Postagens com a palavra-chave ‘Habeas Corpus’

Arruda aceita cumprir o mandato licenciado, mas não quer renunciar

02/03/2010

As informações que chegam dão conta de que o Governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda, aceita se comprometer a se manter licenciado do cargo até o fim de seu mandato, em dezembro, mas não quer renunciar de jeito nenhum.

Os advogados de Arruda tentam negociar para que o Governador seja libertado da prisão em troca do compromisso de se manter afastado do governo, alegando que, distante do poder, Arruda não poderia influir maliciosamente no processo ou obstruir a ação da Justiça.

Acontece que, nos bastidores, dá-se como certo que os magistrados só se sensibilizariam e cogitariam permitir a libertação de Arruda caso este renunciasse. Só assim veriam com melhores olhos os pedidos de habeas corpus.

A questão é que renunciar Arruda não quer. Não aceita.

O porquê disso é facilmente compreensível: Afastado, Arruda mantém imunidade, foro privilegiado e prisão especial. Se renunciar, perde tudo isso.

No pior cenário para o Governador, ele poderia renunciar, ser libertado da carceragem da Polícia Federal e, caso preso novamente, ir parar na Penitenciária da Papuda. Muito pior.

É por isso que Arruda não renuncia. E torce para que o seu impeachment não seja aprovado na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Torce provavelmente em vão.

Novas denúncias: Arruda se preocupa e pensa em renúncia para fugir de cassação

16/02/2010

Informa o Globo, a respeito da preocupação de José Roberto Arruda com relação às novas denúncias que envolvem seu nome e o seu governo:

“O advogado Thiago Bouza, que visitou nesta segunda-feira na prisão o governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), disse que tem informado o governador afastado sobre as novas denúncias, como a de loteamento de cargos do governo e a suspeita de que a Polícia Civil do DF teria sido usada para espionar investigações conduzidas pelo Ministério Público a respeito do suposto esquema de corrupção que ficou conhecido como escândalo do mensalão do DEM de Brasília.

- O Arruda começa a demonstrar a preocupação a respeito disso ( novas denúncias) – disse Thiago Bouza, que trabalha no escritório de Nélio Machado. “

Informa o Estadão, também sobre Arruda, dessa vez citando a possibilidade de renúncia do Governador afastado para fugir da cassação e, ao mesmo tempo, aumentar as chances de conseguir um habeas corpus:

“Aliados do governador licenciado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM, sem partido), apostam na sua renúncia como saída para escapar da já acertada cassação do mandato, na Câmara Distrital, e da prisão. Na tentativa de impedir a intervenção federal no governo de Brasília e pressionar Arruda a renunciar, os deputados distritais fizeram um acordo para aprovar, na quinta-feira, 18, o pedido de abertura de impeachment do governador licenciado. Ao mesmo tempo, com o abandono do cargo, aumentam as chances de Arruda ganhar o habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF), para ser libertado.”

Os dois trechos reproduzidos acima comprovam, determinantemente, um fato:

O cerco sobre Arruda está, sem dúvida, e acertadamente, se fechando.

Aguardemos o desenrolar dos fatos.

Atenção: Lula não gosta, mas José Roberto Arruda ficará preso – Impeachment de Paulo Octávio será pedido por PSB e OAB

12/02/2010

O habeas corpus pedido pela defesa do Governador José Roberto Arruda não será concedido. Ainda não é oficial, mas o Ministro Marco Aurélio de Mello do Supremo Tribunal Federal já decidiu que negará a liminar que possibilitaria a Arruda sair da cadeia especial e responder em liberdade às acusações.

Portanto, o Governador deve continuar preso e, provavelmente, passará o Carnaval dessa forma, já que o Supremo só se reunirá novamente na quarta-feira de cinzas, após a folia.

De certa forma, é triste assistir a todo este espetáculo, afinal, trata-se de um Governador, alguém que tinha a confiança de seu povo, um representante popular, chegando a um ponto onde só a prisão é solução. Por outro lado, não se pode lamentar que Arruda esteja na cadeia. Ao contrário, é motivo de comemoração, pelo menos, o fato de a impunidade não ter reinado mais uma vez.

Em resumo, é triste que Arruda tenha se comportado da forma com que se comportou, traindo a confiança popular e mitigando a credibilidade das instituições, porém, uma vez tendo Arruda procedido dessa forma, é corretíssimo que seja preso e enfrente todos os rigores da lei. Nesse momento, como em todos os outros, ele é, ao contrário do que diz o Presidente Lula, “uma pessoa comum”. E assim deve enxergá-lo a Justiça.

Aliás, falando em Lula, a declaração do Presidente de que é ruim para a política nacional que Arruda seja preso foi vista com um misto de incompreensão e indignação. Se Lula quis dizer que trata-se de uma mancha na história política nacional que era desnecessária, acerta. Porém, se visou afirmar que Arruda não deveria ter sido preso, passando a mão na cabeça dos corruptos mais uma vez, incentivando a impunidade e sendo conivente e leniente, erra. Erra feio. Pois empreende mais um esforço péssimo para a banalização da corrupção, fato constante em seu governo.

Além disso tudo, como era de se esperar, o Vice-Governador Paulo Octávio, que assumiu o cargo, enfrentará também pedidos de impeachment feitos por instituições muito relevantes. Já é certo que a OAB-DF e o PSB-DF se dirigirão neste sentido.

Enquanto isso, o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, recomenda a intervenção da União no Distrito Federal, prevista em lei para casos extremos como esse.

Sendo assim, ao mesmo tempo em que é cogitado o impeachment de Paulo Octávio e Arruda continua na cadeia como Lula disse não desejar, é o próprio Presidente que pode acabar nomeando o novo Governador do Distrito Federal, um interventor da União.

Por fim, vale ressaltar que Lula pode não estar gostando da prisão de Arruda por ela dar muita margem a um comentário que está circulando fortemente:

Arruda foi preso, ótimo, mas por que não foram igualmente presos José Dirceu, Paulo Okamotto e Luiz Gushiken, por exemplo, por conta do mensalão?

É verdade que Arruda fez a única coisa que não poderia fazer – obstruiu claramente as investigações – dando um tiro no pé. Não fosse isso, não teria sido preso, assim como os mensaleiros não foram. Mas não justifica.

Se a Justiça vale para alguns influentes, deveria valer para outros mais influentes ainda.

Talvez para não ouvir isso, Lula queira Arruda solto. Não sei. Pode ser.

De qualquer forma, o Governador do Distrito Federal deve passar mais alguns dias encarcerado. Uma mancha para a política nacional e um exemplo para a Justiça ao mesmo tempo.

Acompanhemos o desenrolar dos fatos.

O que pensa a OAB

07/02/2009

Este blogueiro que vos escreve resolveu pesquisar a posição da OAB sobre todo o rebuliço gerado pelo STF no caso em que permitiu que o réu responda em liberdade ao processo enquanto tiver o direito de recorrer. A decisão provavelmente causará diversos pedidos de habeas corpus de pessoas condenadas em primeira instância e decretações de prisões preventivas.

Diz a presidência da Ordem dos Advogados do Brasil sobre a decisão do STF , que abriu perigoso precedente, de conceder habeas corpus a Omar Coelho Vitor, produtor de leite em Passos (MG), para recorrer de sua condenação em liberdade:

“A decisão do Supremo Tribunal Federal, de defender o princípio da liberdade do acusado até que a sentença transite em julgado, é coerente com os fundamentos do Estado democrático de Direito. Mas impõe ao Judiciário brasileiro um desafio inadiável: o de tornar mais céleres os julgamentos..

No quadro atual, em que os processos levam anos tramitando nas diversas instâncias, a sociedade teme os efeitos de tal decisão. Ela está correta no mérito, pois seria injusto atribuir o ônus da saturação estrutural do Judiciário ao cidadão, impondo-lhe a prévia privação da liberdade – o bem mais precioso do ser humano -, enquanto aguarda, por anos, o trânsito em julgado de seu processo.

O tema recoloca em pauta, com urgência máxima, a reforma do Judiciário, aprovada apenas parcialmente há quatro anos pelo Congresso. Há bem mais a reformar.

É preciso dotar o Judiciário de meios materiais mais consistentes, de modo a permitir que julgue com a agilidade que o princípio da justiça requer. ‘Justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta’, já advertia Ruy Barbosa.

Embora tenha nos últimos anos edificados prédios luxuosos, o anacronismo estrutural do Judiciário, com escassez de juízes e número insuficiente de servidores concursados e equipamentos – há comarcas que ainda usam máquinas de datilografia e outras em que nem isso há -, retarda a aplicação da justiça, desgastando-a perante a sociedade. E sem justiça, sabemos todos, não há democracia digna desse nome.”

Leia mais sobre o tema em: “Chuva de prisões preventivas” e “Ainda sobre a decisão do STF”.