Postagens com a palavra-chave ‘Eleições 2010’

Coluna do Dia: Os camisas negras do PT fazem mais uma vítima – Acorda, menina!

31/08/2010

Por Yashá Gallazzi*

Acorda, menina! Acorda antes que seja tarde! Antes que o direito individual violado seja o seu. Antes que a liberdade subjugada seja a sua.

Tenho certeza que todos já sabem a última façanha dos – como é mesmo que Lula dizia? – “aloprados” do PT. Aquela turma que se aboletou na Receita Federal para servir ao Partido, mostrou mais uma vez que os direitos e garantias constitucionais não querem dizer absolutamente nada pra eles. Mais um punhado de tucanos teve seu sigilo fiscal quebrado pelos camisas negras do PT, sempre prontos a mostrar que o Estado é deles.

Mas e daí? Esses tucanos são mesmo uns direitistas neoliberais, reacionários, preconceituosos e de olhos azuis, não é mesmo? Ou, como disse um conhecido meu, eleitor histórico de Lula e, atualmente, partidário de Dilma, “se eles reclamam, é porque têm alguma coisa a esconder.” Eis o abismo tenebroso no qual o país foi atirado por essa inversão de valores morais parida pelo lulo-petismo. Mas não pensem que vou defender os tucanos. Que nada! No Brasil lulista, já ficou claro que eles são indefensáveis – assim como qualquer outro que faça oposição ao “grande pai do povo”.

Os petistas, segundo sua lógica sociopata, estão travando uma guerra, não uma disputa democrática. E os opositores são, aos olhos deles, “inimigos”. E a morte de um “inimigo” não pode ser lamentada, não é mesmo? Mas e quanto aos civis inocentes?

Junto com os sigilos fiscais de meia-dúzia de tucanos, a Stasi de Lula também violou o sigilo de ninguém menos que Ana Maria Braga, que, suponho, deve ser uma perigosíssima espiã infiltrada pela direita burguesa na grande mídia. Acorda, menina!

Minha dúvida é: queriam vasculhar os dados fiscais da “mãe” do Louro José por quê? Vai ver ela é suspeita de trabalhar para o consórcio neoliberal formado por PSDB e DEM. Ou então o programa dela vem fazendo campanha negativa contra Dilma, principalmente quando prepara pratos à base de carne, e todo aquele sangue fica à mostra, na TV.

Nunca se sabe quando alguém vai ligar sangue ao passado terrorista de Dilma, não é mesmo? Ou, então, vai ver espionaram Ana Maria Braga pra chegar ao… Louro José! Sim, deve ser isso! Aquele papagaio de uma figa, todo pintado de verde e amarelo. Fica evidente que ele é contra o vermelho do PT.

Não se deixem enganar pela bizarrice do episódio. Nem pensem que de nada adianta apontar essas coisas diante das pesquisas eleitorais favoráveis a Dilma, a Lula e ao PT. Pouco me importa se faço parte daquele um por cento que insiste em não dobrar os joelhos para o apedeuta. Continuarei apontando cada pequena investida contra o sistema de liberdades democráticas, pelo menos enquanto ainda existir liberdade para fazê-lo.

É divertido ver o contorcionismo retórico que os petistas fazem no afã de negar o caráter evidentemente fascista do seu governo.

Percebam que estão presentes todos os pilares fundamentais: 1) o culto à pessoa do líder; 2) a ocupação do Estado e a condição de subserviência deste ante o Partido; 3) o apelo populista para conquistar as massas; 4) a subversão dos valores morais, paulatinamente substituídos pelos valores d’O Partido; e 5) a utilização despudorada dos recursos estatais para minar qualquer tipo de oposição ao regime. “Falta o uso da força!”, zurrarão os petistas. Sim, falta. Ainda! Dado o que temos hoje, é válido perguntar: o petismo não recorre à força contra “a direita preconceituosa e golpista” por que não quer? Ou por que (ainda) não pode?

Na esteira do que escrevi semana passada, façamos um rapidíssimo exercício de imaginação: e se fosse o DETRAN de São Paulo, governado pelo PSDB, que estivesse vasculhando as multas e crimes de trânsitos existentes em nome de Marta (Favre-Belisário-Wermus) Suplicy, de Netinho de Paula, ou da “neocompanheira” Mulher Pêra? O mundo já teria desabado sobre a cabeça de Serra, não? E com muita razão! O que custo a entender é: por que, quando se trata do PT, as coisas são vistas com mais – como direi? – “tolerância”?

Por que diabos, mesmo depois de oito anos no governo, os petistas ainda ostentam esse ar meio “café-com-leite”, que lhes permite transgredir regras que para os adversários são imperativas?

Nossa, é claro! Já sei por que Ana Maria Braga foi espionada ilegalmente pela Gestapo petista. É que a companheirada nunca perdoou o fato da apresentadora ter se apresentado na TV, na manhã seguinte à reeleição de Lula, vestindo preto da cabeça aos pés, em sinal de luto. É a tal busca contínua pela unanimidade. O desejo reiterado de destroçar todo e qualquer foco de resistência ao líder, ao Partido.

Falando tanto na contratada da Globo, lembrei de Regina Duarte, e do medo que ela disse sentir em 2002. E posso concluir com facilidade que o pior dos medos dela não chegava nem perto daquilo que os petistas vêm se mostrando capazes de fazer.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, escrevendo hoje excepcionalmente terça-feira é  editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Marina quer ir para o segundo turno: Difícil tarefa

31/08/2010

Marina Silva tem pedido aos seus eleitores que se mobilizem e multipliquem votos. A verde tem a esperança de ultrapassar Serra e ir para o segundo turno.

O pedido é válido, a esperança é a última que morre e não há nada mais justo do que uma candidata acreditar em si mesma e no seu próprio potencial.

Marina faz o que tem mesmo que fazer.

Mas é fato que a tarefa é muito difícil. Praticamente impossível.

Faltam a Marina capilaridade, para levar a campanha a cada bairro, cada esquina, aliados fortes, para que o prestígio local de muitos seja emprestado à candidata, e tempo de televisão, para passar sua mensagem na sua plenitude e aparentar ter chances de vitória aos olhos do eleitor.

Sem nada disso, fica parecendo que os apelos de Marina são apenas protocolares e de certa forma são.

Mas isso não quer dizer que não seria interessantíssimo ver um segundo turno entre Marina Silva, minha candidata pessoal, e Dilma Rousseff, ambas com o mesmo tempo de televisão.

Pena que a certeza de que seria interessante não torna este desfecho mais provável.

Artigo: Disputa por espaço – Merval Pereira

31/08/2010

Reproduzo aqui no Perspectiva artigo longo – mas que vale a pena ser lido – de Merval Pereira, colunista de O GLOBO. Ele aponta com competência a provável correlação de forças político-partidárias que teremos no País a partir de 1° de janeiro de 2011:

Disputa por espaço

Merval Pereira*

O presidente Lula está utilizando sua força eleitoral para transferir aos estados a mesma expectativa de poder que conseguiu no plano nacional, no qual, antes mesmo de sua candidata oficial aparecer na frente das pesquisas, já havia uma percepção generalizada entre os eleitores de que ela acabaria sendo a vencedora.

A estratégia eleitoral do presidente Lula, que vem sendo vitoriosa em relação à campanha presidencial — com sua candidata se colocando com folga à frente do candidato oposicionista —, se desdobra agora na fase regional, onde o objetivo não é fazer a maioria dos governadores, mas, sim, garantir uma maioria sólida no Senado.

Um senador vale por três governadores, avisava bem antes da reta final da eleição o próprio Lula, justificando ter aberto mão de disputar muitos governos estaduais em favor de aliados em melhores condições.

Até o momento, no entanto, as pesquisas indicam que, além de mais governadores, a oposição e os independentes dos partidos aliados estão conseguindo manter um equilíbrio de forças dentro do Senado.

O PSDB hoje aparece com possibilidade de eleger nada menos que dez governadores, sendo que está na liderança das pesquisas do Ibope nos dois maiores colégios eleitorais, São Paulo, com Geraldo Alckmin, e Minas Gerais, com Antonio Anastasia.

Pode vencer ainda em Goiás, com Marconi Perillo; no Paraná, com Beto Richa; no Piauí, com Sílvio Mendes; em Rondônia, com Expedito Júnior.

Além disso, tem boas chances no Amapá, com Jorge Amanajás; no Mato Grosso, com Wilson Santos; em Roraima, com José Anchieta Júnior; e em Tocantins, com Siqueira Campos.

O DEM lidera no Rio Grande do Norte, com Rosalba Ciarlini, e tem chance de vencer em Santa Catarina, com Raimundo Colombo, e em Sergipe, com João Alves. No Distrito Federal, por enquanto, a liderança está com Joaquim Roriz, do PSC.

No Senado, das 27 cadeiras que estão fora da disputa, por seus detentores terem mais quatro anos de mandato, nada menos que 14 são de oposicionistas ou de independentes: Marconi Perillo (Goiás) — que pode se eleger governador e colocará seu suplente Ciro Miranda Junior, também do PSDB —; Elizeu Rezende (DEM); Marisa Serrano (PSDB); Jaime Campos (DEM); Mario Couto (PSDB); Cícero Lucena (PSDB); Jarbas Vasconcellos (PMDB); Álvaro Dias (PSDB); Francisco Dornelles (PP) — que terá seu caráter independente reforçado pela chegada ao Senado de Aécio Neves; Rosalba Ciarlini, do DEM — que deve ser eleita governadora do Rio Grande do Norte e colocará em seu lugar o pai do senador Garibaldi Alves ou Ivonete Alves da Silva; Mozarildo Cavalcanti (PTB); Pedro Simon (PMDB); Raimundo Colombo (DEM) — que pode ser eleito governador de Santa Catarina e colocará em seu lugar o suplente Casildo Maldaner, do PMDB independente; Maria do Carmo Alves (PSDB); Katia Abreu (DEM).

Na nova safra de senadores a serem eleitos este ano, são os seguintes os senadores da oposição ou independentes que podem se eleger: Heloisa Helena (PSOL); Arthur Virgílio (PSDB) — que disputa a segunda vaga com Vanessa Grazziotin, do PCdoB —; Cesar Borges (PR); Tasso Jereissati (PSDB); Cristovam Buarque (PDT); Maria Abadia (PSDB) — que disputa a segunda vaga do Distrito Federal com Rodrigo Rollemberg, do PSB —; Demóstenes Torres (DEM); Lucia Vania (PSDB); Aécio Neves (PSDB); Itamar Franco (PPS); Valéria Pires (DEM); Antero Paes e Barros (PSDB).

Outros prováveis futuros senadores são Cassio Cunha Lima (PSDB da Paraíba; é o favorito, mas luta no Supremo para não ser considerado “ficha-suja”), Efraim de Moraes (DEM) — que disputa uma vaga com Vital do Rego Filho, do PMDB —; Marco Maciel (DEM) — que disputa a vaga com Armando Monteiro Filho, do PTB —; Mão Santa (PSC); Cesar Maia (DEM); José Agripino Maia (DEM); Ivo Cassol (PP); Ana Amélia Lemos (PP); Germano Rigotto (PMDB); Luiz Henrique (PMDB); Albano Franco (PSDB); e Orestes Quércia (PMDB) — que disputa uma vaga com Netinho, do PCdoB.

Como se vê, o equilíbrio real de forças no Senado continuará sendo grande, com uma pequena vantagem governista, que não garante a aprovação de questões polêmicas, e, muito menos, mudanças constitucionais que exigem quórum de 3/5 dos senadores.

Ao mesmo tempo, a presumível força eleitoral com que o PMDB sairá das urnas — deve eleger a maior bancada da Câmara e do Senado e grande número de governadores — está fazendo com que tanto governo quanto oposição comecem a negociar alianças para neutralizá-lo.

O PMDB pode eleger até nove governadores, sendo que dois deles — André Pucinelli, do Mato Grosso do Sul, e José Fogaça, do Rio Grande do Sul — são independentes e não estão envolvidos na campanha de Dilma Rousseff.

O partido deve eleger ainda Roseana Sarney no Maranhão, Sinval Barbosa no Mato Grosso, José Maranhão na Paraíba, Sérgio Cabral no Rio de Janeiro e Carlos Gaguim em Tocantins.

E tem chances também em Minas Gerais, com Hélio Costa, e em Rondônia, com Confúcio Moura.

Esse poder todo está movimentando não apenas a base petista, que sabe que vai ter que dividir realmente o poder, inclusive a distribuição de cargos, com o PMDB, mas também a base governista mais ampla, que teme que não sobrará espaço para mais ninguém com a disputa entre PT e PMDB.

O PSB, que deve eleger pelo menos três governadores — Cid Gomes no Ceará, Eduardo Campos em Pernambuco e Renato Casagrande no Espírito Santo —, é o mais preocupado em ganhar espaço para negociar e já propõe uma união entre PT, PSDB e PSB para se contrapor ao PMDB.

O ex-governador Aécio Neves — que terá sua liderança reforçada se conseguir eleger seu candidato Antonio Anastasia — prevê que a polarização com o PT continuará, e pretende fazer uma aliança do PSDB com PDT, PSB, PPS, DEM e mais PP, PTB e parte do PMDB, para disputar com o PMDB oficial e o PT o comando do Senado.

Pode ser que uma onda governista altere esse quadro, mas até o momento isso não aconteceu.

Coluna do dia: Imagine

20/08/2010

Por Yashá Gallazzi*

Imaginem um presidente brasileiro conservador. Aliás, mais do que isso: imaginem um presidente de extrema-direita. Sim, eu sei que não é fácil, afinal o Brasil está acostumado a ter há décadas, uma disputa entre as várias matizes da esquerda, sem que haja um representante sequer da direita.

Mas, ainda assim, peço um esforço a vocês. Tentem imaginar, apenas por um momento, que o Brasil tem um presidente extremista de direita. Feito isso, imaginem que o sujeito tenha escrito uma carta mais ou menos nos seguintes termos:

“Queridas Companheiras e Companheiros

Há 20 anos, 42 partidos e movimentos conservadores da América Latina e do Caribe reuniram-se em São Paulo – convidados por nós – para um Encontro sem precedentes na recente história política de nosso Continente.

Nascia o que um anos depois, no México, seria chamado de Foro de São Paulo.

Vivíamos tempos difíceis no início dos anos noventa.

Em muitos países começava a ganhar força um discurso radical de esquerda, alimentado por líderes oposicionistas carismáticos, como Lula da Silva e Hugo Chávez, inspirados no exemplo do tirano homicida chamado Fidel Castro. Esses caudilhos ameaçavam as democracias vigorosas e dificultavam a luta dos trabalhadores.

Pairava sobre nosso Continente a ameaça de um novo espectro comunista.

(…) A predominância dessas idéias de extrema-esquerda, era reforçada pela profunda crise das referências tradicionais da direita radical. Suas políticas não permitiam explicar a realidade mundial mas, sobretudo, mobilizar as grandes massas.

A reunião de São Paulo e tantas outras que se seguiram nestes 20 anos tiveram como mérito fundamental criar um espaço democrático de conhecimento e de discussão das extremas-direitas. Esse espaço não existia, muitas vezes, nem mesmo em nossos países.

(…) Hoje, nossa região vive uma situação radicalmente diferente daquela de vinte anos atrás. Muitos dos que nos encontramos no passado nas reuniões do Foro de São Paulo como forças de oposição, hoje somos Governo e estamos desenvolvendo importantes mudanças em nossos países e na região como um todo.

(…) Uns poucos tentam caracterizar o Foro de São Paulo como uma organização autoritária. É o velho discurso de uma esquerda que foi apeada do poder pela vontade popular. Não se conformam com a democracia de que se dizem falsamente partidários.

A contribuição de meu partido e outros partidos de extrema-direita do Brasil para esta nova realidade do Continente é de todos conhecida.

(…) O Brasil mudou e vai continuar mudando nos próximos anos.

Mudou junto com seus países irmãos do Continente.

Mudou como está mudando a Argentina que agora acolhe mais este encontro do Foro de São Paulo.

Recebam, queridos amigos, o abraço do seu irmão e companheiro”

Continuando o nosso exercício de imaginação, considerem que os destinatários da carta acima, assinada pelo presidente brasileiro de extrema-direita, sejam integrantes de partidos com inspiração em Mussolini, Pinochet, Franco, bem como em herdeiros políticos dos militares que governaram Brasil e Argentina durante décadas de ditadura. Imaginem, assim, que tais movimentos políticos sejam as forças políticas integrantes do tal Foro de São Paulo.

Ah, quase esqueci! Considerem também que, além dos movimentos políticos acima mencionados, essa entidade representativa das extremas-direitas da América Latina contasse, ainda, com a participação de um grupo paramilitar, conhecido internacionalmente por sequestrar, torturar, estuprar, matar e traficar drogas.

Como a opinião pública reagiria diante de semelhante organismo internacional? O que diriam a OAB, a CUT, o MST e a CNBB? Qual seria o posicionamento da imprensa e dos intelectuais brasileiros a respeito? Como se comportaria a academia brasileira? Gente como Emir Sader, Marilena Chauí, Maria da Conceição Tavares, Marco Aurélio Garcia e Celso Amorim diriam o quê?

Ora, não é difícil concluir que o mundo desabaria sobre a cabeça do tal presidente brasileiro de extrema-direita, não é mesmo? E com razão! Um fórum com clara inspiração fascista e totalitária, formado por movimentos cujo ideário descende de tiranias assassinas, não mereceria mesmo respeito algum! Vou além: não mereceria sequer existir! A democracia não pode, por amor aos seus princípios, tolerar a existência daqueles que, se pudessem, os destruiriam.

Agora, diante de tudo o que vai acima, considerem que o tal Foro de São Paulo realmente existe, e que não é apenas fruto de um exercício de imaginação proposto por mim. Considerem ainda que ele realmente é composto por partidos e movimentos políticos de inspiração ditatorial, e que tem entre seus membros um grupo paramilitar como o descrito ao alto. Mas atentem para o seguinte: considerem que ele não é de extrema-direita, mas de esquerda.

O que custo a entender, o que não me parece nada lógico, é o seguinte: por que repudiamos – acertadamente, diga-se! – um Foro de São Paulo de extrema-direita, mas aceitamos um de extrema-esquerda? Por que seria escandaloso um presidente brasileiro mantendo relações com partidos inspirados em Mussolini e Franco, mas não causa escândalo algum ver Lula sentando à mesa com gente que se espelha em Stalin e Mao Tse-Tung? Por que seria inadmissível ver o governante do país chamando um grupo paramilitar de direita de “companheiro”, mas é aceitável que o presidente atual derrame abertamente seu amor pelas FARC?

Que deturpação descabida de valores morais é essa, capaz de nos levar a rejeitar o nazismo e o fascismo, ao mesmo tempo em que ainda nos faz parecer aceitável conviver com o socialismo e com o comunismo? Se concordamos todos em rejeitar uma das faces do horror, por que não concordamos também em rejeitar o horror por inteiro? Por que o totalitarismo de esquerda é tolerado no Brasil, a ponto de termos no poder um presidente que mantém relação pessoal de amizade com Fidel Castro? Por que o “terrorismo progressista” é tolerado no Brasil, a ponto de termos um presidente que se senta à mesa com as FARC?

Ou, para colocar as coisas de uma outra forma, a ponto de termos uma candidata que militou em grupos paramilitares, aqui mesmo no Brasil, com grandes chances de se tornar presidente?

Esta é, enfim, a curiosidade antropológica que mais me instiga no momento presente. Sei que o povo mais pobre, aquele sustentado pela bolsa-esmola oficial, não dá a menor importância para escolhas políticas e ideológicas. Escolheria um tirano (de esquerda ou de direita, tanto faz), se este garantisse o saldo do cartãozinho de benefício social ad eternum. Mas e a porção “pensante” do país? E a academia? E o jornalismo? Por que ainda há gente que não se escandaliza ao perceber que o principal partido do Brasil – assim como o principal líder político da atualidade – tem, sim, bandidos de estimação?

Não me assusta que o PT tente esconder o Foro de São Paulo, ou, por vias oblíquas, diminuir a importância dele. Não me assusta que marqueteiros de plantão se ocupem em fazer apenas a tal “campanha positiva”, exaltando até aquilo que nunca foi feito. Isso é do jogo. O que me assusta é notar que o mesmo país capaz de se escandalizar com o Fiat Elba de Collor, com os dólares de Roseana ou com a cueca daquele petista, não veja nada de errado em uma carta na qual Lula confessa sua relação direta (e antiga!) com a escória da América Latina.

Temos, assim, a prova de que o terror foi relativizado, criando-se, assim, o terrorismo – e o totalitarismo – “do bem”. Como é pra ajudar “ozoprimido”, na tentativa de construir o tal “outro mundo possível”, então tá tudo certo.

Em qualquer sociedade minimamente civilizada, aquela carta de Lula seria motivo para “impeachment”. Entraria para a história como “a carta testamento” do petista: aquilo que acabou com sua presidência e com as chances do seu partido de continuar no governo. Mas o Brasil atual, de civilizado, tem muito pouco.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Oposição com discurso confuso: Partido Verde se anima

20/08/2010

 

A campanha televisiva de José Serra parece sem rumo. Não se sabe ao certo qual desejo dos brasileiros o tucano quer personificar.

Ele é o candidato da oposição ou ele é o candidato mais experiente e capaz da continuidade?

No fim das contas, a realidade é que nenhum destes papéis deveria ser interpretado por Serra, caso queira vencer a disputa.

A estratégia correta seria bater firme nos erros do governo e promover o reconhecimento e manutenção dos acertos, escolhendo dois ou três pontos para marcar a candidatura, os chamados “tipping points”.

Acontece que na busca por essa sintonia fina, a campanha tucana erra a mão e pesa demais ou de um lado ou de outro, dependendo do momento.

Ou o tom sobe demais e a crítica a Dilma traz rejeição dos milhões que aprovam Lula ou se cai na defesa de um continuísmo tão sem inovações que estimula o voto no que “já está aí”.

Há que se reconhecer que o equilíbrio defendido está em cima de linha tênue, mas os profissionais contratados para o marketing têm a obrigação de conseguir atingí-lo, vistos a experiência que têm e o quanto recebem mensalmente.

É nesse cenário de aparente indecisão da campanha tucana que o Partido Verde se anima. Há quem sonhe com um segundo turno entre Dilma e Marina.

No Rio de Janeiro, por exemplo, este cenário não está distante. É significativo, embora não retrate o País todo.

Acontece que o programa eleitoral de Marina não está ajudando. Buscando inovar, o marketing da campanha está se equivocando e cometendo erros primários como esconder a candidata.

Uns dizem que se erra neste início de propósito, para trazer exposição com os comentários sobre os programas inusitados que, só tendo pouco mais de um minuto, dependem muito da repercussão.

Ocorre que má repercussão não adianta. Não vale a máxima de que “toda propaganda é uma boa propaganda”.

Se continuarem assim os vídeos de Marina, Serra pode se preocupar só com Dilma.

Começa a propaganda eleitoral na televisão: Dilma se sai melhor

18/08/2010

O horário político em todos os canais abertos da nação está de volta, como sempre faz de dois em dois anos.

Embora a audiência dos canais pagos tenha aumentado, reduzindo o número de espectadores da propaganda eleitoral, ela ainda é a maior fonte de informação para decisão do voto.

Sendo assim, os candidatos, principalmente os majoritários, precisam produzir seus programas com muito carinho, tendo escolhido os marqueteiros com muito cuidado.

Parece que a equipe de Marina Silva esqueceu isso tudo. Seus primeiros comerciais foram péssimos, com cara de documentário barato sobre meio ambiente. Ela veio nos contar “uma verdade inconveniente”.

Serra se saiu melhor, se dirigiu pessoalmente ao eleitor, olho no olho, mas não trouxe nada de novo se compararmos com as campanhas tucanas de 2002 e 2006. Falou muito de saúde, algo que pode funcionar, mas que tem, como os remédios, prazo de validade.

Dilma acertou mais. Mirou Lula e emoção, emoção e Lula, visando atingir o grosso do eleitorado. Fala mal para as câmeras, mas apresentar o que a maioria quer ver costuma funcionar na democracia.

Coluna do dia: Joaquim Roriz, a caixa preta que ameaça se abrir

17/08/2010

Por Arthurius Maximus*

Quem não conhece Joaquim Roriz? Em uma entrevista, ele se compara a Lula (quem diria). Mas também podemos compará-lo a Maluf. Polêmico e mais encalacrado com a Justiça do que muitos criminosos procurados, Roriz é o retrato da política nacional.

Mesmo tendo sua candidatura mantida graças a uma liminar, Joaquim Roriz ameaça e solta o verbo dizendo: “Vou fazer uma revolução aqui em Brasília se minha candidatura for impugnada”.

Exatamente como Sarney e Renan Calheiros, “coincidentemente” todos aliados do PT, Roriz manda um recado aos políticos governistas dizendo que não cairá sozinho. É lógico que o apoio dado a Lula e a Dilma tem suas bases nos famosos “acertos” que o PT faz com quem lhe dá apoio. Seja honesto ou não, ficha suja ou ficha limpa, o negócio do PT é lotear o poder para se manter nele a todo custo. Dane-se o País. Como os critérios dessas alianças baseiam-se apenas no “toma lá dá cá”, o comprometimento ético e questões programáticas são meros detalhes e, muitas vezes, sequer são levados em consideração. Afinal, qual afinidade ética e programática essas alianças petistas podem ter?

Infelizmente, essa visão é plenamente corroborada pela maioria do eleitorado brasileiro. Nós fingimos nos indignar com a roubalheira em Brasília, mas, no entanto, secretamente, o que o brasileiro quer mesmo é uma oportunidade para fazer parte da mesma “elite mamante”.

Indignou-se com essa afirmação? Antes de me xingar veja bem como andam as coisas na política nacional. Maluf obtêm sempre votações expressivas em São Paulo, mesmo tendo a Justiça de vários países em seus calcanhares a todo instante, os paulistas votam maciçamente na velha raposa.

Roriz é outro bom exemplo: envolvido com toda sorte de problemas, denúncias de desvios, maracutaias no próprio sistema de votação do congresso (o que o levou a renunciar) e as mais variadas acusações;,é o mais votado em Brasília disparado. Renan Calheiros é flagrado pagando pensão a uma amante com dinheiro público, apresenta provas de suas alegações contrárias na forma de notas frias e é “punido” sendo um dos homens fortes de Lula no Senado. O que falar de José Sarney, então?

E, porque não dizer, o próprio Lula. Denúncias de superfaturamento, mensalão (que dizia desconhecer e, em juízo diante das provas, teve que voltar atrás), crimes eleitorais dos mais diversos, desrespeito às leis e ética “a toda prova”. Mesmo assim, Lula continua “o messias” para uma enorme massa que liga a sua figura ao “incrível” fato de poder abrir um crediário. Desconhecendo completamente que a pujança econômica foi “criada” apenas através do crédito e que o País está se tornando cada vez mais refém do capital especulativo estrangeiro.

Sob essa ótica, nos preparamos para viver  uma situação muito semelhante a que vivemos no governo FHC. É claro que, se tudo correr bem e o mercado externo continuar “OK”, os problemas só aparecerão em longo prazo. Contudo, se uma nova crise aparecer, o Brasil mergulhará de cabeça no marasmo que experimentamos ao nos confrontarmos com nossa primeira crise econômica da era Lula. Naquela época (2008) percebeu-se como as conquistas econômicas eram frágeis, pois tudo o que foi construído ruiu e fomos da bonança para a recessão em menos de três meses. Com a recuperação internacional e o abrandamento da crise, a coisa por aqui não ficou muito grave. Mas, todos os empregos criados até então foram perdidos e o crescimento foi “para o espaço” (consulte os números da época). O baque foi tão grande que surpreendeu a própria equipe econômica que pensava “crescer pouco”, mas acabou tendo que explicar a recessão (que foi abafada pela máquina de propaganda do governo).

Alarmismo? Pode ser. Mas, se assim for, porque o próprio governo começa a manipular seus relatórios econômicos (segundo denúncias desta semana) e projeta cortes orçamentários um atrás do outro (para após as eleições, é claro)? Também seria bom perguntar quais os motivos que levaram o Palácio do Planalto a ordenar que fosse ignorado o alarme divulgado pela área de planejamento, dando conta de que as receitas que viabilizam os planos sociais de Lula (o Bolsa Família e os demais) já não são suficientes para bancar o festival de bondades eleitorais de Lula. Calando a área econômica e camuflando o fato de que as promessas não poderão ser cumpridas.

Com isso é o Tesouro que passa a bancar a diferença e há a sinalização de  que se as promessas, que andam sendo feitas na eleição, forem cumpridas destruirão completamente a estabilidade econômica que levamos décadas para conseguir.

Está armada a bomba-relógio.

Portanto, se Roriz “abrir o bico” só o Brasil tem a ganhar.

E você, o que pensa disso?

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Datafolha: Dilma lidera – 41% a 33% sobre Serra

15/08/2010

Confirma-se totalmente, enfim, a tendência de subida de Dilma, não só pelo aumento de seu índice, mas também pela troca de votos com Serra.

A petista caminha para o período de exibição do horário político como favorita.

Só o mesmo horário político pode fazer Serra virar o jogo, mas as probabilidades não estão ao lado do tucano.

Resta saber agora se Dilma fecha o primeiro turno na frente com vitória ou indo para um segundo turno onde os eleitores de Marina Silva poderão ser os fiéis da balança.

Análise Geral: Collor, uma fênix às avessas

15/08/2010

Muitos brasileiros ainda têm frescas na memória as manifestações dos caras-pintadas. Jovens de todo o País foram às ruas, com tinta nos rostos, para pedir o impeachment de Fernando Collor, então Presidente da República envolvido em escândalos de corrupção.

Embora essas lembranças estejam bem vivas, já se passaram quase 20 anos. Collor já ultrapassou o martírio da suspensão dos direitos políticos e, voltando à ativa, se elegeu Senador por Alagoas, o estado que o catapultou para a Presidência em 1989.

Se antes da eleição Collor já escrevia livros contando como foi injustiçado, como Senador ganhou ainda mais voz. Seu discurso de posse foi marcado pelo tom da “volta por cima”, com o recém-eleito parlamentar comemorando o retorno aos holofotes “nos braços do povo”.

Pois bem. Eleito em 2006, Collor tem mais 4 anos de mandato. Não lhe custa nada, além dos gastos da campanha, concorrer ao governo de Alagoas. Caso perca, continuará sendo Senador. O plano era justamente aproveitar a situação cômoda para se fortalecer em Alagoas, visando a vitória, aí sim, em 2014.

Eis que Collor lidera as pesquisas pelo PTB de Roberto Jefferson. Alagoanos de cidades pobres rezam pelo retorno de Collor ao governo do estado. Uma senhora declarou, recentemente, que votará em Collor mesmo sabendo que ele rouba, pois ele dá aos pobres.

Teotônio Vilela é o atual Governador e tenta a reeleição com a máquina administrativa nas mãos. Ronaldo Lessa é o favorito há meses. Mas não tem para ninguém. As pesquisas apontam Collor na cabeça.

Fim das contas, Collor está perto de retornar ao governo de Alagoas, com o apoio do mesmo Lula que desancou em 1989. Renan Calheiros no meio de campo. E um mensalão inteiro para provar que o que Collor roubou é irrisório perto das cifras de hoje.

Collor é a fênix da política nacional. Ninguém nunca sofreu uma desconstrução em praça pública do tamanho da que ele sofreu e depois voltou a cargos de alto relevo.

É bem verdade que a ave mitológica merecia um representante de mais garbo, mas não se surpreendam os brasileiros se, em 2014 ou 2018, Collor apareça na telinha – e agora também no YouTube – pedindo seu voto a Presidente e querendo levar sua verve e sua retórica explosiva de volta ao Planalto.

Para enfrentar os caras-pintadas existem os caras de pau.

A importância da televisão: Plínio pré-debate versus Plínio pós-debate

07/08/2010

Diz o blog Radar Político, do site do Estadão:

“O estilo contundente e irônico de Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) no debate da Band irritou o PV, surpreendeu o PT e animou o PSDB.

Os verdes não gostaram de o ex-deputado ter igualado Marina Silva a José Serra e Dilma Rousseff, quando a candidata verde tenta se apresentar como terceira via.

Os petistas não sabem como reagir às provocações do velho companheiro de partido.

E os tucanos, preocupados em levar a campanha para o segundo turno, torcem para que a estratégia de Plínio mude o voto de simpatizantes mais radicais do PT, ’saudosos da campanha de 1989′.”

Há agora a possibilidade de um efeito Plínio. Quem esperaria comentários desse tipo três dias atrás?

Plínio de Arruda Sampaio sempre foi representativo para a política. Mas só para ela. A população em geral não se lembra de ninguém conhecido quando ouve seu nome.

Contudo, Plínio Sampaio é, agora, febre no Twitter e os analistas políticos, que antes o viam apenas como o candidato nanico do PSOL que nem apoiado por Heloísa Helena é, passam a cogitar a possibilidade de que uma subida sua nas pesquisas para aproximadamente 2 ou 3% aconteça, podendo fazer diferença, quem sabe, para que haja ou não segundo turno.

Conclui-se que, mesmo tendo o debate presidencial da Rede Bandeirantes tido uma audiência reduzida, há um Plínio pré-debate e um Plínio pós-debate. O presidenciável soube aproveitar o tempo que teve diante das câmeras e apareceu.

O Jornal Nacional cobre Plínio. Provavelmente ele será convidado para os próximos debates.

Plínio de Arruda Sampaio estava apenas no mapa dos entendidos. Agora é ponto presente nos gráficos da blogosfera política, dos colunistas políticos de jornal e dos boletins televisivos.

Agora Plínio é candidato de verdade. Sua irreverência, e não sua ideologia, proporcionaram isso. Quem diria?

Este é o efeito da televisão na política.

A internet está aí para destroná-la, mas ainda falta muito.

Muito mesmo.

É por isso que a campanha começa de verdade na segunda quinzena de agosto.

É quando começam os comerciais políticos na televisão, com o horário eleitoral obrigatório e, principalmente, com as inserções comerciais durante a programação.

E que Plínio, do alto dos seus 80 anos de idade, traga humor para os nossos modorrentos debates.