Postagens com a palavra-chave ‘EUA’

Coluna do dia: Sanções internacionais – Por quê?

17/06/2010

Por Felipe Liberal*

Eu odeio sanções. Podem ser econômicas ou políticas, eu as odeio. Tudo parece óbvio neste maldito planeta. É sempre a mesma coisa: sanções contra o Irã, Cuba e Coreia do Norte. Vindas de quem? Principalmente dos EUA. Eles, de fato, conseguem evitar que a evolução da História continue.

Quando vamos conseguir separar o sistema político adotado pelos iranianos, cubanos e coreanos do seu povo? Quando vamos entender que sanções só servem para prejudicar seres humanos que não tem nada a ver com interesses estúpidos e infinitos de alguns países? Até quando vamos suportar que cinco países decidam quem merece sofrer ou não?

Eu discordo de muita coisa que acontece nesses três “malditos” países, como também discordo de muita coisa que acontece nos EUA, Inglaterra e China, por exemplo. Nem por isso esses últimos mereceram ou merecem sanções por parte da ONU. Parece óbvio.

O Irã é totalitário? Sim. Mas a China também é. Cuba faz prisioneiros injustamente? Sim. Os EUA também fazem (vide Guantánamo e a “desativada” Abu Ghraib). A Coreia do Norte restringe a liberdade de informação? Sim. Mas todos os países europeus também fazem, inclusive comprando jornalistas e blogs (vide Yoani Sanchéz).

Então você deve estar se perguntando: portanto todos merecem sanções, né? Não. Discordaria totalmente de você. As sanções são a pior maneira de se tentar um acordo. O sistema socialista cubano sobrevive desde 1959 com fortes sanções estadunidenses, nem por isso a ilha cedeu ou aceitou as exigências internacionais. A Coreia do Norte passa pela mesma coisa, sofre sérios embargos dos países europeus e até asiáticos, na própria vizinhança, e nem por isso desistiu do seu isolamento exagerado.

Não é com o “big Stick” que as coisas se resolvem. Agressão gera agressividade. Até quando vamos conseguir ficar sem entender isso? Não podemos gerar paz com guerra. Não podemos construir um mundo melhor trazendo o que há de pior no ser humano, que é a raiva, a discórdia e a guerra.

A ONU é a maior farsa que o mundo já pôde ver. O organismo da paz é o maior gerador dos conflitos e problemas que temos hoje. Principalmente por ser comandada por países que precisam da guerra para sua própria sobrevivência, países sedentos por sangue e dinheiro. Meus caros, EUA, Inglaterra, China, Rússia e França querem tudo, menos a paz. Novamente parece óbvio.

E tudo isso só vai ser mudado, quando nós mudarmos também.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: Política e manipulação moral

21/05/2010

Por Raphael Machado Silva*

Pessoas em geral, independentemente da classe social e do nível educacional, são praticamente como robôs. Basta saber ‘que botões apertar’, que elas reagem exatamente da maneira como se pretendia inicialmente. E para saber ‘quais botões apertar’, basta sermos bons observadores dos homens e termos uma alta dose de frieza analítica. Obviamente, uma faculdade de psicologia ajuda muito.

É essa noção de que os homens, sujeitos a certos tipos de impressões sensíveis, sugestões e símbolos, podem ser levados a atuar de maneiras específicas, ou a comprar um objeto, ou então a endossar fanaticamente um certo projeto ou opinião, que alimenta áreas como o marketing, o jornalismo e, em uma democracia, inevitavelmente a política.

Em uma democracia, a massa manda. É ela que escolhe que homens deverão ocupar os cargos governamentais, para que estes homens satisfaçam os desejos egoístas dos componentes dessa massa. Ocorre, porém, que os candidatos a serem selecionados pela massa não permanecem inertes aguardando a boa vontade das massas.

O que fazem os políticos, então?

Apresentam racionalmente suas propostas e ideias às massas, para que elas possam fazer uma reflexão crítica, compará-las com as dos oponentes, pesar os prós e os contras, e tomar uma decisão?

Sejamos sinceros, a massa é simplesmente desinformada e acomodada demais. A inteligência de uma massa é sempre equivalente ao menor denominador comum da inteligência de seus componentes.

Se muitos têm dificuldade em se planejar economicamente de um mês a outro sem gastar tudo com bobagens e não conseguem traçar nem mesmo o número de filhos que terão, quanto mais conseguir fazer silogismos e juízos analíticos para se chegar a uma boa opção política.

Também não é interessante para o político ser objeto de reflexão crítica. É algo arriscado demais. O político simplesmente está interessado em receber o apreço das massas, que possa ser traduzido em votos, para que ele possa chegar ao poder, se perpetuar nele, e assim fazer carreira para si. Os políticos, em geral, simplesmente não têm mesmo quaisquer propostas razoáveis a oferecer. E mesmo que tenham boas propostas, boas ideias e uma visão de mundo acertada, as massas são tão ignorantes e egoístas que são capazes de não gostar ou de ignorar um ótimo político, preferindo os que a manipulam.

Não é uma questão de ‘educação’, como os apóstolos da engenharia social adoram pregar, como se fosse possível moldar os homens ao nosso bel-prazer. Também não estou me referindo ao ‘Brasil’. Isso não é um ‘problema nacional’. Esse é um problema institucional estrutural inato ao modelo político escolhido pelas sociedades ocidentais modernas. De Paraguai e Bolívia à Islândia e Suécia, é exatamente assim que funciona. Nesse elemento particular, as diferenças nacionais são mínimas, porque massa é massa onde quer que seja.

Afinal, existe algum exemplo que se encaixe melhor no fenômeno que eu estou descrevendo do que o comportamento robótico e fanático, reminiscente desses cultos messiânicos obscurantistas, ou dessas seitas haitianas de vodu e Santería, do que o dos adeptos políticos e do eleitorado de Barack Hussein Obama? O eleitorado americano se assemelha a uma horda aborígene perante um totem sagrado, o qual possui a propriedade mágica de revelar a ‘verdade’ e a ‘vontade dos deuses’.

Obama é o reductio ad absurdum da hipnose moral e psicológica característica das democracias pós-modernas. Enquanto, costumeiramente, a hipnose residia no subtexto do discurso político, com Obama e a nova geração de líderes políticos mundiais, deixou de haver qualquer subtexto e a hipnose e a repetição de ‘mantras’ se tornou o próprio discurso.

O discurso político na pós-modernidade se mediocrizou ainda mais, para assim poder melhor acompanhar a decadência intelectual das gerações humanas viciadas em televisão. Tendo em vista que a capacidade de atenção e concentração das massas se reduziu drasticamente, a eficiência hipnótica de um discurso composto de trechos longos e encadeados em formato narrativo seria ridiculamente baixa hoje. Oratórias como a de Fidel Castro são apenas resquícios paleoantropológicos.

O orador pós-moderno não discursa, no sentido autêntico da palavra, ele cospe ‘palavras-chave’ de modo pausado, para assim permitir os aplausos ou outras reações populares pré-planejadas, ligadas entre si por uma quantidade minúscula de pronomes, porém cercadas por quantidades gigantescas de adjetivos e advérbios.

A maior eficiência do discurso político e, também, o ponto no qual ele alcança o ápice da baixeza e da abjeção, está na falácia mágica de se traçar linhas morais entre o ‘Bem’ e o ‘Mal’ e se utilizar desses pseudo-conceitos esotéricos para se mobilizar as massas e as convencer a dar apoio a algum projeto político. A finalidade dessa forma falaciosa de discurso é a de basicamente construir alguma legitimidade para um projeto espúrio, quando simplesmente não há nenhum outro argumento que as massas poderiam considerar plausível.

Não é realmente difícil convencer as massas da ‘intrínseca malignidade’ de qualquer povo, ideologia ou conceito, basta despertar nas massas dois instintos básicos, o ‘medo do desconhecido’ e o instinto de auto-preservação. Basta convencer as massas de que esse algo ‘estranho’ representa uma enorme ameaça, ainda que esse algo seja um povo desprovido de armas nucleares habitando uma ilha vulcânica do outro lado do mundo.

Quem enxerga para além das aparências, porém, sabe que ‘Mal’ é apenas aquilo que se desenrola no sentido contrário de nossas expectativas e interesses.

Agora, quem tem qualquer esperança de que algum dia esse modus operandi se altere, pode as perder imediatamente. É assim que a política democrática funciona, é assim que tem sido desde sempre, e as coisas só tendem a piorar, como sempre.

*Raphael Machado Silva, escrevendo excepcionalmente em uma sexta, é colunista do Perspectiva Política às quartas.

Coluna do dia: Yoani Sanchéz, Fausto e o Diabo

29/04/2010

Por Felipe Liberal*

FAUSTO:

Se podes me enganar com coisas deliciosas, doçuras a sentir, prazeres! Alegria! Se podes me encantar com coisas saborosas, que seja para mim o meu último dia! Quero firmar o acordo.

MEFISTÓFELES:

Aprovo. Pensa bem no que dizes. Diabo tem memória.

Este é o momento exato em que Fausto aceita a proposta do Diabo (Mefistófeles) e vende sua alma. Para quem não conhece “Fausto”, uma das maiores obras literárias e teatrais da história da Humanidade, escrita por Goethe, recomendo a ida a qualquer livraria mais próxima e a compra hoje mesmo, leiam e contem-me depois qual a sensação de devorar uma obra-prima.

Esta cena explodiu na minha mente essa semana, quando li a entrevista que a famosa blogueira cubana Yoani Sánchez concedeu ao jornalista francês Salim Lamranium. Entrevista que foi indicada pelo meu leitor e colega Alan de Freitas. Agradeço publicamente.

Já era lógico que existia alguma coisa estranha em toda essa raiva de Yoani contra Fidel e Raul. Já era óbvio que toda essa gritaria e pânico tinham alguma coisa de errado. Já era claro que toda essa “liberdade” de pensamento virtual não passava de mais uma criação americana, como na Guerra Fria, lembram? Aquela política de fabricar pensadores e intelectuais? Pois é, isso nunca acabou. A Guerra da Mentira continua quente e viva.

Só tem um problema: a “cria” foi mal treinada. Não suportou o bombardeio de perguntas do jornalista francês e entrou em contradição várias vezes durante a entrevista. Temas como censura, repressão, polícia cubana, Fidel, Raul, EUA, Obama e internet, foram abordados incansavelmente por Salim diante da blogueira, que não conseguia responder e algumas vezes entrava em contradição com suas próprias palavras ditas anteriormente.

Sabemos que dentro do seu blog existem reclamações pertinentes e válidas, sendo inclusive indagações da maioria esmagadora do povo cubano, mas o que me deixa triste são as mentiras contadas por ela contra seu próprio país. Mentiras essas que ferem a imagem e a identidade do seu povo, de seus irmãos. E tudo isso tendo ampla publicidade das grandes empresas jornalísticas em todo o planeta, mostrando o quanto é frágil esse dinamismo virtual e cibernético, o quanto é frágil a informação verdadeira.

Yoani Sanchéz vendeu a alma ao Diabo em troca de fama, prestígio e premiações internacionais. O Diabo azul e vermelho. O Diabo que fala inglês.

Yoani Sanchéz não é a primeira e nem será a última a interpretar Fausto na vida real. Muitos conseguiram esse papel no teatro do bem e do mal. E agora consigo lembrar-me qual foi o fim de outro que empreendeu interpretação do personagem há bem pouco tempo atrás: morte na forca, em Bagdá. Lembram?

Nem sempre o final é feliz.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: Dilma, o PT e a incrível arte de fabricar ilusões

26/04/2010

Por Arthurius Maximus*

Muitos jornalistas e o público em geral acham estranha a postura dos norte-americanos quando estes pressionam políticos apanhados em casos extraconjugais a renunciar aos seus mandatos.

A palavra hipocrisia pula de boca em boca acompanhada de adjetivos, verbos e sentenças completas e derradeiras. No entanto, um aspecto fundamental da questão parece ser relegado a um plano inferior: A confiança.

Casos, amantes e “otras cositas más” (sic) podem passar pela vida de qualquer um de nós, não é mesmo? Então porque os americanos encrencam tanto com isso? Na verdade, “a encrenca” não acontece pelos casos e indiscrições em si. Ela acontece pela revelação da mentira e pela perda de confiança.

Um político, no exercício do seu mandato ou pleiteando um, deve ser alguém em quem se possa confiar. Afinal de contas, é ele que resguardará os bens do País, garantirá o modo de vida da população e, caso necessário, tomará decisões que poderão levar o País e os cidadãos a passarem por momentos de dificuldade em crises, guerras e etc…

Exatamente por isso, ao ser pego numa mentira descarada, na maioria dos casos a renúncia é a única coisa que resta ao político por lá. Quem não se lembra do Governador de Nova York e do célebre caso do Presidente Clinton, que no auge da popularidade quase perdeu o mandato por uma mentira?

Mas, aqui no Brasil essas nuances de comportamento passam “batidas” pela população e são tratadas pela imprensa como coisas menores. Em um País sério, um político que revogasse o irrevogável, como fez o Senador Mercadante, e mostrasse a tibieza de suas convicções e do valor de sua palavra teriam a carreira política arruinada ou pesadamente atingida. Afinal de contas, um ocupante do Executivo deve ser uma pessoa de pulso forte e com tenacidade suficiente para defender suas crenças dos ataques dos inimigos e, principalmente, dos amigos.

A ex-Ministra Dilma é também uma mostra clara de como a mentira tem pernas curtas e o hábito de usá-la com frequência deve ser encarado como um desqualificante moral e real para a ocupação de qualquer cargo público (muito mais a Presidência da República).

Afinal de contas, como entregar os segredos do Estado e o futuro da nação para alguém que mente descaradamente e, pior ainda, mente tão acintosamente que é desmascarada quase imediatamente após mentir?

Como o cidadão pode confiar que o País estará bem guardado e será bem administrado por alguém assim?

Acha exagero?

Examinemos de perto:

A primeira mentira veio com a descoberta da falsificação do currículo profissional. Mesmo desmentida timidamente pelo PT, a falsidade de informação foi depois comprovada e deixou a ex-Ministra numa “saia justa” por um bom tempo.

Depois foi o tal encontro com a Secretária da Receita Federal para “agilizar” (que no jargão da Receita quer dizer “passar de passagem” ou dar uma “olhada por cima”)  os processos contra membros da família Sarney. O disse-me-disse-não-disse durou um tempo e a ex-Ministra desafiou que se provasse com a agenda do dia e da hora do encontro. Assim que a agenda apareceu com a reunião marcada e comprovada, as fitas do Palácio do Planalto que são gravadas e armazenadas, por contrato, para sempre, simplesmente “desapareceram” – deletadas por um funcionário “zeloso”.

Maia tarde a tal ficha de guerrilheira, que depois foi desmentida por integrantes dos serviços de informação do regime da época e, posteriormente, pela própria Dilma – creditando-a a uma “armação” do jornal Folha de São Paulo.

Já na campanha, houve o caso do site “Mulheres Com Dilma”. Nas informações sobre a criação do site consta – “Somos mulheres identificadas com Dilma Rousseff e estamos mobilizadas por um país melhor para vivermos. O objetivo deste Blog é encontrar mulheres que pensam como nós. Queremos somar e multiplicar, pois acreditamos que juntas chegaremos lá!” – Numa clara alusão a um grupo de mulheres que, imbuídas do espírito democrático montaram um site para voluntariarem-se pela causa de Dilma. A farsa veio à tona quando checaram o registro de domínio e o mesmo havia sido feito por uma das funcionárias da empresa de assessoria de imprensa que cuida da campanha da ex-ministra. Fato exposto e desmascarado, causando enorme constrangimento na direção da campanha.

Agora, ainda não satisfeitos, os responsáveis pelo Blog da Dilma (Dilmanaweb) fazem uma montagem de fotos onde mostram a ex-Ministra na infância, nos movimentos populares – já adulta – e na atualidade, sob o título “Minha Vida” (que linka para uma página com a biografia da ex-Ministra). A alusão das imagens à vida de Dilma é clara e cristalina para qualquer pessoa que visite o site.

O detalhe é que a mulher que vai altiva, puxando a passeata contra a censura durante o regime militar, não é Dilma. Trata-se da atriz Norma Bengell acompanhada por várias outras atrizes. Dilma jamais participou do protesto.

Pegos em flagrante, o pessoal da campanha correu para desmentir o fato e soltou a pérola:

O blog Dilmanaweb lamenta profundamente a interpretação equivocada da foto que traz a atriz Norma Bengell participando de uma passeata contra a ditadura.

Jamais houve a intenção de confundir a sua imagem com a de Dilma, o que seria estapafúrdio, ainda mais se tratando de uma figura pública. O que se busca, ali, é ressaltar um momento da vida do país do qual Dilma participou ativamente. Outras fotos do blog fazem referência a esse momento em que os brasileiros foram às ruas pedir o fim da ditadura.

Dilma participou de todas essas lutas. Elas fazem parte de sua vida e da vida de milhões de brasileiros. Lamentamos eventuais mal-entendidos que possam ter ocorrido e tomaremos providências para evitá-los”.

Eles se esforçaram tanto para evitar qualquer mal entendido ou má interpretação que, em nenhum momento, assinalaram que o close entre duas fotos de Dilma e dos dizeres “minha vida” pertencia a Norma Bengell. Ficou evidente a busca por uma semelhança física (mesmo que distante) para dar um “ar” de combatividade à candidata.

Se na trajetória administrativa e na campanha eleitoral um político é tão cercado por mentiras que produz intencionalmente ou através de seus assessores, o que se pode esperar dele ao chegar ao poder?

É esta pergunta que você deve se fazer antes de escolher o seu candidato nas próximas eleições, caro leitor.

Pense nisso.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Coluna do dia: Ataque americano no Iraque – Bem-vindo ao mundo real

08/04/2010

Por Felipe Liberal*

Bastards, rebels and terrorists são as palavras que me fizeram chorar ontem à noite. Essas imagens acima são o reflexo de tudo que escrevi até hoje e que tento expressar, ostentando dias melhores.

É contra tudo isso que luto, que lutamos, nós, de esquerda, ultrapassados, retrógrados e “comedores de criancinhas”. É por conta disso que ainda insisto, que ainda sinto vontade de estar aqui, gritando nesse vazio interminável e denso onde estamos metidos 24 horas, todos os dias.

Essas imagens são de um helicóptero Apache estadunidense, em Bagdá, de onde se comunicam os bravos soldados democráticos e libertadores com a torre em terra. Através do rádio, os soldados avisam: “Have five or six individuals with AK 47s” e daí pedem permissão para atirar, pois eles disseram que os “tais” carregavam fuzis e lançadores de granada.

A permissão foi dada e junto com ela surgiram tiros e uma nuvem de fumaça e sangue. A fumaça suja de sangue vinha de dois civis, jornalistas da Reuters, Namir Noor-Eldeen e Saeed Chmagh, mortos pelo exército norte-americano. Um deles ainda tenta, se arrastando, chegar a uma van preta que tenta também ajudá-lo, mas uma nova rajada de tiros detona o veículo, que possuía duas crianças no seu interior, que, por sorte, saíram apenas feridas.

Essa é só uma amostra do que acontece no Iraque. Milhares de vídeos como esse não são divulgados, por se tratarem as vítimas de civis anônimos e invisíveis.

O imperialismo é isso, para quem o defende. Os Estados Unidos da América são isso, para quem os defende. A democracia e a liberdade americanas são isso, para quem as cultua. Tudo que escrevo não é apenas raiva ou ódio do capitalismo ou imperialismo, mas indignação e tristeza com o que eles geram como consequência inevitável.

O maldito sistema pede sangue, morte e desprezo pela vida humana. Ninguém em sã consciência pode negar que isso é uma prática do capitalismo, e não apenas dos EUA. A guerra é um fator econômico, que compra vidas através da morte.

Declaração Universal dos Direitos Humanos? ONU? A maior democracia do mundo? Respeito pela dignidade humana? Paz? Tudo isso parece piada diante das imagens da verdade.

A mentira nos condena à moderação, aos caminhos da aceitação, à burra imparcialidade e à venenosa omissão. Essa é a verdade, meus amigos e amigas, essa é a mais pura verdade do que acontece todos os dias no planeta Terra.

Hugo Chávez, Mahmoud Ahmadinejad e Fidel Castro são criancinhas, comparados a pessoas como Reagan, Bush ou Obama.

O mundo precisa entender quem são os verdadeiros culpados pela nossa terrível situação como seres humanos. Saiamos desse conto de fadas falado em inglês e comprado em dólar. Precisamos entender e combater os verdadeiros Bastards, rebels and terrorists do mundo real.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: Barack Obama, o homem do SUS

26/03/2010

Por Yashá Gallazzi*

Quando Barack Obama, o Presidente-de-ébano, foi eleito, fez um discurso arrebatador. Falou em “mudança”, em “nova era”, em “paz mundial” e em “igualdade entre os homens”. Mas toda a retórica salvacionista do havaiano, que chegou a prometer o “fim do aquecimento global”, poderia ser resumida na seguinte construção:

“Eu tenho um sonho! No meu sonho, os homens e as mulheres da América, brancos e negros, nativos ou imigrantes, independentemente da religião que professarem, poderão ter acesso ao SUS.”

E Obama foi à luta: pegou todas as ideias que seus vários antecessores tiveram sobre como reformar o sistema de saúde americano, juntou-as num calhamaço enorme e, não satisfeito, acrescentou uma ou duas coisas que, suponho, aprendeu com Lula – “o cara”. O resultado? Um dos diplomas legais mais controvertidos de toda a história dos Estados Unidos.

O plano de Obama, aquele com o qual o Messias negro sonhou, não existe. Ficou pelo caminho, cedendo seus pedaços às exigências de boa parte da bancada… Democrata! Sim, é isso mesmo! Obama apresentou algo tão complicado e contraditório, que nem sua própria base de sustentação – escandalosamente majoritária no Congresso Americano – se convenceu a aprová-lo na íntegra.

Não vou cansar o leitor com todos os pormenores do plano idealizado por Obama. Vou apenas ilustrar o quanto ele foi obrigado a ceder diante da flagrante incapacidade de convencer os parlamentares e a opinião pública da importância de suas bandeiras mais caras.

Um dos principais pontos do programa original previa a criação de um plano de saúde público – o SUS – destinado a atender todos os americanos, independentemente de sua condição social. Esse, aliás, era o carro-chefe de Obama, aquilo que deveria simbolizar a nova mentalidade da América: mais igualdade e solidariedade. Não vingou…

Os americanos sentiram rapidamente o cheiro de queimado quando ficou claro que o trabalhador de classe média, mesmo optando por pagar um seguro de saúde privado, seria obrigado a financiar o plano público. Lá, eles têm dessas esquisitices “direitistas”: não suportam ver os tentáculos do Estado tentando crescer para cima de suas carteiras.

A outra bandeira desfraldada com entusiasmo por Obama foi a de criar um fundo público para financiar quem optasse por – como é mesmo que se diz na linguagem politicamente correta? – “interromper a gravidez”. Também não vingou…

Pelo visto, os americanos – todos conservadores, reacionários, feios e bobos – ainda entendem que matar uma criança é… matar uma criança! Mais que isso: entendem que o Estado não deve financiar aqueles que decidirem matar suas crianças. E, sob uma ótica ainda mais profunda, entendem que quem quer matar suas crianças deve se virar para fazer isso sozinho.

O que sobrou do plano sonhado por Obama? Em síntese, aquilo que Bill Clinton se recusou a levar adiante durante seu governo, pois entendeu que as propostas aceitas pelo Congresso seriam “tímidas demais”…

Claro que Obama conseguiu acrescentar alguns pontos relevantes, que trarão mudanças substanciais ao sistema de saúde e à economia dos Estados Unidos. As mudanças mais imediatas que eu vejo, por exemplo, são: 1) alta dos preços dos planos privados; 2) necessidade do governo de subsidiar os custos; 3) aumentos dos impostos; 4) desemprego.

Mas é claro que tudo isso não passa de mera preocupação conservadora… O importante para o progressismo é que os americanos terão um sistema de saúde mais amplo e acessível, que poderá oferecer a boa parte da população a mesma lógica de operacionalização que nós, brasileiros, conhecemos tão bem aqui…

A “vitória” política de Obama consiste na aprovação de uma lei praticamente toda diferente da que ele queria, e que, ainda assim, conta com a rejeição de 60% dos cidadãos do país. “Ah, mas os americanos são mesmo conservadores!”, dirão alguns. É mesmo? Ué, mas não foram esses mesmos americanos que elegeram Obama Presidente? E não foram eles que, depois de elegerem Obama Presidente, foram saudados pela mídia progressista do mundo, que falou em “morte do movimento conservador americano”?

Obama teve pouco mais de 50% dos votos em novembro de 2008, mas nunca é demais lembrar que começou seu mandato abraçado pela aprovação de mais de 80% dos americanos. Como conceber que, cerca de um ano depois, ele veja sua principal bandeira eleitoral tão rejeitada? Na verdade, é tudo bastante simples. A atuação de Obama vem rompendo um paradigma absolutamente fantástico que sempre norteou a sociedade americana: a regra de ouro segundo a qual o Estado deve se meter o menos possível na vida das pessoas.

A pedra angular sobre a qual se assenta a democracia americana não é a da igualdade, mas a da liberdade. Diz a constituição de lá que os homens possuem o direito à vida, à liberdade e à busca pela felicidade. Pode parecer apenas uma construção vaga, mas é, na verdade, a essência daquilo que separa o mundo civilizado da barbárie. Quando se assimila o preceito de que ninguém é obrigado a conceder a outrem o que é necessário para que seja feliz, e que cada um, por suas próprias forças e méritos, deve alcançar isso sozinho, temos a fórmula da equação elementar que garante a vida em sociedade.

A crescente insatisfação com Obama por parte da maioria dos americanos não se deve, pois, ao teatro dos “Tea Partys”, nem ao histrionismo de alguns jornalistas da FOX. Eles refletem apenas aquele eleitorado mais à direita que nunca se deixou seduzir pela retórica “mudancista” do Novo Messias. Quem está correndo a popularidade de Obama são os moderados e os independentes, ou, em outras palavras, a fatia do eleitorado que acaba por decidir todas as eleições lá por aqueles lados.

Essa parcela importante da população não dá a mínima para Sarah Palin ou Glen Beck. Eles resolveram romper com Obama quando perceberam que aquele corolário antes referido estava sendo dinamitado pela agenda de governo do democrata, sempre mais intervencionista.

A maioria dos americanos acredita sinceramente na lógica do “self-made man”, o sujeito que batalha e vence na vida graças aos próprios esforços. Por isso, ficaram ouriçados quando notaram que Obama queria o dinheiro dos contribuintes até mesmo para custear abortos.

Ainda há esperança! Quando os cidadãos da maior e mais duradoura democracia da história mostram, sem sombra de dúvidas, que preferem uma sociedade informada pela ação das pessoas, sem os braços pesados do Estado para atrapalhar, é sinal de que o futuro pode, sim, ser promissor.

Entre o imediatismo de um SUS meia-boca, e a vontade de frear os avanços centralizadores do Estado, os americanos estão escolhendo a segunda opção.

“God bless America”!

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento, escrevendo também no Twitter em @yashagallazzi

Coluna do dia: Pré-sal – Egoísmo e hipocrisia

18/03/2010

Por Felipe Liberal*

Quem foi aquele que reclamou do protecionismo americano em relação aos países mais pobres? Quem foi? Enlouqueceu?

Quem foi aquele que falou mal de Clinton, Bush pai e baby Bush sobre a exploração econômica, se valendo de superioridade financeira e social? Como podem? Vocês são um bando de hipócritas de 5ª categoria!

Muitos dos mesmos que abominam essa prática dos países “abençoados por Deus” estão a favor da ganância e egoísmo praticados pelos cariocas e fluminenses, que estão querendo tomar todo o dinheiro dos royalties do petróleo unicamente para os estados que fornecerão à Petrobras seus territórios para a exploração petrolífera do mar negro ali existente.

Onde estão agora os sentimentos de solidariedade e unidade nacional? Cadê o patriotismo? Regionalismo e “bairrismo” não são para radicais de esquerda e comedores de criancinhas? É difícil de entender tamanha contradição.

Mesmo como historiador não saberia contar quantos braços foram escravizados no nordeste durante os séculos XVII e XVIII, para produzir riquezas que foram da fronteira do Uruguai até a fronteira com a Venezuela, enchendo os bolsos de quem trabalhava com o comércio de açúcar e algodão.

Já no final do século XIX e em todo o século XX, também não saberia contar quantos braços nordestinos foram “escravizados” para tornar o Rio de Janeiro, e principalmente São Paulo, o que são hoje. A dívida histórica é monstruosa. E mais monstruosa ainda é essa fragmentação nacional, quando na verdade se fala de uma riqueza que pertence à União, ao Brasil como um todo.

Todos os brasileiros, sem exceção, devem e merecem beber um pouco desse petróleo, receber investimentos vindos do dinheiro do petróleo, principalmente devido à importância quantitativa do problema.

A camada do pré-sal é gigantesca.  Não estamos falando de uma pequena mina de carvão descoberta no interior do estado do Acre ou uma minúscula jazida de ouro aberta sob o solo do Tocantins.

Temos que analisar o fato isoladamente, observando a tremenda injustiça que estão querendo fazer com os estados-membros que precisam de ajuda urgentemente. Nada e nem ninguém cresce sozinho.

Igualmente ao planeta Terra, o Rio de Janeiro nunca se tornará uma potência dentro do Brasil, se os problemas dos outros estados não forem combatidos e resolvidos.

Tem que haver um sentimento de partilha e solidariedade para que todos nós possamos crescer juntos, sem distinção, tornando o Brasil um grande País, e não um grande Rio de Janeiro dentro de um pequeno e medíocre Brasil.

Como dizia o finado Raúl: “… Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só…”.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

2ª Coluna do dia: As verdades não ditas da história

26/02/2010

Por Felipe Liberal*

O Negro:

Em 1936, o país natal do todo poderoso Adolf Hitler foi derrotado pela seleção peruana de futebol. Três gols peruanos foram anulados e também a partida, no dia seguinte. No fim de tudo a Áustria ficou com a prata e a Itália, de Mussolini, com o ouro. O Peru voltou pra casa. Ainda bem que isso não acontece mais hoje em dia.

O Latifúndio:

No rio chamado Massacre, que divide a República Dominicana do Haiti, aconteceu o maior dos espetáculos. Em 1937, caíram assassinados a golpes de facão milhares de negros haitianos, que estavam trabalhando no lado dominicano. Quem mandou matar? O generalíssimo, branco, com cara de rato, Rafael Leónidas Trujillo. Após 73 anos, a empresa dominicana ainda não ficou sabendo. Ainda bem que isso não acontece mais hoje em dia.

Mapa- múndi:

Yalta, fevereiro de 1945. Churchill, Roosevelt e Stálin decidiram o futuro de vários países que levaram anos para ficar sabendo. Três grandes homens, a santíssima trindade do pós-guerra. Ainda bem que isso não acontece mais hoje em dia.

Natureza:

Tem um provérbio que diz que ensinar a pescar é melhor que dar o peixe. O bispo Pedro Casaldáliga, que vive na região amazônica, diz: “A ideia é genial, mas o que acontece se alguém compra o rio, que era de todos, e nos proíbe de pescar? Ou se o rio se envenena, e assim se envenenam seus peixes, pelos tóxicos que jogam nele? Ou seja: o que acontecerá se acontece o que está acontecendo?”

Tó:

Em 2003, os Estados Unidos da América dizimaram milhares de famílias no Iraque. Tudo por culpa de um erro divino, que colocou o petróleo sob os pés dos árabes. Mas não foram só vitimas de carne e osso: Várias relíquias arqueológicas foram transformadas em areia fina após os bombardeios. Entre elas, algumas tábuas de barro. Uma destas tabuas dizia: Somos pó e nada. Tudo que fazemos não é mais que vento.

*Felipe Liberal, escrevendo excepcionalmente em uma sexta, é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: Desumanidade no Caribe – Lula e os Castro ignoram o sangue

26/02/2010

Por Yashá Gallazzi*

Os leitores sabem o que é a Comunidade de países Latino-Americanos e do Caribe? Não? Bom, não tem muito problema. Mesmo os criadores dela não saberiam explicar com precisão o que ela representa, ou quais os seus objetivos práticos.

Assim, de bate pronto, eu poderia dizer que se trata de mais um fórum “pobrista” e terceiro-mundista, destinado a emprestar apoio político a facínoras como Hugo Chávez, Cristina Kirchner, Evo Morales e Rafael Correa. Uma espécie de lupanar do atraso latino, onde um bando de gente empoeirada pelos escombros do Muro de Berlim se rende a convescotes com os irmãos Castro, os dois maiores assassinos da história das Américas, ao mesmo tempo em que cobram mais democracia da democrática Honduras.

Mas essas seriam apenas elucubrações minhas. Na realidade, a tal comunidade serviu apenas para referendar o regime sanguinário de terror que matou Orlando Zapata Tamayo. Por enquanto, entenda-se… Em pouco tempo, é bem provável que a escória das Américas – com raríssimas exceções – precise se juntar para justificar as mortes provocadas por Chávez e por Morales. Afinal, sabemos que a utopia preferida dessa gente sempre foi construir o “novo homem” por meio do homicídio desenfreado.

Orlando Zapata era aquilo que se convencionou chamar de “preso de consciência”, ou seja, foi encarcerado pelos Castro porque se declarava contrário ao regime comunista que oprime aquela pobre ilha há décadas. Os irmãos assassinos, seguindo o exemplo de todos os regimes comunistas que os antecederam, trataram de pegar Zapata e de atirá-lo na prisão, ao lado de outros tantos “contra-revolucionários burgueses”. Julgamento? Devido processo legal? Ah, isso é invenção da “classe dominante”, não é? Os humanistas da “causa libertadora”, sabemos, preferem coisas mais rápidas, como os expurgos.

Zapata deu início a uma greve de fome, em protesto contra sua prisão e contra os maus tratos que os prisioneiros estavam recebendo. Privado até mesmo da água, Zapata viu seus rins entrarem em colapso e condenarem seu corpo ao apodrecimento ainda em vida. Ele morreu na última terça-feira, exatamente quando Lula partia para a Ilha dos Castro, a fim de bajular um pouquinho a múmia de Fidel Castro.

Por que Zapata protestou contra os “libertadores de Cuba”? Por que se recusou a ver as maravilhas que aquele paraíso da igualdade fornecia a toda a população? Bem, provavelmente porque é um desses “sujeitos burgueses” que gosta de zelar pela própria higiene pessoal…

Em Cuba, costumo dizer, há duas prisões: uma, administrada pelos Estados Unidos, onde os presos recebem papel higiênico regularmente; a outra, que corresponde exatamente ao restante da ilha, onde o único papel fartamente à disposição do povo é aquele usado para imprimir os discursos de Fidel Castro.

O socialismo, assim como o comunismo, é assim: começa prometendo salvar o homem, e termina negando ao homem o direito de cuidar do próprio asseio…

Ao ser questionado sobre o assassinato de Zapata, Raúl Castro saiu-se com o seguinte – se me permitem – “raciocínio” (do Estadão Online):

“‘Lamentamos muitíssimo (a morte). Isso é resultado dessa relação com os Estados Unidos’, disse Castro, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visita Cuba. Castro disse ainda que muitos outros cubanos também haviam morrido vítimas do que chamou de ‘terrorismo de Estado’, que seria, segundo ele, praticado pelo governo americano”.

Pois é… Um sujeito é preso – e acaba morto! – só por discordar do regime castrista, e a culpa é de quem? Dos americanos, é claro! Sim, vocês entenderam direito. Os americanos, esses demônios do mundo. Segundo o assassino cubano, o país onde os adversários de Bush podiam protestar sem serem presos, onde os “Tea Party” podem protestar sem serem presos, é culpado pela prisão dos oposicionistas de… Cuba!

Não fica difícil entender por que essa canalha é aliada de Hugo Chávez, afinal, o venezuelano acusa os americanos de terem uma “máquina de provocar terremotos”… Sim, é isso! Varram os EUA do mapa, e pronto: o mundo ficará livre de problemas, e seres pacíficos e humanos como Chávez e os Castro poderão ditar as regras. Que tal?

É esse sujeito que Lula foi paparicar quando da criação daquela comunidade vagabunda e filoterrorista! É com essa escória que o governo petista obriga o Brasil a se relacionar, estuprando os princípios da liberdade e vilipendiando os valores democráticos. São o lixo da Humanidade! O que há de pior e de mais rasteiro dentro da cadeia alimentar.

Como é possível que, ainda hoje, grande parte dos políticos brasileiros – e considerável parte da imprensa nacional – ainda consiga tratar com condescendência o regime cubano? Estamos falando de uma ditadura que matou diretamente cerca de 17 mil pessoas!

Isso, meus caros, faz os militares brasileiros parecerem moleques travessos… E nem estou mencionando os 83 mil que morreram tentando fugir daquele “paraíso terrestre”, afinal, deixar a ilha sem autorização d’O Partido é algo punido com a pena de morte! Lembro de Kennedy: “Podemos ser culpados de construir muros para manter nossos inimigos de fora. Mas não precisamos construir muros para manter nossos cidadãos presos aqui dentro.” Brilhante!

Em qualquer democracia séria, a amizade entre Lula, o PT, Dilma Rousseff e Franklin Martins com os irmãos Castro seria motivo suficiente para o desaparecimento político deles. Aqui, ao contrário, o PT tem boas chances de fazer o próximo Presidente, na esteira da popularidade estupenda que o Presidente atual, um esteio moral do castrismo, ostenta.

Somos uma vergonha para as democracias do mundo. Não apenas o governo Lula. Não apenas a esquerda rasteira e terrorista que até hoje vegeta no Brasil. Mas o País todo! Os cidadãos que votaram em Lula duas vezes e que, não satisfeitos, concedem a ele uma aprovação indecente, suja pelo sangue de Zapata – e de outras 100 mil vítimas inocentes. Deus tenha piedade de nossas almas…

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: Reflexões sobre o politicamente correto e a liberdade da palavra

24/02/2010

Por Raphael Machado Silva*

Todo pensar se dá por meio da Linguagem. Ao longo dos tempos o ato de ‘dar nome aos entes’ tem sido o meio pelo qual o Homem integra um dado ente à sua Macro-Estrutura Cultural. Assim, as coisas existem para o Homem na medida em que elas possam ser representadas por signos linguísticos. A apropriação do ente pelo Homem por meio da Linguagem possui necessariamente um caráter coletivo, como o próprio Homem, o qual é reforçado pelas instituições sociais responsáveis por integrar um indivíduo na Macro-Estrutura Cultural.

A partir de então, todo o pensar do Homem sobre um ente integrado na Macro-Estrutura Cultural jamais será um pensar sobre o próprio ente, mas sobre a ‘Palavra’, o ‘termo’, o ‘signo’, o qual representa o ente, e que é apreendido culturalmente pela coletividade ao longo das gerações. Os limites do pensar humano são, portanto, os limites de sua linguagem. A Linguagem, por isso, não é apenas resultado de uma construção cultural coletiva, mas é ela própria fator de orientação e determinação da Cultura e Destino de um Povo, na medida em que representa absolutamente determinados valores, ideais, inclinações e aspirações.

Altera-se a Linguagem de um Povo, seja pela adição ou supressão de certas palavras, ou pela alteração das semânticas das palavras, e todo seu pensar, sentir e viver se verão radicalmente alterados. A Linguagem não é um mero instrumento de trocas, como sem dúvida supõem todos os pragmáticos, materialistas e racionalistas, mas mais do que os outros elementos culturais, é ela a própria fundação sobre a qual se ergue uma Civilização. Como afirmava Heidegger: ‘A Linguagem é a casa do Ser.’

Ab initio, por isso, toda iniciativa de se realizar qualquer alteração na Linguagem de um Povo, qualquer intromissão em seu ‘dicionário oficial’, já deveria ser vista com a mais intransigente e provinciana suspeita e aversão. Só deveria ser permissível uma tão audaciosa e perigosa iniciativa, após a realização e a autorização de um ‘Conselho de Sábios’, composto por filósofos, psicólogos, teólogos, sociólogos, antropólogos e todos os maiores especialistas do ‘Espírito’ humano, onde se verificaria com anos e anos de estudo exatamente que efeitos teriam tais alterações sobre a totalidade das experiências existenciais humanas.

Infelizmente, porém, isso é inconcebível quando os povos são governados por trôpegos e abismados proletários, ou por burgueses usurários e glutões. É completamente evidente que alterações com vistas a ‘simplificar’ uma Linguagem, ou ‘integrar e aproximar os povos’ terão inevitavelmente como efeitos a própria mediocrização do pensamento e o desenraizamento cultural dos povos vítimas dessa violência humana, demasiado humana.

Mas há males muito mais insidiosos na manipulação da Linguagem, principalmente no que concerne à semântica das palavras. Ocorre que, se as palavras por sua natureza como representativos símbolicos de entes, inclusive de Idéias, é garantidamente possível se realizar uma pesada e totalitária doutrinação ideológica por meio de alterações da Linguagem.

Se os limites da Linguagem, são os limites de nosso pensamento, então basta uma palavra representativa de uma Ideologia ‘tabu’ ou ‘perseguida’ ser riscada do dicionário e das menções oficiais, principalmente nos meios escolares e acadêmicos, para que aquela Visão de Mundo particular deixe de existir em algumas gerações, simplesmente por não poder mais ser ‘pensável’, ‘concebível’, ‘falável’.

Orwell, então, só pode ser visto como um verdadeiro visionário ou profeta. Ele com extrema argúcia descreveu esse instrumento do mais diabólico totalitarismo, o qual prescinde absolutamente de autoritarismos políticos, e que pode conviver tranquilamente com sistemas demo-liberais. A prova disso é que exatamente essa é a realidade em que vivemos, e são as instituições mais centrais do establishment demo-liberal as propagandistas mais fanáticas da ‘novilíngua’ politicamente correta, e os maiores inimigos das ‘verdades desagradáveis’, já desde os fins do século XIX, e mais aberta e fanática desde a década de 60 nos EUA e na Europa Ocidental.

Não há Liberdade quando se pré-determina que palavras podemos usar, que ideias podemos ter. A escravidão é absoluta quando certos elementos parasitários da sociedade realizam sua subversão por meio de distorsões semânticas. A ofensa, a rejeição, a raiva, a aversão, a diferenciação, o alto e sonoro NÃO!, são partes integrantes e essenciais da Vida e da Liberdade.

Heinrich Himmler, um dos principais líderes do Terceiro Reich, havia dito em uma entrevista a um repórter americano que ele não se importava com as crenças e opiniões pessoais dos alemães, mesmo as contrárias, desde que essas discordâncias não se expressassem de modo aberto a ponto de atrapalhar a condução do Reich pelos Nacional-Socialistas. Para ele, líder da Gestapo e das SS, os alemães podiam ser livres para pensarem o que quisessem.

Na Modernidade Totalitária Demo-Liberal, a última trincheira de combate, nosso interior, nosso ‘Eu’, fonte de todas as Liberdades, foi tomado de assalto pelas distorsões históricas e pelas semânticas subversivas, cuja finalidade é fazer com que a ‘Revolução’ desabroche naturalmente a partir da própria ‘consciência’ das pessoas. Na Modernidade Totalitária ninguém é livre para pensar o que quiser. Aquele que pensa os ‘tabus’ é convencido a se submeter a um sentimento de culpa e vergonha, cuja única expiação é realizar a auto-violência mental de destruir a própria Identidade, os próprios ‘preconceitos’.

Todo discurso sobre ‘Liberdade’ em uma Tirania como a do Politicamente Correto, a qual governa todos os países do Ocidente, não passa de uma farsa quando a Liberdade Original, aquela que se origina da Ideia, do Logos, foi banida para ‘campos de reeducação’ ou calada violentamente por ser ‘fascista’ demais.

*Raphael Machado Silva, escrevendo excepcionalmente em uma quarta, é colunista do Perspectiva Política às terças.