“Militares golpistas cortam sinal de rádios e TVs em Honduras”
Parece que a situação em Honduras começa a tomar um rumo cada vez mais indesejado por todos aqueles que são democráticos. Se antes era possível enxergar alguns acertos na ação dos militares hondurenhos, já que, embora tenha sido equivocada no seu empreendimento, continha certa correção na essência, agora fica difícil distinguir quem é o mais nocivo para o país centro-americano: As Forças Armadas ou Manuel Zelaya.
Se por um lado as Forças Armadas agiram, de forma atabalhoada e agressiva, é verdade, para defender uma visão de proteção às instituições e à lei hondurenhas, por outro, a medida de cortar os sinais de rádios e canais de televisão, entre outras, são totalmente antidemocráticas.
Não adianta nada que os que defendem a ação dos militares hondurenhos digam que é necessária esta ação antidemocrática para proteger a democracia. Proibir a imprensa de veicular qualquer informação verdadeira e que não seja sigilosa é criticável.
Eu ainda acredito que Zelaya merecia ser retirado do cargo, afinal, sua renúncia foi aceita pelo Congresso, ele havia dado ordens contrariando as restrições que lhe haviam sido impostas pelo Parlamento e foi nomeado um Presidente legítimo, advindo do cargo que é previsto pela Constituição hondurenha como sendo aquele a qual se deve recorrer em casos como este.
Porém, se as Forças Armadas, ao invés de garantir a democracia e as instituições hondurenhas, tentar implantar um outro tipo de autoritarismo, mudará apenas a ideologia, sendo, da mesma forma, um tipo de ditadura.
Sendo assim, a análise é instável e dependendo do ponto de vista, ambos os lados podem ser o bandido da história.
Se eu entendo que a atitude de Zelaya de tentar implantar o bolivarianismo à força, por ter encontrado instituições mais fortes do que as que Chávez encontrou na Venezuela, é totalmente execrável, também entendo que não se pode atentar contra os meios de comunicação.
Acompanhemos o desenrolar do caso.
Em tempo, mantenho a pergunta:
Por que Zelaya não indicou um sucessor para continuar seu trabalho e forçou a tentativa de reeleição? Não continuaria o tal “projeto social” que é utilizado para justificar a vontade de se perpetuar no poder? Se não é personalismo/autoritarismo/chavismo, o que é?










