Postagens com a palavra-chave ‘Estudantes’

Coluna do dia: Jovens menos participativos e a necessidade de mudança

07/03/2010

Por Jessica Riegg*

A apenas 8 meses das eleições, milhares de pessoas ainda têm que transferir o título de eleitor ou, até mesmo, tirá-lo para ter direito ao voto.

Isso tem que ser feito até 5 de maio, que é o prazo final, levando-se o RG e um comprovante de residência até a autoridade competente.

Podem tirar o título de eleitor os adolescentes que completam 16 anos antes ou no exato dia das eleições, mas eles só são obrigados a votar ao completarem os 18 anos.

Mas o que percebo é que cada vez menos os adolescentes têm vontade de votar. O Tribunal Superior Eleitoral está inclusive fazendo uma campanha para incentivar os jovens a exercer a cidadania por meio dos votos, já que este ano a procura está sendo 30% menor do que em outros anos.

De acordo com sociólogos, os motivos são as denúncias de corrupção na política. Especialistas afirmaram, por exemplo, em uma entrevista ao EPTV.com que essas denúncias desestimulam os jovens a votar. Eles ainda disseram que uma alternativa para esse problema é mostrar ao jovem a influência que ele pode exercer nesse cenário.

É uma ótima ideia ensinar política para os jovens e mostrar como ela está inserida no dia-a-dia de cada pessoa, e como as decisões tomadas pelos seus representantes podem mudar a realidade de qualquer cidadão. O importante agora é começar! Estudantes tendem a reclamar e fazer várias exigências sem saber antes dos seus direitos e deveres.

Cabe a eles e a nós, jovens, entender o que podemos e o que não podemos fazer, além de escolher bons governantes para nos representar.

As eleições estão chegando. Pense com consciência e não vote apenas por votar!

Acompanhe todas as notícias e críticas feitas pelo nosso blogueiro Bruno Kazuhiro e pelos nossos colunistas para ajudar na sua escolha.

Estamos aqui para ajudar a construir uma sociedade mais crítica e sábia.

*Jessica Riegg escreve no Perspectiva todos os domingos e diariamente no Twitter em @jessicariegg

2ª Coluna do dia: A polêmica do Enem

06/12/2009

Por Jessica Riegg*

O ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) foi enfim aplicado, após as polêmicas a respeito do roubo e da divulgação das provas. Ontem (05) e hoje, as gigantes provas causaram e causarão pavor aos alunos que tiveram que usar de toda sua paciência e resistência para vencer mais esse desafio.

Eu digo desafio já que os jovens, em sua grande maioria, haviam se preparado grande parte do ano para um vestibular completamente diferente. Os vestibulandos se prepararam para provas específicas e com conteúdos referentes ao conhecimento proposto pela escola.

Esses estudantes foram surpreendidos com a notícia de que agora o Enem seria a porta de entrada para a realização do sonho de entrar para a faculdade. E pior do que isso foi decidir mudar na mesma época a forma com que as questões eram elaboradas, além de aumentar o número delas – aumentar muito eu diria -, já que de 63 questões a prova passou a ter 180.

Após a decisão e a loucura dos jovens de mudar completamente os seus estudos preparatórios, veio a notícia de que a prova havia sido roubada e divulgada. Por esse motivo o Enem, que estava previsto para servir como nota única para entrar na faculdade, foi adiado e coincidiu com a data de outras faculdades, que decidiram não mais adotar o Enem.

Portanto, esses estudantes ficaram completamente perdidos por causa de uma falta de organização do governo, que foi quem planejou a mudança, mais especificamente o Ministério da Educação, representado pelo seu ministro, Fernando Haddad (PT).

A mudança teve como objetivo facilitar a entrada dos alunos na faculdade dando oportunidades iguais já que, teoricamente, o Enem é uma prova de interpretação. Eu considero uma notícia muito boa e comemoraria muito se pudesse me aproveitar disso, mas não comemoro uma notícia precipitada como esta que deixou todos perdidos. Sem dúvida, as mudanças atrapalharam os alunos que pretendem entrar este ano na faculdade.

Desejo sorte aos alunos para a prova de hoje e torço para que este ano tudo dê certo, para que em 2010 o Enem seja aplicado com organização e respeito aos estudantes.

Nota do Editor: Diante de todos esses absurdos, que dificultaram fortemente a vida dos estudantes brasileiros, causa indignação o silêncio de entidades como a UNE e a UBES, que nada disseram, que contra nada protestaram e que nenhuma providência exigiram. A relação estreita delas com o governo atual pode ser a razão e a resposta, nada agradável, aos questionamentos.

*Jessica Riegg é colunista do Perspectiva aos domingos e escreve diariamente no Twitter em @jessicariegg

Tarso Genro vê o lado bom do vazamento do ENEM

08/10/2009

Disse o Ministro da Justiça, Tarso Genro:

“Eu disse ao Fernando [Haddad, Ministro da Educação] que foi bom o que aconteceu, porque não apenas nós, mas toda a sociedade se tornou consciente da grande importância que tem o Enem para a educação no Brasil”.

Sensacional! Descobrimos que “foi bom o que aconteceu”!

E não haveria um modo – digamos assim – menos criminoso, de se conscientizar a sociedade a respeito da importância do ENEM?

O curioso é que aqueles que já sabiam da importância do Exame, os próprios estudantes que seriam testados por ele, ao invés de premiados pela noção correta, foram prejudicados com um nó cego em seus planejamentos de estudos.

Que bobagem, Ministro Tarso Genro!

Sem mais comentários.

Em tempo: Alguém ouviu qualquer pronunciamento da UNE e da UBES, que deveriam lutar pelos interesses dos estudantes, a respeito do tema? Não? Curioso. E depois me dizem que não há cooptação. Se não há, é quase.

Manifestantes fazem reivindicações e criticam Sarney no 7 de Setembro

07/09/2009

Informa o Globo:

“Manifestantes aproveitaram o desfile de 7 de Setembro para fazer passeatas e protestos. Uma das manifestações foi promovida por estudantes da Universidade de Brasília (UNB) e por integrantes da sociedade civil, que pediram a saída do senador José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado. Segundo o estudante de arquitetura da Universidade de Brasília (UnB) Alexandre Fortunato, 20 anos, a expectativa era tentar chegar perto da tribuna onde estavam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras autoridades, mas eles foram impedidos por seguranças e policiais militares.

Manifestantes que carregavam faixas contra o presidente do Senado entraram em choque com a Polícia Militar. Um dos estudantes foi agarrado pelo pescoço pela PM. Os estudantes estavam próximos ao palanque de autoridades onde estavam os presidentes Lula e Nicolas Sarkozy, da França. “

O Perspectiva Política, na pessoa deste blogueiro que vos fala, louva inteiramente a atitude dos estudantes brasilienses. Não podemos realmente deixar, como sempre, que os assuntos esfriem enquanto a pizza esquenta. As irregularidades e transgressões não podem ser esquecidas pelo simples transcurso do tempo.

Em contrapartida, este blog repudia totalmente a truculência dos policiais militares que reprimiram a manifestação. Aviso a estes que os protestos sadios e ordeiros são sinônimos da democracia.

Estudantes protestam na porta da casa de Sarney

24/08/2009

Informa o Globo:

“O refresco dado pela tropa de choque no Senado não livra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), de continuar tendo que assistir a protestos pedindo sua saída do cargo. Hoje, um grupo de cerca de 40 estudantes secundaristas e universitários abriu mão do sábado de descanso para ir à porta de sua casa, no Lago Sul, pedir sua renúncia. Empunhando cartazes com o já conhecido slogan ‘Fora Sarney’, a garotada argumentava que não há mais espaço para que o senador continue no comando da Casa como se nada tivesse acontecido. Eles reclamaram da truculência de seguranças do senador, que os expulsaram da rua sem saída que dá para a casa de Sarney. “

Essa sim é a juventude mobilizada que queremos ver. Uma juventude que reclama sabendo do que está falando, que protesta sem querer doutrinar e que luta pelas causas corretas.

É cristalino para quem quiser ver que José Sarney não reúne mais autoridade para comandar o Senado. Está lá cambaleante, moribundo, apenas por ser a vontade de Lula, que só existe por Sarney ser importante para a eleição de Dilma Rousseff.

Sendo assim, esses estudantes fazem muito bem em empreender protesto pacífico que aponta algo que é óbvio mas que se não for lembrado será deixado de lado pela inércia ou esquecido pela curta memória política do País. É preciso, sim, colocar o dedo na ferida. É necessário acabar com o deboche e o cinismo e escancarar que não há mais espaço real para Sarney na Presidência do Senado.

O Perspectiva louva a atitude dos estudantes e avisa à União Nacional dos Estudantes (UNE) que ela deve aprender com eles como se faz.

O movimento estudantil deve lutar pelo que a juventude quer, pelo que a sociedade quer, enfim, pelo que aqueles que o movimento estudantil e a UNE dizem representar querem. Não é para lutar pelas causas que interessam ao governo que a coopta que a UNE existe.

Nos unamos em torno destes protestos. O Conselho de Ética fez vergonha mas a sociedade ainda pode pressionar e, se não tirar Sarney do cargo, pelo menos mostrará aos que o auxiliaram que eles não ficarão impunes.

É por essas e por outras que segue a Campanha lançada por este blog: Não Voto Em Quem Defende Sarney!

Coluna do dia: Ei, estudantes! Não sejam ovelhas!

19/07/2009

Por Tiago Franz*

Concluí neste mês minha graduação em Jornalismo. Durante os nove semestres na Universidade, a maior contribuição para o desenvolvimento do meu “sujeito político” foi a participação no movimento estudantil. O interesse pelas causas estudantis – que todo estudante deveria ter – me pôs em contato com praticamente todas as instâncias do movimento, desde o CA (Centro Acadêmico) do curso de Jornalismo até a UNE (União Nacional dos Estudantes).

Entretanto, no último ano, apenas um motivo me fez entrar nas instalações do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da Universidade que frequentei: a necessidade de carimbar mensalmente a carteira de estudante, aquela que garante o direito de desconto no transporte urbano, eventos culturais, cinemas, etc. Infelizmente, no final da minha trajetória acadêmica, minha atuação na política estudantil foi mínima. A razão? Não quis me adaptar ao “rebanho” que me “convocava”.

O 51º CONUNE, o Congresso da UNE, que se encerra hoje em Brasília, reforçou meus motivos para desanimar do movimento estudantil brasileiro. Este blog, na pessoa do seu autor Bruno Kazuhiro, já comentou aqui o evento e a atual postura da UNE , que também lamento. O que tenho a acrescentar é uma reflexão e um testemunho, de quem, como tantos, sente saudades dos bons tempos do movimento estudantil, mesmo sem ter vivido essa época.

Reconheço a importância dos debates promovidos pela UNE e defendo o fortalecimento da entidade. Contudo, o movimento não pode meter os pés pelas mãos como tem feito nos últimos anos.

É preciso entender que a UNE possui dois aspectos marcantes e distintos: o de entidade representativa e o de movimento social. Nota-se claramente no meu texto que eu utilizo alternadamente os dois termos. Pois bem. A UNE, enquanto representante de todos os estudantes, possui uma demanda social bem clara: a causa estudantil. Nesse aspecto, a entidade deve considerar que o universo político e social de seus representados é diverso. Porém, como em tudo que segue os moldes da democracia representativa, a entidade é gerida por um grupo eleito, que assume determinada ideologia política. Ao mesmo tempo, a UNE e suas instâncias menores são caracterizadas por uma atuação de luta social, de ativismo político, o que a aproxima dos movimentos sociais. É daí que advém o nome “movimento estudantil”.

Acredito que os dois aspectos, o de entidade e o de movimento, sejam válidos e eles precisam se harmonizar em prol dos estudantes e da sociedade. Mas, infelizmente, a UNE tem cedido aos vícios da política tradicional brasileira, assumindo práticas lamentáveis.

Desde a década de 80, uma única força política está à frente da diretoria da UNE. Trata-se da UJS (União da Juventude Socialista), do PCdoB. Na universidade em que estudei – a Unochapecó, no oeste catarinense – a UJS quase sempre esteve na diretoria do DCE. A União Catarinense dos Estudantes (UCE) também está nas mãos da UJS há muitos anos.

Eu, que nunca tive vínculo com partidos, não cheguei a ser membro da diretoria do DCE e de outras instâncias maiores, apenas do CA de Jornalismo. Se quisesse, teria que aceitar os termos da UJS ou então derrotá-los em eleições. Nos encontros e congressos que participei, ou que algum colega de CA participou, foram evidentes as estratégias utilizadas pela UJS para se perpetuar no comando das entidades estudantis. Praticam-se golpes como votação surpresa para composição de diretoria. Esse foi o caso de um congresso recente da União Catarinense, quando a UJS, aproveitando a maioria a seu favor, resolveu incluir na pauta, de última hora, a eleição da diretoria da UCE. Obviamente que o grupo era o único que havia preparado chapa para concorrer. Mesmo sob protestos de alguns, a eleição foi aprovada e realizada.

E como a UJS sempre consegue essa maioria esmagadora? “Arrebanhamento”. Uma coisa é instruir politicamente, conquistar apoio através da exposição clara de argumentos. Outra é encher um ônibus de estudantes inexperientes, motivados pela curiosidade típica da idade, e levar os coitados a um congresso para votarem em propostas que nem ouviram ou leram, depois de encherem a cara e passarem horas sem dormir. Não quero generalizar, mas foi isso que a UJS tentou fazer comigo no Coneb (Conselho Nacional de Entidades de Base – CAs e DAs) da UNE, realizado em Campinas em 2006. A cada adesivo que eu tirava do meu crachá de delegado do congresso me colavam outro imediatamente.

O fato de a UJS ter nas mãos muitos DCEs e UEEs (estaduais) facilita essa prática. No meu caso, citado acima, a UCE e o DCE da Unochapecó, em conjunto, organizaram a excursão para o congresso, convocando os líderes de CAs e DAs que deveriam corresponder ao perfil de ovelhas. Assim, em nível nacional, forma-se o rebanho de estudantes que aprova as medidas da UJS.

Para encerrar, já que me estendi demais, quero esclarecer que compartilho de muitas ideias da UJS e da esquerda em geral. Também defendo que o movimento estudantil preserve seu caráter de luta. O que eu não aceito, de forma alguma, é que a UNE, uma entidade tão importante, caia nas armadilhas da política tradicional, que por tudo que este blog vem destacando nos últimos dias, anda à deriva.

Em tempo, peço desculpas aos leitores pela não publicação da coluna na semana passada. Tive sérios problemas pessoais. Espero a compreensão de todos. Fico feliz por ter recebido reclamações. Abraços.

*Tiago Franz é colunista do Perspectiva Política aos domingos e editor do blog NeoIluminismo

Patrocinada pela Petrobras, UNE faz manifestação contra CPI

16/07/2009

Informa a Folha:

“Com uma manifestação em defesa da Petrobras e contra a CPI no Senado para investigar a empresa, começa hoje o 51º Congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes), que tem entre os patrocinadores a própria estatal, que direcionou R$ 100 mil ao evento.

Segundo a empresa, a verba faz parte da ‘estratégia de rejuvenescimento’ da marca. A companhia diz que patrocina eventos de outras entidades, como a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e ABI (Associação Brasileira de Imprensa).

A presidente da UNE, Lúcia Stumpf, afirma que a manifestação também será ‘em defesa da Petrobras que queremos construir’, com uma maior participação do Estado –a empresa tem controle estatal, mas tem ações em Bolsa.

Horas antes do protesto, a entidade promoverá outro encontro político em seu congresso. Pela manhã, o presidente Lula se reúne com estudantes do Prouni (Programa Universidade Para Todos). O petista será, segundo a UNE, o único presidente a participar de um congresso da entidade desde sua fundação, em 1937.

A presença de Lula irá coroar o auge da sua boa relação com a UNE. Neste ano, as verbas do governo federal para a agremiação até agora (R$ 2,5 milhões) já são 54% maiores do que as do ano passado.

[...]

A proximidade entre o governo e a entidade se reflete também em cargos. Dos últimos cinco ex-presidentes da UNE, quatro estão em postos de confiança no governo Lula”.

Chega a ser impossível para os atuais dirigentes da UNE negar que a entidade está, na grande maioria das vezes, alinhada com os interesses do governo federal. Interesses esses que, pasmem, chegam a ser contrários aos interesses dos estudantes em alguns casos.

Não é de hoje que qualquer pessoa franca e sincera, que não se rende ao cinismo político dos dias atuais, reconhece que a UNE perdeu muito de sua importante “acidez” a partir do início do governo Lula. No momento em que o PT chegou ao poder, a defesa dos interesses dos estudantes pela UNE que deveria ser instransigente, passou a não ser mais tão intransigente assim.

O porquê disso é muito fácil de ser explicado: A UNE é, desde a reabertura política, uma instituição que, por já ter sido conseguida a democracia, passou a lutar pela primazia dos paradigmas da esquerda, sendo, portanto aliada do PT. E não há nada de errado nisso. A aliança é natural, afinal, o movimento estudantil realmente tem predominância de grupos com ideologia esquerdista.

O erro começa quando o fato de a UNE ser aliada dos partidos de esquerda faz com que ela se cale frente aos erros cometidos por estes quando estão no poder. A aliança se torna, na realidade, cooptação, e isso sim é inaceitável.

São deixados de lado os interesses dos estudantes, que deveriam ser as causas maiores da UNE, para serem privilegiados interesses de um governo que engorda fortemente as verbas anuais da entidade.

A UNE não é, hoje, independente. Não totalmente. Perde independência por ser financiada pelo governo, não podendo assim criticá-lo quando deve, e perde independência pelas relações de coleguismo entre seus dirigentes e os governistas, o que gera uma condescendência.

A União Nacional dos Estudantes existe para defender os estudantes, para dar voz às causas do movimento estudantil, e não, para ser suporte de um governo que agrada a sua cúpula ou pedra no sapato de um governo que não a agrada.

Seria bom se a entidade retomasse seus dias de glória e tivesse uma cúpula que sabe se aliar aos que têm um ideário parecido com a dela em certos momentos e que sabe ser independente e criticar o que deve ser criticado em prol dos estudantes e da sociedade brasileira quando é necessário.

A UNE teria, obviamente, que lutar pelo fim das irregularidades dentro da Petrobras, e não, pelo fim da CPI. Só mesmo uma UNE alinhada com o governo federal se presta a lutar contra uma investigação. E não é possível para a cúpula atual da entidade alegar que se opõe ao enfraquecimento da Petrobras que poderá advir da CPI. Nós todos sabemos que não é bem assim e que não é bem esse o medo do governo.

Que a UNE volte a ser um braço político dos estudantes e não uma mera instituição cooptada e calada com verbas pelo governo federal.

Coluna do dia: Os pequenos terroristas

12/06/2009

Por Yashá Gallazzi*

Certa feita, no bojo de uma discussão acerca de ideologias e preferências político-partidárias, meu contendor perguntou o que me levara a ser um “reacionário direitista”. Conhecendo, como conheço, a mente apequenada e sociopata dos “pogreçistas” brasileiros, nem tentei tergiversar acerca dos conceitos de direita e esquerda, afinal essa gente apenas se limita a repetir chavões e conceitos filomarxistas, aprendidos nos centros de proliferação da cultura esquerdopata, como, por exemplo, as universidades.

O que fiz então? Ora, tratei de explicar o porquê do meu – se me permitem – reacionarismo. Disse, por exemplo, que provavelmente sou um direitista porque acredito que uma universidade deve ser um local de formação intelectual, ou seja, de estudo e trabalho. Disse ainda que sou um conservador provavelmente porque defendo o Estado democrático e o sistema de liberdades individuais sobre os quais se erigiu a civilização ocidental, e que garantem a existência harmônica de todos. Afirmei, por fim, que devo ser mesmo um reacionário, posto que reajo com firmeza contra toda e qualquer turba ensandecida que busca solapar as bases da democracia em nome de uma “causa” sagrada. Por isso sou contra, por exemplo, as greves político-partidárias que os vários braços armados do “pogreçismo” promovem sempre contra que lhes é hostil. Assim, se repudiar frontalmente o terrorismo promovido pelos desocupados que tomaram de assalto a USP é ser um conservador, reacionário e direitista – de acordo com a “novilíngua” deles -, não há problema: eu o serei.

Querem ver até que ponto vai a minha caretice? Pois bem, acho que um aluno de universidade pública deve fazer bom uso do dinheiro com o qual os contribuintes custeiam sua vida acadêmica. Uma boa forma de fazer isso – vejam que surpresa! – é se debruçar sobre os livros e tentar adquirir um bom volume de conhecimento, quem sabe logrando tornar-se um bom profissional no futuro, favorecendo o crescimento e a evolução da sociedade. Sim, sou um tanto antiquado nestes tempos modernos. Defendo ainda que escola é lugar de estudo e trabalho sério. Por isso, não tolero os malucos que se armam de microfones e envergam camisetas de Che Guevara, apenas para sabotar o direito da maioria que quer estudo. A academia não é lugar para formar quadros partidários e eleitoreiros. Não deve servir para – como é mesmo que eles dizem? – “formar cidadãos”, capazes de nos libertar do tal jugo “dazelite”. A vida acadêmica deve servir apenas para nos libertar da ignorância. E nada mais!

É fácil perceber que sou um membro da tal burguesia. Aliás, um burguês – sempre na “novilíngua” deles – é toda pessoa que valoriza o estudo e o trabalho, além de dar alguma importância aos desodorantes e perfumes. Como um burguesinho alienado, sempre me aborreceram o barulho ensurdecedor e o tumulto que os homens revoltados causam quando promovem suas badernas. E contra o que se revoltam? O que os deixa indignados? Ora, a democracia e a liberdade. Isso dá urticárias na gentalha “pogreçista” que pretende criar o – como é mesmo que eles dizem? – “outro mundo possível”. E, não. Não existe outra pauta séria por trás das ações da turba ensandecida.

Tomemos o caso da mais recente greve promovida na USP. O que querem os revoltadinhos? Ora, em primeiro lugar a reintegração de um servidor afastado sob a acusação de prática de vários crimes. Sim, é a isso que se presta a leitura marxista dessa gente: acobertar e promover o crime e os criminosos. Ah, claro! Eles também querem o fim do governo “neoliberal e repressor” do tucano José Serra. E por que querem isso? Ora, porque José Serra é um… tucano! E, como tal, situa-se no campo diametralmente oposto ao do petismo e dos seus milicianos. E isso é um padrão de comportamento. Basta ver como os tais movimentos sociais e as ditas organizações da sociedade civil agiram contra o governo de Yeda Crusius no Rio Grande do Sul. Eu pergunto: o que os revoltados fizeram quando o Brasil tomou conhecimento do mensalão? Onde foram parar as greves, as passeatas e as manifestações? Vai ver não aconteceu nada porque tudo não passava de um complô “dazelite” contra o governo “dozoperário” e “dozoprimido”…

Os baderneiros da USP – apenas uma parte irrisória do grande corpo daquela prestigiosa universidade – tomaram de assalto um prédio público e cercearam deliberadamente o direito de ir e vir de alunos, professores e funcionários. A reitoria da USP, sabedora das potencialidades destrutivas daquele grupo, pediu à justiça que providenciasse a proteção da PM para o campus. Portanto, dizer que a ação da polícia é ordenada pelo Governador de São Paulo não passa de trapaça, vigarice política e intelectual. Algo, sabemos, bem típico dessa gente.

Mas acima de qualquer outra coisa há que se perguntar: a presença da polícia na USP é abusiva? A resposta, claro, é negativa. Isso porque o aparelho de segurança do Estado tem o dever de proteger os direitos de todos os que forem ameaçados por qualquer tipo de desordeiro filorrevolucionário. É por isso, afinal, que nós, homens livres, toleramos a presença de um governo, não? Os desocupados quer protestar em favor de um homem processado criminalmente? Que o faça. Mas nunca compelindo os demais a tomar parte na balbúrdia. Quem for reacionário e careta o bastante para querer continuar seus estudos e seu trabalho, deve ter o direito de fazê-lo, afinal, isso é próprio da normalidade acadêmica. Os deslocados são os revoltados, que insistem em lambuzar tudo e todos com a lama marxista na qual estão atolados até o pescoço. Para esses, resta à democracia a imposição firme e decidida dos rigores da lei.Viram? Em plena era do consenso politicamente correto e do relativismo moral exacerbado – que, com sua “novilíngua”, transforma criminosos em manifestantes e agentes da lei em repressores – este que vos escreve tem a audácia de defender a aplicação da lei e o respeito às regras do Estado democrático de direito. Sou mesmo um reacionário conservador, não?

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Tempos de uma UNE mansa

02/03/2009

Para qualquer democracia que deseja ser forte e ter instituições sólidas, uma das piores coisas que pode acontecer é a cooptação de certos órgãos, principalmente os responsáveis por se opor aos erros cometidos pelo governo, através da concessão em benefício deles, pelo Estado, de vantagens e verbas públicas.

Em resumo, é altamente nocivo para a vida democrática de qualquer nação que grupos que, em teoria, estariam dispostos a denunciar qualquer tipo de irregularidade cometida por qualquer um que estivesse no poder, receba agrados daqueles que ocupam o governo. É como se, por controlarem os meios do Estado, alguns governos tentassem se livrar de certas oposições incômodas.

Uma dessas oposições incômodas, em outros tempos, advinha dos estudantes. Independentemente de quem fosse o governante, as organizações de estudantes, como a UNE, colocavam a “boca no trombone” quando o quesito era a falta de ética ou as más políticas públicas. Enfim, houve um tempo, onde esses órgãos constituiam importante megafone da parcela jovem da sociedade, aquela que sempre traz a renovação, a mudança, a modernidade e os novos paradigmas.

Acontece que, de uns tempos pra cá, é fato que a UNE está um tanto cooptada. Por mais que eu acredite profundamente que isso não atinja a todos os membros da União Nacional dos Estudantes, não há como negar que existe relação estreita entre o comando da entidade e o governo atual, o que, na teoria, não configuraria problema algum, não fosse o fato de o governo, curiosamente, não estar mais sendo oportunado pelos questionamentos dos estudantes.

É claro que nada pode ser provado e seria totalmente leviano de minha parte afirmar algo com certeza total, porém, qualquer pessoa com um mínimo de intelecto pode realizar a conexão lógica entre o recebimento de verbas estatais por uma entidade e o abafamento de suas críticas contra quem a concedeu as tais verbas.

Como sempre digo em relação a instituições que deveriam ser vigilantes dos governos mas não as são, é triste ver representantes legítimos de parcelas importantíssimas da população brasileira se calando e mal representando seus membros, que nada tem a ver com isso, por conta de alinhamentos políticos ou ideológicos.

No caso específico da UNE, se foi ela uma das lideranças da sociedade civil contra Collor e se foi ela uma das vozes contra FHC, era natural que se esperasse que criticasse escândalos éticos do governo petista. Como não o fez, vem às nossas cabeças o inevitável pensamento de que isso foi motivado pelo governo atual ser do PT, que tem conexões antigas com o movimento estudantil. E não digo isso para clamar que a UNE fale contra o PT, nada disso, fez certo a UNE ao falar de Collor, fez certo a UNE a falar de FHC e fará certo a UNE se passar a falar de Lula ou venha a falar do próximo Presidente, seja ele petista, tucano, ou de qualquer outra legenda.

Em suma, não se pode ser, como eu, estudante universitário, e não ficar um tanto incomodado com o fato das verbas estatais, que não foram poucas, terem diminuído consideravelmente os ruídos vindos da União Nacional dos Estudantes.

Para provar com dados o que digo, seguem trechos de reportagem, sobre o assunto, do Correio Braziliense:

“A União Nacional dos Estudantes (UNE) ganhou na loteria no governo Lula. O repasse do Poder Executivo à entidade aumentou em 20 vezes nos últimos cinco anos. A soma dos recursos públicos transferidos chega aos R$ 10 milhões no período. Em contrapartida, as sexagenárias manifestações independentes e de críticas ao governo federal desapareceram. No lugar, sobra bajulação. Fotos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com dirigentes da entidade são exibidas com pompa no site da UNE.

O crescimento da verba recebida do governo foi meteórico. Os recursos saltaram de R$ 199 mil em 2004 para R$ 4,5 milhões no ano passado. Mas não parou por aí. O montante tende só a crescer em 2009: R$ 2,5 milhões já foram depositados na conta da UNE neste ano, segundo levantamento obtido pelo Correio no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi). Nada mal para quem recebeu cerca de R$ 1 milhão em oito anos do governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

[...]

A presidência da UNE está nas mãos do PCdoB há mais de 15 anos. O partido tem como representante no governo o ministro dos Esportes, Orlando Silva, que presidiu a entidade estudantil entre 1995 e 1997. Em janeiro passado, o ministério comandado por ele liberou R$ 250 mil para patrocinar a bienal de cultura da UNE, realizada naquele mês em Salvador.

Cerca de R$ 6,2 milhões do dinheiro público repassado pelo governo Lula saíram dos cofres do Ministério da Cultura. Pelo menos seis convênios com a entidade foram alvos de tomadas de conta especial, um processo administrativo interno aberto sempre que aparece indício de irregularidade que possa dar prejuízo ao órgão público. Um deles refere-se à participação da UNE em paradas de orgulho gay em 2006. Cerca de R$ 37,5 mil foram repassados à entidade e até agora a prestação de contas não foi aprovada.”

Se por acaso o certo silêncio da UNE não seja real, seja só uma impressão errada do blogueiro que vos fala, ou se o fato de existir sim um certo silêncio não tiver nada a ver com o repasse de verbas, eu estou aberto a ouvir qualquer tipo de explicação. Só não tenho muitas esperanças de que ela venha.