Postagens com a palavra-chave ‘Fernando Collor’

Resultados de pesquisas para os Governos Estaduais

27/08/2010

Saíram alguns resultados para os Governos Estaduais . Vamos a alguns deles:

São Paulo ( Datafolha)

Geraldo Alckmin (PSDB)  – 54%

Aloizio Mercadante (PT) – 20%

Celso Russomano (PP) – 7%

Paulo Skaf (PSB) – 3%

Minas Gerais (Datafolha)

Hélio Costa (PMDB) – 43%

Antonio Anastasia (PSDB) – 29%

Rio de Janeiro (Datafolha)

Sérgio Cabral (PMDB) – 56%

Fernando Gabeira (PV) – 17%

Paraná (Datafolha)

Beto Richa (PSDB) – 47%

Osmar Dias (PT) – 34%

Rio Grande do Sul (Datafolha)

Tarso Genro (PT) – 42%

José Fogaça (PMDB) – 27%

Yeda Crusius (PSDB) – 14%

Distrito Federal (Datafolha)

Joaquim Roriz (PSC) – 41%

Agnelo Queiroz (PT) – 35%

Pernambuco (Datafolha)

Eduardo Campos (PSB) – 67%

Jarbas Vasconcellos (PMDB) – 19%

Bahia (Datafolha)

Jaques Wagner (PT) – 47%

Paulo Souto (DEM) – 23%

Geddel Vieira Lima (PMDB) – 11%

Ceará (Vox Populi)

Cid Gomes (PSB) – 51%

Lúcio Alcântara (PR) – 20%

Marcos Cals (PSDB) – 10%

Alagoas (Ibope)

Ronaldo Lessa (PDT) – 29%

Fernando Collor (PTB) – 28%

Teotônio Vilela Filho (PSDB) – 24%

 

 

Análise Geral: Collor, uma fênix às avessas

15/08/2010

Muitos brasileiros ainda têm frescas na memória as manifestações dos caras-pintadas. Jovens de todo o País foram às ruas, com tinta nos rostos, para pedir o impeachment de Fernando Collor, então Presidente da República envolvido em escândalos de corrupção.

Embora essas lembranças estejam bem vivas, já se passaram quase 20 anos. Collor já ultrapassou o martírio da suspensão dos direitos políticos e, voltando à ativa, se elegeu Senador por Alagoas, o estado que o catapultou para a Presidência em 1989.

Se antes da eleição Collor já escrevia livros contando como foi injustiçado, como Senador ganhou ainda mais voz. Seu discurso de posse foi marcado pelo tom da “volta por cima”, com o recém-eleito parlamentar comemorando o retorno aos holofotes “nos braços do povo”.

Pois bem. Eleito em 2006, Collor tem mais 4 anos de mandato. Não lhe custa nada, além dos gastos da campanha, concorrer ao governo de Alagoas. Caso perca, continuará sendo Senador. O plano era justamente aproveitar a situação cômoda para se fortalecer em Alagoas, visando a vitória, aí sim, em 2014.

Eis que Collor lidera as pesquisas pelo PTB de Roberto Jefferson. Alagoanos de cidades pobres rezam pelo retorno de Collor ao governo do estado. Uma senhora declarou, recentemente, que votará em Collor mesmo sabendo que ele rouba, pois ele dá aos pobres.

Teotônio Vilela é o atual Governador e tenta a reeleição com a máquina administrativa nas mãos. Ronaldo Lessa é o favorito há meses. Mas não tem para ninguém. As pesquisas apontam Collor na cabeça.

Fim das contas, Collor está perto de retornar ao governo de Alagoas, com o apoio do mesmo Lula que desancou em 1989. Renan Calheiros no meio de campo. E um mensalão inteiro para provar que o que Collor roubou é irrisório perto das cifras de hoje.

Collor é a fênix da política nacional. Ninguém nunca sofreu uma desconstrução em praça pública do tamanho da que ele sofreu e depois voltou a cargos de alto relevo.

É bem verdade que a ave mitológica merecia um representante de mais garbo, mas não se surpreendam os brasileiros se, em 2014 ou 2018, Collor apareça na telinha – e agora também no YouTube – pedindo seu voto a Presidente e querendo levar sua verve e sua retórica explosiva de volta ao Planalto.

Para enfrentar os caras-pintadas existem os caras de pau.

Coluna do dia: O grande perdedor do debate? É você, eleitor

10/08/2010

Por Yashá Gallazzi*

Querem uma opinião isenta, objetiva e sem paixões sobre o debate da Band? Tenho essa: Plínio precisa urgentemente de um neto que o impeça de aparece em rede nacional defendendo ideias que, de tão velhas, provavelmente têm a idade dele. Gostaram? Bom, se não gostaram tenho outra opinião: Marina deve entender – e rápido! – que o discurso do oprimido que “passou dificuldades na vida” só funciona co Lula. Tá boa essa? Não?! Bom, então mais uma: Dilma precisa desistir desse negócio de participar de debate. E precisa, também, contratar uma fonoaudióloga. Esta última providência, aliás, é a mais urgente!

O debate promovido pela Band foi morno, sem graça e pouco – ou quase nada – decisivo. A culpa é do formato rígido criado pela justiça eleitoral, que tratou de transformar disputas políticas em meros embates numéricos. Ganha aquele que tiver os melhores números para apresentar (não necessariamente verdadeiros…), e que souber aliar isso a uma desenvoltura minimamente aceitável. Não dá, por exemplo, para tentar defender o governo Lula, tido pelos petistas como o mais perfeitamente maravilhoso e eficiente da história do mundo gaguejando a cada três palavras, como fez a ex-terrorista.

Não houve um candidato que dominasse o debate. Considero que Serra “venceu por pontos”, pois foi inegavelmente mais claro em suas falas, além de ter demonstrado que consegue, com muito mais propriedade que os demais, se ajustar às regras do programa televisivo. Obviamente que isso é devido à maior experiência eleitoral de Serra: quem participou de mais debates, se sai melhor do que quem nunca antes participou de um.

Marina foi uma decepção. Mostrou que não tem programa – só “bandeiras”- o que é algo muito grave, afinal ela está há algum tempo fora de qualquer cargo, só preparando sua candidatura. Além disso, em que pese a falta geral de encanto dos candidatos desta eleição, o rosto e a voz de Marina são espantosamente ruins diante das câmeras. Isso é algo que ela provavelmente vai trabalhar, não apenas para os próximos debates, mas para as próximas eleições.

Plínio, dizem, foi a “sensação” do debate. Não concordo. Ele agiu como um legítimo wild card, ou seja, como alguém que está lá sabendo que é “café-com-leite”. O socialista sabe que não tem nenhuma chance de vencer, por isso sente-se livre para não apresentar nada de concreto. Pôde gastar todo o tempo que lhe foi dado para fazer algumas piadas, elaborar um punhado de ironias muito bem aplicadas e, principalmente, desfilar uma infinidade de clichês esquerdistas que não suportam 30 segundos de confronto com a lógica. Eu, por exemplo, não entendo por que ninguém perguntou a Plínio como diabos ele pretende limitar todas as propriedades. No papo, ou na bala mesmo?

Dilma foi a que mais surpreendeu negativamente. Até eu, que sou um “porco direitista, reacionário, conservador, preconceituoso” que voto em Serra, nunca pensei que a ex-terrorista fosse tão despreparada para o exercício do contraditório. Francamente, não há nem o que discutir: Dilma se atrapalhou para dar “boa noite”, logo no início do programa. Sem falar que estourou praticamente todos os tempos que teve. Sempre imaginei que ela não era boa de debate, mas nunca pensei que fosse assim tão péssima! De resto, a fala de Marta Suplicy(-Favre-Belisário-Wermus), companheira de Dilma, resume tudo: “Tanta preparação pra isso?!” Pois é… Quando alguém como Marta, capaz de tomar uma descompostura de ninguém menos que Paulo Maluf, reclama do desempenho de alguém num debate, é porque a coisa foi feia mesmo.

Mas, aos meus olhos, o grande derrotado do debate da Band foi mesmo o formato ridículo que nasceu a partir das infindáveis normas impostas pela justiça eleitoral, a começar pela imposição de convidar vários candidatos, não apenas os principais. Por que diabos um sujeito velho como Fidel Castro – na idade e nas ideias – deveria ter o mesmo espaço que os dois favoritos, Serra e Dilma? Ora, não sejamos politicamente corretos. Vamos aos fatos: Plínio não é igual aos dois principais candidatos. Logo, não deve ser tratado como eles, pois isso não é… democrático!

E o que dizer dessa limitação absurda de tempo? Marina vem pergunta: “Serra, como você vai resolver o problema da saúde pública?” Aí o mediador se vira pro tucano e avisa: “Dois minutos, candidato.” Dois minutos?! Pra falar sobre saúde pública?! Seria preciso uma semana… É um formato vencido, que não engrandece em nada a democracia. A grande vantagem de um debate eleitoral é ver os candidatos partindo pra cima, atacando, na esperança de nocautear o oponente. Do jeito que é hoje, eles são todos estimulados a jogar na retranca, esperando um erro do adversário, coisa que, com o batalhão de assessores que cerca cada um, se torna praticamente impossível.

Debates bons eram os de antigamente, quando Brizola chamava Maluf de “filhote da ditadura”, e este respondia dizendo que o pedetista não havia estudado o suficiente, sem apalear para chicanas ridículas como o tal “direito de resposta”. Ou quando Lula acusava Collor de ser um Pinóquio, e o alagoano respondia chamando o petisa de analfabeto. E ninguém ousava se meter no duelo, que era travado livremente por dois políticos. Sem falar que o povo adorava isso! E ainda adora. Acho engraçados esses marqueteiros de agora, que não querem discutir política ou ideologia por medo das tais ofensas pessoais (as baixarias). Ué, mas nós adoramos isso! Não fosse assim, as novelas não teriam tanta audiência.

Enquanto as regras engessadas que regem os debates brasileiros não forem flexibilizadas, continuaremos vendo duelos de gerentões, cada um esgrimindo números ao seu bel prazer, sem que seja possível, sequer, contradizer aqueles que mentem de forma deliberada. Nunca mais poderemos ver uma cena épica como a do debate entre Montoro e Quadros, onde este aplicou aquele que, a meu ver, é o maior golpe de mestre da história dos debates televisivos brasileiros. Procurem o vídeo no YouTube, está lá. Aquilo era política. O que temos hoje é algo mais chato do que campeonato juvenil de curling.

*Yashá Gallazzi ,escrevendo excepcionalmente nesta terça é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Artigo: Merval Pereira – Fatores regionais

22/06/2010

O colunista Merval Pereira, do jornal O Globo, comenta as articulações políticas em torno dos governos estaduais, a relação estreita destas com a corrida presidencial e o modo como estas se afetam mutuamente.

Vale a leitura, principalmente por tratar de uma boa quantidade de estados, apresentando um panorama geral.

Fatores Regionais

Merval Pereira*

Os dez últimos dias para a montagem das coligações regionais serão de muita tensão nos bastidores, onde se desenrolam as últimas negociações. O governo está saindo delas menor do que entrou, mas ainda assim maior do que a oposição, com uma campanha presidencial bastante organizada e fortes palanques estaduais.

O maior perigo nesse período para o PSDB, com o crescimento da candidatura de Dilma Rousseff, era ser abandonado por parceiros políticos que abandonaram a base governista por questões regionais.

No entanto, André Puccinelli do PMDB do Mato Grosso do Sul aderiu; Osmar Dias do PDT do Paraná aderiu. E o PP nacional pode ficar neutro, o que ajuda.

O governo usa seus últimos cartuchos para pressionar os parlamentares do PP dilmistas a convocarem uma convenção até o fim do mês, mas a parte que prefere apoiar a candidatura tucana tem força para impedir a convocação, criando uma situação de fato que levará à neutralidade.

O fato é que o país dividiu-se geograficamente, e grupos políticos que normalmente estariam com Lula ficaram na oposição, especialmente os que representam o agronegócio.

Estados produtores com o câmbio baixo, dificuldades de exportação, estradas intransitáveis, portos sem capacidade de escoamento e ainda por cima a ameaça de o MST ganhar mais força em um eventual governo Dilma levaram o Sul a fechar com o candidato do PSDB.

No Rio Grande do Sul, o PSDB tem a governadora Yeda Crusius, apesar de todos os problemas que enfrentou, um grande pedaço do PMDB, e uma aliança DEM-PTB, além do PP e do PPS. Contra o PT e o PDT com o ex-ministro Tarso Genro.

Beto Richa é o candidato favorito ao governo, ainda mais depois que o senador Osmar Dias decidiu se candidatar à reeleição.

Em Santa Catarina, há três forças políticas que apoiam Serra indiscutivelmente: o ex-governador Luiz Henrique do PMDB, que é o favorito para o Senado; Raimundo Colombo, ligado aos Bornhausen, que deve ser o candidato a governador, e o Leonel Pavan que está no governo com o PSDB. A senadora Ideli Salvatti é a candidata ao governo pelo PT.

A definição do Sudeste, onde Serra vence nas pesquisas, terá o peso fundamental de São Paulo e Minas, onde os tucanos esperam tirar uma vantagem expressiva.

No Rio de Janeiro, o palanque é com o PV do candidato Fernando Gabeira. A soma de Marina Silva com José Serra supera Dilma Rousseff, que ganha individualmente no Estado, com o apoio do governador Sérgio Cabral, favorito na disputa para governador.

Em São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin é o favorito para ganhar no primeiro turno, e o PSDB espera que Serra vença com uma diferença entre 4 e 6 milhões de votos.

Há quem tema, porém, que Alckmin não se esforce tanto quanto seria necessário, ainda uma sequela da disputa pela prefeitura em que Serra apoiou Kassab.

Em Minas Gerais, o PSDB também depende do empenho do ex-governador Aécio Neves.

A disputa pela Presidência está empatada, mas o crescimento da candidatura de Antonio Anastasia pode ajudar Serra num estado em que Lula ganhou as duas últimas eleições com diferença entre 1 e 1,5 milhão de votos.

No Espírito Santo, o candidato do PSB Renato Casagrande é o grande favorito, e o PSDB tem Luiz Paulo Vellozo Lucas, ex-prefeito de Vitória, como candidato, com o apoio do PTB e DEM, e Rita Camata como candidata ao Senado. Serra está na frente no estado.

No Nordeste, o PSDB só pode tentar “reduzir os danos”. Na Bahia, Paulo Souto é candidato ao governo com PSDB e DEM, com Geddel Vieira Lima pelo PMDB e Jacques Wagner pelo PT.

Em Sergipe, João Alves é muito competitivo contra o Marcelo Déda do PT, e José Serra é mais forte do que Dilma.

Em Alagoas, o governador tucano Teotônio Vilela concorre à reeleição e foi lá o único estado em que Serra ganhou em 2002. Mas os favoritos são o senador Fernando Collor, da base do governo, e o ex-governador Ronaldo Lessa do PDT.

Em Pernambuco, Jarbas Vasconcellos reuniu forças consistentes no estado: Marco Maciel e Sérgio Guerra. Mas o governador Eduardo Campos é o franco favorito.

Na Paraíba, José Maranhão do PMDB é o favorito, e a maior força do PSDB era o Cássio Cunha Lima, que está às voltas com a Lei da Ficha Limpa.

No Maranhão, o ex-governador Jackson Lago também está teoricamente atingido pela nova lei, mas em situação mais favorável, porque já cumpriu a pena, mas a única perspectiva da oposição é tentar perder de menos.

No Piauí, há a candidatura tucana de Silvio Mendes, que é muito competitivo, contra dois candidatos governistas: Wilson Martins e João Vicente Claudino.

No Rio Grande do Norte, a candidata do DEM Rosalba Ciarlini é favoritíssima. No Ceará, o senador Tasso Jereissatti está fazendo uma pesquisa para tomar a decisão se deve ser candidato a senador ou a governador.

Foi uma absoluta surpresa o comportamento dos Gomes, pressionados pelo enviado especial José Dirceu, que lhes avisou que teriam sérios problemas se não apoiassem o ex-ministro José Pimentel para o Senado.

No Norte, onde o governo também tem vantagem, há Tocantins, onde o Siqueira Campos do PSDB é favorito, principalmente agora que o Marcelo Miranda se tornou inelegível.

No Pará deve ter segundo turno com Simão Jatene do PSDB disputando com José Prianti do PMDB e a governadora petista Ana Júlia.

O deputado Jader Barbalho tem um problema igual ao do Joaquim Roriz do PSC de Brasília: ambos renunciaram para não perder o mandato e estão inelegíveis pela Lei da Ficha Limpa.

Em Goiás, o franco favorito é o senador Marconi Perillo, apesar da intenção do presidente Lula de derrotá-lo.

O pior problema dos tucanos é o Amazonas, onde o senador Arthur Virgílio não conseguiu montar um palanque local, a não ser o dele, sem chapa de governador. O maior problema do governo é o Paraná.

*Merval Pereira é jornalista, colunista de O Globo e comentarista da Rádio CBN e da Rede GloboNews

Coluna do dia: Dossiês petistas e interpretação de texto

05/06/2010

Por Yashá Gallazzi*

André Vargas é secretário de comunicação do PT. Se André Vargas é petista, eu não gosto de André Vargas. Mais que isso: eu desconfio sempre de André Vargas. Se ele dissesse que viagens no tempo são fisicamente impossíveis, eu passaria imediatamente a acreditar nelas; se ele dissesse que fantasmas não existem, eu passaria a procurar por eles; se ele afirmasse que Cuba é uma ditadura, eu… simplesmente não acreditaria!

Isso porque André Vargas, por ser petista, está sempre tentando trapacear, “trucar” o seu interlocutor. Mesmo quando tenta ser claro e objetivo, um petista não consegue perder o péssimo hábito de passar uma rasteira na lógica, sempre tendo como fim último o assalto à democracia.

Sobre o episódio do dossiê contra José Serra, André Vargas disse o seguinte: “A ordem da campanha é não fazer dossiês.” Notem que parece algo terminativo, como que para colocar um ponto final em qualquer especulação. São os petistas tentando mostrar ao País sua lisura, sua seriedade. Em vão, é claro…

Que tal um exercício rápido de interpretação de texto? Pois bem, se “a ordem da campanha é não fazer dossiês”, é lícito supor que o assunto foi pelo menos debatido. É isso que as palavras de André Vargas denotam. Basta lê-las. Ele não teve a intenção de dizer algo nesse sentido? Até pode ser que não. Mas, a meu aviso, tal hipótese seria ainda mais grave, afinal, deixaria transparecer um ato-falho enorme, quase como se o petista tivesse deixado escapar algo que guardava em seu subconsciente.

Se a Ferrari diz que “a equipe decidiu não privilegiar nenhum dos seus pilotos no mundial de F1”, pode-se concluir que o assunto foi ao menos debatido internamente. Caso contrário, por que tergiversar a respeito? Se eu digo que decidi viver para sempre na cidade em que moro, é de se supor que no passado eu tenha considerado, ainda que “en passant”, a possibilidade de me mudar. Está tudo lá, incrustado nas palavras que André Vargas deixou escapar. Ao alcance de qualquer um que pretenda usar a lógica.

Só não entendo por que esse negacionismo do PT. Não são, pois, os vassalos de Lula, o Presidente mais popular da história do universo tal qual o conhecemos? Não pertencem ao partido do homem que é amado, idolatrado e endeusado pelo povo “dessepaiz”? Por que diabos ficar procurando palavras para negar a elaboração de um dossiê contra José Serra? Por que não entrar logo de carrinho, dizendo algo como: “fizemos mesmo, e daí? Vão fazer o quê? O povo está conosco e vai continuar conosco. Fizemos porque essa é a única forma de derrotar ‘azelite’ que querem destruir o Bolsa-Família feita pelo Presidente Lula.” E pronto. Dilma não perderia nada nas pesquisas e a aprovação de Lula, arrisco-me a dizer, até cresceria.

O Brasileiro, está posto, não dá a menor bola para o discurso ético. Somos o País da corrupção, do jeitinho, da trapaça rasteira. Se o PT faz um dossiê para prejudicar Serra, isso seria tido como uma jogada esperta por parte dos eleitores de Lula, que já se mostraram dispostos a perdoar outros casos idênticos. Aliás, nunca é demais lembrar que os fiéis do lulismo já perdoaram até o mensalão! Quando lembro que Collor viu o povo nas ruas por causa de um FIAT Elba, quase sinto pena do “oligarquinha da mamãe”…

Então, por que insistir em adotar um discurso que não combina nem um pouco com o PT? Hoje, petista falando em ética é quase como Dunga falando em futebol-arte. Ao contrário do que pensam alguns caciques petistas, o povo não abraça Lula porque vê no governo atual uma vanguarda ética e progressista. Ele abraça Lula porque Lula é o messias. O redentor. Aquele que nasceu de mãe analfabeta, saiu do sertão no pau-de-arara, “lutou” contra a ditadura e virou Presidente. É, enfim, “gente como a gente”. Por isso estão – e estarão – sempre com ele. Não importa quantos dossiês sejam feitos, afinal, como dito antes, tudo poderia ser justificado como algo necessário para deter uma eventual vitória “dazelite”…

Não! O PT deveria aprender com José Serra, e se vestir de coragem. O que fez Serra ao saber do dossiê? O óbvio: apontou o dedo para o PT e acusou a “experiência” que os mensaleiros de Lula têm no assunto. Tudo perfeito, digno de um estadista do primeiro mundo.

Só que o Brasil não é o primeiro mundo… Aqui, em “banânia”, o povo não liga se o partido do Presidente é trapaceiro, se deputados se compram e vendem mutuamente, ou mesmo se algum “menino do MEP” acusa o primeiro magistrado do País de molestá-lo. Aqui só interessa louvar Lula e proteger o “Presidente operário” dos golpes tentados “pelazelite”.

Em resumo, temos que tanto Serra, quanto o PT – aquele mais que este -, ainda não perceberam o abismo moral no qual o lulismo mergulhou “essepaiz”. Serra, acreditando que o discurso ético ainda pode colar, tenta apontar o dedo para os petistas e esfregar a culpa evidente deles na cara dos brasileiros. O PT, por outro lado, insiste em negar o óbvio, atrapalhando-se com as palavras como um moleque que é apanhado assaltando a geladeira às escondidas.

Ambos superestimam a decência do povo brasileiro, uma gente cuja maior ambição é ver um bando de onze mulambos disputando um torneio de futebol, e cujos principais produtos de exportação são a miséria e a nudez.

Pensando bem, nem entendo o que levaria tanta gente a desejar chegar à Presidência de semelhante lugar…

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Coluna do dia: “Vamos tirar o Brasil do vermelho!”

16/04/2010

Por Yashá Gallazzi*

A frase que utilizo como título foi dita pela Senadora Kátia Abreu, que pediu ao Ministério da Justiça a adoção de ações concretas a fim de prevenir as invasões de terra protagonizadas pelo MST, aquela milícia clandestina criada por João Pedro Stédile, o homem que pretende transformar o Brasil num País mais “justo e igualitário”, inspirando-se, para tanto, em ninguém menos que Mao Tsé-Tung, o carniceiro chinês responsável pelo assassinato de 70 milhões de pessoas.

O slogan cunhado por Kátia Abreu – e pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), presidida pela Senadora do Democratas – é o melhor e mais eficaz mote de campanha que a oposição brasileira, liderada por José Serra, poderia usar. A ideia seria partir abertamente para um confronto ideológico, como nos velhos tempos: eles são os “vermelhos”, que apóiam Cuba, Venezuela e o MST. E, por isso, o Brasil não pode confiar neles.

É claro que Serra e os tucanos não farão nada disso, afinal, são uma – como é mesmo que eles dizem? – “oposição construtiva”. São pessoas elegantes, que se preocupam apenas em fazer uma “campanha propositiva” focada, principalmente, em mostrar uma infinidade de obras feitas pelos políticos do PSDB. E haja “choque de gestão”, “eficiência” e “competência” pra preencher tantos discursos. Confronto ideológico? Ah, isso é coisa do passado! Ninguém mais liga pra isso hoje em dia, dizem os especialistas.

Bem, os especialistas estão errados! Lembram da campanha de 2006? O melhor momento de Alckmin foi quando ele deixou de lado aquela patacoada de “eu vim de ‘Pinda’” e passou a colocar o dedo na cara de Lula, perguntando insistentemente: “De onde veio o dinheiro do mensalão e do dossiê?”

Lembram de 89? Esqueçam as teorias conspiratórias que pretendem atribuir o triunfo de Collor à edição de um mísero debate. Isso pode até ter ajudado, mas não foi decisivo. Collor venceu porque conseguiu incutir no povo o medo de um candidato do “campo comunista”, como ele chamava Lula repetidamente na TV. E o eleitor brasileiro, majoritariamente conservador, rejeitou o barbudinho com cara de mau.

Na campanha atual, Serra e Dilma não vão tocar no tripé que sustenta a economia brasileira. Se houver alguma mudança, ela será feita pelo tucano – que não precisa pagar pedágio ao mercado financeiro -, não pela petista.

Além do enfadonho discurso do “pós-Lula”, o que resta aos candidatos?

Passaremos meses vendo Dilma, de um lado, tentando se apresentar como aquilo que é: um avatar de Lula. E Serra, do outro, dizendo que tudo está bom, mas ele sabe como pode melhorar ainda mais. Só de imaginar já me sinto aborrecido…

E o confronto de valores, como fica? O que eles pensam sobre aborto, liberação das drogas, pena de morte, liberdade de imprensa e valores democráticos? Por que diabos o candidato da oposição não vai apontar o dedo para Dilma e cobrar a petista por seu passado terrorista? Por que o PSDB não cuida de associar, da forma mais explícita possível, o PT aos bandoleiros de Stédile? Porque isso tudo não tem importância? Tem, sim!

Uma pesquisa do Ibope, feita em 2008, procurou saber como os brasileiros viam o MST. As respostas não deixam margem para dúvida:

- 50% são contrários ao movimento;

- para 45%, a palavra que melhor descreve o movimento é “violência”.

- 31% discordam totalmente do objetivo do MST;

- 38% concordam com o objetivo, mas acham que o MST se desviou dele;

- 60% acham que as tais “organizações camponesas” estão se aproximando da criminalidade

            E não venham me dizer que os brasileiros condenam o MST porque são doutrinados pela mídia conservadora, reacionária, preconceituosa e de direita. A Rede Globo, grande besta-fera das esquerdas radicais brasileiras, nunca chamou os milicianos de Stédile de criminosos ou terroristas. Eles são sempre “militantes”. Se isso é ser parcial, resta forçoso concluir que a parcialidade em questão só ajuda o MST.

            A Senadora Kátia Abreu percebeu que o confronto ideológico contra o MST só pode ser uma boa jogada, afinal, a maioria da população não vê lá com muita simpatia aqueles bandoleiros. Ela se mostra, assim, “o melhor homem da oposição”, numa paráfrase da famosa frase usada por Ronald Reagan para descrever Margareth Thatcher.

            Uma campanha sem confrontação de valores é morna e sem graça, coisa que não é do interesse da oposição atual. A mensagem de Serra é ótima: “fizeram muito. Tenho experiência para fazer muito mais. Minha adversária não tem.”

            O problema é que para Dilma a coisa também é muito simples: basta a petista convencer o eleitor de que, se é para melhorar o que de bom foi feito, o mais prático é votar em alguém da situação, não da oposição. Isso, associado a um ou outro lance de guerrilha política, como espalhar a falsa ideia de que os tucanos acabarão com o Bolsa Família, pode virar o jogo facilmente.

            A oposição deveria perceber o óbvio: uma sociedade – qualquer que seja ela – tem valores morais próprios. Exatamente por isso o confronto ideológico nunca é ignorado pelo eleitor. Ele pode, sim, ser relativizado, principalmente num cenário de fartura econômica. Mas ignorado ele nunca será.

            O problema é que a oposição brasileira tem medo do confronto ideológico. Serra tem medo de chamar Dilma de terrorista, porque ela pode responder acusando-o de ter simpatia pela ditadura. E aí? Um embate de ordem moral nunca é fácil de ser feito, pois os tiros – dos dois lados – sempre são pesados. É preciso muito traquejo para explicar, no Brasil, que ser anti-comunista não quer dizer ser fascista, coisa que muitos ainda confundem.

            Mas o principal nem é o medo do contra-ataque. O problema é que Serra e o PSDB são muito de esquerda para fazer algo assim. Lá no fundo dos seus corações emplumados, há tucanos que ainda caem naquela baboseira de que “a resistência armada” foi importante para a construção da democracia. Eles querem, em resumo, disputar com o PT o “campo progressista”, pois morrem de medo quando são acusados de serem conservadores e direitistas.

            Isso para não mencionar que a própria moral dos principais expoentes do tucanos foi forjada a golpes de martelo esquerdista. Ou alguém se espantou quando FHC – o monstro neoliberal, lembram? – se disse favorável à liberação das drogas? Eu não esperava outra coisa dele. Da mesma forma que não espero ver um partido como o PSDB se dizendo publicamente contra o aborto, afinal, abraçar a defesa da vida virou um fardo a ser suportado só pelos “neocons”, não é? E eles são “progressistas”!

            É por tudo isso que a campanha será muito dura para ambos os principais candidatos. E imprevisível também. Tudo porque a oposição insiste em disputar no terreno do PT, que é o terreno das esquerdas. Morrem todos de medo das chamadas “bandeiras conservadoras”, por isso se negam a chamar o MST de milícia partidária, afinal, não querem ser acusados de “criminalizar os movimentos sociais”…

            Não sei se a eleição seria menos difícil para Serra se ele adotasse o lema de Kátia Abreu, conclamando os eleitores a “tirar o Brasil do vermelho”. Mas tenho certeza que ela seria bem menos chata para mim.

            *Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

            Análise Geral: Corrida 2010 – Serra e Dilma, definido o embate

            01/04/2010

            José Serra deixou o governo de São Paulo. Dilma Rousseff deixou a Casa Civil. O ex-Governador paulista será aclamado como candidato do PSDB à Presidência em breve. A ex-Ministra da Casa Civil foi aclamada como candidata do PT recentemente. Está definido o embate.

            Já era esperado, há tempos, que José Serra fosse o candidato tucano na luta para reconquistar o Planalto. Já era esperado, há tempos, que Dilma Rousseff fosse a candidata petista na luta para manter o Planalto.

            Contudo, por ser a política dinâmica, como dizem os entendidos, mas também os cínicos, nada é completamente imutável nesse jogo, a não ser a morte. E falamos aqui da morte real, já que até a morte política é mutável. Vide Collor.

            Pois bem. Percebe-se, portanto, que a partir de agora é que os personagens da disputa estão definidos de vez. Nada de boataria sobre Dilma ser uma cortina de fumaça de Lula. Nada de boataria sobre Aécio ser o real candidato tucano.

            Está posto: De um lado está José Serra, ex-Deputado, ex-Senador, ex-Ministro, ex-Prefeito e ex-Governador. Dilma Rousseff, ex-Secretária de Estado, ex-Ministra e ex-Chefe da Casa Civil, está do outro lado.

            E dá-lhe bipolarização. E dá-lhe bipartidarismo de fato.

            Já se passam mais de 16 anos desde que um candidato que não fosse do PSDB ou do PT tenha demonstrado ter chances reais, concretas e duradouras de chegar ao cargo máximo da nação.

            E nada demonstra que esse quadro irá mudar pelo menos nas próximas duas eleições presidenciais.

            Está colocado o embate: PSDB versus PT, reeditando a disputa que não é de programa, nem de ideologia e nem de propostas, mas de poder.

            Acertou quem dizia que a tese de que Dilma era apenas uma isca do Presidente era absurda. Acertou quem afirmava há mais de um ano que Serra seria o candidato inexoravelmente. Acertou, portanto, este que vos fala.

            Acerta também quem fala que Ciro Gomes assumirá logo que não tem mais espaço de manobra para viabilizar sua candidatura. Mais um acerto vai para a conta de quem prevê que, com a bipolarização, Marina Silva murchará na sua batalha contra o voto útil.

            Enquanto isso, Ciro afirma que será candidato e Marina sentencia que a vitória do PV não é impossível.

            Ele não será. Ela não vencerá.

            Mas o espírito tem que ser mesmo esse, ao passo que PSDB e PT vestem, infelizmente, as luvas de boxe ao invés das de pelica.

            Vem aí mais uma disputa que, embora não seja a do BBB, mobilizará o País.

            Mas isso, claro, só depois da Copa do Mundo.

            Coluna do dia: PAC, campanhas e o estelionato eleitoral

            30/03/2010

            Por Arthurius Maximus*

            O governo federal “lançou” o PAC 2. Um conjunto magnífico de obras e investimentos que deverá colocar o Brasil na ponta de lança do desenvolvimento na América do Sul.

            Pois é, isso é o que eles vão dizer e no querem que você acredite. O PAC 2 é simplesmente mais um estelionato eleitoral do governo Lula. Para comprovar essa afirmação, nem é preciso efetuar cálculos estatísticos mirabolantes ou fazer investigações sigilosas e intrincadas pelos meandros da máquina governista. Basta ler os próprios relatórios emitidos pela administração federal.

            Mesmo hoje, anos depois do lançamento do PAC, o programa não conseguiu transformar em realidade nem 15% das obras previstas e mais da metade sequer saíram do papel. Apesar desses números “magníficos”, mais da metade do orçamento previsto para o programa foi investido e ainda restam saldos a pagar (dívidas) da ordem de 35 bilhões de reais.

            Isso é, claro, cuidadosamente escondido da opinião pública e empurrado, com gosto, para a loteria eleitoral que pode deixar uma bomba relógio para a próxima administração (no caso de Dilma perder) ou fazer o Brasil ficar em maus lençóis futuramente (no caso de Dilma ganhar e se mascarar ainda mais o problema).

            Assim como FHC maquiou os resultados econômicos para garantir a sua reeleição, Lula faz o mesmo e mascara a enorme dívida que o PAC está deixando. Não satisfeito, lança o PAC 2, mesmo diante dos problemas ainda enfrentados pelo primeiro programa, preferindo correr o risco de lançar o País num caos econômico futuro a refrear sua sanha de poder.

            É bom lembrar que, na época de FHC, a “pequena manobra contábil”, levou o País para a beira do precipício e quase decretamos falência. Quem não se lembra da situação crítica de nossa economia ao fim do segundo mandato de FHC? O País estava com as reservas exauridas, os credores batiam ferozmente às nossas portas e os índices de risco estavam nas alturas.

            Em nosso País, os políticos não possuem a visão necessária a um estadista. Pensam sempre muito mais em seus próprios planos de poder e em seus umbigos do que no futuro e no desenvolvimento da nação. Infelizmente, para governantes como Lula e tantos outros iguais a ele, um País sempre em perigo constante de um colapso, com pobreza extrema e uma grande massa de sequiosos desassitidos é uma fonte inesgotável de votos e um manancial de popularidade para os que se intitulam “salvadores da pátria” ou “messias reencarnados”.

            Muito mais do que preocupação sincera com o desenvolvimento da nação ou com a melhoria das condições de vida do povo, eles querem mesmo é cuidar do desenvolvimento e das melhorias de condições de vida deles mesmos e de seus apadrinhados.

            Cabe ao eleitor informar-se melhor e aprender definitivamente a ler nas entrelinhas das campanhas caras e bonitas, do apelo emocional, das metáforas popularescas e, principalmente, da propaganda bancada a peso de ouro.

            Mudar, crescer e evoluir só depende de nós.

            *Arthurius Maximus, escrevendo excepcionalmente em uma terça, é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

            Fernando Collor, Dilma Rousseff, Roberto Jefferson e a política nacional

            20/03/2010

            Informa o colunista Ilimar Franco:

            “O senador Fernando Collor (AL) fez a saudação à ministra Dilma Rousseff no jantar com o PTB, anteontem. Collor afirmou que a candidatura de Dilma é ‘uma coisa extraordinária’, que o presidente Lula está fazendo ‘uma renovação nos costumes ao escolher para sucessor uma mulher’ e que ‘o Brasil, um país tradicionalmente machista, está prestes a eleger uma mulher presidente da República’.

            Collor também pediu que Dilma tente uma aproximação com o presidente do partido, Roberto Jefferson, que denunciou o mensalão do PT: ‘A senhora, que é uma mulher, tem que usar todo seu encantamento para trazer para a campanha o nosso presidente Roberto Jefferson’.”

            Fernando Collor, independentemente de ter sofrido impeachment, utilizou-se de métodos provocativos não muito louváveis contra Lula no último debate presidencial de 1989. Dizem alguns que venceu ali a eleição, criando temor na população sobre um possível governo petista.

            Roberto Jefferson, independentemente de ter sido citado como parte integrante importante do esquema do mensalão, utilizou-se de métodos provocativos não muito louváveis contra José Dirceu nas apurações do caso  de corrupção empreendidas pela Câmara dos Deputados em 2005. Dizem alguns que Lula o detesta, por conta de ter dito que o Presidente tinha conhecimento do esquema.

            Pois bem.

            Dilma é a candidata de Lula. É a ela que Fernando Collor declara apoio. É a ela que Fernando Collor pede que se aproxime de Roberto Jefferson. É ao PT assustador de outrora que Collor direcionará seu apoio.

            Enquanto isso, José Dirceu interpretará papel importante nos bastidores da campanha, articulando, entre outros, com o grupo político alagoano de Fernando Collor e com o PTB de Roberto Jefferson.

            Fernando Collor pode até ter sido de certa forma injustiçado no passado.

            Roberto Jefferson pode até ter sido de certa forma injustiçado no passado.

            Mas a incoerência histórica não é justificável.

            Coisas da política.

            Coisas detestáveis.

            Coisas de uma base aliada fisiológica, à qual o lado bom do PT se submete para manter uma polarização com o PSDB que é baseada em uma briga de poder, e não de programa.

            Briga burra.

            Artigo: Ruy Fabiano – O PT e o centenário de Tancredo

            08/03/2010

            Este que vos fala já reproduziu diversas vezes, neste Perspectiva, os artigos do jornalista Ruy Fabiano. Faço isso não só por entender que trata-se de um dos mais lúcidos analistas políticos da atualidade mas, também, por enxergar em Fabiano uma linha de raciocínio político extremamente próxima da minha. Fabiano diz em seus textos muitas vezes, apenas com outras palavras, o mesmo entendimento que venho expressando no Perspectiva.

            É por isso que, como citado, reproduzo os textos do jornalista, rendendo a eles os devidos elogios pela sensatez, pela independência, pela coerência e pela justiça, ou seja, por respeitar tudo aquilo que este blogueiro visa respeitar em seu trabalho.

            Dito isso, mais uma vez reproduzo, abaixo, artigo de Ruy Fabiano. Ele versa sobre a história do PT e a comparação entre o início da trajetória do partido e a legenda de hoje. Com maestria, cita os fatos, sem ilações, demonstrando as mudanças de posicionamento que vão sendo justificadas sob a bandeira do “pragmatismo”.

            Destaque para o trecho: “Na eleição anterior, o PT recusara convite de Fernando Henrique para figurar na sua chapa como vice, o que lhe abriria espaço para sucedê-lo e consolidar uma aliança progressista que dizia desejar. Preferiu, porém, combater o Plano Real, empurrar o PSDB para uma aliança conservadora com o PFL e continuar marchando sozinho, contra tudo e todos.”

            Fabiano novamente diz, sem tirar nem por, o mesmo que este modesto blogueiro pensa e escreve neste Perspectiva.

            O PT e o centenário de Tancredo

            Ruy Fabiano*

            A ausência do PT nas celebrações, promovidas pelo Senado na quarta-feira, pelo centenário de Tancredo Neves, guarda coerência com a história do partido.

            Embora hoje sustente o contrário, o PT foi beneficiário, mas não protagonista (em alguns momentos, nem coadjuvante) do processo de redemocratização.

            Chegou a combater algumas de suas iniciativas, como a candidatura do próprio Tancredo Neves à Presidência pelo colégio eleitoral, em 1984. Além de não apoiá-lo – considerando que tanto fazia elegê-lo como a Paulo Maluf -, expulsou três de seus deputados (Beth Mendes, José Eudes e Airton Soares) que decidiram sufragá-lo.

            Quando da promulgação da Constituição de 88, anunciou que não a assinaria, por achá-la conservadora. E só o fez, sob protesto, por instâncias de Ulysses Guimarães, que pedia uma chance para aquele momento que se inaugurava.

            Mesmo na campanha das diretas – e isso é fato histórico -, não estava na sua gênese. Incorporou-se à campanha quando já estava nas ruas e atraía multidões.

            Não obstante, todas essas iniciativas, de que manteve asséptica distância, o beneficiaram, deram-lhe visibilidade. Mas o partido sustentava que não lhe era conveniente manter proximidade de políticos tradicionais, como Franco Montoro, Leonel Brizola, Tancredo Neves ou Ulysses Guimarães. Considerava-os, sem distinção ideológica, farinhas do mesmo saco.

            A política deles era promíscua, enquanto a do PT guiava-se por paradigmas de pureza. Lula desdenhava do trabalhismo varguista, de Brizola, considerando-o superado e de índole pelega. O seu era diferente, moderno, distanciado do Estado.

            Recusou alianças e manteve-se, até chegar ao poder, numa redoma de impenetrável sacralidade. Recusou todas as frentes oposicionistas que se armaram para enfraquecer o último governo militar, do general João Figueiredo, o que suscitou suspeitas de que agia sob a inspiração do estrategista do regime, general Golbery.

            O partido esteve na linha de frente do impeachment de Collor, mas recusou integrar o governo Itamar, expulsando Luiza Erundina, por tê-lo aceito.

            Expulsaria mais tarde, em 1996, o deputado Eduardo Jorge, por ter votado a favor da CPMF, que o partido então combatia, mas que Lula, na Presidência, considerou imprescindível para governar o país. Só não expulsou os mensaleiros e aloprados.

            A primeira aliança admitida foi com Leonel Brizola, que, embora com muito mais bagagem e história, se submeteu a ser vice na chapa de Lula, em 1998.

            Na eleição anterior, o PT recusara convite de Fernando Henrique para figurar na sua chapa como vice, o que lhe abriria espaço para sucedê-lo e consolidar uma aliança progressista que dizia desejar. Preferiu, porém, combater o Plano Real, empurrar o PSDB para uma aliança conservadora com o PFL e continuar marchando sozinho, contra tudo e todos.

            Ao finalmente se eleger, em 2002, incorporou-se ao “mesmo saco” das farinhas que execrara. Buscou alianças conservadoras com o PMDB, PL (hoje, PRB, do vice José Alencar), PTB et caterva.

            Criticava o neoliberalismo dos tucanos, mas buscara o seu vice no Partido Liberal. Criticava a política monetarista do Banco Central, mas escolheu um banqueiro tucano, Henrique Meirelles, para presidi-lo.

            Condenava a política assistencialista da Bolsa Educação e dos vale-gás e vale-alimentação, mas incorporou-as sob o rótulo Bolsa Família, que se transformaria no carro-chefe de seus dois governos.

            Lula depois esclareceria, algo que antes não se percebera: que era (é) uma “metamorfose ambulante”. Mas, embora mostre sintonia com o que há de mais condenável nas tradições políticas nacionais, insiste em que refundou o Brasil, idéia que, sob o bordão “nunca antes neste país”, permeia a quase totalidade de seus discursos.

            Ao revogar tudo o que se fez, de Cabral (o Pedro Alvarez, não o Sérgio) a FHC, não há mesmo por que celebrar o centenário de Tancredo, algo que, para os petistas, equivale a uma peça de ficção.

            O Brasil petista começa com Lula e prossegue com Dilma. Apossa-se do que de bom produziu o Brasil anterior, sonegando-lhe a autoria, e atribui o que há de ruim, inclusive o produzido sob sua égide, aos antepassados. Vale-se do desconhecimento que o povo tem da história, recente e remota, para convencê-lo de sua encenação.

            Pior: consegue.

            *Ruy Fabiano é jornalista