Postagens com a palavra-chave ‘Fernando Pimentel’

A consequência de alianças forjadas: Hélio e Pimentel não se entendem

19/08/2010

Informa Lauro Jardim, da Veja, em seu blog:

“Há um claro estranhamento entre Hélio Costa e Fernando Pimentel nesta campanha. Costa é (ou era para ser) o candidato ao governo de Minas Gerais apoiado por Pimentel. E Pimentel é (ou era para ser) o candidato ao Senado na chapa de Hélio Costa…”

Em Minas Gerais, PT e PMDB sempre foram adversários. Algumas disputas chegaram a baixar o nível do debate.

Hoje, por conta da aliança nacional pró-Dilma, as legendas estão unidas. Mas apenas formalmente, continuando, de fato, distantes.

Essa é a consequência de alianças distorcidas feitas a reboque do interesse das cúpulas partidárias.

A arbitrariedade vence as reticências das mentes, mas não as dos corações.

Ninguém esquece o jogo sujo passado do pseudo-novo amigo e isso vale também para uniões no campo da oposição.

No caso específico de Minas, Aécio Neves e seu candidato Antonio Anastasia agradecem.

Enquanto Patrus Ananias aparece em cartazes com Hélio Costa, a internet relembra facilmente os arranca-rabos deste com os movimentos sociais aliados ao PT.

E segue o jogo…

Datafolha: Resultado das últimas pesquisas para o Senado

18/08/2010

Saíram os resultados da pesquisa Datafolha sobre a disputa  ao Senado em alguns Estados.

Vamos aos números:

Rio de Janeiro

Marcelo Crivella (PRB) – 40%

Cesar Maia (DEM) – 33%

Lindberg (PT) – 22%

Jorge Picciani (PMDB) – 14%

Marcelo Serqueira (PPS) – 6%

Waguinho (PTdoB) – 6%

São Paulo

Marta Suplicy (PT) – 32%

Orestes Quércia (PMDB) – 25%

Romeu Tuma (PTB) – 23%

Netinho de Paula (PCdoB) – 17%

Ciro Moura (PTC) – 15%

Minas Gerais

Aécio Neves (PSDB) – 68%

Itamar Franco (PPS) – 47%

Fernando Pimentel (PT) – 20%

Paraná

Roberto Requião (PMDB) – 49%

Gleisi Hoffman (PT) – 31%

Roberto Barros (PP) – 15%

Gustavo Fruet (PSDB) – 13%

Rio Grande do Sul

Germano Rigotto (PMDB) – 43%

Ana Amélia (PP) – 35%

Paulo Paim (PT) – 35%

Pernambuco

Humberto Costa (PT) – 40%

Marco Maciel (DEM) – 35%

Armando Monteiro (PTB) – 25%

Raul Jungmann (PPS) – 12%

Distrito Federal

Cristovam Buarque (PDT) – 44%

Rodrigo Rollemberg (PSB) – 30%

Maria de Lourdes Abadia (PSDB) – 29%

Alberto Fraga (DEM) – 11%

Aécio quer valer por três: Ele mesmo, Anastasia e Itamar

10/07/2010

O ex-Governador mineiro Aécio Neves é tido como o homem com mais prestígio político em Minas Gerais.

A aprovação de seu governo e sua popularidade são astronômicas e as estatísticas já foram postas à prova quando sua reeleição foi conseguida com mais de 70% dos votos válidos.

Pois bem. Eis que Aécio colocará todo esse prestígio em jogo mais uma vez. Ele quer valer por três nas eleições deste ano: Por ele mesmo, pelo atual Governador Antonio Anastasia e pelo ex-Presidente Itamar Franco.

Aécio concorrerá ao Senado e tem uma eleição ganha.

Anastasia concorrerá a reeleição para o cargo de Governador e se chegar à vitória o terá feito única e exclusivamente por conta da influência de Aécio.

Itamar também tentará o Senado e, mesmo tendo votos próprios, conta com o auxílio de Aécio para superar sem sobressaltos o petista Fernando Pimentel.

Obviamente Aécio deseja a sua própria eleição. Todo político precisa de um gabinete para alocar sua equipe mais próxima e dizem que o ex-Governador pensa em presidir e moralizar o Senado.

Também compreende-se que Aécio queira eleger Anastasia, afinal, o seu grupo político continuaria hegemônico em Minas Gerais, o que representaria muito para o projeto nacional de Aécio.

Por fim, Aécio está arregaçando as mangas para eleger também Itamar não só por ser seu aliado e pelo belo topete, mas também porque a derrota de Pimentel é importante.

O petista é próximo de Dilma Rousseff e teria um ministério e mais um suplente no Senado em caso de vitória da petista. Aécio quer tirar-lhe pelo menos o suplente no Senado. Se Serra vencer e Pimentel terminar sem nada, melhor ainda para o neto de Tancredo.

Se ocorrerem as vitórias de Aécio, Itamar e Anastasia, o ex-Governador controlará nada mais, nada menos, do que o governo estadual e as três vagas de Senador, já que também têm influência sobre o democrata Eliseu Resende, eleito em sua chapa em 2006.

Isso tudo independendo da vitória de José Serra.

Aécio não está jogando contra e deve ajudar Serra, mas está se garantindo.

Se o tucano vencer, ótimo. Se perder, Aécio controla Minas, menos mal.

E no fim das contas, a realidade é que temos que admitir que, deixadas de lado as ideologias, Anastasia é melhor que Hélio Costa e Aécio e Itamar são melhores que Pimentel e  o comunista e membro da chapa governista Zito Vieira.

Em suma, Aécio tem melhores candidatos e, para os que não têm tanta popularidade hoje, ele emprestará a dele.

Saiba como foram construídas as candidaturas de Serra e Dilma ao Planalto

16/06/2010

As jornalistas Christiane Samarco e Vera Rosa, do Estadão, investigaram, respectivamente, a construção das candidaturas a Presidente atuais de José Serra e Dilma Rousseff.

Pode-se dizer que tratam-se de dois trabalhos jornalísticos espetaculares. Ambos trazem detalhes a respeito de como as peças foram sendo unidas e montando as duas mais importantes candidaturas que hoje se apresentam ao brasileiro.

Muitos destes detalhes não são de conhecimento de grande público e alguns poucos não eram sabidos, até mesmo, por aqueles que acompanham a política de perto.

Por essas e por outras o Perspectiva não poderia deixar de reproduzir.

Seguem abaixo, portanto, respectivamente, as reportagens “Você não está vendo que é minha última oportunidade?” de Christiane Samarco sobre a candidatura de Serra e “Dilma, prepare-se. A candidata vai ser você!” de Vera Rosa sobre a candidatura de Dilma.

Você não está vendo que é minha última oportunidade?

Christiane Samarco – O Estado de São Paulo

Ele sonha com a Presidência da República desde menino e trabalha metódica e obstinadamente para chegar lá há exatos 12 anos, 2 meses e 12 dias, desde que assumiu o comando do Ministério da Saúde, em 1998. Mas quando tudo parecia resolvido, com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, já fora do páreo, no final de janeiro deste ano José Serra vacilou.

A indecisão assombrou os cinco políticos mais próximos do candidato, a quem ele mais ouve. Foi o mais ilustre membro deste quinteto – o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – quem deu o ultimato e acabou com a indefinição: “Serra, agora é tarde. Você não pode mais desistir”.

O comando tucano estabelecera prazo até o Carnaval para que Serra desse uma demonstração pública que não deixasse dúvidas quanto à decisão de enfrentar o mito Lula e a máquina petista do governo. Serra ainda silenciou por quase uma semana. Voltou à cena, pedindo ao presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE), e ao amigo deputado Jutahy Júnior (BA), que organizassem uma programação para ele participar dos carnavais de rua do Recife e de Salvador, na semana seguinte.

A pressão pela definição era tão grande, que até a reportagem de uma revista semanal britânica repercutiu no Brasil. A respeitada The Economist que circulou na primeira semana de fevereiro trazia um artigo afirmando que o governador José Serra esperava, “com paciência demais” pela Presidência. Disse ainda: “Serra precisa subir no banquinho e começar a cantar seus elogios agora. Do contrário será lembrado como o melhor presidente que o Brasil nunca teve.”

Bem no clima do dito popular sobre o calendário do Brasil, no qual o ano só começa depois do carnaval, Serra assumiu mesmo os compromissos pré-eleitorais no embalo do Momo. “As dúvidas do Serra nunca foram hamletianas. Sempre foram objetivas”, diz o governador Alberto Goldman.

Em conversas reservadas, Serra já havia reclamado da “falta de estrutura” do partido. Boa parte da dúvida vinha da falta de sustentação partidária. Diferentemente do PT, o PSDB não é um partido de base e de organização, com estrutura para dar o suporte que uma disputa acirrada pela Presidência da República requer. Para o amigo Jutahy, os momentos de indefinição decorreram do fato de que Serra “nunca jogou com uma alternativa única”. Da mesma forma, acrescenta, ele jamais seria candidato só para marcar posição. “O Serra acredita na possibilidade de vitória”.

O convite explícito ao ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, para que aceitasse a vice na chapa puro-sangue do PSDB, demorou mais 30 dias – veio na primeira hora da terça-feira 3 de março, no Hotel Meliá em Brasília. Na conversa reservada, sem testemunhas, que avançou pela madrugada, Serra não hesitou em usar seus 68 anos de idade como argumento, para convencê-lo a aceitar a dobradinha café com leite.

“Você não está vendo que esta é minha última oportunidade?”, ponderou, para salientar que Aécio é jovem e que um dia, “fatalmente”, o neto de Tancredo Neves chegará a Presidência da República. Em resposta, o mineiro repetiu a tese de que a melhor forma de ajudá-lo seria dedicando-se à campanha de Minas, disputando o Senado – e o governador Antônio Anastasia, a reeleição.

No voo de volta a Belo Horizonte, no dia 10 de abril, depois do Encontro dos Partidos Aliados – quando Serra apresentou a candidatura e Aécio foi recebido por 3 mil militantes aos gritos de “vice, vice, vice” – o governador de Minas confidenciou a um interlocutor o temor de que o anúncio da dobradinha com Serra fosse um “fato político efêmero”.

Admitiu que sua presença na chapa poderia até dar um “upgrade” à candidatura tucana, mas também avaliou que o entusiasmo seria rapidamente consumido. “Muita gente fala que é importante eu ser vice, mas um anúncio desses só alimentaria o noticiário por 15 dias”. Ainda assim, ele não fechou de todo a porta à chapa café com leite.

Serra já estava avisado de que, com Aécio, não adiantaria pressão. O recado velado veio embutido no discurso de homenagem ao centenário de nascimento de seu avô Tancredo, realizada uma semana depois. Da tribuna do Senado, em sessão solene para lembrar Tancredo Neves, Aécio fez questão de citar a frase com a qual o avô respondera à pressão do então deputado João Amazonas (PC do B) em 1985, para que assumisse posições radicais: “Não adianta empurrar. Empurrado eu não vou.”

Não foi por pressão ou por temor do confronto que Aécio decidiu sair do páreo. Na lógica de um dirigente tucano que o acompanha, ele não quis “ir para o pau” porque não poderia construir uma candidatura a presidente rompido com o candidato a governador de São Paulo. Além disso, ao final do ano passado as pesquisas eleitorais mostravam que ele não havia empolgado o País. Ficou claro que insistir na disputa interna seria um desgaste político.

Boa parte dos movimentos de Aécio rumo ao Planalto foi feita no embalo da resistência de companheiros a mais uma candidatura de São Paulo. Desde 2002, o tucanato das várias regiões amarga um incômodo e um certo cansaço em relação à hegemonia paulista. A queixa geral é de que ser um candidato a presidente “fora do establishment” é muito difícil em qualquer circunstância. Praticamente impossível, se houver um concorrente de São Paulo.

Esse sentimento tomou conta das regionais do partido depois da morte de Mário Covas. O câncer que tirou Covas do governo de São Paulo levou junto o candidato natural do PSDB a presidente da República e também a possibilidade da construção pacífica de uma candidatura de consenso.

Já bastante doente, Covas recebeu, em 2000, a visita de Tasso no Palácio dos Bandeirantes. Em meio à conversa sobre cenário político nacional e a sucessão presidencial, o anfitrião abriu o jogo. “Não vou ter saúde para ser candidato. Essa disputa vai ficar entre você e o Serra. E meu candidato é você”, avisou. Em seguida, fez questão de telefonar para o presidente Fernando Henrique, comunicando sua preferência.

Tasso lançou-se na disputa presidencial em 2001, ao final do seu terceiro mandato de governador do Ceará. Além do incentivo de Covas, morto em março daquele ano, arrebanhou apoios públicos no PFL do senador Antonio Carlos Magalhães (BA). Mas acabou desistindo, com queixas de que havia “uma espécie de conspiração paulista em favor de Serra, desequilibrando a disputa interna”.

“Eu vim aqui comunicar que não serei mais candidato a presidente. Estou saindo fora”, disse Tasso ao presidente Fernando Henrique. Era dezembro de 2001, quando o cearense chegou ao Palácio da Alvorada, já muito irritado e disposto a protestar contra “setores do PSDB no governo” que estariam dificultando a liberação de recursos para o Ceará e, pior, investigando sua vida.

Na chegada ao Alvorada, deparou-se com o ex-ministro da Justiça e secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, mas não amenizou as críticas. Ao contrário: Tasso tinha Aloysio como o “ponta de lança” de Serra contra ele e ainda achava que FHC atuava para desequilibrar a disputa sucessória em favor de São Paulo. Pior, suspeitava da influência de Aloysio sobre uma operação da Polícia Federal que colocou agentes em seu encalço, em meio a uma investigação de lavagem de dinheiro.

Neste cenário, o que era para ser um jantar de autoridades no salão palaciano descambou para as ofensas em tom crescente, a ponto de Tasso apontar “a safadeza e a molecagem” do ministro, que agiria para prejudicá-lo. Bastou um “não é bem assim” de Aloysio para o bate-boca começar.

“Vocês jogam sujo!”, devolveu Tasso.

“Vocês quem?”, quis saber Aloysio.

“Você… o Serra… Vocês estão jogando sujo e eu estou saindo (da disputa presidencial) por causa de gente como você, que está me fodendo nesse governo”, reagiu Tasso.

“Jogando sujo é a puta que o pariu”, berrou Aloysio, já partindo para cima do governador. Fora de controle e vermelho de raiva, Tasso chegou a arrancar o paletó e os dois armaram os punhos para distribuir os socos. Foi preciso que um outro convidado ilustre para o jantar no Alvorada, o governador do Pará, Almir Gabriel, entrasse do meio dos dois, com as mãos para cima, apartando a briga. Fernando Henrique, estupefato, pedia calma.

Diante da desistência pública do cearense e das indagações da imprensa sobre o racha no PSDB e sobre o que Serra poderia fazer para unir o partido, Arthur Virgílio disse diante das câmeras de televisão que falar com Tasso era fácil. “Basta discar o DDD 085 e o número do telefone”, sugeriu.

“Mas o que é isso? Você me ensinando a falar com Tasso pela TV?”, cobrou Serra. “Não fiz para te sacanear. Só respondi à pergunta de como vocês iriam se falar. Você é o meu candidato a presidente”, amenizou Virgílio. O telefonema não aconteceu e Tasso acabou optando pela candidatura presidencial do amigo e conterrâneo Ciro Gomes, que lhe pedia apoio e ajuda e com quem nunca se atritou.

Também foi nos braços de Ciro que os aliados do PFL se jogaram na eleição de 2002. Serra estava rompido com os pefelistas, hoje rebatizados de DEM, desde o desmonte da candidatura presidencial de Roseana Sarney, a partir de uma operação da Polícia Federal que investigou fraudes na Sudam. Em 1º de março de 2001, a PF encontrou R$ 1,34 milhão em cédulas de R$ 50 no cofre da empresa Lunus Participações e Serviços Ltda, de propriedade de Roseana e seu marido Jorge Murad. O casal não esclareceu a origem do dinheiro. O episódio deixou sequelas.

O PFL demorou a se aproximar de Serra. O cacique Antonio Carlos Magalhães dizia que Serra fazia aquilo que era a especialidade do baiano: atropelava todos de quem não gostava. Contava que ele próprio fora atropelado por conta da amizade do paulista com Jutahy.

Nos últimos meses de Serra à frente do Ministério da Saúde, em 2002, quando agilizava os convênios com prefeituras de todo o Brasil para deixar a pasta, o ministro recebeu um telefonema de ACM com um recado direto: “Eu quero que Jutahy perca esta eleição. Quem ajudá-lo não é meu amigo”. O pedido ali embutido era para que o ministério não assinasse convênios com prefeituras ligadas ao deputado baiano. Serra ponderou que não tinha como ajudar Jutahy. “O senhor é o presidente do Senado e ele está sem mandato”, argumentou.

Mas, em vez de vetar o acesso dos prefeitos da base de Jutahy aos programas da Saúde, Serra o alertou: “Trate desta eleição como se estivesse tratando da sua vida”. Abertas as urnas, ACM acusou o golpe com outro telefonema: “Quero te informar que seu amigo se elegeu”. Serra ganhou ali um adversário de peso na Bahia.

Aloysio lembra que, antes mesmo da derrota de 2002, Serra já amargava uma campanha sofrida, mal organizada e sem estrutura, da qual saíra muito abatido. “Até o coordenador se mandou no meio da campanha”, recorda bem humorado, referindo-se à saída de Pimenta da Veiga. “Mas, naquele momento, foi muito sofrido. Ele se levantou porque não é homem de ficar chorando pelos cantos”.

Talvez por isto, correligionários e aliados já identificassem em 2004 um Serra bem diferente, e hoje enxerguem nele um “candidato humanizado” pelas derrotas. Afinal, depois de ser o presidenciável do partido que forçara Lula a disputar dois turnos para chegar ao Palácio do Planalto, ele teve que pedir voto aos próprios companheiros.

Sem mandato, só lhe restava a opção de presidir o partido. “Ele conheceu bem o outro lado. Com 33 milhões de votos, teve que lutar para ser presidente do PSDB”, conta Virgílio, que lhe emprestou o gabinete da liderança do governo no Congresso para a campanha interna, sem adversário.

Do comando partidário, Serra ainda foi forçado a assumir a contragosto a candidatura para prefeito de São Paulo. “Você é o único capaz de vencer a Marta Suplicy” diziam todos os tucanos de São Paulo e do Brasil, referindo-se à prefeita petista, que disputava a reeleição. O apelo mais forte veio do ex-presidente Fernando Henrique.

Ele sabia que a Prefeitura complicaria seu projeto mais importante: a Presidência da República. Queria continuar presidente do partido e estava certo de que era o caminho para chegar como candidato mais forte ao Planalto em 2006. Mas não teve como resistir à pressão de dirigentes nacionais e paulistas, por conta da convicção geral de que, se Marta fosse reeleita, a hegemonia do PT se tornaria irreversível.

Mas foi assim que também se tornou tributário de uma dívida de apoio para a pretensão de 2010. A parceria com o DEM nas eleições municipais de 2008 foi iniciativa de Serra, já mirando o Palácio do Planalto mais adiante. Foi ele quem, na condição de presidente nacional do PSDB, procurou o presidente do PFL para propor a dobradinha. Àquela altura, o PFL tinha um candidato – José Pinotti – que aparecia com cerca de 15% da preferência do eleitorado nos levantamentos do partido.

Bornhausen sugeriu Kassab para vice e o tucano resistiu. Argumentou que Kassab fora secretário do Planejamento na gestão de Celso Pitta, uma ligação com potencial de desastre eleitoral. Queria Lars Grael, o velejador campeão mundial que tivera uma perna mutilada em um acidente e fora secretário nacional de Esportes no governo FHC. Mas Grael era cristão novo e Bornhausen bateu o pé. Praticamente impôs Kassab.

Habilidoso, Kassab nunca agiu como o nome imposto nem se ressentiu do veto. Dizia que a postura de Serra sempre foi muito transparente e que suas ponderações eram de caráter político eleitoral, e não pessoais. E se apresentou ao parceiro de forma objetiva: “Serei uma pessoa leal à chapa. Pode contar comigo”.

Na construção da disputa municipal de 2008, Serra teve de administrar duas candidaturas do mesmo campo político, uma delas de seu próprio PSDB. Kassab sabia que era o preferido por para continuar o trabalho em parceria com tucanos do primeiro time.

Três ex-ministros de Fernando Henrique – Aloysio, Andrea Matarazzo e Clóvis Carvalho – participaram da Prefeitura. Ao final, no entanto, acabou tendo que engolir o apoio público de Serra a Alckmin.

Goldman ainda articulou e coordenou uma reunião com Serra e Aloysio no Palácio dos Bandeirantes, em que propuseram a Alckmin desistir da Prefeitura em troca do apoio garantido do trio para a volta ao governo, dois anos mais tarde. “Governador eu já fui. Quero muito ser prefeito.”

A construção da unidade interna só foi possível depois de Kassab se reeleger prefeito. Derrotado, Alckmin sabia que o único caminho para voltar ao governo de São Paulo seria dentro do próprio governo. Mas, no tucanato, ninguém acreditava que Serra o convidasse e, tampouco, que o outro aceitasse.

Não foi tão difícil. Se o acerto era o passaporte de Alckmin para uma nova candidatura, também era fundamental ao projeto Serra criar um ambiente de unidade interna a partir de São Paulo. Serra investiu na operação certo de que ela teria serventia dupla, além do fato de trazer votos. Mais do que resolver a sucessão paulista, a ofensiva serviria ao projeto mais arrojado de mudança de imagem no plano nacional.

Como Aécio construía a candidatura presidencial vendendo o modelo de político agregador, capaz de aglutinar mais apoios fora do PSDB do que Serra, chegara o momento de o paulista desfazer este entendimento. E nada melhor, para se livrar da pecha de desagregador, do que uma demonstração nacional de que ele seria poderia, sim, encarnar o figurino de político competente também para agregar apoios e unir o partido.

O presidente nacional do partido, Sérgio Guerra, e o presidente da regional paulista, José Henrique Lobo, foram encarregados de fazer a sondagem para poupar o governador de uma eventual recusa. Além deles, apenas Serra, Goldman e Aloysio sabiam do encontro e não deixaram vazar o convite para não subtrair impacto do fato político.

Na tarde de 23 de dezembro, antevéspera do Natal, Alckmin foi tomar um café com Serra a pretexto de lhe desejar boas festas, e deu o OK. O convite aceito foi o fator de aglutinação que faltava para dar seguimento à estratégia de chegar ao Planalto.

Mas nem por isto a pendenga com Aécio estava resolvida. Embora Serra ocupasse o primeiro lugar da fila de presidenciáveis tucanos, o ex-governador de Minas também estava convencido de que sua melhor hora para entrar na corrida sucessória era aquela. Depois de oito anos de administração bem sucedida no governo de Minas, ele avaliava que este seria o melhor momento para apresentar sua candidatura.

Foi aí que Sérgio Guerra teve seu papel mais relevante na construção da candidatura tucana. Foi ele quem administrou a dupla de presidenciáveis e convenceu Serra a acatar a ideia das prévias que Aécio exigia. O governador paulista chegou a se irritar com a pressão de Aécio, que se sentia liberado para correr o País em busca de apoios, depois de sete anos de administração bem sucedida em Minas.

Serra, ao contrário, avaliava que não podia se afastar um milímetro do governo estadual para tratar de eleição, sob pena de perder o voto dos paulistas – que já haviam amargado sua saída da Prefeitura de São Paulo no meio do mandato. Com muita habilidade e alguma paciência, impediu um atrito entre os dois assegurando ao paulista que as prévias acabariam não acontecendo. E assim foi.

Dilma, prepare-se. A candidata vai ser você!

Vera Rosa – O Estado de São Paulo

Ávida por descobrir o que o futuro lhe reserva, Dilma Rousseff quer encomendar um mapa astral e tenta de todo jeito saber a hora exata de seu nascimento, ausente da certidão. Depois de infrutíferas entrevistas na família, a candidata do PT à Presidência mandou buscar a informação no arquivo do hospital São Lucas, de Belo Horizonte. Não encontrou a resposta até agora, mas a persistência em busca do horário perdido revela o quanto rejeita o veredicto “impossível”.

“Também isso foi há 62 anos, não é?”, justifica ela, não muito resignada. “Minha mãe diz que eu nasci antes da meia noite e minha tia, que foi um pouco depois. Como é que eu vou saber? O que sei é que sou sagitariana.”

Nascida em 14 de dezembro de 1947, a mineira Dilma tem mais essa “semelhança” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pernambucano, dois anos mais velho do que ela. Lula nunca soube a hora de seu nascimento. Nem mesmo o dia. A mãe contava que era 27 de outubro, mas o menino foi registrado pelo pai como sendo do dia 6. Para o presidente, a conjunção dos astros conspirou a seu favor por “pura sorte”.

Seis e 27 de outubro foram as datas dos dois turnos da eleição de 2002, quando Lula chegou pela primeira vez ao Palácio do Planalto, derrotando José Serra (PSDB), hoje adversário de Dilma. Quatro anos depois, reeleito após atravessar uma sucessão de crises e quase ser apeado do poder com o escândalo do mensalão, em 2005, ele encasquetou com Dilma, a ministra da Casa Civil.

Começou ali, na transição do primeiro para o segundo mandato, o planejamento do que parecia impossível: a construção da candidatura de Dilma, uma cristã nova no PT. Com os herdeiros naturais abatidos por escândalos e a cúpula do PT dizimada, Lula tomou uma decisão solitária sobre o seu espólio. Apenas o círculo mais íntimo de auxiliares percebia os sinais emitidos por ele.

No fim de 2006, o Palácio do Planalto abrigou várias reuniões reservadas para a discussão dos rumos do novo governo. “Eu sempre tive medo de que o segundo mandato caísse na mesmice”, revelou Lula ao Estado.

Gerente da equipe, Dilma teve papel destacado nesses debates, com ênfase em desenvolvimento, distribuição de renda e educação. Nos encontros, com a participação de um seleto grupo de ministros, foram gestados o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), lançados em 2007.

“Antes de deixar o governo, em março daquele ano, eu avisei: “Dilma, se prepare que a candidata em 2010 vai ser você!”", conta o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos. “Ela respondeu: “Imagine, não posso! O meu trabalho é muito absorvente.”"

Com recursos de R$ 503,9 bilhões em sua primeira edição, o PAC logo se transformaria no carro-chefe da campanha petista. Lula, porém, estava longe de falar com a titular da Casa Civil sobre o assunto.

“Um dia, caminhando com ele até a sua sala, ouvi a seguinte frase: “Estou pensando cada vez mais sério em fazer a Dilminha candidata”", descreve Gilberto Carvalho, chefe de gabinete da Presidência. “Levei um susto.”

O publicitário João Santana, responsável pelo marketing político de Lula na campanha de 2006, foi escalado para dar consultoria à ministra da Casa Civil no ano seguinte. “Se a gente trabalhar direito, elege a Dilma”, dizia o presidente.

Conhecida por seus métodos pouco ortodoxos de treinamento, que incluem até arte marcial japonesa, a jornalista Olga Curado também foi recrutada para preparar Dilma antes de entrevistas, palestras e debates.

Na primeira pesquisa feita pelo PT, em 2007, ela apareceu com 3% das intenções de voto. A lista dos ministros mais conhecidos do governo era encabeçada pelo cantor Gilberto Gil, da Cultura. Dilma estava lá embaixo. Desânimo geral.

Foi duro o trabalho para transformar a técnica sisuda na candidata sorridente que terá o nome homologado hoje, em convenção do PT. Filha de pai búlgaro e mãe mineira, com sobrenome de difícil pronúncia, Dilma começou a ser chamada de “Vilma do Chefe” em 2008, quando Lula passou a levá-la a tiracolo nos palanques. A simbiose foi comemorada pelo comando da campanha.

Pesquisas encomendadas por Santana mostraram que a imagem de Dilma tinha de ser cada vez mais associada à de Lula, um presidente popular, e aos programas sociais do governo, como o Bolsa Família e o Luz para Todos. Assim foi feito. “A força inicial do lançamento é determinante para saber a altura do voo”, argumentava o marqueteiro. Pilar dessa estratégia, o programa Minha Casa, Minha Vida, de 2009, foi planejado sob medida para a eleição.

“Essa história de dizer que Dilma é técnica embute uma tentativa de desqualificá-la”, afirma o advogado Carlos Franklin Paixão de Araújo, seu ex-marido e companheiro em organizações de extrema esquerda, como a Vanguarda Armada Revolucionária-Palmares (VAR-Palmares), no fim dos anos 60 e início dos 70. “Então uma pessoa que é presa aos 22 anos, torturada, sai da prisão e ajuda a organizar um partido, o PDT, é técnica? Ela sempre foi política.”

O PT prepara antídotos para combater o ataque à participação de Dilma em grupos que pregavam a luta armada. Além da vinculação de sua biografia à do líder sul-africano Nelson Mandela, pacifista, a ideia é apresentá-la como uma espécie de heroína do movimento contra a ditadura, uma mulher que sempre defendeu a democracia. “Dilma nunca deu um tiro”, reforça Araújo, pai de sua única filha, Paula (33 anos), a quem ela chama, até hoje, de “meu bebê”.

O tiro de Lula, porém, deixou muita gente boquiaberta. Na noite de 30 de outubro de 2007, ao voltar de Zurique, ele fez um diagnóstico sobre a própria sucessão. “São Paulo não vai eleger o próximo presidente nem que a vaca tussa”, previu, em conversa no avião com o ministro Orlando Silva (Esporte) e Marta Suplicy, então titular do Turismo. Era uma terça-feira e a comitiva retornava da viagem de apresentação da candidatura do Brasil à sede da Copa de 2014.

O argumento de Lula, que àquela altura já vislumbrava a candidatura de Serra, era um só: São Paulo se portava como locomotiva “divorciada” do Brasil. Na sua avaliação, um candidato paulista não agregaria tanto apoio quanto a desconhecida Dilma.

Ela entrou no governo em 2003 pelas mãos de Antônio Palocci, hoje um dos principais coordenadores de sua campanha. Ex-secretária de Energia do governo Olívio Dutra (PT), foi convidada por Palocci a integrar a equipe de transição. Egressa do PDT de Leonel Brizola, tinha menos de um ano de filiação ao PT.

Sem papas na língua, ela logo comprou briga com Luiz Pinguelli Rosa e Ildo Sauer, os dois pesos-pesados que preparavam o programa do PT para um novo modelo energético, mas encantou Lula. Foi assim que virou ministra de Minas e Energia, desbancando o PMDB.

José Dirceu, então presidente do PT, negociava a entrada do PMDB no governo, mas foi logo avisado de que aquela vaga seria de Dilma. “Essa moça conseguiu conter a crise de energia no Rio Grande do Sul. O ministério está reservado para ela, não vai para indicação política”, esbravejou Lula.

A poucos dias de assumir a Casa Civil, Dirceu foi obrigado a desfazer um acordo fechado com o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), hoje candidato a vice na chapa de Dilma. “Eu só fui conhecê-la muito tempo depois”, diz Temer.

Dirceu e Palocci disputavam os rumos do governo. O ministro da Casa Civil caiu com o escândalo do mensalão, em 2005. Cinco meses depois, em novembro, teve o mandato de deputado cassado pela Câmara. “Quando sobreveio a crise e a queda do Zé, o presidente logo falou: “Eu tenho um nome”", lembra Carvalho. “Era a Dilma.”

Sob intenso cerco político, o governo precisava mostrar resultados rápidos para reagir ao terremoto. Com fama de durona, Dilma se encaixou no figurino idealizado por Lula. Não tinha litígios políticos nem almejava o poder.

Nas palavras do presidente, “era de uma dedicação a toda prova”. Ficava até altas horas no Planalto e de manhã integrava o grupo que batia ponto às 8 horas para monitorar as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs).

No auge da crise, auxiliares mais próximos de Lula chegaram a sugerir a ele, em reunião no Palácio da Alvorada, que não concorresse à reeleição. Era a saída para acalmar os adversários do PSDB e do DEM, que, assim, dariam uma trégua ao governo. Dilma foi contra a ideia.

Lula chegou a convidar Palocci, em julho, para ser o candidato do PT em 2006, sob o argumento de que não queria um segundo mandato. “Não existe essa hipótese. Você vai ser candidato”, devolveu o ministro da Fazenda. Mesmo antes da queda de Dirceu, o nome preferido do presidente para a sua sucessão sempre foi o de Palocci.

Furioso ao saber que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso havia pregado sua renúncia à disputa como forma de restaurar a ética no País, Lula não se conteve. Entre um e outro palavrão, disse que não apenas entraria de novo no páreo como venceria a peleja. “Essa gente não conhece minha ligação com o povo”, reagiu.

Implacável nas cobranças, Dilma ganhou a confiança do chefe. Os gritos da ministra, famosos no Planalto, não assustavam Lula. Não eram raros aqueles que deixavam a sala dela, no quarto andar, para reclamar no gabinete dele, no terceiro. Palocci figurou nessa lista.

Em novembro de 2005, o ministro da Fazenda se queixou porque Dilma – chamada por ele de “a tia” – classificou o ajuste fiscal de longo prazo como “rudimentar”, numa entrevista ao Estado. Para Dilma, o efeito do corte de gastos, com os juros altos, era o mesmo que “enxugar gelo”.

Reconduzido ao poder, Lula ainda acalentava o sonho de fazer Palocci o sucessor, agora em 2010. Foi obrigado a desistir do plano em março de 2006. Envolvido em acusações de quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, reveladas pelo Estado, o homem forte da Fazenda caiu.

Sem os dois generais do primeiro mandato, Lula se antecipou em três anos às previsíveis cotoveladas entre as correntes do PT para a indicação de seu herdeiro no inventário e passou a testar Dilma. Soltava o nome vez por outra, como balão de ensaio. Não foi só Gilberto Carvalho quem tomou susto.

O PMDB torcia o nariz para a ministra. “Achávamos que ela era muito técnica, muito dura”, resume o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). As divergências aumentavam na temporada de negociação dos cargos cobiçados pelo PMDB.

Eram 17 horas de uma segunda-feira, em janeiro de 2008, quando um bambolê cor de rosa aterrissou no Planalto. Comprado por R$ 1,99, o “presente” foi despachado por Alves para o gabinete de Dilma. “Foi a forma que encontramos de dizer que ela precisava ter mais jogo de cintura”, admite Alves.

Nas fileiras do PT e do PSB, os muxoxos sobre a preferência de Lula também se fizeram ouvir. “Ela não tem militância nem vínculo partidário”, bradou Tarso Genro, à época ministro da Justiça, com a autoridade de quem conhecia Dilma desde o Rio Grande do Sul. “É um grave erro político o lançamento de um único candidato da base aliada”, protestou o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Sem contar Tarso e Ciro, que não escondiam a intenção de concorrer à cadeira de Lula, várias alas do PT também já se assanhavam.

Dirigentes da tendência Construindo um Novo Brasil – como foi rebatizado o antigo Campo Majoritário, grupo de Lula – punham na roda o nome do ministro do Desenvolvimento Social, o mineiro Patrus Ananias. Discípulos de Marta achavam que, se ela saísse vitoriosa da eleição para a Prefeitura, em 2008, poderia assumir a tarefa. Não emplacou.

Patrus comandava o Bolsa-Família, a grande aposta do governo, mas, na opinião do presidente, tinha “personalidade tímida”, característica vista como problema para uma campanha plebiscitária contra o PSDB. Além de não ser da corrente de Lula, Tarso causava receio por seu estilo polêmico.

Ainda em 2007, na manhã de 8 de novembro, outro sinal dado por Lula não deixou dúvidas de que Dilma era a favorita. A bordo do avião que conduzia a comitiva de ministros ao Rio, o presidente só ali contou aos passageiros o motivo da viagem: a Petrobrás havia descoberto um “bilhete premiado”, a camada de pré-sal.

E quem faria o anúncio da boa nova? Dilma Rousseff, a candidata.

“A descoberta do pré-sal não podia vazar, por causa das ações da Petrobrás”, atesta o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Além de Dilma e Bernardo, formavam a comitiva os ministros Guido Mantega (Fazenda), Nelson Hübner (Minas e Energia), Franklin Martins (Comunicação Social), Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) e Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia).

Dias depois, ao cruzar com Dilma nos corredores do Planalto, Clara Ant abriu um sorriso. “Dilma, você é o nosso pré-sal!”, exclamou a assessora de Lula.

A transformação de Dilma, no entanto, começou a aparecer apenas em meados de 2008, ano de eleições municipais. Com miopia de oito graus, ela trocou os pesados óculos por lentes de contato, contratou um “ghost writer” para pôr uma pitada social em seus discursos cheios de números e subiu em palanques de candidatos às prefeituras.

Perto do Natal de 2008, Dilma fez uma plástica no rosto que suavizou as olheiras e a fisionomia. Retomou as atividades após as festas de fim de ano com novo visual. Sua exposição no balanço do PAC foi mais objetiva, com tempo cronometrado, resultado do treinamento com João Santana.

A falta do convite oficial de Lula, porém, virou piada nas reuniões semanais da coordenação de governo. “A essa altura, ele já falava com todo mundo sobre a candidatura, menos com ela”, recorda Carvalho.

O baque veio em abril do ano passado, quando Dilma descobriu que estava com câncer no sistema linfático. A notícia da doença vazou 24 horas depois de Lula ser informado por ela e Franklin Martins sobre o assunto. O presidente, ministros e dirigentes do PT conversaram com médicos. Todos garantiram que a chance de cura era alta, já que o tumor fora detectado em estágio inicial. “Vá lá e dê uma entrevista. Esclareça tudo, se não vão pensar que estamos escondendo as coisas”, recomendou Lula.

Sentada ao redor de uma mesa no restaurante italiano Magari, no Itaim Bibi, Dilma almoçou com Thomaz Bastos e Martins, após a entrevista no Hospital Sírio Libanês. Pediu salada e nhoque com cordeiro. O tema da conversa era a campanha.

“Falamos sobre a importância de organizar um grupo de confiança, para discutir política com ela”, relata Thomaz Bastos, hoje consultor jurídico do comitê petista. “Em nenhum momento a doença foi posta como fator impeditivo.” Amigo de Dilma, o ex-ministro passou a integrar esse núcleo, ao lado de Martins, Carvalho, Palocci, do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e do então presidente do PT, Ricardo Berzoini. As reuniões, sempre às terças-feiras, fazem parte da rotina até hoje, com novos integrantes.

Lula abortou as especulações sobre um Plano B para substituir Dilma. Em São Bernardo do Campo (SP), porém, dirigentes do PT chegaram a se reunir duas vezes para examinar alternativas, caso ela não pudesse levar adiante a candidatura. Nos encontros foi sugerido o nome do recém-eleito prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT). O presidente desautorizou a articulação.

Foi somente depois que Dilma terminou o tratamento de quimioterapia para combater o câncer, em julho, que Lula teve uma conversa séria com ela sobre a montagem do comando de campanha. “Chegou a hora de trabalhar mais profissionalmente”, avisou. “Você chama o Pimentel que eu chamo o Palocci.”

Em 16 de setembro, o presidente organizou um jantar para ela, no Palácio da Alvorada. Convidou Pimentel, Palocci, Carvalho, Martins, Berzoini e Santana. “Bom, Dilma, agora é oficial. Eu vou falar na frente deles o que me cobraram todos esses anos. Você está sendo escolhida a nossa candidata”, disse Lula, provocando gargalhadas.

Um segundo jantar no Alvorada, já com o novo presidente do PT, José Eduardo Dutra, eleito em novembro, sacramentou a estratégia. A portas fechadas, a cúpula do partido avaliava que era necessário correr riscos, mesmo levando multas por campanha eleitoral antecipada, para tornar Dilma conhecida.

Até agora, Lula já tomou cinco multas, aplicadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que somam R$ 37,5 mil. A punição foi calculada, mas ninguém imaginava um novo dossiê no meio do caminho.

Depois da trapalhada produzida por um “bando de aloprados”, como Lula definiu o grupo de petistas que tentou comprar um dossiê contra tucanos, em 2006, outra rede de intrigas envolve a campanha do PT.

Suspeitas de espionagem contra Serra, fogo amigo e disputas de poder rondam o comitê de Dilma. Com a alegação de que é vítima de “armadilha”, o PT desafiou o rival para a briga na Justiça.

Disposta a afastar o mau olhado, a candidata exibe, no pulso esquerdo, uma pulseira de ouro com olho grego, presente da primeira-dama da Bahia, Fátima Mendonça. Reza a lenda que se trata de poderoso talismã para combater a inveja e dar proteção.

Enquanto não faz o mapa astral, Dilma recorre à superstição “na medida certa”, como diz. Ela não crê em bruxas, “pero que las hay, las hay”.

Perspectiva adiantou: Hélio Costa será candidato ao governo mineiro com o apoio do PT – Pimentel fora

08/06/2010

Comentou o Perspectiva recentemente:

O petista e ex-Prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel venceu as prévias petistas em Minas Gerais. Foi escolhido pelo PT-MG como candidato do partido ao governo do estado.

Acontece que sabe-se, assim como dois e dois são quatro, que o candidato do PT que saísse das prévias para o governo mineiro seria, na verdade, ungido como candidato ao Senado.

A submissão do PT mineiro ao PMDB do estado e à candidatura de Hélio Costa já está selada. Só não vê quem não quer. E só quem quer acredita nas falsas prévias petistas.

Tanto é assim que de cerca de 108 mil potenciais eleitores, apenas 30 mil compareceram às urnas. O resto não quis ser feito de bobo.

Pimentel venceu. Será candidato ao Senado.

Patrus Ananias perdeu. Será candidato à Câmara dos Deputados.

Hélio Costa nem concorreu nas prévias petistas. Será o candidato do PT ao governo de Minas.

Pois bem. Foi fechado oficialmente ontem o acordo que já estava selado há tempos.

Hélio Costa será candidato ao governo de Minas Gerais pelo PMDB com o apoio do PT. Fernando Pimentel será candidato ao Senado.

Tenta-se convencer Patrus Ananias a não concorrer a Deputado Federal e sim a Vice de Hélio.

Caso Patrus não aceite, estará confirmada toda a previsão do Perspectiva.

Na realidade, uma previsão consideravelmente fácil de se fazer, afinal, estão brincando de “tudo que o Mestre mandar”.

O Mestre todos sabem quem é. E ele só pensa na eleição federal.

Os diretórios regionais do PT e a formação de novos quadros petistas que se explodam.

Análise: Senado mineiro – Aécio e Itamar lideram pesquisa

27/05/2010

O jornal O Tempo, de Belo Horizonte, divulgou pesquisa realizada pelo DataTempo/CP2, visando aferir as intenções de voto para o Senado de Minas Gerais. O levantamento foi feito entre os dias 14 e 17 de maio, entrevistou 2.043 pessoas e tem margem de erro de 2,19 pontos percentuais para mais ou para menos.

Vamos aos resultados:

Cenário 1 (Somando 1° Voto e 2° Voto)

Aécio Neves (PSDB) – 72,88%

Itamar Franco (PPS) – 45,47%

Hélio Costa (PMDB) – 44,45%

Clésio Andrade (PR) – 6,41%

Cenário 2 (Somando 1° Voto e 2° Voto)

Aécio Neves (PSDB) – 77,68%

Itamar Franco (PPS) – 57,41%

Fernando Pimentel (PT) – 17,77%

Clésio Andrade (PR) – 8,52%

Cenário 3 (Somando 1° Voto e 2° Voto)

Aécio Neves (PSDB) – 77,09%

Itamar Franco (PPS) – 59,76%

Patrus Ananias (PT) – 14,30%

Clésio Andrade (PR) – 9,10%

Os resultados permitem algumas conclusões inegáveis:

Aécio Neves tem uma popularidade astronômica, fenomenal, inigualável, em Minas Gerais. Praticamente 80% dos mineiros desejam dar seu 1° ou seu 2° voto a Aécio. E olhem que ele esteve viajando e longe da mídia. Em campanha, o percentual pode aumentar.

Aécio representa mais para Minas do que Lula para o Brasil. Impressionante.

Quanto ao grande Presidente Itamar Franco, seu patamar confirma o que o Perspectiva diz há meses: Aécio está eleito e Itamar só teria adversário de José Alencar concorresse.

Estando Alencar fora da corrida pelo Senado mineiro, Itamar está caminhando rumo à Casa alta do Legislativo nacional.

Com relação aos representantes de PMDB e PT, percebe-se que Hélio Costa tem bons patamares tanto nas pesquisas para o governo, como nas pesquisas para o Senado. Mas é o único.

Fernando Pimentel parece ter mais chances de conquistar o governo se convencer o PMDB a apoiá-lo do que de ganhar vaga no Senado.

A realidade é que, surpreendentemente, os políticos mineiros têm mais chance de conquistar o governo do que o Senado.

O que acontece é que na disputa pelo governo Aécio não pode estar.

Se aceitar ser o Vice de José Serra, não estará na disputa pelo Senado também.

Nesse caso as chances dos outros aumentam.

A prova de fogo de Aécio é a eleição de seu sucessor, Antonio Anastasia.

Ser Vice de Serra ou ser candidato ao Senado, o que for melhor para ajudar Anastasia a vencer ele fará.

Está até agora convencido de que a segunda opção é melhor.

Poderá andar por Minas de braços dados com seu pupilo.

Pesquisa Vox Populi: Sem Pimentel, Hélio Costa tem boa liderança – Anastasia depende de Aécio

19/05/2010

O Instituto Vox Populi divulgou pesquisa de intenção de voto referente à corrida para o governo de Minas Gerais. A pesquisa foi encomendada pela Rede Bandeirantes e realizada recentemente, tendo 3,1 pontos percentuais de margem de erro para mais ou para menos.

Vamos aos resultados:

Hélio Costa (PMDB) – 45%

Antonio Anastasia (PSDB) – 17%

Vanessa Portugal (PSTU) – 2%

João Batista (PSOL) – 2%

Outros e indecisos – 34%

O ponto principal a ser ressaltado é a ausência do nome do ex-Prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel na sondagem, embora ele tenha vencido o ex-Ministro Patrus Ananias nas prévias do PT que definiram o candidato da legenda ao governo mineiro.

Percebe-se que já é dado como certo o acordo entre PT e PMDB e que estão corretos os analistas que dizem que tanto as prévias petistas como a divulgação de que está havendo uma negociação entre os partidos para que se decida entre Costa e Pimentel representam apenas jogo de cena para tentar não melindrar a militância petista e colocá-la na campanha de Hélio.

Sendo assim, o verdadeiro rival de Costa é o atual Governador Antonio Anastasia, que há pouco tempo era Vice de Aécio Neves e que será o palanque mineiro de José Serra, fazendo o contraponto com relação ao palanque do PMDB que será de Dilma Rousseff.

Com a vantagem de 45% a 17% de Hélio Costa sobre Anastasia poderíamos interpretar que a eleição está ganha.

Mas não é bem assim.

Aécio Neves se engajará completamente na eleição de seu sucessor e representa, em Minas, mais do que Lula representa para o Brasil atualmente. O neto de Tancredo tem popularidade astronômica em seu estado.

Aécio crê que pode dar uma enorme parte destes 34% de indecisos para Anastasia, além de tirar uma casquinha dos índices de Hélio Costa.

É ver para crer.

Impossível não é.

Coluna do dia: Quando o PDT copia o PMDB e joga ao lado de quem estiver ganhando

12/05/2010

Por Rafa Policarpo*

O disputa pelo governo de Minas Gerais ainda parece incerta.

Alguns partidos participaram de uma reunião na manhã de terça-feira (11), incluindo PT e PMDB, e confirmaram o apoio a Dilma Rousseff nas eleições nacionais.

Contudo, nada de acertos para o governo estadual. Além disso, partidos que constituem a base da aliança nacional liderada pelos petistas não participaram desta solenidade e por isso parecem não aceitar o famoso palanque único tão debatido nos últimos dias no estado.

Com exceção da ausência do PP, que negocia com o PSDB a Vice na chapa de Antonio Anastasia, e do PDT, que parece mais indeciso do que as chapas que irão disputar o governo mineiro, a falta dos outros partidos não foi surpresa.

O Presidente do PDT confirmou contato por parte do PMDB solicitando a indicação de um nome para Vice de Hélio Costa, caso o PT-MG continue insistindo no pleito de algum de seus filiados.

Por sinal, na semana passada, petistas foram às urnas, seguindo a decisão do diretório estadual de que haveriam prévias no partido entre Patrus Ananias e Fernando Pimentel, para definir o candidato ao Palácio da Liberdade.

Porém, para descontentamento das lideranças mais conservadoras, Pimentel derrotou Patrus por diferença de 2% e parece abrir caminho para o apoio do PT-MG ao PMDB e a Hélio Costa, uma vez que o ex-Prefeito de Belo Horizonte é coordenador da campanha presidencial da ex-ministra Dilma e certamente faria de um tudo para poupar sua candidata e acertar as melhores opções em seu favor.

Enquanto nada é decidido, o PDT corre e atira para todos os lados. O Presidente mineiro da sigla afirmou em reportagem do Jornal Hoje em Dia que realmente ocorreram conversas entre seu partido e peemedebistas para definirem um nome para a Vice de Costa e, ao que tudo indica, Zezé Perrella estaria de olho e de ouvidos atentos na proposta.

Além disso, Paulo César Freitas, Presidente do PDT-MG disse que não se surpreenderia caso o convite para a indicação de um nome para Vice viesse do PT ou do próprio PSDB e afirmou que o partido está aberto, e que na altura do campeonato não descartaria nem mesmo candidatura própria do PDT.

Para o PDT mineiro não existe ideologia e nem mesmo princípios. O que o partido reivindica, seja de quem for, é o cargo de Vice-Governador do estado, seja em chapa encabeçada por Hélio Costa, por Pimentel, por Anastasia  ou talvez, quem sabe, até mesmo pela mula-sem-cabeça.

Semelhanças ou não, essa mesma característica é atribuída a nível nacional ao PMDB.

Resta saber se o PDT-MG terá o mesmo sucesso que obtiveram os peemedebistas com Lula.

Cristovam Buarque e todas as boas lideranças do PDT é que devem estar “imensamente felizes” com a conduta de sua sigla no estado de Minas Gerais…

*Rafa Policarpo, colunista do Perspectiva às quartas, é estudante de propaganda e publicidade, amante do marketing político e editor do blog RafaPolicarpo.

Pimentel vence prévia feita pelo PT mineiro para o Governo que vale para o Senado

03/05/2010

O petista e ex-Prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel venceu as prévias petistas em Minas Gerais. Foi escolhido pelo PT-MG como candidato do partido ao governo do estado.

Acontece que sabe-se, assim como dois e dois são quatro, que o candidato do PT que saísse das prévias para o governo mineiro seria, na verdade, ungido como candidato ao Senado.

A submissão do PT mineiro ao PMDB do estado e à candidatura de Hélio Costa já está selada. Só não vê quem não quer. E só quem quer acredita nas falsas prévias petistas.

Tanto é assim que de cerca de 108 mil potenciais eleitores, apenas 30 mil compareceram às urnas. O resto não quis ser feito de bobo.

Pimentel venceu. Será candidato ao Senado.

Patrus Ananias perdeu. Será candidato à Câmara dos Deputados.

Hélio Costa nem concorreu nas prévias petistas. Será o candidato do PT ao governo de Minas.

Tudo ou nada por Dilma.

Se ela vencer, tudo.

Se ela perder…

…O PT reza pela volta de Lula, que é, curiosamente, o mesmo que patrocina a submissão do PT mineiro a Hélio Costa.

2ª coluna do dia: Hélio Costa negocia vaga de Vice com o PDT, Anastasia de olho em Alberto Pinto Coelho

29/04/2010

Por Rafa Policarpo*

O ex-Ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), candidato ao governo mineiro com apoio do PT nacional, decidiu juntamente com seu partido pressionar a decisão do PT estadual. Segundo reportagens da imprensa mineira, Costa estaria irritado com a direção do PT-MG que nega apoiar seu nome ao cargo e defende até o momento a candidatura própria do Partido dos Trabalhadores.

Rumores indicam que nomes como os dos deputados Mario Heringer e Zezé Perrella, o PDT e o PR estariam envolvidos na articulação peemedebista, o que fortalece ainda mais o nome de Hélio Costa, já que o Partido da República, por exemplo, conta com Clesio Andrade, pré-candidato ao Senado por Minas Gerais.

O palanque único, ambição da aliança nacional, parece ficar distante, afinal, certamente o PT mineiro defenderá até o último instante que Patrus ou Pimentel concorram às eleições.

O presidente do PDT mineiro, Deputado Antonio Andrade, afirmou à imprensa que a conversa com o PDMB tem caminhado bem e que estão sendo acertados detalhes para que o PDT possa apoiar totalmente Costa no pleito mineiro.

Parece que a disputa entre os petistas e os peemedebistas em Minas se estenderá até próximo da oficialização dos candidatos que disputarão as eleições. Acredito que o PT nacional irá intervir nesse caso em beneficio da aliança PT-PMDB no estado, visando fortalecer Dilma.

Já a outra chapa que disputa o governo mineiro, que é liderada pelo ex-Vice de Aécio e atual Governador Antonio Anastasia (PSDB), parece bem à frente no tocante à composição, além de contar com o apoio crucial de Aécio.

Nesta terça-feira (27), Anastasia admitiu para jornalistas que o nome mais cotado para ser seu Vice é o Presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e também líder do PP no estado, Alberto Pinto Coelho.

Segundo fala do próprio Anastasia, essa escolha será feita somente em meados de 2010, mas existe indicativos que será mesmo Pinto Coelho o escolhido para compor a chapa. Anastasia ainda afirmou que esta escolha não será pessoal e que deverá partir dos partidos que apóiam o PSDB na concorrência em Minas.

Vale ressaltar que uma aliança entre PSDB e PP em Minas fortalece a possibilidade de uma repetição deste vínculo em nível nacional, que viria com o PP indicando o Senador fluminense Francisco Dornelles, seu Presidente, para Vice de José Serra.

No fim das contas, o pré-candidato ao governo mineiro que conta com o apoio de Aécio disse também que o “Dilmasia” é coisa do passado e afirmou que o candidato à Presidência dos eleitores do PSDB em Minas é José Serra, mas deixou escapar que o sul de Minas está sofrendo muito com a fuga de marginais do Estado de São Paulo. Segundo ele, o estado administrado por Serra possui indicadores de violências delicados.

Sobre a disputa mineira, o PSDB apesar de ter um nome com pouca expressividade se comparado ao de Hélio Costa, parece mais bem definido, o que certamente pode fortalecer Anastasia junto ao eleitorado.

Se somarmos a isso o apoio de Aécio Neves, concluiremos que a cisão no campo governista pode, juntamente com outros fatores, dar a vitória ao candidato do PSDB.

*Rafa Policarpo, colunista do Perspectiva às quartas, é estudante de propaganda e publicidade, amante do marketing político e editor do blog RafaPolicarpo.