Postagens com a palavra-chave ‘Eleições Americanas’

Coluna do dia: Marina Silva, mais mulher e mais negra que as outras

11/06/2010

Por Yashá Gallazzi*

Marina Silva é oficialmente candidata à Presidência da República. O que ela disse no seu primeiro discurso? Que o Brasil precisa votar nela para que a “primeira mulher negra” possa ser eleita Presidente. Essa é Marina. Quando ela fala, os clichês saem para dar uma voltinha…

Quem contratou os marqueteiros de Obama foi Dilma Rousseff, a ex-terrorista. Mas é Marina que pretende encarnar os panos do messias, aquele que foi ungido pelo altíssimo em razão de sua vida, sua história e – por que não? – de sua pele. Na guerra dos clichês eleitorais, a ex-seringueira se coloca, pois, um passo à frente de Dilma: a petista é “só” mulher. Marina é mulher e negra.

Eu sei que o consenso politicamente correto vai pegar no meu pé, mas não resisto: por que diabos o sexo e a cor de Marina deveriam ser levados em consideração pelo eleitor? Por que a eleição de uma “mulher negra” faria bem ao País? A verdade é que não faria. Esse desfile de clichês só ganha relevância aqui, onde a eleição ainda se arrasta num pântano de retórica apequenada e terceiro-mundista. A mesma retórica pobre que Obama, o messias negro, inaugurou na última eleição americana.

O Brasil, neste aspecto, tem um pouco mais de sorte que os Estados Unidos. Marina, a “nossa Obama”, não tem chances de vitória final. E isso é, sim, algo muito bom! O País já é refém há oito anos da mística trapaceira do “Presidente operário”, aquele que “nasceu de mãe analfabeta” para nos salvar. Tudo o que não precisamos agora é trocar uma lenda messiânica por outra. Sob Lula, tudo o que há de bom existe porque finalmente um “torneiro mecânico” chegou ao poder. Com Marina as conquistas seriam fruto da “mulher negra”, que venceu todos os preconceitos possíveis e imagináveis.

Sem falar que não haveria lugar no mundo para acomodar uma Marina Silva ex-Presidente. Se Lula, que não passa de um operário, já quer a ONU e a OMC, Marina, a “mulher negra” mereceria o quê? A canonização?

Fico surpreso por não ver os ditos “formadores de opinião” refutando essa retórica salvacionista e messiânica que Marina decidiu empregar. Lembram de Collor? Imaginem a gritaria que a “mídia” faria se ele dissesse que merece ser Presidente porque é mais bonito que os outros… Ou, tomando outro exemplo, imaginem como reagiriam se ele dissesse que o Brasil deveria elegê-lo por ser ele um autêntico “homem branco”. O mundo viria abaixo, não é mesmo? E com razão! A dúvida é: por que ele não desaba também sobre a “cabeça afrodescendente” de Marina?

Já estou me perguntando quanto tempo vai demorar para a moça apelar para o seu credo: “sofro preconceito por ser evangélica”, dirá. Aí a coisa vira nitroglicerina pura! Mulher, negra, evangélica e de origem pobre? Nem precisaríamos de eleição! Marina mereceria ser aclamada Presidente. Melhor: ela mereceria ser aclamada Santa!

E olhem que nem tratei do discurso salvacionista de campanha dela, arrimado nessa coisa um tanto vaga – porém extremamente bela e sedutora – chamada sustentabilidade. Além de ser “mulher e negra”, Marina ainda promete nos ensinar como acabar com a devastação ambiental e, quiçá, até sobre um tempinho para frear o tal do aquecimento global em si – coisa que o Cristo Obama não conseguiu fazer…

Sinceramente não entendo como esse apelo sexista de Marina poderia conseguir seduzir o chamado “progressismo”. Qualquer homem que tentasse fazer o discurso que ela faz seria tratado a pontapés. Por que essa condescendência com a “mulher negra”? Só porque é “mulher e negra”? Não! Pra mim, isso não passa de apelação barata e rasteira. E a regra é simples: apelou, perdeu.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Coluna do dia: Obama, a contagem regressiva começou

06/11/2009

Por Yashá Gallazzi*

obamanowecant

Parabéns pra você! Nesta data querida! Muitas felicidades! Muitos anos de vida!

Quem é o aniversariante? Ora, o Presidente-de-ébano, Hussein Obama! Na última quarta-feira, dia 4 de novembro, ele completou um ano de sua – como é mesmo? – “histórica” eleição. Ôpa, errei na letra da musiquinha. No caso de Obama o certo é terminar cantando: “Um só mandato de vida!”.

Sei que já disse isso no passado, mas não custa relembrar: Obama acabou! Está politicamente morto e enterrado. Eu e muitos outros agourentos, todos reacionários, conservadores, maus e bobos, estamos dizendo isso há meses. Na quarta-feira, os fatos vieram em nosso socorro, ajudando a confirmar nossas previsões.

No “Election day” desta semana, os Democratas foram arrasados pelos Republicanos, perdendo todas as disputas principais. Dois resultados são politicamente emblemáticos e simbolizam o fracasso pessoal de Obama, o Messias negro que pretendia ombrear com Kennedy, mas que passará à história como um novo Carter:

Na Virgínia, o candidato Republicano, Robert McDonnell, venceu o atual Governador Democrata, Creigh Deeds. Isso, há pouco mais de um ano atrás, sequer seria notícia, afinal a Virgínia sempre foi considerada um “red state”, ou seja, um estado com tendências Republicanas. Por que ganhou as manchetes? Bem, porque Obama venceu na Virgínia em 2008 e, em um de seus proféticos-ridículos discursos históricos – aqueles que fazem história antes mesmo de fazer… história! -, afirmou que “a mudança havia expugnado as barreiras conservadoras mais tradicionais, inclusive na Virgínia.”

Foi na esperança de manter a tal “mudança” na Virgínia que Obama participou da campanha local, chamando os eleitores a votar no Democrata, personalizando a disputa bem ao melhor estilo do caudilhismo terceiro-mundista. Obama quebrou a cara e os Republicanos venceram. E isso é bom! Bom, não: ótimo! Sempre que Obama perder, a democracia vence. Parabéns pra você!

Na eleição realizada em Nova Jersey, a derrota obamista foi ainda mais humilhante. Lá, o Cristo de Illinois foi às ruas, participou de comícios e gravou até programas de televisão. Tudo para defender a supremacia Democrata naquele estado, tradicionalmente eleitor dos “donkeys”.

Naquele terreno, a pequenez de Obama se superou, e ele agiu como Lula agira na eleição municipal de São Paulo, em 2008. Uma vez mais, tentou personalizar a disputa, transformando-a em uma espécie de referendo do seu primeiro ano de mandato. Em uma inserção publicitária, chegou a pedir que os eleitores dessem a ele, Obama, um voto de confiança. O que aconteceu? Bem, os Republicanos, com Christopher Christie, venceram os Democratas, representados por Jon Corzine – e por Obama. Obama quebrou novamente a cara. Parabéns pra você!

Onde os Democratas venceram? Bem, no pequeno distrito conhecido como NY 23, lá em Nova Yorque. Bem, não os Democratas propriamente, mas Bill Owens. A máquina Democrata e Obama, uma vez mais, perderam. A surpresa daquela eleição, porém, foi a sova sonora que a burocracia dos Republicanos tomou, a partir do surgimento de Doug Hoffman. Quem? Doug Hoffman! Não conhecem? Ora, nem brinquem com isso! O sujeito é simplesmente a maior estrela da política americana no momento.

A história do NY 23 daria uma novela. Começou com um racha dentro dos Republicanos, que escolheram uma candidata liberal – mais liberal que muito democrata – para concorrer pelo partido, preterindo o conservador Hoffman. Tudo para dar vida à ideia abespinhada que prega a ruptura do partido com os seus valores tradicionais e a aproximação do centro moderado. Em suma, escolheram alguém que, dentre outras coisas, era favorável ao casamento gay e ao aborto.

Só que Hoffman não se rendeu e decidiu entrar na disputa pelo pequeno Partido Conservador. E começou a crescer… E cresceu cada vez mais, a ponto de engolir a candidatura oficial dos Republicanos. A candidata oficial, emburrada, continuou fazendo campanha ao estilo Democrata até a véspera da eleição, quando se retirou da disputa e – atenção agora! – declarou apoio ao Democrata. Resumo da ópera: o Democrata venceu, o conservador Hoffman ficou em segundo – muito perto da vitória – e a Republicana, coitada, foi esmagada.

Qual a mensagem que a eleição em NY 23 – e nos Estados Unidos como um todo – nos deixa? Bem, que os Republicanos só estão recuperando terreno onde se comportam como… Republicanos! É até bastante lógico, não? Para defender o aborto e o casamento gay, o eleitor já tem os Democratas. Ele quer os Republicanos quando escolhe bandeiras diferentes daquelas. Por isso, em todos os lugares onde o GOP (Grand Old Party – Republicanos) assumiu sua posição conservadora e enfrentou a patacoada obamista, os Democratas se deram mal. Também por isso é que os Republicanos perderam no único lugar em que quiseram se disfarçar de progressistas.

Apesar da vitória do Democrata Owens em NY 23 – para um mandato-tampão, de cerca de um ano -, a derrota da máquina Democrata ancorada no discurso mudancista de Obama foi inegável. Até a CNN e o Times a reconheceram! Foi a péssima leitura do jogo feita pela burocracia do GOP que perdeu ao não escolher Hoffman, não os Democratas que venceram ao repetir a pífia tese do “Yes, we can!”. Aliás, nunca é demais lembrar que Obama não tomou parte na campanha de Owens, o que, analisados os demais resultados, parece ter contribuído demais para a vitória dele. Parabéns pra você!

Por que digo no título que a contagem regressiva começou? Bem, Obama perdeu seu primeiro grande teste eleitoral. E sua popularidade já se assemelha àquela do demônio aposentado, George W. Bush. Tudo isso há apenas um ano da eleição mística… E ano que vem, em novembro, teremos as eleições de “mid-term”, quando o Congresso será quase que todo renovado. Querem uma profecia? Lá vai: os Republicanos vão vencer e Obama perderá o controle do Legislativo. E, a partir de então, se arrastará vergonhosamente até o final do mantado, em 2012, quando será definitivamente defenestrado, tal qual um novo Carter mesmo.

Nessas horas me lembro dos inúmeros “intelectuais”, “especialistas” e “estudiosos” brasileiros que, tomados pela magia do sorriso brilhante de Obama, saudaram, há um ano, aquilo que seria o “fim dos valores tradicionais americanos”, o “soterramento da América profunda”, “a capitulação dos Republicanos e do seu conservadorismo”.

Essa gente me lembra os universitários dos anos 30, estudados por Claude Lévi-Strauss, falecido esta semana. São uma gente apequenada, que despreza os livros de referência e prefere os resumos. A curiosidade intelectual deles mais parece inquietação gastronômica. Ah, que falta o franco-belga me fará!

Ainda na esteira do que Lévi-Strauss ensinou, lembro o que ele respondeu quando perguntaram se ele se identificara com os índios brasileiros: “De jeito nenhum!” Por que isso? Bem, porque o primitivismo, o tal saber natural do “bom selvagem” simplesmente não tinha nada a ensinar ao saber tradicional, aquele dos livros e dos bancos de escola. Eu, quando me perguntaram se me seduzia a retórica obamista, sempre respondi: “De jeito nenhum!” Ponto pra mim! Os selvagem da intelectualidade, assim como os obamófilos do mundo, quebraram a cara. E quando essa gente se arrebenta, é sempre melhor para a democracia.

Parabéns pra você! Nesta data querida! Muitas felicidades! Um só mandato de vida!

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Sim, nós podemos

10/01/2009

Obama Lanchonete

“Obama quebra protocolo e almoça em lanchonete “

Ao ler a notícia acima, encontrei uma saudável surpresa. Que bom foi ler que Obama, quebrando o protocolo no bom sentido, ao contrário do que fazem alguns,  se alimentou junto ao povo que governará, como um igual.

Pode parecer algo bobo, ou até, pode parecer que este blogueiro que vos escreve endeusa Barack Obama, mas não é o caso. Acontece que o cansaço de ver os políticos vivendo em seus próprios mundinhos, longes dos problemas da vida do cidadão comum, distantes das mazelas, afastados de quem os elegeu, fica um pouco amenizado com uma notícia como essa.

Tomara que seja uma iniciativa que se repita, que Obama seja mesmo um divisor de águas no significado da palavra democracia. Quem dera todos os países pudessem ter líderes que, ao mesmo tempo que são competentes e honestos, tentam , na medida do possível, conhecer o cotidiano dos cidadãos que lideram.

Espero que Barack Obama prove que é mesmo diferente, tudo está ainda no começo. Porém, se ficar mesmo comprovada a simplicidade de Obama e sua vontade de estar, de vez em quando, entre o povo, entrando em filas, caminhando em ruas de calçadas lotadas, almoçando com populares, esperando sua vez na repartição pública, possa dar um exemplo sensacional a ser seguido.

Claro que existe a preocupação com a segurança, mas um Presidente que observa, de verdade, os dias e as histórias de vida de alguns e seus governados, dentro da sua possibilidade de tempo, não é uma utopia.

Nós podemos, um dia, ter um Presidente com esse tipo de comprometimento com o eleitor? Não só na retórica como na prática? Sim, nós podemos. Obama está perto de provar que assim o é.

Talvez um exemplo

06/01/2009

“Saída de nomeado para Comércio abre vaga no governo Obama”

O governador do Novo México, Bill Richardson, foi convidado por Obama para ocupar o Departamento de Comércio. Ele havia aceitado, porém,  veio a recusar o cargo por estar sendo alvo de investigações.

Um júri federal investiga o fato de uma companhia da Califórnia, que contribuiu com as atividades políticas de Richardson, ter ganho um contrato estatal no Novo México no valor de mais de US$ 1 bilhão. Graças a isso, o governador decidiu rejeitar a nomeação de Obama.

É obviamente impossível, para mim, saber se o governador do Novo México e culpado ou não. É também provável que ele tenha renunciado ao cargo por pressão dos democratas, afinal, não seria interessante para o governo Obama ter um membro envolvido em um escândalo, logo após os problemas com a venda da vaga de Obama no senado pelo governador Rod Blagojevich, do estado de Illinois.

Porém, é interessante observar que existe a possibilidade de o governador Bill Richardson ter renunciado ao cargo por livre e espontânea vontade, com o simples intuito de não atrapalhar o governo, não colocar em dúvida a idoneidade moral do mesmo e não atrasar os trabalhos do Departamento de Comércio, tão importante em tempos de crise. E é por essa possibilidade que resolvi comentar o tema.

Se por acaso o governador tiver mesmo renunciado por motivos nobres, e não por pressão partidária, e assim quero acreditar, é algo que deve servir de exemplo. É uma demonstração de comprometimento e desapego que dificilmente vemos no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo. São os casos de interesse pessoal acima de qualquer coisa que configuram a triste normalidade.

Resumindo, é bem provável que Richardson não tenha renunciado apenas por vontade própria, e sim, por motivos políticos, porém, se for verdade que Obama e sua equipe não exerceram nenhum tipo de pressão, o que embora não me convença muito através de um olhar racional, me faz torcer para que seja verdade pelo meu lado idealista, o governador é alguém a ser admirado.

Esperarei ansiosamente os resultados da investigação sobre Richardson. Pode ser que ele seja mesmo um corrupto, que foi pressionado pela equipe do futuro do governo e deixou o cargo pois provavelmente será condenado. Porém, pode ser também que ele tenha pensado primeiro na nação e depois nele mesmo, dando um ótimo exemplo, e querendo fazer parte da equipe apenas quando estiver acima de qualquer dúvida.

Torço para que Richardson tenha sido sincero quando disse que a investigação poderia levar semanas ou meses para ser concluída e ele não podia pedir a Obama que atrasasse os trabalhos no Departamento de Comércio em meio a uma grave crise econômica, embora acredite que a investigação mostrará que ele atuou de forma apropriada e que poderá trabalhar com Obama no futuro.

Tomara que Bill Richardson termine por confirmar a melhor das hipóteses e, sendo assim, que seja exemplo. Ficarei decepcionado se não o for.

Os desafios do Presidente Obama

05/11/2008

Obama

Obama é o novo presidente dos EUA. E agora? É verdade que a vitória do democrata representou a vitória de um sonho, a vitória de uma política mais solidária, mais aberta e mais comprometida com as pessoas, mas isso, infelizmente, não basta.

Barack Obama, se não mentiu, é um homem cheio de boas intenções, idealista, que tem como meta cumprir tudo o que prometeu, mas não será fácil. O novo presidente encontrará em suas mãos um país em crise, com milhares de pessoas perdendo suas casas e com aquelas que ainda possuem uma residência para morar, afogadas em dívidas. Além disso, caberá ao presidente guiar a nação rumo a uma solução para as guerras do Iraque e do Afeganistão. Tudo isso, em meio a duas batalhas, uma para reerguer a imagem americana no exterior e outra para sanear as finanças do governo.

A conjuntura atual dos EUA não é animadora, embora não seja, também, desesperadora. Se foi a má gestão de Bush, um dos motivos para que Obama vencesse, também será essa má gestão que o democrata sucederá, se Obama se prevaleceu eleitoralmente com a cronologia da crise econômica, também será ele que deverá colocar a economia americana novamente nos trilhos, ou seja, se Barack Obama ganhou a eleição prometendo consertar o que está errado, agora terá de efetivamente fazê-lo.

Em resumo, agora começa a parte mais difícil da jornada de Obama. O democrata é hoje um líder carismático, simbólico e com um enorme cacife político. Porém, será sua presidência que dirá se ele manterá esse status, quem sabe adicionando a seu currículo, o fato de ter sido um dos maiores presidentes americanos de todos os tempos.

Ontem, Barack Obama era um sensacional candidato, reconhecido apenas por ter chegado onde chegou sendo negro e filho de um queniano. Em 2009, Obama será o presidente, e seus atributos e conquistas apenas farão com que as cobranças sejam maiores ainda. O maior desafio de Obama não foi vencido quando a CNN anunciou sua vitória. O maior desafio de Obama será, como presidente, entregar na casa de cada americano, tudo o que ele lhe prometeu. Se não o fizer, a frustração será uma das maiores já vistas, será um fiasco. Se o fizer, estará, para sempre, consagrado como um estadista histórico.

Resultado da Enquete – Obama x McCain

05/11/2008

O blog Perspectiva Política disponibilizou uma enquete rápida, com a seguinte pergunta: “Em quem você vota para Presidente dos EUA?”

As opções eram, claro, Barack Obama e John McCain. E o intuito da enquete era averigüar a preferência de vocês, leitores do blog.

Sem mais delongas, está abaixo o resultado, que, por sinal, foi bem apertado, ao contrário da disputa americana no Colégio Eleitoral.

Barack Obama 60% x 40% John McCain

Yes, he can

05/11/2008

E venceu Barack Obama. Os Estados Unidos deram um bom exemplo e elegeram o democrata. Prevaleceu a esperança de mudança, prevaleceu a juventude renovadora, prevaleceu o sonho de jovem senador negro.

Fiquei feliz com o resultado das eleições americanas e explico meus motivos:

Barack Obama representa a chance de ocorrer uma guinada nos rumos da política mundial. Com a vitória dele aumentam as chances dos talentos políticos, daqueles que podem trazer o bem para o povo, vencerem as resistências de um mundo político fechado e controlado por grupos fortes e establishments.

Obama representa, obviamente, os negros. Sua vitória enfraquece o poder nocivo do racismo, seja contra os negros ou contra outras minorias.

Poucas vezes, os sonhos estiveram tão bem encarnados em uma campanha política, como na de Barack Obama. O democrata, com sua vitória, provou que sonhar não custa nada e que até o sonho de um negro de chegar à Casa Branca pode se tornar realidade.

Em suma, Obama é um símbolo, sua imagem tem uma conotação positiva enorme. É a vitória desse tipo de símbolo positivo que deve ser comemorada. Embora Obama tenha agora muitos desafios pela frente, sua vitória já constituiu um divisor de águas na história, já que, por mais que ele não seja um presidente excepcional, ficou provado que o homem mais poderoso do mundo pode chegar a este posto sendo julgado apenas por seus valores e não por sua cor.

Obama disse: “Yes, we can!” (Sim, nós podemos!). E hoje está provado que ele estava falando a verdade.

Previsão para hoje

04/11/2008

Apenas repito, de forma concisa, o que já foi dito por mim em outras postagens sobre o assunto:

Barack Obama será o novo presidente dos EUA.

Não provou ainda ser um bom administrador, não dá certeza nenhuma de que será um presidente que atenderá aos interesses do Brasil, porém, parece ser exatamente o que os EUA, e quiçá o mundo, precisam neste momento. O que o mundo parece precisar é de um líder solidário, que quebre barreiras, que pense nos mais pobres, que rompa tabus, em suma, que una. Os EUA, num momento histórico em que milhares perdem suas casas por mês, parecem precisar de um presidente responsável, corajoso e mais comprometido com as causas sociais e com as mudanças necessárias.

Comparando Obama e McCain, o primeiro tem um perfil muito mais alinhado com as necessidades citadas.

Enfim, digo e repito: Os democratas elegerão o novo presidente dos EUA.

Acompanharei, hoje, a apuração dos votos e os resultados em cada estado americano. Os meus comentários sobre esses tópicos virão, aqui para o blog, amanhã.

Barack Presidente

01/11/2008

As eleições americanas se aproximam cada vez mais. Barack Obama, por seu grande valor simbólico, é meu preferido. Acredito que a política mundial esteja precisando de algo assim. Já falei sobre isso, inclusive, aqui neste blog.

Porém, este post não tem o intuito de explicitar que o blogueiro que vos escrever apóia Obama. Esta postagem vislumbra fazer uma previsão sobre o resultado da disputa nos EUA.

Como a maioria dos jornais, sejam eles impressos ou online, já anunciaram as pesquisas de intenção de voto americanas e as previsões dos analistas, não tenho nenhuma justificativa inédita para a minha previsão, por isso, serei rápido e conciso ao fazer a mesma:

Barack Obama será o novo presidente da maior economia do mundo. Um negro, simbólico, ótimo orador, irá liderar a maior potência mundial. Podem conferir.

Em tempo, vale dizer que John McCain, embora vá perder, é um político muito mais capacitado que George Bush, que venceu. Duas vezes.

Liderança política, e de audiência

30/10/2008

Ontem, no post “Abuso do gratuito”, tratei aqui no blog, rapidamente, do horário comprado por Barack Obama na televisão americana. Para ser mais exato, os 30 minutos, parte do horário nobre, foram comprados em sete canais, sendo três, integrantes do grupo dos quatro maiores canais americanos.

Dito isso, lembro que, no post supracitado, não falei exatamente da minha opinião sobre a atitude da campanha de Obama. Na verdade, puxei uma linha de raciocínio para defender a valorização do horário político gratuito brasileiro, comparando nossa situação com os milhões pagos pela campanha de Obama.

Resolvi, hoje, assistir ao programa que ocupou os tais 30 minutos comprados pelos democratas, com o intuito de passar a vocês, leitores, minhas impressões.

E não é que eu gostei muito do programa? Achei extremamente bem feito, bem filmado, com a qualidade típica das campanhas políticas mais importantes do planeta, as campanhas para a presidência dos Estados Unidos da América. Acontece que não foi só a qualidade técnica que me chamou a atenção. Esse programa difere de outras propagandas políticas americanas pelo lado emotivo. Ele mexe com as pessoas, com os que precisam de um bom programa de saúde, com os que esperam por uma educação de qualidade, com os que precisam de uma redução de impostos para tirarem a corda do pescoço. Em suma, esse programa falou de pessoas e, oportunamente, de como Obama pode ajudá-las.

Além disso, a peça apresenta Obama como um líder carismático, moldado para conduzir o país para as mudanças necessárias. Voltando às questões mais técnicas, os enquadramentos de câmera que focam Obama discursando ou falando com pequenos grupos são muito bons.

Resumindo, sempre fui partidário de Obama, por mais que os republicanos sejam mais favoráveis para o Brasil. Acredito que a política atual precisa da movimentação gerada pelo democrata, defendo a volta das emoções à política, a volta da mobilização, da busca de um ideal, dos jovens. A proximidade da candidatura de Fernando Gabeira, por exemplo, com essas idéias, era um dos motivos que me fazia torcer por ele aqui no Rio de Janeiro. A peça publicitária da campanha de Obama, vista por mim hoje, reitera esses pensamentos e minha preferência pelo democrata. O último minuto do vídeo chega a ser tocante.

Compartilho com vocês, aqui, o programa de Obama. O único problema reside no fato de não existirem legendas. Quem quiser ver terá de exercitar o inglês.

Para finalizar, gostaria de dizer que não sou nem um pouco fã dos bastidores políticos americanos, sejam da política interna ou externa, porém, a verdade é que dá gosto ver que aquele povo não escolhe entre candidatos e aponta um presidente, embora haja o fracasso recente de Bush, toda a eleição é colocada para os americanos de forma a escolherem um homem e apontá-lo como líder.

Alguns comentários dizendo que sou um bobo que ainda acredita em alguma coisa podem surgir. Não me importo, prefiro continuar crendo na política feita para o bem da coletividade.