Postagens com a palavra-chave ‘Ética’

Coluna do dia: Nunca antes na história desse País

23/08/2010

Por Arthurius Maximus*

Pois é, essa é uma das frases favoritas vomitadas por Lula sempre que possível. Mas, essa frase encerra também uma realidade cruel que resume a inoperância dos organismos legais que deveriam reprimir os desmandos de políticos que violam as leis; a leniência da sociedade com a violação sistemática de preceitos republicanos (e da própria lei) e a aceitação de uma ética elástica e de uma moral própria de canalhas em troca da possibilidade de comprar um carro ou uma televisão “de prasma” a perder de vista.

Sim, você pode afirmar que o Brasil vive melhor hoje. De fato, em alguns aspectos isso é verdadeiro. Mas, é importante compreender que as conquistas que temos hoje simplesmente não caíram do céu e nem foram fruto de mágicas ou fórmulas milagrosas; elas são oriundas de uma série de ações que ultrapassam a administração petista e do PSDB e se iniciam, bem lá atrás, no governo de Itamar Franco.

Por isso mesmo, a atual bonança econômica deve ser analisada mais de perto e entendida como a reunião dessas ações somadas a uma época de excepcional prosperidade internacional. Além disso, é muito mais vital que essa bonança seja revertida em conquistas reais para a sociedade e não meramente em propaganda partidária vazia.

Sim. Você que é um “ex-duro” pode comprar uma TV de “prasma” ou um carro zero em suaves prestações – quase infinitas – pagando juros altíssimos e impostos mais altos ainda. Contudo, seria importante entender que nada vale a Tv de “prasma” e o carro zero “tinindo” em casa se, para entrar ou sair dela, você ainda tem que pisar em seus próprios dejetos e nos dos seus vizinhos.

De nada adianta comer iogurte todo dia, beber espumante nas festas ou ter aquele empreguinho tão sonhado se, ao primeiro momento de necessidade, você morrerá por um atendimento médico deficitário ou totalmente inexistente em hospitais públicos sucateados e mal aparelhados.

É muito bom saber que Lula tem “zilhões” de popularidade e que Dilma deverá se eleger em primeiro turno. Mas, é muito mais importante, compreender que nessa terra de maravilhas que eles dizem governar; você teria morrido a míngua se fosse acometido pela mesma doença que ela ou o vice-presidente tiveram.

Ao brasileiro, cabe entender que bonança e primeiro mundo não são palavras que significam apenas a compra do carro zero, da TV de “prasma” ou um empreguinho com salário de fome. Bonança, significa respeito às leis (para todos), saúde de qualidade e acessível a qualquer pessoa, educação capaz de formar cidadãos preparados para garantir o futuro da nação e condições de vida que supram, pelo menos, o mínimo de dignidade de que o ser humano necessita.

Seria fundamental para o brasileiro entender que aceitar o escárnio às leis (seja por quem for) ou aceitar viver com migalhas que caem da mesa dos poderosos não é sinal de prosperidade. É sinal de subserviência e alienação.

Esse comportamento vitima muito mais do que a falta de emprego, a miséria econômica e qualquer outra mazela possível. Isso ocorre porque o escárnio às leis provoca o escárnio ao ser humano mais fraco e indefeso. Ele corrói as oportunidades iguais e favorece apenas aos ligados a uma determinada corrente de poder.

O escárnio às leis faz com que as necessidades básicas do ser humano e a dignidade do cidadão sejam sempre colocados em segundo plano, frente às necessidades da elite que o governa e se serve do poder.

E, por último, é do escárnio às leis que nascem à miséria, o desemprego e o marasmo econômico. E não desse ou daquele governo ou político.

A chave para banir esse pensamento subserviente e alienado de nosso país para sempre está apenas em nós. Somos nós que devemos passar a exigir o cumprimento das leis e a punição de quem quer que seja responsável pela sua violação – mesmo que sejamos nós mesmos ou pessoas a quem amamos – a isso chamamos de ética.

E é o mínimo que uma grande nação precisa que o seu povo tenha.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Coluna do dia: Desrespeito, descaso e a estratégia dos covardes de fugir dos debates

26/07/2010

Por Arthurius Maximus*

Para que uma eleição seja justa, os eleitores devem conhecer as propostas e a capacidade individual dos candidatos de executá-las. Devem estar atentos à personalidade do político, aos seus deslizes e às suas ousadia e inteligência.

Mas, como se consegue isso?

Conseguimos através de um cuidadoso acompanhamento da vida pregressa de cada candidato, suas realizações, seus posicionamentos éticos e morais – ao longo de toda a sua carreira pública – e nos debates.

Esses são os elementos que transformam factóides em fatos reais e a propaganda, meramente populista, em algo voltado para iludir o eleitor. Tudo isso contribui para transformar informações em meios palpáveis para o eleitor formular uma opinião e escolher o melhor candidato para um cargo eletivo.

Mas, no Brasil, vemos uma atitude totalmente antidemocrática ser tolerada pelo eleitorado e acalentada por muitos políticos que desejam enganar a população, temendo o confronto de ideias por saberem-se incompetentes para tal e passíveis de serem desmascarados.

A postura de diversos candidatos, tanto à Presidência quanto aos governos estaduais, de fugir dos debates é, no mínimo, um sinal ao eleitorado de que eles se preparam para aplicar o contumaz golpe do estelionato eleitoral. Sem “colocarem a cara pra bater”, os políticos derramam suas promessas vazias sobre o populacho sedento e esperam que o uso da máquina, o forte apoio financeiro ou mesmo as verdadeiras fantasias que são tecidas na época das eleições façam o trabalho de enganar o eleitor e para que este vote no candidato fujão.

Numa nação composta em 74% por adultos analfabetos funcionais e 54% do eleitorado sem ter sequer o primeiro grau (números do MEC e do IBGE), a ausência dos debates é a estratégia dos covardes incapazes para manipular a massa ignorante e garantir o posto de “salvador da pátria”.

O eleitor, por sua vez, mostra-se impassível e indiferente diante das falcatruas éticas, das imoralidades eleitorais e da tibieza de propostas, que sequer resistiriam a um contraditório sério. Muito embora o colégio eleitoral brasileiro seja um dos mais vastos do mundo, certamente também é um dos mais alienados e desestimulados. Pesquisa recente revelou que, se o voto fosse facultativo, cerca de 44% do eleitorado simplesmente não compareceriam às urnas.

Essa é uma constatação aterradora quando a comparamos, por exemplo, com os índices dos dois principais candidatos nas pesquisas de opinião. Nenhum deles atingiu sequer um patamar próximo a esse índice de rejeição.

Mas, o que podemos entender desses números?

Muito simples: No Brasil, quem decide o voto é a massa desinteressada que, muitas vezes, vota sem qualquer análise e sem qualquer percepção do desastre que pode estar contido em seu próprio descaso.

Daí, a estratégia de fugir dos debates e de expor-se o menos possível para o eleitor, acaba rendendo frutos e garantindo que a propaganda da máquina governamental ou o poderio financeiro cumpram o seu “dever” de imprimir a marca do candidato na mente desse eleitorado. Assim, vota-se em “qualquer um” porque “tudo é a mesma coisa”  ou “não tem jeito” e acaba-se esquecendo que as eleições são o momento para o eleitor premiar quem atuou dentro da ética e da observância das leis e fez um bom trabalho e punir aqueles que agiram de forma contrária aos anseios da nação.

O resultado óbvio pode ser visto, ano após ano, expresso nos escândalos, nos hospitais sucateados, na corrupção desenfreada, nas ilicitudes variadas e perversamente perdoadas pelo eleitor. Cabe, a cada um de nós, repudiar a inação e assumir a responsabilidade que nos cabe, cobrando do candidato que ele compareça aos debates e exponha suas propostas ao crivo do contraditório.

Só assim saberemos se, antes de tudo, ele tem “peito” e condições para levar os seus projetos mesmo contra interesses nefastos que queiram se locupletar do poder. E, em caso de erro, saberemos que votamos naquele que apresentava as melhores condições no momento e aprenderemos com o erro cometido, refinando nossa prática eleitoral e depurando nossas escolhas a cada nova oportunidade.

E você leitor, o que pensa disso?

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Coluna do dia: Não são 300, mas pelo menos já são 36

21/06/2010

Por Arthurius Maximus*

Lula, nos bons tempos em que dizia pregar a ética na política, adorava dizer que o Congresso Nacional era composto por algumas pessoas éticas e mais ou menos trezentos picaretas. A declaração repercutiu tão mal na época que Lula foi ameaçado de processo e chegou a ser interpelado judicialmente.

Mas, como na política brasileira o que se fala nem sempre pode ser escrito, hoje as coisas são bem diferentes.

Desses trezentos picaretas, boa parte se transformou em “aliado” ou “cumpanheiro de luta”. A ética na política não é mais prioridade e as rusgas do passado e os embates com o pessoal da corrupção e da roubalheira acabaram se transformando em animadas festanças e em “arraiás” regados a whisky, cachaça e muito churrasco. Tudo isso, é claro, pago com impostos cada vez mais escorchantes.

Mas isso é outra história. O caso mesmo é que, dos trezentos picaretas, pelo menos trinta e seis já deixarão de frequentar as dependências do Congresso Nacional na qualidade de “excelências” a partir dessas eleições, se tudo correr bem.

Graças ao projeto – agora lei - Ficha Limpa – e não ao Lula - os picaretas dos mais variados partidos (PT, PSDB, DEM, PR, PP, PSC, etc…), denominações ideológicas e religiosas terão problemas para conseguir o registro de candidatura e a diplomação caso eleitos. Infelizmente, sabemos que na realidade a coisa acabará caindo no colo do STF e a decisão final caberá a esse tribunal. No entanto, é muito bom ver esse pessoal suar um pouco e imaginar o que fará da vida durante o período em que não puder ficar mamando nas tetas.

A “safra” de condenados compõe-se de “excelências” na arte do peculato (o famoso roubo) e passa pelos mais variados crimes – incluindo até o trabalho escravo. Você pode achar pouco e até criticar a nova lei do Ficha Limpa.

Afinal de contas, o projeto original foi desfigurado e abrandado pelos políticos e teve a tentativa final de salvar Maluf e tornar o projeto uma peça de ficção feita pelo “honorável” Senador do Rio de Janeiro Francisco Dornelles (eleitor fluminense lembre-se disso).

Contudo, um pensamento não pode deixar de penetrar nesse seu ceticismo: Todo bom picareta não vira homem honesto por causa de uma lei. A corrupção e a roubalheira são democráticas e estão entranhadas demais no sangue desse pessoal para que eles mudem agora. Então, com o passar do tempo, essa gente acabará se envolvendo em falcatruas e serão expostos – aqui e ali – e acabarão sendo tragados pelos dispositivos da nova lei.

Seja como for, o importante é que o Brasil hoje tem uma lei importante e que acabará protegendo um pouco mais os cofres públicos e nossos bolsos. Ambos cansados de bancar “arraiás”, viagens, pensões para amantes e toda sorte de benesses ilícitas para esses seres que, ao invés de “excelências” deveriam mesmo é ser chamados de “excrescências”.

E, melhor de tudo, independentemente da vontade de qualquer falso messias.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica.

Coluna do dia: Brasil, o paraíso da corrupção

14/06/2010

Por Arthurius Maximus*

“O crime não compensa”.

Esse ditado tão célebre nos antigos filmes de super-heróis ou policiais de antigamente está tão errado quanto 2 + 2 = 3.524. Sim, pelo menos aqui no Brasil o crime compensa e muito. Exemplos não faltam, desde políticos corruptos e ladrões notórios – que exigem o tratamento de “vossas excelências” – até o mais humilde moleque de rua – que mata a troco de um par de tênis ou de cinco reais para fumar crack e fica odiosamente impune.

Graças às nossas leis “de primeiro mundo” ou aos “enormes avanços legislativos” que transformaram nosso País no lar preferido de dez entre dez criminosos domésticos e internacionais, o crime aqui compensa muito. Exemplos disso são dados a todo instante, provocando a estranha inversão de valores que experimentamos em nossa sociedade. Aqui, ser honesto é ser otário e roubar é ser malandro e esperto.

Dentre esses exemplos, nenhum choca mais do que os fornecidos em profusão pelos grandes fraudadores e corruptos. Afinal, mesmo punidos, conservam em seu poder o fruto do seu ilícito e após cumprirem as penas pífias de nossa legislação, passam a gozar de suas fortunas ilegais pelo resto da vida.

O juiz Nicolau dos Santos ficou notório sob a alcunha de “Juiz Lalau”. Preso em sua mansão, provavelmente bancada com os desvios do Tribunal Regional do Trabalho paulista, goza de férias remuneradas pelo Estado e deixará uma gordíssima herança aos seus herdeiros, já que quase nada do que ele roubou foi recuperado e não há perspectiva de que isso ocorra.

Mais um desses “valorosos” brasileiros deixou a cadeia nesse final de semana. A ex-advogada Jorgina de Freitas, responsável pelo rombo de mais de 400 milhões de reais nos cofres da Previdência Social, deixou a cadeia e está livre, leve e solta para curtir a sua fortuna em total liberdade. Afinal de contas, de toda a fortuna roubada por ela, apenas a modesta parcela de 69 milhões de reais foi recuperada pelo Estado. Faça as contas, caro leitor, e perceba com clareza como vale a pena ser um ladrão em nosso País.

Dos treze anos a que foi condenada e mesmo tendo fugido para o exterior, Jorgina cumpriu pouco mais de cinco anos efetivamente presa. O restante da “pesadíssima” pena foi cumprido em regime aberto e semi-aberto. Quando estava na cadeia, Jorgina até organizou um concurso de Miss Cadeia com o apoio do próprio Estado.

Agora, se você ainda não se convenceu de que roubar é ótimo em nosso País, resta o exemplo do famoso petista preso no aeroporto de Congonhas com uma verdadeira fortuna em propinas enfiada na cueca. O escândalo, que foi parte do Mensalão, virou até marchinha de carnaval. Mas hoje, Adalberto Vieira da Silva (o assessor-parente de José Genoíno) está processando a União e deseja reaver a grana. Os mais de 1.000.000 de reais (cem mil estavam em sua cueca) ficaram retidos, obviamente, por não terem sido reclamados pelos verdadeiros donos.

Para mostrar como o Brasil é a terra de leite e mel da corrupção, Adalberto Vieira – que não tem meios de provar que o dinheiro era lícito – resolveu declarar a bolada para a Receita Federal como se fosse uma “doação”. Isso lhe rendeu uma multa de 200 mil reais (que ele não tem como pagar) e a propriedade legal do dinheiro. Com isso, se vencer o processo que move contra a União, Adalberto será o feliz proprietário de 800 mil reais “limpinhos” e sem ter passado um único dia em cana. Mesmo dizendo abertamente que o dinheiro não é seu e que este pertencia a uma alta figura do PT, ele afirma que jamais revelará o seu nome e quer o dinheiro porque “ele merece”.

Pois é. O Brasil é mesmo uma terra maravilhosa…

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica.

Coluna do dia: Dilma, o PT e a incrível arte de fabricar ilusões

26/04/2010

Por Arthurius Maximus*

Muitos jornalistas e o público em geral acham estranha a postura dos norte-americanos quando estes pressionam políticos apanhados em casos extraconjugais a renunciar aos seus mandatos.

A palavra hipocrisia pula de boca em boca acompanhada de adjetivos, verbos e sentenças completas e derradeiras. No entanto, um aspecto fundamental da questão parece ser relegado a um plano inferior: A confiança.

Casos, amantes e “otras cositas más” (sic) podem passar pela vida de qualquer um de nós, não é mesmo? Então porque os americanos encrencam tanto com isso? Na verdade, “a encrenca” não acontece pelos casos e indiscrições em si. Ela acontece pela revelação da mentira e pela perda de confiança.

Um político, no exercício do seu mandato ou pleiteando um, deve ser alguém em quem se possa confiar. Afinal de contas, é ele que resguardará os bens do País, garantirá o modo de vida da população e, caso necessário, tomará decisões que poderão levar o País e os cidadãos a passarem por momentos de dificuldade em crises, guerras e etc…

Exatamente por isso, ao ser pego numa mentira descarada, na maioria dos casos a renúncia é a única coisa que resta ao político por lá. Quem não se lembra do Governador de Nova York e do célebre caso do Presidente Clinton, que no auge da popularidade quase perdeu o mandato por uma mentira?

Mas, aqui no Brasil essas nuances de comportamento passam “batidas” pela população e são tratadas pela imprensa como coisas menores. Em um País sério, um político que revogasse o irrevogável, como fez o Senador Mercadante, e mostrasse a tibieza de suas convicções e do valor de sua palavra teriam a carreira política arruinada ou pesadamente atingida. Afinal de contas, um ocupante do Executivo deve ser uma pessoa de pulso forte e com tenacidade suficiente para defender suas crenças dos ataques dos inimigos e, principalmente, dos amigos.

A ex-Ministra Dilma é também uma mostra clara de como a mentira tem pernas curtas e o hábito de usá-la com frequência deve ser encarado como um desqualificante moral e real para a ocupação de qualquer cargo público (muito mais a Presidência da República).

Afinal de contas, como entregar os segredos do Estado e o futuro da nação para alguém que mente descaradamente e, pior ainda, mente tão acintosamente que é desmascarada quase imediatamente após mentir?

Como o cidadão pode confiar que o País estará bem guardado e será bem administrado por alguém assim?

Acha exagero?

Examinemos de perto:

A primeira mentira veio com a descoberta da falsificação do currículo profissional. Mesmo desmentida timidamente pelo PT, a falsidade de informação foi depois comprovada e deixou a ex-Ministra numa “saia justa” por um bom tempo.

Depois foi o tal encontro com a Secretária da Receita Federal para “agilizar” (que no jargão da Receita quer dizer “passar de passagem” ou dar uma “olhada por cima”)  os processos contra membros da família Sarney. O disse-me-disse-não-disse durou um tempo e a ex-Ministra desafiou que se provasse com a agenda do dia e da hora do encontro. Assim que a agenda apareceu com a reunião marcada e comprovada, as fitas do Palácio do Planalto que são gravadas e armazenadas, por contrato, para sempre, simplesmente “desapareceram” – deletadas por um funcionário “zeloso”.

Maia tarde a tal ficha de guerrilheira, que depois foi desmentida por integrantes dos serviços de informação do regime da época e, posteriormente, pela própria Dilma – creditando-a a uma “armação” do jornal Folha de São Paulo.

Já na campanha, houve o caso do site “Mulheres Com Dilma”. Nas informações sobre a criação do site consta – “Somos mulheres identificadas com Dilma Rousseff e estamos mobilizadas por um país melhor para vivermos. O objetivo deste Blog é encontrar mulheres que pensam como nós. Queremos somar e multiplicar, pois acreditamos que juntas chegaremos lá!” – Numa clara alusão a um grupo de mulheres que, imbuídas do espírito democrático montaram um site para voluntariarem-se pela causa de Dilma. A farsa veio à tona quando checaram o registro de domínio e o mesmo havia sido feito por uma das funcionárias da empresa de assessoria de imprensa que cuida da campanha da ex-ministra. Fato exposto e desmascarado, causando enorme constrangimento na direção da campanha.

Agora, ainda não satisfeitos, os responsáveis pelo Blog da Dilma (Dilmanaweb) fazem uma montagem de fotos onde mostram a ex-Ministra na infância, nos movimentos populares – já adulta – e na atualidade, sob o título “Minha Vida” (que linka para uma página com a biografia da ex-Ministra). A alusão das imagens à vida de Dilma é clara e cristalina para qualquer pessoa que visite o site.

O detalhe é que a mulher que vai altiva, puxando a passeata contra a censura durante o regime militar, não é Dilma. Trata-se da atriz Norma Bengell acompanhada por várias outras atrizes. Dilma jamais participou do protesto.

Pegos em flagrante, o pessoal da campanha correu para desmentir o fato e soltou a pérola:

O blog Dilmanaweb lamenta profundamente a interpretação equivocada da foto que traz a atriz Norma Bengell participando de uma passeata contra a ditadura.

Jamais houve a intenção de confundir a sua imagem com a de Dilma, o que seria estapafúrdio, ainda mais se tratando de uma figura pública. O que se busca, ali, é ressaltar um momento da vida do país do qual Dilma participou ativamente. Outras fotos do blog fazem referência a esse momento em que os brasileiros foram às ruas pedir o fim da ditadura.

Dilma participou de todas essas lutas. Elas fazem parte de sua vida e da vida de milhões de brasileiros. Lamentamos eventuais mal-entendidos que possam ter ocorrido e tomaremos providências para evitá-los”.

Eles se esforçaram tanto para evitar qualquer mal entendido ou má interpretação que, em nenhum momento, assinalaram que o close entre duas fotos de Dilma e dos dizeres “minha vida” pertencia a Norma Bengell. Ficou evidente a busca por uma semelhança física (mesmo que distante) para dar um “ar” de combatividade à candidata.

Se na trajetória administrativa e na campanha eleitoral um político é tão cercado por mentiras que produz intencionalmente ou através de seus assessores, o que se pode esperar dele ao chegar ao poder?

É esta pergunta que você deve se fazer antes de escolher o seu candidato nas próximas eleições, caro leitor.

Pense nisso.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Coluna do dia: Receita para salvar o povo do dilúvio

09/04/2010

Por Yashá Gallazzi*

Esqueçam os muitos especialistas que têm desfilado na televisão nos últimos dias. Deixem de lado os discursos de Cesar Maia, Sérgio Cabral e Eduardo Paes. Fechem os ouvidos quando perceberem que Lula vai começar a discursar. Eles não sabem de nada! Se é para resolver os problemas decorrentes das chuvas descomunais que estão assolando o Rio de Janeiro, o negócio é dar ouvidos a este colunista aqui.

Tenho a receita mais eficaz – a única receita possível, aliás – para que nenhum deslizamento de terra volte a causar tragédias como as que temos visto todos os dias nos telejornais. E é muito simples: o Estado precisa retirar das áreas de risco todos os que lá estiverem. Retirar, eu disse. Não basta declarar que a área é “de risco”. Nem colocar abrigos “à disposição” do povo. Nada disso! Tem que retirar mesmo. Na marra, se for o caso. Chegar lá no morro com a Defesa Civil, os Bombeiros, um punhado de assistentes sociais e, se for preciso, a Polícia Militar. Tudo pra garantir que ninguém resista à ação do Estado. E quem resistir? Que seja preso, oras.

“Ah, mas onde o governo vai colocar tanta gente?” Num primeiro momento, em abrigos públicos. Depois, seria preciso encontrar uma solução definitiva, possivelmente construindo moradias populares em locais que não desmoronem toda vez que São Pedro acordar de mau humor.

Viram? É tudo muito simples. Então, por que diabos nenhum político fez – ou pretende fazer – isso? Bem, porque a ação toda seria considerada muito impopular. Vou além: no Brasil atual, onde impera uma violenta inversão de valores morais, um plano de ação como o descrito acima seria considerado “fascista”, “reacionário”, “de direita”.

Imaginem como a tal “opinião pública” reagiria ao ver o Estado subindo o morro para retirar, à força, centenas de pessoas de suas casas precárias e pobres. Imaginem ainda o estardalhaço que não fariam quando os tratores do Estado colocassem abaixo as bandolas que povoam os morros cariocas. A cena de “dona Mariazinha” chorando em rede nacional ao ver seu “pequeno barraquinho” sendo desmontado iria correr o País, sensibilizando esses valorosos humanistas que defendem o direito que os pobres têm de morar em áreas de risco… E o governo? Bem, seria “autoritário” e “eugenista”…

Foi o que se viu quando o governo de São Paulo, primeiro com Alckmin, depois com Serra, tentou retirar os mendigos das ruas. Lembram do tal padre Júlio Lancelotti? O sujeito, que cordena um troço chamado “Pastoral do Povo da Rua”, disse que lutava pelo direito que os mendigos tinham de ficar na… rua! Não é fascinante?

Da mesma forma, bastou Kassab construir bancos feitos para sentar, que os “humanistas” logo trataram de acusá-lo de fazer “bancos anti-mentigo”. Nota-se, pois, que esses valentes querem “bancos pró-mendigo”, não é mesmo?

Se o Estado, valendo-se do poder de polícia, tratasse de retirar as pessoas dos morros cariocas, a gritaria “humanista” rapidamente se repetiria. E, considerando que essa turma “solidária” consegue mobilizar muito bem a imprensa e as milícias do “pogreçismo”, o estardalhaço seria tão grande que fica fácil entender por que os políticos daqui, tão preocupados com projetos pessoais de poder, não têm peito para encarar de frente o problema.

A única maneira de resolver de vez a questão é essa. Qualquer outra coisa é mero paliativo, que será literalmente soterrado no próximo deslizamento de terra.

Querem resolver o problema? Esqueçam a gritaria dos “humanistas” da miséria, que defendem o direito que os pobres têm de continuarem… pobres! Essa gente pensa apenas no próprio umbigo: eles precisam de um oprimido para chamar de seu, caso contrário perdem a razão de ser. Se ninguém mais morar nos morros, como ficariam as ONGs que tentam melhorar a vida dos que moram nos morros? Se ninguém mais mendigar nas ruas, como ficam os “valorosos” do padre Júlio? Não! Essa gente não quer saber de resolver os problemas de ninguém! Eles querem mais é que os pobres continuem morando precariamente e sendo soterrados de vez em quando. Assim, a cantilena aborrecida que opõe uma elite-rica-que-mora-bem aos pobres-oprimidos-que-moram-mal pode continuar sendo repetida infinitamente.

Para resolver de vez o problema é preciso fazer o exato oposto daquilo que os “especialistas” e os “humanistas da miséria” pregam. Querem que os morros sejam urbanizados? Bobagem! O negócio é tirar as pessoas de lá. Querem que a população seja conscientizada sobre os riscos de morar nas encostas? Besteira! Um aviso amigável e, depois, polícia!

Mas para isso é preciso alguém que não tenha receio de ser chamado de “fascista, eugenista, reacionário e direitista”, o que não é nada fácil, principalmente num País como este, onde o consenso que impera é progressista e politicamente correto. Aqui, se você quer tirar os mendigos das ruas, é um “fascista”. Humano e progressista é deixá-los ao relento, pedindo esmolas.

Pelo visto, muitos outros deslizamentos ainda vão acontecer nas grandes metrópoles brasileiras.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

2ª Coluna do dia: Quando a paz não passa de uma utopia moral

07/04/2010

Por Raphael Machado Silva*

Dentre as constantes expectativas das massas humanas, as quais são expressas por meio de manifestações populares, desejos natalinos, discursos sentimentais ou modos insignificantes de auto-expressão, talvez a mais característica e onipresente seja a ‘Paz’ ou, melhor dizendo, aquilo que Kant chama de ‘Paz Perpétua’, uma espécie de Utopia vindoura, consequência natural da razão humana, na qual toda a Humanidade estaria unificada sob um mesmo sistema e a paz reinaria completa entre os homens.

É fácil traçar a genealogia dessa expectativa. Se analisarmos friamente, veremos que ela não passa de uma secularização iluminista das expectativas messiânicas relacionadas ao ‘Reino de Deus’ na Terra, no qual todas as aspirações e promessas dos Evangelhos se veriam realizadas. Todo o mundo se veria unificado sob o ‘Despotismo Esclarecido’ de um Messias, o qual imporia um perpétuo estado de paz entre os homens, e poria fim a todos os sofrimentos humanos por meio de uma espécie de ‘Comunismo Sagrado’.

Obviamente, não há lugar nessa Utopia para aqueles que simplesmente não estejam dispostos a se submeter. Essas expectativas são, supostamente, tão absolutamente boas e perfeitas, que qualquer um que se oponha é um monstro, um demônio, e seu destino só poderia ser o Inferno. Para os adeptos das Utopias Morais, todo opositor e dissidente é uma encarnação do Mal Absoluto e, portanto, toda violência e barbárie é completamente legítima e justificável.

Para testar e descobrir um desses adeptos, pode-se, por exemplo, citar a Destruição de Dresden por bombardeios anglo-americanos, que levou à morte de 500.000 civis alemães, ou o estupro de mais de 2 milhões de mulheres alemães pelas tropas soviéticas, e outros atos de barbárie tomados pelos Aliados durante e após a guerra que levaram à morte de 7 milhões de civis alemães; ou ainda o gradual processo de genocídio pelo qual passam os brancos na África do Sul e no Zimbábue. A reação de um indivíduo a esses fatos será revelador de seu caráter.

Em nome da Democracia Liberal e da Igualdade, não há extermínio e barbárie que seja injustificável, ainda mais quando a barbárie é travestida e mitificada como uma espécie de ‘justa vingança’ da ‘inocente vítima’. Como poderia dizer Nietzsche, o ressentimento mesquinho dos tipos humanos fracos contra tipos vistos como poderosos, quando alimentado pela ilusão auto-criada da própria ‘inocência’ e ‘bondade’, impele o Homem para os mais profundos dos ódios. Um erro passa a justificar o outro.

A Utopia da Paz em seu âmbito global só é possível por meio da sujeição de todos os Estados a uma única autoridade supra-estatal. Mas para que essa sujeição não culmine em uma ‘Guerra Civil Global’, para que a Ditadura Utópica Global perdure, toda e qualquer percepção de ‘Alteridade’ deve ser extirpada. Ou seja, qualquer noção de um ‘Outro’ deve deixar de existir, e ser substituída pela noção de um ‘Eu’ coletivo e absoluto que englobe toda a Humanidade.

Mas a percepção de ‘Alteridade’ deriva exatamente do fato das infinitas diferenças que existem entre os agrupamentos etno-culturais humanos. Então, para que a ‘Paz Perpétua’ seja instaurada entre os Homens, toda Diferença deve ser desintegrada. A Igualdade absoluta é a pré-condição necessária para a Paz Perpétua.

Mas vejam só, se a Utopia Moral da Paz Perpétua é absolutamente boa e desejável, não há, em absoluto, metodologia que não possa ser utilizada para alcançá-la, independentemente das supostas implicações morais de tais métodos. A Utopia Moral se sobrepõe a toda e qualquer outra consideração moral. Nada pode ser tão moral quanto a Utopia, e qualquer imoralidade, à serviço da Utopia, passa por tamanha transformação alquímica que é vista como absolutamente moral. É o tal “bem maior” justificando o “mal menor”.

O oposto também é verdadeiro. Atos, posicionamentos e comportamentos completamente naturais, quando estão dirigidos contra a consecução da Utopia Moral, são vistos como monstruosidades, mesmo quando os adeptos da Utopia realizam os mesmos atos. Se inimigos da Utopia prendem ou fuzilam terroristas e espiões que atuavam para desestabilização do governo e a realização de um golpe ‘democrático’, então eles estão realizando um ‘massacre’, ou ‘perseguindo opositores políticos’. Se adeptos da Utopia perseguem, prendem e condenam à morte, ativistas, pensadores e políticos, que lutam para impedir que sua cultura seja destruida pela globalização, então esses adeptos estão ‘combatendo a intolerância’, ou alguma falácia similar.

Para que a Paz Perpétua seja conquistada então, é necessária que toda a Humanidade seja transformada em uma massa amorfa, desprovida de características singulares. E para que isso seja efetivado não há medida que possa ser considerada imoral. E, considerando que hoje não há lobby mais poderoso do que esse, o lobby do ‘Governo Mundial’, não é ‘teoria da conspiração’ dizer que obviamente as pessoas influentes envolvidas nesse lobby vão usar essa influência, seja na economia, na política ou na mídia, para esmagar as Diferenças e impor sua Utopia Moral. É a pasteurização.

E, para isso, curiosamente, não é necessário realizar qualquer movimentação na direção da ‘Igualdade econômica’.

Essa modalidade de ‘Igualdade’ é colocada como a mais medíocre e irrelevante de todas elas, exatamente pelo fato de que seu objeto, a Diferença determinada pelo Dinheiro é a diferença mais ‘igualitária’ de todas e de modo nenhum impede ou dificulta a ascensão do ‘Governo Mundial’.

Ao contrário.

*Raphael Machado é colunista do Perspectiva Política às quartas.

2ª Coluna do dia: Lula e a incrível arte de cometer gafes

15/03/2010

Por Arthurius Maximus*

Que Lula se acha o “protagonista universal” ninguém duvida disso. Dotado de uma soberba que não se justifica, nosso Presidente tem a incrível habilidade de meter os pés pelas mãos e de mostrar todo o seu desconhecimento no quesito ética e sobre o que realmente significa ser o mandatário de uma nação importante a todo o momento.

Embevecido pelos prêmios oferecidos por banqueiros que tiveram seus bolsos recheados “como nunca antes na história desse País” e por jornais que se deixaram enganar pela sua aparente boa imagem, Lula tem o ego constantemente acariciado por uma legião de aduladores e “baba-ovos” que o acompanha para onde quer que vá.

Não satisfeito em apoiar genocidas, intolerantes e ditadores condenados pelas cortes internacionais e pelas entidades de direitos humanos, Lula ainda pretende ser uma figura importante na esperança de diálogo entre palestinos e israelenses.

Contudo, do alto de sua pequenez e de seu pensamento ideológico estático, que ainda vê na “Guerra Fria” e no anti-americanismo uma condição válida para reafirmar sua “biografia revolucionária”, Lula protagoniza uma das maiores gafes diplomáticas já cometidas por um Presidente brasileiro no exterior.

Ao recusar-se a comparecer à realização de uma cerimônia em homenagem a Theodor Herzl, o jornalista austro-húngaro fundador do movimento sionista, que levou à criação do Estado de Israel, Lula já “de cara” elimina suas parcas possibilidades de ocupar um protagonismo na região.

Afinal de contas, ao recusar-se a comparecer a uma importante cerimônia do lado israelense e abraçar de bom grado o equivalente do lado palestino, Lula dá um recado claro de que nutre simpatias por um dos lados da questão e de que não tem condições de atuar com imparcialidade na questão. Isso, por si só, já o desqualifica como negociador (principalmente para Israel).

Isso, para o Brasil, é muito ruim, pois, como no caso de Honduras, perdemos relevância na mediação de um conflito que poderia nos render muitos dividendos internacionais e mostramos toda a nossa face “terceiro-mundista”, que é incapaz de separar visões ideológicas de posições internacionais que nos podem ser vantajosas, ou seja, Lula demonstra que não tem o cacoete necessário para ser um estadista e afirma sua condição de político “chinfrim”.

Infelizmente, para uma primeira visita de um Presidente brasileiro a Israel, o estrago feito por Lula (no que diz respeito a Cuba, às ditaduras e a Israel) dificilmente será esquecido pela comunidade internacional, pelo povo israelense (que considerou a recusa um insulto) e poderá manchar para sempre a reputação de nosso País no cenário local e internacional.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Democratas age: Marco Maciel é nomeado interventor no DEM-DF

01/03/2010

Informa o Estadão:

“Nomeado pela Executiva Nacional do DEM, o senador Marco Maciel (PE) vai comandar o diretório regional do partido em Brasília até que um novo seja eleito. Por pressão da direção da legenda, o deputado Osório Adriano, que presidia interinamente o partido, tomou uma decisão drástica: decretou a autodissolução do diretório.

Desde o início do escândalo do mensalão no governo de José Roberto Arruda, o DEM tem sofrido um sério desgaste político. Principalmente porque o escândalo passou a ser conhecido por ‘mensalão do DEM’ – levando, assim, a legenda a se igualar ao PT e ao PSDB, citados em esquemas similares.

Para provocar o PT e dizer que não aceita a convivência com envolvidos em escândalos, a direção do DEM decidiu expulsar o então governador Arruda, que se antecipou e deixou o partido. Em seguida, os dirigentes atacaram o deputado Leonardo Prudente, então presidente da Câmara Legislativa. Ele deixou o partido e, em seguida, renunciou à presidência da Câmara.

Com a prisão de Arruda, assumiu o vice Paulo Octávio, até então presidente do DEM local. Pressionado, ele se afastou do cargo, deixando a direção partidária para Adriano.

Mesmo assim, o partido não se contentou. Pressionou-o a sair da legenda. Anteontem, Paulo Octávio renunciou ao DEM e ao governo do DF. Alegou, na carta-renúncia, que uma das causas foi o fato de não contar com o apoio de seu próprio partido.

Com a dissolução do diretório regional, a Executiva Nacional espera reduzir o desgaste que a legenda sofreu nos últimos meses. ‘A autodissolução teve o objetivo de evitar novos traumas à legenda. Achei menos traumático entregar o pedido’, disse Adriano.

O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), reforçou que todos os filiados ao partido terão de deixar os cargos que têm no governo do DF. ‘Quem não seguir essa diretriz pode ser advertido, suspenso ou expulso’, avisou.”

É preciso concordar com o que têm dito diversos analistas políticos: Pode-se dizer que o Democratas sofre com os mesmos desvios de conduta que macularam outros partidos, como PT e PSDB, mas não se pode dizer que a legenda age de forma conivente.

A sigla age de forma diferente da que agiram PT e PSDB em seus casos. Corta na carne. Não passa a mão na cabeça, não respalda o irrespaldável.

O tempo do verbo é o fundamental a ser analisado: PT e PSDB têm em seus quadros pessoas envolvidas em escândalos e denúncias. O Democratas teve.

Pressionou-os a sair. Se não saíssem, seriam expulsos.

Com certeza é verdade que o partido age rápido para tentar reduzir o desgaste que sofre. Mas esse interesse não é ilegítimo. Quem dera o PT tivesse enxotado mensaleiros para fora do partido com medo do desgaste político.

Em resumo, o Democratas não deveria ter tido nunca em seus quadros pessoas como Arruda. Mas, pelo menos, não temeu suas ameaças e demonstrou descontentamento com suas atividades ilícitas.

Os outros partidos nem isso fizeram.

Prova disso tudo é a nomeação de Marco Maciel como interventor no DEM-DF. É uma boa escolha, um bom nome.

Maciel assume o papel para organizar e moralizar.

Interventores do PT, por exemplo, sempre foram nomeados visando manipular e controlar os quadros regionais.

Enfim, o Democratas não é perfeito e a história político-partidária brasileira o infringe cicatrizes, mas a repulsa com relação aos quadros que agora são descobertos como imorais é elogiável.

Poderá alguém dizer que talvez essa imoralidade fosse conhecida antes. Sim, talvez.

Mas os outros partidos não se manifestaram contra seus quadros imorais nem quando a imoralidade deles se tornou notória.

Coluna do dia: Aos libertários – Liberdade sem regras é escravidão

12/02/2010

Por Yashá Gallazzi*

Há algumas semanas, conversava com um amigo sobre a realidade política brasileira. Ele me perguntava como era possível que as pessoas encarassem o PSDB como sendo de direita. Lembro que ele disse algo mais ou menos assim:

“De direita? O partido das agências reguladoras? Dos programas assistencialistas? Do SUS? Francamente.”

De fato, só mesmo no Brasil, onde o quadro político-partidário é caótico e absolutamente ilógico, é que alguém poderia considerar uma agremiação autodenominada social-democrática como de direita. Meu diagnóstico para isso é simples e linear: falta uma direita de verdade no Brasil. Uma direita séria, democrática e propositiva, não esses sectários filofascistas, como o PRONA de Enéas, que, por sinal, se extinguiu ao formar o PR em aliança com o antigo PL.

Ao serem corrompidos pela ligeireza do discurso político promovida pelas esquerdas brasileiras, os eleitores acabaram comprando a tese absurda de que qualquer um que renegue o socialismo é, necessariamente, de direita. E mais: no Brasil, criou-se o corolário de que toda a direita é sempre má. Mas eu pergunto: toda a esquerda é sempre boa? Desnecessário dizer que ao comparar a herança de ambas em cadáveres, o legado da esquerda é infinitamente mais deletério.

Com o surgimento de expoentes radicais de esquerda, como o PSOL, o PSTU e o PCO, o PT ganhou o direito de se apresentar como moderado; moderno até. Assim, Lula pode falar em estabilidade econômica e controle inflacionário, pois cabe a gente como Heloísa Helena a defesa da “ruptura com tudo isso que está aí”.

Não é de estranhar que o petismo tenha experimentado um crescimento importante nas últimas décadas: a esquerda radical avocou para si o papel de besta-fera dos moderados, brandindo as bandeiras ultrapassadas do socialismo e do comunismo. Ao PT coube apenas ocupar o espaço destinado aos moderados, fazendo, ainda que indiretamente, um “aggiornamento” de sua figura. Em outras palavras, a turma da estrelinha pode se declarar moderna, sem ser obrigada a explicar o inacreditável paradoxo que a expressão “socialismo democrático” representa.

E os tucanos? Bem, se a esquerda radical é representada pelas várias “Heloísas Helenas”, ao passo que o PT é o moderado, resta aos adversários das esquerdas a… direita! Assim, pouco importam os atos e os programas de PSDB e DEM, pois a máquina de propaganda do PT já decidiu: “São nossos inimigos. São a direita!” Claro que isso seria muito diferente se existissem partidos verdadeiramente direitistas no Brasil, afinal, eles próprios cuidariam de “empurrar” o PSDB mais para a esquerda.

Pois eis que há coisa de dois dias atrás, aquele mesmo amigo citado ao início mandou-me um e-mail que trazia em anexo o manifesto de um novo partido, o Libertários – ou Líber. Ao final da mensagem, ele arrematou: “Surgiu finalmente uma alternativa séria à direita?”

Se considerarmos a direita liberal, sim, sem dúvida. Li rapidamente as propostas dos Libertários e pude notar que eles pregam a desregulação completa da economia, a redução drástica do Estado e a consolidação plena do mercado livre. Sem dúvida trata-se de uma novidade no mínimo curiosa dentro da política brasileira, sempre tão estatizante. Fico sinceramente curioso para saber como o novo partido será recebido pelos eleitores, mesmo prevendo que a aceitação – pelo menos a inicial – não será lá muito entusiasmada… Os brasileiros, meus caros, adoram a figura do Estado-pai.

De minha parte, posso dizer que não me reconheço no tal partido. O Brasil, aliás, não me inspira muita esperança… Quando o mundo civilizado mostra ter sepultado coisas arcaicas como o comunismo, percebemos que aqui ele ainda é reverenciado publicamente. Da mesma forma, quando finalmente surge uma alternativa séria à direita, percebe-se que é aquela menos confiável. Pelo menos aos meus olhos.

Ora, claro que eu concordo com o livre mercado e com uma considerável redução no tamanho do Estado brasileiro. Mas o Libertários está propondo, a meu ver, uma espécie de anarcocapitalismo, coisa que considero absolutamente inviável na prática. Imaginar que a ausência quase que completa de regras e normas levaria, por si só, a um equilíbrio social é, na melhor das hipóteses, ingenuidade. E isso não melhora apenas porque se propõe tal sistema no bojo de uma sociedade capitalista. “O homem é lobo do homem”, lembrem. Por isso a mediação feita por meio do Estado é indispensável.

O lado – como direi? – “social” do programa dos Libertários também não me seduz nem um pouco. Para ser breve, posso mencionar duas divergências inconciliáveis que me distanciariam demais deles: 1) o apoio à legalização do aborto; 2) o apoio à legalização das drogas.

Dizer o quê? No meu mundo moral, não há sistema de liberdades capaz de justificar o assassinato. A ideia de que a liberdade ideal confere à mulher o direito de escolher o que fazer do seu corpo colide de forma frontal com o direito do bebê à vida. No mais, desafio qualquer liberal clássico a me mostrar em qual plano de valores absolutos o direito à vida não é, de per si, a expressão máxima do direito à liberdade.

Não, meus caros. Sem a existência de imperativos morais e éticos, não há maneira de ver uma sociedade prosperar. A sociedade de mercado, indiscutivelmente a melhor parceira até hoje encontrada para a democracia, não nasceu apartada dos chamados valores morais – hoje erroneamente associados aos chamados conservadores. Pelo contrário: ela foi dada à luz por aqueles.

Foram as instituições próprias da democracia que criaram os fundamentos inerentes ao capitalismo, não vice versa. E a democracia, queiram ou não os direitistas mais liberais – ou os esquerdistas mais extremos -, traz em sua essência um conjunto de postulados éticos e morais sem os quais a sociedade livre simplesmente não conseguiria sobreviver. Vou até um tantinho além, no afã de provocar – quem sabe? – um futuro aprofundamento do debate: a democracia tal qual a conhecemos hoje é, no plano político, herdeira da tradição ética e moral desenvolvida, no plano filosófico-humanístico, pela cultura judaico-cristã. Mas esse último aspecto, reconheço, mereceria um artigo próprio. Ou até uma tese, mais longa e abrangente.

O fato é que o livre mercado praticado sem democracia, acaba em totalitarismo. E a democracia, está posto, só sobreviveu em sociedades onde uma profunda ética sempre esteve arraigada nos cidadãos.

O mercado não proporciona liberdade. Ele depende dela. E uma sociedade escrava das drogas, por exemplo, jamais será livre. Da mesma forma, uma sociedade que minimiza a vida humana e permite o assassinato de bebês, escolhe vilipendiar a essência do ser humano. Como poderá, pois, ocupar-se dos negócios?

O Libertários, uma novidade interessante na política nacional, não passa de um PSOL à direita. Ou, em outras palavras, de um grupo radicalmente favorável ao Estado mínimo, da mesma forma que a esquerda conta com grupos radicalmente favoráveis ao Estado paquidérmico. Um erra porque entrega o livre mercado a uma comunidade desregrada. O outro, porque entrega o livre mercado a um Estado totalitário. Ambos, cada um à sua maneira, sucumbirão aos vícios próprios de seus sistemas.

Não consigo ser otimista com o futuro do Brasil. As opções políticas que nos são dadas acabam por ser flagrantemente ruins. Não bastasse a infinidade de partidos de esquerda filosoviéticos, agora a direita também resolve entrar em campo com aquilo que tem de pior a oferecer.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento