Postagens com a palavra-chave ‘Estados Unidos’

China torna-se segunda maior economia global

17/08/2010

Informa o portal Globo.com sobre a evolução da economia chinesa:

“Depois de três décadas de crescimento espetacular, a China passou o Japão, tornando-se a segunda maior economia do mundo, atrás dos Estados Unidos, segundo dados divulgados nesta segunda-feira.

O marco já era esperado há algum tempo. Tóquio anunciou que a economia japonesa teve expansão de 0,4% no segundo trimestre, ficando em US$ 1,28 trilhão, pouco abaixo do US$ 1,33 trilhão registrado pela China no mesmo período.

O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos ficou em torno de US$ 14 trilhões em 2009. O crescimento do Japão ficou abaixo do estimado pelo mercado.

Segundo especialistas, o fato de desbancar o Japão — depois de ter passado Alemanha, França e Reino Unido — reforça o poder do crescimento chinês e as previsões de que a China ultrapasse os EUA, tornando-se a maior economia do mundo em 2030.”

Coluna do dia: Hora do ocidente civilizado atirar pedras no Irã. Antes que seja tarde…

13/08/2010

Por Yashá Gallazzi*

Quem me lê há mais tempo sabe que não sou nem um pouco imperialista. Assim, nadica de nada mesmo. Já até escrevi aqui, no passado, que no meu mundo ideal nem as Grandes Navegações teriam existido: a europa seria apenas europa; a rica cultura oriental ficaria preservada para os… orientais; e os nativos do Brasil estariam até hoje batendo os pés no chão para trazer os mortos de volta à vida.

Mas não foi assim que as coisas aconteceram… A expansão marítima aconteceu, e os gananciosos europeus vieram até este país tropical abençoado por Deus, trazendo em sua bagagem um pouco de civilização, um tantinho de cristianismo e coisas indispensáveis para o progresso humano, como o vaso sanitário e os antibióticos. E eis que nos vemos obrigados, assim, a discutir o imperialismo daquilo que se convencionou chamar de “primeiro mundo”.

Certa vez, questionado sobre o imperialismo britânico, Churchill disse: “não há mal que nos acusam de fazer aos nativos, que não possa ser amplamente superado pelos próprios nativos, depois da nossa saída.” E o velho Winston estava certo, como sempre. Basta ver o fiasco que se tornara Congo e Argélia, só para citar dois casos.

Em oposição àqueles dois países africanos acima mencionados, podemos citar o caso da África do Sul, conduzida brilhantemente por Nelson Mandela à democracia depois de décadas de opressão estrangeira. Qual foi a genialidade de Mandela? Compreender que era preciso pegar a “democracia branca” criada pelos colonizadores, e ampliá-la, tornando-a uma democracia plena. Por que escolher voltar a guerras tribais, se é possível viver num regime de liberdades individuais? Por que, em outras palavras, desistir do chá britânico, se ele é um hábito tão agradável? Só porque foi criado pelo colonizador? Besteira! Aquilo que engrandece deve sempre ser aproveitado, principalmente quando nos ajuda a evoluir do ponto de vista da civilização humana.

Da mesma forma, tudo o que ameaça dos valores básicos da sociedade civilizada deve, sim, ser combatido. Sempre! Uma ameaça a um indivíduo é uma ameaça a todos os indivíduos, não importa em qual lugar do planeta ela ocorra.

É por isso que o mundo ocidental não pode aceitar a execução de Sakineh, a iraniana acusada de trair o marido com dois homens – depois da morte daquele! Uma republiqueta fascistóide do outro lado do mundo quer apedrejá-la em praça pública até a morte? Ora, isso não pode ser permitido! Não? Não! Pouco importa que seja uma lei local, ou ainda um dogma da fé deles. É algo que atenta contra os valores mais que permitem à humanidade agir como… humanidade! É por isso que não pode ser tolerado sob nenhuma hipótese.

Aceitar que o Irã pode lapidar suas mulheres em nome de “valores próprios”, em respeito ao que se convencionou chamar de “autodeterminação dos povos”, é condescender com o horror em seu estado puro. É concordar com a submissão do indivíduo ao regime, atirando as liberdades e garantias básicas daquele na lata de lixo da história. Note-se bem: não estamos questionando um país que nega a um condenado a possibilidade de recorrer de sua condenação – o que já seria absurdo. Estamos falando de uma sentença inapelável que condena uma mulher a morrer apedrejada. Qualquer contorcionismo verbal que relativize isso está advogando em favor do primitivismo mais selvagem e animalesco, contra o qual a civilização vem lutando desde seu nascimento.

Desta feita, já que as Grandes Navegações existiram, que o colonialismo aconteceu que que o imperialismo é uma realidade, torço para que o ocidente saiba se valer dele da melhor forma possível: obrigando o Irã a parar com essa atrocidade! E se for preciso, que  atirem umas belas bombas civilizatórias na cabeça de Ahmadinejad e companhia, afinal duvido muito que seja possível dialogar de forma polida com gente que considera normal matar mulheres a pedradas.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Coluna do dia: Yoani Sanchéz, Fausto e o Diabo

29/04/2010

Por Felipe Liberal*

FAUSTO:

Se podes me enganar com coisas deliciosas, doçuras a sentir, prazeres! Alegria! Se podes me encantar com coisas saborosas, que seja para mim o meu último dia! Quero firmar o acordo.

MEFISTÓFELES:

Aprovo. Pensa bem no que dizes. Diabo tem memória.

Este é o momento exato em que Fausto aceita a proposta do Diabo (Mefistófeles) e vende sua alma. Para quem não conhece “Fausto”, uma das maiores obras literárias e teatrais da história da Humanidade, escrita por Goethe, recomendo a ida a qualquer livraria mais próxima e a compra hoje mesmo, leiam e contem-me depois qual a sensação de devorar uma obra-prima.

Esta cena explodiu na minha mente essa semana, quando li a entrevista que a famosa blogueira cubana Yoani Sánchez concedeu ao jornalista francês Salim Lamranium. Entrevista que foi indicada pelo meu leitor e colega Alan de Freitas. Agradeço publicamente.

Já era lógico que existia alguma coisa estranha em toda essa raiva de Yoani contra Fidel e Raul. Já era óbvio que toda essa gritaria e pânico tinham alguma coisa de errado. Já era claro que toda essa “liberdade” de pensamento virtual não passava de mais uma criação americana, como na Guerra Fria, lembram? Aquela política de fabricar pensadores e intelectuais? Pois é, isso nunca acabou. A Guerra da Mentira continua quente e viva.

Só tem um problema: a “cria” foi mal treinada. Não suportou o bombardeio de perguntas do jornalista francês e entrou em contradição várias vezes durante a entrevista. Temas como censura, repressão, polícia cubana, Fidel, Raul, EUA, Obama e internet, foram abordados incansavelmente por Salim diante da blogueira, que não conseguia responder e algumas vezes entrava em contradição com suas próprias palavras ditas anteriormente.

Sabemos que dentro do seu blog existem reclamações pertinentes e válidas, sendo inclusive indagações da maioria esmagadora do povo cubano, mas o que me deixa triste são as mentiras contadas por ela contra seu próprio país. Mentiras essas que ferem a imagem e a identidade do seu povo, de seus irmãos. E tudo isso tendo ampla publicidade das grandes empresas jornalísticas em todo o planeta, mostrando o quanto é frágil esse dinamismo virtual e cibernético, o quanto é frágil a informação verdadeira.

Yoani Sanchéz vendeu a alma ao Diabo em troca de fama, prestígio e premiações internacionais. O Diabo azul e vermelho. O Diabo que fala inglês.

Yoani Sanchéz não é a primeira e nem será a última a interpretar Fausto na vida real. Muitos conseguiram esse papel no teatro do bem e do mal. E agora consigo lembrar-me qual foi o fim de outro que empreendeu interpretação do personagem há bem pouco tempo atrás: morte na forca, em Bagdá. Lembram?

Nem sempre o final é feliz.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: Dilma, o PT e a incrível arte de fabricar ilusões

26/04/2010

Por Arthurius Maximus*

Muitos jornalistas e o público em geral acham estranha a postura dos norte-americanos quando estes pressionam políticos apanhados em casos extraconjugais a renunciar aos seus mandatos.

A palavra hipocrisia pula de boca em boca acompanhada de adjetivos, verbos e sentenças completas e derradeiras. No entanto, um aspecto fundamental da questão parece ser relegado a um plano inferior: A confiança.

Casos, amantes e “otras cositas más” (sic) podem passar pela vida de qualquer um de nós, não é mesmo? Então porque os americanos encrencam tanto com isso? Na verdade, “a encrenca” não acontece pelos casos e indiscrições em si. Ela acontece pela revelação da mentira e pela perda de confiança.

Um político, no exercício do seu mandato ou pleiteando um, deve ser alguém em quem se possa confiar. Afinal de contas, é ele que resguardará os bens do País, garantirá o modo de vida da população e, caso necessário, tomará decisões que poderão levar o País e os cidadãos a passarem por momentos de dificuldade em crises, guerras e etc…

Exatamente por isso, ao ser pego numa mentira descarada, na maioria dos casos a renúncia é a única coisa que resta ao político por lá. Quem não se lembra do Governador de Nova York e do célebre caso do Presidente Clinton, que no auge da popularidade quase perdeu o mandato por uma mentira?

Mas, aqui no Brasil essas nuances de comportamento passam “batidas” pela população e são tratadas pela imprensa como coisas menores. Em um País sério, um político que revogasse o irrevogável, como fez o Senador Mercadante, e mostrasse a tibieza de suas convicções e do valor de sua palavra teriam a carreira política arruinada ou pesadamente atingida. Afinal de contas, um ocupante do Executivo deve ser uma pessoa de pulso forte e com tenacidade suficiente para defender suas crenças dos ataques dos inimigos e, principalmente, dos amigos.

A ex-Ministra Dilma é também uma mostra clara de como a mentira tem pernas curtas e o hábito de usá-la com frequência deve ser encarado como um desqualificante moral e real para a ocupação de qualquer cargo público (muito mais a Presidência da República).

Afinal de contas, como entregar os segredos do Estado e o futuro da nação para alguém que mente descaradamente e, pior ainda, mente tão acintosamente que é desmascarada quase imediatamente após mentir?

Como o cidadão pode confiar que o País estará bem guardado e será bem administrado por alguém assim?

Acha exagero?

Examinemos de perto:

A primeira mentira veio com a descoberta da falsificação do currículo profissional. Mesmo desmentida timidamente pelo PT, a falsidade de informação foi depois comprovada e deixou a ex-Ministra numa “saia justa” por um bom tempo.

Depois foi o tal encontro com a Secretária da Receita Federal para “agilizar” (que no jargão da Receita quer dizer “passar de passagem” ou dar uma “olhada por cima”)  os processos contra membros da família Sarney. O disse-me-disse-não-disse durou um tempo e a ex-Ministra desafiou que se provasse com a agenda do dia e da hora do encontro. Assim que a agenda apareceu com a reunião marcada e comprovada, as fitas do Palácio do Planalto que são gravadas e armazenadas, por contrato, para sempre, simplesmente “desapareceram” – deletadas por um funcionário “zeloso”.

Maia tarde a tal ficha de guerrilheira, que depois foi desmentida por integrantes dos serviços de informação do regime da época e, posteriormente, pela própria Dilma – creditando-a a uma “armação” do jornal Folha de São Paulo.

Já na campanha, houve o caso do site “Mulheres Com Dilma”. Nas informações sobre a criação do site consta – “Somos mulheres identificadas com Dilma Rousseff e estamos mobilizadas por um país melhor para vivermos. O objetivo deste Blog é encontrar mulheres que pensam como nós. Queremos somar e multiplicar, pois acreditamos que juntas chegaremos lá!” – Numa clara alusão a um grupo de mulheres que, imbuídas do espírito democrático montaram um site para voluntariarem-se pela causa de Dilma. A farsa veio à tona quando checaram o registro de domínio e o mesmo havia sido feito por uma das funcionárias da empresa de assessoria de imprensa que cuida da campanha da ex-ministra. Fato exposto e desmascarado, causando enorme constrangimento na direção da campanha.

Agora, ainda não satisfeitos, os responsáveis pelo Blog da Dilma (Dilmanaweb) fazem uma montagem de fotos onde mostram a ex-Ministra na infância, nos movimentos populares – já adulta – e na atualidade, sob o título “Minha Vida” (que linka para uma página com a biografia da ex-Ministra). A alusão das imagens à vida de Dilma é clara e cristalina para qualquer pessoa que visite o site.

O detalhe é que a mulher que vai altiva, puxando a passeata contra a censura durante o regime militar, não é Dilma. Trata-se da atriz Norma Bengell acompanhada por várias outras atrizes. Dilma jamais participou do protesto.

Pegos em flagrante, o pessoal da campanha correu para desmentir o fato e soltou a pérola:

O blog Dilmanaweb lamenta profundamente a interpretação equivocada da foto que traz a atriz Norma Bengell participando de uma passeata contra a ditadura.

Jamais houve a intenção de confundir a sua imagem com a de Dilma, o que seria estapafúrdio, ainda mais se tratando de uma figura pública. O que se busca, ali, é ressaltar um momento da vida do país do qual Dilma participou ativamente. Outras fotos do blog fazem referência a esse momento em que os brasileiros foram às ruas pedir o fim da ditadura.

Dilma participou de todas essas lutas. Elas fazem parte de sua vida e da vida de milhões de brasileiros. Lamentamos eventuais mal-entendidos que possam ter ocorrido e tomaremos providências para evitá-los”.

Eles se esforçaram tanto para evitar qualquer mal entendido ou má interpretação que, em nenhum momento, assinalaram que o close entre duas fotos de Dilma e dos dizeres “minha vida” pertencia a Norma Bengell. Ficou evidente a busca por uma semelhança física (mesmo que distante) para dar um “ar” de combatividade à candidata.

Se na trajetória administrativa e na campanha eleitoral um político é tão cercado por mentiras que produz intencionalmente ou através de seus assessores, o que se pode esperar dele ao chegar ao poder?

É esta pergunta que você deve se fazer antes de escolher o seu candidato nas próximas eleições, caro leitor.

Pense nisso.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Coluna do dia: Ataque americano no Iraque – Bem-vindo ao mundo real

08/04/2010

Por Felipe Liberal*

Bastards, rebels and terrorists são as palavras que me fizeram chorar ontem à noite. Essas imagens acima são o reflexo de tudo que escrevi até hoje e que tento expressar, ostentando dias melhores.

É contra tudo isso que luto, que lutamos, nós, de esquerda, ultrapassados, retrógrados e “comedores de criancinhas”. É por conta disso que ainda insisto, que ainda sinto vontade de estar aqui, gritando nesse vazio interminável e denso onde estamos metidos 24 horas, todos os dias.

Essas imagens são de um helicóptero Apache estadunidense, em Bagdá, de onde se comunicam os bravos soldados democráticos e libertadores com a torre em terra. Através do rádio, os soldados avisam: “Have five or six individuals with AK 47s” e daí pedem permissão para atirar, pois eles disseram que os “tais” carregavam fuzis e lançadores de granada.

A permissão foi dada e junto com ela surgiram tiros e uma nuvem de fumaça e sangue. A fumaça suja de sangue vinha de dois civis, jornalistas da Reuters, Namir Noor-Eldeen e Saeed Chmagh, mortos pelo exército norte-americano. Um deles ainda tenta, se arrastando, chegar a uma van preta que tenta também ajudá-lo, mas uma nova rajada de tiros detona o veículo, que possuía duas crianças no seu interior, que, por sorte, saíram apenas feridas.

Essa é só uma amostra do que acontece no Iraque. Milhares de vídeos como esse não são divulgados, por se tratarem as vítimas de civis anônimos e invisíveis.

O imperialismo é isso, para quem o defende. Os Estados Unidos da América são isso, para quem os defende. A democracia e a liberdade americanas são isso, para quem as cultua. Tudo que escrevo não é apenas raiva ou ódio do capitalismo ou imperialismo, mas indignação e tristeza com o que eles geram como consequência inevitável.

O maldito sistema pede sangue, morte e desprezo pela vida humana. Ninguém em sã consciência pode negar que isso é uma prática do capitalismo, e não apenas dos EUA. A guerra é um fator econômico, que compra vidas através da morte.

Declaração Universal dos Direitos Humanos? ONU? A maior democracia do mundo? Respeito pela dignidade humana? Paz? Tudo isso parece piada diante das imagens da verdade.

A mentira nos condena à moderação, aos caminhos da aceitação, à burra imparcialidade e à venenosa omissão. Essa é a verdade, meus amigos e amigas, essa é a mais pura verdade do que acontece todos os dias no planeta Terra.

Hugo Chávez, Mahmoud Ahmadinejad e Fidel Castro são criancinhas, comparados a pessoas como Reagan, Bush ou Obama.

O mundo precisa entender quem são os verdadeiros culpados pela nossa terrível situação como seres humanos. Saiamos desse conto de fadas falado em inglês e comprado em dólar. Precisamos entender e combater os verdadeiros Bastards, rebels and terrorists do mundo real.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: Barack Obama, o homem do SUS

26/03/2010

Por Yashá Gallazzi*

Quando Barack Obama, o Presidente-de-ébano, foi eleito, fez um discurso arrebatador. Falou em “mudança”, em “nova era”, em “paz mundial” e em “igualdade entre os homens”. Mas toda a retórica salvacionista do havaiano, que chegou a prometer o “fim do aquecimento global”, poderia ser resumida na seguinte construção:

“Eu tenho um sonho! No meu sonho, os homens e as mulheres da América, brancos e negros, nativos ou imigrantes, independentemente da religião que professarem, poderão ter acesso ao SUS.”

E Obama foi à luta: pegou todas as ideias que seus vários antecessores tiveram sobre como reformar o sistema de saúde americano, juntou-as num calhamaço enorme e, não satisfeito, acrescentou uma ou duas coisas que, suponho, aprendeu com Lula – “o cara”. O resultado? Um dos diplomas legais mais controvertidos de toda a história dos Estados Unidos.

O plano de Obama, aquele com o qual o Messias negro sonhou, não existe. Ficou pelo caminho, cedendo seus pedaços às exigências de boa parte da bancada… Democrata! Sim, é isso mesmo! Obama apresentou algo tão complicado e contraditório, que nem sua própria base de sustentação – escandalosamente majoritária no Congresso Americano – se convenceu a aprová-lo na íntegra.

Não vou cansar o leitor com todos os pormenores do plano idealizado por Obama. Vou apenas ilustrar o quanto ele foi obrigado a ceder diante da flagrante incapacidade de convencer os parlamentares e a opinião pública da importância de suas bandeiras mais caras.

Um dos principais pontos do programa original previa a criação de um plano de saúde público – o SUS – destinado a atender todos os americanos, independentemente de sua condição social. Esse, aliás, era o carro-chefe de Obama, aquilo que deveria simbolizar a nova mentalidade da América: mais igualdade e solidariedade. Não vingou…

Os americanos sentiram rapidamente o cheiro de queimado quando ficou claro que o trabalhador de classe média, mesmo optando por pagar um seguro de saúde privado, seria obrigado a financiar o plano público. Lá, eles têm dessas esquisitices “direitistas”: não suportam ver os tentáculos do Estado tentando crescer para cima de suas carteiras.

A outra bandeira desfraldada com entusiasmo por Obama foi a de criar um fundo público para financiar quem optasse por – como é mesmo que se diz na linguagem politicamente correta? – “interromper a gravidez”. Também não vingou…

Pelo visto, os americanos – todos conservadores, reacionários, feios e bobos – ainda entendem que matar uma criança é… matar uma criança! Mais que isso: entendem que o Estado não deve financiar aqueles que decidirem matar suas crianças. E, sob uma ótica ainda mais profunda, entendem que quem quer matar suas crianças deve se virar para fazer isso sozinho.

O que sobrou do plano sonhado por Obama? Em síntese, aquilo que Bill Clinton se recusou a levar adiante durante seu governo, pois entendeu que as propostas aceitas pelo Congresso seriam “tímidas demais”…

Claro que Obama conseguiu acrescentar alguns pontos relevantes, que trarão mudanças substanciais ao sistema de saúde e à economia dos Estados Unidos. As mudanças mais imediatas que eu vejo, por exemplo, são: 1) alta dos preços dos planos privados; 2) necessidade do governo de subsidiar os custos; 3) aumentos dos impostos; 4) desemprego.

Mas é claro que tudo isso não passa de mera preocupação conservadora… O importante para o progressismo é que os americanos terão um sistema de saúde mais amplo e acessível, que poderá oferecer a boa parte da população a mesma lógica de operacionalização que nós, brasileiros, conhecemos tão bem aqui…

A “vitória” política de Obama consiste na aprovação de uma lei praticamente toda diferente da que ele queria, e que, ainda assim, conta com a rejeição de 60% dos cidadãos do país. “Ah, mas os americanos são mesmo conservadores!”, dirão alguns. É mesmo? Ué, mas não foram esses mesmos americanos que elegeram Obama Presidente? E não foram eles que, depois de elegerem Obama Presidente, foram saudados pela mídia progressista do mundo, que falou em “morte do movimento conservador americano”?

Obama teve pouco mais de 50% dos votos em novembro de 2008, mas nunca é demais lembrar que começou seu mandato abraçado pela aprovação de mais de 80% dos americanos. Como conceber que, cerca de um ano depois, ele veja sua principal bandeira eleitoral tão rejeitada? Na verdade, é tudo bastante simples. A atuação de Obama vem rompendo um paradigma absolutamente fantástico que sempre norteou a sociedade americana: a regra de ouro segundo a qual o Estado deve se meter o menos possível na vida das pessoas.

A pedra angular sobre a qual se assenta a democracia americana não é a da igualdade, mas a da liberdade. Diz a constituição de lá que os homens possuem o direito à vida, à liberdade e à busca pela felicidade. Pode parecer apenas uma construção vaga, mas é, na verdade, a essência daquilo que separa o mundo civilizado da barbárie. Quando se assimila o preceito de que ninguém é obrigado a conceder a outrem o que é necessário para que seja feliz, e que cada um, por suas próprias forças e méritos, deve alcançar isso sozinho, temos a fórmula da equação elementar que garante a vida em sociedade.

A crescente insatisfação com Obama por parte da maioria dos americanos não se deve, pois, ao teatro dos “Tea Partys”, nem ao histrionismo de alguns jornalistas da FOX. Eles refletem apenas aquele eleitorado mais à direita que nunca se deixou seduzir pela retórica “mudancista” do Novo Messias. Quem está correndo a popularidade de Obama são os moderados e os independentes, ou, em outras palavras, a fatia do eleitorado que acaba por decidir todas as eleições lá por aqueles lados.

Essa parcela importante da população não dá a mínima para Sarah Palin ou Glen Beck. Eles resolveram romper com Obama quando perceberam que aquele corolário antes referido estava sendo dinamitado pela agenda de governo do democrata, sempre mais intervencionista.

A maioria dos americanos acredita sinceramente na lógica do “self-made man”, o sujeito que batalha e vence na vida graças aos próprios esforços. Por isso, ficaram ouriçados quando notaram que Obama queria o dinheiro dos contribuintes até mesmo para custear abortos.

Ainda há esperança! Quando os cidadãos da maior e mais duradoura democracia da história mostram, sem sombra de dúvidas, que preferem uma sociedade informada pela ação das pessoas, sem os braços pesados do Estado para atrapalhar, é sinal de que o futuro pode, sim, ser promissor.

Entre o imediatismo de um SUS meia-boca, e a vontade de frear os avanços centralizadores do Estado, os americanos estão escolhendo a segunda opção.

“God bless America”!

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento, escrevendo também no Twitter em @yashagallazzi

Coluna do dia: Pré-sal – Egoísmo e hipocrisia

18/03/2010

Por Felipe Liberal*

Quem foi aquele que reclamou do protecionismo americano em relação aos países mais pobres? Quem foi? Enlouqueceu?

Quem foi aquele que falou mal de Clinton, Bush pai e baby Bush sobre a exploração econômica, se valendo de superioridade financeira e social? Como podem? Vocês são um bando de hipócritas de 5ª categoria!

Muitos dos mesmos que abominam essa prática dos países “abençoados por Deus” estão a favor da ganância e egoísmo praticados pelos cariocas e fluminenses, que estão querendo tomar todo o dinheiro dos royalties do petróleo unicamente para os estados que fornecerão à Petrobras seus territórios para a exploração petrolífera do mar negro ali existente.

Onde estão agora os sentimentos de solidariedade e unidade nacional? Cadê o patriotismo? Regionalismo e “bairrismo” não são para radicais de esquerda e comedores de criancinhas? É difícil de entender tamanha contradição.

Mesmo como historiador não saberia contar quantos braços foram escravizados no nordeste durante os séculos XVII e XVIII, para produzir riquezas que foram da fronteira do Uruguai até a fronteira com a Venezuela, enchendo os bolsos de quem trabalhava com o comércio de açúcar e algodão.

Já no final do século XIX e em todo o século XX, também não saberia contar quantos braços nordestinos foram “escravizados” para tornar o Rio de Janeiro, e principalmente São Paulo, o que são hoje. A dívida histórica é monstruosa. E mais monstruosa ainda é essa fragmentação nacional, quando na verdade se fala de uma riqueza que pertence à União, ao Brasil como um todo.

Todos os brasileiros, sem exceção, devem e merecem beber um pouco desse petróleo, receber investimentos vindos do dinheiro do petróleo, principalmente devido à importância quantitativa do problema.

A camada do pré-sal é gigantesca.  Não estamos falando de uma pequena mina de carvão descoberta no interior do estado do Acre ou uma minúscula jazida de ouro aberta sob o solo do Tocantins.

Temos que analisar o fato isoladamente, observando a tremenda injustiça que estão querendo fazer com os estados-membros que precisam de ajuda urgentemente. Nada e nem ninguém cresce sozinho.

Igualmente ao planeta Terra, o Rio de Janeiro nunca se tornará uma potência dentro do Brasil, se os problemas dos outros estados não forem combatidos e resolvidos.

Tem que haver um sentimento de partilha e solidariedade para que todos nós possamos crescer juntos, sem distinção, tornando o Brasil um grande País, e não um grande Rio de Janeiro dentro de um pequeno e medíocre Brasil.

Como dizia o finado Raúl: “… Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só…”.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: “Nenhuma delas é cubana”

12/03/2010

Por Yashá Gallazzi*

Certa vez, numa discussão um tanto acalorada com alguns conhecidos, perguntaram-me quando exatamente eu me tornei um “porco direitista”. Na ocasião, ri da pergunta e nem dei muita importância, afinal estamos em um País onde qualquer um que critique o socialismo é automaticamente chamado de “direitista”.

Mas eis que hoje descobri quando me tornei um “porco direitista”. Foi no momento exato em que compreendi que Alexander Soljenitsin não é igual a Marcola; que Wladmir Herzog não é igual a Fernandinho Beira-Mar; e que Nelson Mandela não é igual a Elias Maluco. Em outras palavras, diferentemente dos esquerdistas que hoje governam o Brasil, este “porco direitista” aqui sabe bem a diferença entre um preso político e um delinquente vagabundo.

Lula, que assentou boa parte de sua mitologia pessoal na personagem do operário perseguido pela ditadura militar, resolveu mostrar ao mundo sua verdadeira face. Munido de seu cinismo sem limites, rasgou as vestes elegantes do “pobre-coitado-que-bebia-água-com-caramujo-e-virou-Presidente”, olhou na cara dos jornalistas e disse, “sem medo de ser feliz”, que Cuba tem direito de ter suas próprias leis e que o Brasil não se meterá nos assuntos internos daquela ilha.

É um democrata, esse Lula! Respeitador da tal autonomia dos povos, desde que – é claro! – os povos em questão sejam esquerdistas… Afinal, quando se tratou de defender a democracia de Honduras, Lula preferiu se alinhar aos golpistas, na esperança de criar mais uma “republiqueta bolivariana”, onde há mais igualdade, fraternidade e justiça social, mas falta sabonete e papel-higiênico…

Eu, como todo “porco direitista” que se preza, dou a maior importância para produtos de higiene pessoal. A civilização deles – dos esquerdistas – é aquela que pretende criar o “outro mundo possível”, o “novo homem”, a “igualdade plena”. A nossa civilização, por outro lado, é aquela dos antibióticos, da água encanada, da escrita e da literatura. Por isso somos incompatíveis, da mesma forma que nossas visões de mundo jamais poderão conviver pacificamente.

Mas há outra variante de tal “pensamento”. A “lógica” de Lula poderia servir para justificar até mesmo o horror nazista! Imaginem um repórter entrevistando Lula nos idos da década de 1930: “Senhor Presidente, dizem que há judeus sendo presos, torturados e mortos na Alemanha. O que o Sr. tem a dizer?”

E Lula, do alto de sua sabedoria de boteco, mandaria ver: “Veja bem, meu caro: eu estou convencido de que cada país tem direito a ter suas leis, e nenhum outro deve ficar dando pitaco de fora. Ou seja, quem sabe da situação da Alemanha direito é o meu querido Hitler, e só ele pode dizer com precisão as razões das medidas que ele toma. Eu só acho que se as leis da Alemanha estão sendo respeitadas, não cabe ao Brasil dizer o que é certo fazer, da mesma forma que o técnico do São Paulo não pode dizer pro meu querido Mano Menezes que esquema tático ele deve usar num jogo do Corinthians.”

Exagero? Não creio… Alguns dos leitores, conhecendo Lula e tendo lido o que ele disse sobre o regime cubano, não conseguem imaginá-lo dizendo o que vai acima? Eu consigo. E consigo por um motivo simples: é algo perfeitamente coerente com o caráter pedestre dele. Com sua moral maleável. Ou, melhor dizendo: com suas várias morais.

Morais, eu disse? Sim. Costumo dizer que tenho apenas uma moral, ainda que isso possa soar um tanto aborrecido ao leitor. Os “esquerdistas modernos”, como Lula, são melhores que eu: têm várias morais! Querem ver? Pois bem, se os presos políticos cubanos são iguais aos assassinos, sequestradores e traficantes presos em São Paulo, a “lógica” lulista me leva a concluir que Lula, Dilma e os demais presos políticos subjugados pelos militares brasileiros eram, também, iguais aos bandidos paulistas. Há alguma falha lógica nisso?

Mas isso valeria se essa gente tivesse uma moral só – como nós, os “porcos direitistas”. Como, porém, eles possuem várias, cada uma aplicável a um determinado caso específico, dirão que não! Os esquerdistas tupiniquins aprisionados pelos militares eram homens bons. Humanistas, dispostos a – como é mesmo? – “dar a vida em nome da democracia”. Em outras palavras, eles dividem os presos entre os que têm “pedigree” esquerdista, e os demais.

Quando você aceita a tese de Lula, aceita que um homem como Mandela pode ser, eventualmente, igualado a um vagabundo como Elias Maluco. Isso porque, segundo a “moral” torta desses “humanistas”, qualquer um que ouse se levantar contra a “revolução socialista” tem mais é que ser preso mesmo! Lênin, um dos maiores facínoras que o mundo já conheceu, não era menos sutil: todos precisam tomar parte na revolução. E quem não quiser? Simples: passa-se fogo!

Eu, não! Não aceito que Soljenitsin seja igualado a Marcola. Não admito que Herzog seja tratado como um Fernandinho Beira-Mar. De acordo com a minha única moral de “porco direitista”, uma pessoa aprisionada apenas por suas ideias políticas não é apenas um atentado à democracia: é uma humilhação para a espécie humana! Quem condescende com isso empresta justificativas para a barbárie mais abjeta. Flerta com a escória do mundo!

Hoje, os esquerdistas que defendem a maior e mais sangrenta tirania das Américas podem livremente pregar seu “outro mundo possível”, amparados pelas garantias do Estado democrático de direito que eles tanto abominam. Em Cuba, a ilha-prisão dos irmãos Castro, quem ousa contestar o regime assassino é preso e torturado. Isso se tiver sorte! Caso contrário, pode acabar sumariamente fuzilado.

Eis aí a diferença essencial entre nós – que eles chamam de “burguesia” – e eles, os esquerdistas: abraçamos a democracia e a liberdade como valores básicos, perenes e inegociáveis. Não consideramos as instituições democráticas meras “invenções da classe dominante”. Sabemos, ao contrário, que são criações da sociedade civilizada, aquela que tem por obrigação conter os bárbaros revolucionários.

Me tornei um “porco direitista”, aos olhos da realidade política brasileira, a partir do momento em que compreendi que as garantias e liberdades do indivíduo estão acima de qualquer distopia coletivista pregada por uma manada acéfala. Por isso acho que nenhum cidadão deve ser tolhido em seu legítimo direito de protestar contra qualquer governo. Mesmo quando se arvora a criticar os irmãos Castro, aqueles redentores que querem apenas nos salvar do jugo capitalista.

Meu – se me permitem a construção – “porco-direitismo” nada tem a ver, pois, com crenças econômicas. No caso específico do Brasil, você será automaticamente um “porco direitista” sempre que se recusar a igualar bandidos comuns a pessoas que pregam, pacificamente, o fim de uma ditadura sanguinária e a instalação de um regime democrático. E, acreditem: isso é libertador! Esqueçam o consenso progressista e politicamente correto que tomou conta “dessepaiz”: a sensação de defender quem combate os tiranos é revigorante. Não quer ser chamado de “porco direitista”? Ah, deixe disso! “O que é um nome?”, diria Shakespeare? “Aquilo que chamamos de rosa, caso tivesse outro nome, guardaria o mesmo perfume.”

Há milhares de ativistas políticos espalhados pelo mundo militando em favor da democracia. Estão na Europa, na Ásia e na Oceania. Nos Estados Unidos, no Brasil, no Chile, na Argentina e na Venezuela. Onde há liberdade – ainda que um filete dela apenas -, há um ser humano exercendo seu direito legítimo de contestar o governo. Há pessoas de várias nacionalidades, crenças, etnias e religiões protestando livremente por todo o globo.

E, como diria Fidel Castro em sua frase célebre, “nenhuma delas é cubana”.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: Desumanidade no Caribe – Lula e os Castro ignoram o sangue

26/02/2010

Por Yashá Gallazzi*

Os leitores sabem o que é a Comunidade de países Latino-Americanos e do Caribe? Não? Bom, não tem muito problema. Mesmo os criadores dela não saberiam explicar com precisão o que ela representa, ou quais os seus objetivos práticos.

Assim, de bate pronto, eu poderia dizer que se trata de mais um fórum “pobrista” e terceiro-mundista, destinado a emprestar apoio político a facínoras como Hugo Chávez, Cristina Kirchner, Evo Morales e Rafael Correa. Uma espécie de lupanar do atraso latino, onde um bando de gente empoeirada pelos escombros do Muro de Berlim se rende a convescotes com os irmãos Castro, os dois maiores assassinos da história das Américas, ao mesmo tempo em que cobram mais democracia da democrática Honduras.

Mas essas seriam apenas elucubrações minhas. Na realidade, a tal comunidade serviu apenas para referendar o regime sanguinário de terror que matou Orlando Zapata Tamayo. Por enquanto, entenda-se… Em pouco tempo, é bem provável que a escória das Américas – com raríssimas exceções – precise se juntar para justificar as mortes provocadas por Chávez e por Morales. Afinal, sabemos que a utopia preferida dessa gente sempre foi construir o “novo homem” por meio do homicídio desenfreado.

Orlando Zapata era aquilo que se convencionou chamar de “preso de consciência”, ou seja, foi encarcerado pelos Castro porque se declarava contrário ao regime comunista que oprime aquela pobre ilha há décadas. Os irmãos assassinos, seguindo o exemplo de todos os regimes comunistas que os antecederam, trataram de pegar Zapata e de atirá-lo na prisão, ao lado de outros tantos “contra-revolucionários burgueses”. Julgamento? Devido processo legal? Ah, isso é invenção da “classe dominante”, não é? Os humanistas da “causa libertadora”, sabemos, preferem coisas mais rápidas, como os expurgos.

Zapata deu início a uma greve de fome, em protesto contra sua prisão e contra os maus tratos que os prisioneiros estavam recebendo. Privado até mesmo da água, Zapata viu seus rins entrarem em colapso e condenarem seu corpo ao apodrecimento ainda em vida. Ele morreu na última terça-feira, exatamente quando Lula partia para a Ilha dos Castro, a fim de bajular um pouquinho a múmia de Fidel Castro.

Por que Zapata protestou contra os “libertadores de Cuba”? Por que se recusou a ver as maravilhas que aquele paraíso da igualdade fornecia a toda a população? Bem, provavelmente porque é um desses “sujeitos burgueses” que gosta de zelar pela própria higiene pessoal…

Em Cuba, costumo dizer, há duas prisões: uma, administrada pelos Estados Unidos, onde os presos recebem papel higiênico regularmente; a outra, que corresponde exatamente ao restante da ilha, onde o único papel fartamente à disposição do povo é aquele usado para imprimir os discursos de Fidel Castro.

O socialismo, assim como o comunismo, é assim: começa prometendo salvar o homem, e termina negando ao homem o direito de cuidar do próprio asseio…

Ao ser questionado sobre o assassinato de Zapata, Raúl Castro saiu-se com o seguinte – se me permitem – “raciocínio” (do Estadão Online):

“‘Lamentamos muitíssimo (a morte). Isso é resultado dessa relação com os Estados Unidos’, disse Castro, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visita Cuba. Castro disse ainda que muitos outros cubanos também haviam morrido vítimas do que chamou de ‘terrorismo de Estado’, que seria, segundo ele, praticado pelo governo americano”.

Pois é… Um sujeito é preso – e acaba morto! – só por discordar do regime castrista, e a culpa é de quem? Dos americanos, é claro! Sim, vocês entenderam direito. Os americanos, esses demônios do mundo. Segundo o assassino cubano, o país onde os adversários de Bush podiam protestar sem serem presos, onde os “Tea Party” podem protestar sem serem presos, é culpado pela prisão dos oposicionistas de… Cuba!

Não fica difícil entender por que essa canalha é aliada de Hugo Chávez, afinal, o venezuelano acusa os americanos de terem uma “máquina de provocar terremotos”… Sim, é isso! Varram os EUA do mapa, e pronto: o mundo ficará livre de problemas, e seres pacíficos e humanos como Chávez e os Castro poderão ditar as regras. Que tal?

É esse sujeito que Lula foi paparicar quando da criação daquela comunidade vagabunda e filoterrorista! É com essa escória que o governo petista obriga o Brasil a se relacionar, estuprando os princípios da liberdade e vilipendiando os valores democráticos. São o lixo da Humanidade! O que há de pior e de mais rasteiro dentro da cadeia alimentar.

Como é possível que, ainda hoje, grande parte dos políticos brasileiros – e considerável parte da imprensa nacional – ainda consiga tratar com condescendência o regime cubano? Estamos falando de uma ditadura que matou diretamente cerca de 17 mil pessoas!

Isso, meus caros, faz os militares brasileiros parecerem moleques travessos… E nem estou mencionando os 83 mil que morreram tentando fugir daquele “paraíso terrestre”, afinal, deixar a ilha sem autorização d’O Partido é algo punido com a pena de morte! Lembro de Kennedy: “Podemos ser culpados de construir muros para manter nossos inimigos de fora. Mas não precisamos construir muros para manter nossos cidadãos presos aqui dentro.” Brilhante!

Em qualquer democracia séria, a amizade entre Lula, o PT, Dilma Rousseff e Franklin Martins com os irmãos Castro seria motivo suficiente para o desaparecimento político deles. Aqui, ao contrário, o PT tem boas chances de fazer o próximo Presidente, na esteira da popularidade estupenda que o Presidente atual, um esteio moral do castrismo, ostenta.

Somos uma vergonha para as democracias do mundo. Não apenas o governo Lula. Não apenas a esquerda rasteira e terrorista que até hoje vegeta no Brasil. Mas o País todo! Os cidadãos que votaram em Lula duas vezes e que, não satisfeitos, concedem a ele uma aprovação indecente, suja pelo sangue de Zapata – e de outras 100 mil vítimas inocentes. Deus tenha piedade de nossas almas…

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Absurdo completo: Depois de quatro décadas, Petrobras importa gasolina

17/02/2010

Informa o Zero Hora:

“A crise do etanol levou a Petrobras a retomar a importação de gasolina depois de cerca de quatro décadas de autonomia.

O combustível foi embarcado na Venezuela, que já conta com encomendas futuras, e chegará ao litoral brasileiro ainda neste mês.

Segundo a empresa, foram importados aproximadamente 270 mil metros cúbicos. É o equivalente a cerca de 2 milhões de barris. ‘Para os meses subsequentes, a Petrobras está avaliando a necessidade de importação e, se existente, estimará o volume a ser importado’, informou a estatal, por meio de nota. A compra da gasolina venezuelana resultará em uma conta de cerca de US$ 140 milhões para a empresa.

Para Ildo Sauer, professor da Universidade de São Paulo e ex-diretor da Petrobras, o volume de 2 milhões de barris não chega a ser expressivo, já que é equivalente à produção diária da companhia. Mas se surpreendeu com a importação.

– A empresa era superavitária de gasolina desde a entrada do Proálcool, nos anos 70 – lembra.

Especialista em energia, Adriano Pires, diretor-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), analisa o movimento da petroleira brasileira.

– Há quase uma década o Brasil se tornou um exportador. Primeiro, foi o anúncio da Petrobras de que interromperia a exportação, há cerca de um mês, e agora tem de comprar de outros produtores. É surpreendente – afirma Pires.”

Não há falta de etanol que justifique esta notícia. Não há problema na colheita de cana ou aumento do uso desta na produção de açúcar que torne aceitável este fato. Não há aumento da demanda por conta do crescimento das vendas de veículos automotivos que traga explicações convincentes.

Trata-se de falha grave, gravíssima, de gestão. Ponto final!

Estamos diante, sim, de uma incompetência coletiva que une o governo brasileiro capitaneado por Lula e Dilma Rousseff – ex-Ministra das Minas e Energia -, a administração de José Sérgio Gabrielli na Petrobras e, principalmente, o atual Ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, que se já não tem aliados dos melhores, agora parece não ter também uma capacidade gestora muito admirável.

Parece-me um péssimo nome para o Ministério, que foi indicado, diga-se de passagem, pelo famigerado José Sarney. Não poderia ser diferente, não é mesmo?

No fim das contas, olhamos para um absurdo completo!

Depois da notícia de que o Brasil importará álcool de milho dos Estados Unidos, somos obrigados a ouvir que, embora tenhamos uma tão alardeada auto-suficiência em petróleo, vamos importar gasolina. E da Venezuela, curiosamente. Está mais para insuficiência.

Ministro Edison Lobão, o senhor é um fanfarrão.