Postagens com a palavra-chave ‘Dossiês’

PMDB estaria sabotando novo Diretor-Geral do Senado

20/07/2009

Informou, há apenas alguns dias, a jornalista Adriana Vasconcelos:

“No pior momento da crise, Sarney acabou cedendo esse comando administrativo do Senado para o Democratas, na esperança que o partido — que o ajudou a ser eleito pela terceira vez para presidência do Senado — não aderisse à campanha a favor de sua licença do cargo.

A estratégia de Sarney não deu certo. Pouco depois de autorizar o 1o. secretário, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), a indicar um funcionário de sua confiança, no caso Haroldo Tajra, para a Diretoria Geral do Senado, o DEM se reuniu e decidiu propor o afastamento de Sarney do cargo.

A decisão de Sarney anular todos os 663 atos secretos numa única canetada, seguindo o conselho do amigo Saulo Ramos, teve como objetivo não só tentar neutralizar a investigação do Conselho de Ética sobre seu envolvimento com o escândalo, mas também sinalizar para o DEM que ele continua no comando da Casa.

O segundo passo agora seria boicotar o novo diretor geral. Já teria sido autorizada, inclusive, uma operação interna na Casa para alimentar denúncias contra Tajra.”

Alertado por esta informação divulgada por Adriana, este blogueiro ficou de olho no noticiário no que tange o Diretor-Geral do Senado, Haroldo Tajra. E não é que as denúncias começaram a “pipocar”?

Nos últimos tempos Tajra foi acusado de tudo. De ter batido em sua esposa e em sua sogra, de ter participado de esquemas, etc.

Não estou de forma alguma dizendo que Tajra é inocente ou culpado. Não disponho das informações disponíveis para isso. Só estou querendo demonstrar para vocês, meus caros leitores, como funciona o “arquivo de dossiês” de Brasília. Uma das coisas mais espúrias da nação.

O fato de diversas denúncias contra Tajra terem surgido logo após ter corrido a informação de que o PMDB iniciaria uma sabotagem contra ele mostra, claramente, que, na política brasileira, uns sabem de quase tudo que os outros fizeram.

Acontece que esse conhecimento não gera denúncias anônimas, não gera punição, não gera nada, a não ser dossiês. Ou seja, as denúncias são guardadas para momentos oportunos, fazendo com que o transgressor fique impune enquanto não houver momento onde a revelação dos fatos seja interessante para quem detém o conhecimento sobre eles.

Se este momento nunca existir, o transgressor morrerá impune. E com pose de bom moço.

As denúncias “guardadas na manga” impedem a justiça brasileira de agir para possibilitar pressões e chantagens. Um dia, quando é oportuno, ela surgem. Curiosamente.

Longe de mim estar aqui afirmando que Tajra é um homem culpado no que diz respeito às informações que constam no “dossiê” de que o PMDB provavelmente dispõe.

Porém, uma coisa é certa: A cronologia dos fatos comprova que esse tipo de prática “arquivo de dossiês” existe. E em larga escala. Prática essa que mantém biografias intactas e suja outras quando convém aos praticantes. Muitas vezes protegendo as que devem ser atacadas com denúncias verdadeiras e sujando as que na verdade são limpas com denúncias plantadas, que ganham dimensão enorme por força da desmoralização da política em geral.

Completamente enojante.

As piores práticas da República: Aliados de Sarney juntam denúncias contra oposição para diminuir pressão

06/07/2009

“Aliados de Sarney juntam denúncias contra oposição para diminuir pressão por afastamento”

Informa o jornal O Globo na reportagem citada acima:

“Para administrar a pressão da oposição pelo afastamento do senador José Sarney (PMDB-AP) do comando da Casa, o PMDB está reforçando seu estoque de munição contra o DEM – que controla há anos a 1ª secretaria do Senado e, por consequência, o cofre da instituição – e cogita levar o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), ao Conselho de Ética. Apesar do apoio explícito do presidente Luiz Inácio da Silva à permanência do aliado no cargo, os peemedebistas pretendem manter suspensas as negociações sobre as CPIs da Petrobras e do Dnit, como forma de pressionar o PT, que continua dividido, e os demais partidos da base a não criar novos constrangimentos a Sarney.”

Toda essa estratégia desenhada pelo PMDB e explicitada para os cidadãos pelo jornal O Globo contém diversas práticas que estão entre mais nocivas para a ética e a moralidade da política nacional.

Ao ler esse trecho que reproduzi acima, qualquer pessoa que acompanha o cenário político com atenção há algum tempo reparará o quanto esse caso é um ótimo exemplo daquilo que vem maculando a nossa prática política. É um estratagema que reúne diversas vilanezas em um plano só.

É triste saber que o maior partido do País recorre a práticas desse tipo e, pior, combina todas elas em um estratégia só que tem como objetivo, pura e simplesmente, administrar uma pressão contra um de seus caciques que é mais do que merecida.

Em primeiro lugar, podemos perceber a já descrita aqui neste blog, e tão suja e absurda, confecção de dossiês. O tal “estoque de munição” nada mais é do que isso. Um grupo X decide reunir denúncias contra um grupo Y para chantageá-lo. Essa é a verdade, nua e crua. Alguns podem dizer que a confecção de dossiês é positiva pois levanta as denúncias. Pura ilusão. Bom mesmo seria que todos os que soubessem de alguma irregularidade a denunciassem de pronto, em praça pública, sem tirar nem por. Isso sim é democracia, é fiscalização de um grupo pelo outro, e não, chantagem para que não sejam distribuídas informações. Afinal, e lembrem-se sempre disso, se o grupo Y cede à chantagem, continuará transgredindo sem ser importunado. O dossiê será engavetado. E o seu dinheiro também.

Em segundo lugar, é possível enxergar o tratamento das CPIs, que deveriam ser importantes meios de averiguação de denúncias e indícios, como moedas de troca. As Comissões de Inquérito são negociadas, como se negociáveis fossem as revelações a respeito de quem está desviando o seu, o meu, o nosso dinheiro. Isso nada mais é do que um câmbio de escândalos encobertos. O grupo X não permite a investigação das falcatruas do grupo Y que, por sua vez, protege o grupo X. É isso que ocorre, infelizmente, quando as CPIs são negociadas. Correto seria que toda vez que o Legislativo entendesse que a matéria é de interesse dele e que existissem indícios suficientes fosse instalada a CPI. Doendo a quem tivesse que doer.

Percebam, meus caros, que toda essa estratégia do PMDB, que tangencia as piores práticas da política nacional no que diz respeito à perpetuação dos absurdos e à impunidade, só prejudica de verdade uma pessoa: Você. O cidadão brasileiro.

Mas não pensemos que por sermos vítimas, não somos culpados. Compactuamos com isso tudo quando chantageamos em nossas próprias vidas, quando somos imorais assim como eles. Não nos esqueçamos que eles são pessoas que um dia foram comuns como nós. Não nos deixemos jogar para escanteio a lembrança de que muitos de nós, um dia eleitos, fariam as mesmas coisas.

Todo esse cenário tenebroso é passível de ser enxergado na estratégia do PMDB. O partido que melhor personifica o mal da política do Brasil. Mal esse que, no fim das contas, é o verdadeiro mal do País.

Enquanto dossiês forem confeccionados e, quando bem-sucedidos, engavetados, enquanto biografias forem enlameadas ou lavadas sem critério, enquanto investigações necessárias, urgentes, forem moeda de troca, o Brasil não se livrará de seu maior gargalo.

O gargalo da vontade política de ver o País de pé. E de queixo erguido.