Postagens com a palavra-chave ‘George Bush’

Coluna do dia: Ataque americano no Iraque – Bem-vindo ao mundo real

08/04/2010

Por Felipe Liberal*

Bastards, rebels and terrorists são as palavras que me fizeram chorar ontem à noite. Essas imagens acima são o reflexo de tudo que escrevi até hoje e que tento expressar, ostentando dias melhores.

É contra tudo isso que luto, que lutamos, nós, de esquerda, ultrapassados, retrógrados e “comedores de criancinhas”. É por conta disso que ainda insisto, que ainda sinto vontade de estar aqui, gritando nesse vazio interminável e denso onde estamos metidos 24 horas, todos os dias.

Essas imagens são de um helicóptero Apache estadunidense, em Bagdá, de onde se comunicam os bravos soldados democráticos e libertadores com a torre em terra. Através do rádio, os soldados avisam: “Have five or six individuals with AK 47s” e daí pedem permissão para atirar, pois eles disseram que os “tais” carregavam fuzis e lançadores de granada.

A permissão foi dada e junto com ela surgiram tiros e uma nuvem de fumaça e sangue. A fumaça suja de sangue vinha de dois civis, jornalistas da Reuters, Namir Noor-Eldeen e Saeed Chmagh, mortos pelo exército norte-americano. Um deles ainda tenta, se arrastando, chegar a uma van preta que tenta também ajudá-lo, mas uma nova rajada de tiros detona o veículo, que possuía duas crianças no seu interior, que, por sorte, saíram apenas feridas.

Essa é só uma amostra do que acontece no Iraque. Milhares de vídeos como esse não são divulgados, por se tratarem as vítimas de civis anônimos e invisíveis.

O imperialismo é isso, para quem o defende. Os Estados Unidos da América são isso, para quem os defende. A democracia e a liberdade americanas são isso, para quem as cultua. Tudo que escrevo não é apenas raiva ou ódio do capitalismo ou imperialismo, mas indignação e tristeza com o que eles geram como consequência inevitável.

O maldito sistema pede sangue, morte e desprezo pela vida humana. Ninguém em sã consciência pode negar que isso é uma prática do capitalismo, e não apenas dos EUA. A guerra é um fator econômico, que compra vidas através da morte.

Declaração Universal dos Direitos Humanos? ONU? A maior democracia do mundo? Respeito pela dignidade humana? Paz? Tudo isso parece piada diante das imagens da verdade.

A mentira nos condena à moderação, aos caminhos da aceitação, à burra imparcialidade e à venenosa omissão. Essa é a verdade, meus amigos e amigas, essa é a mais pura verdade do que acontece todos os dias no planeta Terra.

Hugo Chávez, Mahmoud Ahmadinejad e Fidel Castro são criancinhas, comparados a pessoas como Reagan, Bush ou Obama.

O mundo precisa entender quem são os verdadeiros culpados pela nossa terrível situação como seres humanos. Saiamos desse conto de fadas falado em inglês e comprado em dólar. Precisamos entender e combater os verdadeiros Bastards, rebels and terrorists do mundo real.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: Pré-sal – Egoísmo e hipocrisia

18/03/2010

Por Felipe Liberal*

Quem foi aquele que reclamou do protecionismo americano em relação aos países mais pobres? Quem foi? Enlouqueceu?

Quem foi aquele que falou mal de Clinton, Bush pai e baby Bush sobre a exploração econômica, se valendo de superioridade financeira e social? Como podem? Vocês são um bando de hipócritas de 5ª categoria!

Muitos dos mesmos que abominam essa prática dos países “abençoados por Deus” estão a favor da ganância e egoísmo praticados pelos cariocas e fluminenses, que estão querendo tomar todo o dinheiro dos royalties do petróleo unicamente para os estados que fornecerão à Petrobras seus territórios para a exploração petrolífera do mar negro ali existente.

Onde estão agora os sentimentos de solidariedade e unidade nacional? Cadê o patriotismo? Regionalismo e “bairrismo” não são para radicais de esquerda e comedores de criancinhas? É difícil de entender tamanha contradição.

Mesmo como historiador não saberia contar quantos braços foram escravizados no nordeste durante os séculos XVII e XVIII, para produzir riquezas que foram da fronteira do Uruguai até a fronteira com a Venezuela, enchendo os bolsos de quem trabalhava com o comércio de açúcar e algodão.

Já no final do século XIX e em todo o século XX, também não saberia contar quantos braços nordestinos foram “escravizados” para tornar o Rio de Janeiro, e principalmente São Paulo, o que são hoje. A dívida histórica é monstruosa. E mais monstruosa ainda é essa fragmentação nacional, quando na verdade se fala de uma riqueza que pertence à União, ao Brasil como um todo.

Todos os brasileiros, sem exceção, devem e merecem beber um pouco desse petróleo, receber investimentos vindos do dinheiro do petróleo, principalmente devido à importância quantitativa do problema.

A camada do pré-sal é gigantesca.  Não estamos falando de uma pequena mina de carvão descoberta no interior do estado do Acre ou uma minúscula jazida de ouro aberta sob o solo do Tocantins.

Temos que analisar o fato isoladamente, observando a tremenda injustiça que estão querendo fazer com os estados-membros que precisam de ajuda urgentemente. Nada e nem ninguém cresce sozinho.

Igualmente ao planeta Terra, o Rio de Janeiro nunca se tornará uma potência dentro do Brasil, se os problemas dos outros estados não forem combatidos e resolvidos.

Tem que haver um sentimento de partilha e solidariedade para que todos nós possamos crescer juntos, sem distinção, tornando o Brasil um grande País, e não um grande Rio de Janeiro dentro de um pequeno e medíocre Brasil.

Como dizia o finado Raúl: “… Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só…”.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: O Haiti e a natureza opressora

21/01/2010

Por Felipe Liberal*

O país mais corajoso do mundo, hoje fede a cadáver e incerteza.

A incerteza sempre foi parte constante do Haiti, os cadáveres também. A mesma incerteza desde a época da colonização francesa. A mesma incerteza que existia até o tremor que comoveu até quem não se comove – vide Bush -. A mesma incerteza de um país desgraçado que só foi “descoberto” por causa de uma catástrofe sanguinolenta.

O país caribenho foi a primeira nação da América Latina a fazer sua independência, e o único país das Américas que conquistou sua autonomia política como consequência de um levante de escravos, o maior já visto. Conquistou tudo através da força e da coragem.

Antes do terremoto, esse pequeno país vivia outros tipos de tremores, talvez menores, porém mais intensos e prolongados. Os tremores das grandes empresas e corporações, que forçaram e transformaram o salário mínimo do Caribe em uma espécie de “cartel do preço baixo”. O desemprego antes do terremoto era de 70% em grande parte do país – agravado após a onda de privatizações e “invasões” dessas mesmas empresas – e a mortalidade infantil beira níveis absurdos, jamais vistos nos piores países africanos. Todo o avanço de um povo lutador e bravo foi sendo fragmentado pela ganância e praticidade dos “filósofos de plástico” do capitalismo.

A efervescência social e o aquecimento dos movimentos sociais que começavam a se organizar e crescer no país (apesar das intervenções da ONU) começavam a dar sinais de esperança e otimismo para as redondezas haitianas, até que essa catástrofe sem culpados faz desmoronar todo um país e um povo. Uma bomba atômica de tremor que a natureza jogou sobre seus filhos, mostrando seu lado opressor.

A História e a essência do Haiti estão em tudo que aconteceu antes do terremoto. É disso que o mundo precisa pensar e lembrar. O que aconteceu depois disso é só lamentação, dor e solidariedade. Mesmo que para alguns essa preocupação seja hipócrita, acredito que a comoção e mobilização mundial seja a mínima saída para tentar ajudar o povo mais corajoso do mundo. Força guerreiros!

Seres humanos de todo o mundo, uni-vos.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: Geopolítica – Nada de novo no Front Oriental

03/11/2009

Por Raphael Machado Silva*

Como já era de se esperar, o colaboracionista afegão Hamid Karzai permanecerá Presidente do Afeganistão. Seu rival, Abdullah Abdullah, subitamente desistiu do segundo turno, citando certas práticas da comissão eleitoral como causa.

Contudo, a verdadeira razão demorará a surgir, se o fizer. Questionar a “legitimidade democrática” do governo Karzai é inútil. O Afeganistão é um país invadido e ocupado por uma força hostil, portanto, não há que se falar, ou mesmo que se preocupar, com tais fatores quando quem permanecerá definindo diretrizes e objetivos será a força de ocupação.

Venceu aquele que melhor se adequava à estratégia dos invasores. Poderíamos ter sido poupados de tanto teatro, simplesmente, com uma declaração direta de que Karzai permaneceria no cargo e com poderes extraordinários, até a vitória “aliada” na Guerra.

O problema é que, teoricamente, a Guerra do Afeganistão já foi vencida. Pelo menos foi isso que o Presidente americano pretérito, George W. Bush anunciou publicamente. É o tal “Mission Accomplished”.

Agora os EUA estão experimentando uma nova estratégia. Tropas americanas estão se afastando das fronteiras do Afeganistão com o Paquistão, ao mesmo tempo em que o exército paquistanês está engajado em um grande ataque contra o Talibã, na região Noroeste do país. A esperança americana é poder vencer a guerra usando os recursos humanos paquistaneses, dessa forma evitando ter de enviar ainda mais tropas, como se tem cogitado, e evitando o desgaste político e diplomático do Presidente-Messias Obama.

Assim, o Messias da Paz, que trava atualmente duas guerras e ameaça um terceiro país, conseguiu colocar mais uma nação em absoluto estado de guerra, causando no Paquistão caos generalizado, inúmeros atentados, o recrudescimento das insurgências tribais e o aumento do sentimento antiocidental entre os nativos. Os recentes conflitos no Paquistão, em várias de suas fronteiras, levaram mais de um milhão de pessoas a abandonarem suas casas para fugir dos bombardeios e explosões.

Para realizar esse trabalho sujo, os EUA sabem quem “convocar”. Como sempre, os EUA colocaram um governo-marionete na liderança de um país, para que o mesmo massacre a própria população. Como na maioria dos países muçulmanos em que os EUA conseguiram isso, a população civil é radicalmente a favor do “inimigo”. Sim, os paquistaneses, em geral, vêem os Talibãs como amigos e os americanos como inimigos.

Em verdade, a situação local é cada vez mais clara. O governo americano nem ao menos se digna a pedir permissão ao governo paquistanês para realizar bombardeios em seu território. Seria burocracia inútil. Já é o bastante que Islamabad seja avisada dos bombardeios logo após os mesmos.

E se surgirem problemas na região? Apenas o governo local sofrerá as consequências, pensam os estrategistas americanos. Se de início, o Paquistão tinha apenas que lidar com o Talibã (além de cuidar da Caxemira, na fronteira com a Índia), agora o exército paquistanês enfrenta rebeldes da etnia Pashtun, rebeldes na província de Punjab e na província do Waziristão, além de crescentes atentados terroristas contra representantes do governo. A maioria desses conflitos teve início apenas nos últimos anos e estão relacionados ao intervencionismo americano na região.

Mas se essa estratégia não se desenvolver como planejado, e me parece que ela é fraca demais, e o atual governo pró-americano do Paquistão for derrubado, sendo em seu lugar instaurado mais um governo islâmico antiocidental? Como isso não afetaria as guerras no Afeganistão e no Iraque?

A estratégia americana na região parece cada vez mais desesperada. Resultado claro de uma sequência de presidentes estrategicamente incompetentes, com o pior de todos sendo o pretenso Messias da Paz, Obama, o qual está cercado por loucos, como Hillary Clinton, que afimou estar preparada para “obliterar” o Irã.

Lá vão o Messias e seu bando, sendo adulados pelas massas acéfalas, enquanto distribuem morte e destruição em vários países do mundo. Se com isso os mesmos ao menos conseguissem realizar os objetivos estratégicos nacionais, eu até poderia relevar algumas questões.

Ao contrário, agem como crianças que havendo achado os brinquedos do irmão mais velho, mas sendo novos demais para saber usá-los, quebram tudo e no fim, fingem inocência, atribuindo a um terceiro, todas as suas culpas.

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.

Coluna do dia: Crônica – A teletela, a verdade e a mentira

08/10/2009

Por Felipe Liberal*

Lá pelos idos de 1948, um “feiticeiro” inglês de nome mentiroso chamado George Orwell, escreveu um livro que abalou o mundo e pouca gente conhece. A obra 1984 parece ser um livro de magia, uma previsão de um tempo triste, onde nós somos dominados por um regime invisível chamado de Grande Irmão (Big Brother) e vigiados por uma caixa de madeira que dita ordens, a Teletela. Apelidada por nós, humanos e mortais, de televisão, a caixa de madeira ganhou força, move montanhas, abre mares e define quem vive e quem morre.

Deus inventou a mediocridade humana e o Diabo inventou a televisão (ou foi o contrário?), esta que caminha de mãos dadas com a publicidade e a propaganda. Mas a televisão mata? A publicidade assassina?

Alguém sabe que a empresa inglesa Hugo Boss vestiu o exército nazista no front de batalha e nos campos de concentração? Você sabia que os prisioneiros dos campos de concentração nazistas trabalharam – de graça – nas fábricas da Volkswagen, BMW, Siemens, Bosch e Krupp? E que os aviões nazistas voavam com o combustível da Standard Oil e seus soldados viajavam em caminhões e jipes da Ford? Não sabia? Claro que não! A publicidade escondeu tudo e comprou todos, levando ao saldo de cinco milhões de vidas queimadas, torturadas e humilhadas nos campos de extermínio.

A televisão não mostrou quando, em 1979, o arcebispo de El Salvador, Oscar Romero, viajou para o Vaticano mendigando uma audiência com o Papa João Paulo II para denunciar as atrocidades que o regime militar de direita estava fazendo com a população salvadorenha. Ninguém ouviu nada. Oscar também bateu na porta de várias emissoras de televisão da Itália, mas ninguém ligou. Sem falar das omissões das emissoras brasileiras durante o nosso regime militar, favorecendo todas as torturas e desaparecimentos.

Em 1984, ninguém ouviu e nem soube dos “gritos de pavor” de Leonardo Boff dentro dos calabouços do Vaticano, quando a Santa Inquisição (agora com um nome mais discreto – Congregação para a Doutrina da Fé) o chamou para indagar sobre sua tentativa de salvar os pobres da América Latina. A Igreja do Medo e a televisão vivem ansiosas para cravar na cruz qualquer “filho de carpinteiro”, desses que andam pelo mundo influenciando pessoas e chateando impérios.

Quando a televisão e a Renault, na década de 90 do século XX, esconderam os níveis de poluição em Paris (causados principalmente pela emissão de gases dos carros), morreram dezenas de pessoas por problemas respiratórios. Se a mídia mostrasse todas as atrocidades cometidas contra os palestinos nas redondezas do Estado de Israel, milhões de vítimas poderiam ser evitadas.

O novo EUA, versão 2009, já fez três intervenções militares, onde causou mais de 200 mortes, em apenas cinco meses de governo do Presidente muçulmano Barack Obama. Sem esquecer as 73 intervenções que fez o “Presidente da paz”, Bill Clinton, durante seu governo. Apenas duas de todas essas intervenções foram divulgadas. Sobre Bush, prefiro não comentar, pois nem a TV conseguiu esconder as milhões de vítimas no Oriente Médio.

A “caixa de madeira” não mostrou nem metade das atrocidades que estão sendo cometidas em Honduras, pela extrema-direita que tomou o poder. Líderes contrários ao golpe estão sendo torturados em galpões nos arredores de Tegucigalpa. Há fortes acusações de pessoas ligadas aos militares, de que integrantes do novo governo estariam enviando maletas de dinheiro para as emissoras de televisão dos países vizinhos e de dentro de Honduras, para amenizar as notícias sobre a matança e as torturas dentro do país.

São inúmeras as notícias que não existem, ficaria eu o dia todo escrevendo, que mesmo assim não teria fim. Não existem, porque não são transmitidas pela caixa de madeira. Vivemos em um mundo virtual, camuflado e mentiroso. O mundo real e verdadeiro está em outro lugar, inacessível e desconhecido.

Se você, caro leitor, for ao lugar mais distante, remoto e pobre do planeta, provavelmente encontrará um televisor, erguido como um troféu nas casas de barro de pessoas famintas, e nas telas, aparecerá a liberdade que é você escolher entre Johnnie Walker rótulo preto e Chivas Regal. A Coca-Cola mostra o caminho da felicidade. O leite artificial da Nestlé oferece saúde eterna. As camisas da Hugo Boss, distinção e charme. Os carros da Volkswagem dão uma nova vida e os cartões Master Card, riqueza.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

2ª Coluna do dia: As Olimpíadas e a essência da democracia

03/10/2009

Por Matheus Passos*

Geralmente, o chamado “senso comum” associa democracia a eleições. Assim, se um país tem eleições regulares, o mesmo seria democrático, já que permitiria ao povo expressar suas opiniões a respeito de que grupo político deve governar o país.

Logicamente, o conceito de democracia vai muito além de eleições. Tendo como base as ideias de Bobbio, expressas em seu Dicionário de política, vemos que a democracia pressupõe a presença dos seguintes itens: 1) Membros dos poderes Legislativo e Executivo eleitos direta ou indiretamente pelo povo; 2) Todos os maiores de idade devem poder votar, sem distinção de raça, de religião, de sexo ou de renda; 3) O voto deve ter o mesmo peso para todos; 4) Todos devem escolher suas opções de maneira livre; 5) Devem haver no mínimo duas alternativas distintas ao eleitor; 6) Aquele partido que obtiver maioria vence; 7) Nenhuma decisão tomada por maioria deve limitar os direitos da minoria, de um modo especial o direito de tornar-se maioria, em paridade de condições.

Além dos itens acima – que correspondem a uma definição bastante formal de democracia –, eu incluiria outro item, que é bastante subjetivo: o respeito à opinião do outro. Esta ideia não está associada à ideia de garantir que o outro se expresse, ou seja, não se refere apenas à ideia de liberdade de expressão: está relacionada a um elemento que, na disciplina de Antropologia, é chamado de relativismo cultural. Neste sentido, deve-se ter em mente que não existem sistemas sociais (jurídicos, políticos, econômicos…) melhores ou piores, superiores ou inferiores: existem sistemas sociais (jurídicos, políticos, econômicos…) diferentes.

A liberdade de expressão não deve ser entendida como “tolerar a opinião do outro”, porque quando eu afirmo que tolero o que o outro pensa ou o que o outro tem a dizer, estou implicitamente me colocando como superior ao outro – e não devemos imaginar que o sistema social (jurídico, político, econômico…) no qual vivemos é, necessariamente, o melhor, o mais correto, o mais avançado.

É nesse sentido que a definição das Olimpíadas como tendo lugar no Rio de Janeiro em 2016 serve como um exemplo para mostrar o quanto nosso País ainda precisa avançar em seu elemento democrático. Para provar tal argumento, faço apenas uma única pergunta: Foi bom o Rio de Janeiro ser escolhido como sede das Olimpíadas?

Haverá aqueles que dirão que não, e alguns argumentos para se ser contra as Olimpíadas poderiam ser os que se seguem. O orçamento está previsto em R$ 25 bilhões e é muito dinheiro para apenas um evento. Provavelmente, tal orçamento acabará ficando maior, seja por superfaturamento, seja por corrupção, seja por atraso das obras, o que leva a um gasto excessivo. Serão construídos estádios, salas de imprensa e uma vila olímpica que ficarão para a posteridade e não serão usadas para nada. O País tem outras prioridades e o dinheiro poderia ser investido em outras áreas que são mais importantes. O tráfico no Rio irá se esbaldar com os turistas estrangeiros. E por aí vai.

Por outro lado, haverá aqueles que defenderão as Olimpíadas. Poderão argumentar que parte dos R$ 25 bilhões previstos como gastos já estavam orçados e seriam utilizados de qualquer jeito – o que as Olimpíadas fazem é apenas acelerar o processo. Ou então que os R$ 25 bilhões correspondem a apenas 1% do PIB atual e que este valor será diluído em sete anos – portanto, o impacto em termos de gastos será pequeno. Ou que o projeto olímpico, em termos de melhorias de infra-estrutura, é realmente necessário, e que as mudanças na área de transportes, por exemplo, irão melhorar a vida dos cariocas. Ou ainda que a decisão nada mais é do que o reconhecimento internacional do Brasil e que a sede, sendo aqui, trará mais visibilidade – e consequentemente investimentos – em nosso País.

Qual visão é a certa e qual é a errada? Ambas podem estar certas e ambas podem estar erradas e minha pergunta é apenas retórica porque, no contexto de um pensamento efetivamente democrático, não poderíamos perguntar “qual é a certa e qual a errada”. No contexto democrático, haverá pessoas que concordarão que as Olimpíadas trarão mais prejuízos que benefícios, enquanto outras defenderão o inverso.

Contudo, independentemente da defesa de uma ou outra opinião, o indivíduo realmente democrático deve ter em mente que não pode menosprezar a opinião do outro, nem mesmo “tolerar”, no sentido afirmado anteriormente.

O indivíduo realmente democrático deve apresentar suas ideias, ouvir as ideias do outro e enxergar nas ideias deste outro algo diferente, mas não inferior ou superior – pois o pensamento de que algo é melhor do que outro dá ao primeiro, consciente ou inconscientemente, legalmente ou não, legitimamente ou não, o direito de achar que, por ser melhor, pode subjugar o pior, em uma espécie de “messianismo auto-declarado”.

A História nos mostra que tal superioridade auto-atribuída não leva a outro lugar que não seja a desunião, a discórdia e o extermínio. Deixo aqui uma pergunta no ar: Ao sermos democráticos, podemos realmente acreditar que existam os “mocinhos” e os “bandidos” no mundo?

Se sim, isto nos dá o direito de usar quaisquer meios para exterminar os “bandidos”? Não nos esqueçamos de que este pensamento dicotômico, que enxerga o “meu” como melhor e que enxerga o “outro” como pior e que, consequentemente, não respeita o outro por ele ser “pior”, deu origem ao nazismo e ao Holocausto, bem como ao pensamento recente de George W. Bush de que “nós somos os bonzinhos e eles são os malvados” – com todas as consequências negativas que qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento sobre o assunto pode observar.

*Matheus Passos é colunista do Perspectiva Política aos sábados, é cientista político e editor do Blog do Prof. Matheus

Coluna do dia: Enola, a malvada – 64 anos da bomba de Hiroshima

07/08/2009

Por Yashá Gallazzi*

Quando esta coluna for publicada, já estaremos na sexta-feira, dia 7 de agosto. Mas eu esclareço que escrevi estas linhas um dia antes, quinta-feira, dia 6 de agosto. O dia em que o mundo relembra aquela que considero a pior e mais macabra homenagem que um filho já fez a uma mãe.

Os leitores mais atentos já entenderam que me refiro ao aniversário do ataque atômico desferido contra Hiroshima, em 6 de agosto de 1945, já no final da segunda grande guerra mundial. Há exatos sessenta e quatro anos o mundo conheceu um horror até então inédito, diferente de tudo o que já fora experimentado pela humanidade. Quando a malfadada bomba, composta por cerca de 60Kg de urânio, foi arremessada sobre aquela cidade japonesa, o que se viu foi um breve esboço do armagedon, com o fogo consumindo tudo e todos que estavam no lugar. E todo esse cenário de destruição serviu para prestar honras a Enola, mãe do piloto que atirou a arma nuclear. E ele, imbuído por sabe-se lá qual espírito, achou por bem batizar aquela que então era a mais poderosa arma de destruição com o nome da mãe. Enola… Uma americana que, como tantas outras, viu seu filho partir para a guerra. Não acredito que ela esperasse semelhante presente. Penso que teria se dado por satisfeita apenas recebendo seu filho de volta dos campos de batalha, preferencialmente livre dos conhecidos transtornos pós-traumáticos que o acometeram.

Como alguém que se orgulha de prezar a democracia e o sistema de liberdades individuais, não posso deixar de me confessar triste ao lembrar o que se passou naquele longínquo 6 de agosto de 1945. É impossível se regozijar com aquilo que aconteceu em Hiroshima, onde milhares de inocentes foram tragados pela onda violenta formada a partir de anos de guerra. Uma guerra sangrenta e dura. Talvez a mais dura que o mundo já conheceu. Mas o pior, confesso, é pensar naqueles inocentes que sequer estavam lá em 1945, mas que foram perseguidos e capturados pelos tentáculos atômicos da bomba. Descerebrados, alienados, mutilados… Homens, mulheres e crianças… Todos igualmente vítimas de Enola e seu poder de devastação inigualável. É sem dúvida um dos episódios mais sombrios da história humana, que diminui a todos nós. É uma data que viverá na infâmia, como disse o Presidente Roosevelt sobre… o ataque a Pearl Harbor! Aos que pensam que me perdi em divagações, tranquilizo: Estou apenas cuidando de rememorar um contexto histórico especialmente conturbado, a fim de construir uma análise sóbria que passe ao largo de alguns lugares-comuns assaz conhecidos.

Não estou entre aqueles que se deixam seduzir pelo antiamericanismo bocó, típico do terceiro-mundismo primitivo. Pelo contrário até: sou bel “filoamericano” mesmo. Para que tenham uma ideia, reconheço-me naquele estreito grupo de pessoas que entendem a importância dos Estados Unidos para o resto do mundo civilizado, especialmente a partir da segunda grande guerra. Não fossem os americanos – e o sempre importante Winston Churchill, Hitler teria marchado sobre toda a Europa, subjugando os valores morais sobre os quais o Ocidente se erigiu. Ainda hoje, por exemplo, custo a compreender o sentimento antiamericano dos franceses, que devem sua liberdade ao desembarque na Normandia. Por que esta tergiversação agora? Porque recuso-me a comprar a teoria que classifica o ataque atômico a Hiroshima como uma maldade do império americano contra um pobre povo indefeso. Isso é apenas tolice provinciana, nada mais!

A segunda guerra mundial foi um conflito com dois lados bem definidos: o bem, representado pelo ocidente democrático, e o mal, incorporado pelo nazismo e pelo fascismo. Qualquer um com dois neurônios e um pouco de senso lógico sabe que não há escolha possível entre tais campos. A escolha está feita de per si: cumpre alinhar-se com o bem. E qual era o objetivo do Ocidente democrático? Derrotar aquele que até então era o mal absoluto, eliminando-o da face da terra. Estados Unidos, Inglaterra e todos os demais países que representaram o bem pegaram em armas porque era preciso defender os valores que fazem da nossa civilização uma civilização! O inimigo, encarnado por Hitler e pelos fascismos italiano e japonês, representava a morte do mundo tal qual o conhecemos hoje. Nenhuma guerra é boa, dizem os pacifistas. E estão certos. Mas algumas são imprescindíveis! A segunda guerra mundial foi uma delas.

O horror havido em Hiroshima foi, a meu aviso, um erro de análise militar. Acredito que a força do exército americano – e dos demais aliados – poderia vencer o Império Japonês sem o recurso àquela bomba, injustamente chamada de Enola. Principalmente, estou convencido de que a guerra midiática teria sido vencida com enorme facilidade, caso Truman não tivesse lançado mão da tal arma. Guerra midiática, eu disse? Sim, isso mesmo. Os americanos e seus aliados venceram a guerra militar, para nossa sorte e para sorte de todo o mundo civilizado. Já aquela da propaganda, sabe-se, foi vencida pelo antiamericanismo – que muitas vezes se confunde com o pacifismo.

Muitos especialistas no assunto, por exemplo, sustentam ainda hoje que o ataque atômico acabou sendo a solução militarmente mais adequada. Eu, que não entendo muito de táticas militares, só posso ler as várias interpretações e construir minha própria análise a partir delas. Diz-se, por exemplo, que o número de mortos no caso de uma invasão por terra ao Japão seria muito superior aos cerca de cem mil mortos provocados por Enola. Sustenta-se, com base em estudos empíricos, que a duração do conflito poderia se estender por pelo menos mais uma década, caso fosse feita a escolha pela ocupação do território inimigo. E a história nos conta que Truman teve todos esses cenários à mesa antes de decidir que rumo tomar. Escolheu, como sabemos, a solução mais rápida, mas que só os canalhas podem considerar mais fácil. Não havia bandidos genocidas daquele lado – o lado do bem -, mas homens honrados tentando encontrar uma forma de salvar o nosso mundo. Eu, hoje, posso dizer que a escolha deles foi dolorosa. Mas não posso dizer que, fazendo outra, a coisa teria sido mais fácil.

A guerra da propaganda, estimulada pelo antiamericanismo do mundo, tratou de inverter a realidade e colocar os Estados Unidos na posição do império assassino, que subjugou com força desproporcional – eles adoram essa expressão – um inimigo muito mais frágil. Nada mais falso! O império do mal era o Império Japonês e seu fascismo assassino, que promovia expansão militar e territorial por meio de campanhas dignas de fazer inveja aos bárbaros de outrora. O ranço que certo pacifismo “woodstockiano” promoveu contra a América criou uma relação de causa e efeito entre Pearl Harbor e Hiroshima, coisa que não passa de trapaça retórica e moral. Mesmo porque – e aqui vai uma constatação muito importante – o ataque dos kamikazes foi moralmente muito pior do que a bomba chamada Enola. E eu não estou aqui falando apenas de aritmética, mas de valores, de ética. Uma ética que até nas guerras sempre existiu, mas que o fascismo, com sua obsessão por tudo o que é mais abjeto, tratou de violar.

O ataque japonês a Pearl Harbor foi aquilo que hoje se poderia chamar de terrorismo. Os japoneses de então estão para aquela guerra como os assassinos da Al Qaeda estão para o 11/9. E Hiroshima? Bem, como todos sabemos o lançamento da bomba não foi uma tática para dar início a um combate. Foi, antes, a maneira que se achou de por fim a ele, forçando à rendição o último arrimo de sustentação do forte fascista, que insistia em não ceder. Não preciso aqui lembrar, por exemplo, que o governo americano exortou os japoneses a pôr fim às hostilidades, inclusive advertindo que poderia lançar mão de uma arma muito poderosa. Ainda assim, o Império resistiu. Durante quanto tempo os Estados Unidos tentaram vencer de outra forma? Foram quatro anos! Quatro anos entre o atentado terrorista a Pearl Harbor – que não pode ser justificado sob nenhum ponto de vista moralmente aceitável – e o lançamento de Enola. Quatro anos! Digam o que quiserem, mas é impossível classificar o que houve em Hiroshima como vingança, ou como retaliação. Foi, isso sim, uma manobra militar e, como tal, deve ser encarada e julgada.

Eu a condeno, hoje, porque hoje me é dado conhecer todos os seus reflexos. Hoje sei as sequelas que centenas de milhares de inocentes tiveram – e tem – que suportar. Hoje sei que isso alimentou – e alimenta até hoje – o antiamericanismo rasteiro que tanto atrasa o mundo. Mas isso eu sei hoje, depois de consumados os fatos. Da mesma forma que sei o quanto era imprescindível vencer aquela guerra, colocando fim ao jugo nazista e fascista. Da mesma forma que critico a guerra do Iraque em razão de sua estratégia patética de ação, orquestrada por um presidente Bush que acreditou em uma vitória rápida e fácil. Mas não posso – e não consigo – criticar a guerra contra o terror, porque o terrorismo praticado pelo fascismo islâmico precisa ser detido hoje, da mesma forma que o fascismo do Império Japonês precisava ser detido então.

Não se trata, como percebem, de ser contra ou a favor da bomba atômica. Como já disse: ninguém com algum senso democrático e de humanidade pode ser a favor de semelhante massacre. Trata-se, isso sim, de olhar a história com olhos sérios, julgando homens e fatos a partir dos valores que temos e sobre os quais nossa história de civilização foi construída. Essa mesma civilização que os aliados lutaram vigorosamente para salvar na segunda grande guerra. Sob tal ótica, digo que vencer a guerra era um imperativo moral e categórico, mesmo porque os nossos valores, uma vez preservados do inimigo, nos permitem analisar as ações pretéritas, condenando aquilo que de errado foi cometido por nós ou por nossos antepassados. Os valores deles, caso tivessem prosperado – caso Pearl Harbor tivesse sido vitorioso – não seriam assim tão complacentes para conosco. Basta ver o que foi o nacional-socialismo de Hitler, moldado às custas de campos de concentração e de limpezas étnicas. De todas as infindáveis vítimas que aquela guerra fez – e foram inúmeras – confesso que uma das que mais me comove é Enola. A mãe, não a bomba. Ela não merecia isso.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: Hussein não morreu – Ele vive e prejudica a democracia

24/07/2009

Por Yashá Gallazzi*

Esta semana resolvi propor aos leitores um pequeno exercício de imaginação. Suponhamos que em um pequeno país, pouco importante no cenário internacional, o chefe do Poder Executivo, democraticamente eleito pelos cidadãos, decida, de inopinado, subverter a ordem constitucional estabelecida, a fim de subjugar as demais instituições públicas e se perpetuar no poder. Suponhamos ainda que tudo isso seja planejado com o auxílio – material e ideológico – de outros países, formando uma organização plurinacional norteada pelos mesmos objetivos: a derrota do sistema capitalista e daquilo que eles chamam de “imperialismo”, e a construção de uma nova sociedade nos mesmos moldes daquelas erigidas, no passado, a partir do socialismo.

Diante de um quadro de tal natureza eu pergunto: não seria correto se as demais instituições públicas daquele país – as que seriam estupradas pelo Executivo revolucionário -, juntamente com o apoio logístico das Forças Armadas, reagissem a fim de garantir a democracia, retirando do poder o galhofeiro? Sim, claro que seria!

Ora, não é preciso nenhuma explicação adicional para que os leitores percebam que a minha situação hipotética é, na verdade, muito real. Sim, estou falando de Honduras e do seu governo interino constitucionalista, que derrubou o mequetrefe instalado pelo bolivarianismo chavista naquele país.

A lógica pura e o direito não deixam margem para qualquer dúvida: a ação das Forças Armadas hondurenhas foi absolutamente legal, pois o delinquente chamado Manuel Zelaya perdeu automaticamente seu cargo quando tentou promover a tal consulta popular, julgada ilegal por todas as instâncias democráticas do país. Está lá, estampado na Constituição de Honduras de forma indelével: todo agente público que atuar no sentido de aumentar o mandato do presidente estará, de plano, destituído de suas funções. Logo, meus caros, não se pode falar em golpe praticado pelos militares, pois eles não retiraram do poder um Presidente, mas um bandidinho de quinta categoria. Zelaya, quando foi escorraçado de Honduras usando apenas o pijama, não eram mais o chefe do Executivo, mas apenas um lugar-tenente do “mico mandante” venezuelano.

Quer dizer então que os militares hondurenhos não erraram? Não! Pelo menos não da forma que a tal “opinião pública mundial” pretende fazer crer. Se houve falha das Forças Armadas daquele país, esta consistiu em deixar o meliante escapar sem qualquer punição penal. Em verdade, Zelaya deveria ter sido processado e condenado pelos ilícitos que praticou valendo-se do cargo que ocupava. Mas não quero mais comentar a ação do governo interino e constitucionalista de Honduras. Essa já é uma página virada, afinal não se pode falar em golpe, muito menos em ditadura, não é? Quero me concentrar na ação deste homem chamado Hussein, que muitos de nós já acreditávamos morto. A verdade, porém, é que ele vive e se ocupa de envergonhar a tradição democrática dos Estados Unidos, colocando, de quebra, em perigo todo o ocidente.

Quem lê há mais tempo as colunas que escrevo aqui sabe: o mito construído em torno de Barack Hussein Obama, aquele que teria vindo ao mundo para nos salvar, nunca me contagiou. O messianismo e a retórica terceiro-mundista que o Presidente-de-ébano sempre empregou ao longo de sua trajetória cuidaram de acender a minha desconfiança. Ora, se nem estadistas da estofa de Lincoln, Washington, Roosevelt e Reagan prometeram salvar o mundo e expiar os pecados, por que eu deveria acreditar que esse pavão politicamente correto conseguiria fazê-lo? Francamente, Obama nunca foi mais do que uma piada aos meus olhos. Digam aí: qual foi o grande feito do governo dele até agora? Em que ele se destacou, além de discursos vazios e inúteis? Em nada! Por isso já foi atirado violentamente das nuvens ao chão. Por isso conta com a mesma popularidade que o demônio mundial que o precedeu, George W. Bush. Por isso também eu desisti de tentar vê-lo como “o novo”, como “a mudança”. Ele não é mais o pobre menino Barack, que venceu as dificuldades e o preconceito e se tornou presidente. Ele é Hussein e apenas Hussein.

E como seu xará lá do Oriente Médio, também parece nutrir uma simpatia especial por regimes fascistas, basta ver que não se cansa de fazer mesuras lisonjeiras à canalha mais vagabunda do globo. O Irã ameaça o mundo com seu totalitarismo? Ora, Hussein acha que dá pra resolver com uma conversinha… A Coreia do Norte ameaça varrer do mapa vários países? O bom Hussein acha que tudo é uma questão de paciência e diálogo… Aqui, na América Latina, o chavismo se transforma numa espécie de novo comunismo, criando uma grande União Soviética onde os satélites são subjugados por Caracas? Pois Hussein acredita que essa é a nova face do continente. Sabem quando o governo dele acabou oficialmente para mim? Quando acusou de golpismo o governo interino de Honduras, emprestando apoio à retórica vagabunda de Chávez. Nunca, jamais a rica e gloriosa tradição democrática americana deveria estender a mão a uma tirania tão mequetrefe como aquela. Isso simplesmente não tem desculpa!

Hussein, com isso, capitulou. Chegou ao fim. De agora em diante, só me ocupo em contar o tempo que falta até o final de seu paupérrimo mandato, rogando aos céus que ele não consiga se reeleger, sob pena de o Ocidente ser definitivamente atirado no colo das tiranias mais sujas do mundo. O sujeito não é “o novo”. Não é “a mudança”. Ele é só um intelectualzinho despreparado e assustado diante dos verdadeiros problemas do mundo – os mesmo problemas que ele, na campanha, prometeu resolver com um sorriso sedutor.

O Cristo de Illinois não tem um plano de governo, uma agenda de reformas. Nada! E desafio qualquer um a me demonstrar, com fatos, o contrário. Basta ver que a equipe dele se divide assim: um terço formado pelo “staff” dos Clintons (na área de política econômica e internacional), um terço de Republicanos (na área de defesa e segurança pública) e, por fim, um terço de “amigos do homem”. Coincidência ou não, sempre que alguém do gabinete dele esteve envolvido em irregularidades, verificou-se que pertencia ao último dos três terços… Tirem de Hussein os Clintons e os Republicanos e não lhe restará mais nada!

Plano de ação dele? Simples: fazer tudo diferente do que foi feito pelos antecessores, em especial George W. Bush, o hasmodeu aposentado. Assim, Hussein se torna refém do mito mudancista que ele mesmo criou, atando-se os braços e vendo-se sufocado pelas promessas utópicas que vendeu na campanha eleitoral mais cara da história do mundo. Por conseguinte, se Bush combatia o Irã, a Coreia e a Venezuela, Hussein se ocupa em defender tais regimes, pouco importando se são facinorosos e violentos. E, não. Eu sei que ele não empresa apoio direto àquelas ditaduras – só faltava essa mesmo! Mas o arrimo de sustentação moral delas, hoje, é a leniência com que o Messias negro resolveu conduzir as crises internacionais. Para ele, pouco importa se Chávez e seus “macaquitos” estão interessados em promover um banho de sangue em Honduras. Ele não quer saber se a trupe dos bolivarianos assassinos vai mesmo dinamitar as bases de todas as democracias da América Latina. O raciocínio de Hussein é mais linear: “Eles querem fazer isso e eu permito, em nome da autodeterminação dos povos. Assim, mostro-me diametralmente o oposto do meu antecessor, que era tão odiado.”

É assim que Hussein pretende mudar o mundo: retirando apoio de governos constitucionais e emprestando solidariedade a golpistas, terroristas, narcotraficantes e fascistas. É essa a esperança renovadora pela qual o mundo “pogreçista” e politicamente correto se apaixonou. Espero que ela mingue o mais rapidamente possível, como a popularidade do bandoleiro de Harvard.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: O Taliban

10/07/2009

Por Yashá Gallazzi*

taliban

Em mais de uma ocasião acabei provocando alguma polêmica ao defender de forma veemente a civilização ocidental e seus valores, notadamente a democracia e o sistema de liberdades individuais. No mais das vezes, as discordâncias giram em torno da suposta intolerância que me caracterizaria ao falar dos que considero inimigos da nossa civilização e, se querem saber, acho que meus críticos estão mesmo cobertos de razão. Eu realmente não tolero os valores que se mostram antagônicos aos nossos, porque – e aqui levanto mais uma polêmica – o Ocidente é moralmente superior aos seus algozes. Simplificando, posso dizer sem medo de errar: ou lutamos pela hegemonia dos nossos valores, ou teremos a barbárie. E ao longo deste texto explicarei o porquê disso.

Li na Folha de São Paulo que o grupo terrorista Taliban, não satisfeito em promover aquilo que – se me permitem – passo a chamar de “terrorismo convencional”, explodindo inocentes em nome do propósito supostamente divino de destruir os infiéis ocidentais, decidiu descer ainda mais baixo, a ponto de chegar às portas do inferno, adentrar o reino de Lúcifer e, uma vez ali, assumir o lugar de Hasmodeu. O que houve, afinal? Segundo o que foi noticiado no jornal paulista, os fascinorosos terroristas estão comprando crianças – algumas de onze anos apenas! – para usá-las como instrumento de sua guerra teratológica. Explico melhor: pagando em média seis mil dólares por cada infante, a canalha adquire carne fresca para sacrificar em nome de sua “causa” sociopata. As crianças que, envoltas em bombas, explodem a fim de matar os cães do ocidente, não passam de mercadoria, pertences aos Taliban.

Eu, que sempre cultivei os mesmos valores éticos e morais aborrecidamente imutáveis, não preciso de mais argumentos para ter certeza do óbvio: somos moralmente superiores a essa gente torpe! E por uma razão bem simples: aqui, no ocidente, a regra geral é proteger e amar as crianças, garantindo-lhes a vida, o mais basilar de todos os direitos individuais. Por mais mazelas sociais que ainda enfrentemos, por mais injustiças que sejam cometidas diariamente contra nossas crianças, violadas e escravizadas, ninguém pode nos acusar de não alimentar os princípios e os valores certos e humanamente melhores. Pode parecer pouco, mas é o fundamental, afinal, os homens – que subvertem a ordem e a legalidade – passam, ao passo que os valores permanecem, simbolizando um inteiro povo.

Não há maneira de tergiversar. Aqui, o nosso norte moral nos impõe o dever de proteger nosso futuro, representado por aqueles que darão sequência à obra por nós iniciada. Não há nenhuma causa ou objetivo capaz de nos levar a sacrificar nossas próprias crianças. Já no Oriente, refém do fascismo islâmico, a causa principal que os move é a destruição da besta ocidental e, para tanto, se pode lançar mão de qualquer recurso, por mais espúrio que seja. Já não era segredo que o terrorismo encontra muita desenvoltura para assassinar inocentes – inclusive crianças – do “lado de cá”, afinal, eles não fazem distinção: somos todos infiéis. A novidade agora é perceber que eles também não hesitam em sacrificar seus próprios inocentes. Suas crianças. Seus filhos. Essa gente representa o mal absoluto e precisa, sim, ser detida. É imperativo que o Ocidente imponha, de fato, a supremacia dos seus valores, para escorraçar os bárbaros que tentam buscar a hegemonia no mundo.

Está evidente que me refiro à necessidade de se combater e vencer a chamada guerra contra o terror. Impedir que a escória do mundo continue sacrificando crianças inocentes em nome de uma “guerra santa” é um verdadeiro imperativo moral para nossa civilização. E para quem ainda não acredita em superioridade de uma cultura sobre outra, proponho um exercício revelador: Lembram de George Bush, o ex-Satã de todo o mundo progressista, humanista e pacifista? Pois bem, o Republicano, tão reacionário, tão conservador e tão belicista, não arregimentou uma única criança para mandar ao Afeganistão e ao Iraque, lutar pelos Estados Unidos e pelo Ocidente. Isso porque aqui nós escolhemos proteger nossas crianças, não assassiná-las. Se algo assim não for suficiente para demonstrar o quanto a nossa escala de valores é superior às demais, espero que alguém me diga o que seria.

Custa-me, por exemplo, entender a abjeta condescendência que alguns ocidentais insistem em nutrir para com os seus algozes, os islamofascistas. Basta lembrar que, quando da ação americana no Afeganistão, os pacifistas de um lado só se apressaram em condenar Bush, denunciando sua – como era mesmo? – “política imperialista” e advogando em favor da tal “autodeterminação” dos povos, que garantiria a qualquer grupo o direito de ter seus próprios imperativos éticos e morais. O ponto é que, nestes tempos sombrios de inversão dos valores mais basilares da civilização, essa tal “autodeterminação” deve ser entendida como o direito que cada povo tem de amarrar bombas às suas crianças, usando-as como armas de guerra. Isso, caros, não pode – e não deve – ser aceito por nós, ocidentais.

Cruzar os braços diante de horrores como os perpetrados pelos Taliban é permitir que os portais do inferno sejam escancarados e que os demônios ditem as regras destinadas a reger nossas vidas. Assistir de forma passiva às atrocidades que o fascismo islâmico pratica, em nome de sua cultura e de sua moral, é concordar com o fato de que a nossa moral já capitulou e nada mais pode. Isso é falso! Urge resistir e prosseguir no único caminho possível quando o assunto é o combate ao terrorismo: caçar o inimigo, encontrar o inimigo e matar o inimigo. Devemos destruí-los não apenas para garantir o futuro de nossas crianças, mas para permitir que as deles também possam viver para, ao menos, sonhar com um. Hoje, sabemos, elas têm a vida ceifada pelos fascínoras que lhes impõem a obrigação de carregar bombas presas ao corpo.

Lembro-me de Sir Winston Churchill, um dos grandes baluartes da defesa do mundo ocidental. Criticado pelo imperialismo das potências europeias, o britânico dizia: “não há mal que o Império Britânico supostamente tenha feito aos colonos, que não possa ser, em muito, superado pelo mal que os próprios colonos praticam uns contra os outros.” E isso vem resumir com especial grandiloquência o argumento central articulado ao longo deste texto. Ou temos a hegemonia dos nossos valores éticos e morais, ou só restará a barbárie.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: Obama, o marido traído

05/06/2009

Por Yashá Gallazzi*

A notícia que “contaminou” as manchetes do mundo hoje diz respeito à visita do Presidente-de-ébano, Barack Obama, a alguns países do Oriente Médio. O grande destaque, como sempre, não diz respeito às ações concretas do Messias negro – mesmo porque praticamente inexistentes –, mas, em vez disso, cuida de destacar a retórica sempre sedutora e salvacionista do homem, que pediu um “recomeço entre os EUA e o mundo islâmico”.

Obama, tal como o marido traído, ensaia uma postura de durão publicamente, ameaçando não tolerar qualquer deslize da fogueteira amada, já culpada de ter causado muita dor e mal no passado. Contudo, ao que parece, o amor que ele sente ainda persiste. E é muito forte! Tanto que o empurra a pedir um tal de “recomeço”, mesmo não tendo sido ele a dar causa ao suposto rompimento passado – afinal todo recomeço pressupõe um fim anterior…

Seguindo o protocolo que o fez famoso mundialmente, Obama tratou de dizer – queixo erguido em triunfo e olhar perdido no horizonte glorioso – que “América e Islã não são excludentes”, e “que dividem princípios comuns”. O que há de novo em tais frases? Rigorosamente nada! Mas admitamos: soam muito bonitas quando quem as diz é o Cristo havaiano, aquele ungido pela opinião pública mundial para nos conduzir até a paz perpétua kantiana. O curioso é que as tiradas de Obama sobre o Islã me soam muito familiares… Quem já disse isso antes? Ah, claro! Foi George W. Bush, o demônio aposentado. Sim, apertem a memória e será possível lembrar que, ao deflagrar a tal guerra contra o terror, o ex-Presidente afirmou exatamente as mesmas coisas, inclusive conclamando os povos do Islã a cooperar com as forças americanas, pois destruir os terroristas deveria ser um objetivo comum de todos os povos. Só que Bush, convenhamos, era antipático… E Republicano… E conservador, de direita e reacionário… Assim, é muito mais simples odiar o hasmodeu de pijamas e morrer de amores por Obama, não é?

As notícias de hoje também dão conta de que o Messias vivo falou que a América não quer manter suas tropas no Afeganistão e que a guerra no Iraque não precisa ser vencida. Eu não gosto de Obama. Eu acho que Obama, no mais das vezes, está sempre errado. Por isso, se ele quer tirar as tropas do Afeganistão, eu acho que o certo é mantê-las ali. E, quem sabe, reforçá-las ainda mais. Se ele quer perder no Iraque, eu acho que a guerra deve ser vencida, pois uma ilha de democracia incrustada no meio do Oriente Médio só pode fazer bem ao mundo. Se ele quer “recomeçar” com o Islã, eu só posso querer que a ruptura seja definitiva e irrevogável! Espero que o ocidente democrático e o Islã nunca mais voltem! Espero que nunca mais troquem uma mísera palavra! Espero que nunca mais nem se olhem na cara!

Mas, alto lá! De que Islã se está falando? Eu gostaria de saber de Obama, quando foi que os EUA – e o ocidente – romperam relações com o Islã. Ora, isso nunca aconteceu! E desafio qualquer um a demonstrar, com fatos, o contrário. Na verdade, a ruptura se deu entre duas visões morais e ideológicas de mundo incompatíveis entre si. A América – e o ocidente democrático – romperam com o fascismo islâmico, que alimenta o terrorismo de organizações pútridas como a Al Qaeda, o Hezbollah e o Hamas; rompeu com tiranias sanguinárias como as comandadas por Saddam, Ahmadinejad e o Taleban. Com o Islã – a religião – do profeta Maomé? Ora, não temos absolutamente nada contra isso! Nem nunca tivemos. O Islã é, de fato, uma religião de paz, que pode perfeitamente existir ao lado da tradição judaico-cristã sobre a qual se erigiu a civilização ocidental. E ninguém nunca disse o contrário. Nem Nixon, nem Reagan, nem muito menos Bush. Acreditar que as ações antiterroristas do ocidente são dirigidas contra o Islã – a religião – é acreditar na guerrilha midiática de propaganda fomentada pelo próprio terrorismo de molde fascista, praticado por uma gentalha que não merece carregar o Corão nas mãos!

E aqui reside o grande ridículo da fala de Obama no Egito: quem declarou que o ocidente está em guerra contra o Islã foram os terroristas financiados pelo fascismo islâmico. Foi gente como Osama Bin Laden que rompeu com o mundo democrático, razão por que não vejo justificativa para que o mundo democrático rasteje implorando por um “recomeço”. Que “recomeço” uma ova! Deve-se, isso sim, insistir na única via possível que existe quando o assunto é o terrorismo: caçar o inimigo, encontrar o inimigo e matar o inimigo. É apenas isso que pode garantir a sobrevivência da América, do ocidente e, também, de todo os mundo islâmico que quer a paz. Ou queremos crer que todo muçulmano se sente ultrajado quando um terroristas é abatido? Santo Deus! Uma coisa é o Islã, outra, bem diferente, é o fascismo de alguns, que se vale de uma interpretação rasteira do livro sagrado para matar inocentes.

Ao se confundir as duas coisas, falando em pacificar algo que nunca esteve em guerra, Obama apenas compra a tese estúpida criada por aqueles que pretendem transformar terroristas em mártires de uma causa sagrada. Presta, assim, um desserviço à causa democrática, a única que deveria nortear sua ação de governo à frente da nação que é a maior fiadora de todas as democracias do ocidente. A nossa civilização nunca rompeu com o Islã. Nem este rompeu conosco. Não há porque se falar em reconciliação e recomeço, portanto. Rompeu-se, isso sim, com o terrorismo de modelo fascista que foi inventado a partir de uma leitura deturpada do Corão. E com este não queremos nenhuma reaproximação. Queremos combatê-lo. E vencê-lo.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento