Postagens com a palavra-chave ‘Educação’

Coluna do dia: As palmadas que faltaram a Lula

17/07/2010

Por Yashá Gallazzi*

“Entra na minha casa. Entra na minha vida. Mexe com minha estrutura. Sara todas as feridas…”

O que vai acima é um trecho de uma dessas músicas “gospel” de péssimo gosto que, de uns tempos pra cá, passaram a fazer sucesso no Brasil. Mas bem que poderia ser a trilha sonora ideal para a mais nova tara totalitária do lulismo, conhecida como “Lei da palmada”.

O governo do PT, tal qual toda agremiação fascistóide que já rastejou na face da Terra, não sentiu qualquer pudor na hora de entrar em nossas casas, entrar em nossas vidas e mexer com nossas estruturas. Para os totalitários de Lula, não basta mais doutrinar nossos filhos nas escolas, ensinando aos moleques que o assassino conhecido como Che Guevara foi um herói, ou mesmo que o psicopata chamado Mao Tsé-Tung foi um grande pai para o povo Chinês. Isso é pouco! Agora os burocratas do progressismo também querem nos impedir de dar uma bela palmada nos traseiros rebeldes de nossas crianças.

Lula, que parece ter levado umas surras do pai alcoólatra na infância, quer descontar em toda essa “sociedade burguesa” seus próprios traumas. O “grande pai” do Brasil decidiu, de uma vez por todas, substituir a todos nós, estabelecendo que não é mais permitido dar uns tabefes quando o moleque decidir se jogar no chão do supermercado, insistindo em levar o décimo pacote de balinhas. Este é o Brasil moldado à imagem e semelhança do PT: mensalão pode; tapa de pai e mãe, não.

Na cerimônia em que se cantaram as glórias da tal “Lei da palmada”, Lula fez questão de dizer que nunca encostou a mão num filho seu. Entendo… Vai ver foi por isso que Lulinha não viu nada de ilegal ou imoral em receber um aporte financeiro da Telemar em sua pequena empresa de esquina, não é? Tivesse tomado um corretivo quando era hora, duvido que sua noção de valores morais fosse tão deturpada hoje em dia.

Pode não parecer à primeira vista, mas o esbulho da intimidade das famílias – verdadeiro núcleo motor de toda sociedade civilizada – é gritante! Note-se que a lei não vem coibir a agressão e/ou a violência doméstica. Contra isso já existe uma Constituição (tratando dos direitos individuais), um Código Penal (prevendo pena para lesões corporais) e uma lei específica – o ECA. A nova invenção progressista é específica contra a “palmada”, ou seja, visa alçar as crianças – em especial as travessas – ao posto de ditadoras do lar.

Não é difícil imaginar crianças já grandinhas (quase adolescentes) apontando o dedo para os pais e falando: “Se me bater eu denuncio você!” É assim que o progressismo pretende criar o “novo homem”: substituindo os pais pelo Estado; trocando a repreensão sadia – e necessária! – pela passada de mão na cabeça. E assim cultiva-se, desde sempre, a ideia da impunidade. Assim incentiva-se a mitigação da autoridade familiar, primeira – e principal – que se encara na sociedade.

Sempre que o Estado tentou cercear o indivíduo, intrometendo-se na intimidade das famílias e substituindo-se à autoridade paterna, o que se viu em seguida foi alguma das vertentes de fascismo que tomaram o mundo de assalto. É isso que o petismo está tentando fazer no Brasil em vários frontes: no controle da mídia, nas cotas, no malfadado plano de “direitos humanos” e, agora, na “Lei da palmada”.

Meu instinto revolucionário foi despertado! Resistirei firmemente contra o poder reacionário do estado… progressista!

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Adeus ideologia: Skaf é lançado pelo PSB ao governo paulista e defende pagamento de mensalidade na USP

27/06/2010

Informam os jornais que o empresário Paulo Skaf disse, na convenção do PSB paulista que oficializou sua candidatura ao governo paulista, que pretende cobrar mensalidade dos alunos da USP (Universidade de São Paulo) que tiverem condição financeira suficiente para pagar para estudar.

Afirmou Skaf:

“Na hora de entrar na USP, quem estuda? Filho de rico ou filho de pobre? Quem pode pagar, deve pagar sim”.

Quando o Presidente licenciado da FIESP adentrou o Partido Socialista Brasileiro, este que vos fala apresentou um questionamento óbvio:

Não seria incoerência termos o Presidente do sindicato patronal concorrendo por uma legenda socialista?

Pois bem. Este blogueiro não foi ouvido, obviamente, por nenhum dos envolvidos e o também ex-Vice-Presidente da Confederação Nacional da Indústria começou a articular uma candidatura ao governo de São Paulo pelo PSB de Miguel Arraes.

Era a ideologia dando seu último suspiro, ao lado de um pragmatismo vitorioso e anabolizado.

Eis que está posta aí a candidatura. Convenção socialista realizada. Skaf como candidato ao governo paulista.

Surge a primeira proposta feita pelo neo-socialista como candidato: Cobrar mensalidade na USP.

Esperem um pouco! Quer dizer então que o candidato socialista está defendendo cobrança de dinheiro, além dos impostos, em troca da prestação estatal de ensino superior público de qualidade?

Algo me diz que essa campanha será recheada de constrangimentos.

Arraes deve estar se sentindo incomodado no túmulo e ninguém pode dizer que este que vos fala não avisou.

Coluna do dia: Política e manipulação moral

21/05/2010

Por Raphael Machado Silva*

Pessoas em geral, independentemente da classe social e do nível educacional, são praticamente como robôs. Basta saber ‘que botões apertar’, que elas reagem exatamente da maneira como se pretendia inicialmente. E para saber ‘quais botões apertar’, basta sermos bons observadores dos homens e termos uma alta dose de frieza analítica. Obviamente, uma faculdade de psicologia ajuda muito.

É essa noção de que os homens, sujeitos a certos tipos de impressões sensíveis, sugestões e símbolos, podem ser levados a atuar de maneiras específicas, ou a comprar um objeto, ou então a endossar fanaticamente um certo projeto ou opinião, que alimenta áreas como o marketing, o jornalismo e, em uma democracia, inevitavelmente a política.

Em uma democracia, a massa manda. É ela que escolhe que homens deverão ocupar os cargos governamentais, para que estes homens satisfaçam os desejos egoístas dos componentes dessa massa. Ocorre, porém, que os candidatos a serem selecionados pela massa não permanecem inertes aguardando a boa vontade das massas.

O que fazem os políticos, então?

Apresentam racionalmente suas propostas e ideias às massas, para que elas possam fazer uma reflexão crítica, compará-las com as dos oponentes, pesar os prós e os contras, e tomar uma decisão?

Sejamos sinceros, a massa é simplesmente desinformada e acomodada demais. A inteligência de uma massa é sempre equivalente ao menor denominador comum da inteligência de seus componentes.

Se muitos têm dificuldade em se planejar economicamente de um mês a outro sem gastar tudo com bobagens e não conseguem traçar nem mesmo o número de filhos que terão, quanto mais conseguir fazer silogismos e juízos analíticos para se chegar a uma boa opção política.

Também não é interessante para o político ser objeto de reflexão crítica. É algo arriscado demais. O político simplesmente está interessado em receber o apreço das massas, que possa ser traduzido em votos, para que ele possa chegar ao poder, se perpetuar nele, e assim fazer carreira para si. Os políticos, em geral, simplesmente não têm mesmo quaisquer propostas razoáveis a oferecer. E mesmo que tenham boas propostas, boas ideias e uma visão de mundo acertada, as massas são tão ignorantes e egoístas que são capazes de não gostar ou de ignorar um ótimo político, preferindo os que a manipulam.

Não é uma questão de ‘educação’, como os apóstolos da engenharia social adoram pregar, como se fosse possível moldar os homens ao nosso bel-prazer. Também não estou me referindo ao ‘Brasil’. Isso não é um ‘problema nacional’. Esse é um problema institucional estrutural inato ao modelo político escolhido pelas sociedades ocidentais modernas. De Paraguai e Bolívia à Islândia e Suécia, é exatamente assim que funciona. Nesse elemento particular, as diferenças nacionais são mínimas, porque massa é massa onde quer que seja.

Afinal, existe algum exemplo que se encaixe melhor no fenômeno que eu estou descrevendo do que o comportamento robótico e fanático, reminiscente desses cultos messiânicos obscurantistas, ou dessas seitas haitianas de vodu e Santería, do que o dos adeptos políticos e do eleitorado de Barack Hussein Obama? O eleitorado americano se assemelha a uma horda aborígene perante um totem sagrado, o qual possui a propriedade mágica de revelar a ‘verdade’ e a ‘vontade dos deuses’.

Obama é o reductio ad absurdum da hipnose moral e psicológica característica das democracias pós-modernas. Enquanto, costumeiramente, a hipnose residia no subtexto do discurso político, com Obama e a nova geração de líderes políticos mundiais, deixou de haver qualquer subtexto e a hipnose e a repetição de ‘mantras’ se tornou o próprio discurso.

O discurso político na pós-modernidade se mediocrizou ainda mais, para assim poder melhor acompanhar a decadência intelectual das gerações humanas viciadas em televisão. Tendo em vista que a capacidade de atenção e concentração das massas se reduziu drasticamente, a eficiência hipnótica de um discurso composto de trechos longos e encadeados em formato narrativo seria ridiculamente baixa hoje. Oratórias como a de Fidel Castro são apenas resquícios paleoantropológicos.

O orador pós-moderno não discursa, no sentido autêntico da palavra, ele cospe ‘palavras-chave’ de modo pausado, para assim permitir os aplausos ou outras reações populares pré-planejadas, ligadas entre si por uma quantidade minúscula de pronomes, porém cercadas por quantidades gigantescas de adjetivos e advérbios.

A maior eficiência do discurso político e, também, o ponto no qual ele alcança o ápice da baixeza e da abjeção, está na falácia mágica de se traçar linhas morais entre o ‘Bem’ e o ‘Mal’ e se utilizar desses pseudo-conceitos esotéricos para se mobilizar as massas e as convencer a dar apoio a algum projeto político. A finalidade dessa forma falaciosa de discurso é a de basicamente construir alguma legitimidade para um projeto espúrio, quando simplesmente não há nenhum outro argumento que as massas poderiam considerar plausível.

Não é realmente difícil convencer as massas da ‘intrínseca malignidade’ de qualquer povo, ideologia ou conceito, basta despertar nas massas dois instintos básicos, o ‘medo do desconhecido’ e o instinto de auto-preservação. Basta convencer as massas de que esse algo ‘estranho’ representa uma enorme ameaça, ainda que esse algo seja um povo desprovido de armas nucleares habitando uma ilha vulcânica do outro lado do mundo.

Quem enxerga para além das aparências, porém, sabe que ‘Mal’ é apenas aquilo que se desenrola no sentido contrário de nossas expectativas e interesses.

Agora, quem tem qualquer esperança de que algum dia esse modus operandi se altere, pode as perder imediatamente. É assim que a política democrática funciona, é assim que tem sido desde sempre, e as coisas só tendem a piorar, como sempre.

*Raphael Machado Silva, escrevendo excepcionalmente em uma sexta, é colunista do Perspectiva Política às quartas.

Coluna do dia: Diário de viagem – A ineficiência do Estado evidenciada numa ponte aérea

01/05/2010

Por Yashá Gallazzi*

De férias na Europa com minha esposa e o filhote, viajamos de Milão para Paris por uma companhia de aviação “low cost”. O preço de cada passagem aérea entre duas das mais lindas capitais europeias? 25 euros. Isso dá cerca de 70 reais, ou seja, um valor obscenamente baixo. Irrisório até. Principalmente quando se considera a viagem feita.

A mesma viagem, feita com a Air France ou a Alitalia, duas empresas subsidiadas pelos governos francês e italiano, respectivamente, custaria cerca de 200 euros por passagem. Isso para não mencionar os aviões mais velhos e de qualidade inferior que são usados pelas “companhias nacionais”, como são chamadas na Europa os elefantes brancos como aquelas empresas.

Considerados os custos exagerados da aviação civil mundial, os preços praticados pelas companhias “low cost” parecem obra de magia negra. Mas é tudo fruto de economia elementar aplicada segundo as regras básicas do comércio livre.

Lá pelos anos oitenta, quando a Europa percebeu que as companhias aéreas estatais acabariam por levar os Estados à falência, dois caminhos surgiram diante dos vários governos de então: 1) imprimir dinheiro e injetar ainda mais capital em companhias decadentes; ou 2) tirar o Estado do meio e deixar que a iniciativa privada, muito mais eficiente em matéria de gestão, tomasse conta do setor.

Países como Itália e França, governadas à época por coalizões políticas viúvas do Muro de Berlim, escolheram a primeira alternativa. E acabaram carregando no colo Air Frances e Alitalias economicamente inviáveis, que cobram centenas de euros por uma passagem Milão-Paris. Inglaterra, Irlanda, Holanda e Suécia, por outro lado, deram ouvido a Smith, Rand e Mises, dando à luz as companhias “low cost”, que, hoje, me permitem voar entre algumas das cidades mais lindas do mundo por preços absurdamente módicos.

A economia é muito simples: o Estado deve se ocupar apenas daquilo que não pode ser gerido pela lógica pura do lucro. Isso quer dizer que os governos precisam controlar a defesa externa e a segurança pública, além de regular os serviços de saúde e educação. Qualquer coisa além disso é pedir para tomar prejuízo, afinal, todas as demais atividades podem perfeitamente ser executadas de forma mais eficiente pela iniciativa privada, inclusive dispendendo menos dinheiro. Ou alguém consegue me explicar, com amparo lógico, por que diabos um governo deve manter uma empresa de aviação? Para fornecer um serviço de utilidade pública? Ora, mas de que adianta isso, se ele cobra pelo serviço dez vezes mais do que um empresário qualquer?

Há coisa de duas ou três décadas, os governos estatizantes de Itália e França apostaram que poderiam fornecer serviços tão bons quanto os das empresas privadas, e por um preço mais – como é mesmo que eles dizem? – “socialmente justo”. Quebraram a cara! Hoje, Sarkozy e Berlusconi quebram a cabeça tentando se livrar dos dois pesos-mortos que sugam mais e mais dinheiro dos contribuintes italianos, mas os sindicatos italianos e franceses – também viúvos do tal Muro… – arrumam uma passeata ao sinal de qualquer ameaça de privatização. São uns bravos guerreiros progressistas, sempre ávidos por construir o tal “outro mundo possível”, onde o Estado deve prover passagens aéreas para os cidadãos. Ainda que a preços horrendos…

Em última essência, não se trata nem de disputa ideológica. Esqueçam direita e esquerda, liberal ou intervencionista. A questão é prática e fácil de ser analisada: é preciso descobrir como garantir às pessoas passagens aéreas de qualidade por um preço sempre mais acessível. Colocada a questão principal, analisem-se os fatos: onde o Estado se fez presente, com toda sua característica de morosidade, sua falta de profissionalismo e sua burocracia parasitária, o resultado foi catastrófico. Onde os governos saíram de cena, dando lugar às empresas privadas, os resultados são fantásticos. Ou alguém tem outro adjetivo para qualificar a possibilidade de se viajar de Milão até Paris por 25 euros?!

A saída, portanto, é apenas uma: o Estado deve tirar seu time de campo, dando cada vez mais espaço à eficiência e à livre iniciativa do setor privado. Aviação civil não é matéria de segurança nacional, nem sofre qualquer tipo de ameaça se regulada apenas pela lógica do lucro. Pelo contrário: é em tal cenário que ela mais pode prosperar, como os fatos deixam claro.

Inglaterra, Irlanda e mais uma meia-dúzia de países entenderam isso há mais de vinte anos. Itália e França ainda relutam em aceitar os fatos. Países rastaqueras e pobres como o Brasil, por outro lado, vão levar séculos. Basta lembrar que até outro dia ainda havia passeatas organizadas apenas para dizer que “a Varig é nossa”…

Ah, quase esqueci! Nos aeroportos de Franca e Itália, as companhias “low cost” pagam taxas mais elevadas para decolar e pousar, do que aquelas cobradas dos elefantes brancos Air France e Alitalia. Quando o Estado está no meio é assim: já que não se consegue ser mais eficiente e profissional do que a iniciativa privada, o negócio é partir pra retaliação.

Eis aí. Parabéns a todos os estatistas, que defendem esse tipo de birra ridícula, em detrimento do direito que os cidadãos têm de voarem por um preço verdadeiramente mais justo. Esse é o “outro mundo possível” de vocês. O meu, deve ter ficado claro, é aquele onde qualquer um com 25 euros na mão pode tomar um café na Champs Elisè.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Coluna do dia: O mito da igualdade (Parte II)

23/03/2010

Continuando o texto iniciado na coluna passada. Confira-o aqui

A ‘Igualdade’ é uma impossibilidade ontológica. Um ente é ele mesmo por conta de suas características individualizadoras. Eu sou ‘eu’, por conta daquilo que me diferencia de tudo que é ‘não-Eu’.

Toda a multiplicidade de entes se realiza como multiplicidade pela Diferença, pela Individualidade. Assim, retirando-se os elementos individualizadores, a ‘Diferença’, que é o meio de alcançarmos a ‘Igualdade’, a partir do momento que tivermos dois entes idênticos, não teremos mais dois entes, mas apenas um.

Se a Diferenciação é o que gera a multiplicidade de entes, ou seja, aquilo a que chamamos ‘Universo’, ‘Realidade’, a desconstrução das diferenças entre os entes só pode ser vista como uma tentativa de se engajar em um processo de destruição do Universo. O ‘Igualitarismo’, é uma teologia ‘Anti-Vida’, uma teologia da destruição.

Não possuindo base natural, ou seja real, o Mito da Igualdade só pode se sustentar por meio da coação oficial do Estado, ou por meio das formas difusas de coação, originadas da infra-estrutura social, principalmente dos meios de comunicação e da educação. A principal demência derivada do Mito da Igualdade consiste exatamente na crença de que ‘se não há igualdade, isso é um erro, pois deveria haver’, e agir com base nesse preceito teológico, sustentando e tentando impor a ‘Igualdade’ frente a uma Realidade indiferente e hostil aos retardos supersticiosos dos homens.

‘Se não há igualdade, deveria haver’. Por quê? Por quê deveria haver igualdade? De onde se pode retirar a legitimidade para se estabelecer como Juiz da Natureza? Não se pode. Isso não existe onde há qualquer tipo de reflexão autêntica. E como se pode derivar um ‘dever ser’, de um ‘não ser’? Não se pode. Não há qualquer elo de necessidade, seja lógico, ontológico ou existencial, entre esses dois juízos.

Inevitavelmente, a única fundação possível, a única fonte de legitimidade para esse juízo falso, é novamente a teologia cristã, a superstição bárbara. Se os homens possuem uma ‘essência’ igual.

Se todos os homens são iguais em um plano abstrato, seja teológico, seja racional, então deve-se fazer o possível para atualizar essa potência igualitária metafísica na realidade, como se estivesse a criar um ‘Paraíso na Terra’, como se quisesse promover a materialização da ‘Jerusalém Celeste’.

Vê-se, portanto, que o ‘Mito da Igualdade’ possui fortes características messiânicas e escatológicas, principalmente por estar intimamente associada a outro Mito, o do ‘Progresso’.

As consequências sociais dessa teologia anti-humana são evidentes. Todos os entes só podem ser aquilo que são, e nada mais. Sendo as diferenças entre os entes ontológicas e essenciais, qualquer tentativa de se gerar igualdade só pode ser efetuada nos entes que se diferenciam nos graus de uma mesma qualidade.

Ocorre, porém, que o que é inferior em grau em uma certa característica, não pode se elevar para além dos limites da própria capacidade. Ao contrário, o que é superior em grau, pode se rebaixar, pois já guarda consigo, a priori,  todas as gradações que lhe são inferiores.

Isso significa basicamente que todo processo de equalização se realiza exclusivamente mediante uma ‘nivelação por baixo’, por uma mediocrização imposta ao que é superior, para que ele se aproxime do que é inferior.

Pensemos um cavalo de corrida e um ‘burrico’. Queremos torná-los iguais. ‘É injusto que o cavalo de corrida possa correr mais que o burrico! O burrico não merece isso!’. Que faremos então?

Poderemos tentar ‘educar’ o burrico a correr como um cavalo de corrida.

Logo perceberemos, porém, que isso é impossível.

O ‘burrico’ poderá correr um pouco mais do que já corre, mas apenas dentro das limitações apriorísticas já contidas nas próprias potencialidades dele mesmo.

Se ao invés de nesse momento percebermos que a ‘Igualdade’ é um engodo e resolvermos sabiamente que o cavalo de corrida e o ‘burrico’ devem ser utilizados naquilo que cada um tem de seu, ao invés de equalizados, quisermos continuar nesse projeto igualitário demente, qual será a opção restante? Aleijar o cavalo de corrida. Apenas assim será conquistada a Igualdade.

Parece, porém, que a maioria das pessoas crê em algo que não só é impossível, como também prejudicial para a sociedade. As razões para essa crença são duas apenas.

A primeira é a soma do ressentimento e da inveja daqueles que enxergam a si mesmos como incapazes frente a semelhantes mais afortunados. O desejo pela ‘Igualdade’ nesse caso não passa de manifestação de um medíocre sentimento vingativo.

A segunda, o desejo por ‘Igualdade’ dos que não são incapazes, surge a partir de um auto-destrutivo senso de ‘piedade’, e de uma deficiência mental, uma ‘dissonância cognitiva’.

Inevitavelmente, esse Mito levará o Ocidente à ruína. Será uma ruína merecida, porém. Restará, para os que sobrarem, a missão de construir uma nova civilização sobre fundações mais sólidas.

*Raphael Machado Silva, escrevendo excepcionalmente em uma quarta, é colunista do Perspectiva Política às terças

Coluna do dia: A greve dos professores de São Paulo e a conversão de um direitista

19/03/2010

Por Yashá Gallazzi*

“Olê, olê, olê, olá! Dil-má! Dil-má!”

“Brasil, urgente, Dilma presidente!”

Os leitores sabem o que significa isso que vai acima? São algumas das palavras de ordem bradadas pelos – se me permitem – “professores” que entraram em greve há alguns dias, em São Paulo. Como se nota, são uns patriotas convictos, inteiramente devotados à causa da educação e despidos de quaisquer interesses de cunho eleitoreiro e partidário.

São uns valentes! Uns bravos trabalhadores e trabalhadoras que têm a coragem de empunhar “pedaços de madeira com pregos” e cercar o carro de José Serra. Por que ele pode ser o principal adversário de Dilma e do PT nas próximas eleições? Que nada! Isso seria diminuir a luta desses valorosos. Fazem isso porque o tucano é chefe de um governo neoliberal e entreguista, ocupado em sucatear a educação pública.

Há coisa de alguns meses, o sindicato deles – a Apeoesp – deixou claro ao governo de São Paulo que, caso sua pauta de reivindicações não fosse atendida, não restaria outro caminho que não o da greve. Como eles fizeram para deixar isso claro? Da única maneira que eles sabem: bradando palavras de ordem:

“Nosso governo! Neoliberal! Trabalhador vai fazer greve geral!”

Serra, um político reacionário, conservador e de direita, resolveu não levar a sério os – me perdoem por empregar esse termo – “professores”, e deixou de lado a lista de exigências que lhe foi apresentada. O que queriam os bravos? Basicamente duas coisas: reajuste salarial de 34% e plano de carreira “justo”. Só mesmo uma mídia burguesa, preconceituosa, vendida e tucana poderia considerar a luta por um plano de carreira “justo” como sendo desculpa para um movimento eleitoreiro e ideológico. Só o fato de ver os jornalistas da grande mídia perguntando o que seria um plano de carreira “justo”, já mostra o viés direitista e conservador dessa cobertura, muito provavelmente contratada pelas velhas elites oligárquicas que pretendem voltar ao poder a reboque de Serra.

Confesso que meu “lado conservador” ficou tentado a duvidar da seriedade do tal movimento grevista, afinal não me parecia sensato ver – desculpem o termo – “professores” ameaçando uma autoridade democraticamente constituída com pedaços de madeira. Mas a escancarada campanha antecipada conduzida por Serra e pelos tucanos, que provavelmente está afastando o Governador do gerenciamento do Estado, acabou com minhas dúvidas iniciais: quem se dedica a fazer tantas viagens e a subir em tantos palanques não pode ter tempo para governar. É tão óbvio! Não sei como o TSE insiste em não ver isso…

O fato das greves acontecerem sempre em anos eleitorais, e de os – Senhor, me perdoe por dizer isso – “professores” fazerem oposição ao governo tucano neoliberal é apenas uma coincidência óbvia, que só a grande mídia (sempre ela!) insiste em não ver.

Já o apoio declarado aos candidatos do PT é algo obrigatório! Todo – Meu Deus, sinto-me um pecador! – “professor” que tenha consciência de classe deve apoiar o petista que estiver enfrentando o consórcio demo-tucano, afinal o partido de Lula – e de Dilma, claro! – é o único que entende bem a engrenagem que empurra o trabalhadores à luta. Só o PT compreende e aceita a imperativa necessidade de politizar uma classe profissional, a fim de fomentar o debate e mobilizar o povo como um todo. Enfim, essa coisa toda que a grande mídia insiste em chamar, maldosamente, de “aparelhamento dos movimentos sociais”…

Depois de compreender todas as nuances da greve dos professores de São Paulo, e de notar o caráter reacionário do governo Serra, me é impossível criticar aqueles – prometo que é a última vez – “professores”. Nem o fato de pedirem por Dilma, a ex-terrorista, deve servir de pretexto para diminuir a luta justa e valente dos bravos trabalhadores da educação.

Pouco importa que estejam pleiteando o fim das avaliações periódicas e meritocráticas, além da extinção das premiações por desempenho. Quem poderia se concentrar em ter um bom desempenho dentro da sala de aula, tendo a cabeça cheia pela preocupação de conseguir o aumento plausível de 34%?

Indo um pouco mais fundo na questão, percebe-se até que o governo neoliberal e de direita de Serra é culpado pela doutrinação marxista nas escolas, afinal os professores, arrochados pela política conservadora e reacionária do governo do PSDB e do ex-PFL, acabam se vendo na obrigação de explicar aos alunos essa realidade cruenta criada pela sociedade capitalista.

Mais que isso: se torna imperativo mostrar àquelas cabeças jovens e influenciáveis a importância da mobilização da classe trabalhadora em busca de uma sociedade socialista, onde todos serão iguais, nem que para isso seja preciso perseguir autoridades burguesas pelas ruas, brandindo pedaços de madeiras adornados com pregos.

Não! Não importa o que a “grande mídia” vendida diga. As reivindicações classistas acabam até ficando em segundo plano, quando se nota a urgência dos grevistas em tentar colocar um fim em Serra… Ou melhor, no governo Serra. Salário? Plano de carreira “justo”? Sim, querem isso. Mas o principal é acabar com a opressão que os tucanos neoliberais têm imposto ao povo de São Paulo. E isso – é claro! – só será possível derrotando Serra e elegendo Dil-má presidente.

Se bem que… Alguns poderiam achar que isso seria equivalente a aparelhar uma classe profissional, instrumentalizando suas reivindicações profissionais em nome de objetivos eleitoreiros… Opa! Olha o meu “lado conservador” de novo, tentando turvar minha mente com preconceitos burgueses. Sai pra lá! Já beijei a cruz do velho Marx agora, e tomei consciência da importância da luta! Em breve, estarei na rua, brandindo paus contra autoridades da oposição e gritando: “Olê, olê, olê, olá! Dil-má! Dil-má!”

P.S.: O texto acima é uma obra de ficção. Qualquer semelhança de nomes, locais ou situações é mera coincidência, assim como as datas em que são deflagradas as greves pelos professores de São Paulo.

Além disso, cumpre deixar claro que o autor não tem a intenção de ofender nenhuma pessoa, seja ela honesta, honrada e verdadeiramente trabalhadora, ou não.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: A educação infantil e as explicações dos desvios de conduta

07/02/2010

Por Jessica Riegg*

A todo momento vemos matérias envolvendo violência e jovens, além de várias mortes provocadas por esses “pirralhos” que mal sabem o que estão fazendo. Vemos na nossa frente a juventude se tornar completamente diferente do que fomos…

Muitas vezes os pais culpam os professores por não educarem bem os filhos, mas ao mesmo tempo reclamam quando uma atitude incorreta é punida. Reclamam de tudo, mas não se lembram do mais importante: quem deve educar não são os professores e nem as babás, e sim os pais!

Alguns desses “irresponsáveis” deixam os filhos soltos nas ruas à noite, até a hora que desejarem. Vemos cada dia mais crianças de 12, 13 anos que ficam na rua até meia noite, ou mais, e nunca fazendo coisas produtivas. O que os pais alegam é que não tem mais jeito. Fico inconformada de ver que esses pais realmente acham que não há mais solução e que os adolescentes sabem o que é melhor para vida deles… Com 12 anos de experiência…

Bom, o que acontece depois é que com a falta de punição severa dos pais, esses garotos vão para a marginalidade e são punidos pela Justiça. E quando são presos e seus responsáveis são chamados, ninguém sabe como isso tudo aconteceu, o que a causou os desvios de conduta…

Depois culpam o governo, afirmando que suas políticas são fracas e ineficazes. Alegam que as escolas deveriam ser integrais para que eles trabalhem o dia inteiro, e a escola crie essas crianças… Realmente faltam mais ações do governo na educação, mas nem tudo pode ser culpa dele!

Pais, fiquem em alerta! Cuidem dos seus filhos desde que eles nascerem, eduquem-nos e nunca desistam de tentar ensiná-los alguma coisa! Nenhum filho está totalmente perdido, desde que seja bem orientado pelos pais.

As chances de ter um filho perdido para o crime são bem menores quando ele é bem educado e monitorado. Mas essa educação vem dos pais, e nunca da Justiça ou dos professores.

*Jessica Riegg é colunista do Perspectiva aos domingos e escreve diariamente no Twitter em @jessicariegg

Oposição ganha argumento: Brasil perde 12 posições em ranking de educação

25/01/2010

Informa a Folha:

“O Brasil perdeu 12 posições no índice de educação feito pela Unesco, o braço da ONU (Organização das Nações Unidas) para a educação e a cultura.

A queda, do 76º para o 88º lugar entre 128 países, ocorreu principalmente em razão da piora no índice de crianças que chegam até a quarta série. Segundo a Unesco, de 80,5%, em 2005, o percentual caiu em 2007 para 75,6%.

Com isso, o IDE (Índice de Desenvolvimento Educacional) do Brasil, caiu de 0,901 para 0,883 em uma escala de 0 a 1, o menor entre todos os países do Mercosul. Isso mantém o país em um patamar considerado mediano pela Unesco.

O IDE é composto pelas taxas de alfabetização de adultos, igualdade de gênero, matrícula na educação primária e sobrevivência na escola até a quinta série -no caso do Brasil, foi considerado o dado relativo à quarta série.

Os primeiros lugares ficaram com Noruega, Japão e Alemanha. Os últimos, com Etiópia, Mali e Niger, todos no continente africano. “

A campanha presidencial deste ano apresenta para a oposição um cenário curioso: Dispõe do candidato que lidera as pesquisas, mas tem dificuldades para construir seu discurso.

Essa dificuldade se dá pelo fato de o governo ter a aprovação da população brasileira em sua maioria, o que faz com que a oposição tenha o receio de se desgastar ao criticar duramente e bater de frente com a gestão atual.

Portanto, enquanto o discurso de Dilma Rousseff será o da continuidade com avanço, o de José Serra será, provavelmente, o da manutenção dos acertos e reforma dos erros.

Pois bem. A queda da educação brasileira no ranking da Unesco, citada na reportagem reproduzida acima, é um bom exemplo das situações que fornecem à oposição algum tipo de argumento para formular seu discurso a respeito dos setores onde o governo não foi bem.

Outros exemplos são a segurança pública e a saúde, que será fortemente explorada, com certeza, por José Serra ter sido um Ministro da Saúde bem avaliado.

Em outro âmbito, deixando um pouco de lado o viés propositor e chegando ao viés político, a campanha terá um confronto de agendas.

A oposição tentará impor a agenda da comparação entre a biografia de Serra e a de Dilma. O governo tentará fazer prevalecer a agenda da comparação entre o governo FHC e o governo Lula.

Coluna do dia: Reforma penitenciária já!

10/01/2010

Por Jessica Riegg*

Nesta semana, presidiários dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Paraná, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Amazonas, Rondônia, Espírito Santo, Amapá, Distrito Federal e Minas Gerais puderam fazer a prova do Enem.

Doze mil presos em trezentas e trinta unidades prisionais realizaram a prova que teve suas questões modificadas, mas que manteve o nível de dificuldade. Antigamente os presos já podiam fazer o Enem, mas tinham que ser deslocados para os locais de prova definidos pelo MEC. Além de poderem prestar vestibular, os detentos podem fazer faculdade desde que a justiça assim o permita.

Enfim, até os detentos notaram que a educação pode modificar um país e a realidade deles. Eles desejam um futuro melhor a ser iniciado assim que cumprirem a sua pena. Muitos deles desejam voltar a ter uma completa cidadania, com direito a saúde, lazer, alimentação, educação e liberdade.

Esses presos mostram que com a persistência, podem alcançar o que almejam, mudar as suas histórias.

Atualmente, o governo incentiva o poder privado a aceitar esses ex-detentos, dando uma segunda chance para essas pessoas que já cumpriram a sua pena. O que é muito justo, pensando no fato de que se a justiça acredita que aquele tempo é necessário, e o mesmo já foi cumprido, o indivíduo já fez a sua parte e pagou por seus atos.

O governo pede, mas não faz quase nada concreto para que tudo isso aconteça. Afinal, permitir que o detento possa sair da prisão, não garante que ele terá oportunidades suficientes de terminar o curso universitário. O que deveria ser feito, e há muito tempo já é necessário, é uma reforma penitenciária. É necessário que o País modifique o modo com que trata esses presos, aumente a quantidade de presídios para que eles tenham uma vida ao menos digna nesses locais e aumente o policiamento.

Mas esses três aspectos implicam em muitas outras coisas. A primeira de todas é que este ano é ano de eleição e por isso o Presidente não pode começar nenhum projeto novo. Outro aspecto relevante é que seriam necessários ser gastos bilhões com novos presídios, coisa que o governo não deseja atualmente. E aumentar o policiamento implica em aumentar o gasto com esse setor, primeiramente pelo contingente e em segundo lugar porque seria necessário treinar esse efetivo e, principalmente, aumentar os salários destes vigilantes.

O pagamento destinado a esses policiais é muito baixo, o que os desanima a exercer função tão perigosa. Além disso, o número de policiais corruptos é tão alto porque é mais fácil ganhar dinheiro sendo desonesto e fechando os olhos para as irregularidades do que arriscando suas vidas enfrentando bandidos perigosos.

Obrigar os presidiários a exercerem uma profissão dentro dos presídios ao invés de pensar em fugas ajudaria-os a crescer, e ainda renderia um bom dinheiro para esses locais. Manteria-os ocupados! Produzir roupas, ou artigos em madeira por exemplo, são soluções já adotadas em outros países que resolveriam alguns desses problemas.

Mas essa reforma teria que ser feita em conjunto, e já, para evitar que episódios como o do Carandiru se repitam diariamente na nossa frente, e nos obriguem a colocar grades em nossas janelas…

*Jessica Riegg é colunista do Perspectiva aos domingos e escreve diariamente no Twitter em @jessicariegg

Parlamentares aumentam emendas do Turismo para fugir de regras e licitações

05/01/2010

Informa o Estadão, a respeito da nova artimanha parlamentar, que consiste em direcionar as emendas parlamentares à área do Turismo, por se tratar de setor com mais facilidade de contratação direta, menos regras, licitações desnecessárias, rapidez na liberação dos recursos e frouxidão maior:

“Periférico na Esplanada dos Ministérios até o início do segundo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Turismo virou o centro das preocupações dos políticos e o eldorado das emendas individuais de deputados e senadores ao Orçamento Geral da União (OGU).

O motivo por trás da atração orçamentária é fácil de explicar: o ministério tem um verba destinada a financiar eventos de promoção de turismo que sai sem licitação e em até dois meses depois de autorizado o pagamento da emenda do parlamentar.

O resultado é que neste ano eleitoral de 2010, quando um palco de show promocional pode servir de palanque aos candidatos, o Ministério da Saúde caiu para o 4º lugar no ranking das emendas, posição ocupada pelo Turismo quatro anos atrás.

Agora, com a pasta transformada em campeã das emendas individuais de deputados e senadores, os recursos para shows e festas populares multiplicaram por oito.

Virou passado a batalha dos parlamentares para destinar e liberar recursos para hospitais e escolas por meio das emendas ao Orçamento. Em 2006, 35% das emendas individuais dos congressistas destinavam-se a melhorar a saúde em suas bases eleitorais.

Os números chamaram a atenção da Controladoria-Geral da União (CGU), que decidiu intensificar a fiscalização ao contabilizar R$ 679,5 milhões para custear festas e shows em 2010, frente aos R$ 962 milhões destinados a Saúde.

Na rubrica para “eventos promocionais”, a proposta original do Ministério do Turismo previa apenas R$ 32,5 milhões – o restante foi engordado com emendas paroquiais dos parlamentares.

Para o Orçamento da sucessão do presidente Lula, deputados e senadores apresentaram nada menos que 1.350 emendas no setor de turístico, a um custo global de R$ 1,7 bilhão – valor dez vezes maior que os R$ 162,4 milhões que os parlamentares reservaram ao Ministério do Turismo, em emendas individuais ao Orçamento de 2005.”

O turismo é sem dúvida importantíssimo, porém, valer mais que educação e saúde é demais.

A reportagem reproduzida acima deixa claríssimo quais são os interesses que aceleram o crescimento desta nova tendência. E eles não são nada elogiáveis.

Os fatos e as cifras falam por si sós.

Sem mais comentários.