Postagens com a palavra-chave ‘13. Economia’

Análise Geral: O eleitor e a lógica de mercado

30/08/2010

Uma das primeiras coisas que se aprende quando se estuda economia é a lógica do mercado: O empreendedor de sucesso é o que promove oferta para preencher uma demanda.

Rapidamente, em um curso de verão, entende-se que o lucro só vem quando há demanda, seja ela explícita, reprimida ou fabricada. Se ela inexistir não há oferta que dê jeito.

Por essas e por outras alguns empresários criam demandas com o marketing. As pessoas passam a desejar o que eles ofertam.

Pois bem. E o que isso tem a ver com o eleitor?

Simples: O empresário é o candidato, a mercadoria é o seu discurso e o consumidor, claro, é o eleitor. O marketing é o eleitoral.

Como há demanda de continuidade das políticas governamentais, Serra decidiu ofertar isso.

Acontece que também há demanda da continuidade de Lula e isso só Dilma pode ofertar.

Serra decidiu comparar preparo e biografia, ofertando competência, mas não há essa demanda.

O PSDB só venceria as eleições se explorasse, com seu discurso, as demandas reprimidas: Serra não as compreendeu.

Restaria fabricar demandas. Nesse caso, Luiz Gonzalez, o marqueteiro, falhou miseravelmente.

A lógica de mercado explica, facilmente, a vitória de Dilma.

A oposição realmente tinha um trabalho árduo para decidir o que ofertar.

Mas não era impossível.

Agora é.

Coluna do dia: Nunca antes na história desse País

23/08/2010

Por Arthurius Maximus*

Pois é, essa é uma das frases favoritas vomitadas por Lula sempre que possível. Mas, essa frase encerra também uma realidade cruel que resume a inoperância dos organismos legais que deveriam reprimir os desmandos de políticos que violam as leis; a leniência da sociedade com a violação sistemática de preceitos republicanos (e da própria lei) e a aceitação de uma ética elástica e de uma moral própria de canalhas em troca da possibilidade de comprar um carro ou uma televisão “de prasma” a perder de vista.

Sim, você pode afirmar que o Brasil vive melhor hoje. De fato, em alguns aspectos isso é verdadeiro. Mas, é importante compreender que as conquistas que temos hoje simplesmente não caíram do céu e nem foram fruto de mágicas ou fórmulas milagrosas; elas são oriundas de uma série de ações que ultrapassam a administração petista e do PSDB e se iniciam, bem lá atrás, no governo de Itamar Franco.

Por isso mesmo, a atual bonança econômica deve ser analisada mais de perto e entendida como a reunião dessas ações somadas a uma época de excepcional prosperidade internacional. Além disso, é muito mais vital que essa bonança seja revertida em conquistas reais para a sociedade e não meramente em propaganda partidária vazia.

Sim. Você que é um “ex-duro” pode comprar uma TV de “prasma” ou um carro zero em suaves prestações – quase infinitas – pagando juros altíssimos e impostos mais altos ainda. Contudo, seria importante entender que nada vale a Tv de “prasma” e o carro zero “tinindo” em casa se, para entrar ou sair dela, você ainda tem que pisar em seus próprios dejetos e nos dos seus vizinhos.

De nada adianta comer iogurte todo dia, beber espumante nas festas ou ter aquele empreguinho tão sonhado se, ao primeiro momento de necessidade, você morrerá por um atendimento médico deficitário ou totalmente inexistente em hospitais públicos sucateados e mal aparelhados.

É muito bom saber que Lula tem “zilhões” de popularidade e que Dilma deverá se eleger em primeiro turno. Mas, é muito mais importante, compreender que nessa terra de maravilhas que eles dizem governar; você teria morrido a míngua se fosse acometido pela mesma doença que ela ou o vice-presidente tiveram.

Ao brasileiro, cabe entender que bonança e primeiro mundo não são palavras que significam apenas a compra do carro zero, da TV de “prasma” ou um empreguinho com salário de fome. Bonança, significa respeito às leis (para todos), saúde de qualidade e acessível a qualquer pessoa, educação capaz de formar cidadãos preparados para garantir o futuro da nação e condições de vida que supram, pelo menos, o mínimo de dignidade de que o ser humano necessita.

Seria fundamental para o brasileiro entender que aceitar o escárnio às leis (seja por quem for) ou aceitar viver com migalhas que caem da mesa dos poderosos não é sinal de prosperidade. É sinal de subserviência e alienação.

Esse comportamento vitima muito mais do que a falta de emprego, a miséria econômica e qualquer outra mazela possível. Isso ocorre porque o escárnio às leis provoca o escárnio ao ser humano mais fraco e indefeso. Ele corrói as oportunidades iguais e favorece apenas aos ligados a uma determinada corrente de poder.

O escárnio às leis faz com que as necessidades básicas do ser humano e a dignidade do cidadão sejam sempre colocados em segundo plano, frente às necessidades da elite que o governa e se serve do poder.

E, por último, é do escárnio às leis que nascem à miséria, o desemprego e o marasmo econômico. E não desse ou daquele governo ou político.

A chave para banir esse pensamento subserviente e alienado de nosso país para sempre está apenas em nós. Somos nós que devemos passar a exigir o cumprimento das leis e a punição de quem quer que seja responsável pela sua violação – mesmo que sejamos nós mesmos ou pessoas a quem amamos – a isso chamamos de ética.

E é o mínimo que uma grande nação precisa que o seu povo tenha.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

China torna-se segunda maior economia global

17/08/2010

Informa o portal Globo.com sobre a evolução da economia chinesa:

“Depois de três décadas de crescimento espetacular, a China passou o Japão, tornando-se a segunda maior economia do mundo, atrás dos Estados Unidos, segundo dados divulgados nesta segunda-feira.

O marco já era esperado há algum tempo. Tóquio anunciou que a economia japonesa teve expansão de 0,4% no segundo trimestre, ficando em US$ 1,28 trilhão, pouco abaixo do US$ 1,33 trilhão registrado pela China no mesmo período.

O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos ficou em torno de US$ 14 trilhões em 2009. O crescimento do Japão ficou abaixo do estimado pelo mercado.

Segundo especialistas, o fato de desbancar o Japão — depois de ter passado Alemanha, França e Reino Unido — reforça o poder do crescimento chinês e as previsões de que a China ultrapasse os EUA, tornando-se a maior economia do mundo em 2030.”

Coluna do dia: O Brasil de Lula e os novos aliados democratas

09/08/2010

Por Arthurius Maximus*

Segundo Lula, o Irã é uma democracia. Talvez baseando-se no mesmo raciocínio torpe usado pelo nosso Presidente, muitos partidários de Lula acham o mesmo. Afinal, para esse pessoal, basta que um País tenha eleições para que seja considerado “uma democracia”.

Assim, também são consideradas “democracias”, várias nações africanas com governos totalmente ditatoriais e lunáticos sanguinários exercendo o poder com mão de ferro e espadas (ou baionetas, para sermos mais modernos) banhadas no sangue de seu próprio povo.

Longe de querer explicar aqui o que é uma democracia real, indico apenas um dos elementos que servem para determinar se um País é democrático ou não: a proteção do cidadão contra o Estado.

É esse, não a realização de eleições, o principal ponto que define um País como democracia. Afinal de contas, não há poder maior numa nação do que o poder do Estado. A máquina estatal é usada em regimes autoritários e ditatoriais para suprimir a vontade do cidadão e curvá-la perante a vontade do governo regente. Quando uma nação protege o cidadão comum contra a mão pesada do Estado, ela dá garantias de que esse mesmo indivíduo jamais será molestado ou usado como “exemplo” por quem quer que esteja no poder em determinado momento.

Mesmo que a política internacional seja repleta de detalhes intrincados, interesses ocultos e as mais diversas nuances, uma coisa que não muda nunca, quando países travam relações mútuas é a pergunta base que fazem antes de iniciar quaisquer conversações: “O que a outra nação tem a nos oferecer?”

Aqui, entenda bem, não está referido o povo que habita determinado pedaço do planeta. Nesta pergunta estão encerrados os interesses de um Estado em relação a outro. Assim, grosso modo, podemos definir essa “vontade inicial” como a troca de vantagens que podem beneficiar ambas as partes. Seja a cooperação comercial, militar, técnica ou política.

E a pergunta base, em relação aos nossos novos amigos conquistados pelo governo Lula é: Quais vantagens eles podem nos trazer?

Em minha opinião, praticamente nenhuma. Afinal de contas, nosso comércio com Irã e alguns países africanos sempre foi insignificante e, mesmo que haja um fomento momentâneo, os problemas advindos dessas parcerias podem nos trazer muito mais problemas do que soluções. O Irã foi um bom exemplo disso. Enquanto assinamos acordos de cooperação nuclear com o Irã, iniciamos o financiamento das exportações prometidas no tratado e, com a publicação das sanções da ONU, todo comércio com o país foi proibido (exceto alimentos e materiais comumente usados para as necessidades da população em relação à saúde, por exemplo).

Além disso, o desgaste internacional só aumenta e a visão de que passamos a ser um país intimamente ligado a esses governos totalitários prejudica a nossa imagem de nação progressista e democrática.

Transportando esse exemplo para o nível de um único ser humano, seria algo como ter amigos que fossem brigões de rua e assassinos que se orgulhassem de seus crimes e vivessem gritando isso aos quatro ventos. Você, por mais ligado a eles que fosse, se sentiria confortável com isso?

Mesmo que você ache que eu estou “pegando pesado”, responda de forma sincera se você se sente confortável com uma relação tão próxima – eu diria mesmo “bajulativa” – com uma nação que condena uma mulher a morrer apedrejada porque ela “cometeu adultério” ao relacionar-se com um homem APÓS A MORTE DE SEU MARIDO?

Você se sente confortável e aprova chamar de democratas um bando de homens que determina a essa mulher a impossibilidade de defender-se das acusações? Sim. Pois o seu advogado viu-se obrigado a fugir para a Noruega ao ter a sua vida e a sua família ameaçadas por esse “Estado democrático” que apoiamos cegamente.

Além disso, você se sente bem ao saber que esse mesmo Estado está para executar um jovem de 18 anos pelo terrível crime de ser homossexual? O mais dramático no caso é que sequer foram encontradas provas de que o rapaz seja mesmo um homossexual. A condenação baseia-se simplesmente num “preceito muito democrático” da lei iraniana chamado “conhecimentos do juiz”, um mecanismo legal que permite que autoridades judiciárias emitam sentenças em casos em que não há evidências conclusivas.

Ou seja, não há provas ou testemunhas. Mas, o juiz te olha e diz: “Você é culpado”.

Pronto. Basta isso para que você seja condenado à morte e executado rapidamente.

Esses são os “democratas” que acompanham o Brasil atualmente e que são abraçados como nossos novos “irmãos” ideológicos na luta contra “o Grande Satã”.

Com vocês um poema que ilustra muito bem o que vem acontecendo em nosso País em nome de uma melhoria econômica que é frágil e que – em longo prazo – está ameaçada pelos próprios elementos que a mantém artificialmente nesse momento:

“Na primeira noite, eles chegam mansamente

e roubam uma flor do nosso jardim.

E nós não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem.

Pisam nas flores de nosso jardim, batem em nosso cão

e nós, mais uma vez, não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles entra em nossas casas,

violenta a nossa família, bate em nossas crianças

e arranca-nos a voz da garganta.

E nós, mais uma vez, não podemos falar nada,

porque já não temos voz….”

Eduardo Alves da Costa

(e não Maiakoviski)

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Cem milhões de brasileiros vivem com dinheiro público

19/07/2010

Informa o Globo:

“Esforço do governo federal para tirar da pobreza absoluta 12,8 milhões de pessoas nos últimos anos – resultado, principalmente, de políticas de aumentos reais do salário mínimo e do funcionalismo, bem como da ampliação do Bolsa Família – transformou o orçamento federal numa grande folha de pagamento, segundo cálculos do economista especializado em contas públicas Raul Velloso. Tomando como base as despesas não financeiras da União em 2009 (que excluem pagamento de juros da dívida pública ou concessão de empréstimos), 48,8 milhões de brasileiros dependem diretamente do dinheiro advindo da arrecadação de impostos. Segundo reportagem deste domingo de O GLOBO, são grupos que vão de gente beneficiada com o seguro-desemprego ou o Bolsa Família até assalariados do funcionalismo público e aposentados, que contribuíram boa parte da vida em troca da remuneração.

Como, na sua grande maioria, esses pagamentos se configuram em renda familiar, o número de beneficiados é na prática bem maior. Se levado em conta que essa renda ajuda a manter ao menos duas pessoas (núcleo familiar básico) – e, no caso do Bolsa Família, núcleos familiares mais numerosos -, argumenta Velloso, a quantidade de brasileiros que vivem de recursos advindos da arrecadação tributária sobe para cerca de cem milhões de pessoas. Mais da metade da população do país.

No orçamento de 2009, observa o economista, esses gastos representaram R$ 570,5 bilhões, ou 77% de todos os gastos não financeiros – uma enormidade, dado que as despesas com saúde representaram 7,3% dos gastos totais, e os investimentos públicos, 6%. Na comparação com o orçamento de 2005, o número de brasileiros beneficiados diretamente passou de 40 milhões para 48,8 milhões, alta de 22% em cinco anos.

- Quando um governo tem tanta gente dependendo dele em termos de renda, isso dá um poder de influência eleitoral muito grande – diz Velloso. – Especialmente nos últimos anos, quando foi praticada uma política agressiva de aumentos reais do salário do funcionalismo e dos aposentados, sem contar a ampliação maciça do Bolsa Família.

Essa não é bem a lógica de cientista políticos, filósofos e sociólogos especialistas em analisar o impacto de políticas públicas no processo eleitoral, ainda que todos concordem que as políticas de distribuição de renda possuem um componente poderoso de atração de votos. Fernando Abrucio, doutor em ciência política pela USP e professor da FGV de São Paulo, diz que programas como o Bolsa Família têm o poder de atrair votos por causa da percepção de melhora na vida de famílias que não possuíam renda e passaram a tê-la. Mas ele não acha certo dizer que as políticas de recomposição real de salários e aposentadorias do governo Lula tenham o poder de se transformar automaticamente em votos para a candidata governista, Dilma Rousseff.

- Há uma expectativa de voto de aposentados do interior do Nordeste, por exemplo, que é muito diferente em comparação a aposentados de grandes núcleos urbanos no Sudeste e Sul, gente que provavelmente possui outra base educacional e acesso à informação – diz Abrucio. – E nem todos os funcionários públicos estão satisfeitos com as políticas do governo para o setor. Esse raciocínio tem limites.”

Quando se lê uma manchete como essa e, depois, percebe-se, lendo o corpo da matéria, que ela não é uma lorota, chega-se à conclusão de que algo está errado neste País.

Muito errado.

Digo e repito neste blog: Os programas assistenciais são, hoje, necessários, porém há que se ter uma porta se saída.

Programas como o Bolsa Família devem ser, necessariamente, temporários, paliativos, e não permanentes e interpretados como política pública basilar.

Ele é corretivo. E o erro que se visa corrigir deve ser extinto e não apenas abafado.

Sendo assim, precisamos urgentemente de portas de saída para os programas assistenciais como por exemplo cursos profissionalizantes para os jovens, ensino supletivo para os adultos e educação de base para as crianças, bem como fomento fiscal a empresas que gerem empregos em locais que são bolsões de pobreza.

Fim das contas, não é possível que tenhamos 100 milhões de brasileiros dependendo de Estado e achemos normal.

Não é e não deve ser normal.

Nunca.

Coluna do dia: Sanções internacionais – Por quê?

17/06/2010

Por Felipe Liberal*

Eu odeio sanções. Podem ser econômicas ou políticas, eu as odeio. Tudo parece óbvio neste maldito planeta. É sempre a mesma coisa: sanções contra o Irã, Cuba e Coreia do Norte. Vindas de quem? Principalmente dos EUA. Eles, de fato, conseguem evitar que a evolução da História continue.

Quando vamos conseguir separar o sistema político adotado pelos iranianos, cubanos e coreanos do seu povo? Quando vamos entender que sanções só servem para prejudicar seres humanos que não tem nada a ver com interesses estúpidos e infinitos de alguns países? Até quando vamos suportar que cinco países decidam quem merece sofrer ou não?

Eu discordo de muita coisa que acontece nesses três “malditos” países, como também discordo de muita coisa que acontece nos EUA, Inglaterra e China, por exemplo. Nem por isso esses últimos mereceram ou merecem sanções por parte da ONU. Parece óbvio.

O Irã é totalitário? Sim. Mas a China também é. Cuba faz prisioneiros injustamente? Sim. Os EUA também fazem (vide Guantánamo e a “desativada” Abu Ghraib). A Coreia do Norte restringe a liberdade de informação? Sim. Mas todos os países europeus também fazem, inclusive comprando jornalistas e blogs (vide Yoani Sanchéz).

Então você deve estar se perguntando: portanto todos merecem sanções, né? Não. Discordaria totalmente de você. As sanções são a pior maneira de se tentar um acordo. O sistema socialista cubano sobrevive desde 1959 com fortes sanções estadunidenses, nem por isso a ilha cedeu ou aceitou as exigências internacionais. A Coreia do Norte passa pela mesma coisa, sofre sérios embargos dos países europeus e até asiáticos, na própria vizinhança, e nem por isso desistiu do seu isolamento exagerado.

Não é com o “big Stick” que as coisas se resolvem. Agressão gera agressividade. Até quando vamos conseguir ficar sem entender isso? Não podemos gerar paz com guerra. Não podemos construir um mundo melhor trazendo o que há de pior no ser humano, que é a raiva, a discórdia e a guerra.

A ONU é a maior farsa que o mundo já pôde ver. O organismo da paz é o maior gerador dos conflitos e problemas que temos hoje. Principalmente por ser comandada por países que precisam da guerra para sua própria sobrevivência, países sedentos por sangue e dinheiro. Meus caros, EUA, Inglaterra, China, Rússia e França querem tudo, menos a paz. Novamente parece óbvio.

E tudo isso só vai ser mudado, quando nós mudarmos também.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Artigo do leitor: A agenda presidencial

11/06/2010

Continuando a abrir espaço para artigos escritos por leitores do Perspectiva, reforçando mais uma vez a interação entre estes e o blog, publico texto de autoria do leitor Paulo Palito:

Paulo Palito*

Vejamos a agenda do Presidente da República de 09/06/2010:

Amanhece em Natal (RN), depois vai para Maceió (AL), a seguir Aracaju (SE).

Quando não estiver dentro do avião, estará seguramente fazendo discurso. Talvez uns cinco.

Tenho observado que esta agenda do nosso Presidente tem sido comum durante todo o seu mandato.

Será que ele montou uma boa equipe para governar o País? José Dirceu, Antonio Palocci, Marco Aurélio Garcia, Franklin Martins, etc? Não acredito.

Os bons índices econômicos que o País vem conseguindo são fruto da sua própria pujança, fortalecida a partir da época de Itamar Franco com o lançamento do Plano Real, que tirou o País de uma inflação de 80% para quase o zero atual e acelerou o desenvolvimento.

Aliás, o grande mérito do governo Lula foi dar prosseguimento às metas econômicas dos governos anteriores. Sem falar nas metas sociais, como a Bolsa Escola criada no governo anterior e que ele mudou de nome. Hoje é Bolsa Família.

Realmente a parte econômica vem se mantendo boa. Mas e o resto das instituições do País? A impunidade defendida e o desrespeito às leis que o Presidente da República pratica, como ficam? Justamente ele que deveria dar o bom exemplo.

O índice de popularidade atual do Presidente Lula pode, num futuro próximo, se transformar numa grande decepção para os brasileiros. Não somente pelo Presidente, mas principalmente pelo seu partido, o PT.

A meu ver, na eleição de outubro o ideal seria o vencedor ser um candidato com um perfil ético parecido com de Lula quando candidato, mas que depois de eleito honrasse o que pregava na campanha…

*Paulo Palito é leitor do Perspectiva Política

Coluna do dia: Não deixe de ir à Europa – Vá conhecer o Tax Free!

29/05/2010

Por Yashá Gallazzi*

Esqueçam o Arco do Triunfo, o Louvre e a Torre Eiffel. Não liguem pra Westminster, pra Tower Bridge e pra Baker Street. O Coliseu? Uma coisa secundária e sem importância. A principal descoberta que fiz na minha viagem de férias à Europa foi o instituto da “Tax Free”.

A brincadeira é bem simples: sempre que um turista gastar numa mesma loja, num mesmo dia, 175 ou mais euros, terá direito ao reembolso do percentual referente ao IVA, que é, literalmente, o imposto sobre o valor agregado. É como se o Estado dissesse: “Obrigado a você, que movimenta nossa economia e ajuda a produzir tantas riquezas. Em troca, vamos deixar de roubar uma parte do seu suado dinheiro.” Parece pouco – e é! -, mas quando se vem do Brasil, um País onde a carga tributária imposta pelo governo aos cidadãos é obscena frente ao retorno social apresentado, o Tax Free soa como música nos ouvidos.

Eu adoro essas coisas “pequeno-burguesas” como férias, viagens e compras. Fico particularmente fora de controle em lojas de artigos esportivos, principalmente aquelas de camisas de times de futebol. É só ver uma novidade fabricada pela Adidas, e pronto: já esqueço que sou um mero assalariado e saio em desvairada carreira atrás do produto.

Em Paris e em Milão, comprei uma enormidade de camisas de futebol, algumas das peças mais lindas do mundo. Em ambas as compras, fiz jus ao Tax Free, que me foi prontamente concedido pelas funcionárias das duas lojas. Foi tudo muito simples: as moças pegam o cupom fiscal, transcrevem os produtos adquiridos para um “travel check” endereçado à autoridade alfandegária e me entregam o documento. Cabe a mim, no dia da viagem de volta, procurar a alfândega do aeroporto e apresentar o “travel check”, a fim de solicitar o reembolso do que foi pago a título de IVA.

Por que os Estados da Europa decidiram criar o Tax Free? Simples: os turistas que visitam os países do velho mundo são responsáveis por boa parte das riquezas ali geradas, principalmente graças ao dinheiro que gastam em suas compras. Além disso, um turista, justamente por estar em trânsito, não goza das mesmas prerrogativas conferidas aos cidadãos europeus, razão por que é desnecessário lançar sobre os ombros daqueles mais essa carga de tributos.

Não. Eu não sou ingênuo o suficiente para acreditar que o Tax Free é uma bondade dos governos europeus para com os cidadãos. Não existem governos bons. Isso seria um paradoxo insuperável. O Tax Free é, isso sim, a prova de que governos podem ser – se me permitem a construção – “menos malvados”. Ou, para ser mais objetivo, mais sensatos. Se os turistas gastam tanto e movimentam tanto a economia, por que não incentivá-los a gastar ainda mais? Bingo!

Assim, basta ter o cuidado de pedir o benefício do Tax Free nas lojas, apresentar o “travel check” na alfândega do aeroporto e pronto: em apenas algumas semanas o turista feliz pode receber o falor pago a título de IVA de volta, como crédito em seu cartão. Notem que eu apontei a necessidade de se esperar “algumas semanas”… É, também não sejamos exigentes demais, não é mesmo? Já é difícil encontrar governos “menos malvados”. Encontrar governos eficientes é apenas utopia… Sim, eles demoram. Mas pelo menos demoram bem menos do que o governo brasileiro para restituir o que nos é roubado por meio do imposto de renda.

Calculo que receberei de volta, a título de Tax Free, uns 80 euros. O problema é que a viagem de volta, de per si, causou-me um prejuízo de uns 100 euros, já que algum valente operário de aeroporto decidiu abrir uma de minhas malas para fazer um pouco de justiça social: tirou duas das várias camisas de time que eu comprara e resolveu ficar com elas para si – ou trocá-las por uma boa garrafa de cachaça, sei lá…

Eis aí a lição que aprendi com o episódio: se você é turista, pode até “lucrar” com a Tax Free instituída pelos governos do primeiro mundo. Mas, se estiver voltando para o terceiro mundo, a chance de sofrer prejuízos é muito grande…

*Yashá Gallazzi, escrevendo excepcionalmente em um sábado, é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Coluna do dia: A flexibilização das leis trabalhistas e a sociedade do espetáculo

05/05/2010

Por Raphael Machado Silva*

Os últimos anos têm visto ataques cada vez mais encarniçados e fanáticos contra os chamados ‘direitos trabalhistas’. Todas as forças do parasitismo econômico nacional e internacional (e seus ‘intelectuais’ de estimação) concentram seus esforços no sentido de fazer voltar o tempo ao período paradisíaco (para o parasita econômico) no qual o empresário não tinha qualquer compromisso para com os seus empregados ou para com a sociedade em geral.

Um período que mesmo comparado com a Baixa Idade Média só pode ser visto como involução e degeneração, posto que mesmo os senhores feudais mais tirânicos ainda assim possuíam várias obrigações para com seus servos, principalmente a de segurança, cujo cumprimento era garantido pela honra do nobre em questão, elemento vinculante muito mais forte e coercitivo do que qualquer contrato lavrado em cartório, ao menos em períodos e civilizações em que a virulência liberal e burguesa ainda não havia adquirido a supremacia entre os outros valores.

É possível imaginar a sensação de prazer que sente o empresariado liberal ao conceber o paraíso da irresponsabilidade total. Provavelmente deve ser a mesma sensação que sentiam os capitães piratas do século XVI. Em verdade, os parasitas econômicos (ou seja, a classe capitalista pseudo-produtiva) são exatamente como os corsários ingleses: possuem a licença legal e oficial para a realização de saques e rapinagens. A liberdade econômica burguesa liberal é a liberdade para a rapina e o saque irrestritos.

Mas parece, porém, que essa licença para saquear é o que há de relevante para o parasita econômico em suas relações para com o Estado e a Sociedade. Se está dentro da legalidade jurídica, então não há nada mais a ser discutido, a não ser a maximização dos lucros. Se o parasita é ‘respeitador dos Direitos Humanos’ (principalmente da santíssima trindade burguesa: vida, liberdade e propriedade) e atua dentro da legalidade do ordenamento jurídico, então ele deve ser livre para atuar segundo a ‘autonomia de sua vontade’.

Com a total desintegração dos laços comunitários, a decadência dos costumes e o estado de despotismo imposto pela classe capitalista industrial, seria natural que no seio da sociedade industrial lentamente começasse a se desenvolver um espírito de reação contra a ameaça burguesa.

Não é possível romper tão radicalmente um estado de harmonia, ainda que frágil, como o era a comunidade feudal, sem que isso provoque a tentativa de se tentar restaurar a harmonia comunitária da maneira que for possível.

A harmonia comunitária, porém, só pode ser restaurada por meio de uma Revolução. Esse é o autêntico sentido da Revolução: re-voltar é promover o retorno a uma forma superior que reside em um passado tradicional. ‘Progresso’ e ‘Revolução’ são antíteses.

Por isso é que é ilógico e absurdo afirmar que há qualquer tipo de ímpeto revolucionário no marxismo. O marxismo é exatamente a ideologia mais contrarrevolucionária possível, posto objetivar ele o aprofundamento exatamente das tendências mais obscurantistas de toda forma de progressismo e modernismo.

Conquanto seja o inimigo um parasita econômico, a Revolução é simplesmente uma medida essencial para se restaurar o vigor, a saúde e a harmonia do organismo social. Se os inimigos da sociedade industrial foram apropriados por homens maliciosos adeptos de ideologias funestas, isso em nada interfere ou influi no sentido da revolução. As forças revolucionárias, então, começaram a pressionar e combater os inimigos parasitários da sociedade, de modo a extirpá-los como se fossem um tumor cancerígeno. O parasita, por sua vez, encastelado e em posse do Estado, combateu a Revolução por meio do aparato repressivo do Estado.

Continuasse o duelo de forças, a vitória seria certamente das forças revolucionárias. Os parasitas econômicos, porém, maliciosos por natureza graças a sua origem plebéia de mascates, chegaram à conclusão de que havia um meio melhor de se afastar definitivamente a ameaça revolucionária.

O fato é que nada é mais difícil do que professar uma completa rejeição do statu quo. Apenas homens de vontade férrea e moral inabalável são capazes de sustentar uma rejeição radical a uma estrutura político-econômica por tempo indeterminado. As massas são por natureza inconstantes e acomodadas. Ademais, elas são incapazes de visualizar objetivos a longo prazo. Quando a massa se mobiliza, ela o faz para resolver um problema que a afeta naquele momento. E nada mais.

Foi assim estabelecido um ‘compromisso’. Certas benesses passaram a ser lentamente concedidas aos trabalhadores, com o objetivo de afastar a ameaça revolucionária. A estratégia foi um sucesso absoluto. A maioria esmagadora das massas, incapaz de sustentar uma ética revolucionária, se vendeu por migalhas, liderados por traidores covardes, os pais da ‘social-democracia’. A ‘social-democracia’, portanto, surgiu da traição das aspirações revolucionárias.

Não há, portanto, idealismo algum inserido nos ‘direitos trabalhistas’. Eles são, e sempre foram, meios de apaziguar as massas por meio de certas concessões. Ainda assim, estabelecem, indubitavelmente, uma conjuntura existencial menos pior do que a que a precedeu. Deve-se sempre ter em mente a finalidade pragmática contida na essência desses direitos.

Assim sendo, a existência dos direitos trabalhistas, ou sua rigidez e coercitividade, estão diretamente ligados à necessidade de seu uso para a consecução de sua finalidade original. A questão, portanto, da flexibilização dos direitos trabalhistas passa absolutamente distante de qualquer preocupação econômica pontual. Não é a ‘eficácia’ da economia, ou a lucratividade alcançada pelo empresariado que reside na essência dessa questão.

Ocorre que o desenvolvimento tecnológico e o desdobrar da ideologia capitalista deram origem ao que se chama ‘Sociedade do Espetáculo’, na qual o entretenimento e o fetichismo das commodities culminaram no surgimento de uma ‘cultura do consumo’, a qual propicia inevitavelmente a homogeneização cultural e, principalmente, a alienação.

A submissão do homem moderno à mídia de massa e à ideologia do consumo o mantém perpetuamente em um estado de espectador passivo do mundo ao seu redor. Seu meio de ‘interferência’ nas estruturas políticas de poder se dá basicamente por meios ineficazes e superficiais como o ‘voto’, fúteis passeatas de rua e os meios jurídicos de postular direitos. Todos estes métodos oferecidos pela própria estrutura de poder vigente e, portanto, incapazes de alterar a essência da mesma.

Não há situação mais contrarrevolucionária do que esta na qual os únicos interesses do homem são seu conforto, seu prazer e sua segurança. Seu processo de apaziguamento se tornou completo e foi efetivado de modo muito mais satisfatório do que seria possível através de quaisquer benefícios jurídicos. Assim sendo, que função poderiam exercer os ‘rígidos’ direitos trabalhistas? A partir de um ponto de vista pragmático, nenhum. De meio de defesa, eles passaram a ser um estorvo caro, posto não serem mais necessários para alcançar sua finalidade original.

Nada mais lógico, portanto, do que suprimi-los lentamente. Não haverá sérias consequências. Não haverá nenhuma revolução.

A televisão já é suficiente para impedir isso.

*Raphael Machado é colunista do Perspectiva Política às quartas.

Lula afirma que não se pode afrouxar o controle da economia por conta de eleição

01/05/2010

Disse o Presidente Lula:

“Nós atingimos um grau de maturidade em que a gente não pode, por conta de uma eleição, afrouxar o controle da economia e deixar a coisa desandar, senão não controla mais.

Concordo plenamente. E reconheço o acerto do Presidente Lula ao dizer isso.

Contudo, mantém-se em mim – e acredito que em outros – o receio de que a independência do Banco Central seja de alguma forma diminuída visando reduzir o desgaste político do governo e o consequente desgaste eleitoral de Dilma Rousseff que poderia advir de uma alta de juros considerável próxima da eleição.

E a provação das teses existirá:

O COPOM se reúne no final de agosto, quando a campanha estará no auge, e depois entre o primeiro turno e um eventual segundo turno. Decisões impopulares nestas datas podem afetar o resultado de Dilma Rousseff de alguma forma. Em uma disputa acirrada, poderão fazer alguma diferença.

O governo terá a chance de provar que a autonomia do BC é para valer e que o comprometimento com a estabilidade da economia e com o futuro do País é maior – como deve ser – do que o ímpeto de eleger Dilma Rousseff.

Isso se dá pois já é previsível que a medida correta nestas datas será a elevação dos juros.

O governo os elevará pensando no País ou os manterá – ou reduzirá – pensando em Dilma?

Quem viver verá.