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Membro dos governos Roriz e Arruda será Governador do DF: Intervenção é necessária

18/04/2010

Não costumo reproduzir textos opinativos, comentários, a respeito das notícias mais pontuais do mundo político nacional e internacional.

Normalmente, utilizo trechos objetivos, noticiosos, para informar a respeito do tema que eu mesmo comentarei.

Algumas vezes, divulgo artigos que analisam o panorama geral, nunca uma notícia em si mesma, mas, ainda assim, apenas quando a opinião explicitada no texto é semelhante à do blog, mantendo sua linha editorial.

Pois bem. É justamente por essa proximidade total de opinião que me vejo compelido a reproduzir não uma análise geral, mas um comentário do jornalista Ricardo Noblat. Na realidade, um resumo deste.

Ele trata da eleição indireta de Rogério Rosso, que participou dos governos de Joaquim Roriz e de José Roberto Arruda, para o governo do Distrito Federal.

Não há o que tirar nem pôr. Noblat vai no cerne da questão de forma direta, eficaz, dura, comprovando que a intervenção federal nas instâncias de poder distritais se faz realmente necessária. Eu, particularmente, tinha dúvidas quanto a isso.

Não mais.

Segue o resumo do texto de Noblat, por quem tenho muito apreço – diga-se de passagem – por ter indicado o Perspectiva duas vezes aos seus leitores quando este que vos fala iniciava este blog:

“Com 13 votos de um total de 25, Rogério Rosso (PMDB), ex-administrador da cidade de Ceilândia no governo Joaquim Roriz e ex-presidente de empresa estatal no governo José Roberto Arruda, acabou de ser eleito governador-tampão do Distrito Federal.

Vamos à ficha da maioria dos deputados que o elegeu:

Ailton Gomes (PR),  [...] Benedito Domingos (PP), [...] Benício Tavares (PMDB), [...] Eurides Brito (PMDB), [...] Rogério Ulysses (expulso do PSB) [...] [e] Roney Nemer (PMDB) [se envolveram] no escândalo do mensalão do DEM.

Os deputados distritais Rubens Brunnelli e Leonardo Prudente renunciaram ao mandato por causa do escândalo.

[...]

Os dois foram substituídos por Pedro do Ovo (PR) e Geraldo Naves (DEM), que também votaram em Rogério Rosso para governador-tampão.

Naves foi aquele que esteve preso na Penitenciário da Papuda até recentemente. Envolveu-se na tentativa de Arruda de subornar o jornalista Edson Sombra, testemunha-chave do mensalão. Saiu da Papuda para ajudar a eleger o novo governador.

Rosso teve ainda mais dois votos de fichas-sujas:

* Batista das Cooperativas (PRP) – indicou funcionários para trabalharem na administração da cidade de Águas Claras. Vários deles fortam flagrados trabalhando na cooperativa do próprio deputado.

* Aguinaldo de Sena (PRB) – responde a processo por improbidade administrativa. Foi secretário de Esportes do governo Arruda.

Em resumo: dos 13 votos de Rosso, 10 estão manchados por escândalos.

Tem ou não de haver intervenção no Distrito Federal?

O Procurador Geral da República está certo ao defender a intervenção.”

Mais escândalos rodeiam a política do Distrito Federal: MP pede inelegibilidade de Roriz até 2018

15/04/2010

Informa a Folha:

“O Ministério Público do Distrito Federal quer que o ex-governador Joaquim Roriz (PSC), líder das pesquisas para o governo do DF, fique inelegível até 2018 por usar influência política para sacar R$ 2,2 milhões sem ser rastreado.

O pedido é um desdobramento da operação Aquarela, em que a Polícia Civil do DF investigou um suposto esquema de desvio de dinheiro do BRB (Banco Regional de Brasília).

Na ação, a Promotoria quer que Roriz perca qualquer cargo público que tiver, caso ele já tenha sido eleito na data da sentença.

O Ministério Público pede também que Roriz banque o prejuízo de R$ 223 mil que o BRB sofreu com a transação, e pague o dobro como multa, totalizando R$ 669 mil.”

O caso de José Roberto Arruda surgiu e causou um furacão na política distrital. A reeleição do ex-Governador foi por água abaixo, diversos partidos e políticos foram envolvidos nas denúncias e até hoje ainda se cogita a intervenção federal na região.

Arruda, até há pouco tempo encarcerado, encontrou sua morte política, pelo menos no que tange cargos majoritários, e passou a não ser mais adversário.

Com isso, despontaram como favoritos ao governo do Distrito Federal o petista Agnelo Queiroz e o ex-Governador Joaquim Roriz, agora no PSC, que comandou a capital federal por diversas vezes.

Acontece que Agnelo acabou sendo arrastado para o olho do furacão: Foi revelado que ele tinha conhecimento dos esquemas empreendidos pelo governo de Arruda e não os denunciou.

Roriz passou a reinar absoluto nas pesquisas, embora sempre tenha tido seus próprios problemas com escândalos, além de ser apontado sucessivas vezes como responsável pelo início das práticas corruptas dentro da máquina administrativa distrital, que teriam apenas sido mantidas por Arruda.

Pois bem. Agora surge mais esse fato envolvendo Roriz.

Ainda não sabe como repercutirá, mas já se tem a comprovação de que os dias de envolvimento com notícias negativas do ex-Governador ainda não ficaram no passado.

Portanto, abre-se um vácuo na política do Distrito Federal. Há espaço para novos nomes, não maculados pelos escândalos recentes.

Por um lado, isso pode trazer nomes idôneos. Por outro, pode incentivar a participação de aventureitos.

Contudo, no fim das contas, o mais provável é que não se dê nem um, nem outro.

Velhos conhecidos da população, porém com menos cacife político, provavelmente tentarão se aproveitar do momento, sob um figurino de moralidade e ética, mas trazendo mais do mesmo.

Infelizmente.

Arruda aceita cumprir o mandato licenciado, mas não quer renunciar

02/03/2010

As informações que chegam dão conta de que o Governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda, aceita se comprometer a se manter licenciado do cargo até o fim de seu mandato, em dezembro, mas não quer renunciar de jeito nenhum.

Os advogados de Arruda tentam negociar para que o Governador seja libertado da prisão em troca do compromisso de se manter afastado do governo, alegando que, distante do poder, Arruda não poderia influir maliciosamente no processo ou obstruir a ação da Justiça.

Acontece que, nos bastidores, dá-se como certo que os magistrados só se sensibilizariam e cogitariam permitir a libertação de Arruda caso este renunciasse. Só assim veriam com melhores olhos os pedidos de habeas corpus.

A questão é que renunciar Arruda não quer. Não aceita.

O porquê disso é facilmente compreensível: Afastado, Arruda mantém imunidade, foro privilegiado e prisão especial. Se renunciar, perde tudo isso.

No pior cenário para o Governador, ele poderia renunciar, ser libertado da carceragem da Polícia Federal e, caso preso novamente, ir parar na Penitenciária da Papuda. Muito pior.

É por isso que Arruda não renuncia. E torce para que o seu impeachment não seja aprovado na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Torce provavelmente em vão.

Wilson Lima suspende contratos com empresas suspeitas no DF

01/03/2010

Informa o Blog de Ricardo Noblat:

“O governador interino do Distrito Federal (DF), Wilson Lima, enviou ofício à Secretaria de Fazenda de Brasília determinando a suspensão de pagamentos em contratos firmados com empresas citadas no inquérito que apura o chamado mensalão do DEM.

Segundo ele, a medida se faz necessária até que o caso seja totalmente esclarecido.

Lima também se reuniu no incio da noite com a presidente do Tribunal de Contas do Distrito Federal, Anilcéia Machado.

A ela entregou ofício comunicando a suspensão dos pagamentos e pedindo prioridade nas auditorias feitas pelo órgão de controle nas contas do governo de Brasília.”

Boas e elogiáveis medidas.

Admito que ao tomar conhecimento dessas informações até passei a cogitar a possibilidade de Wilson Lima conseguir, surpreendentemente, auxiliar na melhoria da situação de crise do Distrito Federal.

Tomara que não se trate apenas de atitudes “para inglês ver”.

Paulo Octávio se desfilia do DEM e renuncia ao cargo de Governador

23/02/2010

Informa o Globo:

“Sem apoio interno e ameaçado e por um processo de impeachment , o governador interino do Distrito Federal (DF), Paulo Octávio, enviou no fim da tarde desta terça-feira à Câmara Legislativa do DF carta de renúncia ao cargo. Mais cedo, ele anunciou sua desfiliação do DEM , para evitar a expulsão do partido.

Paulo Octávio está há 12 dias no cargo, em substituição ao governador licenciado, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), preso na PF por obstrução da apuração de investigação de um suposto esquema de pagamento de propina, no escândalo que ficou conhecido como o mensalão do DEM de Brasília .

Na carta, o governador em exercício diz que permanecer no cargo em circunstâncias excepcionais ‘exigiria a criação de condições também excepcionais’. Sem o apoio do DEM, a situação ficou ainda mais complicada. Paulo Octávio afirmou que não tem receio das denúncias e que, com seu gesto, pretende ‘oferecer às forças políticas a oportunidade de restabelecer seu poder’.

Com a saída de Paulo Octávio, quem assume é o presidente da Câmara do DF, Wilson Lima (PR), aliado de Arruda, que não estava presente no momento da leitura da carta em plenário. “

Aconteceu o que já era esperado por qualquer um que analisasse friamente a a soma da falta de apoio político e de credibilidade de Paulo Octávio com os processos de impeachment, denúncias e manifestações contrárias que este enfrentava.

Agora resta observar o que fará Wilson Lima com o cargo que caiu em seu colo. Por também estar envolvido de certa forma com o escândalo, já que era aliado próximo de Arruda antes de todo o ocorrido, ele também enfrentará contestações e problemas de difícil solução.

Parece que a previsão legal de que o governo de um estado ou do Distrito Federal pode ir parar, seguindo a linha sucessória, nas mãos do Presidente do Tribunal de Justiça local é o que está retardando o crescimento da defesa da tese de intervenção federal.

Existe forte possibilidade de o Presidente do TJ-DF terminar como Governador do DF, coordenando um governo técnico com um mandato-tampão.

A ver.

Paulo Octávio novamente inclinado a renunciar: Intervenção parece mais próxima e Arruda se deprime

22/02/2010

Depois de ter decidido renunciar por falta de apoio político, respaldo, credibilidade e autoridade, o Governador em exercício do Distrito Federal, o Vice Paulo Octávio, desistiu de desistir.

Resolveu ficar, tentar mais um pouco, dar tempo ao tempo.

Aparentemente percebeu, agora, que nada adiantará, que não há clima para sua permanência, que há dúvida sobre sua legitimidade, que seu poder de fogo está reduzidíssimo.

Estaria desistindo da desistência de desistir.

Enquanto isso, a intervenção federal parece cada vez mais próxima, já que a Justiça tem subido o tom.

Nos bastidores, já aconselham a Lula indicar um jurista, alguém que pudesse tocar o barco do Distrito Federal com braços técnicos, e não políticos.

O cenário parece ser esse, mas é claro que tudo pode mudar novamente. O mar pode virar.

A instabilidade é grande, como em toda crise política grave.

Mulheres e crianças primeiro.

Muitos desses já deixaram a embarcação…

…Que nada em um mar diferente daquele formado pelas lágrimas de um José Roberto Arruda deprimido e emotivo, que chora na carceragem da Polícia Federal.

Paulo Octávio não renunciou: Você entendeu? Não? Nem eu!

19/02/2010

Tudo indicava que Paulo Octávio renunciaria ao Governo do Distrito Federal. O Vice de Brasília, Governador em exercício, não tem apoio político e nem muitas condições de virar esse jogo.

P. O. tentou convidar nomes fortes para compor um novo secretariado. Não conseguiu. Tentou fazer uma gestão suprapartidária. Não conseguiu. Tentou ser recebido pelo Presidente Lula. Só conseguiu com atraso.

Octávio luta também contra pedidos de impeachment, manifestações populares e denúncias.

Governando com esse cenário, Paulo Octávio marcou uma coletiva de imprensa. Todos esperavam a renúncia.

Eis que o substituto de Arruda diz que ficará mais alguns dias, que tentará mais um pouco e que decidiu tomar essa atitude após conversar com Lula.

Disse também que, ficando no poder, diminui o risco de intervenção federal no DF e que muitos partidos o pediram para ficar.

Acontece que o Ministro Alexandre Padilha, das Relações Institucionais, disse que Lula não aconselhou nada. Roberto Gurgel, Procurador Geral da República, disse que Octávio estar ou não no governo não altera a questão da intervenção federal. Por fim, os representantes dos partidos na Câmara Legislativa não parecem nem um pouco solidários.

Mesmo assim, o Vice ainda não deixará o governo, embora vá deixar o DEM, já que o partido provavelmente o expulsará se não o fizer. Não há saída dentro da legenda.

Não há também vislumbre de melhora para a situação política do DF. Nem para a de Paulo Octávio. Nenhum analista político conseguiu uma explicação plausível para o fato de o Vice não ter renunciado. Não entendem que esperança ele tem. A estratégia de inaugurar obras e fingir que a crise não existe não vai funcionar.

Fato é que Paulo Octávio não renunciou.

Você entendeu? Não?

Nem eu.

Charge do dia: Arruda descobre um bom livro de auto-ajuda

18/02/2010

Por Elder Galvão*

*Elder Galvão é chargista do Perspectiva Política e mostra sua arte em eldergalvao.com

Arruda pensa em deixar o governo: Facilidade para o habeas corpus ou para interferir no processo?

17/02/2010

Informa Renata Lo Prete, na Folha:

“Advogados e políticos com trânsito no Supremo Tribunal Federal não sabem de onde os aliados que ainda restam a José Roberto Arruda retiraram a convicção de que, caso venha a renunciar ao cargo de governador do Distrito Federal, o ex-”demo” teria boas chances de vitória no julgamento, pela Corte, do mérito de seu pedido de habeas corpus.

Segundo essa avaliação mais cética, o clima para Arruda não é nada bom no plenário do STF.

Mais e mais, levanta-se a suspeita de que, fora do governo, ele não se sentiria constrangido em tentar atrapalhar as investigações, movimento que o levou para a prisão.”

Ou seja, não se sabe ao certo se Arruda e seus aliados acreditam que é bom que ele deixe o governo para facilitar um habeas corpus ou para que, saindo do holofote, ele possa obstruir a Justiça e interferir no processo.

Triste.

Novas denúncias: Arruda se preocupa e pensa em renúncia para fugir de cassação

16/02/2010

Informa o Globo, a respeito da preocupação de José Roberto Arruda com relação às novas denúncias que envolvem seu nome e o seu governo:

“O advogado Thiago Bouza, que visitou nesta segunda-feira na prisão o governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), disse que tem informado o governador afastado sobre as novas denúncias, como a de loteamento de cargos do governo e a suspeita de que a Polícia Civil do DF teria sido usada para espionar investigações conduzidas pelo Ministério Público a respeito do suposto esquema de corrupção que ficou conhecido como escândalo do mensalão do DEM de Brasília.

- O Arruda começa a demonstrar a preocupação a respeito disso ( novas denúncias) – disse Thiago Bouza, que trabalha no escritório de Nélio Machado. “

Informa o Estadão, também sobre Arruda, dessa vez citando a possibilidade de renúncia do Governador afastado para fugir da cassação e, ao mesmo tempo, aumentar as chances de conseguir um habeas corpus:

“Aliados do governador licenciado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM, sem partido), apostam na sua renúncia como saída para escapar da já acertada cassação do mandato, na Câmara Distrital, e da prisão. Na tentativa de impedir a intervenção federal no governo de Brasília e pressionar Arruda a renunciar, os deputados distritais fizeram um acordo para aprovar, na quinta-feira, 18, o pedido de abertura de impeachment do governador licenciado. Ao mesmo tempo, com o abandono do cargo, aumentam as chances de Arruda ganhar o habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF), para ser libertado.”

Os dois trechos reproduzidos acima comprovam, determinantemente, um fato:

O cerco sobre Arruda está, sem dúvida, e acertadamente, se fechando.

Aguardemos o desenrolar dos fatos.