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Coluna do dia: A paternidade – O mais maravilhoso de todos os anos

15/01/2010

Por Yashá Gallazzi*

Vou iniciar a coluna desta semana pedindo algumas desculpas. Preciso, por exemplo, me desculpar com o editor do site, nosso querido Bruno Kazuhiro. Isso porque, simplesmente, não consigo escrever nada sobre política hoje, “desrespeitando”, assim, a delimitação do tema que deveria rotineiramente ser abordado nas colunas.

Devo pedir desculpas a todos vocês, leitores do site. Isso porque todos merecem ler opiniões acerca dos grandes acontecimentos verificados no Brasil e no mundo, e não qualquer outra coisa que pareça, à primeira vista, menos importante.

Mas por que, afinal, tantas desculpas? Porque não consigo me concentrar em nada que não seja a pequena pessoa que caminha – com passos furtivos e incertos – ao redor da mesa onde digito estas linhas, grunhindo sílabas desconexas que soam, aos meus ouvidos enternecidos de pai, como uma declamação poética das mais belas.

Meu filho completou ontem, quinta-feira, seu primeiro ano de vida. Há um ano essa pequena criaturinha transformou minha vida – e a da minha esposa -, ensinando uma outra vertente daquele sentimento chamado de amor. Ele se tornou, como é fácil presumir, o centro de tudo. Nossos planos se dão em função dele, nossos horários são ajustados aos dele e nossos esforços buscam fazê-lo feliz. Há um ano, o menino faceiro que sorri para mim agora tomou as rédeas dos meus dias. Acho justo que neste momento tão especial ele tome a rédea do de vocês – pelo menos por um momento.

Uma coisa um tanto embaraçosa, mas muito verdadeira, é que ser pai me empurrou para um mar interminável de clichês e lugares-comuns. Eu não posso deixar de dizer, por exemplo, que “a paternidade muda as pessoas”. Ou que “o milagre da vida é fantástico”. Todos já ouvimos algo assim em algum momento, mas só passamos a ter noção exata da coisa toda quando o pequeno passa a existir em nossas vidas.

Você revê inevitavelmente os próprios conceitos quando percebe que cólicas atrozes, capazes de durar uma noite inteira, são muito – mas muito mesmo! – mais importantes do que uma guerra no Oriente Médio, ou um mensalão de quem quer que seja. Como sentar para escrever sobre o terrorismo promovido pelo fascismo islâmico, se o próprio filho não consegue dormir em razão da dor que o nascimento dos primeiros dentes causa? Acreditem: ser pai é, antes de mais nada, entender que o resto é apenas o resto.

Muitos dizem que a paternidade deixa o homem mais otimista com o futuro. Eu acabei ficando ainda mais cético – talvez até um tanto mais pessimista. Isso porque você percebe que tudo pode literalmente ir para o inferno, desde que o seu pequeno bebê esteja ternamente protegido. Ao mesmo tempo, a indignação inerente a todos que buscam um mundo melhor passa a aflorar com ainda mais força, pois somos naturalmente compelidos a construir uma realidade melhor para o futuro do pequeno. Afinal, trata-se de alguém que depende de mim, do meu suporte, dos meus atos.

Biocombustível? Redução da poluição? Solução para a emissão de carbono? Questões menores diante de um bebê que começa a engatinhar pela casa, descobrindo seus espaços e o mundo que o cerca. Pré-sal? Enriquecimento do País? Como tais coisas podem ser importantes, se o meu filho descobre a arte de dar os primeiros passos? Obama? Dilma? Serra e Aécio? Perdoem este pobre pai, mas nada pode ser maior do que a fala desengonçada destes últimos meses, nos quais o pequeno aprendeu a dizer “mamã” e “papá”.

Isso soa um tanto alienado? Um tanto egoísta? Sim, é claro! Ser pai é descobrir a certeza de que o indivíduo é mesmo o cerne da civilização, e que nenhuma “coletividade”, nenhuma “maioria” terá jamais a importância que aquele pequeno indivíduo tem para você.

A paternidade, meus caros, tem até mesmo o condão de mexer com nossas mais íntimas convicções. Depois de ser pai, por exemplo, passei a ter algo – como direi? – “pessoal” contra o comunismo. Além de todas as restrições de natureza política e filosófica, me descobri repudiando aquela ideologia simplesmente porque nada de bom poderia jamais sair da mente de um sujeito como Marx, que não exitou em abandonar os próprios filhos à miséria, enquanto tentava juntar dinheiro para “mudar o mundo”. Como respeitar quem não respeita um filho?

Ser pai também nos leva a rever opiniões tidas como imutáveis. Eu era favorável à descriminalização do aborto, por considerar tudo matéria apenas individual. Minhas certezas foram engolidas pelo som do coraçãozinho dele, pulsando ainda dentro do ventre da mãe. Então, de repente, surge a epifania: “Não! Acabar com esse som maravilhoso é assassinato!” Simples assim. É por ser pai que eu insisto, vez por outra, na grandeza da chamada civilização ocidental: nós protegemos e amamos nossos filhos, ao passo que algumas outras culturas – ainda! – sacrificam os seus…

Mas não pensem que pretendo ser profundo. Nada disso! Meu filho me ensinou coisas muito mais simples, como a importância da abóbora e do brócolis. Ao mesmo tempo em que me forçou a elevar a fritura ao posto de inimiga pública número um da Humanidade.

Por falar em inimigos, esqueçam Bin Laden e Ahmadinejad. São apenas dois paspalhos! O maior perigo do mundo se chama virose. Eu “votaria” em Obama, caso ele descobrisse uma cura para tal desgraça…

De resto, não farei como tantos pais que existem por aí, pródigos em ficar falando sobre a beleza e a grandiosidade dos próprios filhos. É desnecessário fazê-lo. Vocês todos, leitores inteligentes deste site, provavelmente acreditam que meu filhote é lindo, inteligente e esperto. E, não! Não estou exagerando. Confiem em meu julgamento “totalmente isento”.

O mais fascinante de tudo, porém, é a percepção libertadora de que nada mais, além do pequeno – e do seu núcleo familiar – pode ganhar mais importância que o devido. O que é uma carreira profissional, quando se assiste aos primeiros passos do filho? Você se torna pai e percebe que nunca poderá encontrar um “emprego dos sonhos”, pois já o tem. Aninhar o filho nos braços e fazer qualquer dor ir embora é a melhor profissão que pode existir, acreditem.

Ao segurar o filho nos braços pela primeira vez, surge aquele sentimento ímpar de que qualquer coisa pode – e deve! – ser feita para que ele tenha sempre a melhor segurança e a maior felicidade. “Por que viemos ao mundo?”, indaga uma das maiores proposições filosóficas de todos os tempos. Simples: para fazer felizes aos nossos.

Sabem por que não acredito em revolução ou, em outras palavras, por que acredito tanto no indivíduo? Porque “a única revolução possível é a de dentro de nós”, como afirmou Ghandi certa vez. E como se faz tal revolução? Construindo uma família e recebendo com amor os filhos confiados por Deus. É só então – e apenas então – que se pode compreender com perfeição a ideia de sacrifício pelo outro. Sem a alegria dele, nada mais importa. Na alegria dele, tudo o mais ganha esplendor. Por isso o ano que passou foi tão maravilhoso. O mais maravilhoso de todos os anos.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: Protógenes, enfim, se une aos “bandidos”

18/12/2009

Por Yashá Gallazzi*

Protógenes Queiroz é um sujeito curioso. Segundo consta, ele foi convidado a assumir um cargo dentro do Ministério dos Esportes do governo Lula. Governo Lula? Sim, isso mesmo! O mesmo governo que, segundo o próprio “dotô” estava no “pay roll” de Daniel Dantas.

O homem que seduziu Paulo Henrique Amorim e fez sonhar Luiz Nassif é mesmo um portento da ética, da moralidade e da lógica. Segundo sua própria descrição, feita em um site pessoal, Protógenes se inspirou em Jesus, em Buda, nos Vedas e em Ghandi.

Não se brinca com alguém capaz de fazer tamanha salada principiológica… É nitroglicerina pura!

A moral do justiceiro-mor da República é, pois, maleável, exatamente igual sua convicção filosófico-religiosa. O mesmo sujeito que denunciou Lula a Barack Obama, pedindo ajuda ao governo americano para combater a corrupção “nessepaiz”, é capaz, agora, de aceitar um cargo à direita do denunciado. Sim, está bastante claro que eu não nutro qualquer simpatia pelo delegado. Mas digam vocês: é um primor da coerência moral, não?

Protógenes, os leitores sabem, é filiado ao PC do B, um dos partidos mais fiéis ao lulismo. Aliás, corrijo-me: trata-se do partido mais fiel ao governo. Mais até que o PT, segundo o histórico das votações realizadas no Congresso Nacional. O que pouca gente conhece, porém, é a natureza originária dos – como é mesmo? – “Comunistas do Brasil”. O PC do B é um partido stalinista, e isso quer dizer que ele aceita, defende e apóia o assassinato de cerca de 30 milhões de pessoas. Por que é assim? Porque o PC do B não reconhece as críticas a Stálin feitas por Krushev, no começo do processo de desmantelamento daquela máquina de matar que foi a União Soviética.

Eis aí. O novo herói da República, o queridinho do “pogreçismo” politicamente correto do Brasil não passa de um facínora que aceitou ser cúmplice moral do assassinato. Isso diz muito acerca da inversão de valores que se presencia nos dias de hoje. Lembro que logo que esse sujeito ganhou as páginas do jornais, desfraldando a bandeira do combate à corrupção, eu o contestei. Apontei, dentre outras coisas, que ele queria, na verdade, “justissa cás pópria mão”, não justiça de verdade. E, desde sempre, afirmei que ele simbolizava parte desse “pogreçismo” bananeiro que tomou conta da esquerda mais radical brasileira. Os fãs do homem logo trataram de me contestar: “O seu ódio da esquerda o está cegando”, diziam. Mas eis que ele desembarcou no PC do B – o partido que defende Stálin – e resolveu me dar razão…

Sou um vidente? Um adivinho? Não. Simplesmente gosto de usar a lógica, esta besta que costuma assustar a turma do “outro mundo possível”. Mas eu vos garanto: ela pode ser bem mansinha. Querem ver como é fácil caminhar ao lado dela? Pois vamos: Se o governo Lula estava mesmo na folha de pagamento de Dantas – como afirmou Protógenes -, o delegado, ao aceitar o tal cargo, torna-se um… bandido! Se, porém, Protógenes errou no passado e Lula não tem nada que ver com o “banqueiro bandido”, então praticou calúnia e pode ser chamado de… bandido! Não é mesmo fantástico? Como todo bom stalinista, Protógenes acaba sempre sendo bandido, não importa qual caminho se tome. E sabem por quê? Ora, porque o sujeito é um… bandido!

A esperteza desse sujeito foi ter criado a “moeda Dantas de compensação criminal”. Trata-se de uma engenharia político-financeira bastante simples: se você avilta as leis, mostre que o faz a fim de combater Daniel Dantas. Para tal fim, qualquer trapaça pode ser tolerada aos olhos dessa “nova ética”.

Logo, se o “dotô” delegado grampeou metade do Brasil ilegalmente, contratou particulares para espionar pessoas inocentes e permitiu o vazamento de dados sigilosos para a imprensa, deve-se entender que tudo isso foi feito para garantir a prisão de Dantas. E Dantas, vocês sabem, é o bandido maior “dessepaiz”, não é? Sem falar que é inimigo declarado de alguns dos aliados atuais de… Protógenes! Alguns dos quais – atenção agora! – estão oferecendo emprego ao moço no Ministério dos Esportes. Ou a ética dessa gente é tão nova e complicada, que se torna difícil compreendê-la, ou a trapaça promovida por eles é tão evidente, que só não a compreende quem não quer.

Eu, abraçado à minha única moral, digo que Protógenes seria um perfeito companheiro de cela para Daniel Dantas. Quem estupra a ordem democrática e avilta as leis vigentes, não o faz em nome de um bem maior, simplesmente porque são coisas – e sempre serão – antagônicas.

Segundo alguns dos que me criticam, eu seria um reacionário. Será? Por quê? Simplesmente porque acho que na prisão há lugar para Protógenes e para Dantas? Ou então, que os fãs do delegado me demonstrem, com base nas leis vigentes – e na lógica – que o delegado não cometeu crimes.

“Ah, mas Dantas queria apenas roubar, e Protógenes tentava promover o bem.” Pois é… Aqui mora todo o perigo. Não preciso fazer um digressão histórica para lembrá-los dos inúmero crimes que foram praticados a fim de “promover o bem”, não é? Temos exemplos bem vivos hoje em dia, em uma singela ilhota aqui das Américas, onde vivem alguns vagabundos ditadores muito amigos do PC do B de Protógenes…

Eu espero que algum dia os Estados Unidos decidam combater a corrupção no Brasil e lancem umas “bombinhas democráticas” de efeito moral sobre as cabeças dos que se aboletaram no poder. E, quando esse dia chegar, espero que Protógenes, assim como Dantas, seja um dos alvos.

O Brasil só poderá almejar ser grande quando deixar de amar os seus bandidos. Não existem criminosos do bem, é preciso que se entenda. Ou, em outras palavras, há que se ensinar, de uma vez por todas, que é impossível possuir bandidos de estimação. Como? Bem, é fácil. Basta que se tenha apenas uma única moral sempre.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento