Por Tiago Franz*
Antes de mais nada, destaco duas notícias:
- “Tribunal Superior Eleitoral avalia criação do Partido da Mulher Brasileira (PMB)”.
- “Em função das eleições do próximo ano, 28 parlamentares (24 deputados federais e 4 senadores) trocaram de partido recentemente”.
Alguém aí já passou por uma crise de opinião? Alguém já experimentou a sensação de ter perguntas se amontoando sem respostas de imediato? Pois quem vos escreve é um colunista de opinião, com mais questões do que opiniões formadas. Mas meu caso não é exatamente uma crise. É uma espécie de estado voluntário.
Enquanto jornalista, deveria eu, ao me deparar com um fato de interesse público, coletar o máximo de informações no prazo de tempo disponível e interpretá-las, de preferência contemplando variados pontos de vista. Trabalhoso, mas nada impossível. A informação transborda na internet. Gente apontando o dedo para tudo e falando o que pensa também não falta.
Entretanto, tenho perguntas demais e resolvi deixá-las falar por si.
Por que a maioria dos partidos brasileiros não vai recorrer à Justiça contra os parlamentares infiéis? O que a infidelidade partidária significa para a democracia representativa? O sistema partidário está falido? Assassinaram a ideologia?
Está aí algo que me assusta: A ideologia, que remete à verdade, que lembra religião, que lembra doutrina, que lembra fanatismo e fundamentalismo, que lembra guerra. Mas isso é outra história.
Trata-se de fidelidade a quê? Ideais? Eleitores? Cartilhas dos partidos? Financiadores de campanha? O próprio ego? Imagino peemedebistas sendo fiéis ao que o partido tem sido por anos: Qualquer coisa.
Há um aparelhamento entre os partidos? O que define as alianças, os caminhos? Especialistas respondem a tudo, divergem entre si; quem está certo? “Todo mundo explica”, dizia Raul.
Partido da Mulher Brasileira?
A nova agremiação apresentou-se ao TSE no último dia de prazo para quem quer disputar as eleições de 2010, agendadas para 3 de outubro. É preciso um ano de existência (365 dias antes da data das eleições) para que o partido possa inscrever candidatos. Pelo mesmo motivo, ocorreu a recente onda de infidelidade partidária. É obrigatório aos candidatos terem um ano de filiação na sigla que usarão para a disputa.
Para eu não me estender demais, sugiro a leitura da cartilha do PMB, disponível no site da agremiação.
De fato, a representação feminina na política brasileira é muito aquém da necessária. A causa do PMB não é sem sentido. Quem nega que a desigualdade de gênero ainda é uma realidade?
“E as perguntas continuam” – outra vez Raul. A proposta do PMB consiste em uma espécie de segregação social? Que espaço terão os homens no partido? É necessário um partido exclusivo para que as mulheres revertam o quadro negativo em que se encontram na política? A proposta de um partido feminista é constitucional?
O Brasil é grande e rico, mas há quem diga que há partidos demais na nossa política. Será? E quanto aos partidos que de tão grandes não conseguem manter a coerência interna? E quanto às fusões?
Chega! Cansei de mim mesmo.
Sempre escrevo a coluna aos sábados. Melhor sair e tomar algumas. No bar as perguntas continuam e, depois de uns goles, todo mundo explica.
Boa semana a todos!
*Tiago Franz é colunista do Perspectiva Política aos domingos e editor do blog NeoIluminismo










