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Paulo Octávio não renunciou: Você entendeu? Não? Nem eu!

19/02/2010

Tudo indicava que Paulo Octávio renunciaria ao Governo do Distrito Federal. O Vice de Brasília, Governador em exercício, não tem apoio político e nem muitas condições de virar esse jogo.

P. O. tentou convidar nomes fortes para compor um novo secretariado. Não conseguiu. Tentou fazer uma gestão suprapartidária. Não conseguiu. Tentou ser recebido pelo Presidente Lula. Só conseguiu com atraso.

Octávio luta também contra pedidos de impeachment, manifestações populares e denúncias.

Governando com esse cenário, Paulo Octávio marcou uma coletiva de imprensa. Todos esperavam a renúncia.

Eis que o substituto de Arruda diz que ficará mais alguns dias, que tentará mais um pouco e que decidiu tomar essa atitude após conversar com Lula.

Disse também que, ficando no poder, diminui o risco de intervenção federal no DF e que muitos partidos o pediram para ficar.

Acontece que o Ministro Alexandre Padilha, das Relações Institucionais, disse que Lula não aconselhou nada. Roberto Gurgel, Procurador Geral da República, disse que Octávio estar ou não no governo não altera a questão da intervenção federal. Por fim, os representantes dos partidos na Câmara Legislativa não parecem nem um pouco solidários.

Mesmo assim, o Vice ainda não deixará o governo, embora vá deixar o DEM, já que o partido provavelmente o expulsará se não o fizer. Não há saída dentro da legenda.

Não há também vislumbre de melhora para a situação política do DF. Nem para a de Paulo Octávio. Nenhum analista político conseguiu uma explicação plausível para o fato de o Vice não ter renunciado. Não entendem que esperança ele tem. A estratégia de inaugurar obras e fingir que a crise não existe não vai funcionar.

Fato é que Paulo Octávio não renunciou.

Você entendeu? Não?

Nem eu.

Novas denúncias: Arruda se preocupa e pensa em renúncia para fugir de cassação

16/02/2010

Informa o Globo, a respeito da preocupação de José Roberto Arruda com relação às novas denúncias que envolvem seu nome e o seu governo:

“O advogado Thiago Bouza, que visitou nesta segunda-feira na prisão o governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), disse que tem informado o governador afastado sobre as novas denúncias, como a de loteamento de cargos do governo e a suspeita de que a Polícia Civil do DF teria sido usada para espionar investigações conduzidas pelo Ministério Público a respeito do suposto esquema de corrupção que ficou conhecido como escândalo do mensalão do DEM de Brasília.

- O Arruda começa a demonstrar a preocupação a respeito disso ( novas denúncias) – disse Thiago Bouza, que trabalha no escritório de Nélio Machado. “

Informa o Estadão, também sobre Arruda, dessa vez citando a possibilidade de renúncia do Governador afastado para fugir da cassação e, ao mesmo tempo, aumentar as chances de conseguir um habeas corpus:

“Aliados do governador licenciado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM, sem partido), apostam na sua renúncia como saída para escapar da já acertada cassação do mandato, na Câmara Distrital, e da prisão. Na tentativa de impedir a intervenção federal no governo de Brasília e pressionar Arruda a renunciar, os deputados distritais fizeram um acordo para aprovar, na quinta-feira, 18, o pedido de abertura de impeachment do governador licenciado. Ao mesmo tempo, com o abandono do cargo, aumentam as chances de Arruda ganhar o habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF), para ser libertado.”

Os dois trechos reproduzidos acima comprovam, determinantemente, um fato:

O cerco sobre Arruda está, sem dúvida, e acertadamente, se fechando.

Aguardemos o desenrolar dos fatos.

2ª Coluna do dia: Caso Arruda – Ponto para o sistema!

14/02/2010

Por Tiago Franz*

Em outras ocasiões, escrevi aqui no Perspectiva que, dos ideais republicanos e positivistas grafados na nossa Bandeira Nacional, “ordem e progresso”, o primeiro é anterior ao segundo, como causa e consequência. Mas isso parece óbvio, não? E é. Apenas relembro para que pensemos essa relação a partir de um recente e importantíssimo ocorrido da nossa República: o esquema de corrupção chamado por alguns de “mensalão do DF”.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) acatou os pedidos do Ministério Público e decretou, nesta quinta-feira (11), a prisão do governador do DF, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), acusado de formação de quadrilha e corrupção de testemunha. A investigação do tal “mensalão do DF” já estava a cargo da Justiça e o Governador – apontado como mentor do esquema de compra de parlamentares – respondia em liberdade, mas eis que um de seus homens foi pego em flagrante pela Polícia Federal tentando subornar o jornalista conhecido como Edson Sombra, testemunha do esquema de corrupção.

A ordem de prisão foi decretada com base no artigo 312 do Código de Processo Penal: “A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria”.

O que dizer disso tudo?

Simples. A PF fez seu papel. O MP fez seu papel. O STJ, representado pelo ministro Fernando Gonçalves, que decretou a prisão de Arruda, fez seu papel. O jornalista Sombra, tanto como profissional como cidadão, fez seu papel.

O que acontece quando, em um Estado Democrático de Direito, as “peças do aparelho” cumprem devidamente seu papel? O que acontece quando um caso de corrupção por parte do Executivo e do Legislativo é apurado pelo Judiciário, a quem realmente compete tal função? O que acontece quando o Ministério Público encaminha as denúncias e medidas aos tribunais competentes e estes as acolhem e aplicam? E quando a imprensa dá a devida repercussão ao fato e, sendo testemunha, não se deixa subornar pelo acusado?

Eis o que acontece: a ordem se aplica, a máquina funciona, a democracia se fortalece e a sociedade progride. Ponto para o sistema!

Já que somos oficialmente uma República, um Estado Democrático de Direito, então que o sejamos mesmo, de fato.

O “caso Arruda” ainda vai longe, mas já se pode dizer que se trata de um ótimo exemplo para o Brasil.

*Tiago Franz é jornalista, colunista do Perspectiva Política aos domingos e escreve no Twitter em @tiagofranz

Sucessão Gaúcha: Yeda quer tentar a reeleição, Perspectiva vê poucas chances

18/01/2010

A Governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), vem sofrendo durante o seu governo por conta de denúncias de corrupção e escândalos que atingem seu entorno e a ela mesma indiretamente. Por conta desses fatores, a aprovação de sua gestão caiu bastante e os níveis de intenção de voto para as eleições deste ano no que diz respeito à Governadora são reduzidos.

Sabendo disso, o PSDB nacional, visando montar um forte palanque para José Serra no Rio Grande do Sul e consolidar uma liderança tucana nas pesquisas para a Presidência que será importante para compensar a liderança do PT e de Lula no Nordeste, prefere apoiar o peemedebista José Fogaça, fazendo dele o palanque o de Serra, polarizando a eleição entre ele e o Ministro Tarso Genro (PT) e reconhecendo a inviabilidade da candidatura de Yeda à reeleição.

Acontece que a Governadora, de uns tempos para cá, está decidida a tentar a reeleição e busca convencer o tucanato nacional de que sua candidatura é viável, podendo ser ela um palanque forte e legitimamente tucano para José Serra. Yeda, inclusive, tem exibido para líderes tucanos como o Senador Sérgio Guerra, Presidente do partido, pesquisas onde aparece como tendo curva ascendente nas intenções de voto.

Aparentemente, o PSDB estaria começando a cogitar a possibilidade de dar corda para Yeda.

Este que vos fala acredita que, politicamente, é um erro do tucanato. José Fogaça está disposto a receber o apoio do PSDB e fazer palanque para Serra, se coloca muito melhor nas pesquisas gaúchas, não tem sobre sua cabeça denúncias e escândalos e, principalmente, representaria, estando com o PSDB, obstáculo para a aliança formal nacional entre PT e PMDB.

Em suma, se fosse eu tucano, não cogitaria o nome de Yeda, reconhecendo que as dúvidas a respeito da retidão moral e ética da Governadora e as pesquisas que apontam Tarso Genro e José Fogaça orbitando os 30% e Yeda Crusius ao redor dos 5% são suficientes para que se tome a decisão correta.

Aliás, o Perspectiva adiantou há meses que Yeda acreditava internamente em um milagre e, embora essa crença da Governadora seja agora pública, as probabilidades não mudaram e o posicionamento deste blog no sentido de que a candidatura dela seria um erro continua.

Contudo, quem decide isso é a cúpula tucana e o PSDB, como todos sabemos e como vem sendo provado nos últimos anos, é mestre na arte de perder para si mesmo.

José Roberto Arruda: Site da OAB-DF suprime notícias que acusam o Governador e depois de descoberto sai do ar

09/01/2010

Informa a Folha:

“O site da OAB-DF (Ordem dos Advogados do Brasil) do Distrito Federal saiu do ar na tarde desta sexta-feira depois que notícias envolvendo o governador José Roberto Arruda (sem partido) foram retiradas da página. Às 15h de hoje, o site funcionava normalmente.

Segundo a assessoria da OAB-DF, o site está sendo reformulado para apresentar os dados da nova gestão da entidade. A previsão é que a página volte ao normal até segunda-feira.

A assessoria explicou que as notícias da gestão 2008-2009 voltarão ao ar. A retirada aconteceu por uma falha técnica, segundo a OAB-DF.

As páginas, que traziam reportagens sobre o escândalo do mensalão do DEM, sumiram dias após o novo presidente da entidade, Francisco Caputo, tomar posse do cargo.

Caputo é membro do escritório de advocacia que defende Arruda.”

Pode até ser que as explicações da OAB-DF sejam completamente verdadeiras, porém, criar em nossas mentes um processo lógico nada favorável à entidade é inevitável.

O fato de justamente as notícias contrárias a José Roberto Arruda sumirem do site da OAB-DF antes de outras nos dá a impressão de uma improvável coincidência.

A saída do ar do site da OAB-DF como um todo logo após a descoberta do sumiço das notícias nos causa estranheza.

Somar tudo isso com a questão de o atual Presidente da OAB-DF ser sócio do escritócio de advocacia que defende Arruda traz desconfiança.

Vergonha: Eros Grau arquiva em definitivo pedido de reabertura de ações contra Sarney

31/08/2009

Recentemente, este blogueiro que vos fala publicou o seguinte trecho:

O fato de a Mesa Diretora não ter permitido que o Plenário da Casa se manifestasse a respeito do arquivamento empreendido por Paulo Duque é uma vergonha. Estão certíssimos os senadores que assinam o pedido junto ao STF. Se não der em nada, que se busquem outras alternativas, mas não se pode ficar de braços cruzados deglutindo a pizza.

Esperemos que o Ministro Joaquim Barbosa faça jus aos elogios que recebe de alguns e tome a decisão correta, ou seja, ordene que o Plenário da Casa avalie o arquivamento das denúncias contra Sarney e derrube esta balela dos sarneyzistas de que o regimento não permite essa apreciação pelo Plenário.

O Ministro Eros Grau, que julgou o pedido liminar, negou seguimento a ele. Eros substituiu Barbosa pois este está de licença médica. Tomara que, voltando ao serviço, Barbosa tenha entendimento diferente no julgamento definitivo. Até lá tudo já terá esfriado, daí a necessidade do pedido liminar, porém, como diz o ditado, antes tarde do que nunca.

Pois bem. Acontece que a esperança de que o Ministro Joaquim Barbosa pudesse decidir a favor da intenção de alguns senadores de submeter a  uma votação no Plenário do Senado a manutenção do arquivamento das denúncias contra Sarney foi por água abaixo.

Não foi o Ministro Joaquim Barbosa quem proferiu decisão definitiva sobre o caso e não foi aprovado o pedido de reabertura das ações contra Sarney. Em suma, manteve-se a pizza no STF.

Informa a Folha sobre esta vergonha, explicando o que ocorreu:

“A decisão do ministro Eros Grau, do STF (Supremo Tribunal Federal), de negar pedido para a reabertura dos processos que envolvem o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), não será analisada pelo plenário do tribunal. Grau arquivou em definitivo o pedido de sete senadores para que os processos contra Sarney fossem analisados pelo plenário da Casa.

Em sua decisão, o ministro argumenta que a questão é interna do Congresso Nacional, por isso o Supremo não pode se manifestar sobre temas ‘interna corporis’ do Legislativo. Com a decisão de Grau, uma vez que o STF é a última instância do Poder Judiciário, os senadores terão que acatar sem contestações o arquivamento dos 11 processos contra Sarney pelo Conselho de Ética do Senado.”

“Interna corporis” do Legislativo, Ministro Eros Grau? Ora! O Supremo Tribunal Federal se imiscuiu tanto nos assuntos dos outros Poderes recentemente que já chega a ser criticado pelo aumento da tal “judicialização da política”. Porém, quando se trata de não permitir que uma pizza vergonhosa seja empurrada goela abaixo dos cidadãos brasileiros o Egrégio Tribunal se omite?

É claro que um erro não justifica o outro e que, portanto, não deve o Judiciário ultrapassar sua competência apenas por já o ter feito antes. Esse argumento seria ridículo e frágil. Erros não justificam outros.

Contudo, não deixa de ser curioso que o Ministro Eros Grau tenha escolhido o momento de proteger ou prejudicar José Sarney para decretar que o STF não pode se meter naquilo que não lhe diz respeito.

Outra coincidência um tanto estranha é o fato de que a lentidão do Supremo não foi observada desta vez. Grau arquivou tudo antes que Joaquim Barbosa pudesse, retornando de sua licença-médica, colocar as mãos no caso para decidir em definitivo. Será que havia receio de certos grupos com relação ao que Barbosa poderia decidir? Será que prefiriram apenas não arriscar? Ou será que não há nada disso e eu estou enxergando coisas?

De qualquer forma, ainda existem esperanças de que as coisas não fiquem assim. Não podemos engolir essa pizza. Não podemos nos render ao conformismo.

Um exemplo do que ainda pode acontecer é informado pela Folha. O jornal diz que os senadores [que representaram contra Sarney] vão esperar o surgimento de novas denúncias contra o Presidente do Senado para que sejam apresentadas outras representações contra o peemedebista –uma vez que denúncias sobre assuntos similares não podem ser reapresentadas ao colegiado.

Antes de novas representações, a oposição vai tentar aprovar mudanças na estrutura do Conselho de Ética para impedir que os grandes partidos monopolizem as vagas do colegiado.

O Senador Antônio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA) deve apresentar parecer na quarta-feira com as propostas de mudanças, entre elas a que prevê que o colegiado será formado por um representante de cada partido -sendo que os líderes partidários terão preferência. Eles terão ainda que cumprir os requisitos como não ter problemas com a Justiça e não ter processo por improbidade administrativa.

Aguardemos esperançosos. Não compro a visão de que Sarney não deve pagar pelo que fez pois outros não pagaram.

Se para cada caminhada há um primeiro passo, para toda limpeza há uma primeira varrida.

Temos, sim, que lutar até onde for possível para que o Plenário do Senado julgue se as denúncias contra Sarney devem mesmo ser arquivadas. Digo isso pois, dessa forma, a sociedade poderá pressionar aqueles que elegeram e demonstrar que não os elegerá novamente caso protejam Sarney.

No fim das contas, é uma votação no Plenário do Senado que poderá fazer com que a Casa se veja obrigada a se sintonizar com a sociedade. E essa sintonia representaria, invariavelmente, a retirada de Sarney da posição que ocupa.

Essa retirada deve ser levada a cabo pois não podemos ter a Casa alta do Legislativo nacional sendo comandada por alguém desmoralizado, suspeito e cambaleante.

Além disso, a votação no Plenário poderia nos dizer o que realmente queremos saber: Quem são, exatamente, todos aqueles que protegem Sarney, sem exceção.

Queremos saber isso para sabermos em quem não votar!

Joaquim Barbosa vai relatar recurso no STF contra arquivamento do caso Sarney

29/08/2009

Informa o Globo:

“O ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), será o relator da ação apresentada pela oposição contra a decisão da Mesa Diretora do Senado de rejeitar o recurso que contestou o arquivamento das 11 denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), pelo Conselho de Ética. De acordo com a assessoria de imprensa do STF, Joaquim Barbosa, que está de licença médica, volta ao trabalho nesta segunda-feira.

Inicialmente, o caso seria relatado pelo ministro Celso de Mello, mas ele se declarou impedido – por questões de foro íntimo – e solicitou a troca na relatoria.

O pedido ao STF é assinado por José Nery (PSOL-PA), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Renato Casagrande (PSB-ES), Jefferson Praia (PDT-AM), Demóstenes Torres (DEM-GO), Pedro Simon (PMDB-RS) e Kátia Abreu (DEM-TO).

No mandado de segurança, esses senadores argumentam que a decisão da Mesa de negar recurso ao plenário da Casa foi ‘unilateral e antirregimental’. A ação argumenta que ‘a competência do plenário do Senado não poderia, nunca, ter sido usurpada pela Mesa, quanto mais por um ato unilateral e monocrático’. Para os senadores, ‘a permanência da decisão da Mesa do Senado impõe desnecessário e irreparável prejuízo político e institucional ao Legislativo’.

A ação sustenta que ‘é forte o dano e irreparável o prejuízo à imagem e prerrogativa dos parlamentares impetrantes, com o perigo do descredenciamento e retirada de legitimidade dos parlamentares frente aos seus eleitores’, a permanência de um senador sob suspeita sem que haja investigação competente.”

Primeiramente, é importante frisar que o recurso é corretíssimo. Os argumentos presentes são inegáveis. É verdade que a competência do Plenário não poderia ter sido usurpada pela Mesa Diretora que negou, de pronto, o recurso ao Plenário do Senado no que tange o arquivamento das denúncias contra Sarney.

O fato de a Mesa Diretora não ter permitido que o Plenário da Casa se manifestasse a respeito do arquivamento empreendido por Paulo Duque é uma vergonha. Estão certíssimos os senadores que assinam o pedido junto ao STF. Se não der em nada, que se busquem outras alternativas, mas não se pode ficar de braços cruzados deglutindo a pizza.

Esperemos que o Ministro Joaquim Barbosa faça jus aos elogios que recebe de alguns e tome a decisão correta, ou seja, ordene que o Plenário da Casa avalie o arquivamento das denúncias contra Sarney e derrube esta balela dos sarneyzistas de que o regimento não permite essa apreciação pelo Plenário.

O Ministro Eros Grau, que julgou o pedido liminar, negou seguimento a ele. Eros substituiu Barbosa pois este está de licença médica. Tomara que, voltando ao serviço, Barbosa tenha entendimento diferente no julgamento definitivo. Até lá tudo já terá esfriado, daí a necessidade do pedido liminar, porém, como diz o ditado, antes tarde do que nunca.

Sarney diz que Senado voltará ao normal mas não podemos permitir

20/08/2009

Informa a Folha:

“O presidente do Senado José Sarney disse nesta quarta-feira que está satisfeito com o arquivamento das ações contra ele no Conselho de Ética. Sarney disse que espera que a Casa volte à normalidade.

‘Acho que vai normalizar a Casa’, afirmou Sarney ao ser questionado se a crise estava superada. ‘Acho que todos estamos [satisfeitos] porque ultrapassamos uma fase’, disse.”

Ora, meus caros, o que Sarney diz é que a impunidade vai rolar solta. A Casa vai voltar à “normalidade”? Que normalidade? A de um Senado presidido por um homem desmoralizado, sem autoridade e sob as diretrizes de Renan Calheiros? Não há normalidade, a pizza é que está para ser assada, isso sim! Esta é a normalidade de Sarney, uma normalidade de muzzarella.

Não podemos permitir que essa normalidade de pizzaria reine no nosso Senado Federal! A sociedade civil pode, e deve, pressionar para que os recursos contra os arquivamentos das denúncias sejam levados ao Plenário do Senado.

Nada de acordão! Por mais que no Plenário os senadores estejam protegidos pelo voto secreto, que abre caminho para o compadrio, teremos pelo menos mais uma chance de pressionar e mostrar aos senadores que os que defendem Sarney não ficarão impunes. Mantenhamos a posição de repúdio aos que defendem Sarney, explicitada na Campanha Não Voto Em Quem Defende Sarney, criada por este blog.

Não podemos aceitar que a oposição, acuada pelas ameaças do PMDB e tentada a se render ao corporativismo, não leve os casos para o Plenário do Senado. Alguns estão dizendo que o regimento do Conselho de Ética não permite esse procedimento, mas isso é balela de sarneyzista.

Os senadores têm, sim, que se sentir pressionados pela opinião pública. Os recursos devem ser levados ao Plenário, até mesmo para que saibamos qual é o real nível ético do Senado, afinal, se Sarney for novamente auxiliado, teremos certeza de sua baixeza.

Por enquanto, só resta a este blogueiro elogiar o PSOL, partido com o qual tenho divergências no que tange alguns de seus posicionamentos e ideais, mas que merece ser respeitado pela atitude que, pelo visto, irá tomar.

Explico: Contrariando o cenário de acordão geral, o partido deve levar os recursos contra os arquivamentos das denúncias a respeito de Sarney ao Plenário.

O líder e único Senador do PSOL, José Nery (PA), coleta assinaturas para recorrer à Mesa do Senado contra as decisões do Conselho de Ética. Ele precisa de nove assinaturas e corre a informação de que ele está muito perto deste número.

Que a oposição una-se ao PSOL nesta luta visando um objetivo comum: Tirar o Senado do abismo!

Alguns senadores do PSDB e DEM já estão aderindo à proposta de Nery. É isso mesmo que esperamos de vocês! E todos os outros, de qualquer partido, que queiram se dizer pessoas de bem.

Os que não compactuam da iniciativa de Nery dizem que ela será derrotada no Plenário. Mas ele e os adeptos do recurso argumentam que é preciso marcar posição e, pelo menos, expor Sarney e seus defensores a mais alguns dias de críticas.

Concordo com estes últimos.

E que o PSDB não fique com receio visando proteger Arthur Virgílio. Este blogueiro já disse e repete: Se Virgílio jogar tudo para o alto e aceitar o risco em troca da luta contra Sarney, estará prestando imenso serviço aos brasileiros.

Estará retirando lenha do forno da pizzaria.

Flávio Arns diz que PT compactua com irregularidades pelo poder

20/08/2009

Recentemente, este blog, e outros meios, comunicaram as contundentes declarações do Senador Flávio Arns, petista e representante do Paraná.

Arns afirmou, após o PT interpretar papel de protagonista na manutenção do arquivamento das denúncias contra Sarney, que está pensando seriamente em deixar o partido, já que entende que a legenda abandonou de vez a bandeira da ética, que parece ter parado de tremular.

Na ocasião em que noticiei este fato, elogiei a posição do Senador. Acredito piamente que se Flávio Arns entende que o PT não representa mais os seus ideais, coisa que creio ser provável, deve mesmo deixar o partido.

O caso de Arns é um dos que confirma o que este blogueiro vem dizendo há meses: Haverá revolta de diversos petistas comprometidos com as causas antigas do partido no que tange a defesa de Sarney pela legenda governista e é um equívoco do governo entender que a sociedade não vai se lembrar de como o PT atuou no Conselho de Ética, até porque a oposição estará aí para lembrar.

Pois bem. Seguindo o acompanhamento do caso, reproduzo abaixo, na íntegra, entrevista de Flávio Arns concedida ao Portal Terra. Nela, o Senador diz que o PT compactua com irregularidades pelo poder. Confira:

O senhor anunciou que vai deixar o PT por estar decepcionado com o partido. Como avalia a postura do partido nesse episódio?
Pensei que pudesse haver todo tipo de pressão. Fomos eleitos senadores e senadoras para suportamos pressões. Pressões de toda ordem existem, mas temos que estar em sintonia com princípios de ética, com o que o povo está pensando, com transparência, com investigação. Fui surpreendido pela nota do presidente do partido (pedindo para todos votarem por arquivar as denúncias contra Sarney). Isso me fez muito mal. O PT jogou a ética no lixo. O que nós fizemos hoje como partido é exatamente o contrário da filosofia, o contrário do que o povo pensa, o contrário do que a consciência indica.

O PT compactuou com irregularidades de Sarney? Por que a investigação contra o presidente do Senado não aconteceu?
O PT não pode compactuar. Na verdade, ele está pensando no processo eleitoral e, para isso, está dizendo que a investigação não deve acontecer. Isso é compactuar com o quadro atual, que não se deseja abordar em função das necessidades eleitorais do próximo ano.

O presidente Lula teve um papel na decisão do presidente do PT, Ricardo Berzoini, de determinar que a bancada votasse pelos arquivamentos?
O presidente do Partido dos Trabalhadores jamais tomaria uma decisão dessas sem consultar o Planalto. Isso é impensável. Tem que haver uma sintonia. O PT saiu em “frangalhos” desta situação, com problemas e vai sofrer muito. Perdeu credibilidade, jogou as bandeiras no lixo, e isso vai fazer muito mal ao Partido dos Trabalhadores.

Nos últimos anos, o PT enfrentou denúncias como o mensalão e outros casos. O pior que ele poderia ter feito foi compactuar agora com Sarney?
A pior coisa para o PT foi ter havido a reeleição. O processo de reeleição faz muito mal para a vida partidária, e o desejo de continuar no poder, ao invés de pensar em fazer uma boa gestão, bem discutida, dialogada, com novos parâmetros para construir uma vida política melhor e diferente no Brasil, faz que ele pense “eu preciso me coligar porque quero permanecer (no poder)”. É a ânsia do poder do PT, a volúpia do poder e isso fez muito mal ao partido.

Essa ânsia de poder fez o PT ficar refém de José Sarney e não poder abandoná-lo agora?
Não havia necessidade dessas coligações que não são bem explicadas. Todos os projetos de lei que vieram para o Senado e que foram bem discutidos com a sociedade foram aprovados integralmente: reforma do Judiciário, reforma da Previdência, Lei de Falências. Só o desejo do poder é que faz que haja certas coligações quando todos nós esperávamos nova perspectiva na vida política. Estamos tendo uma chance histórica – a sociedade toda está acompanhando – temos uma chance monumental de se criar novos hábitos na vida política. E o PT disse “não, não queremos, queremos que continue tudo como está”.

O PT está dependente de Sarney porque está pensando em 2010 e na eleição da ministra Dilma?
Não diria dependente de Sarney, mas ele (o partido) acha que é dependente do PMDB. É uma ilusão achar que a sociedade vai perdoar um equívoco dessa natureza (votar pelo arquivamento dos questionamentos contra Sarney).

A sociedade deveria punir o PT por ter se omitido no processo de investigação do presidente Sarney?
Penso que a sociedade, sem dúvida, está muito decepcionada com o que aconteceu. Espero que fique muito decepcionada mesmo e que reflita sobre essa decepção.

PMDB tenta acordo com a oposição no Senado: O pescoço de Virgílio pelo de Sarney

11/08/2009

Informa o Estadão:

“O governo e os principais líderes aliados e da oposição já trabalham abertamente em favor de um “acordão” entre o PMDB e o PSDB para resolver a crise no Senado. Mesmo considerada difícil, a saída política para o impasse começou a ser construída ontem por interlocutores de peso dos dois partidos, na tentativa de salvar tanto o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), como o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).

Em conversas reservadas, porém, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deram a senha para a trégua: pediram que os tucanos não ponham mais combustível na crise, se não quiserem ver o PMDB esticar novamente a corda.

Os principais articuladores da negociação são os líderes do governo, Romero Jucá (PMDB-RR); do PMDB, Renan Calheiros (AL); do PT, Aloízio Mercadante (SP), e o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Nem todos, porém, têm falado a mesma língua e há estocadas de parte a parte.”

Não tenho dúvidas de que a realidade da negociação deste famigerado “acordão” é próxima da descrita pelo jornalista Ricardo Noblat. Diz ele:

“Costura-se um acordão para que Sarney fique na presidência e seja engavetada a representação do PMDB que pediu a cassação do mandato de Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, por quebra de decoro. O Senado pagou o salário de um assessor de Virgílio que estudou cinema em Barcelona durante dois anos.

Emparedado por Lula, o PT não tem coragem para votar pelo desarquivamento de denúncias e representações contra Sarney no Conselho de Ética. Mas não quer se indispor com a opinião pública votando pela manutenção do arquivamento.

O PSDB almeja o apoio do PMDB em vários Estados para seu candidato à sucessão de Lula – e não quer encrenca para as bandas de Virgílio.

O PMDB quer salvar Sarney – e manter abertas as portas que o levarão a se compor ora com o PT, ora com o PSDB nas eleições do próximo ano.

Quanto ao DEM, que ajudou Sarney a se eleger presidente do Senado, esse irá a reboque do PSDB. Apóia José Serra para presidente. Nada fará que possa atrapalhá-lo.

O pedido do PMDB para cassar Virgílio foi feito para pavimentar o caminho do acordão. Está dando certo.”

Sim, esta é a realidade das negociações de bastidores do Senado. Acontece que este blogueiro, na pele do Senador Arthur Virgílio, iria em frente. É claro que é muito mais fácil para mim, sentado em frente ao meu computador, advogar a recusa de Virgílio no que tange o tal “acordão”, porém, acredito que é realmente isso que o líder tucano deveria fazer.

O Senador deveria mandar às favas o oferecimento do PMDB e, com isso, manter a oposição no rumo da pressão pela renúncia de Sarney e fazer com o que PT tenha que se posicionar na marra, afinal, o povo tem o direito de saber como o partido governista sairá da sinuca em que se encontra – defender Sarney e ficar mal na foto ou abandonar Sarney e ficar mal com Lula -, sem se utilizar de subterfúgios, artifícios e adiamentos das reuniões decisivas.

Este blogueiro já disse o que segue aqui neste blog e repete:

Não seria ótimo se Virgílio, motivado pelo vislumbre de ter sua vida complicada e pelo consequente pensamento de que não há muito o que perder, se tornasse voz cada vez mais ácida contra Sarney?

Fale tudo, Senador! Denuncie tudo o que sabe, fale sobre todos os assuntos obscuros, conte ao povo se lhe propuserem a tal barganha!

Eu, se fosse Arthur Virgílio, levaria tudo às últimas consequências. Se fosse para cair, levaria Sarney comigo.

Estaria prestando serviço grandioso à nação e, por ter sido a maior voz de oposição ao político que personifica a falta de virtude da política nacional, não encontraria muitos problemas junto à opinião pública para, tendo ressarcido tudo que fiz o Senado gastar indevidamente, me eleger novamente no futuro.

Se Arthur Virgílio for alguém que coloca o interesse coletivo à frente do pessoal, é isso que ele deve fazer. Doa a quem doer. Nada de barganha.

Eu devolveria ao Senado todo o dinheiro gasto por minha culpa e diria de forma tácita: Tombemos os dois e vejamos quem se levanta. Pena que nem todos são assim.