Por Bruno Medina*
“A ocupação de terras não soma aliados”
Foi o que disse João Pedro Stedile, em entrevista ao jornal Zero Hora de quarta-feira (27), por ocasião de sua participação no Fórum Social Mundial, que ocorre no Rio Grande do Sul durante esta semana. Segundo ele, hoje não importa mais invadir uma propriedade privada (CF, art. 5º, XXII, XXIII e XXIV e CP, art. 161, II), pois isso não resulta em apoio político – o que prova que o estado de legalidade em que vivemos nunca foi motivo de preocupação para o MST, já que não é o fato de as invasões contrariarem a lei que os faz repensar suas estratégias.
Stedile ressaltou também que a antipatia demonstrada pela opinião pública em pesquisas acerca das “ações” do MST é manipulada pela imprensa, que os crimes cometidos por integrantes da entidade são na verdade perpetrados por “pessoas infiltradas”, que têm como objetivo desmoralizar a organização, e que o MST, atualmente, passa por um momento de reflexão, com a intenção de reforçar as alianças políticas na luta contra seu o novo inimigo: O modelo de desenvolvimento econômico adotado pelo Brasil.
O manda-chuva do MST mudou o discurso. E não passa disso. Sabe-se que a intenção mesmo é negociar, barganhar politicamente. Se a próxima Administração Federal não os chatear e liberar recursos para que se mantenham financeiramente, ficarão quietinhos e não serão objeto do noticiário nacional. Caso contrário, a primeira iniciativa será invadir uma propriedade privada (produtiva, é claro, para não perder o costume). Serra, se eleito, terá fortes enxaquecas.
E por falar em PSDB, esta semana tomei conhecimento do “MST tucano”. Sim, alguns tucanos e alguns Sem Terra chegaram a um acordo e formaram uma parceria. Em reportagem da revista Época dessa semana, a repórter Mariana Sanches mostrou como se pode “virar Sem Terra” e conseguir uma vaga em faculdade privadas paulistas.
É simples: Com uma foto 3×4 e R$ 1,00 de entrada, qualquer pessoa consegue uma carteirinha de “membro” do Movimento. Basta se dirigir até a ATST (Associação dos Trabalhadores Sem Terra de São Paulo) mais próxima e requerer a inscrição. Depois, para a manutenção no quadro de associados, é necessário o pagamento de uma taxa de R$ 84,00.
Assim, o sujeito consegue descontos de até 65% nas mensalidades de faculdades privadas de São Paulo que sejam parceiras da ATST, que tem como objetivo ajudar o próximo a encontrar o “sentido da vida”, ajudando-o a comprar sua casa, entrar na faculdade, formar convênios (plano de saúde, seguro, etc) e algumas coisas mais.
Quem criou e dirige esse “grupo que ajuda o povo” foi e é o Deputado Estadual Marcos Zerbini (PSDB-SP). Pelo que apontou a reportagem, Zerbini é um homem que tem facilidade em reunir as massas. Já passou pelo PT e pelo PMDB. E hoje é considerado um “chama voto” pelos colegas tucanos, pois quem ele apóia se elege. Não o querem perder para nenhum outro partido.
Em sua companhia nessa “empreitada social” estão as instituições de ensino e a Igreja Católica (cuidando dos fracos e oprimidos…). Os novos membros devem comparecer a algumas sessões com os dirigentes da entidade, que sempre a iniciam com o pai-nosso e a ave-maria (provavelmente para agradecerem ao “bom Deus” que os ajudou a conseguir o desconto nas mensalidades dos cursos).
Temos aí mais um exemplo de como o MST engorda o quadro de associados, para, posteriormente, informar às ONGs simpatizantes à “causa”, que por sua vez informam ao governo federal. Então, este se encarrega de repassar os recursos financeiros para a criação dos assentamentos em terras improdutivas, bem como contribuir para a manutenção e persistência da “luta pela terra”.
Vê-se que o MST tenta, altera o discurso, mas não consegue abandonar os velhos hábitos.
*Bruno Medina escreve no Perspectiva Política às sextas










