Postagens com a palavra-chave ‘Governabilidade’

PMDB fecha pré-acordo com o PT para indicar o Vice de Dilma

07/10/2009

Como esse blog vinha comentando, a parcela do PMDB que deseja a aliança com o PT em torno de Dilma decidiu acelerar o processo de negociação com o governo de Lula.

A cúpula peemedebista espera que o Presidente decida até semana que vem se o partido ocupará mesmo a Vice-Presidência na chapa do candidato apoiado pelo governo.

Em resumo, os peemedebisas dilmistas querem uma garantia o quanto antes. Precisam dela para subjugar os peemedebistas que pendem para Serra e que ganharam força com a patinada de Dilma nas pesquisas.

A ideia de apressar o diálogo é, além de diminuir o ânimo dos serristas liderados por Quércia, estancar as eventuais dissidências peemedebistas nos Estados.

Após o jantar realizado nesta terça, com a participação dos principais nomes do PMDB, como o Presidente do Senado, José Sarney (AP), o Presidente da Câmara, Michel Temer (SP) e vários ministros, entre eles o da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), disse que o “pré-noivado” está praticamente firmado.

O chamado “pré-noivado” nada mais é do que a decisão do PMDB de lançar um peemedebista para concorrer à Vice-Presidência da República na chapa da Ministra Dilma.

Os líderes do partido querem formalizar até o início de novembro a aliança com os petistas, mas o comando nacional do PMDB já decidiu que vai indicar um nome para a Vice-Presidência na chapa do PT, mesmo que parte da bancada, incitada pelos serristas, seja contrária à união com o governo.

“Tem acordo para que o PMDB seja o Vice. Só isso”, disse Temer. Cotado para ser lançado a Vice de Dilma, ele disse que “o nome só sai no ano que vem”.

Porém, a parte da bancada que discorda da aliança com o PT ainda tentará reverter o quadro, afinal, a aliança ainda não foi formalizada totalmente, tendo sido apenas declarado um “pré-acordo”, baseado no desejo dos peemedebistas dilmistas que, hoje, são maioria na cúpula do partido.

A esperança do grupo de Quércia, os serristas do PMDB, é a de adiar a decisão para a Convenção da legenda que só se dará no meio de 2010. Lá, tentariam ser maioria com o auxílio dos peemedebistas indecisos que não fazem parte da cúpula, mas que tem direito a voto na Convenção.

Alguns peemedebistas, sejam serristas ou apenas mais cautelosos, também criticam a pressa na consolidação do apoio a Dilma porque consideram muito cedo para definir alianças estaduais e porque, desejando estar sempre com o poder para manter seu fisiologismo, receiam uma queda maior da Ministra nas pesquisas.

“Não sou partidário dessa antecipação toda. Deveríamos ouvir as bases do partido, ter mais segurança”, afirmou, por exemplo, o Senador Garibaldi Alves (PMDB-RN).

Enquanto os peemedebistas que querem se aliar ao PT comemoram o “pré-acordo” e esperam pressionar Lula com ele, buscando uma definição rápida, os seus companheiros de partido que preferem Serra desejam adiar a decisão, torcendo para que uma queda contínua de Dilma nas pesquisas enfraqueça os que simpatizam com o governo e convença os indecisos de que Serra é a melhor opção.

No fim das contas, a questão que racha o PMDB expõe não é afinidade de diferentes grupos com uma ou outra chapa, e sim fome de poder. Cada grupo acha que poderá proteger melhor seu quinhão caminhando ao lado de sua escolha. E agora não há mais retorno: Os que defendem um lado já perderam prestígio com o outro. Mudar de lado não adiantaria, pois não haveria espaço em um novo governo.

Os dilmistas e os serristas fazem suas apostas. De qualquer forma o PMDB estará rachado de fato. Oficialmente, os dilmistas querem estar com o PT, para dar ao governo o tempo de televisão.

Dependendo de quem vencer em 2010, uma das alas peemedebistas estará no poder. A outra, não se iludam, não será alijada. Apenas terá menos espaço, sendo absorvida aos poucos em nome da promíscua “governabilidade”.

A luta para ser a ala que absorve e não a absorvida, já que essa tem mais benefícios e cargos, continuará.

Os dilmistas estão em vantagem, principalmente após a aceleração proposital do diálogo e a conquista do “pré-acordo”, porém ainda temos de aguardar pela definição final.

Coluna do dia: PT, quem te viu, quem te vê

24/08/2009

Por Arthurius Maximus*

O PT tem, no Art. 68 de seu Estatuto, a seguinte norma: “A Bancada Parlamentar e a Comissão Executiva do Diretório correspondente adotarão medidas concretas para combater o clientelismo e os privilégios, na busca de uma nova postura ética dos parlamentares”.

Essas eram as mais ferrenhas bases do partido que nós aprendemos a gostar e a respeitar durante muitos anos. Um partido que mobilizava a juventude e levava as massas para as ruas, como forma de lutar contra o velho jeito de fazer política. Lutando para livrar nossa nação dos grilhões do atraso e do marasmo com os quais a corrupção exagerada e o clientelismo explícito nos prendiam.

E o PT chegou ao poder afinal. Capitaneado por seu maior expoente: Lula. O PT chegou onde queria e tinha o apoio da nação inteira para mudar o País e transformar o Brasil numa terra mais justa e menos dependente da corrupção e das vontades das oligarquias que dominavam nosso povo desde os tempos coloniais. E o que o PT fez? Aliou-se a essas mesmas oligarquias.

Não só o próprio Presidente Lula traiu tudo o que acreditava (ou dizia acreditar) como a maioria dos componentes do PT optou pela manutenção de um projeto de “poder pelo poder” em detrimento de um projeto de mudança e de uma nova forma de fazer política nesse País. E os casos foram se sucedendo: Mensalão, dinheiro na cueca, dossiês, falcatruas nos correios e nos ministérios, grana no exterior e todas as velhas práticas sob uma nova roupagem e direção.

O recente comportamento do partido na crise envolvendo José Sarney e as denúncias de corrupção no Senado foram uma pá de cal em qualquer possibilidade do partido reivindicar para si qualquer sinal de ética e de moral política. Ao permitir o engavetamento das representações e impedir que sequer as gravíssimas denúncias (repletas de provas) contra Sarney fossem ao menos investigadas, o PT assumiu definitivamente o seu papel de clientelista e de um partido que tolera qualquer transgressão ética em nome do que eles chamam de governabilidade.

É estranho porque governos muito mais profícuos, e plenamente aceitos por todas as correntes ideológicas brasileiras como realizadores de verdadeiras façanhas pela modernização do Brasil, foram uns que sempre contaram com a minoria no Congresso e enfrentaram grandes problemas para aprovar suas medidas. O mandato de JK foi um bom exemplo desses governos.

O que mais entristece é perceber a cegueira quase fanática de pessoas incapazes de perceber que o partido se aliou ao que mais odiava e ao que mais combatia. Elas taxam aqueles que não concordaram em vender os seus ideais (como a ex-ministra Marina Silva) de “agentes da direita” e capachos do PSDB. Ora! Se para ser “um homem da esquerda” tenho que beijar a mão (para não dizer outra parte do corpo) de pessoas com o passado de Sarney, Renan Calheiros, Collor e tantas outras “figuras ilustres” que circundam o Presidente Lula ultimamente, prefiro ser chamado de lacaio estadunidense e agente da direita ultraconservadora reacionária.

Do que adianta bater no peito e se dizer “de esquerda” se você vende suas convicções por um cafuné ou um pedaço de papel como fez o Senador Mercadante? De que vale botar uma camisa vermelha com a imagem de Che se o que você quer é fumar um bom charuto importado, usar um chapéu panamá e garantir um status de elite por muitos anos? De que adianta se dizer socialista se você vende seus ideais e protege os grandes oligarcas, que sempre foram os responsáveis pelo sofrimento do povo pobre e desassistido de nosso País? De que vale dizer “SOU PT” quando na verdade você professa a cartilha dos Sarneys, dos Renans e dos Collors que pululam na política nacional?

Enfim, de que adianta ser do PT se, na realidade, o que você quer mesmo é apenas mamar na teta o maior tempo possível?

Eleitor, pense nisso em 2010.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

CPI da Petrobras: Não basta instalar, tem que funcionar

10/07/2009

É fato que a oposição mudou de estratégia no Senado. Deixou um pouco de lado a crise e focou na CPI da Petrobras. Como diz o jornal o Globo, trata-se de um redirecionamento tático. Diante do cenário eleitoral, PSDB e DEM concluíram: é melhor retomar os ataques e as investigações contra o governo do que alimentar a crise – ruim não só para Sarney, mas para todo senador que deseja disputar mandato no ano que vem.

Pois bem. Com essa mudança a oposição conseguiu um acordo para que a CPI seja instalada. Sarney assentiu, negociou com os governistas e a Comissão vai sair na semana que vem.

Pode parecer que a oposição conseguiu alguma grande vitória, mas não é o caso.

Primeiramente, pois Sarney só assentiu por dois motivos que nada tem a ver com a força da oposição ou com a habilidade de articulação da mesma. O Presidente do Senado só concordou pois:

1- A CPI sairia de qualquer forma se a oposição requisitasse isso junto ao STF, que provavelmente ordenaria a instalação da CPI, já que esse tipo de Comissão é direito garantido pela lei das minorias parlamentares.

2- Queria sair um pouco do foco, ganhando um respiro.

Em segundo lugar, o mais importante: Não existe vitória da oposição pois não basta instalar a CPI, é preciso fazê-la funcionar. Isso sim seria uma vitória.

A CPI da Petrobras terá membros que representarão uma situação de 11 contra 3 a favor do governo. Sendo assim, parece que, infelizmente, as irregularidades da estatal não serão descobertas e não terão seus culpados punidos.

A CPI tem tudo para não funcionar, não andar. Travar.

Ninguém acredita que o governo, que diz já sem graça não temer a CPI, deixará que ela apure de verdade alguma coisa.

Lamentável que vivamos em um País onde investigações tão importantes e tão necessárias são moedas de troca submetidas ao jogo político do câmbio de escândalos.

Nova estratégia: Oposição deixa a crise um pouco de lado e foca CPI da Petrobras

09/07/2009

Informa o jornal O Globo sobre a nova estratégia da oposição no Senado:

” A crise do Senado passou longe do plenário nesta terça-feira. Em vez das denúncias que atingem a instituição e seu presidente, senador José Sarney (PMDB-AP) , a oposição concentrou artilharia sobre a CPI da Petrobras. Não houve cobranças para que o chefe do Congresso deixasse o cargo.

- Nós centramos fogo na CPI. Sem número, você não provoca nada, é uma questão aritmética – disse o líder do DEM, senador José Agripino (RN).

Trata-se de um redirecionamento tático. Diante do cenário eleitoral, PSDB e DEM concluíram: é melhor retomar os ataques e as investigações contra o governo do que alimentar a crise – ruim não só para Sarney, mas para todo senador que deseja disputar mandato no ano que vem. Em 2010, dois terços da Casa passarão pelo crivo das urnas.

Tanto democratas como tucanos advogaram pela licença de José Sarney do comando da Casa. Por ora, decidiram tirar o pé do acelerador. A mudança de estratégia foi definida em uma reunião da cúpula dos dois partidos oposicionistas na manhã de terça-feira. O efeito da decisão foi imediato.

O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), não descartou a possibilidade de instalação da CPI da Petrobras.

O clima no plenário na tarde de terça foi completamente diferente. Ao contrário da semana passada, José Sarney presidiu a sessão. Ninguém falou na crise. Há exatos sete dias, o peemedebista vivia um calvário. Pressionado, chegou a pensar em renúncia . Foi salvo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, interessado na governabilidade.

- A crise está no colo do presidente Lula e do PT – alfinetou Agripino, negando estar lavando as mãos em relação às denúncias que atingem a Casa e o parlamentar que a lidera. “

Fica claro que a mudança de estratégia parte do pressuposto de que é mais interessante para a oposição conseguir instalar a CPI da Petrobras do que manter o calvário de José Sarney.

E esse pressuposto se baseia na seguinte conclusão: A crise do Senado atingirá a todos, a CPI da Petrobras atingirá só o governo, ou seja, é um cálculo eleitoral. Há ainda a tentativa de jogar a manutenção do impopular Sarney no colo do governo, atingindo assim a imagem dele.

Esse cálculo eleitoral não deveria ser feito. Pelo menos não é o tipo de política que este blogueiro faria. Acima deste cálculo deveria estar a luta pela moralização do Senado e esta luta em nada é fortalecida com o abandono da pressão sobre Sarney.

Ambas as lutas devem ser priorizadas, a da moralização do Senado e a da moralização da Petrobras. A oposição não deveria deixar que interesses eleitorais, que são até certo ponto válidos, prevalecessem. Eles são aceitáveis, mas não devem ser os mais importantes. Nunca.

O Senador Jarbas Vasconcelos resumiu bem. Disse que essas lutas devem ser complementares e não excludentes. Este blogueiro concorda plenamente.

Alguns dirão: Mas seria impossível agir nas duas frentes. É fato que na política atual é preciso barganhar.

Respondo: Discordo. Se há barganha é porque há a consideração do interesse pessoal. E não deveria ser assim. É triste que seja assim.

E digo mais: A culpa, no fim das contas, não é do político. É da população. Afinal, o político que não pensa em si, e sim nela, não se reelege. Vejam que paradoxo. E a população não sabe votar corretamente, em grande parte, pois não foi educada de forma a se politizar. E quem contribui muito para que não haja essa educação são os políticos. Mais um paradoxo.

O Brasil é paradoxal.