Postagens com a palavra-chave ‘Genocídio’

Coluna do dia: Ahmadinejad e a hipocrisia tupiniquim

24/11/2009

Por Raphael Machado Silva*

Essa semana, veio a estas nossas terras, sofridas e quase inóspitas, o Presidente de um dos poucos países (talvez o único) autenticamente soberanos deste Mundo aloprado e tresloucado no qual nós, Espíritos Livres (tanto quanto os Cativos) passamos nosso tempo entre o Não-Ser que há antes e o Não-Ser que há depois. Refiro-me, obviamente, a Mahmoud Ahmadinejad, Presidente do Irã sob a douta Auctoritas Espiritual do grandioso Aiatolá Khamenei.

Como verdadeiro amante do diálogo internacional (não é o Irã quem ameaça outros países de bombardeio, e nem é o Irã quem se recusa a receber inspetores da ONU), veio Ahmadinejad buscar uma tão benfazeja aproximação de cunho diplomático e econômico entre seu nobilíssimo e antiquíssimo país, herdeiro da Pérsia, e nossa triste terra tupinambá, ainda repleta de “selvagens”, mas que por ser obeso em tamanho e em PIB, e possuir mulheres e CEOs de fama internacional, vê a si mesmo como estando ‘a um passo do primeiro mundo’.

Um dos principais interesses que ambos os países têm em comum é o enriquecimento de urânio e a utilização de usinas nucleares para fins energéticos. Os dois têm feito avanços interessantes nesse sentido, e o Brasil até mesmo já pode se dizer ‘com alguma experiência’ na área, tendo até mesmo desenvolvido um método alternativo de enriquecimento de urânio.

Apesar de muitos medos, pois o Fantasma de Chernobyl ainda vive na mente de muitos, a Energia Nuclear se apresenta como uma das fontes mais eficientes e seguras, dentre as fontes de energia que poderiam servir como alternativa aos combustíveis fósseis. É belo que a partição da própria matéria-prima da existência seja capaz de liberar tamanha energia como o faz. Ainda que signifique algo temível e abominável, como tudo que é “divino”, o ‘Cogumelo Atômico’ possui tal magnitude e poder que inevitavelmente transmite uma sensação que só posso ver como análoga a estar diante de um aspecto de Deus. A total indiferença frente ao Humano, que não passa de uma formiga frente ao Macrocosmo… A sensação de expansão inelutável em direção ao infinito…

Essa impressão estética é compreensível, quando se apreende que estamos diante de algo tão primordial quanto a força que deu existência material ao Universo bilhões de anos atrás. O átomo é tanto força de Criação como força de Destruição. É oportuno lembrar de uma passagem do ‘Bhaghavad Gita’, mais importante obra espiritual do Hinduísmo, citada pelo cientista genocida Oppenheimer, responsável pelo Projeto Manhattan: “Agora tornei-me Morte, o Destruidor de Mundos.”

Deixando esse tema um tanto de lado, voltemos para o tema primário deste artigo.

Veio Ahmadinejad, líder democraticamente eleito do Irã, apesar da tentativa de golpe orquestrada pela CIA, e quão patética toda a reação dessa massa jornalística e “intelectualóide” brasileira, chorando e rastejando no pó, gemendo de ódio irracional e meramente repetindo mitos e ‘lugares-comuns’.

O que é mais cômico é que, alguns dias antes, quando recebemos alguém que realmente poderia ser dito como genocida, Shimon Peres, Presidente de Israel, absolutamente NENHUM desses indivíduos, de jornais grandes ou pequenos, disse uma única palavra sequer de desaprovação a respeito.

Ora, respeitáveis leitores, isso ocorre porque toda essa massa jornalística tem um lado que possui um quê de sionista. Quem diria que essa ideologia fincaria raízes tão fortes aqui no Brasil. Ou talvez minha surpresa seja indevida… Quem tiver disposição e coragem, que procure e leia “História Secreta do Brasil”, de Gustavo Barroso, membro da Academia Brasileira de Letras.

Só posso admitir que a maior parte desses sionistas brasileiros o seja por mera osmose. “Todos acham isso, então deve ser verdade…” Desafio qualquer um de vós, jornalistas anti-iranianos, a vir aqui me trazer a mítica “ameaça de genocídio contra Israel feita por Ahmadinejad.” Eu estou falando com seriedade. Desafio qualquer um a provar que tal citação apócrifa seja autêntica. Mas já afirmo de antemão que não admitirei como provas links do ‘The New York Times’, do ‘Haaretz’, ou de qualquer jornal de linha editorial similar. Quero o texto ou vídeo em que Ahmadinejad faz tal afirmação, com uma tradução feita para o português por alguém que fale sua língua.

Como é fácil distorcer palavras alheias ou mesmo as inventar… Principalmente quando se possui o monopólio da informação.

Só posso compreender o sentimento anti-iraniano como fruto de ignorância ou arrogância humanista. “Toda Nação deve possuir auto-determinação…”. Mas ai das nações que ousem contrariar os preceitos do Humanismo Liberal! Elas são más! Elas devem ser destruídas! Assim é que o Multiculturalismo mostra sua verdadeira face. Se todo país deve abarcar a todas as formas de auto-expressão e liberdade, então todo país deve ser idêntico e, portanto, não há diversidade.

Touché. Adoro brincar de assassinar ídolos. Principalmente “ídolos ideológicos”. Deve ser culpa das minhas leituras excessivas de Nietzsche.

“Devemos ter Tolerância”! Mas parece que isso não vale com relação a aqueles que discordam de nós verdadeiramente. Podemos tolerar que um indivíduo seja Social-Liberal, Social-Democrata ou Liberal-Democrata. Devemos tolerar essas diferenças. Mas coloque um tolerante humanista diante de, por exemplo, um fascista ou um muçulmano tradicionalista e veja como ele se transforma em alguém ululando de ódio, clamando por execução sumária e gritando slogans humanistas entrecortados por insultos vulgares.

Toda a tolerância humanista é muitas vezes uma máscara da mais profunda intolerância. Quanta hipocrisia.

Talvez seja pior viver sob o Totalitarismo Liberal. Em um país autoritário, todos sabem o que se pode fazer e o que não se pode fazer; o que se pode dizer e o que não se pode dizer; o que se pode ler e o que não se pode ler. Nas democracias liberais modernas, você pode fazer, dizer e ler tudo. A não ser aquilo que esteja em discordância com a ideologia oficial. Qual a diferença então?

Se há liberdade para questionar tudo, menos o Humanismo, menos a Moral Cristã, menos a Democracia, menos o Iluminismo, menos o Multiculturalismo, então não há liberdade nenhuma. Há um embuste. Há uma farsa.

Pior que a escravidão evidente e declarada é aquela que se disfarça trajando sem pudores as roupagens da Liberdade.

Quereis provar que estou errado?

Então começai atacando Israel, o ÚNICO país do Oriente Médio possuidor de armas nucleares e o ÚNICO que se recusa a receber inspetores da ONU. Começai pelos que hoje, enquanto você está sob lençóis de veludo, chacinam diariamente palestinos, usando para isso inclusive armamento proibido.

Qual poderia ser minha reação, senão rir até não poder mais, quando vi na televisão os tipos que protestavam contra Ahmadinejad, os quais certa rede de televisão abertamente sionista chamou de “representantes da sociedade civil”.

Festejemos a tolerância e o humanismo! Mas o façamos sob o som do fuzilamento dos que discordam de nossos “valores”. O humanista enche a boca para falar sobre a “desumanização” de minorias e outros “grupos santificados e vitimizados da modernidade”. Mas se o humanista se vê como representante do Bem, e todos que discordam essencialmente dele como representantes do Mal, quem é então o verdadeiro culpado pela desumanização? Olhai nos olhos de um humanista, quando ele fala de um inconformista. Ele olha com um olhar que é um misto de arrogância pequeno-burguesa e total desumanização do Outro.

“O Irã deve ter liberdade”! Menos para escolher ser Tradicionalista e Muçulmano. Caso isso ocorra devemos bombardear o Irã, até que ele seja salvo e aprenda o valor da tolerância.

Que os adormecidos despertem, que os cegos vejam e que os hipócritas passem a ter um mínimo de vergonha na cara, porque já está ficando difícil de aturar tudo isso.

Por fim, recomendo vídeo pouco divulgado que demonstra que Ahmadinejad dialoga com judeus e que prova que judaísmo e sionismo não são a mesma coisa.

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.

Coluna do Dia: O Bom, O Mau, O Feio e “o Cara”

16/11/2009

Por Arthurius Maximus*.

No próximo dia 23, o Brasil assumirá de vez o papel ridículo de lambedor de botas de ditadores.

Como se não bastasse levar Hugo Chávez goela abaixo, fazendo investimentos a fundo perdido na Venezuela, com o único objetivo de manter o governo bolivariano de pé (pois, sem os nossos investimentos a Venezuela já estaria à beira de um colapso alimentar sem precedentes); chamar de democratas os mais carniceiros ditadores genocidas africanos (alguns dos quais condenados e procurados pelo Tribunal Internacional de Haia e pela Corte Internacional dos Direitos Humanos); apoiar um intolerante egípcio para comandar a UNESCO (depois dele assumidamente pregar a queima de livros “não islâmicos” em praça pública) em detrimento de um brasileiro que seria eleito com facilidade; e ser condenado pela Human Right Watch, a mais importante entidade internacional de direitos humanos, por sua defesa apaixonada de países ligados ao terrorismo, a tortura e ao genocídio, o Brasil se alinha com o Irã e reconhece o seu direito de ser um Estado intolerante, genocida e guiado por patrocinadores do terrorismo internacional (um dos ministros iranianos não pode deixar o país pelo singelo fato de ser condenado por terrorismo internacional e procurado no mundo todo).

De todas as posturas erradas do governo Lula, a política internacional “do cara” é a que mais espanta. O amadorismo e a venda dos mais antigos preceitos e tradições da diplomacia brasileira em troca do apoio ao ingresso no Conselho de Segurança da ONU (um sonho nutrido pelo “estadista” Lula), já permitiram inúmeras saias justas ao nosso País. Como o reconhecimento da China como economia de mercado (em troca do apoio chinês ao nosso ingresso no Conselho – para, logo depois, a China, misteriosamente, passar a pregar a redução dos assentos permanentes) o que fez do Itamaraty motivo de chacota internacional ao ser enganado tão facilmente.

Agora, a mais nova afronta é receber em nosso território o “grande líder democrata e humanitário” do Irã: Mahmoud Ahmadinejad.

O País, em nome de um acordo comercial que sempre foi de ridículos caraminguás, jogará pela janela a sua tradição de defesa da democracia e de uma diplomacia alinhada com a visão da liberdade, do respeito aos valores éticos e da tolerância ao diferente para render homenagens a um governante que, entre outras coisas, persegue seus opositores, condena à morte quem fala contra seu governo, declara abertamente que deseja a aniquilação e o genocídio de outro povo e faz a absurda afirmação de que em seu país não há homossexuais.

É claro que o único país da terra a não possuir homossexuais tem uma fórmula mágica para a “cura” desse “terrível mal”: a pena de morte. Qualquer pessoa que se declare, seja flagrada ou que seja denunciada como homossexual no Irã é sumariamente “julgada” e condenada à morte por enforcamento. Como podemos perceber, a “cura” aplicada pelo “grande líder” que o Brasil abraça é extremamente ‘eficiente” e “democrática”.

Assim, enquanto o Brasil se une com o que há “de melhor” em matéria de intolerância, pensamento antidemocrático e “espírito não-humanitário”; o mundo e os brasileiros que ainda são capazes de pensar assistem a todo esse festival de arrogância estúpida torcendo para que esse governo acabe logo e que não se repita.

Um País que almeja ser uma das maiores potências mundiais não pode depender unicamente da economia para ser grande. Ele deve estar ciente de suas responsabilidades como nação e como fonte de influência geopolítica em sua região.

A aceitação da péssima influência de Hugo Chávez e a rendição das mais antigas e caras tradições brasileiras, em nome do apoio às ideias plantadas por esse senhor, estão fazendo de nosso País uma terra de arrogância, intolerância e um alvo da chacota internacional, do asco das mais nobres entidades internacionais e, além de tudo, causando uma inacreditável mancha na consciência de qualquer cidadão que saiba que a intolerância e a aceitação de sua existência, como orientação institucional de uma nação, são a coisa mais terrível que um governo (seja ele qual for) pode fazer.

A tolerância a governos desse tipo já produziu um dos maiores genocídios que a humanidade presenciou na história moderna e, cometer o mesmo erro, é compactuar com as idéias esdrúxulas de que aqueles horrores jamais aconteceram e rir dos gritos dos milhões mortos apenas porque alguém resolveu que não iria mais tolerar a sua presença.

Temos o bom, o mau, o feio e “o cara”.

Pensemos nisso.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Coluna do dia: Radovan Karadzic – Nada é o que parece

27/10/2009

Por Raphael Machado Silva*

O julgamento que deveria ter tido início nessa segunda-feira, de Radovan Karadzic, outrora Presidente da República Sérvia, Presidente do Partido Democrata Sérvio e comandante do Exército Sérvio-Bósnio, foi adiado por um dia pelo não comparecimento do referido réu, que quer mais tempo para preparar sua defesa.

Karadzic, que será “julgado” (eufemismo para condenado) pelo Tribunal de Linchament…ops, Tribunal Penal Internacional para a Iugoslávia, em Haia, é acusado por ter supostamente praticado genocídio contra bósnios, croatas e outros não-sérvios durante uma guerra que foi de 1992 a 1995, com destaque para o suposto massacre de 7.000 civis em Srebrenica, e para o cerco de Sarajevo, o qual durou 44 meses.

Por outro lado, parece que realmente há algum tipo de política anti-sérvia constante na agenda da OTAN (que na verdade não passa de um braço armado dos EUA, cuja finalidade existencial há muito expirou). Ainda que eu não seja simpático a nenhum Estado que englobe vários povos, pelo fato patente de que nesses Estados sempre há a tendência para a dissolução e perseguição das identidades etnoculturais com o fito de propiciar a “tolerância” ou a tirania de um povo sobre os outros, é difícil negar que, no bojo da queda da União Soviética, as potências ocidentais também pressionaram por uma dissolução da Iugoslávia que fosse o mais desfavorável possível para os sérvios.

Depois foi a vez da separação da Bósnia, liderada por fundamentalistas islâmicos financiados pelo Irã.  Mais recentemente foi a vez do Kosovo, cuja secessão se deveu a uma verdadeira “iminvasão” e a uma disparidade entre as taxas de natalidade de albaneses e sérvios. O Kosovo, aliás, é hoje governado por membros do KLA, uma organização islâmica terrorista, com laços com a Al Qaeda, e cuja fonte de renda ao longo da última década tem sido o tráfico de armas, drogas, mulheres e o que mais der lucro.

Em seguida, veio a separação de Montenegro (ocupada por um povo sem qualquer distinção étnica, cultural ou religiosa em relação aos sérvios). Quiçá a próxima secessão seja a da província da Voivodina?

O que todas essas secessões possuem em comum? Todas foram apoiadas e financiadas pelos EUA e pela OTAN, em algumas situações com intervenção da CIA, ou ações militares dirigidas contra o povo sérvio. Qual seria a razão? Uma disputa com a Rússia por influência nos Bálcãs talvez seja uma boa explicação.

Afinal, deve haver uma boa explicação para os bombardeios genocidas praticados pela OTAN contra o povo sérvio, que duraram 78 dias ininterruptos, deixando inúmeros civis mortos. Como desculpa foi apresentada a alegação de que os sérvios, sob o comando do Presidente Milosevic, estavam cometendo genocídio contra os albaneses do Kosovo. Interessantemente, a equipe de peritos em medicina forense, vinda da Espanha e responsável pelas bem-sucedidas investigações de genocídio na Ruanda, não encontrou qualquer evidência de genocídio no Kosovo.

A OTAN alegou ter havido mais de 100.000 mortes. Achou-se algumas centenas de corpos, sem a possibilidade de se atestar a autoria de suas mortes. Quantos morreram em combate “justo” entre forças militares e quantos eram realmente civis? Onde foram parar os outros 99.500 corpos? Os sérvios usaram fornos crematórios, os transformaram em cinzas e depois assopraram no vento?

Pois então a OTAN matou 3.000 civis em bombardeios, porque os terroristas da KLA estavam perseguindo sérvios, inclusive ateando fogo a igrejas ortodoxas e, portanto, Milosevic resolveu, de pleno direito, defender seu povo?

O “duplipensar” corre solto na política externa dos EUA na Europa Oriental. Os EUA justificaram seu apoio à independência do Kosovo pelo “princípio da auto-determinação”. Pouquíssimo tempo depois, eles se posicionaram contrariamente à independência da Ossétia do Sul e da Abkhazia.

Pior ainda, no próprio Kosovo, a OTAN, diante da possibilidade de que a minoria sérvia no norte do Kosovo declarasse independência e se reunisse à Sérvia com base no “princípio de auto-determinação”, simplesmente resolveu “tornar mais rigoroso seu controle do norte do Kosovo, para acelerar sua pacificação e a integração dos sérvios”. Alguém já ouviu algo mais orwelliano? “Pacificar”. “Integrar”.

É triste a ignorância total a respeito dessa questão, mesmo entre supostos “anti-imperialistas”. Mostra o quanto ocidentais são sensíveis frente a acusações de “crimes contra a humanidade” e outros mantras humanistas, lamentações de vítimas e coisas do tipo. É importante ressaltar, aliás, uma suposta incongruência no que concerne aos ataques às campanhas anti-sérvias e às guerras americanas no Oriente Médio. A Europa Ocidental e os países muçulmanos apoiaram a primeira, e se opuseram à segunda.

Por quê? No caso dos muçulmanos é fácil. Não só porque bósnios e albaneses são muçulmanos, mas porque um tema sussurrado nos corredores das mesquitas e palácios, tanto por céticos e pragmáticos sunitas, como por xiitas fundamentalistas, é o retorno do “Califado Islâmico”, a forma de governo estabelecida e ordenada por Maomé, com autoridade para liderar os muçulmanos ao redor de todo o mundo, cuja finalidade é fazer a Jihad e retomar o que se extinguiu com o fim do Império Otomano. O risco do retorno do Califado já foi admitido pela CIA, em um de seus últimos relatórios anuais sobre política externa.

No caso da Europa Ocidental, se resume ao fato de que a Sérvia é, atualmente, o país mais hostil à União Européia e à qualquer forma de “integração” (eufemismo para escravização) internacional. A Sérvia é uma “pedra no sapato” dos globalistas. Por isso, tinha que ser bombardeada até voltar à Idade da Pedra.

Mas as razões abundam, também, para os EUA. Quer-se acesso aos trilhões de dólares em reservas minerais inexploradas nos subsolos do Kosovo e em certas partes da Bósnia. E uma outra grande razão, talvez a principal para o interesse americano e europeu, era a possibilidade de construção de um oleoduto saindo do Mar Cáspio, que não precisasse passar pela Rússia.

Não terminarei com qualquer desejo tolo de que “a verdade seja revelada no tribunal”. Não será. Todas essas cortes penais internacionais não passam de tribunais inquisitoriais, os quais já têm uma sentença pronta, antes mesmo do julgamento.

As cortes de Haia não passam de cortes políticas, apontadas com a específica finalidade de perseguir e punir os inimigos da OTAN e dos EUA. Que esperança de “contraditório” e “ampla defesa” pode haver nesse modelo de tribunal? Ademais, a ilegalidade de Haia é gritante, dado que a mesma violou as regras da ONU concernentes à imparcialidade quando aceitou doações da Time-Warner, da Disney e do banqueiro George Soros, o qual, agora, lucra milhões com as minas do Kosovo.

Diria George Orwell: “Em um mundo de mentira universal, falar a verdade é um ato revolucionário”.

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.