me considero vítima do franquismo. As vítimas são aqueles que sofreram a repressão com passividade. É uma distinção que faço… mas, como lutei contra, não me considero vítima, mas ator nesse período histórico. A reconstrução da democracia na Espanha fez triunfar os valores democráticos que eram os dos vencidos na Guerra Civil.”

Faço este registro por um simples motivo: É um ótimo exemplo para aqueles que lutaram com coragem contra a ditadura brasileira, se opondo corretamente e heroicamente à repressão, mas que, mais tarde, entendendo que deveriam ser recompensados financeiramente, e não apenas  com a gratidão de todo um País, por uma batalha que empreenderam voluntariamente e por um ideal, requereram a “Bolsa-Ditadura”.

A pergunta que me vem à cabeça é sempre a mesma: Se a luta dos que batalharam contra o regime militar no Brasil era pela democracia e pelo nosso País, porque pedem compensação financeira? A abertura política, a democracia brasileira e a liberdade de expressão, conseguidas, não eram os objetivos da luta?

Entendo e defendo os que requerem indenização por terem perdido parentes, ficado inválidos ou sido torturados.

Mas não compreendo os que, por apenas terem participado de grupos clandestinos, ou até algo mais brando, querem ser sustentados pelo Estado brasileiro.

Vocês lutaram por algo e conquistaram. Sintam-se felizes e satisfeitos. Verdadeiros heróis. Mas não tentem levar vantagem, já na terceira idade, com isso.

Aprendam com Semprún.

Coluna do dia: O que acontece na Terra Santa, fica na Terra Santa. Ou não.

14/05/2009

Por Eduardo Schneider*

O catolicismo está em queda livre em todo o mundo, tudo isto é fruto do seu passado comprometedor, de uma relação promíscua com o Estado. Para tentar melhorar esta imagem da Igreja, o Papa Bento XVI, começou uma viagem para o Oriente Médio com o intuito de “encorajar cristãos e estreitar laços com o islamismo e o judaísmo”.

Falar em paz entre religiões no atual mundo perverso e injusto é uma utopia em que apenas os leigos acreditam.

No melhor estilo bate e assopra, o Papa chega à Terra Santa sob forte esquema de segurança e em um momento de tensão nas relações entre o Vaticano e Israel provocadas pela recente suspensão da excomunhão do bispo católico britânico Richard Williamson, que negou o Holocausto. Outro ponto importante para o aumento dessa tensão foi a polêmica decisão de aprovar a beatificação do Papa Pio XII, acusado por vários historiadores de “ser omisso em relação ao extermínio de seis milhões de judeus”, pelo regime nazista, durante a Segunda Guerra Mundial.

Os problemas não terminam por aí. O discurso proferido pelo sumo pontíficie no Museu do Holocausto foi considerado decepcionante pela comunidade judaica, por omitir uma menção culpando os nazistas pela morte de judeus na Segunda Guerra. Na verdade, até o uso da palavra morte, em vez de assassinato, foi alvo de inúmeras críticas. Muitos afirmam que por estes motivos, sua tentativa de se conciliação falhou.

Acontece que, aparentemente, a aproximação com os muçulmanos foi bem mais proveitosa. Ele disse tudo que os palestinos gostariam de ouvir: que o muro erguido por Israel é símbolo de “impasse”, que Deus é  “misericordioso e compassivo”, usando a expressão que os muçulmanos usam quando falam de Alá e que defende abertamente a criação de um estado Palestino com fronteiras internacionalmente reconhecidas.

A Igreja Católica usa e sempre usou o nome de Cristo e seus Santos a seu favor, para melhor se sair de situações que venham a prejudicá-la. O Papa, no discurso, para uns foi divino e para outros a face negra. Os Israelitas também andam no mesmo jogo. Usam, no entanto, as perseguições do passado para justificar seus erros no presente. Tudo uma grande política organizada.

*Eduardo Schneider escreve no Perspectiva Política às quintas.