Postagens com a palavra-chave ‘Governo’

Coluna do dia: Nunca antes na história desse País

23/08/2010

Por Arthurius Maximus*

Pois é, essa é uma das frases favoritas vomitadas por Lula sempre que possível. Mas, essa frase encerra também uma realidade cruel que resume a inoperância dos organismos legais que deveriam reprimir os desmandos de políticos que violam as leis; a leniência da sociedade com a violação sistemática de preceitos republicanos (e da própria lei) e a aceitação de uma ética elástica e de uma moral própria de canalhas em troca da possibilidade de comprar um carro ou uma televisão “de prasma” a perder de vista.

Sim, você pode afirmar que o Brasil vive melhor hoje. De fato, em alguns aspectos isso é verdadeiro. Mas, é importante compreender que as conquistas que temos hoje simplesmente não caíram do céu e nem foram fruto de mágicas ou fórmulas milagrosas; elas são oriundas de uma série de ações que ultrapassam a administração petista e do PSDB e se iniciam, bem lá atrás, no governo de Itamar Franco.

Por isso mesmo, a atual bonança econômica deve ser analisada mais de perto e entendida como a reunião dessas ações somadas a uma época de excepcional prosperidade internacional. Além disso, é muito mais vital que essa bonança seja revertida em conquistas reais para a sociedade e não meramente em propaganda partidária vazia.

Sim. Você que é um “ex-duro” pode comprar uma TV de “prasma” ou um carro zero em suaves prestações – quase infinitas – pagando juros altíssimos e impostos mais altos ainda. Contudo, seria importante entender que nada vale a Tv de “prasma” e o carro zero “tinindo” em casa se, para entrar ou sair dela, você ainda tem que pisar em seus próprios dejetos e nos dos seus vizinhos.

De nada adianta comer iogurte todo dia, beber espumante nas festas ou ter aquele empreguinho tão sonhado se, ao primeiro momento de necessidade, você morrerá por um atendimento médico deficitário ou totalmente inexistente em hospitais públicos sucateados e mal aparelhados.

É muito bom saber que Lula tem “zilhões” de popularidade e que Dilma deverá se eleger em primeiro turno. Mas, é muito mais importante, compreender que nessa terra de maravilhas que eles dizem governar; você teria morrido a míngua se fosse acometido pela mesma doença que ela ou o vice-presidente tiveram.

Ao brasileiro, cabe entender que bonança e primeiro mundo não são palavras que significam apenas a compra do carro zero, da TV de “prasma” ou um empreguinho com salário de fome. Bonança, significa respeito às leis (para todos), saúde de qualidade e acessível a qualquer pessoa, educação capaz de formar cidadãos preparados para garantir o futuro da nação e condições de vida que supram, pelo menos, o mínimo de dignidade de que o ser humano necessita.

Seria fundamental para o brasileiro entender que aceitar o escárnio às leis (seja por quem for) ou aceitar viver com migalhas que caem da mesa dos poderosos não é sinal de prosperidade. É sinal de subserviência e alienação.

Esse comportamento vitima muito mais do que a falta de emprego, a miséria econômica e qualquer outra mazela possível. Isso ocorre porque o escárnio às leis provoca o escárnio ao ser humano mais fraco e indefeso. Ele corrói as oportunidades iguais e favorece apenas aos ligados a uma determinada corrente de poder.

O escárnio às leis faz com que as necessidades básicas do ser humano e a dignidade do cidadão sejam sempre colocados em segundo plano, frente às necessidades da elite que o governa e se serve do poder.

E, por último, é do escárnio às leis que nascem à miséria, o desemprego e o marasmo econômico. E não desse ou daquele governo ou político.

A chave para banir esse pensamento subserviente e alienado de nosso país para sempre está apenas em nós. Somos nós que devemos passar a exigir o cumprimento das leis e a punição de quem quer que seja responsável pela sua violação – mesmo que sejamos nós mesmos ou pessoas a quem amamos – a isso chamamos de ética.

E é o mínimo que uma grande nação precisa que o seu povo tenha.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Análise Geral – Serra e Aécio: A hora da verdade

30/07/2010

O desempenho do presidenciável tucano José Serra nas pesquisas piorou no que se refere a Minas Gerais.

O PSDB está perdendo espaço na corrida presidencial no estado, embora Aécio Neves lidere, com índices astronômicos, a disputa pelo Senado.

Desde sempre existe o boato de que, preterido da corrida presidencial por conta das pretensões de Serra, Aécio faria corpo mole na campanha presidencial do PSDB em seu estado. Trataria de se eleger, dar a vitória ao seu poste, o atual Governador Antonio Anastasia, e ponto final. O voto “dilmasia”, Dilma Presidente e Anastasia Governador, não o incomodaria.

Mas esse é o boato. Não se sabe qual é o fato. Aécio já discursou pedindo votos para Serra de forma veemente, o que gera dúvidas sobre seu real posicionamento.

Pois bem. Agora teremos a resposta. Serra precisa de Aécio em Minas neste momento, para vencer e quem sabe abrir vantagem no estado que, junto com o Rio de Janeiro, decidirá a eleição.

Vamos ver o que acontece.

Chegou a hora da verdade.

Cem milhões de brasileiros vivem com dinheiro público

19/07/2010

Informa o Globo:

“Esforço do governo federal para tirar da pobreza absoluta 12,8 milhões de pessoas nos últimos anos – resultado, principalmente, de políticas de aumentos reais do salário mínimo e do funcionalismo, bem como da ampliação do Bolsa Família – transformou o orçamento federal numa grande folha de pagamento, segundo cálculos do economista especializado em contas públicas Raul Velloso. Tomando como base as despesas não financeiras da União em 2009 (que excluem pagamento de juros da dívida pública ou concessão de empréstimos), 48,8 milhões de brasileiros dependem diretamente do dinheiro advindo da arrecadação de impostos. Segundo reportagem deste domingo de O GLOBO, são grupos que vão de gente beneficiada com o seguro-desemprego ou o Bolsa Família até assalariados do funcionalismo público e aposentados, que contribuíram boa parte da vida em troca da remuneração.

Como, na sua grande maioria, esses pagamentos se configuram em renda familiar, o número de beneficiados é na prática bem maior. Se levado em conta que essa renda ajuda a manter ao menos duas pessoas (núcleo familiar básico) – e, no caso do Bolsa Família, núcleos familiares mais numerosos -, argumenta Velloso, a quantidade de brasileiros que vivem de recursos advindos da arrecadação tributária sobe para cerca de cem milhões de pessoas. Mais da metade da população do país.

No orçamento de 2009, observa o economista, esses gastos representaram R$ 570,5 bilhões, ou 77% de todos os gastos não financeiros – uma enormidade, dado que as despesas com saúde representaram 7,3% dos gastos totais, e os investimentos públicos, 6%. Na comparação com o orçamento de 2005, o número de brasileiros beneficiados diretamente passou de 40 milhões para 48,8 milhões, alta de 22% em cinco anos.

- Quando um governo tem tanta gente dependendo dele em termos de renda, isso dá um poder de influência eleitoral muito grande – diz Velloso. – Especialmente nos últimos anos, quando foi praticada uma política agressiva de aumentos reais do salário do funcionalismo e dos aposentados, sem contar a ampliação maciça do Bolsa Família.

Essa não é bem a lógica de cientista políticos, filósofos e sociólogos especialistas em analisar o impacto de políticas públicas no processo eleitoral, ainda que todos concordem que as políticas de distribuição de renda possuem um componente poderoso de atração de votos. Fernando Abrucio, doutor em ciência política pela USP e professor da FGV de São Paulo, diz que programas como o Bolsa Família têm o poder de atrair votos por causa da percepção de melhora na vida de famílias que não possuíam renda e passaram a tê-la. Mas ele não acha certo dizer que as políticas de recomposição real de salários e aposentadorias do governo Lula tenham o poder de se transformar automaticamente em votos para a candidata governista, Dilma Rousseff.

- Há uma expectativa de voto de aposentados do interior do Nordeste, por exemplo, que é muito diferente em comparação a aposentados de grandes núcleos urbanos no Sudeste e Sul, gente que provavelmente possui outra base educacional e acesso à informação – diz Abrucio. – E nem todos os funcionários públicos estão satisfeitos com as políticas do governo para o setor. Esse raciocínio tem limites.”

Quando se lê uma manchete como essa e, depois, percebe-se, lendo o corpo da matéria, que ela não é uma lorota, chega-se à conclusão de que algo está errado neste País.

Muito errado.

Digo e repito neste blog: Os programas assistenciais são, hoje, necessários, porém há que se ter uma porta se saída.

Programas como o Bolsa Família devem ser, necessariamente, temporários, paliativos, e não permanentes e interpretados como política pública basilar.

Ele é corretivo. E o erro que se visa corrigir deve ser extinto e não apenas abafado.

Sendo assim, precisamos urgentemente de portas de saída para os programas assistenciais como por exemplo cursos profissionalizantes para os jovens, ensino supletivo para os adultos e educação de base para as crianças, bem como fomento fiscal a empresas que gerem empregos em locais que são bolsões de pobreza.

Fim das contas, não é possível que tenhamos 100 milhões de brasileiros dependendo de Estado e achemos normal.

Não é e não deve ser normal.

Nunca.

Campanha de Dilma evitará confronto de currículo com Serra

06/06/2010

Informa Paulo Celso Pereira, na Veja:

“Apesar de Dilma Rousseff vir insistindo em focar seus discursos na exaltação dos feitos do governo Lula, o comando de sua campanha não vê como passar toda a eleição fugindo do debate de currículo proposto por José Serra. A questão já foi discutida em reuniões da coordenação.

A conclusão foi a seguinte: como a derrota na comparação dos currículos é inevitável, devido à maior experiência executiva de José Serra, o importante é ter gordura para queimar.

Portanto, a ordem é continuar empurrando com a barriga esse debate para garantir que, quando ele se tornar inadiável, Dilma já esteja segura na liderança.”

A estratégia é correta eleitoralmente.

Ser elogiável moralmente e até politicamente já são outros quinhentos.

O brasileiro merece conhecer totalmente a trajetória e a experiência daqueles que almejam presidir a nação.

Evitar esse debate pode ser apropriado para vencer a disputa, mas não é o mais ético.

Por um lado, todos têm que saber que José Serra foi líder estudantil, exilado político, Senador, Ministro de Fernando Henrique Cardoso, Prefeito e Governador de São Paulo.

Por outro lado, todos têm que saber que Dilma Rousseff foi guerrilheira, Secretária no Rio Grande do Sul e Ministra de Lula.

Se um currículo é maior que o outro, paciência. Compense-se em outro campo. Não esconda-se essa discussão.

Simples assim.

Este que vos fala, particularmente, crê que Dilma Rousseff não tem trajetória suficiente para ser Presidente. Não concordo com candidaturas biônicas.

Contudo, eu respeitaria mais Dilma se ela admitisse que nunca concorreu a nada na vida, mas dissesse que tem conhecimento técnico suficiente para fazer um bom governo.

Seria mais franco. Como deve ser.

Da mesma forma, Serra não deve esconder FHC. Não é honesto intelectualmente.

A realidade é que todos sabem o que é o certo a se fazer.

Não se faz por conveniência eleitoral.

Serra quer um debate de currículo contra currículo pois tem muito mais experiência e serviços prestados do que Dilma.

Dilma quer um debate de governo contra governo porque participou de um governo muito mais bem avaliado do que aquele que teve Serra.

É tão difícil abrir esse jogo?

Não.

Não se abre por culpa do eleitor. Sim, do eleitor.

Aprendeu-se com o tempo que o candidato que só diz a verdade perde a eleição.

Uma pena.

Coluna do dia: Não deixe de ir à Europa – Vá conhecer o Tax Free!

29/05/2010

Por Yashá Gallazzi*

Esqueçam o Arco do Triunfo, o Louvre e a Torre Eiffel. Não liguem pra Westminster, pra Tower Bridge e pra Baker Street. O Coliseu? Uma coisa secundária e sem importância. A principal descoberta que fiz na minha viagem de férias à Europa foi o instituto da “Tax Free”.

A brincadeira é bem simples: sempre que um turista gastar numa mesma loja, num mesmo dia, 175 ou mais euros, terá direito ao reembolso do percentual referente ao IVA, que é, literalmente, o imposto sobre o valor agregado. É como se o Estado dissesse: “Obrigado a você, que movimenta nossa economia e ajuda a produzir tantas riquezas. Em troca, vamos deixar de roubar uma parte do seu suado dinheiro.” Parece pouco – e é! -, mas quando se vem do Brasil, um País onde a carga tributária imposta pelo governo aos cidadãos é obscena frente ao retorno social apresentado, o Tax Free soa como música nos ouvidos.

Eu adoro essas coisas “pequeno-burguesas” como férias, viagens e compras. Fico particularmente fora de controle em lojas de artigos esportivos, principalmente aquelas de camisas de times de futebol. É só ver uma novidade fabricada pela Adidas, e pronto: já esqueço que sou um mero assalariado e saio em desvairada carreira atrás do produto.

Em Paris e em Milão, comprei uma enormidade de camisas de futebol, algumas das peças mais lindas do mundo. Em ambas as compras, fiz jus ao Tax Free, que me foi prontamente concedido pelas funcionárias das duas lojas. Foi tudo muito simples: as moças pegam o cupom fiscal, transcrevem os produtos adquiridos para um “travel check” endereçado à autoridade alfandegária e me entregam o documento. Cabe a mim, no dia da viagem de volta, procurar a alfândega do aeroporto e apresentar o “travel check”, a fim de solicitar o reembolso do que foi pago a título de IVA.

Por que os Estados da Europa decidiram criar o Tax Free? Simples: os turistas que visitam os países do velho mundo são responsáveis por boa parte das riquezas ali geradas, principalmente graças ao dinheiro que gastam em suas compras. Além disso, um turista, justamente por estar em trânsito, não goza das mesmas prerrogativas conferidas aos cidadãos europeus, razão por que é desnecessário lançar sobre os ombros daqueles mais essa carga de tributos.

Não. Eu não sou ingênuo o suficiente para acreditar que o Tax Free é uma bondade dos governos europeus para com os cidadãos. Não existem governos bons. Isso seria um paradoxo insuperável. O Tax Free é, isso sim, a prova de que governos podem ser – se me permitem a construção – “menos malvados”. Ou, para ser mais objetivo, mais sensatos. Se os turistas gastam tanto e movimentam tanto a economia, por que não incentivá-los a gastar ainda mais? Bingo!

Assim, basta ter o cuidado de pedir o benefício do Tax Free nas lojas, apresentar o “travel check” na alfândega do aeroporto e pronto: em apenas algumas semanas o turista feliz pode receber o falor pago a título de IVA de volta, como crédito em seu cartão. Notem que eu apontei a necessidade de se esperar “algumas semanas”… É, também não sejamos exigentes demais, não é mesmo? Já é difícil encontrar governos “menos malvados”. Encontrar governos eficientes é apenas utopia… Sim, eles demoram. Mas pelo menos demoram bem menos do que o governo brasileiro para restituir o que nos é roubado por meio do imposto de renda.

Calculo que receberei de volta, a título de Tax Free, uns 80 euros. O problema é que a viagem de volta, de per si, causou-me um prejuízo de uns 100 euros, já que algum valente operário de aeroporto decidiu abrir uma de minhas malas para fazer um pouco de justiça social: tirou duas das várias camisas de time que eu comprara e resolveu ficar com elas para si – ou trocá-las por uma boa garrafa de cachaça, sei lá…

Eis aí a lição que aprendi com o episódio: se você é turista, pode até “lucrar” com a Tax Free instituída pelos governos do primeiro mundo. Mas, se estiver voltando para o terceiro mundo, a chance de sofrer prejuízos é muito grande…

*Yashá Gallazzi, escrevendo excepcionalmente em um sábado, é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Lula articula para assumir ONU ou Banco Mundial

23/05/2010

Comentou este blog quase um ano atrás – isso mesmo, um ano atrás – quando o nome de Lula foi cogitado para comandar o Banco Mundial a partir de 2011:

Todos os que acompanham a política sabem o tamanho do ego do Presidente Lula e sabem, também, o quanto ele gostaria de ter um cargo que se assemelhasse ao de “líder mundial”.

Como não pode ser Presidente dos EUA, ainda, Lula visa os órgãos internacionais. Há algo além da presidência do Brasil para galgar, é o que pensa o Presidente.

Talvez por conhecerem esse entendimento, alguns dizem com firmeza que Lula pode até aceitar o Banco Mundial mas que queria ser, mesmo, Secretário-Geral da ONU.

Pois bem. Trata-se de mais uma informação divulgada com acerto pelo Perspectiva. Confiram o que informa a Folha:

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou articulações com outros líderes mundiais para definir seu futuro após deixar o cargo. Gostaria de virar secretário-geral de uma renovada Organização das Nações Unidas ou de presidir o Banco Mundial.

A Folha apurou que Lula já tratou dos dois temas com outros presidentes e primeiros-ministros. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, também fala com diplomatas estrangeiros.

A avaliação de Lula, Amorim e alguns líderes mundiais é que o brasileiro conquistou cacife político que o credencia a assumir um posto internacional de relevo.”

Além do fato de que o Perspectiva adiantou este boato com um ano de antecedência, vale ressaltar que o destino político do Presidente parece estar traçado:

Se José Serra vencer e Lula não conseguir nenhum dos cargos internacionais que pretende, o Presidente deve tentar retornar ao poder em 2014.

Se Dilma Rousseff vencer e Lula não conseguir nenhum dos cargos, o Presidente talvez cogite retornar, barrando a reeleição de Dilma, em um cenário menos provável que o anterior, mas possível.

Se Dilma Rousseff perder e Lula conseguir os cargos, o Presidente pode atazanar o governo fazendo oposição do alto de seu novo posto e talvez tentar retornar.

Mas o cenário mais definidor é o seguinte: Dilma vencer e Lula conseguir os cargos. Nesse caso, a petista parte para a reeleição.

É claro que em política não se trabalha muito com essas hipóteses distantes, afinal, tudo pode mudar.

Contudo, verdade seja dita, o quarto cenário, onde Lula não concorre em 2014, está nos sonhos de Aécio Neves.

Lula escala a si mesmo para desmontar discurso pós-Lula de Serra

01/05/2010

Informa a Folha:

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avocou para si uma ‘tarefa’ que os operadores da campanha presidencial da petista Dilma Rousseff consideram ‘estratégica’.

Caberá ao presidente, por decisão dele próprio, a missão de ‘desconstruir’ o discurso ‘continuísta’ do oponente tucano, o ex-governador José Serra.

Em privado, Lula recomendou ‘calma’ aos coordenadores do comitê oficial. Acha que devem se preocupar mais com Dilma e menos com o rival.

Ele disse que cuidará do tucano ‘no momento certo’. O presidente avalia que hoje só duas tribos seguem os desdobramentos da campanha: políticos e jornalistas.

Na opinião de Lula, o eleitor só vai se ligar no processo sucessório em agosto, quando a propaganda eleitoral chegar ao horário nobre da televisão.

É quando pretende, segundo a expressão que usou, ‘entrar em campo’. Até lá, disse o presidente, a prioridade deve ser a preparação da pré-candidata petista.

Há um grande incômodo no quartel-general do petismo com os rumos que Serra tenta imprimir à pré-campanha.

Avalia-se ali que o presidenciável tucano tenta anular o principal trunfo da candidatura de Dilma: a continuidade da gestão Lula.

O exemplo clássico é o Bolsa Família. Em sucessivas entrevistas, Serra disse que, além de ‘manter’, vai ‘aperfeiçoar’ o principal programa social do governo de Lula.”

O Presidente Lula planejou uma estratégia de eleição plebiscitária.

Dilma representaria ele. Serra representaria FHC.

Acontece que Serra não está propondo o mesmo que FHC. O ex-Governador paulista defende a manutenção dos avanços de Lula e o conserto dos erros. Aproveita para afirmar que tem mais capacidade para empreender ambas as iniciativas. Dilma seria despreparada e inexperiente.

Com isso, a oposição começa a ameaçar o discurso plebiscitário. E na política vence quem imprimir sua agenda.

Sendo assim, o governo precisa retomar o controle da agenda e descontruir o discurso pós-Lula de Serra.

O Presidente já escalou quem será o soldado governista que tentará fazer isso.

Ele mesmo.

A questão de fundo é que se nem ele conseguir, ninguém mais conseguirá.

Lula afirma que não se pode afrouxar o controle da economia por conta de eleição

01/05/2010

Disse o Presidente Lula:

“Nós atingimos um grau de maturidade em que a gente não pode, por conta de uma eleição, afrouxar o controle da economia e deixar a coisa desandar, senão não controla mais.

Concordo plenamente. E reconheço o acerto do Presidente Lula ao dizer isso.

Contudo, mantém-se em mim – e acredito que em outros – o receio de que a independência do Banco Central seja de alguma forma diminuída visando reduzir o desgaste político do governo e o consequente desgaste eleitoral de Dilma Rousseff que poderia advir de uma alta de juros considerável próxima da eleição.

E a provação das teses existirá:

O COPOM se reúne no final de agosto, quando a campanha estará no auge, e depois entre o primeiro turno e um eventual segundo turno. Decisões impopulares nestas datas podem afetar o resultado de Dilma Rousseff de alguma forma. Em uma disputa acirrada, poderão fazer alguma diferença.

O governo terá a chance de provar que a autonomia do BC é para valer e que o comprometimento com a estabilidade da economia e com o futuro do País é maior – como deve ser – do que o ímpeto de eleger Dilma Rousseff.

Isso se dá pois já é previsível que a medida correta nestas datas será a elevação dos juros.

O governo os elevará pensando no País ou os manterá – ou reduzirá – pensando em Dilma?

Quem viver verá.

Coluna do dia: Serra – Talvez uma má escolha tucana

22/04/2010

Por Felipe Liberal*

Pelos meus cálculos, José Serra não vencerá em outubro. Mas posso estar errado, incerto ou precipitado. Talvez esteja sendo apressado demais ou bastante parcial. Talvez.

O PSDB começou mal. A escolha de Serra para uma candidatura ao pós-Lula foi errada. Além de ter sido “surrado” em 2002 pelo mesmo Lula, o presidenciável não possui os requisitos para uma “mudança continuada” que provavelmente será o lema das próximas eleições desta década.

O tucano não tem programa e se esconde do papel de oposição, se apresentando a todo momento como a continuação do atual governo.

Mas ser contra Lula é ruim?

Óbvio, a popularidade do governo orbita em torno dos 75% no final do segundo mandato.

Mas não se pode esquecer que apesar das graves semelhanças entre os dois partidos, existem duas diferenças determinantes entre o PT e o PSDB: política externa e privatizações. E por mais que sejam omitidas tais divergências, o povo e o empresariado irão questionar.

O PSDB e a cúpula “direitista” (porque nesses dois pontos ser de esquerda ou de direita é interessante) já discutem sobre privatizações dos setores “desorganizados” como Infraero e Eletrobrás (esta que se fortaleceu com Lula), mudando e quebrando todo um sistema de contratos que essas duas entidades possuem com o setor particular, caso venham a acontecer as privatizações.

Uma nova onda de desemprego e instabilidade para incontáveis trabalhadores brasileiros virá com essa política que, em minha opinião, é abominável.

Lembrando: A privatização hoje é considerada impopular no Brasil.

Em relação à política externa, fato mais complexo de ser alterado, um provável governo tucano talvez não entendesse como viáveis alguns pactos comerciais importantes com Venezuela, Irã e parcialmente a China. Isso desestabilizaria totalmente a economia e a estrutura empresarial brasileira. Seria talvez o maior dos retrocessos que esse País já viu, e olha que não foram poucos. Por isso acho difícil um apoio maciço dos empresários à chapa tucana, mesmo parecendo ironia.

Serra, em 2002, expôs tudo isso diante das câmeras de TV e esse é um fator negativo na sua escolha para a candidatura. Claro que tudo isso já faz quase oito anos, mas as lembranças persistem numa parcela da população que tem poder e vota. Sua ideologia camuflada não vai conseguir se sustentar por muito tempo, pois Serra é oposição apesar da sua negação em relação a isso.

Mas Aécio Neves realmente seria um bom nome para o PSDB? Talvez. Domina de forma espetacular o 2º maior colégio eleitoral do País (Minas Gerais) e não está “desgastado” nacionalmente como Serra. Apareceria como “figura nova” assim como Dilma, porém mais carismático que a petista. O mineiro sempre foi mais próximo à Lula do que Serra, principalmente a partir de 2007, ou seja, mais recentemente.

Talvez eu esteja errado, mas não acredito numa vitória tucana. Dilma, mesmo sendo ainda “desconhecida” nas camadas mais pobres, já incomoda o tucano nas últimas pesquisas realizadas. Serra é uma incerteza certa.

Mas claro, talvez seja mais uma ilusão ou insanidade deste pobre colunista nordestino.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

UNE decide se apóia Dilma: 30 milhões de reais influenciarão a decisão?

21/04/2010

Informa o Globo:

“Por unanimidade, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou nesta terça-feira – a dois dias da União Nacional dos Estudantes (UNE) decidir, entre outros pontos, se dará apoio oficial à pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff – projeto do governo que prevê indenização de até R$ 30 milhões para a construção de uma nova sede para a UNE, no Rio.

O texto segue agora para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde será avaliado em caráter terminativo. Se aprovado, só irá a plenário caso haja recurso assinado por pelo menos nove senadores, mas há consenso entre governo e oposição.

O projeto foi apresentado em 2008 pelo presidente Lula, que reconheceu a responsabilidade do Estado na destruição do prédio da UNE no Flamengo, em 1964, motivada pela repressão aos movimentos de esquerda. A construção foi metralhada e incendiada nos primeiros dias do golpe militar.

A UNE e o governo trabalham para que os R$ 30 milhões sejam transferidos até julho, limite da legislação eleitoral para repasses dessa natureza. Alinhada com a administração petista, a UNE já recebeu R$ 9,39 milhões do governo entre 2004 e 2009.”

Cooptação pouca é bobagem.