Postagens com a palavra-chave ‘Escândalo’

Quebra de sigilo fiscal: O fato novo da campanha

01/09/2010

É notório que a oposição está buscando um fato novo na campanha eleitoral. A esperança é a de que este fato possa mudar as tendências de ascensão de Dilma e de queda de Serra, invertendo as curvas e levando a campanha para o segundo turno.

Eis que surge o escândalo da quebra do sigilo fiscal de diversas pessoas, entre elas tucanos de relevo e – mais importante – a filha de José Serra.

Os governistas dirão: “Está posta aí a relação! Os oposicionistas queriam um fato novo para tentar se salvar e o fato surgiu! Manipulação! Mídia golpista!”

É, pode ser. Quem sabe o momento da divulgação dos atos ilícitos tem relação estreita com a situação político-eleitoral?

Contudo, o que isso muda?

O que quero dizer é o seguinte: É condenável que se manipule o momento do estouro de um escândalo, mas muito pior é empreendê-lo.

Se os governistas realmente quebraram o sigilo fiscal de tucanos ilustres e da filha de Serra visando prejudicar a campanha do PSDB caso se mostrasse necessário, nada podem reclamar sobre o momento da divulgação dos fatos.

Desde quando o assassino pode, por exemplo, reclamar que as pessoas ficaram sabendo de seu crime justamente quando estava no auge de sua carreira profissional?

Poderia o goleiro Bruno, por exemplo, reclamar que o caso Eliza Samudio foi explicitado no momento em que ele estava sendo negociado com times europeus?

Claro que não!

Não é nada correto escolher um momento rentável politicamente para estourar um escândalo, mas se o PT não criasse o fato não haveria o que estourar.

Pior do que divulgar o erro quando se deseja é errar. Muito pior.

Deixassem Verônica Serra em paz e a oposição não teria fato novo.

Coluna do dia: Brasil, o paraíso da corrupção

14/06/2010

Por Arthurius Maximus*

“O crime não compensa”.

Esse ditado tão célebre nos antigos filmes de super-heróis ou policiais de antigamente está tão errado quanto 2 + 2 = 3.524. Sim, pelo menos aqui no Brasil o crime compensa e muito. Exemplos não faltam, desde políticos corruptos e ladrões notórios – que exigem o tratamento de “vossas excelências” – até o mais humilde moleque de rua – que mata a troco de um par de tênis ou de cinco reais para fumar crack e fica odiosamente impune.

Graças às nossas leis “de primeiro mundo” ou aos “enormes avanços legislativos” que transformaram nosso País no lar preferido de dez entre dez criminosos domésticos e internacionais, o crime aqui compensa muito. Exemplos disso são dados a todo instante, provocando a estranha inversão de valores que experimentamos em nossa sociedade. Aqui, ser honesto é ser otário e roubar é ser malandro e esperto.

Dentre esses exemplos, nenhum choca mais do que os fornecidos em profusão pelos grandes fraudadores e corruptos. Afinal, mesmo punidos, conservam em seu poder o fruto do seu ilícito e após cumprirem as penas pífias de nossa legislação, passam a gozar de suas fortunas ilegais pelo resto da vida.

O juiz Nicolau dos Santos ficou notório sob a alcunha de “Juiz Lalau”. Preso em sua mansão, provavelmente bancada com os desvios do Tribunal Regional do Trabalho paulista, goza de férias remuneradas pelo Estado e deixará uma gordíssima herança aos seus herdeiros, já que quase nada do que ele roubou foi recuperado e não há perspectiva de que isso ocorra.

Mais um desses “valorosos” brasileiros deixou a cadeia nesse final de semana. A ex-advogada Jorgina de Freitas, responsável pelo rombo de mais de 400 milhões de reais nos cofres da Previdência Social, deixou a cadeia e está livre, leve e solta para curtir a sua fortuna em total liberdade. Afinal de contas, de toda a fortuna roubada por ela, apenas a modesta parcela de 69 milhões de reais foi recuperada pelo Estado. Faça as contas, caro leitor, e perceba com clareza como vale a pena ser um ladrão em nosso País.

Dos treze anos a que foi condenada e mesmo tendo fugido para o exterior, Jorgina cumpriu pouco mais de cinco anos efetivamente presa. O restante da “pesadíssima” pena foi cumprido em regime aberto e semi-aberto. Quando estava na cadeia, Jorgina até organizou um concurso de Miss Cadeia com o apoio do próprio Estado.

Agora, se você ainda não se convenceu de que roubar é ótimo em nosso País, resta o exemplo do famoso petista preso no aeroporto de Congonhas com uma verdadeira fortuna em propinas enfiada na cueca. O escândalo, que foi parte do Mensalão, virou até marchinha de carnaval. Mas hoje, Adalberto Vieira da Silva (o assessor-parente de José Genoíno) está processando a União e deseja reaver a grana. Os mais de 1.000.000 de reais (cem mil estavam em sua cueca) ficaram retidos, obviamente, por não terem sido reclamados pelos verdadeiros donos.

Para mostrar como o Brasil é a terra de leite e mel da corrupção, Adalberto Vieira – que não tem meios de provar que o dinheiro era lícito – resolveu declarar a bolada para a Receita Federal como se fosse uma “doação”. Isso lhe rendeu uma multa de 200 mil reais (que ele não tem como pagar) e a propriedade legal do dinheiro. Com isso, se vencer o processo que move contra a União, Adalberto será o feliz proprietário de 800 mil reais “limpinhos” e sem ter passado um único dia em cana. Mesmo dizendo abertamente que o dinheiro não é seu e que este pertencia a uma alta figura do PT, ele afirma que jamais revelará o seu nome e quer o dinheiro porque “ele merece”.

Pois é. O Brasil é mesmo uma terra maravilhosa…

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica.

Pesquisa Vox Populi: Roriz na frente no Distrito Federal – Agnelo com chances

19/05/2010

O Instituto Vox Populi divulgou pesquisa de intenção de voto referente à corrida para o governo do Distrito Federal. A pesquisa foi encomendada pela Rede Bandeirantes e realizada recentemente, tendo 4 pontos percentuais de margem de erro para mais ou para menos.

Vamos aos resultados:

Joaquim Roriz (PSC) – 42%

Agnelo Queiroz (PT) – 32%

Maria Abadia (PSDB) – 6%

Rogério Rosso (PMDB) – 4%

Alberto Fraga (DEM) – 3%

Outros e indecisos – 13%

Joaquim Roriz lidera a corrida no Distrito Federal e, se vencer, será Governador pela quinta vez.

Acontece que todos os conhecidos escândalos distritais que tomaram as manchetes nacionais têm, segundo as investigações e os entendidos, as digitais de Roriz.

Sendo assim, parece que Agnelo Queiroz tem chances de vencer, já que pode explorar esse ponto fraco, embora também tenha sido de certa forma envolvido no caso do mensalão do Distrito Federal.

Diz-se que Agnelo sabia do esquema e não o denunciou às autoridades.

Dilma estará no palanque de Agnelo e tem receio de que algo novo sobre os esquemas surja e respingue no petista.

Serra não quer o apoio negativo de Joaquim Roriz e torce para que Maria Abadia queira ter, viabilize e fortaleça sua candidatura.

A política do DF ainda está em frangalhos.

Coluna do dia: Famílias, amigos e a conivência criminosa

10/05/2010

Por Arthurius Maximus*

O caso do Secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, é apenas mais um numa longa lista de supostos crimes cometidos por autoridades ligadas ao governo que parecem gozar de uma estranha conivência criminosa e de um apaziguamento quase banhado a Síndrome de Estocolmo por parte do governo Lula.

Diante das provas grotescamente esmagadoras, fornecidas pelo próprio acusado ao ser apanhado em claro tráfico de influência ao solicitar a liberação de dólares apreendidos ($160.000,00) com um grupo de familiares da Deputada Estadual Haifa Madi (PDT-SP), e que eram levados clandestinamente para Dubai, Tuma Jr. e seu assessor “moveram mundos” para tentar relaxar o flagrante e reverter a prisão, mas o delegado responsável pelo caso foi irredutível.

Como encarregado de combater justamente a remessa ilegal de dinheiro para o exterior e a lavagem de dinheiro aqui, Tuma Jr. agiu com toda sua influência (e não só nesse caso) para liberar criminosos e as quantias que desejavam enviar para fora do País ilegalmente.

Além disso, a pueril alegação de que o contrabandista condenado Paulo Li é “seu amigo” e “todos podem ter amigos” chega às raias do absurdo. Afinal de contas, o encarregado nacional pelo combate à pirataria e à lavagem de dinheiro não pode ter, como amigo ou mesmo conhecido, um criminoso condenado exatamente por pirataria, contrabando, evasão fiscal e lavagem de dinheiro. Que dirá atuar diretamente para que ações da Polícia Federal contra esse suposto amigo malogrem.

Exatamente como no caso Sarney, que teve seu filho indiciado pela PF, o governo Lula compactua com a impunidade e com a corrupção ao não afastar imediatamente tal elemento. Sequer cabe a alegação de presunção de inocência, uma vez que as gravações da Polícia Federal são explícitas e trazem o próprio Tuma Jr. exercendo “sua amizade” para amenizar “dores de cabeça” de diversas pessoas pegas “com a boca na botija”.

Mesmo que legalmente devamos aguardar o julgamento final para pronunciar as palavras “corrupto” e “bandido”, eticamente esse senhor não tem mais qualquer justificativa para permanecer em seu cargo que não seja um “rabo preso” de alguém. Mesmo que a presunção de inocência domine a cena nacional (e é bom que assim seja), o correto seria que ele fosse afastado para que possa defender-se plenamente sem os claros prejuízos para sua atividade no governo.

Ao declarar que “se forem verdadeiras” as denúncias, Tuma Jr. deve ser punido, Lula “chove no molhado” e joga para o eleitorado menos atento na tentativa de enganar a população ao dar a entender que nada pode fazer sobre o caso. Assim como no episódio Sarney, a opção é pelos “panos quentes” e pela inação silenciosa até que a “maré baixe” e o assunto seja esquecido ou “exploda de uma vez”. Na primeira hipótese nada se faz e continua tudo como antes e na segunda atua-se “moralizando” a Secretaria demitindo Tuma Jr.

No entanto, fica cada vez mais difícil entender essa predileção pela falta de escrúpulos, a total falta de pulso e a apatia crônica diante de subordinados que se corrompem ou estejam envolvidos em denúncias gravíssimas (ainda mais ocupantes de postos-chave) e capazes de provocar enormes prejuízos ao erário público e a toda a nação brasileira.

Infelizmente, para a grande massa, essa conivência passa quase invisível e fica ainda mais camuflada pela ignorância política e pela nebulosidade ética que envolve não só o governo como a nossa própria sociedade.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Mais escândalos rodeiam a política do Distrito Federal: MP pede inelegibilidade de Roriz até 2018

15/04/2010

Informa a Folha:

“O Ministério Público do Distrito Federal quer que o ex-governador Joaquim Roriz (PSC), líder das pesquisas para o governo do DF, fique inelegível até 2018 por usar influência política para sacar R$ 2,2 milhões sem ser rastreado.

O pedido é um desdobramento da operação Aquarela, em que a Polícia Civil do DF investigou um suposto esquema de desvio de dinheiro do BRB (Banco Regional de Brasília).

Na ação, a Promotoria quer que Roriz perca qualquer cargo público que tiver, caso ele já tenha sido eleito na data da sentença.

O Ministério Público pede também que Roriz banque o prejuízo de R$ 223 mil que o BRB sofreu com a transação, e pague o dobro como multa, totalizando R$ 669 mil.”

O caso de José Roberto Arruda surgiu e causou um furacão na política distrital. A reeleição do ex-Governador foi por água abaixo, diversos partidos e políticos foram envolvidos nas denúncias e até hoje ainda se cogita a intervenção federal na região.

Arruda, até há pouco tempo encarcerado, encontrou sua morte política, pelo menos no que tange cargos majoritários, e passou a não ser mais adversário.

Com isso, despontaram como favoritos ao governo do Distrito Federal o petista Agnelo Queiroz e o ex-Governador Joaquim Roriz, agora no PSC, que comandou a capital federal por diversas vezes.

Acontece que Agnelo acabou sendo arrastado para o olho do furacão: Foi revelado que ele tinha conhecimento dos esquemas empreendidos pelo governo de Arruda e não os denunciou.

Roriz passou a reinar absoluto nas pesquisas, embora sempre tenha tido seus próprios problemas com escândalos, além de ser apontado sucessivas vezes como responsável pelo início das práticas corruptas dentro da máquina administrativa distrital, que teriam apenas sido mantidas por Arruda.

Pois bem. Agora surge mais esse fato envolvendo Roriz.

Ainda não sabe como repercutirá, mas já se tem a comprovação de que os dias de envolvimento com notícias negativas do ex-Governador ainda não ficaram no passado.

Portanto, abre-se um vácuo na política do Distrito Federal. Há espaço para novos nomes, não maculados pelos escândalos recentes.

Por um lado, isso pode trazer nomes idôneos. Por outro, pode incentivar a participação de aventureitos.

Contudo, no fim das contas, o mais provável é que não se dê nem um, nem outro.

Velhos conhecidos da população, porém com menos cacife político, provavelmente tentarão se aproveitar do momento, sob um figurino de moralidade e ética, mas trazendo mais do mesmo.

Infelizmente.

Análise geral: Governo do Distrito Federal – 10 candidatos se inscrevem para eleição indireta

08/04/2010

O Governo do Distrito Federal, como qualquer pessoa que acompanha a política nacional sabe, sofreu diversos baques.

Teve-se o escândalo de corrupção do Governador José Roberto Arruda, o período em que este tentou segurar-se no poder, a prisão deste, a instabilidade do Vice Paulo Octávio no cargo, a renúncia de Paulo Octávio…

…A posse do Presidente da Câmara Wilson Lima, que se tornou Presidente após afastamento do Presidente Leonardo Prudente, e o constante risco de intervenção federal no estado, sob a alegação consideravelmente sensata de que todas as instâncias de poder estavam conectadas de alguma forma ao escândalo maior.

Pois bem. Tentando ainda evitar a intervenção, as autoridades do Distrito Federal, que hoje têm suas legitimidades em frangalhos, decidiram levar a cabo uma eleição indireta, feita pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, apontada como essencialmente envolvida, em sua maioria, no escândalo.

Diversos deputados já foram afastados de seus cargos pela Justiça e a eleição se dará com um colégio eleitoral reduzido. Percebe-se, desde já, que a autoridade governamental daquele que for eleito indiretamente para comandar o Distrito Federal será questionada. Será um mandato tampão na essência da palavra.

De qualquer forma, já está decidido que a eleição ocorrerá, até porque, na realidade, qualquer pessoa que assumir o governo distrital, seja por qualquer via, terá dificuldade para ter legitimidade, autoridade e alguma gestão. No fundo, o jogo político distrital implodiu. Espera-se que ele seja remanejado nas eleições de outubro, mas na verdade não se tem certeza.

No fim das contas, começaram os acordos e negociações para as chapas que seriam formadas para as eleições indiretas. Todos os postulantes queriam encabeçar chapas e tentavam, de alguma forma, convencer alguns adversários a abrirem mão de suas candidaturas em seu favor.

Ocorre que o que aconteceu era mais do que previsto: Quem era procurado para abrir mão de uma candidatura em prol de alguém perguntava porque esse alguém não abria mão em seu favor.

Depois de muitos acordos, nem todos sendo passíveis de confissão à luz do dia, chegou-se ao número de 10 inscritos.

Isso mesmo! 10 inscritos!

Derrota total daqueles que pregavam que a fragmentação enfraqueceria mais ainda o Distrito Federal, facilitando uma intervenção da União.

PV, PC do B, PSDC, PR, PTB, PRB, PT, PRTB e PMDB, além de PSL e PTN em chapa conjunta, apresentaram candidatura nesta quarta, data-limite para os registros.

Todos devem estar pensando: Crise? Que crise? Intervenção? Que intervenção? Coalizão? Que mané coalizão! O que eu quero é aproveitar o vácuo de poder e alcançar o governo – e as verbas – do Distrito Federal!

Como diria a velha cantilena: Esse é o Brasil que vai pra frente!

Coluna do dia: Com quantas siglas se faz uma democracia?

04/04/2010

Por Tiago Franz*

Ouvi de um membro do Partido Progressista (PP) de minha cidade que a solução para o sistema partidário brasileiro é limitar o número de siglas a no máximo cinco ou seis. Instantes depois, o cara lembrou que seu partido está entre os três maiores do País. Na sequência, falou sobre a importância da fidelidade partidária e regozijou-se por nunca ter mudado de partido, mesmo reconhecendo que o PP passou por mudanças de nome e de postura desde o tempo em que era Arena, na época do bipartidarismo.

Para o tal progressista – e para muitos outros – o número de partidos políticos hoje legalizados no Brasil – são 27  – é a causa de grande parte dos problemas da nossa política. Promiscuidade na formação de alianças, ‘assassínio’ da ideologia, ‘troca-troca’ de partidos e negociação de cargos são alguns dos males mais citados.

O bipartidarismo era melhor?

Dois é pouco, 27 é demais, muitos acreditam.

E cinco ou seis seria bom?

Talvez. A quantidade de grêmios políticos não é o único fator na conjuntura toda.

Analisemos o seguinte cenário:

Cá em Santa Catarina, o PP conta com a pré-candidata líder em todas as pesquisas de intenção de voto para o governo do estado. Ela é a Deputada Estadual Angela Amin, esposa do ‘jurássico’ Esperidião Amin.

Entretanto, os progressistas catarinenses estão de mãos amarradas. Esta colocação nas pesquisas não é o suficiente para eleger a progressista. O próprio partido reconhece que sem um apoio significativo a candidatura não vinga.

Tudo dependerá do movimento das outras forças locais, que neste momento estão a mil em busca de definições.

Uma tríplice aliança entre DEM, PSDB e PMDB, formada no pleito ao governo catarinense de 2006, levou o PP a se coligar com o PT para disputar o segundo turno naquele ano. PP e PT juntos?! Sim.

Mas para quem tem memória curta ou já se acostumou com os vícios da nossa política, isso não significa nada demais. Enfim, as circunstâncias locais isolaram o PP e os Amin do restante da direita (se me permitem esta etiquetagem relativizada). Até mesmo o irmão gêmeo, filho da mesma Arena, o PFL, hoje rebatizado de Democratas, ficou do outro lado.

Para 2010, como em praticamente todo novo pleito, a coisa se redesenha, desta vez com traços mais tortuosos e indecisos. Santa Catarina é um dos estados de maior indefinição para as eleições vindouras.

O agora Governador Leonel Pavan (PSDB), que era Vice de Luiz Henrique da Silveira (PMDB) até poucos dias atrás, deixou de ser o potencial sucessor do governo para o próximo mandato ao protagonizar o último grande escândalo político da região.

Restou a ele assumir, nestes nove meses restantes, o governo que Luiz Henrique deixou para concorrer ao Senado. De uma forma ou de outra, a caneta passou ao fanfarrão. Porém, o cenário eleitoral virou um imbróglio.

Para embaralhar de vez a cena, o DEM resolveu sair do governo há poucos dias, sob a justificativa de obter maior liberdade para negociar novas alianças e preparar o terreno para a candidatura do Senador Raimundo Colombo a Governador.

Logo após a decisão, intensificou-se um namorico entre democratas e progressistas, que podem, quem sabe, reatar o ‘laço de parentesco’. E se a eles juntar-se o PSDB de Pavan, o que é provável que aconteça, estará formada uma outra tríplice aliança, que já existiu tempos atrás em Santa Catarina.

Assim, o PMDB de Luiz Henrique, que já escolheu Eduardo Pinho Moreira como seu pré-candidato, pode sobrar. A rivalidade local com o PP, que pelas origens do bipartidarismo até se explica, não permite que as siglas se unam. Para o PMDB local, aliar-se com o PT da senadora Ideli Salvatti, pré-candidata da sigla ao governo, também é difícil, mas não impossível. Afinal, em nível nacional, Lula já se uniu a Sarney, não é mesmo?

O que esta análise de Santa Catarina tem a ver com o assunto apresentado no início da coluna? A meu ver, o cenário descrito acima ilustra bem a realidade do nosso modelo partidário, em que a ideologia política e a história cedem espaço às conveniências eleitorais e circunstâncias de poder locais, num jogo com regras espaçosas e tantos jogadores quanto cartas no baralho.

E retomando agora a linha central, menciono um dito de um membro do DEM da minha cidade, que ao anunciar a decisão do seu partido de insistir na candidatura de Colombo ao governo catarinense, defendeu que todas as siglas deveriam, sempre, lançar candidatura própria. Está correto? Teórica e utopicamente sim.

Mas aí eu pergunto:

Se a grande maioria dos brasileiros, conforme aponta pesquisa recente do Datafolha, não sabe nem atribuir virtudes ou defeitos a Serra e a Dilma, que são os dois principais presidenciáveis, saberiam diferenciar 27 candidatos? E, com o perdão da obviedade – é claro que um democrata do interior de Santa Catarina não fala por todo o partido – porque então o DEM não tem candidato próprio à Presidência?

E o motivo de citar o DEM aqui é circunstancial. Incoerências semelhantes fazem parte dos demais partidos.

Reduzir o número de partidos representa uma ameaça à democracia? O que mudaria quanto à representatividade? Os tais males do nosso sistema partidário seriam mesmo reduzidos com menos partidos? Não ficariam as novas agremiações repletas dos mesmos parasitas que hoje infestam a nossa política?

Não discordo totalmente da ideia de diminuir o número de siglas, mas também não estou convencido de que tal reforma, por si só, pode efetivamente melhorar o País. O problema é bem mais embaixo.

Enquanto isso, vejamos como se comportam as siglas no salão.

Quem vai tiram quem pra dançar neste baile?

*Tiago Franz é jornalista, colunista do Perspectiva Política aos domingos e escreve no Twitter em @tiagofranz

Wilson Lima suspende contratos com empresas suspeitas no DF

01/03/2010

Informa o Blog de Ricardo Noblat:

“O governador interino do Distrito Federal (DF), Wilson Lima, enviou ofício à Secretaria de Fazenda de Brasília determinando a suspensão de pagamentos em contratos firmados com empresas citadas no inquérito que apura o chamado mensalão do DEM.

Segundo ele, a medida se faz necessária até que o caso seja totalmente esclarecido.

Lima também se reuniu no incio da noite com a presidente do Tribunal de Contas do Distrito Federal, Anilcéia Machado.

A ela entregou ofício comunicando a suspensão dos pagamentos e pedindo prioridade nas auditorias feitas pelo órgão de controle nas contas do governo de Brasília.”

Boas e elogiáveis medidas.

Admito que ao tomar conhecimento dessas informações até passei a cogitar a possibilidade de Wilson Lima conseguir, surpreendentemente, auxiliar na melhoria da situação de crise do Distrito Federal.

Tomara que não se trate apenas de atitudes “para inglês ver”.

Paulo Octávio se desfilia do DEM e renuncia ao cargo de Governador

23/02/2010

Informa o Globo:

“Sem apoio interno e ameaçado e por um processo de impeachment , o governador interino do Distrito Federal (DF), Paulo Octávio, enviou no fim da tarde desta terça-feira à Câmara Legislativa do DF carta de renúncia ao cargo. Mais cedo, ele anunciou sua desfiliação do DEM , para evitar a expulsão do partido.

Paulo Octávio está há 12 dias no cargo, em substituição ao governador licenciado, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), preso na PF por obstrução da apuração de investigação de um suposto esquema de pagamento de propina, no escândalo que ficou conhecido como o mensalão do DEM de Brasília .

Na carta, o governador em exercício diz que permanecer no cargo em circunstâncias excepcionais ‘exigiria a criação de condições também excepcionais’. Sem o apoio do DEM, a situação ficou ainda mais complicada. Paulo Octávio afirmou que não tem receio das denúncias e que, com seu gesto, pretende ‘oferecer às forças políticas a oportunidade de restabelecer seu poder’.

Com a saída de Paulo Octávio, quem assume é o presidente da Câmara do DF, Wilson Lima (PR), aliado de Arruda, que não estava presente no momento da leitura da carta em plenário. “

Aconteceu o que já era esperado por qualquer um que analisasse friamente a a soma da falta de apoio político e de credibilidade de Paulo Octávio com os processos de impeachment, denúncias e manifestações contrárias que este enfrentava.

Agora resta observar o que fará Wilson Lima com o cargo que caiu em seu colo. Por também estar envolvido de certa forma com o escândalo, já que era aliado próximo de Arruda antes de todo o ocorrido, ele também enfrentará contestações e problemas de difícil solução.

Parece que a previsão legal de que o governo de um estado ou do Distrito Federal pode ir parar, seguindo a linha sucessória, nas mãos do Presidente do Tribunal de Justiça local é o que está retardando o crescimento da defesa da tese de intervenção federal.

Existe forte possibilidade de o Presidente do TJ-DF terminar como Governador do DF, coordenando um governo técnico com um mandato-tampão.

A ver.

Paulo Octávio novamente inclinado a renunciar: Intervenção parece mais próxima e Arruda se deprime

22/02/2010

Depois de ter decidido renunciar por falta de apoio político, respaldo, credibilidade e autoridade, o Governador em exercício do Distrito Federal, o Vice Paulo Octávio, desistiu de desistir.

Resolveu ficar, tentar mais um pouco, dar tempo ao tempo.

Aparentemente percebeu, agora, que nada adiantará, que não há clima para sua permanência, que há dúvida sobre sua legitimidade, que seu poder de fogo está reduzidíssimo.

Estaria desistindo da desistência de desistir.

Enquanto isso, a intervenção federal parece cada vez mais próxima, já que a Justiça tem subido o tom.

Nos bastidores, já aconselham a Lula indicar um jurista, alguém que pudesse tocar o barco do Distrito Federal com braços técnicos, e não políticos.

O cenário parece ser esse, mas é claro que tudo pode mudar novamente. O mar pode virar.

A instabilidade é grande, como em toda crise política grave.

Mulheres e crianças primeiro.

Muitos desses já deixaram a embarcação…

…Que nada em um mar diferente daquele formado pelas lágrimas de um José Roberto Arruda deprimido e emotivo, que chora na carceragem da Polícia Federal.