Postagens com a palavra-chave ‘França’

China torna-se segunda maior economia global

17/08/2010

Informa o portal Globo.com sobre a evolução da economia chinesa:

“Depois de três décadas de crescimento espetacular, a China passou o Japão, tornando-se a segunda maior economia do mundo, atrás dos Estados Unidos, segundo dados divulgados nesta segunda-feira.

O marco já era esperado há algum tempo. Tóquio anunciou que a economia japonesa teve expansão de 0,4% no segundo trimestre, ficando em US$ 1,28 trilhão, pouco abaixo do US$ 1,33 trilhão registrado pela China no mesmo período.

O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos ficou em torno de US$ 14 trilhões em 2009. O crescimento do Japão ficou abaixo do estimado pelo mercado.

Segundo especialistas, o fato de desbancar o Japão — depois de ter passado Alemanha, França e Reino Unido — reforça o poder do crescimento chinês e as previsões de que a China ultrapasse os EUA, tornando-se a maior economia do mundo em 2030.”

Coluna do dia: Sanções internacionais – Por quê?

17/06/2010

Por Felipe Liberal*

Eu odeio sanções. Podem ser econômicas ou políticas, eu as odeio. Tudo parece óbvio neste maldito planeta. É sempre a mesma coisa: sanções contra o Irã, Cuba e Coreia do Norte. Vindas de quem? Principalmente dos EUA. Eles, de fato, conseguem evitar que a evolução da História continue.

Quando vamos conseguir separar o sistema político adotado pelos iranianos, cubanos e coreanos do seu povo? Quando vamos entender que sanções só servem para prejudicar seres humanos que não tem nada a ver com interesses estúpidos e infinitos de alguns países? Até quando vamos suportar que cinco países decidam quem merece sofrer ou não?

Eu discordo de muita coisa que acontece nesses três “malditos” países, como também discordo de muita coisa que acontece nos EUA, Inglaterra e China, por exemplo. Nem por isso esses últimos mereceram ou merecem sanções por parte da ONU. Parece óbvio.

O Irã é totalitário? Sim. Mas a China também é. Cuba faz prisioneiros injustamente? Sim. Os EUA também fazem (vide Guantánamo e a “desativada” Abu Ghraib). A Coreia do Norte restringe a liberdade de informação? Sim. Mas todos os países europeus também fazem, inclusive comprando jornalistas e blogs (vide Yoani Sanchéz).

Então você deve estar se perguntando: portanto todos merecem sanções, né? Não. Discordaria totalmente de você. As sanções são a pior maneira de se tentar um acordo. O sistema socialista cubano sobrevive desde 1959 com fortes sanções estadunidenses, nem por isso a ilha cedeu ou aceitou as exigências internacionais. A Coreia do Norte passa pela mesma coisa, sofre sérios embargos dos países europeus e até asiáticos, na própria vizinhança, e nem por isso desistiu do seu isolamento exagerado.

Não é com o “big Stick” que as coisas se resolvem. Agressão gera agressividade. Até quando vamos conseguir ficar sem entender isso? Não podemos gerar paz com guerra. Não podemos construir um mundo melhor trazendo o que há de pior no ser humano, que é a raiva, a discórdia e a guerra.

A ONU é a maior farsa que o mundo já pôde ver. O organismo da paz é o maior gerador dos conflitos e problemas que temos hoje. Principalmente por ser comandada por países que precisam da guerra para sua própria sobrevivência, países sedentos por sangue e dinheiro. Meus caros, EUA, Inglaterra, China, Rússia e França querem tudo, menos a paz. Novamente parece óbvio.

E tudo isso só vai ser mudado, quando nós mudarmos também.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: Não deixe de ir à Europa – Vá conhecer o Tax Free!

29/05/2010

Por Yashá Gallazzi*

Esqueçam o Arco do Triunfo, o Louvre e a Torre Eiffel. Não liguem pra Westminster, pra Tower Bridge e pra Baker Street. O Coliseu? Uma coisa secundária e sem importância. A principal descoberta que fiz na minha viagem de férias à Europa foi o instituto da “Tax Free”.

A brincadeira é bem simples: sempre que um turista gastar numa mesma loja, num mesmo dia, 175 ou mais euros, terá direito ao reembolso do percentual referente ao IVA, que é, literalmente, o imposto sobre o valor agregado. É como se o Estado dissesse: “Obrigado a você, que movimenta nossa economia e ajuda a produzir tantas riquezas. Em troca, vamos deixar de roubar uma parte do seu suado dinheiro.” Parece pouco – e é! -, mas quando se vem do Brasil, um País onde a carga tributária imposta pelo governo aos cidadãos é obscena frente ao retorno social apresentado, o Tax Free soa como música nos ouvidos.

Eu adoro essas coisas “pequeno-burguesas” como férias, viagens e compras. Fico particularmente fora de controle em lojas de artigos esportivos, principalmente aquelas de camisas de times de futebol. É só ver uma novidade fabricada pela Adidas, e pronto: já esqueço que sou um mero assalariado e saio em desvairada carreira atrás do produto.

Em Paris e em Milão, comprei uma enormidade de camisas de futebol, algumas das peças mais lindas do mundo. Em ambas as compras, fiz jus ao Tax Free, que me foi prontamente concedido pelas funcionárias das duas lojas. Foi tudo muito simples: as moças pegam o cupom fiscal, transcrevem os produtos adquiridos para um “travel check” endereçado à autoridade alfandegária e me entregam o documento. Cabe a mim, no dia da viagem de volta, procurar a alfândega do aeroporto e apresentar o “travel check”, a fim de solicitar o reembolso do que foi pago a título de IVA.

Por que os Estados da Europa decidiram criar o Tax Free? Simples: os turistas que visitam os países do velho mundo são responsáveis por boa parte das riquezas ali geradas, principalmente graças ao dinheiro que gastam em suas compras. Além disso, um turista, justamente por estar em trânsito, não goza das mesmas prerrogativas conferidas aos cidadãos europeus, razão por que é desnecessário lançar sobre os ombros daqueles mais essa carga de tributos.

Não. Eu não sou ingênuo o suficiente para acreditar que o Tax Free é uma bondade dos governos europeus para com os cidadãos. Não existem governos bons. Isso seria um paradoxo insuperável. O Tax Free é, isso sim, a prova de que governos podem ser – se me permitem a construção – “menos malvados”. Ou, para ser mais objetivo, mais sensatos. Se os turistas gastam tanto e movimentam tanto a economia, por que não incentivá-los a gastar ainda mais? Bingo!

Assim, basta ter o cuidado de pedir o benefício do Tax Free nas lojas, apresentar o “travel check” na alfândega do aeroporto e pronto: em apenas algumas semanas o turista feliz pode receber o falor pago a título de IVA de volta, como crédito em seu cartão. Notem que eu apontei a necessidade de se esperar “algumas semanas”… É, também não sejamos exigentes demais, não é mesmo? Já é difícil encontrar governos “menos malvados”. Encontrar governos eficientes é apenas utopia… Sim, eles demoram. Mas pelo menos demoram bem menos do que o governo brasileiro para restituir o que nos é roubado por meio do imposto de renda.

Calculo que receberei de volta, a título de Tax Free, uns 80 euros. O problema é que a viagem de volta, de per si, causou-me um prejuízo de uns 100 euros, já que algum valente operário de aeroporto decidiu abrir uma de minhas malas para fazer um pouco de justiça social: tirou duas das várias camisas de time que eu comprara e resolveu ficar com elas para si – ou trocá-las por uma boa garrafa de cachaça, sei lá…

Eis aí a lição que aprendi com o episódio: se você é turista, pode até “lucrar” com a Tax Free instituída pelos governos do primeiro mundo. Mas, se estiver voltando para o terceiro mundo, a chance de sofrer prejuízos é muito grande…

*Yashá Gallazzi, escrevendo excepcionalmente em um sábado, é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Coluna do dia: Diário de viagem – A ineficiência do Estado evidenciada numa ponte aérea

01/05/2010

Por Yashá Gallazzi*

De férias na Europa com minha esposa e o filhote, viajamos de Milão para Paris por uma companhia de aviação “low cost”. O preço de cada passagem aérea entre duas das mais lindas capitais europeias? 25 euros. Isso dá cerca de 70 reais, ou seja, um valor obscenamente baixo. Irrisório até. Principalmente quando se considera a viagem feita.

A mesma viagem, feita com a Air France ou a Alitalia, duas empresas subsidiadas pelos governos francês e italiano, respectivamente, custaria cerca de 200 euros por passagem. Isso para não mencionar os aviões mais velhos e de qualidade inferior que são usados pelas “companhias nacionais”, como são chamadas na Europa os elefantes brancos como aquelas empresas.

Considerados os custos exagerados da aviação civil mundial, os preços praticados pelas companhias “low cost” parecem obra de magia negra. Mas é tudo fruto de economia elementar aplicada segundo as regras básicas do comércio livre.

Lá pelos anos oitenta, quando a Europa percebeu que as companhias aéreas estatais acabariam por levar os Estados à falência, dois caminhos surgiram diante dos vários governos de então: 1) imprimir dinheiro e injetar ainda mais capital em companhias decadentes; ou 2) tirar o Estado do meio e deixar que a iniciativa privada, muito mais eficiente em matéria de gestão, tomasse conta do setor.

Países como Itália e França, governadas à época por coalizões políticas viúvas do Muro de Berlim, escolheram a primeira alternativa. E acabaram carregando no colo Air Frances e Alitalias economicamente inviáveis, que cobram centenas de euros por uma passagem Milão-Paris. Inglaterra, Irlanda, Holanda e Suécia, por outro lado, deram ouvido a Smith, Rand e Mises, dando à luz as companhias “low cost”, que, hoje, me permitem voar entre algumas das cidades mais lindas do mundo por preços absurdamente módicos.

A economia é muito simples: o Estado deve se ocupar apenas daquilo que não pode ser gerido pela lógica pura do lucro. Isso quer dizer que os governos precisam controlar a defesa externa e a segurança pública, além de regular os serviços de saúde e educação. Qualquer coisa além disso é pedir para tomar prejuízo, afinal, todas as demais atividades podem perfeitamente ser executadas de forma mais eficiente pela iniciativa privada, inclusive dispendendo menos dinheiro. Ou alguém consegue me explicar, com amparo lógico, por que diabos um governo deve manter uma empresa de aviação? Para fornecer um serviço de utilidade pública? Ora, mas de que adianta isso, se ele cobra pelo serviço dez vezes mais do que um empresário qualquer?

Há coisa de duas ou três décadas, os governos estatizantes de Itália e França apostaram que poderiam fornecer serviços tão bons quanto os das empresas privadas, e por um preço mais – como é mesmo que eles dizem? – “socialmente justo”. Quebraram a cara! Hoje, Sarkozy e Berlusconi quebram a cabeça tentando se livrar dos dois pesos-mortos que sugam mais e mais dinheiro dos contribuintes italianos, mas os sindicatos italianos e franceses – também viúvos do tal Muro… – arrumam uma passeata ao sinal de qualquer ameaça de privatização. São uns bravos guerreiros progressistas, sempre ávidos por construir o tal “outro mundo possível”, onde o Estado deve prover passagens aéreas para os cidadãos. Ainda que a preços horrendos…

Em última essência, não se trata nem de disputa ideológica. Esqueçam direita e esquerda, liberal ou intervencionista. A questão é prática e fácil de ser analisada: é preciso descobrir como garantir às pessoas passagens aéreas de qualidade por um preço sempre mais acessível. Colocada a questão principal, analisem-se os fatos: onde o Estado se fez presente, com toda sua característica de morosidade, sua falta de profissionalismo e sua burocracia parasitária, o resultado foi catastrófico. Onde os governos saíram de cena, dando lugar às empresas privadas, os resultados são fantásticos. Ou alguém tem outro adjetivo para qualificar a possibilidade de se viajar de Milão até Paris por 25 euros?!

A saída, portanto, é apenas uma: o Estado deve tirar seu time de campo, dando cada vez mais espaço à eficiência e à livre iniciativa do setor privado. Aviação civil não é matéria de segurança nacional, nem sofre qualquer tipo de ameaça se regulada apenas pela lógica do lucro. Pelo contrário: é em tal cenário que ela mais pode prosperar, como os fatos deixam claro.

Inglaterra, Irlanda e mais uma meia-dúzia de países entenderam isso há mais de vinte anos. Itália e França ainda relutam em aceitar os fatos. Países rastaqueras e pobres como o Brasil, por outro lado, vão levar séculos. Basta lembrar que até outro dia ainda havia passeatas organizadas apenas para dizer que “a Varig é nossa”…

Ah, quase esqueci! Nos aeroportos de Franca e Itália, as companhias “low cost” pagam taxas mais elevadas para decolar e pousar, do que aquelas cobradas dos elefantes brancos Air France e Alitalia. Quando o Estado está no meio é assim: já que não se consegue ser mais eficiente e profissional do que a iniciativa privada, o negócio é partir pra retaliação.

Eis aí. Parabéns a todos os estatistas, que defendem esse tipo de birra ridícula, em detrimento do direito que os cidadãos têm de voarem por um preço verdadeiramente mais justo. Esse é o “outro mundo possível” de vocês. O meu, deve ter ficado claro, é aquele onde qualquer um com 25 euros na mão pode tomar um café na Champs Elisè.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Coluna do dia: Tragédia e fragmentação europeias

04/03/2010

Por Felipe Liberal*

Algum tempo atrás, eu escrevi um artigo intitulado “Globalização da Fragmentação”, falando, entre outras coisas, da limitada e frágil integração continental através da União Europeia e do euro. Uma união entre deuses e demônios, impossível de prosperar.

Vendo agora a tragédia dos déficits português, espanhol, italiano, irlandês e principalmente, grego, podemos supor que tudo isso é apenas o início de uma verdadeira desintegração do continente, que se juntará ao descontentamento francês com a moeda, fortalecendo as imortais divergências com as grandes potências europeias, principalmente a Alemanha, que é o “país-chefe” do euro.

Dos 27 países que assinaram o Tratado de Maastricht, fazendo parte da Comunidade Europeia, cerca de 70% possuem graves déficits financeiros em suas contas, mostrando a instabilidade da união “divina” no continente.

Porém, deverá haver uma ação de solidariedade dos grandes bancos europeus (principalmente dos bancos alemães) para com esses países em crise mais séria, levando a uma desesperada estabilidade momentânea.

Alguns falam em exclusão da zona do euro de alguns países periféricos, o que não deve acontecer, pois existem as ilusórias pretensões dos grandes países europeus em fortalecer ainda mais o euro, criando organismos de centralização, para bater a libra inglesa e o dólar americano. Excluindo esses países, esse objetivo seria impossível.

E esse objetivo é a grande questão do momento. É muito improvável que a Inglaterra e os EUA deixem que uma centralização política e econômica se torne viável. Esses dois irmãos siameses são os maiores interessados em uma desintegração da CEE e da moeda europeia.

A Inglaterra só tem a perder com o fortalecimento do euro e os americanos teriam um novo inimigo, caso tudo isso se concretizasse de forma perfeita.

Isso sem falar da França, que tenta se “libertar” das amarras do euro desde 2006, quando quis criar um bloco paralelo com países da África e do leste europeu.

Conhecendo a História, os EUA e a Europa, é bem fácil de prever o futuro do velho continente nos próximos dez ou quinze anos: crise, fragmentação e guerra.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: Caso Battisti – Não é com terrorismo que se “salva o mundo”

23/11/2009

Por Yashá Gallazzi*

No último domingo, 15 de novembro, comemorou-se a Proclamação da República. Três dias depois, na quarta-feira, uma data ainda mais importante passou a fazer parte do calendário “dessepaiz”: 18 de novembro, dia da Proclamação da República Bolivariana do Brasil.

Lula, segundo a Suprema Corte brasileira, não está obrigado a cumprir decisões judiciais terminativas. O Estado é ele. A autoridade suprema do Brasil é ele. A separação harmoniosa dos poderes, pedra angular de toda e qualquer democracia, foi estuprada a fim de se conceder a Lula o cetro do poder absoluto. Lula, aquele que saiu do “sertão do sirigó” em um pau-de-arara e se tornou Presidente, conseguiu, pela via institucional, aquilo que o venezuelano Hugo Chávez tenta até hoje: submeter todo o aparelho do Estado ao seu controle.

O caso Battisti, eu sei, ainda é um tanto obscuro para grande parte dos brasileiros. A imprensa séria não consegue dar todos os detalhes, até mesmo por uma questão prática – matérias televisivas devem atender a certas limitações de tempo. Já na “imprensa com groovin” – aquela que adere ao governo petista -, não há interesse em informar, afinal quanto mais se sabe sobre o caso, mais fica evidente que Battisti não passa mesmo de um terrorista e assassino.

Como um ítalo-brasileiro, filho de pais italianos, posso dizer que conheço a história a partir de uma ótica diferente daquela apresentada no Brasil. E me atrevo a dizer que é a ótica certa. Battisti, um integrante do grupo denominado Proletários Armados pelo Comunismo, era mais um desses humanistas que se enxerga como o portador de uma verdade mística redentora. Ele e seus amiguinhos queriam, em síntese, construir o tal “outro mundo possível”. Como? Bem, da mesma forma que sempre foi feito isso ao longo da história: disseminando a morte, a miséria e o terror.

Sim, eu sei que o que vai acima pode ser apontado como uma construção ideológica. “Você não gosta do comunismo e isso contamina sua análise”, dirão. É, pode ser. Entendam: na minha escala de valores éticos e morais, repudiar o comunismo não implica demérito. Antes, demonstra maturidade intelectual.

Mas tudo bem. Sejamos, pois, mais frios: Battisti foi condenado na Itália por quatro assassinatos. A pena? Quatro sentenças de prisão perpétua. Tarso Genro, o “Beccaria dos Pampas”, afirmou que Battisti não teria participado de nenhum dos crimes diretamente. Mentira! Foi ele, em pessoa, quem matou Andrea Campagna, um funcionário público. Além desse crime, Battisti também foi autor intelectual de outros três. “Ah, mas ele não participou das execuções”, afirmaram os esquerdistas brasileiros. É, diretamente não participou mesmo. Isso o torna menos culpado? Devo, pois, presumir que os mandantes da morte de Dorothy Stang não devem ser condenados, não é mesmo?

Uma vez condenado pela justiça italiana, em 1979, Battisti foi recolhido à prisão, onde permaneceu até 1981, quando conseguiu escapar. Sua peregrinação internacional é vasta: o meliante passou pelo México e pela França, onde ficou até que as autoridades locais decidissem pela extradição. Ele fez, então, aquilo que todo revolucionário de esquerda faz nessas horas: fugiu. Para onde? Bem, para um lugar onde sua ideologia ainda é respeitada. Para um país onde terrorista é chamado de ativista político. Para um local onde há um Deus encarnado que controla tudo e todos. Sim, ele veio para o Brasil.

Aqui, Tarso Genro tomou-o sob a barra de sua saia e decidiu que o sujeito – tadinho… – não passava de um utopista. Sim, ele matou um punhado de gente, mas o fez em nome da – como é mesmo? – “causa revolucionária”.

Mas Tarso não se deu por satisfeito. Ele queria mais! Queria a guerra ideológica. O Ministro da Justiça, em uma ação sem precedente na história mundial, tratou de demonizar a República italiana, acusando-a de perseguir politicamente Battisti e, o que é ainda mais grave, insinuou – com “olhos de cigana, oblíqua e dissimulada” – que o Estado democrático italiano não pretendia fazer justiça, mas vingança. Trata-se de uma afronta direta e inequívoca a um país amigo, que processou e condenou Battisti de acordo com as normas mais basilares do direito.

Mas o que Tarso tem com isso? O que o PT tem com isso? O que as esquerdas radicais do Brasil, todas bolorentas e órfãs do Muro de Berlim, têm com isso? Ora, eles não querem ouvir a razão. Eles não dão a menor bola para tratados internacionais, sentenças criminais e regras do Estado de direito, afinal, historicamente, sempre tentaram destruir a democracia. Lembram de Lênin – ídolo-mor de gente como Tarso Genro e Battisti? A democracia é apenas uma concessão que a sociedade pré-revolucionária faz à burguesia. Em outras palavras, é o sistema onde eles aceitam viver, até o dia em que resolvem empunhar seus trabucos humanitários e dar uns tiros nas nossas cabeças.

No mais, a atitude de Tarso Genro e daqueles políticos esquerdistas que foram confraternizar com o terrorista não me surpreende nem um pouco. Essa gente, está posto, sempre teve seus terroristas de estimação. Lênin, Mao, Fidel, etc. Sempre que algum facínora surgiu disposto a mudar o mundo a peso de bala, algum “intelectual” esquerdista se fez presente. O governo Lula, aliás, é pródigo em se relacionar com o terror mais condenável. No primeiro escalão do governo, por exemplo, há o ministro Paulo Vanucchi e a ministra Dilma Rousseff, dois terroristas confessos. Esta última, aliás, o PT pretende levar ao Planalto. Se a eleição de Lula foi simbólica por representar a chegada do “homem do povo” ao poder, a de Dilma pode representar a queda oficial da democracia, com a chegada do sentimento filoterrorista ao controle da nação.

Não. A condescendência de Lula, do petismo e das esquerdas brasileiras para com o terror não é nova. A surpresa foi a capitulação da Corte Suprema do Brasil, que roubou a “espada da Justiça” da deusa Têmis e, depois de se prostrar em reverência, entregou-a ao Presidente. Não há mais limites para o poder absoluto lulista, já que o Parlamento, há anos, está sob controle de sua base política. Agora, neste triste novembro de 2009, o Judiciário também se entregou, rendido ao charme popular do “cara”.

A permanência de Battisti no Brasil é apenas simbólica. Simboliza, é claro, algo vergonhoso, pois o terrorista assassino ilustra um legado de morte e miséria, próprio daquela distopia coletivista que pretende criar um novo mundo – e um novo homem – por meio do homicídio desenfreado. Ainda assim, contudo, estamos falando apenas de um símbolo.

O dado mais grave é que o precedente de ontem mostra um norte moral. Uma escolha ideológica que reflete indiscutivelmente sobre o modelo de mundo que essa gente medonha tem em mente. Acusaram-me várias vezes ao longo da vida de ser um reacionário. Bem, eu o sou! Isso porque reajo de forma dura e convicta contra aquilo que abomino. Não tenho a pretensão de carregar o estandarte da liberdade dos homens. Mas não me furto a erguer o escudo das liberdades individuais, que deve proteger as pessoas de toda e qualquer sanha autoritária.

Afinal, se os homens e mulheres livres do Brasil – e do mundo -, cada um disposto a defender suas liberdades e sua individualidade, não reagirem contra a subversão dos valores morais, quem o fará? Este governo petista, aparelhado por terroristas? Que nada! Depois de ontem, ficou claro que nem o Judiciário pode vir em nosso socorro. Mas não há de ser nada mais que um – mais um! – período sombrio da história humana. A liberdade, vocês verão, há de triunfar. E a liberdade só vence quando os seus inimigos, como Battisti, Tarso Genro e tantos outros são derrotados.

*Yashá Gallazzi, escrevendo excepcionalmente em uma segunda-feira,  é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: A globalização da fragmentação

19/11/2009

Por Felipe Liberal*

O neoliberalismo, que seria o rosto mais perverso do todo poderoso capitalismo, não se fixou. O sistema que globaliza mercados e culturas não se organizou e está começando a dar sinais de amadorismo, mostrando sua verdadeira face em vários momentos, coisa que a história já mostrou que não é aconselhável.

A Europa, com sua união mais desunida de todos os tempos, começa a mostrar que toda a fantasia harmoniosa que forma a comunidade europeia é apenas fachada. A Inglaterra e seu american way of life continuam com desejos de combater o que se tenta chamar de “Grande Império Europeu”, ratificando-se como eterna ponte entre os EUA e a Europa.

Do outro lado do canal, o chefe francês, Nicolas Sarkozy, já toma decisões protecionistas, visando defender o emprego dos franceses contra a globalização liberal, desestabilizando o euro e entrando em choque com o carro-chefe da UE, a Alemanha.

Angela Merkel, primeira-ministra alemã, quer o euro cada vez mais forte e começa uma integração econômica cada vez maior com a Rússia (esta que será a grande ameaça ao eixo “Washington-Londres” nos próximos anos, pois a perda de territórios em 1991 foi enorme e está longe de ser esquecida), de certa forma se distanciando do poderio britânico e criando tensões com a França.

Sarkozy, por sua vez, já fala em um novo bloco aliado a países norte-africanos e à Turquia, sob sua liderança. A Europa não está globalizada, como o mundo também não está. A fragmentação é o que há de mais real nesse momento da história mundial, portanto não é apenas na Europa.

Como não falar de um dos continentes mais complexos e extremos do mundo, a América Latina? Talvez o continente mais despolitizado do planeta e ao mesmo tempo um dos mais revolucionários também. Essa complexidade que nos cerca aqui embaixo está evidente nesse novo processo que está em andamento desde a virada do século. O neoliberalismo está sendo tão desgastante, através do seu genocídio silencioso, que o novo socialismo, ou o pós-neoliberalismo (não se sabe ainda), está rapidamente tomando as cabeças latino-americanas nos principais países.

A permissão que os povos como os da Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua deram aos seus novos governantes foi de grande coragem e uma determinante resposta ao imperialismo estadunidense. Essas pessoas simplesmente decidiram que o país pertence ao povo e não a empresas de nomes estranhos e sem rosto. As reformas sociais e as mudanças no cotidiano das pessoas são fatos inegáveis dentro do aspecto social. Porém, no lado político, as discussões são polêmicas e pertinentes sobre o desenrolar aqui no eterno caldeirão fervente que é a América do Sul.

É de extrema importância ratificar e ressaltar o nosso continente dentro do quadro mundial, principalmente por esse novo pensamento estar sendo contagiado para novos países e nações. A unificação da América Latina a torna fragmentada do resto do mundo e da América do Norte.

Não podemos também falar sobre complexidade sem falar do continente asiático. A efervescência econômica que vigora do outro lado do mundo é extremamente prejudicial a qualquer tentativa de progresso social em grande escala. Tudo o que foi conquistado na China para o povo está sendo devolvido de forma despótica para o desenvolvimento econômico, que não pode parar.

A China cresce em parceria com os EUA. Sem eles nada funciona no país de Mao. A dependência econômica mútua entre esses dois países elimina qualquer ameaça de conflito militar em um futuro próximo, transformando a Ásia em um continente indiscutivelmente capitalista. O Japão, representante estadunidense na localidade, funciona de forma muito semelhante à da Inglaterra, carregando as outras potências emergentes nas costas e defendendo com unhas e dentes a soberania imperialista americana.

Portanto, não estamos falando de um bloco mundial globalizado, e sim, de vários blocos heterogêneos ao redor do planeta. Isto não é novo, pelo contrário, sempre existiu em todos os períodos da história, porém sempre serviu como uma projeção de novos conflitos entre grandes países. O mundo está se desenhando novamente para esse novo velho quadro.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: Alemanha morta e ressuscitada – A queda do Muro de Berlim

10/11/2009

Por Raphael Machado Silva*

Foram celebrados, no último dia 9, os 20 anos da queda do Muro de Berlim, o qual dividia a Alemanha em duas metades: a República Federal Alemã, capitalista, e a República Democrática Alemã, comunista. Tal evento foi e é considerado como o mais simbólico, o mais representativo, do fim da Guerra Fria.

Segundo relatos dos presentes, o evento se deu quase que de modo absolutamente espontâneo, inexplicável, mágico. De um dia para o outro, sem qualquer razão evidente, toda a Alemanha estava transformada. Ou melhor, a Alemanha havia voltado a existir de verdade.

A Alemanha, aqui entendida também como o conjunto dos povos germânicos, ou seja, como Nação e não só como Estado, tem sido por muitos considerada o terceiro pilar da civilização Ocidental. A chama da civilização Ocidental foi acesa pelos gregos, passada aos romanos e herdada pelos povos alemães.

Toda a história Ocidental após Roma é uma história com um substrato eminentemente germânico. A partir da fusão entre as etnias e culturas germânicas com a herança greco-romana, com a conclusão das Migrações Germânicas que puseram fim ao já decrépito Império Romano, ergueram-se as bases de todo o futuro da Europa.

O Cristianismo após as Invasões é diferente do Cristianismo Primitivo, muito mais próximo ao Judaísmo, posto que foi ‘paganizado’ de modo a possibilitar a conversão das tribos germânicas e eslavas. Alguns teólogos ortodoxos, reconhecendo isso, também chamam o Catolicismo de ‘Cristianismo Germânico’.

Mesmo a estrutura etno-racial dos povos europeus foi alterada com as migrações germânicas. Onde se estabeleceram, nas velhas províncias imperiais, os germânicos se misturaram à aristocracia romana, servindo como base para a futura nobreza feudal. Da Alemanha também vieram as principais contribuições para a Música e para a Filosofia ao longo da História da Humanidade: Beethoven, Bach, Mozart, Händel, Wagner… Kant, Hegel, Schopenhauer, Nietzsche, Heidegger… São todos filhos da Germânia, e são grande parte do ápice da Cultura Ocidental.

Ao mesmo tempo, falar da Alemanha e de seu povo é falar de uma das Nações mais odiadas, vilanizadas, vilipendiadas e, sim, perseguidas do século XX. Um ódio esse que se deriva muito da inveja de anglo-saxões e alguns outros povos, surgido nos fins do século XIX.

A unificação da Alemanha criou o único rival à altura da Grã-Bretanha, e a imediata industrialização realizada por Bismarck foi tão eficaz que em três décadas a Alemanha fez o que a Grã-Bretanha havia feito em um século e meio, e já produzia com qualidade superior aos britânicos.

Quando a França Napoleônica fez o mesmo preteritamente, e apareceu como rival da Inglaterra, como potência européia continental, a brilhante diplomacia inglesa moveu o mundo contra a França. Em verdade, a chave dos mistérios da maior parte dos conflitos europeus dos séculos XIX e XX é o entendimento da linha programática e dos objetivos da política externa inglesa dessa época. O aspecto euro-continental dessa estratégia se fundava na necessidade de não permitir o surgimento de qualquer potência continental européia. Aí está a razão pela qual, em distintas guerras, a Inglaterra se aliou a diferentes Estados, às vezes contra Estados anteriormente aliados. A Inglaterra sempre foi inimiga e algoz das Nações européias que almejassem se elevar em poder.

Assim, a Grã-Bretanha, o país mais beligerante, devastador e sem dúvida um dos mais genocidas dos últimos três séculos, buscou e buscou insistentemente e finalmente conseguiu impor à Alemanha, em 1914, uma Guerra Mundial, sob uma chuva de propagandismos de tablóide, com direito à acusações de que os alemães tinham soldados que praticavam canibalismo com crianças belgas e de que transformavam cadáveres em combustível.

Traída internamente a Alemanha por comunistas, derrubada a sagrada monarquia, ordenada a rendição, fez-se a vontade dos banqueiros e o país foi reduzido a escombros. Primeiro, se impôs um bloqueio marítimo, impedindo que a Alemanha se abastecesse de alimentos: morreram centenas de milhares. A seguir, veio o “Ditado” de Versalhes, no qual roubou-se um pedaço de quase metade do território da Alemanha, o qual foi dado, junto com sua população, à Polônia. Exigiu-se o desarmamento da Alemanha como pré-condição do desarmamento geral.

Desarmada a Alemanha, os vencedores descumpriram o acordo. Sugerido no Parlamento austríaco um plebiscito a respeito da unificação entre Alemanha e Áustria, algo intimamente desejado por ambos povos (que são um só), ameaçou-se ambos de nova aniquilação total. Roubou-se todas as reservas em metais preciosos, principalmente ouro, ao mesmo tempo que se exigiu da Alemanha reparações titânicas por uma Guerra cujas origens remontam à decisões tomadas em Londres, não em Berlim.

Não fosse o ressentimento, o ódio, a inveja e toda uma gama de outros sentimentos absolutamente irracionais contra os alemães que culminaram no “Ditado” de Versalhes e em 15 anos da mais abjeta escravidão de seu povo, a Segunda Guerra Mundial jamais teria acontecido. Tivesse ainda acontecido, todo o modo de condução da mesma teria sido diferente, porque os alemães não haviam se esquecido das centenas de milhares que morriam de fome nas ruas e dos milhões de desempregados. Isso não exime a Alemanha nazista de culpas, mas explica em grande parte os porquês de sua existência.

Nos momentos finais da Segunda Guerra surgiu ressentimento e ódio germanofílico ainda mais forte. Não satisfeitos com o pós-Primeira Guerra, queria-se mais. O povo alemão, principalmente a parcela que nada tinha a ver com a cúpula hitlerista, era visto como um povo mal, um povo beligerante, um povo intrinsecamente maligno, que havia causado duas Grandes Guerras e, portanto, era o responsável pela morte de dezenas de milhões.

Esse povo precisava ser punido, esmagado, destruído. Precisava-se garantir que esse Mal Absoluto jamais ressurgiria, ou seja, precisava-se garantir que não haveria qualquer oposição às maquinações diabólicas de Londres/Nova Iorque e Moscou. Não poderia mais haver oposição aos banqueiros internacionais e ao sistema econômico fundado na usura (para quem não sabe, a Revolução Russa foi financiada por Bancos, o que é demonstrado no livro ‘Wall Street and the Russian Revolution’).

O Plano Morgenthau, apresentado a Roosevelt e seriamente debatido entre os vencedores, previa o extermínio completo da população alemã por meio da esterilização gradual dos homens, da imigração de outras populações e da repartição dos territórios alemães entre todos os seus vizinhos. Venceu uma razoabilidade mínima e o Plano foi parcialmente rejeitado. Sugeriu-se, então, que o extermínio recaísse apenas sob um certo percentual de alemães, os quais deveriam ser julgados em tribunais de linchamento pelos vitoriosos com a sentença já definida previamente (ainda hoje, geriatras com mais de 90 anos são perseguidos pelo ódio anti-alemão).

Milhões de civis alemães foram também colocados em campos de concentração aliados para realizarem trabalho escravo, satisfazendo assim uma injustificável sanha vingativa dos Aliados, com a morte de quase 1 milhão de alemães. Erros não justificam outros.

Satisfez-se a gula e sede de sangue diabólica de Stálin entregando-lhe metade da Europa, apesar dos pedidos desesperados de vários generais americanos, em 1945, para que o Presidente Truman reconhecesse o governo alemão do Almirante Doenitz, autorizasse uma aliança com a Alemanha e declarasse guerra à URSS, cujas hordas vermelhas estavam absolutamente exaustas e enfraquecidas pela guerra no Fronte Oriental e que nessa época ainda não possuía armas nucleares.

Como se sabe, venceram as intrigas, a razão foi derrotada. Dezenas de milhões foram submetidos a uma tirania ainda pior do que qualquer que pudesse ter sido estabelecida pelos alemães. Entregou-se os que haviam se rebelado contra a tirania soviética ao longo da guerra, como os soldados cossacos com suas famílias, para que os mesmos fossem exterminados por Stalin.

Enfim, a Alemanha foi repartida entre os vencedores. O Muro de Berlim foi o muro do ódio. Não do ódio entre capitalistas e comunistas, os quais não se odeiam de verdade nos postos de liderança (haja vista a facilidade com que Comissários viram banqueiros e empresários, e vice-versa, com uma simples mudança de regime), mas apenas entre militantes; mas sim do ódio contra a Alemanha. Dividiu-se a Alemanha com vistas a que ela nunca se reunificasse, nunca se recuperasse, nunca mais resistisse às tiranias vindas da América e da Rússia.

Assim, Heidegger, o maior filósofo do século XX, justificou seu apoio à Alemanha do III Reich: a Alemanha, para ele, era a única coisa que se interpunha no caminho do domínio imperialista total das potências materialistas e desenraizadas, fundadas no Iluminismo, as quais instrumentalizavam sua dominação pela coisificação do homem operada por meio de sua ‘fagocitação’ na técnica (tanto o homem-massa-proletário do comunismo, como o ‘homo oeconomicus’ do capitalismo, mero objeto desumanizado inserido em um mercado são, em essência, idênticos).

Pois realizou-se o que Heidegger temia, dividiu-se o mundo em duas partes, ambas submetidas a abjetas tiranias. Já os alemães foram todos ‘desgermanizados’ culturalmente; metade dos alemães viraram americanos, a outra metade soviéticos.

A(s) Alemanha(s) das últimas décadas foi um país em que se sentia vergonha de se pertencer a ele. Os hinos nunca eram cantados, a bandeira nunca era hasteada. Quando alguém dizia a outro europeu que era alemão, o fazia com um misto de culpa e vergonha. Não há prática mais baixa, vil, mesquinha e ‘plebéia’’ como diria Nietzsche, do que impingir o sentimento de ‘culpa’ sobre os outros.

No caso da Alemanha, a ‘Culpa’ virou símbolo nacional. Uma espécie de ‘coroa de espinhos’, que os alemães ignominiosamente se regozijavam em portar.

Mas o domínio do ódio não pode durar para sempre. O ódio não acabou, mas o povo alemão deu o passo no sentido de retomar as rédeas de direção do próprio Destino. Um passo talvez frágil, mas ainda assim significativo por seu rico simbolismo.

Demonstração de uma pretensa superioridade do Capitalismo? Ora, superioridade não se demonstra por uma mera sobrevivência no tempo, mas pelos valores intrínsecos de uma Idéia e pelos seus efeitos no Mundo. Vitória parcial do Povo Alemão, que se libertou de uma tirania, caindo na talvez mais desumanizadora tirania do Mercado.

Caiu o Muro. Morreu o Comunismo. Falta à Alemanha tentar ser uma nação unida, livre de dualidades e com identidade própria, que tem o direito e o dever de reivindicar os louros que merece pelo que seu povo sofrido, esse sempre vítima, produz.

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.

Caças: FAB diz que propostas foram melhoradas – Saab faz boas ofertas

06/10/2009

Informa o Globo:

“A Força Aérea Brasileira (FAB) informou ontem que as três empresas que disputam a venda de 36 novos jatos para a Aeronáutica melhoraram suas propostas. Ontem, foi o último dia para apresentação das propostas. A FAB, porém, não especificou em que as ofertas foram melhoradas. Estão concorrendo Boeing (americana), com o F-18; a Dassault (francesa), com o Rafale; e a Saab (sueca), com o Gripen NG.

Segundo a a nota da FAB assinada pelo brigadeiro do ar Antonio Carlos Moretti Bermudez, chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica, a equipe que cuida da escolha dos jatos, composta por 60 profissionais, fará um relatório final e o entregará ao ministro da Defesa, Nelson Jobim. Ainda não há uma data para que isso ocorra.

No dia 7 de setembro, o presidente Lula deu a entender que o governo tem mais simpatia em comprar os aviões da França, embora a concorrência ainda não tivesse terminado. O governo argumenta que a Dassault se comprometeu a transferir a tecnologia integral dos equipamentos.”

Informa também o Globo:

“A sueca Saab entregou à Força Aérea Brasileira (FAB) nesta sexta-feira sua oferta fim na disputa por um contrato bilionário de caças, garantindo que, se vencedora, instalará uma fábrica no país e comprará aviões Super Tucano da Embraer.

‘O pacote industrial ímpar representa uma participação direta de empresas brasileiras no desenvolvimento, na produção e na manutenção do caça Gripen NG’, disse em comunicado o presidente-executivo da Saab, Ake Svensson. “

O fato de as ofertas terem melhorado significativamente, o que pode trazer redução de gastos e/ou aumento dos benefícios para o Estado brasileiro, e de o relatório final da FAB ainda nem ter sido completamente redigido, mostra o quão precipitado – e por que não equivocado e pouco inteligente – foi o anúncio do Presidente Lula, na ocasião da comemoração da Independência, de que o governo teria mais simpatia pela francesa Dassault.

A concorrência ainda não terminou, portanto, nada está completamente fechado. Se isso se dá hoje, que dirá um mês atrás, quando Lula, querendo fazer uma média com um Sarkozy presente ao seu lado, anunciou precipitadamente uma suposta escolha.

Além disso, vale ressaltar que a oferta da Saab é interessante, o que prova que talvez a escolha da Dassault, além de ter sido anunciada muito antes do devido, pode não ser a correta. A empresa sueca oferece instalar fábrica no Brasil e gerar empregos aqui, além da compra de aviões da Embraer.

Por essas e por outras, fica comprovado, sem sombra de dúvidas, que Lula e o governo em geral fizeram um papelão diz 7 de setembro. Seja escolhida a Dassault ou não.

Dois caças franceses Rafale caem no Mar Mediterrâneo

24/09/2009

Informa a Reuters:

“Dois jatos franceses Rafale do porta-aviões Charles de Gaulle caíram no Mar Mediterrâneo nesta quinta-feira durante um voo de teste, informaram as Forças Armadas. Um piloto foi resgatado no mar e outro ainda está desaparecido.

O Rafale, produzido pela Dassault Aviation SA, é o avião de combate mais moderno da França e pode ser a escolha brasileira para substituir os caças atualmente em operação no país, considerados obsoletos, no que seria a primeira exportação do modelo.

O acidente ocorreu a cerca de 30 quilômetros da cidade de Perpignan, no sudoeste francês. O porta-voz da Dassault não comentou o acidente. ‘Era uma missão de treinamento, não uma missão operacional. A busca continua pelo segundo piloto’, disse uma porta-voz das forças armadas. Um barco de resgate, um helicóptero civil e dois aviões militares participam da operação de busca.”

Este blogueiro que vos fala não é nem contra e nem a favor da compra dos caças Rafale em si.

Sou, isso sim, terminantemente a favor de que seja feita a melhor escolha. Esta pode vir a ser, quem sabe, o Rafael francês. Porém, para que isso seja garantido, é preciso que haja discussão, avaliação e critério, e não, antecipação política da escolha por supostos “interesses estratégicos” que, segundo os bastidores, apenas compõem uma expressão que, na realidade, significa “pretensões com relação ao Conselho de Segurança da ONU”.

Como não sou contra o Rafale, e sim, contra a possível compra dele em um cenário onde outra opção era a mais vantajosa para o Brasil, me sinto confortável para dizer que aqueles que são contra o Rafale em qualquer circunstância acabam de ganhar mais um argumento.

Os caças franceses se acidentaram no pior momento possível. Obviamente isos não quer dizer, necessariamente, que os Rafale são menos seguros, porém, com certeza o acidente perpassará o debate a partir de agora.

Dizem que Lula é muito pé-frio, tendo toda a sorte do mundo para ele, mas trazendo má sorte para os que o cercam.

Será?