Por Jessica Riegg*
Nesta semana, presidiários dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Paraná, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Amazonas, Rondônia, Espírito Santo, Amapá, Distrito Federal e Minas Gerais puderam fazer a prova do Enem.
Doze mil presos em trezentas e trinta unidades prisionais realizaram a prova que teve suas questões modificadas, mas que manteve o nível de dificuldade. Antigamente os presos já podiam fazer o Enem, mas tinham que ser deslocados para os locais de prova definidos pelo MEC. Além de poderem prestar vestibular, os detentos podem fazer faculdade desde que a justiça assim o permita.
Enfim, até os detentos notaram que a educação pode modificar um país e a realidade deles. Eles desejam um futuro melhor a ser iniciado assim que cumprirem a sua pena. Muitos deles desejam voltar a ter uma completa cidadania, com direito a saúde, lazer, alimentação, educação e liberdade.
Esses presos mostram que com a persistência, podem alcançar o que almejam, mudar as suas histórias.
Atualmente, o governo incentiva o poder privado a aceitar esses ex-detentos, dando uma segunda chance para essas pessoas que já cumpriram a sua pena. O que é muito justo, pensando no fato de que se a justiça acredita que aquele tempo é necessário, e o mesmo já foi cumprido, o indivíduo já fez a sua parte e pagou por seus atos.
O governo pede, mas não faz quase nada concreto para que tudo isso aconteça. Afinal, permitir que o detento possa sair da prisão, não garante que ele terá oportunidades suficientes de terminar o curso universitário. O que deveria ser feito, e há muito tempo já é necessário, é uma reforma penitenciária. É necessário que o País modifique o modo com que trata esses presos, aumente a quantidade de presídios para que eles tenham uma vida ao menos digna nesses locais e aumente o policiamento.
Mas esses três aspectos implicam em muitas outras coisas. A primeira de todas é que este ano é ano de eleição e por isso o Presidente não pode começar nenhum projeto novo. Outro aspecto relevante é que seriam necessários ser gastos bilhões com novos presídios, coisa que o governo não deseja atualmente. E aumentar o policiamento implica em aumentar o gasto com esse setor, primeiramente pelo contingente e em segundo lugar porque seria necessário treinar esse efetivo e, principalmente, aumentar os salários destes vigilantes.
O pagamento destinado a esses policiais é muito baixo, o que os desanima a exercer função tão perigosa. Além disso, o número de policiais corruptos é tão alto porque é mais fácil ganhar dinheiro sendo desonesto e fechando os olhos para as irregularidades do que arriscando suas vidas enfrentando bandidos perigosos.
Obrigar os presidiários a exercerem uma profissão dentro dos presídios ao invés de pensar em fugas ajudaria-os a crescer, e ainda renderia um bom dinheiro para esses locais. Manteria-os ocupados! Produzir roupas, ou artigos em madeira por exemplo, são soluções já adotadas em outros países que resolveriam alguns desses problemas.
Mas essa reforma teria que ser feita em conjunto, e já, para evitar que episódios como o do Carandiru se repitam diariamente na nossa frente, e nos obriguem a colocar grades em nossas janelas…
*Jessica Riegg é colunista do Perspectiva aos domingos e escreve diariamente no Twitter em @jessicariegg










