Postagens com a palavra-chave ‘Desonestidade Intelectual’

Eduardo Paes: Exemplo de desonestidade intelectual

14/07/2009

Existe uma qualidade importantíssima para o ser humano, prezada em demasia por este blogueiro, que está em falta tanto na vida cotidiana de todos como, consequentemente, na vida política. Esta é a honestidade intelectual.

A honestidade intelectual se confunde com a sinceridade e a franqueza, mas não é exatamente nenhuma das duas. Para explicar o que é honestidade intelectual, recorramos à explanação do que é o seu oposto: A desonestidade intelectual.

O desonesto intelectualmente diz que é falso o que sabe verdadeiro, é cínico e nega o que todos os que os cercam sabem ser verdade. O desonesto intelectualmente privilegia seus interesses em detrimento de verdades que não têm nada de controverso. Ele nega o óbvio, sem vergonha de fazê-lo. Ele se recusa a confirmar o que é correto, pois isso atenta contra seus objetivos.

Resumindo, o desonesto intelectualmente mente ou, no mínimo, omite o que lhe convém quando há uma oportunidade, por mais que se espere dele que não o faça. É muito mais nocivo do que alguém que simplesmente omite um fato, pois, diversas vezes, trata-se de alguém de quem se aguarda a verdade

Pois bem. O Prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), teve sua desonestidade intelectual comprovada pelo jornalista Sidney Rezende, que divulga em postagem de seu site, o seguinte episódio:

“Eu disse ao prefeito do Rio, Eduardo Paes, que havia ficado impressionado com a limpeza e seriedade da gestão de duas escolas municipais que visitei: Lasar Segall, em Realengo, e Roquete Pinto, em Bangu. O prefeito recostou-se na cadeira e elogiou o antecessor:

- Você sabe que o Cesar Maia foi muito criticado pela aprovação automática, mas as escolas públicas são um brinco !

Depois, com humor, Eduardo Paes, arrematou: ‘Só não posso elogiar em público’”.

Lamentável. Vergonhoso. A população do Rio de Janeiro será, pelo equívoco de alguns nas urnas, obrigada a ser comandada por este senhor durante mais 3 anos e meio.

O que teria de mal em reconhecer em público os acertos do antecessor? Não seria muito mais honesto admitir os avanços empreendidos por Cesar Maia?

É esse tipo de prática que macula a política brasileira. Esse conceito de muitos políticos de que ninguém fez nada direito a não ser eles mesmos. Reconheçam-se os feitos do antecessor e prometam-se avanços, melhorias e correções do que está equivocado. Isso sim é honestidade intelectual.

Eduardo Paes só traz um benefício com a declaração que deu. Permite que seja compreendido por nós, perfeitamente, o que é desonestidade intelectual. Configura ótimo exemplo:

Só não posso elogiar em público”

Pronto. Vocês acabam de entender perfeitamente o que é desonestidade intelectual.

Questionando José Dirceu (ou apontando as contradições óbvias)

03/07/2009

Diz o ex-Ministro José Dirceu em artigo publicado no blog do jornalista Ricardo Noblat:

“Assim como está hoje definido na Constituição e no ordenamento político do país, o Senado se transformou de fato numa fortaleza não só da oposição mas do conservadorismo e do poder oligárquico. É hora de mudar. Esta é a hora da reforma.”

Deixe-me ver se entendi: Dirceu está criticando o monstro que o Senado se tornou, falando contra o conservadorismo e o poder oligárquico que regem a Casa alta do Legislativo e dizendo que é o Senado é uma fortaleza da oposição.

Pois bem. Acredito que Dirceu é um pouquinho contraditório. Senão vejamos:

Primeiramente, quanto à acusação de que o Senado é fortaleza da oposição, vale lembrar da história recente:

Quem foram os candidatos à presidência do Senado?

Ah, é mesmo! José Sarney, membro da base aliada do governo, e Tião Viana, do PT.

Quem foram os presidentes do Senado recentemente?

Ah, é mesmo! Garibaldi Alves e Renan Calheiros, ambos da base aliada do governo.

Em segundo lugar, quanto à crítica ao conservadorismo e o poder oligárquico:

Quem representa estes conceitos?

Ah, é mesmo! José Sarney.

Quem está apoiando Sarney fortemente?

Ah, é mesmo! O Presidente Lula, companheiro de Dirceu.

Ora, Zé, faça-me o favor! “É  hora de mudar. Esta é a hora da reforma”. Faz-me rir.

Na realidade, bato palmas para você:

Abram alas para José Dirceu. Recordista mundial de desonestidade intelectual, maior representante vivo da cultura “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço” e mestre em contorcionismo retórico.