Postagens com a palavra-chave ‘Ensino Técnico’

2ª Coluna do dia: Universidade em pauta

01/11/2009

Por Jessica Riegg*

Olá caros leitores, este é o meu primeiro post em tão conceituado blog. Li e acompanhei durante muito tempo todos os outros colunistas e os admiro muito.

Começo falando sobre o sistema de entrada dos jovens nas faculdades. Em especial o sistema de cotas raciais. Ele varia de instituição para instituição, podendo oferecer um percentual de nota de corte menor para os alunos negros ou separar vagas para serem preenchidas por eles.

Agora me pergunto, os negros possuem uma capacidade intelectual menor que os brancos para necessitarem dessa ajuda? Ora, mas é claro que não, vocês me responderão.

Justamente por esse motivo digo-lhes que sou contra esse sistema. Primeiro, porque os negros não são uma raça, o que existe é a raça humana e ela é única. Segundo, porque isso acentua a discriminação racial, coisa que não é proposta do projeto, pelo contrário. Terceiro, porque essa não é a melhor maneira de diminuir as diferenças sociais.

Concordo que essa talvez seja a maneira mais fácil de o governo melhorar as estatísticas do padrão educacional do País. Mas nem sempre a maneira mais fácil é a mais correta.

O que está acontecendo com projetos como as Cotas Raciais, as Cotas Sociais e programas como o PROUNI é “tapar o sol com a peneira”. Isto é, tentar melhorar uma coisa que por sua essência já não está tão boa assim.

O ideal seria investir em escolas, principalmente na educação pública básica, para dar oportunidades iguais a todos. Todos têm direito de receber uma educação de qualidade para conseguir concorrer de igual para igual.

Claro que há exceções de alunos de escolas públicas que se matam de estudar para passar no vestibular de uma universidade federal, mas isso não é justo. Eles devem receber o mesmo nível de educação.

Além disso, não podemos esquecer-nos dos cursos técnicos. Eles são uma ótima oportunidade para quem deseja ter uma garantia de renda. Pense bem, se você fosse reformar a sua casa desejaria ter um profissional qualificado mesmo que para isso tivesse que pagar mais por seu serviço.

Além de pedreiros faltam bons marceneiros, padeiros, bombeiros hidráulicos, eletricistas e a lista vai longe. Se o governo incentivasse e investisse em escolas técnicas que formassem esses profissionais, ele garantiria uma renda fixa para uma parcela da população e diminuiria o desemprego. Isso reduziria a disparidade social.

Essa é a maneira mais difícil, demorada e cara. Contudo, é a correta.

Será que os governantes estão dispostos a investir tamanha quantia de dinheiro para resultados em longo prazo e que não serão vistos no período do governo?

Essa é a pergunta que fica.

*Jessica Riegg é colunista do Perspectiva Política aos domingos

Gilmar Mendes nega liminar contra cotas raciais pedida pelo DEM, mas as critica

03/08/2009

Informa O Globo:

“O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, negou uma liminar para a suspensão do sistema de cota racial no vestibular da Universidade de Brasília (UnB), por considerar que não existe urgência na análise do tema, proposta em uma ação de inconstitucionalidade apresentada pelo DEM. No entanto, no despacho, Gilmar afirmou que o assunto é de ’suma importância para o fortalecimento da democracia’ e teceu argumentos que questionam a legitimidade da reserva de cotas para negros e pardos como forma de combater a discriminação e a exclusão.

O ministro argumenta a favor da necessidade de políticas públicas que favoreçam a igualdade. Mas põe em dúvida o critério racial e o uso de reserva de vagas no lugar de outras ações afirmativas.

‘Não podemos deixar que o combate ao preconceito e à discriminação em razão da cor de pele, fundamental para a construção de uma verdadeira democracia, reforce crenças perversas do racismo e divida nossa sociedade em dois polos antagônicos: brancos e não brancos ou negros e não negros’, concluiu Gilmar, na decisão.”

Pelo fato de a decisão de Gilmar Mendes se tratar mais de uma análise material do que de conteúdo, não há muito o que comentar. O Ministro decidiu levando em conta a falta de urgência do tema, e não, a argumentação do Democratas em si.

Sobre a liminar e a sua fundamentação, este blogueiro entende que o posicionamento do DEM, ou seja, contrário às cotas raciais, é correto se for, e apenas neste caso, combinado com a defesa da implantação de um percentual razoável de cotas sociais.

O que quero dizer é que sou contrário às cotas raciais, porém, favorável às cotas que levam em consideração critérios de renda. Quanto à porcentagem de vagas reservadas, acredito que 25% seja um bom valor.

Já explicitei, aqui neste blog, todo meu posicionamento sobre o tema. Por se tratar de momento oportuno, o prolato novamente, para que seja de conhecimento dos leitores:

As cotas são, hoje, direcionadas a pessoas oriundas de escolas públicas ou que se declaram negras ou pardas. Na realidade, as cotas são atestados claros de que o poder público admite totalmente que os negros, os pardos e os estudantes de escolas públicas brasileiros não podem competir de igual para igual com os estudantes que não pertencem a essas categorias. E isso, claro, é um absurdo.

O que eu quero dizer é que, antes mesmo que discutamos as cotas, devemos ter em mente que elas não deveriam existir. Existem pela conjuntura que temos, mas devem ser temporárias, tampões, que servem para improvisar enquanto o país, infelizmente, não dá oportunidades iguais para todos. Enfim, antes mesmo que falemos de cotas, devemos saber que elas existem pois o Estado brasileiro não cumpre seu papel que é fornecer educação de qualidade, desde a educação infantil até o ensino médio, para todos os brasileiros.

Já que temos de conviver com essa triste realidade e que os legisladores tentam encontrar uma solução que sirva para um momento mais imediato, as cotas entram na baila. Aqueles que, claramente, não têm condições de ter acesso às universidades públicas por força da falta de conhecimento que é causada pela incompetência do Estado, ganham dele o direito de competir apenas entre si, como se fosse um tipo de compensação.

Bom, no fim das contas vem a pergunta fatídica: As cotas são boas ou ruins? Minha resposta é que elas são ruins, péssimas, porém, necessárias. Ressalto, porém, que elas, embora necessárias, não devem ter o modelo que está sendo adotado. Este, nem mesmo atendendo a uma necessidade inegável, seria defendido por mim.

As cotas são necessárias pois os indivíduos que não tiveram a chance de usufruir de uma boa educação pública não podem ser punidos por algo que não causaram. Ao mesmo tempo, aqueles que puderam estudar e adquirir conhecimento são punidos, pois a competição entre eles se torna muito mais acirrada sem as vagas que são reservadas para os cotistas. São culpados os que estudaram? Não ! São culpados os cotistas? Também não !

Em suma, acredito que as cotas devam continuar, mas não dentro do modelo que está sendo aplicado hoje. As cotas deveriam reservar um número menor de vagas, acredito que 50% do total seja demais, além de terem como critério a renda das pessoas e não a cor ou o fato de terem estudado em escolas públicas. Afinal, muitos brancos não podem pagar uma universidade particular que tenha um ensino de qualidade próxima ao da maioria das universidades públicas, afinal, estas têm, normalmente, mensalidades bem salgadas.

Além disso,  não utilizando o critério de renda e sim o de cor, as cotas não atingem seu objetivo principal que é o de incluir os que não podem competir em igualdade de condições pelas vagas do vestibular mas que ao mesmo tempo têm direito de usufruir do ensino superior público. Isso ocorre pois em muitas cidades do país existem milhares de brancos nestas condições, que são excluídos pelo sistema atual. Todos eles também vítimas da educação ruim provida pelo poder público.

Resumindo, as cotas são ruins, tentam incluir mas ao mesmo tempo discriminam, já que, como dito antes, servem para assumir que os brasileiros mais necessitados não estão tendo uma educação digna. O ideal seria, sem dúvida nenhuma, que todos tivessem educaçao básica de qualidade, fosse em uma escola pública ou em uma escola privada. Assim, a competição pelas vagas do vestibular seria mais justa. Porém, já que a conjuntura atual nos obriga a tentar equilibrar uma disputa injusta, que as cotas sejam revistas, que tentem compensar a incompetência do poder público em prover educação de qualidade e não pedir desculpas por um racismo velado que existe no país. Embora eu acredite que os negros mereçam mais respeito, não acredito que seja correto jogar a educação no mesmo balaio e muitos negros, inclusive, concordariam comigo. Existem negros que podem, por meios próprios, ter educação de qualidade, enquanto existem brancos miseráveis. Os negros necessitados, pelo sistema de renda, seriam atingidos pelos benefícios das cotas do mesmo jeito. Ainda assim, defendo que os percentuais sejam reduzidos. O que o país deve fazer é lutar para promover a igualdade de condições na base. É criar cursos profissionalizantes e escolas técnicas de ensino pós-médio para que os que não podem fazer faculdade se qualifiquem de alguma forma e possam, quem sabe, dar uma educação melhor aos seus filhos. Reservar metade das vagas de uma instituição para alunos que muitas vezes, infelizmente, não conseguem acompanhar o ritmo dos estudos universitários, não é a solução mais aconselhável.

Que todos os que desejarem tenham seu direito ao ensino superior de qualidade e gratuito assegurado. Afinal, pagam-se os impostos. Porém, o equilíbrio de condições deve ser feito de forma que, ao mesmo tempo que proporciona oportunidade, tem um modelo que atinge o seu real público-alvo e que não prejudica os que já tinham chances.

Embora eu não seja defensor ferrenho das cotas, admito que elas são, em certa medida, necessárias pela situação que temos no país. Mas não podemos nunca esquecer que o objetivo deve ser melhorar a educação. A cota deve ser a exceção, o recurso que foi necessário em um momento histórico e não a compensação porca eterna.

A quantas anda nosso ensino médio?

17/12/2008

“Ensino médio precisa dobrar recursos”

É aqui que se situa o que deveria ser o real foco do debate sobre a educação brasileira. A reportagem referendada acima, do Estadão, reflete qual é a necessidade crucial do ensino tupiniquim.

O sistema de cotas, talvez por sua natureza polêmica, muitas vezes toma a frente, porém, a realidade é que o que deve ser discutido é a qualidade da educação brasileira, o tipo de prestação educacional que o Estado brasileiro nos dá em troca de nossos impostos, enfim, o que realmente causa a necessidade de existirem cotas.

Se o ensino público brasileiro fosse universal e de boa qualidade, todos teriam condições de competir em pé de igualdade pelas vagas nas universidades públicas, sendo assim, nenhuma polêmica sobre sistemas de cotas seria necessária já que as próprias cotas seriam injustificadas e sem motivo.

Como já defendido por mim na postagem “O que dizer sobre as cotas?”, o país precisa é promover a igualdade de condições na base e não tentar compensar as desigualdades no meio do caminho. Embora as cotas sejam, hoje, necessárias, seu modelo deve ser revisto e elas devem ser encaradas como tampões, meramente temporárias, improvisando uma solução para um problema que deve ser resolvido de outra forma. E esta forma é justamente a melhoria dos ensinos fundamental e médio.

Relembro que devem ser criados cursos profissionalizantes e escolas técnicas de ensino pós-médio para que os que não podem fazer faculdade se qualifiquem de alguma forma e possam, quem sabe, dar uma educação melhor aos seus filhos.

Por fim, ressalto que não basta aumentar os recursos para a educação, especificamente para o ensino médio, onde a situação é mais periclitante. É também de suma importância que haja a fiscalização do uso desses recursos, para que não ocorram desvios, essas máculas bem conhecidas por nós que contaminam todos os investimentos públicos brasileiros.

Além disso, após a devida fiscalização e a correta destinação dos recursos, o Estado deve, de alguma forma, observar a aplicação desses recursos na prática, para verificar se estão sendo utilizados de modo adequado, de forma a potencializar seus benefícios, sem desperdícios, e fomentar o que há de melhor em cada região, escola, ou até mesmo, aluno.

O que dizer sobre as cotas?

23/11/2008

Antes de entrar no assunto principal desta postagem, gostaria de explicar o porquê de ser dela e fazer alguns agradecimentos. Este texto falará sobre as cotas universitárias e não iria existir se não fosse pelo pedido do leitor Leone. E é justamente por isso que gostaria de fazer alguns agradecimentos. Eu queria aproveitar esse ensejo para agradecer não só ao Leone, mas a todos os leitores assíduos, como o Varella, a Caroline e o Leo, que têm seus nomes conhecidos por mim por comentarem constantemente. Aos que lêem o blog com frequência mas não comentam, meus agradecimentos também, embora não possam ser direcionados nominalmente. Os agradecimentos estão sendo feitos nessa postagem exatamente pelo fato de que ela não existiria sem o leitor Leone. Ele pediu que eu explicitasse minha opinião sobre as cotas universitárias e o farei justamente por esse feedback importante que ele me deu. Enfim, agradeço aos que me incentivam, aos que elogiam o blog, aos que fazem críticas construtivas, enfim, a todos que me dão esse tipo de retorno, tão importante para a relação entre o blogueiro e seus leitores. Nesse caso específico do Leone, ele me mostrou a demanda pelo assunto que será tratado hoje, me ajudando a descobrir o que vocês, leitores, podem estar querendo ler.

Dito isso, vamos ao que interessa, ou seja, tratar sobre tema tão polêmico e complexo como as cotas universitárias.

As cotas são, hoje, direcionadas a pessoas oriundas de escolas públicas ou que se declaram negras ou pardas. Na realidade, as cotas são atestados claros de que o poder público admite totalmente que os negros, os pardos e os estudantes de escolas públicas brasileiros não podem competir de igual para igual com os estudantes que não pertencem a essas categorias. E isso, claro, é um absurdo.

O que eu quero dizer é que, antes mesmo que discutamos as cotas, devemos ter em mente que elas não deveriam existir. Existem pela conjuntura que temos, mas devem ser temporárias, tampões, que servem para improvisar enquanto o país, infelizmente, não dá oportunidades iguais para todos. Enfim, antes mesmo que falemos de cotas, devemos saber que elas existem pois o Estado brasileiro não cumpre seu papel que é fornecer educação de qualidade, desde a educação infantil até o ensino médio, para todos os brasileiros.

Já que temos de conviver com essa triste realidade e que os legisladores tentam encontrar uma solução que sirva para um momento mais imediato, as cotas entram na baila. Aqueles que, claramente, não têm condições de ter acesso às universidades públicas por força da falta de conhecimento que é causada pela incompetência do Estado, ganham dele o direito de competir apenas entre si, como se fosse um tipo de compensação.

Bom, no fim das contas vem a pergunta fatídica: As cotas são boas ou ruins? Minha resposta é que elas são ruins, péssimas, porém, necessárias. Ressalto, porém, que elas, embora necessárias, não devem ter o modelo que está sendo adotado. Este, nem mesmo atendendo a uma necessidade inegável, seria defendido por mim.

As cotas são necessárias pois os indivíduos que não tiveram a chance de usufruir de uma boa educação pública não podem ser punidos por algo que não causaram. Ao mesmo tempo, aqueles que puderam estudar e adquirir conhecimento são punidos, pois a competição entre eles se torna muito mais acirrada sem as vagas que são reservadas para os cotistas. São culpados os que estudaram? Não ! São culpados os cotistas? Também não !

Em suma, acredito que as cotas devam continuar, mas não dentro do modelo que está sendo aplicado hoje. As cotas deveriam reservar um número menor de vagas, acredito que 50% do total seja demais, além de terem como critério a renda das pessoas e não a cor ou o fato de terem estudado em escolas públicas. Afinal, muitos brancos não podem pagar uma universidade particular que tenha um ensino de qualidade próxima ao da maioria das universidades públicas, afinal, estas têm, normalmente, mensalidades bem salgadas.

Além disso,  não utilizando o critério de renda e sim o de cor, as cotas não atingem seu objetivo principal que é o de incluir os que não podem competir em igualdade de condições pelas vagas do vestibular mas que ao mesmo tempo têm direito de usufruir do ensino superior público. Isso ocorre pois em muitas cidades do país existem milhares de brancos nestas condições, que são excluídos pelo sistema atual. Todos eles também vítimas da educação ruim provida pelo poder público.

Resumindo, as cotas são ruins, tentam incluir mas ao mesmo tempo discriminam, já que, como dito antes, servem para assumir que os brasileiros mais necessitados não estão tendo uma educação digna. O ideal seria, sem dúvida nenhuma, que todos tivessem educaçao básica de qualidade, fosse em uma escola pública ou em uma escola privada. Assim, a competição pelas vagas do vestibular seria mais justa. Porém, já que a conjuntura atual nos obriga a tentar equilibrar uma disputa injusta, que as cotas sejam revistas, que tentem compensar a incompetência do poder público em prover educação de qualidade e não pedir desculpas por um racismo velado que existe no país. Embora eu acredite que os negros mereçam mais respeito, não acredito que seja correto jogar a educação no mesmo balaio e muitos negros, inclusive, concordariam comigo. Existem negros que podem, por meios próprios, ter educação de qualidade, enquanto existem brancos miseráveis. Os negros necessitados, pelo sistema de renda, seriam atingidos pelos benefícios das cotas do mesmo jeito. Ainda assim, defendo que os percentuais sejam reduzidos. O que o país deve fazer é lutar para promover a igualdade de condições na base. É criar cursos profissionalizantes e escolas técnicas de ensino pós-médio para que os que não podem fazer faculdade se qualifiquem de alguma forma e possam, quem sabe, dar uma educação melhor aos seus filhos. Reservar metade das vagas de uma instituição para alunos que muitas vezes, infelizmente, não conseguem acompanhar o ritmo dos estudos universitários, não é a solução mais aconselhável.

Que todos os que desejarem tenham seu direito ao ensino superior de qualidade e gratuito assegurado. Afinal, pagam-se os impostos. Porém, o equilíbrio de condições deve ser feito de forma que, ao mesmo tempo que proporciona oportunidade, tem um modelo que atinge o seu real público-alvo e que não prejudica os que já tinham chances.

Embora eu não seja defensor ferrenho das cotas, admito que elas são, em certa medida, necessárias pela situação que temos no país. Mas não podemos nunca esquecer que o objetivo deve ser melhorar a educação. A cota deve ser a exceção, o recurso que foi necessário em um momento histórico e não a compensação porca eterna.