Informa o Globo:
“Conforme era esperado, o Conselho de Ética do Senado arquivou, na tarde desta quarta-feira, por 9 votos a 6, os recursos da oposição contra o arquivamento dos 11 pedidos de investigação contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), por quebra de decoro parlamentar.
[...]
A oposição, com seis votos – cinco de DEM/PSDB e um do PDT (Jefferson Praia) – precisava de pelo menos oito votos dos 15 membros do colegiado para reabrir as investigações. Contava com ao menos dois votos do PT, mas o partido, pressionado pelo Planalto, foi decisivo para enterrar as investigações, com os votos de Delcídio Amaral (MS), Ideli Salvati (SC) e João Pedro (PT-AM). Coube a este último ler a nota divulgada pelo presidente do partido, Ricardo Berzoini , que orientou a bancada no Senado a votar pelo arquivamento das ações.”
Vergonha! Não há outra palavra que possa descrever melhor o que ocorreu no Conselho de Ética do Senado. O cinismo venceu, o deboche imperou e os interesses eleitoreiros dos que votaram a favor de Sarney fizeram com que o arquivamento de todas as denúncias contra o Presidente do Senado fossem mantidas.
Poderiam até alegar que algumas das denúncias não têm realmente uma sólida fundamentação. Vá lá que seja. Mas duas delas especialmente, a que diz respeito ao emprego para o namorado da neta de Sarney e a que se refere ao fato de Sarney ter mentido a respeito de sua influência sobre a Fundação Sarney, davam total margem para o desarquivamento e para o início de uma investigação. Fica claro que Sarney se safou pela política, e não, pela fraqueza de todos os argumentos das denúncias.
Enquanto Renan Calheiros se regozija, coisa que dói em qualquer brasileiro de bem, somos obrigados a ver a base aliada livrar Sarney das denúncias visando, claramente, as eleições de 2010. O destaque fica por conta da incoerência de partidos como o PT e o PC do B que defenderam, muitas vezes, a ética. O PMDB, cá para nós, não engana ninguém a tempos. Principalmente o do Senado.
Mas isso não há de ficar assim. Pressionemos como sociedade civil para que tudo seja levado ao Plenário do Senado. Por mais que lá os senadores estejam protegidos pelo voto secreto, que abre caminho para o compadrio, teremos pelo menos mais uma chance de pressionar e mostrar aos senadores que os que defendem Sarney não ficarão impunes. Mantenhamos a posição de repúdio aos que defendem Sarney, explicitada na Campanha Não Voto Em Quem Defende Sarney, criada por este blog.
Não podemos aceitar que a oposição, acuada pelas ameaças do PMDB e tentada a se render ao corporativismo, não leve os casos para o Plenário do Senado. Alguns estão dizendo que o regimento do Conselho de Ética não permite esse procedimento, mas isso é balela de sarneyzista.
Por fim, é importante também que saibamos exatamente como votaram os membros do Conselho de Ética, por isso, tomem ciência dessa informação pela lista abaixo:
Sim – A favor das investigações e do desarquivamento
Não – Contra as investigações e o desarquivamento
Titulares
Demóstenes Torres (DEM-GO) – Sim
Heráclito Fortes (DEM-PI) – Ausente
Eliseu Resende (DEM-MG) – Sim
Marisa Serrano (PSDB-MS) – Sim
Sérgio Guerra (PSDB-PE) – Sim
Wellington Salgado (PMDB-MG) – Não
Almeida Lima (PMDB-SE) – Não
Gilvam Borges (PMDB-AP) – Não
João Pedro (PT-AM) – Não
Inácio Arruda (PC do B-CE) – Não
Gim Argelllo (PTB-DF) – Não
João Durval (PDT-BA) – Ausente
Romeu Tuma (PTB-SP) – Não
Paulo Duque (PMDB-RJ) – Por ser Presidente do Conselho, só votaria em caso de empate
Suplentes:
ACM Júnior (DEM-BA) – Ausente
Rosalba Ciarlini (DEM-RN) – Sim
Delcídio Amaral (PT-MS) – Não
Ideli Salvatti (PT-SC) – Não
Jefferson Praia (PDT-AM) – Sim
Em tempo: É preciso, ainda, fazer o registro do cinismo de Renan Calheiros. Todos sabem que o Senador fez o PMDB representar contra Arthur Virgílio (PSDB-AM) para dispor de uma moeda de troca. O que ele menos desejava era investigar alguma coisa. Pois bem. Vejam o que ele declarou a respeito da manutenção do arquivamento das denúncias contra Virgílio:
“O PMDB considera-se suficientemente esclarecido e acompanhará o despacho pelo arquivamento”
Suficientemente esclarecido? Francamente…