Postagens com a palavra-chave ‘Escândalos’

Má notícia: Nomes importantes deixam a política desiludidos com Legislativo inerte, custo de campanhas e escândalos

03/04/2010

Informa a Folha:

“Desilusão com a produtividade no Legislativo, o altíssimo custo das campanhas eleitorais, os financiamentos obscuros e o risco crescente de escândalos na classe política. Esses são os motivos alegados para que prestigiados senadores e deputados desistam de concorrer à reeleição este ano.

Com história política notável e alguns com votos mais do que suficientes para tentar novos mandatos, eles seguem a trilha aberta pelo ex-governador e atual presidenciável Ciro Gomes (PSB-CE) e dizem que não têm mais entusiasmo para continuar na vida parlamentar.

Na lista há nomes como os do líder do PPS na Câmara, Fernando Coruja (SC), do deputado mais votado do PSDB em 2006, Emanuel Fernandes (SP) e do secretário-geral do PT, José Eduardo Cardozo (SP).

Renovação no Congresso é normal, porque há uma dança de cadeiras entre os vários Executivos e Legislativos. Desta vez, porém, a questão não é de quantidade, mas de qualidade.

Levantamento feito pela Folha junto às lideranças partidárias aponta que cerca de 88% dos 513 deputados devem tentar a reeleição, com a expectativa de renovação de 50%, mas a bancada do ‘cansei’ abrange quase todos os partidos, espectros ideológicos e regiões.

Uns ainda se animam com a possibilidade de ocupar funções em campanhas à Presidência ou a governos estaduais e cavar cargos executivos, onde se consideram ‘mais úteis’. Outros pensam em simplesmente abandonar a política.”

Trata-se de um dos fenômenos mais perigosos da política brasileira atual. Embora isso não se dê em todos os casos concretos, essa situação traz muito do receio traduzido naquela velha máxima de que o silêncio dos bons é que assusta, e não necessariamente a atuação dos maus.

O Perspectiva tem como um de seus objetivos, justamente, o incentivo à participação política no que diz respeito aos jovens de bem. Como este que vos fala, repetindo Ruy Barbosa, afirma em seu perfil, que pode ser acessado na seção “Autor” através do menu acima, “se o Brasil for condenado, pelos meus representantes, a continuar a ser, diante do mundo, a fábula dos países miseráveis, risíveis e desprezíveis, não será porque eu não tenha exercido as minhas forças em bradar à nossa pátria”.

Urge que as pessoas bem-intencionadas passem a ver a política como um meio de atuação onde podem fazer a diferença. Estas não deixaram de existir e a proliferação de entidades beneficentes, organizações não-governamentais, instituições ambientalistas, movimentos sociais, associações de moradores, etc, íntegras e honestas são prova disso.

Não é possível que continue-se a enxergar o Parlamento brasileiro como um local engessado, impossibilitado de promover mudanças reais e para onde alguém se dirige em busca de um bom emprego e não para empreender as ações que traduzem um ideal, independetemente de qual seja este.

É temoroso para o futuro do País, para o nosso Estado Democrático de Direito e para o interesse público que a política, pelo menos no que tange o Legislativo, seja vista como um mero banco de negócios ou uma simples repartição pública de alocação de aliados.

Necessita-se o quanto antes de uma reforma político-eleitoral que modifique essa realidade. O Perspectiva faz a sua parte e você, leitor, deve também fazer a sua.

Um grande auxílio já terá sido dado por você se, antes de votar, refletir bem na escolha dos candidatos, eliminando aventureiros interessados em verbas e cargos, deixando de lado clientelistas e assistencialistas que visam lhe comprar com centros sociais e que muitas vezes inviabilizam propositadamente o bom funcionamento das instituições públicas que agem nos mesmos setores em que atuam e afastando a hipótese de apoiar candidatos envolvidos com o crime, com escândalos de corrupção e com nepotismo.

Em suma, é preciso que se entenda que, quando as pessoas de bem saem da política, constitui-se o primeiro passo para que outras pessoas de bem não se sintam em casa no Brasil.

Coluna do dia: Leonel Pavan e uma parceria público-privada “diferente” em Santa Catarina

31/01/2010

Por Tiago Franz*

Olá, meus caros. Saúdo os leitores e colegas do Perspectiva com a alegria de quem retorna à casa. A saudade bateu forte durante as semanas em que estive ausente. Entrementes, com viagem ao Mato Grosso (Estado onde cresci e onde devo viver novamente a partir de 2011), mudança de residência (ainda em Chapecó, Santa Catarina) e muito trabalho com meu violão e garganta, dei embalo e rumo ao meu 2010. Espero que estejamos todos bem embalados.

Pois bem. Sou natural de Santa Catarina e continuarei cidadão catarinense por mais um ano. Continuarei, do ponto de vista que mais interessa a ‘eles’, eleitor catarinense. E como é de meu costume, observador que sou, venho colocar aqui o ponto de vista do sujeito, cidadão e eleitor Tiago Franz a respeito do caso que abalou o cenário da sucessão catarinense: o escândalo envolvendo o Vice-Governador Leonel Pavan (PSDB), que, aliás, foi adiantado aos leitores pelo Perspectiva.

No próximo dia 3, a Assembleia Legislativa irá votar pela abertura do processo, para que o Tribunal de Justiça do Estado apure as denúncias feitas pelo Ministério Público. Pavan enviou carta aos deputados pedindo que votem a favor da abertura das investigações e declarou estar confiante no trabalho da Justiça. Espera-se que a votação seja unânime a favor da apuração. O tucano é acusado de corrupção passiva, advocacia administrativa e quebra de sigilo funcional.

Pode até ser que as acusações, como diz o lado do governo, sejam meramente oportunistas e estratégicas. A essa altura do jogo, a coisa começa mesmo a esquentar. Pavan era cogitado pelo Governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) para ser seu sucessor.

Mas não pretendo julgar Pavan antes da Justiça. Quero aqui colocar a impressão que guardei do Vice-Governador na ocasião em que o vi pela primeira vez, e que me fez não ficar surpreso com o surgimento do escândalo. Vamos lá.

O natal de 2008 estava próximo e a maior loja de departamentos de Chapecó, pertencente à rede Havan, realizou um evento em frente às suas instalações, na principal avenida da cidade. O ‘Natal Luz Havan’ reuniu cerca de 20 mil pessoas, que assistiram à apresentação da Orquestra Sinfônica de Santa Catarina (OSSCA), ao show da banda de rock Dazaranha (Florianópolis), à inauguração da ‘mega’ iluminação natalina da loja e a diversas outras atrações. Tudo marcado por um forte apelo popular (no mau sentido), como de praxe. Até mesmo a conceituada OSSCA, que já pude prestigiar em outra ocasião, trocou os clássicos por ‘musiquinhas’ da moda. Em resumo, o evento foi quase um ‘festival da mediocridade’.

Lá estava eu, em meio à multidão, iluminado pela ‘Luz do Natal’ que irradiava do prédio da loja, quando anunciaram que o então Governador em exercício, Leonel Pavan, faria uso da palavra por alguns instantes.

Uatarréu! Embasbaquei! Eu já estava estranhando e me perguntando o que a orquestra do estado fazia ali, mas a presença do próprio Governador em exercício foi como um tapa na cara. Pensei: que diabos o Vice-Governador faz metido nisso aí? Será que o Luiz Henrique, que naqueles dias estava de licença, faria o mesmo se estivesse em exercício?

E foi assim que conheci o Vice-Governador Pavan, discursando informal e entusiasticamente sobre a magia do Natal e sobre a importância das lojas Havan para o Estado de Santa Catarina (será que a empresa paga corretamente seus impostos ou faz como a Arrows Petróleo do Brasil, que mesmo devendo 12 milhões em impostos quer continuar prestando serviço ao estado, e, se comprovadas as denúncias da PF, ainda contando com a ajuda do Vice-Governador para isso?). Afinal, “a iniciativa da empresa é um importante incentivo à cultura”.

É mesmo incentivo à cultura? Que cultura é essa? Feliz Natal e boas compras!? É ético que o estado ceda (ou venda) sua orquestra e participe dessa maneira de um evento de uma loja de confecções, brinquedos e ‘tudo para o seu lar’, por mais ‘importante’ que ela possa ser? Qual é a real importância disso para a economia e a cultura do estado?

O que eu tenho contra as lojas Havan? Nada. Escrevo sentado em uma almofada que comprei na Havan de Chapecó. Também não tenho nada contra as relações entre o público e o privado, desde que estas respeitem o limite do bom senso. O problema surge quando as coisas se misturam e formam o que eu chamo de ‘lambança público-privada’. Isso ocorre quando o oportunismo comercial e político-eleitoral se juntam para fazer… hmm… lambanças como a que narrei aqui. A Administração Pública deve tratar dos assuntos com a iniciativa privada com ética, bom senso, isenção e, principalmente, com o rigor da lei.

Não gostei nada do que vi há dois anos, e continuo não gostando. Por isso creio que a atual situação do Vice-Governador Leonel Pavan não seja apenas motivada por interesses eleitorais de opositores.

Mas esperemos para ver.

*Tiago Franz é colunista do Perspectiva Política aos domingos e escreve no Twitter em @tiagofranz

Morre o ex-Prefeito paulistano Celso Pitta

23/11/2009

Informa o Globo:

“O corpo do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta foi enterrado na tarde deste sábado no Cemitério Getsêmani. Aos 63 anos, o ex-prefeito morreu no Hopital Sírio-Libanês na noite de sexta-feira.

Em janeiro, ele havia sido submetido a uma cirurgia para retirada de um tumor no intestino grosso. Novos tumores surgiram e, no último dia 17, ele havia sido operado novamente, mas o câncer já havia se espalhado para o abdome e o fígado. Segundo o advogado do ex-prefeito, Remo Battaglia, Pitta vinha trabalhando como economista, prestando assessoria a empresas.

De acordo com o hospital, Pitta faleceu às 23h50m desta sexta-feira e estava internado desde o dia 3 de novembro. O corpo foi velado na Assembléia Legislativa de São Paulo.”

É fato notório que Pitta teve seu estado de saúde abalado pelo seu estado emocional.

Desde que foi envolvido em escândalos durante seu mandato na Prefeitura de São Paulo, Pitta enfrentava o ostracismo e a rejeição da população. Terminou seu mandato, mas viu o fim de sua vida pública.

Após ter sido preso na Operação Satiagraha, junto com o empresário Naji Nahas, tudo se agravou: A situação financeira, a situação jurídica, a situação emocional e a situação de sua saúde.

Nada mais justo do que imaginar que os rumos que Pitta deu para sua vida contribuíram para sua morte que, para os padrões de hoje em dia, pode ser considerada precoce.

Fica o exemplo para os que pensam em seguir os caminhos que ele seguiu.

Não digo que a pena para os escândalos seja a morte. O que quero dizer é que não se deve pensar que coisas desse tipo passam impunes.

Por mais que a Justiça possa safar alguns das acusações, o cotidiano destes os lembrará delas dia após dia.

Deixada de lado uma questão de valores e princípios éticos que para mim já é suficiente para demonstrar o quão condenável é o caminho da esperteza, fica a questão:

Vale a pena?

Aposto que não.

Dutra deve ser novo Presidente do PT: Velhos petistas estão na chapa

23/11/2009

Informa a Folha:

“Apuração parcial do PED (Processo de Eleição Direta) do PT confirma o favoritismo do ex-senador e ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra (SE) para comandar a próxima direção do partido.

Os números parciais mostram ainda que as chapas compostas por petistas que são réus do processo do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal) também saíram na frente.

Com mais de 33% dos votos apurados, Dutra (da chapa Partido que Muda o Brasil) conta com 53,3% (90.913) de apoio. Seu principal adversário, o secretário-geral do PT, deputado José Eduardo Cardozo (Mensagem ao Partido), tem 19,6% (33.453).

[...]

A chapa de Dutra tem 50,4% dos votos. Fazem parte o ex-ministro José Dirceu e os deputados federais José Genoino e João Paulo Cunha, que são réus no processo do caso. Outros cinco petistas ligados ao escândalo estão na chapa de Dutra.

Um dos maiores argumentos dos petistas que defendem o nome de José Eduardo Dutra é o fato de que ele poderá ser uma renovação no comando do partido.

Deixem-me ver se entendi: A renovação virá com uma chapa que inclui José Dirceu e João Paulo Cunha, ambos envolvidos no mensalão e ambos nomes fortes do período pré-escândalos do governo Lula?

Curioso. Acredito que o PT pode ter inventado um novo tipo de renovação.

Ora, que Dutra vença com Dirceu e Cunha em sua chapa, é uma questão interna do PT. Não me diz respeito.

Agora, dizer que Dutra trará renovação é demagogia despejada em nossos ouvidos.

A partir desse momento o Perspectiva tem tudo a ver com isso. Afinal, demagogia existe para ser combatida.

Oposição desacredita CPI e acusa Petrobras em relatório

12/11/2009

Informa o Globo:

“O relatório paralelo da oposição na CPI da Petrobras acusa a estatal de improbidade administrativa e irregularidades, que variam de prestações de contas incompletas a crimes ambientais e tributários. Com a queixa de que a maioria governista impediu uma investigação mais profunda, PSDB e DEM não conseguiram apurar indícios de ligações políticas entre supostos desvios e a cúpula do governo petista, conforme suspeitavam.

Na próxima terça-feira, o relatório paralelo, transformado em 18 representações contra a Petrobras, será levado pelos senadores de oposição ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

O caso considerado mais grave foi o superfaturamento da obra da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Além das constatações de superfaturamento feitas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), o PSDB cita estudo que indica um sobrepreço de US$ 2 bilhões.”

Este blogueiro bate na mesma tecla desde o início desta questão a respeito da Petrobras, pois sustenta desde aquela época a mesma opinião:

Me digam que a CPI da Petrobras é defendida pela oposição por conta de interesses eleitorais.

Me digam que também existiram irregularidades na Petrobras no governo do PSDB que, agora, critica problemas semelhantes aos que podem ter existido quando este governou o País.

Mas não me digam que não há o que investigar.

Não me digam que as denúncias de irregularidades são baseadas em fatos fantasiosos como alegou o Presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli.

Em suma, não insultem a minha, a nossa e a vossa inteligência.

Está claro que há o que se corrigir na Petrobras. Não existe isso de serem inventadas transgressões para que se justifique uma futura privatização.

A oposição pode, sim, querer desgastar o governo com a CPI e não ter os motivos mais nobres para defendê-la. Claro que pode. Mas ela não inventou os fatos. Dizer isso é demais.

Precisamos deste equilíbrio. O Perspectiva preza por ele.

Ora, meus caros, nas obras do Comperj (Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro) a Petrobras pagou indenização 1.490% maior do que a devida. Como é possível que digam que não existem irregularidades relevantes?

E agora surge o sobrepreço na obra da refinaria Abreu e Lima quase comprovado.

Pode até ser que a oposição pense também no quesito eleitoral, não duvido, mas configura um absurdo o fato de uma investigação tão importante como a da Petrobras ser fruto de negociação no que tange os resultados atingidos por ela. Não posso conceber, como cidadão de bem, que seja correto que o governo escolha os setores a terem suas falcatruas reveladas para proteger outros.

Não é de se admirar que a oposição tenha abandonado a CPI. Ficar nela e achar que estava investigando algo de verdade seria ingenuidade pura.

É uma vergonha a intenção do relator Romero Jucá, representante claro do que há de pior no PMDB, de isentar a Petrobras de qualquer acusação. É um acinte! Uma sacanagem!

Como pode o eleitor comum, como eu, entender como normal que seja claro e cristalino que existam irregularidades em um setor do governo ou em uma estatal e que, ainda assim, nada seja apurado?

Não há justificativa! Não há argumento fraco daqueles que dizem que a oposição apenas quer enfraquecer o governo e facilitar sua vida em 2010 que convença!

Fosse a oposição, realmente, um antro de interesseiros, nem isso justificaria que o governo cogitasse escolher as falcatruas a serem apuradas e, depois, resolvesse abafar todas.

Como eu venho dizendo:

Chega de nariz de palhaço! Chega de teatro!

É baseada nestes preceitos éticos que será feita a exploração estatal do pré-sal?

E não me digam que criticar o governo é querer elogiar a oposição.

Quem erra tão feio merece a crítica e ponto final.

Vergonha total: CPI da Petrobras à míngua

18/10/2009

Informa Felipe Patury, na Veja:

“Há dois meses, o governo enviou emissários à oposição na tentativa de negociar uma saída pacífica para a CPI da Petrobras.

Cogitava, então, acatar algumas condenações à estatal para evitar que as investigações atingissem áreas consideradas cruciais na empresa.

Agora, a conversa é outra.

Na semana passada, avisou que encerrará a CPI isentando a Petrobras de qualquer acusação de malversação de recursos. O relator Romero Jucá (PMDB-RR) acredita que já pode concluir seu trabalho.

A oposição tentará manter a CPI viva. O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, foi escalado para fazer um discurso sobre as irregularidades já detectadas em operações da empresa.”

Já configura um absurdo o fato de uma investigação tão importante como a da Petrobras ser fruto de negociação no que tange os resultados atingidos por ela. Não posso conceber, como cidadão de bem, que seja correto que o governo escolha os setores a terem suas falcatruas reveladas para proteger outros.

Aparentemente, trata-se de prática comum no âmbito do governo atual, afinal, o mesmo foi feito com os membros importantes das cúpulas presidencial, ministerial e petista na ocasião dos grandes escândalos. Nomes foram sendo “queimados” para que outros fossem protegidos. Da “queimação” dos possíveis presidenciáveis, emergiu o nome de Dilma Rousseff.

Pois bem. Se a escolha de certas falcatruas para serem levadas aos holofotes, visando ocultar outras, já é condenável, que dirá a pizza generalizada.

É uma vergonha a intenção do relator Romero Jucá, representante claro do que há de pior no PMDB, de isentar a Petrobras de qualquer acusação. É um acinte! Uma sacanagem!

Como pode o eleitor comum, como eu, entender como normal que seja claro e cristalino que existam irregularidades em um setor do governo ou em uma estatal e que, ainda assim, nada seja apurado?

Desvios de dinheiro público, malversações e corrupções não podem ser alvo de negociações! Isso tem que mudar! Essa praxe deve ser extinta da sociedade brasileira! Chega de rabos presos e conchavos!

Onde já se viu que saibamos que há o que investigar, que há o que punir, e mesmo assim negociemos o que será conhecido pelas luzes da Justiça, cogitando, até mesmo, fazer com que nada, absolutamente nada, seja constatado de forma conclusiva.

Essa impunidade revolta demais! Acredito que vocês, leitores deste Perspectiva Política, são tomados, assim como eu, por uma quase fúria.

Estou perplexo e repito o que está sendo desenhado para reforçar: O governo quer que a CPI da Petrobras, que claramente foca uma empresa estatal onde existe o que ser apurado, não apure nada. E, para atingir tal objetivo, negocia.

A oposição não pode permitir tais negociatas! É o dinheiro do povo brasileiro que está em jogo! É a moralidade e a ética das relações de uma empresa que quer se dizer uma das maiores do mundo que está no fio da navalha.

Não é possível não ser tomado pela raiva ao ver que, primeiramente, movimentos sociais cooptados pelo governo defendem a não criação de uma CPI que, claramente, atende ao interesse público, sendo necessária por existirem fortes indícios de irregularidades diversas.

Mais tarde, conseguida a CPI, negocia o governo para escolher quais falcatruas serão conhecidas.

Por fim, vendo que há espaço para a manobra, o mesmo governo resolve nem mesmo escolher, empurrando tudo para debaixo do tapete e colocando um tremendo nariz de palhaço nos rostos de brasileiros e brasileiras que, além de contribuintes, são, em alguma quantidade, acionistas da empresa.

Vergonha! Vergonha! Vergonha!

Não há justificativa! Não há argumento fraco daqueles que dizem que a oposição apenas quer enfraquecer o governo e facilitar sua vida em 2010 que convença!

Fosse a oposição, realmente, um antro de interesseiros, nem isso justificaria que o governo cogitasse escolher as falcatruas a serem apuradas e, depois, resolvesse abafar todas.

Que a CPI da Petrobras, pelo bem da ética, que se coloca acima de qualquer disputa partidária, continue viva, atuante e eficaz.

Chega de nariz de palhaço! Chega de teatro!

É baseada nestes preceitos éticos que será feita a exploração estatal do pré-sal?

E não me digam que criticar o governo é querer elogiar a oposição.

Quem erra tão feio merece a crítica e ponto final.

Promotoria aponta desvio de R$ 2,7 mi em gestão Azeredo

28/09/2009

Informa a Folha:

“O Ministério Público de Minas Gerais acusa o senador e ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo (PSDB), de ter se beneficiado, durante a gestão dele (1995-98), de um esquema de fraudes em licitação que teria abastecido o chamado valerioduto tucano e causado prejuízo de R$ 2,7 milhões aos cofres do Estado, informa reportagem de Breno Costa, publicada nesta segunda-feira pela Folha.

O valerioduto tucano, segundo a Polícia Federal, foi um esquema operado pelo publicitário Marcos Valério para ocultar a origem e o destino de R$ 28,5 milhões em recursos públicos desviados e verbas privadas não declaradas, que financiaram a campanha derrotada de Azeredo em 1998.

O valerioduto tucano gerou uma ação penal no Supremo Tribunal Federal contra Azeredo e outra na Justiça Estadual, contra outros 14 réus.

Segundo a reportagem, a Promotoria diz ter identificado um novo braço de financiamento irregular daquela campanha, com ‘pagamentos irregulares’ do governo Azeredo, que resultaram em ‘vultuosas contribuições’ à campanha eleitoral.

Para o Ministério Público, o suposto esquema envolveu sete empresas vencedoras de 25 licitações na gestão Azeredo para fornecimento de terceirizados ao Estado.

Azeredo informou desconhecer a ação apresentada há um mês pelo Ministério Público. Ele diz que ‘terceirização não é assunto de governador’”.

Se as ditas irregularidades, transgressões e falcatruas cometidas por membros do PT com o auxílio do publicitário Marcos Valério devem ser investigadas a fundo e, se comprovadas totalmente, punidas, nas pessoas de seus  agentes, com todo o rigor da lei, o mesmo vale para qualquer tipo de ação semelhante empreendida por membros do PSDB com o auxílio do mesmo Valério.

O suposto valerioduto petista configura esquema vergonhoso, corrupto e pernicioso. Se comprovado o valerioduto tucano, merecerá este os mesmos adjetivos negativos.

O Perspectiva prima pela Justiça, como não poderia deixar de ser, e defende veementemente a investigação de ambos os casos.

Além disso, este blogueiro não pode deixar de dizer que as suspeitas, por mais que possam ainda ser mostradas como infundadas, dispõem de evidências realmente comprometedoras para os envolvidos em ambos os casos.

Sendo assim, é natural que sejam questionadas desde já, embora não judicialmente, mas sim moralmente, as idoneidades tanto dos envolvidos petistas, como dos envolvidos tucanos, em esquemas com a participação de Marcos Valério.

A Justiça trabalhará, infelizmente em ritmo aquém do desejado, e o Perspectiva manterá a vigilância sobre ambos os casos.

Michelle Obama demonstra desapreço por Berlusconi

26/09/2009

Informa o Portal Terra que, na reunião dos chefes de Estado do G20, em Pittsburgh, no Estado da Pensilvânia, Michelle Obama, a Primeira-Dama americana, fez questão de dar boas-vindas abraçando e beijando quase todos os estadistas.

Foi assim com o Premiê britânico, Gordon Brown, com o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, com o Presidente russo, Dmitri Medvedev e como Premiê holandês, Jan Peter Balkenende.

Porém, diante de um sorridente Silvio Berlusconi o protocolo foi outro: Michelle apenas estendeu o braço para um aperto de mão.

Parece que a existência de escândalos em torno de Berlusconi, que chegam a envolver redes de prostituição e farras sexuais, não ficou impune.

Michelle Obama não hesitou em tomar uma das poucas medidas objetivas que lhe eram possíveis para exibir seu repúdio aos escândalos:

Demonstrou desapreço por Berlusconi.

E trata-se de desapreço merecido. As histórias que envolvem Berlusconi, se totalmente reais, fazem dele alguém indigno da posição que ocupa e uma vergonha para a coletividade de estadistas e para os homens honrados que já ocuparam a posição hoje ocupada por ele.

Coluna do dia: A importância dos jovens na política

12/08/2009

Por Renato Alves*

A imagem que os brasileiros têm dos políticos não é das melhores, principalmente pelos recorrentes escândalos e pela avalanche de denúncias diárias reproduzidas pelos meios de comunicação. Por isso, é comum que a maioria da população opte pela apatia e a minoria pela organização com o intuito de tentar mudar o que está errado. A situação é preocupante, ainda mais se analisarmos como os jovens enxergam a política. Afinal, a juventude de hoje é a peça-chave para criar uma sociedade melhor no futuro.

Acredito que hoje é um dia especial para escrever sobre esse assunto. Pois comemora-se nesta quarta-feira, 12 de agosto, o Dia Internacional da Juventude. Esta data foi instituída em 1998, durante a Conferência Mundial de Ministros da Juventude, em Lisboa, e endossada pela Assembleia Geral da ONU, sendo comemorada pela primeira vez em 2000.

A minha preocupação é que a juventude deixe de participar da vida política do País, ou seja, abdique de potencializar energias para a participação cidadã e do seu papel transformador. É importante que os jovens tenham a consciência de que se tornando apáticos e céticos em relação à política, esta nunca será renovada e não teremos condições de limpar o que está errado.

Portanto, é preciso participação efetiva, mostrar trabalho, mobilizar, pois apenas criticar não basta. É necessário que os jovens participem mais da gestão do seu município, realizem ações coletivas no bairro e ensinem a outras pessoas que temos responsabilidades pelo que acontece na esfera pública. Isso já é um grande começo. O que não podemos é ficar de braços cruzados. Posteriormente, passos maiores podem ser dados, através de atuações partidárias ou em mobilizações mais amplas. Mas, sem esquecer que não existe democracia sem a organização da sociedade e muito menos sem políticos.

Por outro lado, é necessário que o poder público valorize a participação dos jovens na construção de seu futuro, ajudando a prepará-los para lidar com problemas específicos em áreas como a educação, a saúde, o meio ambiente, o emprego e o lazer, inserindo-os em todas as etapas do processo de tomada de decisões sobre o futuro. Afinal, os jovens são um dos mais importantes recursos humanos para o desenvolvimento e podem ser agentes essenciais de inovação e de mudanças sociais positivas.

Enfim, os escândalos políticos não podem produzir uma juventude apática e cética. Os jovens devem perceber que a política pode ser aperfeiçoada pela participação efetiva e que os valores éticos e morais devem ser repassados para todas as gerações. Somente assim conseguiremos mudar o rumo do nosso país chamado Brasil.

Até a próxima!

* Renato Alves é colunista do Perspectiva Política às quartas e editor do blog Política Mineira

Fundação Sarney teria desviado recursos públicos! E Sarney ainda precisa que as denúncias cessem…

09/07/2009

Independentemente do apoio do Presidente Lula, da mudança de estratégia da oposição, do respaldo da bancada do PT e de outras “cositas” mais, é fato que a permanância de José Sarney na presidência do Senado depende de algo muito simples, mas muito importante: Sarney precisa que as denúncias cessem.

Pode Lula ajudar, pode o PT apoiar, pode a oposição calar. Se as denúncias continuarem surgindo, ficará difícil segurar Sarney que já balança na corda bamba. Afinal, a imprensa continuará vigilante e a opinião pública retomará a pressão forte sempre que algo “cabeludo” surgir.

Diversos analistas políticos que conhecem a fundo os bastidores e os porões da capital afirmam categoricamente que o estoque de denúncias ainda é grande. Teria tamanho bastante para jogar Sarney para fora da corda bamba, direto na cama elástica, que com certeza existe, pois é improvável que Sarney algum dia caia direto no chão.

Pois bem. É ponto pacífico então que as denúncias precisam cessar para Sarney se manter e é informado pelos analistas que denúncias e mais denúncias ainda existem.

Eu poderia agora encerrar esta postagem, aconselhando vocês, leitores, a aguardarem, junto comigo, o cenário político, esperando as denúncias que podem surgir ou não.

Acontece que uma das piores já surgiu, meus caros. Informa o Estadão de hoje:

“Fundação José Sarney – entidade privada instituída pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para manter um museu com o acervo do período em que foi presidente da República – desviou para empresas fantasmas e outras da família do próprio senador dinheiro da Petrobrás repassado em forma de patrocínio para um projeto cultural que nunca saiu do papel. “

Este trecho faz parte da reportagem que tem como título: “Fundação de Sarney dá verba da Petrobrás a empresas fantasmas”

É, meus caros leitores. A corda bamba está balançando forte. Que baita solavanco!