Por Yashá Gallazzi*
Marina Silva é oficialmente candidata à Presidência da República. O que ela disse no seu primeiro discurso? Que o Brasil precisa votar nela para que a “primeira mulher negra” possa ser eleita Presidente. Essa é Marina. Quando ela fala, os clichês saem para dar uma voltinha…
Quem contratou os marqueteiros de Obama foi Dilma Rousseff, a ex-terrorista. Mas é Marina que pretende encarnar os panos do messias, aquele que foi ungido pelo altíssimo em razão de sua vida, sua história e – por que não? – de sua pele. Na guerra dos clichês eleitorais, a ex-seringueira se coloca, pois, um passo à frente de Dilma: a petista é “só” mulher. Marina é mulher e negra.
Eu sei que o consenso politicamente correto vai pegar no meu pé, mas não resisto: por que diabos o sexo e a cor de Marina deveriam ser levados em consideração pelo eleitor? Por que a eleição de uma “mulher negra” faria bem ao País? A verdade é que não faria. Esse desfile de clichês só ganha relevância aqui, onde a eleição ainda se arrasta num pântano de retórica apequenada e terceiro-mundista. A mesma retórica pobre que Obama, o messias negro, inaugurou na última eleição americana.
O Brasil, neste aspecto, tem um pouco mais de sorte que os Estados Unidos. Marina, a “nossa Obama”, não tem chances de vitória final. E isso é, sim, algo muito bom! O País já é refém há oito anos da mística trapaceira do “Presidente operário”, aquele que “nasceu de mãe analfabeta” para nos salvar. Tudo o que não precisamos agora é trocar uma lenda messiânica por outra. Sob Lula, tudo o que há de bom existe porque finalmente um “torneiro mecânico” chegou ao poder. Com Marina as conquistas seriam fruto da “mulher negra”, que venceu todos os preconceitos possíveis e imagináveis.
Sem falar que não haveria lugar no mundo para acomodar uma Marina Silva ex-Presidente. Se Lula, que não passa de um operário, já quer a ONU e a OMC, Marina, a “mulher negra” mereceria o quê? A canonização?
Fico surpreso por não ver os ditos “formadores de opinião” refutando essa retórica salvacionista e messiânica que Marina decidiu empregar. Lembram de Collor? Imaginem a gritaria que a “mídia” faria se ele dissesse que merece ser Presidente porque é mais bonito que os outros… Ou, tomando outro exemplo, imaginem como reagiriam se ele dissesse que o Brasil deveria elegê-lo por ser ele um autêntico “homem branco”. O mundo viria abaixo, não é mesmo? E com razão! A dúvida é: por que ele não desaba também sobre a “cabeça afrodescendente” de Marina?
Já estou me perguntando quanto tempo vai demorar para a moça apelar para o seu credo: “sofro preconceito por ser evangélica”, dirá. Aí a coisa vira nitroglicerina pura! Mulher, negra, evangélica e de origem pobre? Nem precisaríamos de eleição! Marina mereceria ser aclamada Presidente. Melhor: ela mereceria ser aclamada Santa!
E olhem que nem tratei do discurso salvacionista de campanha dela, arrimado nessa coisa um tanto vaga – porém extremamente bela e sedutora – chamada sustentabilidade. Além de ser “mulher e negra”, Marina ainda promete nos ensinar como acabar com a devastação ambiental e, quiçá, até sobre um tempinho para frear o tal do aquecimento global em si – coisa que o Cristo Obama não conseguiu fazer…
Sinceramente não entendo como esse apelo sexista de Marina poderia conseguir seduzir o chamado “progressismo”. Qualquer homem que tentasse fazer o discurso que ela faz seria tratado a pontapés. Por que essa condescendência com a “mulher negra”? Só porque é “mulher e negra”? Não! Pra mim, isso não passa de apelação barata e rasteira. E a regra é simples: apelou, perdeu.
*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi













