Postagens com a palavra-chave ‘Durval Barbosa’

Agnelo Queiroz, pré-candidato petista ao governo do DF, teve acesso aos vídeos que mostram propinas

13/02/2010

Informa a Folha:

“Pré-candidato do PT ao governo do Distrito Federal, o ex-ministro Agnelo Queiroz trouxe desconforto à sigla ao ser obrigado a admitir que assistiu ao vídeo do governador José Roberto Arruda (sem partido) recebendo propina antes de ser deflagrada a Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. Ele não levou o caso às instâncias partidárias e tampouco ao Ministério Público.

O petista assistiu a três vídeos no ano passado, no Palácio do Buriti, no gabinete de Durval Barbosa -ex-secretário de Articulação Institucional de Arruda responsável pelas gravações clandestinas que trouxeram à tona o suposto esquema de corrupção no DF.

Apesar de o PT tentar tratar o caso como superado, especulações sobre a possibilidade de Barbosa ter gravado também o encontro com Agnelo sacudiram os ânimos no partido e levaram setores a defender a candidatura do deputado federal Geraldo Magela ao governo do DF. Consultas jurídicas foram feitas sobre se o episódio configuraria prevaricação de Agnelo.”

Deus nos acuda!

Está parecendo que todos os grandes nomes da política distrital estão, de alguma forma, mais intensa ou menos intensa, envolvidos com o escândalo das propinas que abalou o cenário do Distrito Federal e que já é marca na história política do País.

As reviravoltas se sucedem: Arruda era favorito à reeleição e agora é um cadáver político. Paulo Octávio, seu Vice, foi cogitado como candidato mas sofre desgaste que inviabiliza essa hipótese. Joaquim Roriz, outra possibilidade – ruim, diga-se de passagem – para o povo do DF, é apontado como mentor de todos os esquemas, que teriam se iniciado em sua gestão. Agora Agnelo Queiroz, em cujo colo parecia estar caindo a eleição distrital desse ano, é envolvido de forma não gravíssima, mas prejudicial.

O PT do Distrito Federal está certo ao estar reticente quanto a Agnelo a partir de agora, passando a considerar para o governo o nome de Geraldo Magela, afinal, porque Agnelo não notificou as autoridades competentes quando tomou conhecimento do caso?

Quem Agnelo quis proteger? Ou pior: Que carta na manga Agnelo quis guardar?

Trata-se de envolvimento pequeno no caso, mas certamente complicador e gerador de fortes questionamentos.

Uma pena que Cristovam Buarque queira o Senado.

Não se trata de alguém perfeito, pois ninguém o é, mas aparentemente honesto, capaz e bem-intencionado.

Seria a melhor opção para o povo sofrido do Distrito Federal, aquele que continua a habitar o Planalto Central quando a semana parlamentar termina na quinta-feira.

CPI aprova convocação de Durval Barbosa, ex-secretário de Arruda que denunciou esquema no DF

15/01/2010

Informa a Folha, a respeito do fato de a CPI da Câmara Legislativa do Distrito Federal que está investigando o escândalo distrital ter convocado Durval Barbosa, ex-Secretário de Relações Institucionais do governo José Roberto Arruda e delator do esquema recém-descoberto que tomou o noticiário político:

“Por unanimidade, a CPI da Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou nesta quinta-feira a convocação do ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, delator do suposto esquema de corrupção no governo local, além de representantes de 23 empresas que são alvo de investigação do STJ (Superior tribunal de Justiça) e do Ministério Público Federal.”

As declarações de Durval Barbosa, envolvido no esquema que se utilizou do instituto da delação premiada e que já está sob proteção do serviço de auxílio às testemunhas, podem ou não ser reveladoras e bombásticas.

De qualquer forma, a ansiedade quanto a elas já existe e continuará existindo.

O Perspectiva cobrirá o assunto e avisará sobre os desdobramentos.

Coluna do dia: Escândalo no DF – Aquilo que é invisível para os olhos

06/12/2009

Por Matheus Passos*

“Só se vê bem com o coração; o essencial é invisível para os olhos.” Acredito que todos os leitores já tenham lido esta frase, ou já a tenham ouvido em algum momento de suas vidas. Da mesma forma, acredito que todos saibam de onde a frase vem: do livro “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, um dos livros mais traduzidos no mundo.

Estranho, não é mesmo? Estranho começar uma coluna sobre política com algo tão poético quanto “O Pequeno Príncipe” – embora saibamos que tal livro não é um mero “livro para crianças”: possui conteúdo filosófico que serve para as “crianças de todas as idades”. Mas o objetivo da coluna não é falar da filosofia de “O Pequeno Príncipe”. O objetivo é levantar dois questionamentos a respeito de um fato que ocorre aqui “ao lado de casa”, há exatos 25,3 km de onde moro, segundo o Google Maps: a corrupção na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).

Antes de começar, quero deixar claro que não sou favorável a absolutamente nenhum tipo de corrupção. Apropriando-me das ideias de meu colega colunista Yashá Gallazzi, não me importa se o corrupto é de esquerda, de direita, de centro, de cima ou de baixo: corrupto bom é corrupto na cadeia, pagando pelos erros cometidos.

Feita tal ressalva, surge a primeira pergunta: notaram que quem lançou tudo “no ventilador” foi Durval Barbosa, uma das pessoas mais próximas de Joaquim Roriz? Quem mora no DF sabe a aura de “salvador da pátria” que Roriz tem por aqui. Quem mora no DF sabe que há uns 15 anos (talvez mais) a política local é plebiscitária – muito mais do que tem sido em âmbito nacional –, oscilando entre Roriz e seus aliados de um lado e o PT e seus aliados de outro. E quem mora no DF sabe que Roriz não quer largar o osso de jeito nenhum, tanto que saiu do PMDB e se filiou a um partido pequeno objetivando voltar nas eleições do próximo ano, com grandes chances de ser eleito – porque foi ele que fez a população do DF aumentar em mais ou menos um milhão de habitantes em 10 anos, graças à sua política de distribuição de lotes.

Que coincidência, não é mesmo? Justamente aquele que é um dos principais “braços-direito” de Joaquim Roriz resolve, há menos de um ano das eleições, abrir o bico a respeito de algo que teria acontecido antes mesmo da eleição de Arruda – portanto, ainda durante o mandato de Roriz.

Durval Barbosa resolveu falar no momento em que Arruda tinha índices de popularidade razoáveis, que, se não lhe garantiriam a reeleição no ano que vem, com certeza o colocava como um dos principais candidatos, ao lado de Roriz – com boas chances de vencer o mesmo.

Durval Barbosa resolveu falar no momento em que Arruda, se expulso do DEM, não poderá concorrer no ano que vem, por faltar menos de um ano para as eleições e não haver mais tempo hábil para a filiação a um novo partido.

Em suma: Durval Barbosa falou no momento exato de tirar Arruda da competição eleitoral do ano que vem, pavimentando o caminho para que Roriz vença – pois quem mora no DF sabe que no momento o PT não possui nenhum nome suficientemente forte por aqui para competir com Roriz (o deputado Geraldo Magela que o diga), e que o único que se encontrava no caminho do retorno de Roriz era Arruda.

O segundo questionamento também é simples: quem fez a investigação? A Polícia Federal, é claro. Que é comandada pelo governo federal, ou seja, pelo PT – cujo partido opositor é, dentre outros, o DEM. Que, por sua vez, vinha fazendo, ultimamente, uma forte campanha oposicionista ao governo federal, até mesmo com o lançamento – ainda que tímido, mas já uma evolução em relação à política brasileira – de propostas alternativas ao que o governo vem fazendo.

Claro está, neste caso, que o governo federal quis dar uma pequena mostra de sua força ao DEM, atacando o único governador que este partido possui – e que, como já falado, teria grandes chances de reeleição no próximo ano.

O governo federal quis dar uma pequena mostra de sua força ao DEM, atacando o único governador que este partido possui – e que vinha fazendo uma boa política de boa vizinhança com o governador de Goiás e o de Minas Gerais, no que diz respeito a políticas públicas para o Entorno do DF.

O governo federal quis dar uma pequena mostra de sua força ao DEM, atacando o único governador que este partido possui – bem como sua base aliada na Câmara Legislativa do Distrito Federal, cuja maioria apóia o governo de Arruda.

Em suma: o governo federal atacou na hora exata, no sentido de enfraquecer o único governador que o DEM – partido que vinha ultimamente cutucando demais o governo – possui.

Para terminar esta coluna, deixo um terceiro questionamento: em algum momento a grande mídia apresentou tais ideias ao público? Em algum momento a Rede Globo explicou as relações existentes entre DEM e PT? Em algum momento a Rede Globo falou a respeito da força que Roriz tem no DF, força esta fundamentada no mais retrógrado populismo-assistencialismo possível? Corrijam-me se eu estiver enganado, mas tais ideias, em nenhum momento, foram apresentadas claramente ao grande público. Mostraram-se apenas as imagens que chamam a atenção e causam indignação a qualquer um, em qualquer lugar do mundo: políticos recebendo dinheiro vivo. Mas nada, nenhuma análise a respeito das motivações da divulgação destas imagens. Nada, nenhuma palavra a respeito da vinculação de tais fatos às eleições do próximo ano. Nada, nenhuma palavra a respeito das motivações do governo federal.

É como diria Saint-Exupéry: “o essencial é invisível para os olhos”.

*Matheus Passos, escrevendo excepcionalmente em um domingo, é colunista do Perspectiva Política aos sábados, cientista político, editor do blog Pensar Politicamente e escreve no Twitter em @mpassosbr.

Coluna do dia: Não se tem mais corrupção como a de antigamente

03/12/2009

Por Felipe Liberal*

Que saudade! Quanta saudade da verdadeira corrupção, da legítima roubalheira e da autêntica estripadorologia. Sim! Que saudade de uma boa estripada.

Jack, o Estripador – que nunca foi pego e nem se sabe se era homem ou mulher – é a melhor representação dos nossos políticos, os estripadores em massa, o verdadeiro genocídio da “estripadaria”. Mas isso acabou. Maluf, ACM, Collor, Sarney, Pitta, FHC (com a privataria e mensalão), etc, foram substituídos por  espertalhões de “meia tigela” como Arruda, José Dirceu, José Genoíno, o Drácula Serra, Severino Cavalcanti, etc.

Imagino a cara de Maluf sentado na sua cadeira do papai, assistindo a todos esses amadorismos fraudulentos, esses mensalinhos do jardim da infância e aqueles superfaturamentos estilo Fundamental I.

Minha gente! Pensemos na nossa imagem lá fora, somos os únicos que possuímos a corrupção em todos os setores da sociedade: futebol, esportes amadores, política, saúde, educação, cultura, etc. Todos caminhando juntos, unidos. Pensemos na imagem, pois estamos regredindo profundamente.

Mensalão é coisa de “mulherzinha”, homem que é homem tira dinheiro de poupanças, superfatura todas as obras da cidade e “estripa” os cofres públicos “de jeito”.

Peço aqui, encarecidamente, que os nossos “Jacks” mostrem a arte da “estripadaria” para nossos jovens políticos que estão começando agora suas vidas públicas, e finalmente coloquem as coisas em seus devidos lugares.

Que ACM, de onde ele estiver, possa iluminar essas “crianças” da política brasileira a encontrar seu destino, para que o Brasil não seja uma verdadeira vergonha lá fora e aqui dentro.

Que Sarney possa abrir a cabeça de Arruda ou Durval e mostre a eles que o melhor de tudo não é o desvio, mas a arte, a classe e acima de tudo a discrição do mesmo.

Cuecas, meias e calcinhas não são lugares adequados para um legítimo esconderijo de dólares e reais. Imagino o enjôo de Sarney ou Collor ao ver esses “trombadinhas” enfiando dinheiro no “cofrinho”.

Isso tudo para mim é uma vergonha, um ataque à verdadeira corrupção do Brasil. Não se respeita os mais experientes como antigamente. Não se fazem mais corruptos como antes. Será que até nisso o Brasil vai ser atrasado?

Que saudade de uma boa estripada, daquelas gostosas!

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

José Roberto Arruda: José Thomaz Nonô deve recomendar sua expulsão

03/12/2009

Depois de o Deputado José Carlos Machado (DEM-SE) declinar da indicação para a relatoria do processo disciplinar aberto contra José Roberto Arruda, José Thomaz Nonô, ex-Deputado, foi o democrata escolhido por Rodrigo Maia (DEM-RJ), Presidente da legenda, para relatar a questão que decidirá o futuro do Governador do Distrito Federal, envolvido em escândalo revelado por gravações feitas por Durval Barbosa.

Nonô já deixou claro que seu julgamento será político e que seu relatório responderá a uma simples pergunta: Arruda merece continuar no convívio do partido?

Na minha opinião, a resposta deveria ser não.

Também é o que entende o Deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), que declarou que a decisão do partido, a ser proferida daqui a nove dias, será, com certeza, a de expulsar Arruda de seus quadros.

O processo disciplinar seria apenas uma formalidade, concedida a Arruda para que ele não possa alegar que não teve direito algum de defesa. Tomara mesmo que a visão do Democratas seja essa, ou seja, a de que foi necessário ceder para não radicalizar demais, e não por conveniência.

Acredito que a posição de Arruda permanece insustentável. Não surgiu nada que possa representar uma rota de fuga para o Governador do DF. Ele apenas prorroga o inevitável. É praticamente um cadáver político.

O PSDB de Aécio Neves, que admitiu que o escândalo brasiliense pode ter algum efeito nas eleições de 2010 no que diz respeito à aliança nacional PSDB-DEM, já abandonou o governo Arruda.

E seis pedidos de impeachment contra Arruda já foram protocolados na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Por mais que o Governador possa pensar que eles não darão em nada, por conta do fato de ele controlar o Legislativo estadual, não deveria o mesmo contar com isso.

O STF, em 2006, em decisão sobre escândalo de corrupção em Rondônia, entendeu que a Assembleia estava por demais envolvida para decidir sobre a prisão de deputados. Entendimento semelhante poderia permitir o afastamento de Arruda.

De qualquer forma, tudo indica que a expulsão de Arruda é apenas uma questão de tempo, que as explicações do Governador não convenceram seu partido, que o seu prazo de defesa é meramente protocolar e que o relator do processo disciplinar contra Arruda, José Thomaz Nonô, vai recomendar a expulsão.

Melhor assim.

José Roberto Arruda: 8 dias para se defender

01/12/2009

Foi dado o veredito do Democratas a respeito da situação de José Roberto Arruda e do escândalo que o cerca: O Governador do Distrito Federal terá 8 dias para se defender.

Não houve expulsão sumária, o que acredito que seria o mais apropriado, mas foi aplicado o prazo mínimo previsto pelo estatuto do partido para esse tipo de caso.

O Presidente do Democratas, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tomou a decisão de encerrar o processo disciplinar até o próximo dia 10. Sendo assim, Arruda tem até o dia 8 para formular sua defesa, já que o dia 9 será tomado pelo parecer do relator e o dia 10 já será o do posicionamento da Executiva da legenda.

Entendo, como já disse, que Arruda deveria ser expulso desde já. Infelizmente, a decisão tomada não foi essa, talvez por receio de que, se sentindo injustiçado, o Governador comece a criticar seus colegas de partido.

Contudo, acredito que não foi uma decisão de todo ruim. O prazo é curto, como deveria ser qualquer prazo dado para alguém que é alvo de denúncias tão contundentes e consistentes como as apresentadas. Já que não expulsou Arruda, fez bem o DEM ao referendar a decisão de Rodrigo Maia.

Existem, claro, alguns poréns. O relator escolhido por Maia, por exemplo, declinou. José Carlos Machado (DEM-SE) desistiu da missão menos de uma hora depois ser designado, alegando falta de conhecimento jurídico e preparo para tal tarefa.

Terá que ser escolhido um novo relator. Esperemos que não haja um “jogo de empurra”. Demóstenes Torres (DEM-GO), por exemplo, poderia muito bem assumir o papel, já que está tão decidido a defender a ética e a imagem que o partido tem lutado para reconstruir.

Enquanto o PSDB, aliado do DEM nacionalmente, abandona o governo de Arruda, o Governador fala com o Correio Braziliense. Parece que será publicada entrevista exclusiva com Arruda, cujo conteúdo devemos aguardar para ler ansiosamente.

Ao mesmo tempo, fica a dúvida muito bem levantada por Janio de Freitas, da Folha, que se pergunta onde estão as investigações contra o ex-Governador Joaquim Roriz. Ora, se todos os esquemas remetem ao seu governo, a ele e aos seus homens de confiança, como Durval Barbosa, como pode não haver envolvimento dele na persecução dos fatos?

Janio acerta na mosca: Parece que necessitamos de outra investigação. Uma para saber porque Roriz é intocável.

Por fim, ressalto que devemos, como cidadãos brasileiros, cobrar que o DEM cumpra o que foi decidido: Ao fim do prazo exíguo, o Governador Arruda tem que ser julgado pelo partido.

Se a defesa dele não convencer, o que é provável, deve ser expulso. Simples assim. Nada de prorrogacões de prazo, nada de jeitinhos.

Se o DEM cumprir os 10 dias, ainda haverá espaço para o partido dizer que tratou o caso de forma diferente da que o PT tratou o mensalão.

Se não o fizer, trará mais do mesmo.

José Roberto Arruda: Decidido a resistir (por enquanto)

30/11/2009

O Governador José Roberto Arruda deu novos contornos ao escândalo que o envolve e que foi comentado por este blog aqui e aqui: Afirmou que resistirá “até o fim”.

Acontece que o “até o fim” de Arruda significa, na verdade, “até que não seja mais possível”.

Arruda tenta apenas postergar o inevitável. Sabe que evitar é impossível.

Já comentei aqui e repito: A situação de Arruda é insustentável. Não há político em cargo de relevo que resista sem apoio. E não há apoio que resista a um recebimento inexplicável de maços de dinheiro registrados em vídeo.

O Governador afirmou que poderá provar sua inocência. Começou a época de insultos à nossa inteligência.

Deveria Arruda fazer o que ninguém faz: Assumir o erro, resignar-se, pedir desculpas ao distinto público e retirar-se de cena.

Contudo, o Governador preferiu o velho script: Negação, falsa indignação, alusões a uma herança maldita deixada pelo antecessor e vitimização.

Não que não haja uma herança maldita advinda do governo de Joaquim Roriz. Não que Durval Barbosa, pivô do esquema, não tenha sido colaborador de Roriz.

Entretanto, isso não justifica. Arruda deveria ter denunciado o esquema de Roriz, feito de tudo para destruí-lo, impedí-lo em seu governo e ponto final.

Alguns não entendem porque Arruda tenta resistir. Duas palavras podem explicar: Foro privilegiado. Como Governador, Arruda responde a tudo com regalias. Se renunciar, pode parar atrás das grades em dois tempos.

Enquanto isso, José Serra e Gilberto Kassab, por exemplo, fazem o correto: Apontam a contundência das acusações, a consistência das provas e defendem a punição dos envolvidos. Todos deveriam fazer o mesmo, preocupados com o desgaste para as eleições de 2010 ou não.

O Democratas, partido de Arruda, não pode refugar. Pelo menos não se quiser manter-se como defensor da ética e se desejar poder continuar a apontar as falhas morais dos petistas.

A expulsão de Arruda é o único caminho possível para o partido se não quiser se envergonhar. Não há mais dúvida plausível a respeito do envolvimento de Arruda no esquema. Já passou o tempo da cautela.

Cortar na carne é o que qualquer partido brasileiro deve fazer ao se deparar com algo desse tipo.

José Roberto Arruda: Punição iminente no DEM

30/11/2009

Já foi comentado por mim, aqui neste Perspectiva Política, o escândalo que envolve o Governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e outros nomes como José Geraldo Maciel e Durval Barbosa. Por conta da revelação de um esquema de pagamento de propinas a membros do Executivo, entre eles o Governador, e do Legislativo do estado, a situação de Arruda tornou-se, na minha opinião, insustentável.

Comentei também a respeito da intenção do DEM, demonstrada de pronto, de expulsar José Roberto Arruda do partido. A legenda, tão crítica ao mensalão petista, teme que uma demora nas providências possa solidificar a visão de que houve no DF algo parecido, mas dessa vez envolvendo o Democratas.

Está correto o Democratas em sua intenção de expulsar o Governador Arruda dos quadros da legenda. Se é verdade que o mensalão federal foi colado à imagem do PT por se tratar de um esquema gerido por membros da cúpula do partido, também é verdade que é compreensível e justo que o DEM queira estancar o sangramento o quanto antes, afinal, no caso do mensalão do Distrito Federal trata-se de algo provavelmente controlado pelo Governador Arruda e seus aliados próximos, que não diz respeito à cúpula nacional democrata.

Além disso, se quer assumir que, a partir da mudança de nome de Partido da Frente Liberal para Democratas, se reformulou e assumiu respeito total ao quesito ético, o DEM necessita comprovar isso através da expulsão de Arruda.

Sou plenamente favorável à punição a Arruda. E que não venha só do DEM, mas também da Justiça estadual e federal, da sociedade civil e, até mesmo, das autoridades policiais. Corrupção é inaceitável. É uma mácula, um câncer.

É claro que os fortes indícios de que o esquema foi herdado por Arruda do governo de Joaquim Roriz demonstram que este tipo de sistema está enraizado, infelizmente, na política nacional. A corrupção é endêmica, sistematizada, mas nem por isso deve surgir conivência ou leniência.

Que Arruda seja expulso de seu partido e não possa concorrer nas próximas eleições. Que o DEM se comporte de forma a respeitar os valores que afirma defender e que foram tão levantados como bandeira por ocasião do mensalão petista, expulsando Arruda.

Pode até ser que Arruda tenha, como alega, sido chantageado. Mas isso não o torna menos culpado. Apenas faz do chantageador, Durval Barbosa, alguém mais condenável do que ele.

A suspensão da filiação de Arruda, solução que afastaria o Governador do partido, mas que, ao mesmo tempo, concederia tempo para apurações, me pareceria sensata apenas se ainda existissem dúvidas sobre o envolvimento do comandante do Distrito Federal. Contudo, estas não resistem aos fatos.

É iminente uma punição a Arruda no DEM. Resta saber a intensidade da mesma.

Se o Democratas expulsar José Roberto Arruda sumariamente, não dando espaço para explicações pífias e tentativas de ganho de tempo de manobra, subirá em meu conceito.

José Roberto Arruda: Posição insustentável

29/11/2009

Aqueles que acompanham o noticiário político nacional e, até mesmo, aqueles que só o analisam superficialmente, tomaram conhecimento, obviamente, do escândalo envolvendo o Governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda.

O caso tomou uma proporção grandiosa, já que envolve gravações que demonstram, inclusive, a participação direta do Governador em um esquema de distribuição de propinas a parlamentares. Quase tudo foi revelado por conta de delações premiadas envolvendo Arruda e seu chefe da Casa Civil, José Geraldo Maciel, feitas pelo recém-exonerado Secretário de Relações Institucionais do governo do DF, Durval Barbosa.

Ora, não há nada a dizer a não ser repudiar completamente as atitudes de José Roberto Arruda, que já havia se envolvido no passado com atividades escusas, quando foi um participante minoritário do escândalo da violação do sigilo do painel eletrônico do Senado, e ressaltar que a posição do Governador é, hoje, insustentável.

Não tenho dúvida alguma de que o Governador Arruda terá que deixar o cargo. As denúncias são contundentes, as provas são irrefutáveis, as atitudes e falas injustificáveis e o esquema como um todo inaceitável.

A cúpula do partido de José Roberto Arruda, o DEM, está preocupadíssima. A legenda esforçou-se nos últimos anos para reformular a sua imagem e mostrar-se como uma que levanta a bandeira da ética. A troca de nome do partido de PFL para Democratas foi, inclusive, motivada em grande parte por este esforço de recuperação  da imagem partidária, que vinha abalada.

Agora, a cúpula democrata vê com forte receio os escândalos envolvendo Arruda. Temem que o desgaste se irradie para o partido como um todo. Os jornais de hoje já comentam que o DEM cogita fortemente expulsar Arruda do partido, buscando assim diferenciar sua atitude daquela que o PT tomou por ocasião do mensalão. O que seria, na minha opinião, o correto a ser feito.

Em resumo, entendo que o DEM está certíssimo em querer expulsar Arruda. Além disso, creio que não há mais espaço de manobra para que o Governador permaneça no cargo. Após a apresentação de provas tão contundentes, Arruda tem tudo para ser expulso de seu partido e também do governo do Distrito Federal. Quem sabe o Governador renuncie de pronto, como ocorrer normalmente, para evitar a ampliação do desgaste.

O mais decepcionante é lembrar que Arruda, ao retomar sua carreira política, dizia que o caso do painel eletrônico do Senado havia ficado para trás. O Governador afirmava, sempre, que havia errado e que não faria algo do tipo novamente. Fez pior.

Cabe ao Distrito Federal e à Justiça retirarem José Roberto Arruda do governo estadual. Cabe ao DEM puní-lo, tanto pelo quesito ético louvável e correto, como pela preocupação do partido com sua própria sobrevivência, o que já não diz respeito ao grande público.

A oposição a Arruda no DF já estuda a proposição do impeachment. É totalmente devido.

A posição de Arruda é insustentável.