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Coluna do dia: Eleições em Honduras – O Brasil parece querer o juízo final

30/11/2009

Por Arthurius Maximus*

A política externa brasileira vem sendo criticada por mim, e por inúmeros outros articulistas, faz tempo. Subserviência a Chávez, apoio a toda sorte de ditadores e genocidas africanos, esmolas em profusão para nossos vizinhos que, ao invés de trabalharem pela melhora de seus países, ficam chafurdados no velho discurso de que a culpa de sua pobreza é do “Imperialismo Tupiniquim” e não de seus governos preguiçosos e de uma população acostumada ao populismo e ao assistencialismo.

A posição do Brasil frente às eleições hondurenhas deste domingo é mais um ponto de vergonha na política externa do governo Lula. A canhestra operação de acobertamento envolvendo a tomada da embaixada brasileira em Tegucigalpa pelas “legiões” de Zelaya e a sua transformação em palanque político (contra todas as leis internacionais) pelo velho caudilho hondurenho, não foram suficientemente capazes de fazer ver a Lula e ao Itamaraty a burrada em que o Brasil se meteu.

Além de abdicar do importante papel de mediador e de agente da normalidade política, aumentando o seu poder de influência na região e levando uma imagem de país preparado para lidar com crises além da sua própria fronteira, o Brasil, embalado pela subserviência a Chávez, tomou o pior partido possível e acabou se prestando ao papel de marionete de Zelaya e do venezuelano.

Honduras vivia a quase normalidade política e todas as partes compactuaram com um acordo firmado pelo Presidente da Costa Rica, que reconduziria o país para a normalidade democrática. Mas o retorno de Zelaya ao país e o seu abrigo em nossa embaixada serviram para lançar a nação hondurenha à beira de uma guerra civil e da instabilidade institucional. Tudo porque o Brasil deixou que Zelaya acessasse rádios, canais de televisão e a imprensa internacional através da nossa embaixada e conclamasse os seus seguidores a se revoltarem.

Como sempre vimos nas transmissões ao vivo, as passeatas sempre eram de poucas centenas de pessoas. Contudo, a balbúrdia e a insegurança criadas por elas levaram o país para a beira de um colapso social e de uma luta fratricida.

Como ficou claro depois, Zelaya nunca quis negociar. Seu intuito era mesmo criar confusão e ser reconduzido “nos braços do povo” para o palácio presidencial (do qual foi retirado legalmente ao violar a Constituição de Honduras). Ao perceber que isso não aconteceria, pelo simples fato de que a maioria da população de seu país estava contra ele, a única alternativa era impedir as eleições. Com a ajuda do Brasil, Zelaya e Chávez tentaram de tudo. Mas, com o apoio dos EUA e de quase toda a comunidade das Américas para a realização das eleições e o reconhecimento de que isso encerrava a crise de uma vez por todas, Zelaya viu a sua posição esvaziar-se e até os membros de seu próprio partido participaram das eleições.

O resultado não pode ser mais expressivo do pensamento do povo hondurenho: Tanto o partido de Zelaya quanto o de Micheletti foram derrotados nas eleições. Isso demonstra claramente que o povo hondurenho está farto do populista de chapéu de vaqueiro e do incompetente que não soube explicar à comunidade internacional o acontecido.

As eleições colocaram um fim nessa longa pantomima mal interpretada e cheia de atores de terceira categoria. Mas, insatisfeito com seu papel ridículo, o Brasil se uniu às “forças do avanço” (Venezuela e Equador) e se recusará a reconhecer o vencedor das eleições hondurenhas como Presidente eleito legítimo.

O que querem o Itamaraty e o governo Lula? Um banho de sangue? A convulsão social em Honduras? Uma guerra civil?

Tudo isso para satisfazer Hugo Chávez e um obscuro caudilho centro-americano que só nos deu dores de cabeça. Além disso, ao invés de reduzir os danos, ao ser derrotado miseravelmente em seu apoio a Zelaya, o Brasil assumirá a posição equivocada de esperar que Papai Noel restitua o poder a ele.

O mais estranho é que Zelaya, ao ter sua proposta de negociação submetida à Suprema Corte Hondurenha, ainda foi condenado por traição. Portanto, se deixar a embaixada brasileira, ao invés do palácio presidencial, vai para a cadeia.

E o Brasil corre o risco de ficar com o “mico internacional” do ano ao apoiar a realização do Juízo Final e de uma guerra civil como única forma viável para reempossar um Presidente que desejava “apenas” eternizar-se no poder e violar a sua própria Constituição.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

O impasse hondurenho: Há solução?

15/10/2009

Como todos sabem, e este blog já informou exaustivamente, Manuel Zelaya, Presidente deposto hondurenho, retornou a Honduras e se abrigou na embaixada brasileira.

De dentro da embaixada, embora não possa, em tese, fazer política nas instalações brasileiras, Zelaya negocia com os atuais governantes hondurenhos e requer sua restituição ao poder.

Roberto Micheletti, sucessor constitucional de Zelaya que foi empossado após a deposição deste, é o atual Presidente de Honduras. Ele defende que Zelaya não seja restituído de forma alguma e está dado o impasse.

Zelaya afirma ser o Presidente de direito, o que faria de Micheletti apenas o Presidente de fato. Micheletti defende que Zelaya perdeu seu mandato, como prevê a Constituição hondurenha, por ter tentado perverter a ordem constitucional através da aprovação de um referendo ilegal que visava autorizar uma reforma que traria a possibilidade de reeleição.

O cabo de guerra continua e o Brasil, historicamente ligado ao pacifismo, está no meio da contenda. Mediadores tentam agir, órgãos internacionais enviam representantes e nada. O impasse continua.

Nada mais justo do que surgir a questão: Há solução?

Respondo a vocês: Há.

A solução está nas eleições.

Um novo Presidente eleito democraticamente, tendo participado de uma eleição que respeitou todos os preceitos constitucionais hondurenhos, terá legitimidade para ser visto como o líder hondurenho a ser obedecido e respeitado.

Nem Zelaya, nem Micheletti. Um terceiro, eleito pelo povo, que pode advir tanto das bases de Micheletti, como da base de Zelaya, cabendo aos hondurenhos decidir sobre isso.

Neste momento, perguntarão: Mas então é simples.

Não, não é.

Zelaya exige sua restituição e diz que as novas eleições legitimariam o suposto golpe que sofreu, afinal, trariam um novo Presidente que teria sido eleito sob uma ordem que ele entende como arbitrária.

Os outros países, que poderiam auxiliar na resolução do impasse, ficam em dúvida. Não sabem ao certo se defendem Zelaya ou o plano de novas eleições.

Erram, portanto. Visto que o impasse é insolúvel e que as eleições são a única saída possível. Micheletti, inclusive, já aceitou renunciar em favor das eleições.

Mas Zelaya afirma que apenas com sua restituição poderão ocorrer eleições reconhecidas internacionalmente e transparentes.

E quem acredita nele? O precedente que abriu ao tentar alterar a Constituição hondurenha não ajuda em nada no que diz respeito à confiança que se tem nas suas promessas. Quem garante que, uma vez no poder, Zelaya realizaria as eleições?

O que não me parece utilizado por Micheletti é o argumento de que os zelayistas poderão participar da eleição. Ora, se é assim, o grupo de Zelaya retornará ao poder se for da vontade do povo.

Será que Zelaya teme que o povo hondurenho não queira seu grupo no poder? Será que acredita que o zelayista postulante ao cargo de Presidente perderia?

Talvez isso explique o impasse. Zelaya, como todo bom bolivariano, não sabe o que é apoiar um sucessor.

Se Zelaya argumenta que o povo o quer de volta no poder, bastaria que ele apoiasse um sucessor nas eleições para que o povo o elegesse com votação maciça.

Se há o temor da derrota, o amor dos hondurenhos por Zelaya não deve ser tão grande assim.

Micheletti diz que Zelaya é boneco de Chávez e que não violará embaixada

03/10/2009

O Presidente de Honduras, Roberto Micheletti, afirmou a deputados brasileiros, que viajaram ao seu país para acompanhar a situação de crise, que não violará a embaixada brasileira.

Micheletti concedeu, recentemente, entrevista publicada na revista Veja. A entrevista é recheada de declarações polêmicas. Entre elas, a de que Zelaya é um “boneco de Chávez”.

O blog de Ricardo Noblat reproduziu a entrevista na íntegra, clicando aqui, você pode acessá-la. Vale a pena conferir as afirmações de um personagem que vem gerando diversas controvérsias ao redor do mundo, sendo visto por uns como mocinho e por outros como bandido.

Micheletti diz que “esquerdismo” de Zelaya influenciou deposição

30/09/2009

Informa a Folha:

“O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, afirmou nesta quarta-feira que o fato de Manuel Zelaya, um rico proprietário de terras, ter se tornado ‘esquerdista’ depois de chegar ao governo foi um dos motivos para que fosse deposto, quando tentava mudar a Constituição de uma forma considerada ilegal pela Suprema Corte.

‘Tiramos Zelaya por seu esquerdismo e corrupção. Ele foi presidente, liberal, como eu. Mas se tornou amigo de Daniel Ortega, [Hugo] Chávez, [Rafael] Correa, Evo Morales’, declarou Micheletti, referindo-se aos presidentes de Nicarágua, Venezuela, Equador e Bolívia, respectivamente.

Em entrevista ao jornal argentino ‘Clarín’, Micheletti, ex-presidente do Congresso elevado à Presidência há três meses após a deposição de Zelaya, disse que a posição do presidente deposto ‘preocupou’ as autoridades do país, porque ele ’se tornou esquerdista’ e convidou ‘comunistas’ para compor seu governo.

Indagado sobre a necessidade de promover reformas e mudanças sociais em um país pobre como Honduras –o que é reivindicado por Zelaya– Micheletti comentou que ‘pode haver reformas, inclusive constitucionais’, mas desde que não afetem três pontos: ‘território, forma de governo e reeleição’.

Ele reconheceu, entretanto, que a forma como foi feita a deposição talvez não tenha sido a melhor maneira de punir os crimes atribuídos a Zelaya.

‘Nosso único erro foi tirá-lo [do poder] como tiramos. De resto, atuamos conforme a lei. Ele violava a Constituição ao buscar uma Constituinte para uma reeleição. Se o tivéssemos prendido e deixássemos aqui, teríamos mortos’, argumentou Micheletti”.

Na minha modesta opinião, o Presidente hondurenho, Roberto Micheletti, acerta ao dizer que, à exceção do modo com que Zelaya foi retirado de Honduras, o governo atual agiu em conformidade com a lei hondurenha, ao contrário do que fez Zelaya quando ainda Presidente.

Acontece que este modo foi equivocado demais, absurdo, ilegítimo, o que gerou a vitimização de Zelaya que, se por um lado está muito mais errado do que o governo atual no que tange arroubos, por outro, não merecia de forma alguma ser retirado de sua casa de pijamas e deportado de seu país como ocorreu.

Pois bem. Dito isso, é preciso recriminar Micheletti. Como sempre digo, e repito, o Perspectiva elogia o que é digno de elogios e critica o que é merecedor de críticas, simples assim, sem comprometimentos prévios ou inidoneidades, cumprindo seu compromisso de independência assumido com o leitor.

Micheletti não pode, de forma alguma, achar que acerta ao dizer que o fato de Zelaya ser “esquerdista” justifica sua retirada do poder. Isto não está correto sob nenhuma visão, nenhum ponto de vista.

Zelaya foi retirado do poder, de forma equivocada, é verdade, mas devidamente na essência, por ter perdido o mandato de Presidente e cometido crime previsto pela Constituição hondurenha.

Ao tentar se perpetuar no poder e acabar com a alternância de poder, buscando instalar uma possibilidade de reeleição que, todos sabem, visava favorecer a ele mesmo, Zelaya infringiu preceitos constitucionais hondurenhos que preveem que, feito isto, o Presidente perde seu posto.

Porém, isso nada tem a ver com Zelaya ser “esquerdista”. Se Micheletti comemora a deposição de Zelaya não só por ele ter ido contra a legalidade e pela Constituição prever que a deposição é a punição neste caso, mas, também, por ele ser de esquerda e aliado de Hugo Chávez, peço licença para aqui para agravá-lo.

Zelaya errou em suas atitudes. Suas ideologias nada têm a ver com isso. Poderia ele ser esquerdista, direitista, centrista ou, até mesmo, adepto de uma ideologia marciana desconhecida ou de uma seita política diabólica.

Caiu Zelaya pelo que fez, não pelo que pensa. Foi retirado do poder de forma condenável, sim, mas não indevidamente.

E Micheletti não pode achar que justo é que um Presidente perca o cargo por seus posicionamentos ideológicos, afinal, eleito fora.

Zelaya errou por empreender algo que, em Honduras, é crime punido com perda de mandato. Pura e simplesmente por isso.

Micheletti, que não é golpista por se tratar, sim, do sucessor constitucional, erra, agora, por justificar a queda de Zelaya utilizando-se de critérios ideológicos.

Zelaya já não é por mim estimado. Micheletti agora cai em meu conceito.

Precisa o Brasil fazer cessar o uso político da embaixada brasileira por Zelaya, retirá-lo posteriormente de Honduras, mesmo que para isso seja necessário oferecer asilo em solo brasileiro, e construir condições para as eleições que, tomara, trarão Presidente para Honduras que se comporte melhor que Zelaya e, também, que Micheletti.

Zelaya convoca resistência contra governo hondurenho

29/09/2009

Informa a Folha:

“O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, convocou nesta terça-feira a resistência contra o governo interino de Honduras, depois do fechamento de uma rádio e de uma TV ligadas à oposição, em uma entrevista coletiva concedida na embaixada do Brasil em Tegucigalpa e cobrou da comunidade internacional medidas mais enérgicas contra o governo liderado por Roberto Micheletti desde sua deposição, há três meses.

‘Chamo a resistência às ruas para que exija que os meios de comunicação fechados voltem a funcionar’, afirmou Zelaya na entrevista coletiva que concedeu dentro da embaixada brasileira, onde permanece abrigado desde de seu regresso clandestino ao país, há uma semana. Ele continua a usar o local para mobilizar seus seguidores, apesar de reclamações do governo interino e de pedidos de autoridades diplomáticas brasileiras para que ele contivesse declarações que pudessem aumentar a tensão.”

Você aí está pensando que Manuel Zelaya está incitando os seus simpatizantes hondurenhos diretamente da embaixada brasileira?

Não, meu caro. O que é isso. É impressão sua.

Ora! Me digam que o fechamento dos meios de comunicação foi uma medida equivocada. Aceito.

Mas não me digam que Zelaya não faz uso político, e “gato e sapato,” da embaixada brasileira.

Parece que o governo brasileiro disse para Zelaya o slogan de uma famosa loja de departamentos no que tange sua estadia na embaixada:

Abuse e use!

Caso Zelaya: O desenrolar dos fatos

29/09/2009

O Perspectiva Política tem acompanhado de perto o caso do Presidente deposto em Honduras, Manuel Zelaya. Se antes, quando apenas a deposição de Zelaya tinha acontecido, o tema já era discutido fortemente no Brasil, inclusive nos blogs políticos como o Perspectiva, imaginem agora que Zelaya está de volta a Honduras, hospedado na embaixada do Brasil.

Sendo assim, por mais que o caso já tenha sido comentado diversas vezes por este blogueiro, nada diferente do acompanhamento do desenrolar dos fatos concernentes a este caso poderia ser feito.

Por ocasião da chegada de Zelaya à embaixada brasileira, este blogueiro declarou que não é muito fácil acreditar que este poderia arriscar dirigir-se à embaixada brasileira e receber um não como resposta, estando assim passível de ser preso pelas autoridades hondurenhas. Portanto, acredito que o governo brasileiro tinha conhecimento da manobra.

Mas e se não tinha? Bom, se o governo brasileiro não conhecia os planos de Zelaya e muito menos sua intenção de se abrigar na embaixada brasileira, podemos afirmar que Hugo Chávez, confesso articulador do retorno de Zelaya a Honduras, armou um estratagema que fez o Brasil de bobo.

Ora, se acreditarmos que o governo brasileiro só veio a saber da intenção de Zelaya de se dirigir à embaixada brasileira meia hora antes de ele chegar ao local, como afirma o nosso Ministro Celso Amorim, seremos obrigados a crer que Chávez previu que o Brasil não iria negar abrigo a Zelaya, colocando a batata quente em nossas mãos e se aproveitando do fato de o Brasil ter certo prestígio internacional, além de um histórico de pacifismo, para que estes servissem ao bolivarianismo.

Digamos que Chávez tenha apostado no posicionamento favorável brasileiro, e não, conversado com Lula. Que suponhamos isso. Pois bem. Chávez jogou bem: Se tudo desse certo, o Brasil seria usado pelo bolivarianismo. Se desse errado, a embaixada venezuelana receberia Zelaya e pronto.

Fim das contas, seja o Brasil cúmplice ou bobo da corte, a situação não orgulha. Se o governo brasileiro compactuou, errou. Se foi manipulado, também errou.

Alguns dirão: Ora, mas se o governo brasileiro não sabia de nada, o que poderia fazer? Seria certo negar o abrigo?

Respondo: Não. Não seria certo. O abrigo foi correto se fizermos a suposição de que o Brasil nada sabia. Deixar Zelaya usar nossa embaixada como base de operações políticas não é. O governo brasileiro, se aceitasse o ingresso de Zelaya na embaixada sem ter sido cúmplice do plano e o mantivesse quieto, estaria correto. Aí sim.

Permitindo que Zelaya faça comícios, discuta alianças, acolha militantes e incite os hondurenhos, o Brasil erra em qualquer hipótese. Com cumplicidade ou sem cumplicidade. Com manipulação ou sem manipulação.

Enfim, voltemos ao desenrolar dos fatos:

O Ministro Celso Amorim afirmou, recentemente, que o Brasil recusou um pedido de Zelaya que consistia no seguinte: O Presidente deposto desejava que o nosso País fornecesse um avião para que ele retornasse a Honduras.

O que Amorim fala pode ser verdade? Pode. Se for, o Brasil fez bem em recusar. Se não for, Amorim usa de artifício condenável para mascarar as reais intenções dos seus comandados na coordenação das relações exteriores nacionais: Uma mentira que o coloca como moço direito.

Amorim diz também que se o Brasil negasse o abrigo a Zelaya, este morreria. Não defendo que o abrigo deveria ter sido negado, mas dizer que Zelaya morreria ou que se esconderia nas montanhas, como também afirma Amorim, é exagero. A embaixada chavista o acolheria.

Enquanto Amorim vai dando declarações nubladas por suspeitas e desconfianças, o Brasil vai, cada vez mais, se imiscuindo nos assuntos internos hondurenhos e, portanto, se comportando, sob o comando de Lula, como um país  imperialista. Que ironia!

Analisemos também o posicionamento do Brasil no que tange o governo hondurenho:

Diz o nosso País não reconhecê-lo. Ora, se não o faz, porque mantém lá uma embaixada? Esta pergunta ficará sem resposta, aposto.

Outro ponto importante é a possibilidade de Honduras romper relações diplomáticas com o Brasil e, portanto, eliminar a inviolabilidade da nossa embaixada, possibilitando a captura de Zelaya.

O Presidente Micheletti disse ao Brasil que este deveria declarar qual a situação jurídica de Zelaya enquanto residente na embaixada brasileira.

O governo brasileiro rechaçou a inquisição, disse não aceitar pressão, disse não reconhecer o governo. Mas a embaixada continua lá, com prerrogativas diplomáticas.

Percebam: O Brasil responde a Honduras, tentando evitar que a inviolabilidade da embaixada seja retirada, afirmando que o governo do país não é reconhecido pelo governo brasileiro. Ora, mas se assim é, não há porque a embaixada não ser desativada.

Faça-se um acordo com o governo hondurenho, retire-se Zelaya por via aérea da embaixada, encaminhe-se o Presidente deposto para um país que deseje o acolher, a Venezuela de preferência, e desative-se a embaixada, já que o governo entende o seu correspondente hondurenho atual como ilegítimo.

Seria a melhor opção, com certeza.

Enquanto essa decisão correta não é tomada, o Brasil exige que Zelaya diminua o número de aliados na embaixada e, também, o tom das declarações políticas.

O blogueiro ri dessa ordem que só pode ser uma piada.

Zelaya não procurou asilo por estar sendo perseguido em seu território. Ao contrário, retornou a ele para retomar o poder e pediu abrigo ao Brasil justamente para se utilizar de nossa soberania em favor de seus propósitos políticos.

Se Zelaya se resguardar e se resignar, estará na embaixada para nada em sua própria visão. Está lá, justamente, para fazer política, e não, para se proteger.

Nesse meio tempo, o governo Micheletti declara que o estado de sítio, tão criticado pelos zelayistas, chavistas e afins, será revogado, destruindo um dos argumentos dos que chamam o atual governo hondurenho de ditadura golpista.

Por fim, a dúvida que foi citada por mim anteriormente e que continua pairando no ar é a seguinte:

Por que nosso País auxiliou a atitude que varreu qualquer sossego que houvesse em Honduras e que desautorizou o diálogo?

A dúvida é válida em qualquer caso, seja o nosso governo cúmplice ou não, afinal, o fato de o Brasil ser conivente com a panfletagem política de Zelaya feita de dentro da embaixada é evidente e inegável.

Quem descobrir a resposta para esta dúvida, como eu já disse, ganha um doce.

A entrega fica novamente por conta de Lula, Celso Amorim e, principalmente, Marco Aurélio Garcia.

Até Sarney critica uso político por Zelaya de embaixada brasileira

28/09/2009

Informa o blog do jornalista Ricardo Noblat:

“Do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), sobre a ocupação da embaixada brasileira em Teguciglapa, capital de Honduras:

- Eu acho que direito de asilo [ao presidente deposto Manuel Zelaya] o Brasil devia dar. Não podia deixar de dar (…) Mas o que está havendo agora, eu reconheço, é um certo exagero em ocupação da Embaixada, de transformar a Embaixada em um comitê político.

- Esse abuso não é bom nem para o Zelaya e para o Brasil. A Embaixada brasileira tem que zelar pelas leis que marcam o asilo e não se meter em assuntos internos dos países.”

Atenção Presidente Lula, Ministro Celso Amorim e Secretário Marco Aurélio Garcia:

Quando até mesmo um aliado político salvo de uma degola merecida pelo governo, como Sarney, reconhece que a estadia de Zelaya na embaixada brasileira em Honduras, permitida por esse governo, está sendo utilizada de modo indevido pelo Presidente deposto, é porque a coisa está escancarada.

Nem o mais hipócrita dos hipócritas consegue negar.

Que tal providências, meus senhores? Que tal perceber que Zelaya ignorou completamente a ordem de Lula para que a embaixada não fosse utilizada politicamente?

O entendimento brasileiro acerca da crise hondurenha nem entra na equação. Qualquer que seja ele, a utilização por Zelaya da embaixada brasileira como base de operações políticas é um desrespeito ao Brasil e às leis internacionais.

Como esse desrespeito é óbvio, a conclusão a que a população brasileira que acompanha o caso chega também é óbvia:

O governo não vê porque não quer. Ou melhor, finge que não vê.

O caso Zelaya: Perspectiva comenta

23/09/2009

Como vocês já devem saber, Manuel Zelaya, Presidente hondurenho deposto, está asilado na embaixada brasileira em Tegucigalpa, capital do país. Zelaya havia sido deportado e, tendo retornado a Honduras clandestinamente, encontrou abrigo no solo brasileiro da embaixada, que está cercado por solo hondurenho por todos os lados.

Pois bem. E o que este blogueiro que vos fala tem a dizer sobre isso? Por enquanto nada.

Vocês devem estar se perguntando: Por enquanto nada? Como assim?

Explico: O que acontece é que, antes de mais nada, eu gostaria de divagar a respeito dos motivos que fizeram Zelaya se dirigir à embaixada brasileira. Depois comentarei a estadia de Zelaya na embaixada em si.

Bom, então vamos lá. Por partes:

Primeiramente, alguém acredita que Zelaya poderia arriscar dirigir-se à embaixada brasileira e receber um não como resposta, estando assim passível de ser preso pelas autoridades hondurenhas?

Se alguém acredita que Zelaya foi para a embaixada brasileira sem a certeza de que seria acolhido, é ingênuo demais.

Obviamente, o pedido de Zelaya foi feito com antecedência e aceito.

É aí que se encontra o ponto crucial de meu comentário: O pedido de Zelaya foi aceito.

Muito antes de discutirmos o que deve ser feito agora e de criticarmos os comícios que Zelaya fez na sacada da embaixa brasileira, é importante que pensemos no seguinte: Por que o Brasil aceitou o pedido de Zelaya?

Alguns dirão: Ora, meu caro Bruno, o Brasil é um país democrático, não poderia negar este auxílio a alguém que alega perseguição política. Certo?

Errado!

Acompanhem meu raciocínio:

Embaixadas normalmente concedem asilos a pessoas que, encontrando-se perseguidas dentro de seu próprio país e temendo os atentados que podem ser feitos contra elas no período de tempo que seria dispendido por elas para que pudessem deixar o país, preferem recorrer ao solo estrangeiro presente dentro de seus países, as embaixadas, em busca de auxílio.

Países normalmente concedem asilos a pessoas que, tendo deixado seu próprio país por conta de perseguições políticas e temendo retornar a este ou tendo sido deportadas de seu país e sendo proibidas de retornar, recorrem a governos estrangeiros em busca de um local para residir e subsistir.

Pois bem. Perceberam a contradição? De qualquer forma a explicitarei:

Zelaya já havia deixado o solo hondurenho. Ele não se encontrava em perigo iminente. Sendo assim, se fosse para o Brasil conceder asilo a ele, que permitisse que ele viesse viver no Brasil, e não, que concordasse com seu plano de entrar infiltrado em Honduras e se utilizar da inviolabilidade da embaixada brasileira para não ser capturado pelas forças hondurenhas que, diga-se de passagem, dispõem de uma ordem de prisão contra ele.

Houve uma inversão. Zelaya veio do exterior para pedir asilo à embaixada.

Se Zelaya tivesse fugido do palácio governamental na noite em que veio a ser deportado antes da chegada dos militares e pedido asilo na embaixada brasileira, o caso seria totalmente diferente.

O Brasil concordou com um plano de Zelaya, não apenas concedeu a um perseguido um asilo político. É ridícula a alegação de que a embaixada brasileira foi surpreendida pela chegada de Zelaya e de seu chapéu em sua porta.

Autoridades brasileiras foram consultadas antes e concordaram em apoiar um plano que envolvia a entrada clandestina de Zelaya em Honduras.

Neste momento, alguns dirão: Mas Bruno, Zelaya é hondurenho, é direito dele retornar a Honduras.

Concordo. Em gênero, número e grau. Mas que isso fosse feito oficialmente. Que a diplomacia, com auxílio do Brasil se fosse o caso, conseguisse um retorno negociado de Zelaya e a garantia de que sua liberdade de ir e vir e sua vida não estariam em perigo após o retorno.

Isso era o certo a se fazer, e não, assentir em fazer parte do esquema esperto.

O gesto foi equivocado. Zelaya não deveria ter recebido o aval brasileiro desde o início. Agora, com o fato já consumado, nada mais pode ser feito a não ser proteger o hondurenho.

O Brasil não pode, e nem deve, expulsar Zelaya da embaixada, por mais que ele esteja utilizando o local para abrigar partidários que não precisam de asilo, para proferir discursos políticos e para incitar a população que lhe apóia, ainda que, empreedendo estes atos, Zelaya esteja, até mesmo, infringindo as regras de asilo brasileiras e causando indiretamente conflitos que geram mortos e feridos.

Está colocado o meu ponto de vista. O Brasil errou ao permitir que o plano fosse levado adiante. As autoridades brasileiras deveriam ter dito: “Não, não concordamos, façamos as coisas do modo correto, com diálogo”. Ao contrário, disseram: “Pode ir, o pessoal vai tomar um susto”.

Lula diz na ONU que Zelaya deveria voltar ao poder e que o ato que o retirou do mesmo configurou um golpe. Tudo bem. Os militares realmente se equivocaram muito no modo, embora, na minha opinião, não o tenham feito na essência, ou seja, Zelaya deveria mesmo ser retirado do poder por ter tentado se perpetuar nele e por isso configurar perda de mandato imediata de acordo com a Constituição hondurenha, porém, isso deveria ter sido feito dentro da lei e dos devidos trâmites, e não, por força das armas.

Mas retornemos a Lula. O que o fato de Zelaya dever voltar ao poder tem a ver com o fato de as autoridades brasileiras darem sua autorização para que Zelaya empreendesse seu plano?

Quem foi que disse que se uma coisa é devida, também é correto apoiar meios errôneos que visam perseguir esta coisa? Os fins não justificam os meios, meus caros.

Agora o Brasil paga o preço. Corre o risco de sair mal do episódio por ter se imiscuído em assuntos que dizem respeito à soberania de outra nação, podendo, até mesmo, se desgastar com os vizinhos de Honduras, perde a possibilidade de mediar as discussões entre Zelaya e o atual governo hondurenho por ter tomado partido de um dos lados e ainda assiste a Zelaya usando e abusando da hospitalidade brasileira, tendo este, inclusive, discursado aos seus partidários direto da embaixada.

Resumindo, a embaixada brasileira se transformou em base de operações de Zelaya, algo inimaginável. Celso Amorim afirma que o uso político da embaixada brasileira não irá ocorrer. Só pode estar dizendo isso motivado pelo fato de que o uso já ocorreu. Nesse caso, o uso não irá ser feito, no futuro, pois já está sendo feito, no presente.

Para fechar com chave de ouro, para não dizer o contrário, preciso lembrar a vocês que o Brasil, que nunca deu motivos para que Honduras lhe fosse hostil, foi obrigado a ver sua embaixada no país ter os fornecimentos de água e luz cortados, além das linhas de telefone.

Esta é a posição deste blogueiro que vos fala. O asilo concedido a Zelaya é correto, sem dúvida, mas ele só teria motivo para existir se Zelaya se encontrasse em solo hondurenho e estivesse sendo perseguido. Tendo Zelaya desenhado o plano de trocar um asilo no exterior por um asilo em uma embaixada dentro de Honduras, o Brasil não deveria ter anuído.

O asilo é correto, mas ter concordado com o plano que tornou o asilo necessário e permitir que a embaixada seja utilizada como base de operações política está muito longe de ser o certo.

Agora já está feito e cabe ao Brasil proteger o hondurenho, comportando-se diretamente como país democrático mas, ao mesmo tempo, indiretamente, como aliado do chavismo e benfeitor de um Presidente deposto que trouxe para si próprio todas as suas desventuras.

Até o momento, o plano só gerou insegurança, confusão e cadáveres hondurenhos. A pressão pela restituição de Zelaya no poder poderia, muito bem, ser feita sem o advento desta entrada clandestina dele no país.

A dúvida que fica pairando no ar é a seguinte:

Por que o Brasil deu seu aval para o plano de Zelaya? Por que nosso País auxiliou a atitude que varreu qualquer sossego que houvesse em Honduras e que desautorizou o diálogo?

Quem descobrir ganha um doce. A entrega fica por conta de Lula, Celso Amorim e, principalmente, Marco Aurélio Garcia.