Como esse blog vinha comentando, a parcela do PMDB que deseja a aliança com o PT em torno de Dilma decidiu acelerar o processo de negociação com o governo de Lula.
A cúpula peemedebista espera que o Presidente decida até semana que vem se o partido ocupará mesmo a Vice-Presidência na chapa do candidato apoiado pelo governo.
Em resumo, os peemedebisas dilmistas querem uma garantia o quanto antes. Precisam dela para subjugar os peemedebistas que pendem para Serra e que ganharam força com a patinada de Dilma nas pesquisas.
A ideia de apressar o diálogo é, além de diminuir o ânimo dos serristas liderados por Quércia, estancar as eventuais dissidências peemedebistas nos Estados.
Após o jantar realizado nesta terça, com a participação dos principais nomes do PMDB, como o Presidente do Senado, José Sarney (AP), o Presidente da Câmara, Michel Temer (SP) e vários ministros, entre eles o da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), disse que o “pré-noivado” está praticamente firmado.
O chamado “pré-noivado” nada mais é do que a decisão do PMDB de lançar um peemedebista para concorrer à Vice-Presidência da República na chapa da Ministra Dilma.
Os líderes do partido querem formalizar até o início de novembro a aliança com os petistas, mas o comando nacional do PMDB já decidiu que vai indicar um nome para a Vice-Presidência na chapa do PT, mesmo que parte da bancada, incitada pelos serristas, seja contrária à união com o governo.
“Tem acordo para que o PMDB seja o Vice. Só isso”, disse Temer. Cotado para ser lançado a Vice de Dilma, ele disse que “o nome só sai no ano que vem”.
Porém, a parte da bancada que discorda da aliança com o PT ainda tentará reverter o quadro, afinal, a aliança ainda não foi formalizada totalmente, tendo sido apenas declarado um “pré-acordo”, baseado no desejo dos peemedebistas dilmistas que, hoje, são maioria na cúpula do partido.
A esperança do grupo de Quércia, os serristas do PMDB, é a de adiar a decisão para a Convenção da legenda que só se dará no meio de 2010. Lá, tentariam ser maioria com o auxílio dos peemedebistas indecisos que não fazem parte da cúpula, mas que tem direito a voto na Convenção.
Alguns peemedebistas, sejam serristas ou apenas mais cautelosos, também criticam a pressa na consolidação do apoio a Dilma porque consideram muito cedo para definir alianças estaduais e porque, desejando estar sempre com o poder para manter seu fisiologismo, receiam uma queda maior da Ministra nas pesquisas.
“Não sou partidário dessa antecipação toda. Deveríamos ouvir as bases do partido, ter mais segurança”, afirmou, por exemplo, o Senador Garibaldi Alves (PMDB-RN).
Enquanto os peemedebistas que querem se aliar ao PT comemoram o “pré-acordo” e esperam pressionar Lula com ele, buscando uma definição rápida, os seus companheiros de partido que preferem Serra desejam adiar a decisão, torcendo para que uma queda contínua de Dilma nas pesquisas enfraqueça os que simpatizam com o governo e convença os indecisos de que Serra é a melhor opção.
No fim das contas, a questão que racha o PMDB expõe não é afinidade de diferentes grupos com uma ou outra chapa, e sim fome de poder. Cada grupo acha que poderá proteger melhor seu quinhão caminhando ao lado de sua escolha. E agora não há mais retorno: Os que defendem um lado já perderam prestígio com o outro. Mudar de lado não adiantaria, pois não haveria espaço em um novo governo.
Os dilmistas e os serristas fazem suas apostas. De qualquer forma o PMDB estará rachado de fato. Oficialmente, os dilmistas querem estar com o PT, para dar ao governo o tempo de televisão.
Dependendo de quem vencer em 2010, uma das alas peemedebistas estará no poder. A outra, não se iludam, não será alijada. Apenas terá menos espaço, sendo absorvida aos poucos em nome da promíscua “governabilidade”.
A luta para ser a ala que absorve e não a absorvida, já que essa tem mais benefícios e cargos, continuará.
Os dilmistas estão em vantagem, principalmente após a aceleração proposital do diálogo e a conquista do “pré-acordo”, porém ainda temos de aguardar pela definição final.










