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Coluna do dia: Dia da Consciência Negra – Quem dera ele fosse desnecessário

29/11/2009

Por Jessica Riegg*

O Dia da Consciência Negra, 20 de Novembro, foi comemorado em todo o País. A data faz referência à morte de um dos líderes mais famosos dos escravos: Zumbi dos Palmares.

Como sou jornalista, fui cobrir a data conversando com a assessora de educação do movimento negro de Divinópolis e ela me disse coisas que me espantaram.

Quando perguntei a ela se a data era importante para os negros, ela me respondeu que é muito triste pensarmos que precisamos de um dia para lembrar à população que o racismo é um crime. E a assessora estava certa! Essa data deve ser lembrada todos os dias, pois os negros são enorme parte da essência desse País, eles nos ajudaram a construir a nossa história.

Esse dia pode, possivelmente, aumentar a diferença entre negros e brancos, afinal, não existe o Dia da Consciência Branca. Esse feriado pode institucionalizar uma suposta diferença entre as pessoas, diferença essa que não existe.

Os negros são discriminados, e isso não é nenhuma novidade. Mas eu pergunto a vocês: Como um País que é, em sua maioria, negro ou misto, pode permitir esse tipo de situação? Isso é um absurdo!

Independentemente da cor, todos somos iguais e deveríamos ser tratados de forma igual. Mas aí é que surge a questão: Como retirar da população um preconceito que vem sendo embutido há séculos? Como obrigar o governo a aplicar penas mais efetivas aos autores dos crimes de racismo? Como ensinar tudo isso à população?

A resposta dada pela assessora foi simples e ao mesmo tempo eficaz: Devemos ensinar isso às crianças, tanto nas escolas quanto em casa.

O governo já orientou para que as escolas desenvolvam matérias que dizem respeito à cultura negra, e isso está acontecendo, mas em pequena escala. Torço para que as escolas realmente implementem essa matéria de suma importância aos alunos, ensinando valores éticos e morais que as crianças estão perdendo atualmente.

Valores que deveriam ser ensinados pelos pais, mas que vem sendo deixados de lado.

O Dia da Consciência Negra é feriado ou ponto facultativo em oito Estados e em setecentas e cinquenta e sete cidades do País, conforme levantamento da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), ligada à Presidência da República.

Bom, enquanto tudo o que defendi acima não acontece, essa data talvez continue sendo apenas um feriado…

*Jessica Riegg escreve no Perspectiva Política todos os domingos

Fora hipocrisia

20/11/2008

Hoje é 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. O reconhecimento da data é grande, inclusive, sendo feriado em alguns lugares, como no Rio de Janeiro. Por ser a data da morte de Zumbi dos Palmares, estipulou-se como sendo hoje o dia em que devemos refletir sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. Esse é o verdadeiro fundamento do feriado, ele não existe apenas para que não se trabalhe e se gerem, de tempos em tempos, feriadões.

Sendo hoje, então, o dia para se refletir sobre o papel que está sendo interpretado pelo negro na sociedade, por que não fazer isso? Por que não pensarmos sobre como andam a relação do negro com o mercado de trabalho, o debate sobre as cotas universitárias e a discriminação? Por que não falarmos sobre o nosso país, que diz que não é racista mas o é, e muito? Por que não falarmos a verdade e negarmos o Brasil de todas as raças e credos que é colocado para os turistas?

No Brasil, sempre ouvimos aqueles argumentos de que temos uma pátria miscigenada, formada pela mistura e naturalmente alegre e tolerante. Não é bem essa a realidade. O negro é, ainda, discriminado, tratado como inferior em alguns casos, concorrendo sem igualdade de condições com os brancos em campos como o mercado de trabalho. Infelizmente, não podemos nos orgulhar de termos uma nação realmente tolerante, o racismo existe no país, embora um pouco camuflado.

Se o Brasil é o país da mistura, onde todos são iguais e onde todos se entendem, por que os negros necessitam de cotas universitárias? O que foi a eleição de Barack Obama nos EUA, senão uma demonstração de que o nosso país ainda está muito aquém do que poderia ser, já que nem se vislumbra um negro brasileiro que possa ser presidente?

A verdade é que os brasileiros têm de enfrentar a realidade nua e crua e admitirem que os negros ainda tem menos acesso à educação, ainda são discriminados, ainda sofrem com certa intolerância. É claro que certas medidas, como as cotas universitárias, são questionáveis. Isso é fato. Porém, é inegável que os negros estão mais presentes nas classes mais pobres da população e que para que eles possam ter condições iguais às dos brancos, a desigualdade social, como um todo, necessita diminuir. E essa desigualdade não diminui só com Bolsa Família. Os acessos à educação, à saúde, ao saneamento básico e até mesmo à justiça devem ser universalizados.

De fato, uma vida melhor para os brasileiros mais pobres traria consigo uma vida melhor para uma grande parcela dos negros do país, pois eles são, infelizmente, grande fatia dessa parte do povo brasileiro. No caso do preconceito, ele deve ser punido exemplarmente, seja qual for a classe social do ofendido e a do que ofende. A impunidade, principalmente, deve ser combatida.

Em suma, a melhoria das condições de vida dos brasileiros em geral, afetaria, obviamente, os negros. Juntamente com isso, precisa ser diminuído o preconceito, que atinge até mesmo a minoria de negros que teve oportunidades. O Brasil precisa ser realmente tolerante. O país que os negros brasileiros encontram não é o país do carnaval e da mistura, apresentado para os turistas. É quando os turistas não estão vendo que os negros tem de poder ter chances, assim como todos os brasileiros.

No Dia da Consciência Negra, este blog pede oportunidades para todos os brasileiros, inclusive os negros, que estão, por circunstâncias históricas, entre os mais necessitados. Pede também que o preconceito seja combatido, assim como a hipocrisia que o aponta como inexistente.