Aécio Neves entrou de cabeça na campanha de José Serra. Os últimos pronunciamentos do ex-Governador de Minas, principalmente o retratado acima, demonstram que ele está empenhado em trabalhar pela vitória do tucano paulista.
Independentemente de Aécio aceitar ser Vice de Serra ou não, o apoio incondicional do mineiro já representa muita coisa para o pré-candidato da oposição.
Um Aécio empenhado traz para a campanha de Serra, em primeiro lugar, os votos mineiros que unem Minas a São Paulo, em segundo lugar, o seu carisma pessoal, e, em terceiro lugar, a unidade partidária dentro do PSDB.
Portanto, a oposição deve estar comemorando o aumento da força empregada por Aécio na luta tucana para chegar à Presidência com Serra. E realmente há motivo para comemoração.
A pergunta que fica é a respeito do porquê desse apoio incondicional. Com certeza José Serra aprendeu, com os erros, a ser mais conciliador. Contudo, provavelmente, só isso não seria suficiente para convencer um presidenciável como Aécio Neves. E, obviamente, não foram os belos olhos de Serra que conquistaram o mineiro, até porque não são tão belos assim.
Sendo assim, chega-se à conclusão de que Aécio está, sim, mais motivado por conta do comportamento de Serra com relação a ele, mas que, porém, a essência do apoio deriva de que a vitória de Serra é interessante para Aécio, esteja ele como Vice da chapa ou não.
Explico:
Se Aécio concorrer ao Senado, visando ter a exposição nacional suficiente para viabilizar uma candidatura a Presidente no futuro, provavelmente mirará o controle da Casa, ou seja, tentará presidir o Senado. Para ser Presidente do Senado estando no PSDB, Aécio precisa de um Presidente da República do PSDB. Uma vitória de Dilma inviabiliza qualquer possibilidade de o mineiro comandar o Senado e implantar seu provável plano de moralização, eficiência e transparência que seria utilizado como trampolim para o Planalto.
Se Aécio aceitar ser o Vice de Serra, provavelmente isso se dará dentro de um acordo que prevê a luta do paulista pelo fim da reeleição, o que possibilitaria a Aécio concorrer já na próxima eleição. Com esse cenário, Aécio teria chances de vitórias muito maiores se controlasse alguns ministérios e se a máquina federal estivesse empenhada em sua candidatura à Presidência. Essas duas premissas só serão preenchidas, também, se Serra vencer a disputa pelo Planalto.
Percebe-se, portanto, que é do interesse de Aécio Neves a vitória de José Serra.
Um José Serra mais amigável e mais disposto a ceder espaço para o mineiro só facilita essa convergência de interesses, que, essencialmente, une as pretensões de Serra para 2010 e as pretensões de Aécio para 2014 ou 2015.
Resta apenas saber o que Aécio planeja fazer caso seu adversário na luta pela Presidência seja Lula.










