Postagens com a palavra-chave ‘Guerra’

Coluna do dia: Sanções internacionais – Por quê?

17/06/2010

Por Felipe Liberal*

Eu odeio sanções. Podem ser econômicas ou políticas, eu as odeio. Tudo parece óbvio neste maldito planeta. É sempre a mesma coisa: sanções contra o Irã, Cuba e Coreia do Norte. Vindas de quem? Principalmente dos EUA. Eles, de fato, conseguem evitar que a evolução da História continue.

Quando vamos conseguir separar o sistema político adotado pelos iranianos, cubanos e coreanos do seu povo? Quando vamos entender que sanções só servem para prejudicar seres humanos que não tem nada a ver com interesses estúpidos e infinitos de alguns países? Até quando vamos suportar que cinco países decidam quem merece sofrer ou não?

Eu discordo de muita coisa que acontece nesses três “malditos” países, como também discordo de muita coisa que acontece nos EUA, Inglaterra e China, por exemplo. Nem por isso esses últimos mereceram ou merecem sanções por parte da ONU. Parece óbvio.

O Irã é totalitário? Sim. Mas a China também é. Cuba faz prisioneiros injustamente? Sim. Os EUA também fazem (vide Guantánamo e a “desativada” Abu Ghraib). A Coreia do Norte restringe a liberdade de informação? Sim. Mas todos os países europeus também fazem, inclusive comprando jornalistas e blogs (vide Yoani Sanchéz).

Então você deve estar se perguntando: portanto todos merecem sanções, né? Não. Discordaria totalmente de você. As sanções são a pior maneira de se tentar um acordo. O sistema socialista cubano sobrevive desde 1959 com fortes sanções estadunidenses, nem por isso a ilha cedeu ou aceitou as exigências internacionais. A Coreia do Norte passa pela mesma coisa, sofre sérios embargos dos países europeus e até asiáticos, na própria vizinhança, e nem por isso desistiu do seu isolamento exagerado.

Não é com o “big Stick” que as coisas se resolvem. Agressão gera agressividade. Até quando vamos conseguir ficar sem entender isso? Não podemos gerar paz com guerra. Não podemos construir um mundo melhor trazendo o que há de pior no ser humano, que é a raiva, a discórdia e a guerra.

A ONU é a maior farsa que o mundo já pôde ver. O organismo da paz é o maior gerador dos conflitos e problemas que temos hoje. Principalmente por ser comandada por países que precisam da guerra para sua própria sobrevivência, países sedentos por sangue e dinheiro. Meus caros, EUA, Inglaterra, China, Rússia e França querem tudo, menos a paz. Novamente parece óbvio.

E tudo isso só vai ser mudado, quando nós mudarmos também.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: A utopia moral e a ideologia pacifista

15/04/2010

Por Raphael Machado Silva*

Em um âmbito social mais localizado, o Pacifismo como ideologia moral é subversivo. Fundado no misticismo e no hocus-pocus liberal, o pacifista considera a vida humana individual como o maior dos bens. Se a vida é o maior dos bens, não há mal maior do que a perda ou retirada de uma vida, ou que a ameaça a sua integridade por meio da violência. Para o pacifista, absolutamente nada é pior do que a violência.

O pacifismo é o fruto de uma doença espiritual do homem. O progenitor do pacifismo é o burguês urbano e cosmopolita. Estando completamente alienado dos autênticos processos da Vida, por meio dos artifícios da vida cômoda, o burguês é incapaz de compreender a Natureza e, portanto, a falsifica moralizando-a. Foge à compreensão do pacifista que tudo no Universo se constrói por meio do embate entre forças que estão constantemente tentando se sobrepôr umas às outras.

Ou, quando ele visualiza a ‘Guerra Total’ que é a existência, ele vê isso como um Mal, porque sua Utopia Moral é ‘extra-mundo’, reside fora do Mundo. Então, ele não julga seus Ideais segundo a Natureza. Ao contrário, o utopista moral, o pacifista burguês, quer julgar a Natureza segundo sua Utopia, e impor essa Utopia ao mundo, independentemente das consequências. Ele é incapaz de contemplar as possíveis consequências, ou quando é capaz, nada disso importa, porque a Utopia Moral é o Bem Absoluto e qualquer mal na direção de sua consecução não passa de um ‘mal menor’.

Não há ‘barbárie’ na Natureza. Há apenas as diversas manifestações da ‘Vontade de Poder’. E, mais importante ainda, a Natureza não é um ‘Outro’ a respeito do qual seja possível ao Homem falar ‘à distância’ como se a mesma fosse um objeto. O Homem é perpetuamente parte disso a que se chama Natureza e está submetido a todas as suas leis e processos.

Isso não quer dizer que ‘a guerra é melhor do que a paz’, como alguma pessoa demente ou com dissonância cognitiva poderia (mal) interpretar essas considerações.

O que se quer dizer é que, para a realização de seus objetivos, os homens possuem ao seu dispor uma grande gama de possíveis métodos. Entre esses métodos estão a violência e a guerra, as quais podem ser tranquilamente vistas como meios válidos de resolução de problemas e conquista de objetivos, dependendo das circunstâncias. E não é nem necessário moralizar e postular: ‘Violência só em último caso’.

Para além da violência como fato, está a postura ética do Homem como Guerreiro. Essa postura não se define pela aplicação efetiva da violência, mas sim por uma disposição constante para fazer uso dela em defesa de seus direitos, no cumprimento de seu dever, ou para conquistar seus objetivos e realizar seus ideais em geral.

Toda tentativa de se impor uma visão sobre o Mundo, toda Ação é uma forma de violência. O artista, o guerreiro e o estadista, são animados por esse mesmo ímpeto, o de transformar a realidade por meio da Ação. E o que anima essa possibilidade de Ação é a ‘Vontade de Poder’ do Homem, que sempre quer se expandir e se impôr sobre o mundo e sobre todos os outros Homens.

É a ‘Vontade de Poder’ com sua vitalidade beligerante e disposta a tudo o fator essencial capaz de erguer das areias do deserto uma nova civilização. Todas as civilizações foram criadas e preservadas por homens ‘violentos, beligerantes’. Nenhuma foi criada por pacifistas. É unicamente a disposição para fazer tudo o que for necessário para conquistar e superar, a disposição capaz de gerar belas obras. E essa disposição, mesmo no poeta e no filósofo está associada à beligerância e à mais pura testosterona, mesmo que o referido poeta nunca pegue em armas. Que sirva como testemunha o maior poeta da língua inglesa, Lord Byron, que partiu para a Grécia para participar na guerra de liberação do berço da civilização ocidental contra os turcos e lá encontrou sua morte.

Alguém tentará ‘normalizar’ essas reflexões dizendo: ‘Não sei porque você está escrevendo essas coisas, quando o pacifismo só busca que haja um pouco menos de violência no mundo!’. Esse tipo de intervenção só pode surgir de alguma mente míope demais para ver qualquer coisa para além de objetivos declarados.

Ocorre que, e eu tenho que repetir isso, para a consecução da Utopia Moral, não há meio indigno e imoral. Ora, a Paz Perpétua não pode ser simplesmente alcançada evitando ou impedindo que as instâncias individuais de violência ocorram, porque isso é simplesmente impossível. Então, o que se deve fazer? A resposta é óbvia, descobrir porque os indivíduos são violentos, porque eles são predispostos à violência, que fatores psicológicos, sociais, culturais e biológicos os levam a querer usar da força para conquistar seus objetivos.

Nenhuma manipulação social, então, é imoral se o objetivo é tornar os homens mais ‘tolerantes’, ou seja, passivos, moscas-mortas, incapazes de conquistar qualquer coisa. Hoje, o Ocidente é bombardeado por uma pesada propaganda cultural que associa os valores combativos e beligerantes a símbolos e figuras indesejados. O único herói admissível hoje é o ‘herói moralista’, ou seja, o herói que se vinga em nome da Utopia Moral. A esse é permitida toda barbárie, como se pode verificar no filme mais nojento e demente já feito por Quentin Tarantino. A moralidade é legitimadora da barbárie.

Os valores viris, ativos, beligerantes, são marginalizados em prol de uma figura humana afeminada, meio andrógina, ultra-tolerante, dialética, conciliadora, que passa a ser vista como o tipo humano ideal. Experiências psicossociais já são realizadas em locais como a Suécia, por exemplo, onde meninos desde a tenra idade são obrigados a se vestirem de menina, e vice-versa, com a finalidade de ensinar a ‘tolerância’.

Quanto tempo irá demorar até que se resolva, por meio de mudanças na alimentação, reduzir a taxa de testosterona dos homens? Que isso já está sendo feito, é fato. A taxa de testosterona masculina tem se reduzido na maioria dos países ‘desenvolvidos’. Não é à toa que poucos ‘homens’ hoje são capazes de desenvolver uma barba de verdade.

A única questão discutível é se essa redução tem sido intencional, ou se é apenas produto das porcarias plásticas e artificiais que passam por ‘comida’ na dieta ocidental. Isso sem falar na possibilidade futura de manipulações e experiências genéticas com a finalidade de impôr a paz no mundo, por meio da castração hormonal da humanidade. O mundo caminha na direção de uma eugenia inversa, uma autêntica disgenia.

Surreal? Ninguém iria tão longe para conquistar a ‘Paz Perpétua’? Por que, se esse objetivo é o mais moral que há, e se é o Bem Absoluto? Se alguém tem a possibilidade material de impelir o mundo nessa direção, por que não o faria?

A violência, a guerra, a morte e o sofrimento, podem ser aspectos feios, horríveis, da existência humana. Porém, ainda assim, possuem seu lugar nessa existência. Todos esses aspectos cumprem uma função, de algum modo possuem um sentido relevante para as experiências humanas.

Não é ‘banindo a morte’, rejeitando os aspectos da realidade que nos são desagradáveis, que vamos aprender a lidar e crescer por meio dessas experiências.

*Raphael Machado é colunista do Perspectiva Política às quartas.

Coluna do dia: Ataque americano no Iraque – Bem-vindo ao mundo real

08/04/2010

Por Felipe Liberal*

Bastards, rebels and terrorists são as palavras que me fizeram chorar ontem à noite. Essas imagens acima são o reflexo de tudo que escrevi até hoje e que tento expressar, ostentando dias melhores.

É contra tudo isso que luto, que lutamos, nós, de esquerda, ultrapassados, retrógrados e “comedores de criancinhas”. É por conta disso que ainda insisto, que ainda sinto vontade de estar aqui, gritando nesse vazio interminável e denso onde estamos metidos 24 horas, todos os dias.

Essas imagens são de um helicóptero Apache estadunidense, em Bagdá, de onde se comunicam os bravos soldados democráticos e libertadores com a torre em terra. Através do rádio, os soldados avisam: “Have five or six individuals with AK 47s” e daí pedem permissão para atirar, pois eles disseram que os “tais” carregavam fuzis e lançadores de granada.

A permissão foi dada e junto com ela surgiram tiros e uma nuvem de fumaça e sangue. A fumaça suja de sangue vinha de dois civis, jornalistas da Reuters, Namir Noor-Eldeen e Saeed Chmagh, mortos pelo exército norte-americano. Um deles ainda tenta, se arrastando, chegar a uma van preta que tenta também ajudá-lo, mas uma nova rajada de tiros detona o veículo, que possuía duas crianças no seu interior, que, por sorte, saíram apenas feridas.

Essa é só uma amostra do que acontece no Iraque. Milhares de vídeos como esse não são divulgados, por se tratarem as vítimas de civis anônimos e invisíveis.

O imperialismo é isso, para quem o defende. Os Estados Unidos da América são isso, para quem os defende. A democracia e a liberdade americanas são isso, para quem as cultua. Tudo que escrevo não é apenas raiva ou ódio do capitalismo ou imperialismo, mas indignação e tristeza com o que eles geram como consequência inevitável.

O maldito sistema pede sangue, morte e desprezo pela vida humana. Ninguém em sã consciência pode negar que isso é uma prática do capitalismo, e não apenas dos EUA. A guerra é um fator econômico, que compra vidas através da morte.

Declaração Universal dos Direitos Humanos? ONU? A maior democracia do mundo? Respeito pela dignidade humana? Paz? Tudo isso parece piada diante das imagens da verdade.

A mentira nos condena à moderação, aos caminhos da aceitação, à burra imparcialidade e à venenosa omissão. Essa é a verdade, meus amigos e amigas, essa é a mais pura verdade do que acontece todos os dias no planeta Terra.

Hugo Chávez, Mahmoud Ahmadinejad e Fidel Castro são criancinhas, comparados a pessoas como Reagan, Bush ou Obama.

O mundo precisa entender quem são os verdadeiros culpados pela nossa terrível situação como seres humanos. Saiamos desse conto de fadas falado em inglês e comprado em dólar. Precisamos entender e combater os verdadeiros Bastards, rebels and terrorists do mundo real.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Análise Geral: Presidenciáveis e aliados afirmam querer eleição de alto nível – Realidade os desmente

25/01/2010

Recentemente, o Vice-Presidente José Alencar – homem que admiro – elogiou todos os presidenciáveis, inclusive os de oposição ao governo como José Serra e Marina Silva. Aproveitou para defender uma campanha de alto nível e disse que os pré-candidatos devem levar ao eleitor suas propostas de trabalho, sem se preocupar em atingir pessoalmente o adversário.

Acontece que o bom nível que Alencar corretamente prega pode, infelizmente, ficar de fora das eleições presidenciais deste ano em diversos momentos. Os bate-bocas dos últimos dias entre o governo e a oposição dão o tom do que pode ocorrer durante a campanha no segundo semestre.

Sérgio Guerra, Presidente do PSDB, criticou o PAC. Afirmou que trata-se apenas de um nome fantasioso dado para o conjunto de obras e investimentos que o governo deveria fazer de qualquer forma. O Senador não deixa de estar certo em grande parte do que diz, porém, ao dizer que, com a oposição no poder, o PAC como PAC acabaria, deu a entender que as obras e melhorias acabariam junto, abrindo espaço para uma espécie de terrorismo eleitoral feito por Dilma Rousseff.

A Ministra aproveitou a declaração mal colocada do tucano e sentenciou que a oposição paralizaria os supostos avanços, como o Bolsa Família. Terrorismo eleitoral puro, equivocado e totalmente condenável, mas que não pode ser criticado com força pelo tucanato por conta do PSDB ter feito o mesmo em 2002. A diferença é apenas a de que o terrorismo eleitoral tucano dizia respeito à gestão da economia pelo PT. Agora o terrorismo diz respeito à gestão do social pelo PSDB.

Dada a declaração de Dilma, era uma questão de tempo até a resposta de Guerra, que veio dura. Um comunicado do PSDB assinado por ele chamou a Ministra de mentirosa. O Senador afirmou que Dilma mentiu sobre seu currículo e sobre não ter mandado confeccionar um dossiê contra a ex-Primeira Dama Ruth Cardoso, transferiu responsabilidades sobre o apagão e omitiu-se sobre o Plano Nacional de Direitos Humanos, além de maquiar o andamento do PAC e  tentar ludibriar a população sobre os reais intuitos de seus adversários do PSDB no que tange a área social federal.

Foi aí que a discussão virou arranca-rabo de vez. Aécio Neves tentou contemporizar, dizendo que o que vai bem seria mantido por um possível governo tucano e que apenas têm que se ter cuidado para não partidarizar feitos do dinheiro público, mas não adiantou muito, afinal, Lula foi lá e tascou uma definição de “babaca” em Sérgio Guerra.

Ricardo Berzoini, Presidente do PT, resolveu entrar na briga e criar uma disputa entre os presidentes das legendas que protagonizam a política nacional. Disse que a oposição está descontrolada e que ela perdeu uma oportunidade de ficar calada. Além disso, Berzoini se uniu ao Presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra, e assinou em dupla uma nota que chamava Sérgio Guerra de “jagunço”. A alusão estava clara. Berzoini e Dutra queriam dizer que Guerra brigava por Serra. Este foi chamado de hipócrita pelos petistas, que defendem a tese de que Serra é hipócrita por mandar os outros dizerem o que ele deseja dizer e tentar manter a pose de “Serrinha paz e amor”.

E não termina por aí. O PSDB anunciou que vai processar Berzoini e Dutra por calúnia e difamação. A oposição também vai entrar novamente na Justiça Eleitoral contra Lula e Dilma por entender que ambos fazem campanha antecipada – o que é verdade -.

Nesta briga Serra entrou. Afirmou em seu Twitter, respondendo a um eleitor, que nem se quisesse poderia declarar-se candidato. Alegou que a lei proíbe e que isso seria campanha antecipada. Todos sabemos que Serra quis apenas alfinetar e que ele também empreende, embora mais de leve, uma campanha antecipada, mas tecnicamente ele está correto. Lula e Dilma desrespeitam a lei eleitoral.

Percebe-se como anda o clima da sucessão presidencial e, também, que o PT pode reviver o terrorismo eleitoral de 2002, mudando este apenas de lado e de foco.

É nesse cenário que chegam os elogios de José Alencar aos opositores de Dilma e o apelo do Vice-Presidente por uma campanha de alto nível.

O pedido é louvável e José Alencar, como já foi percebido em sua luta contra o câncer, opera alguns milagres.

Acontece que a benção de termos no Brasil, esse ano, uma disputa de nível elevado, é uma difícil de conseguir.

Aécio nega pressão da cúpula tucana para ser Vice

13/01/2010

Informa o Estadão:

“O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), negou ontem que tenha sido pressionado no almoço oferecido na segunda-feira, em São Paulo, pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a mudar de ideia para compor uma chapa puro-sangue na vaga de vice do governador paulista José Serra. ‘Eu não iria a uma conversa como essa para ser pressionado’, disse. ‘Os companheiros do PSDB sabem que esse tipo de pressão comigo não funciona. Tenho uma clareza muito grande de quais são as minhas prioridades. Apresentei ao partido uma proposta, o partido opta por um outro caminho e eu respeito.’

O governador salientou que, durante o almoço na capital paulista, disse a FHC e aos senadores Tasso Jereissati (CE) e Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB, que sua prioridade absoluta ‘é mergulhar nas questões de Minas’. Ou seja, inaugurar e vistoriar obras ao lado do vice, Antônio Anastasia, candidato à sua sucessão.”

Aécio diz que não foi pressionado?

Vamos fingir que acreditamos.

Todos sabem que a chapa puro-sangue aumentaria consideravelmente as chances de vitória do tucanato nas eleições deste ano e que, por isso, a cúpula do PSDB fará de tudo para convecer o mineiro. Além disso, o próprio Aécio admite que a prioridade é manter o domínio realizado por seu grupo político em Minas, portanto, se a união com Serra parecer mais interessante para fortalecer Anastasia na eleição estadual mineira, ela poderá ser feita.

Essa declaração do Governador Aécio Neves dizendo que não sofreu pressão para aceitar a Vice de José Serra deve ser mais uma da série “me engana que eu gosto”.

Coluna do dia: 2009 – Choros e sorrisos

31/12/2009

Por Felipe Liberal*

O ano de 2009 foi um ano de certas desgraças.

Vimos mais uma vez que o capitalismo é tão fraco quanto uma folha de papel, mas também que ele é a única coisa que temos para viver. Percebemos que enquanto discutimos sobre a imortalidade humana dentro da ciência, o planeta se torna cada vez mais mortal e mortífero.

Em 11 de setembro de 2009, relembramos uma das maiores tragédias da Humanidade: O assassinato de 30 mil pessoas em Santiago do Chile, naquela terça-feira de setembro, em 1973, quando os EUA acabaram com qualquer esperança de liberdade naquele país.

Barack Obama ganhou o Prêmio Nobel da Paz, mesmo depois de ter atacado o Afeganistão.  Uma grande brincadeira de mau gosto. A intensificação do conflito na Faixa de Gaza, onde mais de 1.500 palestinos morreram no último ano, também é algo a ser lembrado e modificado em 2010.

Perdemos o maior (em expressão e fama) músico e dançarino de todos os tempos. Michael Jackson morreu de racismo, ganância e loucura, empreendidos por ele mesmo.

E a pior das tragédias: o Clube Náutico Capibaribe caiu para Série B do Campeonato Brasileiro, causando uma imensa tristeza nos quatro cantos do Brasil e do Mundo.

Mas o ano de 2009 também foi um ano de alegrias e glórias.

O Brasil conseguiu se recuperar da crise rapidamente, ratificando sua diversidade comercial e seu equilíbrio político dentro da política interna e externa. O Natal brasileiro nunca foi tão gordo, por conta da ascensão de grandes camadas pobres ao “Império do Consumo”.

A integração regional dentro da América Latina deu passos importantíssimos, com relevantes avanços do Mercosul, Banco do Sul, Parlamento do Mercosul, etc. A América do Sul foi um dos primeiros continentes a sair da crise, sem passar por sérios problemas.

A preocupação com o Meio Ambiente e com o futuro do Planeta Terra cresceu assustadoramente em 2009. Os encontros e reuniões (apesar da falta de sucesso), juntamente com a popularização da discussão sobre o tema, deram esperanças para os anos vindouros, que não serão fáceis.

Muitas outras coisas explodiram e nasceram dentro deste ano tão controverso. As mais importantes para mim, estão aqui.

Os anos que virão serão assim: tristes e alegres, trágicos e gloriosos. Como sempre. Seria outra piada de mau gosto tentar mudar isso.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Política internacional, ideologia e os mísseis testados pelo Irã

20/12/2009

Informa o Globo:

“O Irã testou uma ‘versão aprimorada’ do míssil terra-a-terra Sajjil-2, capaz de alcançar partes da Europa.

[...]

O projétil de alta velocidade tem ‘grande capacidade de manobra’ e vai até 2 mil quilômetros do ponto de partida, acrescentou o Irã.

O país testou outros dois tipos de mísseis em setembro, dias antes de uma importante reunião entre os países ocidentais sobre as questões nucleares.

O novo teste ocorre num momento em que o Ocidente pressiona o Irã a abandonar seu programa nuclear, por temer que ele possa levar ao desenvolvimento de armas. O Irã diz que seu objetivo é apenas gerar eletricidade com fins civis.”

Que me perdoem pela ignorância os defensores ferrenhos do Irã, porém, que eu saiba, mísseis não podem ser utilizados apenas para fins pacíficos.

Ora, que me digam que o programa nuclear visa apenas gerar energia. Eu não creio muito nessa hipótese, mas vá lá que seja.

Porém, quanto a mísseis ninguém poderá me convencer de que os fins são pacíficos. No máximo poderão afirmar que estão sendo testados pois podem ser usados em caso de defesa contra um ataque externo, e não para atacar.

Acontece que o ataque externo supostamente temido só viria se restasse comprovado que o Irã não está enriquecendo urânio apenas para gerar energia. Logo, se estiver visando se proteger, sabe o Irã que pode ser atacado e, portanto, que está devendo na praça.

Dito isso, a conclusão a que chego é que os defensores da política externa e militar do Irã precisam, no mínimo, dizer com todas as letras: Eu, fulano de tal, entendo que o Irã tem o direito de ter armas atômicas, pois outros países têm e ninguém é pior que ninguém.

Digam isso. Assumam que não criticam o Irã porque, no fundo, acham que o País pode ter urânio seja ele para gerar energia ou para gerar mortes, pois outros países também podem.

É aí que se relaciona a defesa do Irã com o anti-americanismo. Esse é o viés, por exemplo, que liga Hugo Chávez ao Irã de Mahmoud Ahmadinejad. Toda a conexão é motivada pelo anti-americanismo, que defende a ideia de que se os Estados Unidos têm bombas atômicas, todos podem ter, para os americanos verem o que é bom para a tosse.

Não concordo com essa visão, acho que a questão é mais complexa e que tudo depende da confiabilidade do país, de seu sistema político e de governo, de sua cultura e da intensidade de sua inserção na economia e na política mundiais.

No entanto, creio que se deixarmos de lado a hipocrisia, já seria de grande valia.

Os que entendem que o Irã pode ter bombas atômicas, falem. Não se escondam atrás do politicamente correto do “fins pacíficos”, afinal, mísseis não são nada pacíficos.

Por fim, vale citar a política externa brasileira no que diz respeito ao Irã. Ela é simpática ao programa nuclear do país árabe. Aliás, acredito que muitos governistas são parte do grupo citado acima, que entende, no fundo, que o Irã tem que botar para quebrar mesmo.

É por essas e por outras que questiono neste blog, muitas vezes, a atuação um tanto ideológica do Ministro Celso Amorim e, principalmente, do famigerado Marco Aurélio Garcia, que não possuiria o cargo que possui em qualquer país sério.

O Estado de São Paulo resume bem os frutos do fato desse tipo de pensamento encontrar espaço no governo brasileiro:

“Um sentimento negativo está rapidamente tomando o lugar da disposição favorável ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva e à crescente presença international do Brasil que prevaleceu em Washington até poucos meses atrás. Críticas aos EUA e ao próprio presidente Barack Obama feitas publicamente por altos funcionários brasileiros indicam que a recíproca é verdadeira.

[...]

Divergências entre Brasil e os EUA sobre Honduras e outros episódios menores certamente contribuíram para criar animosidade. Esta se alimenta principalmente, porém, da decisão de Lula de emprestar seu prestígio pessoal e a credibilidade internacional do Brasil ao líder do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, recebendo-o em Brasília, e, depois, oferecendo os serviços do Brasil como mediador freelancer do gravíssimo confronto entre Teerã e Washington e seus aliados em torno do programa nuclear iraniano – questão estratégica número um do governo Obama.

[...]

Causou espanto, por exemplo, a afirmação feita por Lula sobre a falta de ‘autoridade moral’ dos EUA para negociar questões de não proliferação nuclear, no momento em que despachava Celso Amorim ao Irã para uma improvável missão junto a Ahmadinejad, depois de Teerã ter rejeitado a proposta de acordo apresentada pela Agência Internacional de Energia Atômica, que tornaria o programa nuclear iraniano compatível com suas obrigações de signatário do Tratado de Não Proliferação.

A crítica foi tomada como prova adicional da gratuidade da oferta brasileira de mediação.”

Coluna do dia: As Tumbas da Contemporaneidade – Capítulo 2

05/11/2009

Adeus, my Love

Por Felipe Liberal*

Tem uma bomba no meu jardim. Parece um botão de flor, mas não é. Tem homens grandes segurando-a.

São homens do futuro, com passado. São homens de cor solar, com luz. Papai os odeia, mas são tão lindos.

Eles nos olham com dó, piedade. Têm armas do futuro, sem passado. Armas detergentes e inteligentes.

A minha casa será redesenhada? Figuras virão, animais falantes virão? Amarei pessoas desconhecidas?

Terei que adorar outros deuses? Irei me casar com os lindos solares? Chamarei o meu solar de meu amor?

Papai estará aqui comigo, ou não? Mamãe estará aqui comigo, ou não? Qual dos dois Deuses me ama?

Anita chora na casa ao lado, por quê? Anita, não chore minha amiga, linda. A bomba-flor explodiu em seu jardim.

Os solares agora estão aqui, lindos. A bomba-flor explodirá aqui, que dor. Agora é hora de chorar, my Love.

Adeus.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: A Guerra como lógica da sobrevivência

29/10/2009

Por Felipe Liberal*

É muito cansativo ver o planeta Terra do jeito que está. É muito árduo ver guerras e políticas dementes sendo apoiadas por massas populacionais, como se tudo fosse um jogo de tabuleiro. Eu não tenho raiva do meu planeta, eu sinto apenas tristeza. A raiva já passou, o sentimento agora é o misto de “depressão” e impotência diante das inexistentes ações.

A Guerra está se tornando cada vez mais inevitável. O “fazer guerras” no século XXI é mais do que uma ação estratégica ou uma política de dominação econômica, mas também é uma ação de sobrevivência da lógica neoliberal e do próprio capital.

Quando falamos da Colômbia, por exemplo, podemos lembrar o que acontece dentro do país e que pouca gente conhece. Muito dos lucros colombianos existem, justamente, porque trata-se, praticamente, de um país permanentemente em guerra. Durante os últimos 20 anos, a passagem da pequena e média agricultura para a agroindústria se fez com uma guerra. Se não fosse assim, não teria sido possível expropriar as terras de milhões de camponeses e fazer uma reforma agrária “às avessas”, na qual os latifundiários e paramilitares se apropriaram de seis milhões de hectares de terra. E tem gente que acha que os conflitos na Colômbia se resumem ao tráfico de drogas.

O surgimento das Companhias Militares Privadas (CMPs) nos EUA é a evidência de quanto a Guerra está atrelada aos lucros imediatos e permanentes de várias empresas que sobrevivem (ou vivem?) da manutenção de uma guerra ou da dominação militar em um determinado país.

Essas empresas fornecem vários tipos de serviços militares que o exército regular já não possui, por exemplo: a aplicação de armas sofisticadas (como aviões não tripulados, radares ou mísseis de navios americanos), na primeira onda de ataques ao Iraque, foi realizada por especialistas de empresas privadas. Entre outras coisas: distribuem a correspondência, cozinham ou lavam a roupa dos soldados, montam os acampamentos militares, as prisões. Praticamente todo o setor de transporte do exército americano é terceirizado.

No caso da prisão de Abu Ghraib, abafaram o julgamento de vários soldados americanos e ingleses. A verdade é que a prisão era administrada em todas as suas funções por duas empresas privadas: CACI e Titan.

Por serem funcionários civis (mercenários) e terem belos contratos com o Pentágono, esses “soldados” das CMPs quase não vão a julgamento, criando uma teia de imunização e impunidade. A maioria é contratada de países asiáticos e europeus, por serem locais de tradição mercenária e que têm trabalhadores com maior mobilidade.

Mas como fazer a Paz, se essas empresas militares (possuem ações na Bolsa de Valores e circulam cerca de 200 bilhões de dólares ao ano) sobrevivem por conta da Guerra? A lógica neoliberal, capitalista, liberal ou qualquer nome que queiram dar à ideologia americana impede qualquer processo pacifista e democrático. Essas são a democracia e a realidade que são exemplos? Esse é o modelo que tem que ser globalizado?

Prefiro continuar “depressivo”, a aceitar o inaceitável.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: O Nobel da Paz de um charlatão marionete

13/10/2009

Por Raphael Machado Silva*

Haveria alguma premiação internacional importante mais bitolada do que o “Prêmio Nobel da Paz”? Eu duvido muito. Ela é um fruto inconfundível dos fins do século XIX, daquela típica (e patética) mentalidade liberal, humanista, positivista e darwinista social, profundamente crente no infinito progresso material do homem e na ideia de que tal progresso “redimiria” a humanidade, inaugurando uma era eterna de paz, em que os ideais da revolução francesa “finalmente” se veriam cumpridos. Só em ouvir falar em tudo isso, me enojo.

Tendo essas origens, esse prêmio não poderia ser nada mais do que uma total nulidade. Esse é, basicamente, o prêmio dado às celebridadas mais “pop” do cenário político internacional. Para ganhar os outros prêmios, é necessário ser um grande inventor, um grande descobridor ou um grande criador. Em cada um dos outros prêmios, premia-se o homem cujos FEITOS mais se destacaram naquele ano. Ainda que se possa duvidar da neutralidade, probidade ou bom gosto dos responsáveis pela escolha, ainda assim é necessário algum mérito para receber qualquer dos outros prêmios Nobel.

O prêmio Nobel da Paz é o prêmio dos sofistas. Para ganhá-lo você tem que ser um grande falastrão. Você tem, aliás, que ter “costas quentes” e ser queridinho da mídia, pelo menos naquele ano. É um prêmio que se resume a nada.

Você quer ganhar um Nobel da Paz ano que vem? Crie um jornaleco e escreva periodicamente pequenos artigos onde você deplora “a guerra”, pede o fim das “armas nucleares”, prega a religião dos direitos humanos, defende homossexuais, feministas, minorias étnicas, anões e outros “perseguidos” e protesta pelo desarmamento civil. Depois arranje umas pessoas e faça com elas um círculo de mãos dadas, pedindo para que todos cantem “Imagine” de John Lennon. Basta gravar tudo isso e postar no YouTube. Suas chances de vitória serão grandes, já que após ler a lista de indivíduos ganhadores desse Nobel da Paz, vi pessoas que fizeram bem menos do que isso e ganharam.

Se nem “bonzinho” você tem que ser?! Você pode até ser um genocida e ganhar um Nobel da Paz, desde que você seja um genocida “do lado certo”. A vitória de Obama foi uma piada? Já houve piadas piores. O que dizer sobre Henry Kissinger, ganhador em 1973, responsável pelo extermínio deliberado de civis no Vietnã e Camboja, através de bombardeio aéreo, além de ter tido papel central na famosa “Operação Condor”? Até o general comunista, Le Duc Tho, que receberia o prêmio em conjunto, teve a hombridade de recusar o prêmio. Em verdade, na década de 30, mesmo Stalin e Hitler receberam indicações.

As desculpas para as atribuições desse prêmio são as mais risíveis: “Pelos esforços na luta pela paz…”. Exatamente que esforços têm sido esses, que valeram a Barack Hussein Obama seu prêmio? Ele… Ele… Ele… Ora, ele conversou com muitas pessoas! Nisso, o Sr. Hussein Obama sem dúvida é muito bom. Ele adora discursar e conversar, tudo isso com uma solenidade messiânica absolutamente enojante.

É ainda mais revelador quando as pessoas começam a justificar esse prêmio com coisas que Obama PROMETEU fazer, mas não está nem perto de realizar: “Ah, Raphael, ele fechou Guantánamo”. “Ah, Raphael, ele acabou com ‘as guerras’”. Será que vivemos no mesmo mundo? Até onde eu sei, Guantánamo continua eficiente e operante. E as guerras no Oriente Médio continuam sem previsão realista de término, enquanto Obama considera com seriedade a possibilidade de enviar ainda mais tropas para o Afeganistão e intervir no Paquistão, além de fazer ameaças veladas de guerra ao Irã.

Ah! Já descobri uma grande contribuição de Obama para a paz mundial! Ele, no dia 2, na mesma semana da premiação, assinou um acordo em que prometeu que ajudaria a manter secreto o enorme arsenal de armas nucleares de Israel. Sem dúvida, acobertar o único país que pode se permitir o luxo de não admitir a inspeção internacional de suas instalações nucleares sem represálias, e que já admitiu abertamente ter mísseis apontados para várias capitais européias “apenas por precaução”, é um grande avanço para a paz no Oriente Médio.

Vê-se o desespero da população americana pela maneira fácil com que ela é hipnotizada pela mera repetição de “palavras mágicas”. “The American people need… health… education… security… freedom… peace… love… equality… yes we can.”

Vê? Não é nem necessário usar artigos, preposições, conjunções e outros instrumentos linguísticos. Simplesmente reúna todas as coisas boas do mundo, misture com chocolate e algodão-doce e repita enfaticamente até o cérebro do eleitorado derreter. Você ganha um “bônus” se pertencer a alguma suposta minoria perseguida.

Eu suponho que seja ainda mais fácil hipnotizar a população do Brasil. Tudo isso me parece muito coisa dos “Teletubbies”, “Barney e seus Amigos” ou “Vila Sésamo”, mas para minha surpresa e desgosto, não é que isso funciona?

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.